quarta-feira, 9 de maio de 2012

[SGM] Revendo a "Boa Guerra"

Patrick Buchanan


Nas primeiras horas de 1º de setembro de 1939, 72 anos atrás, o exército alemão cruzou a fronteira polonesa.

Em 3 de setembro, o Primeiro Ministro Britânico Neville Chamberlain, tendo não recebido nenhuma resposta para seu ultimato exigindo que a Alemanha recuasse, declarou que um estado de guerra agora existia entre a Grã-Bretanha e a Alemanha.

O império seguiu a pátria. A Segunda Guerra Mundial havia sido iniciada. Ela duraria seis anos, resultando na morte de milhões e terminando com a Alemanha em ruínas, metade da Europa sob o jugo de Josef Stalin e o Império Britânico no caminho do colapso.

Apesar de ter provado ser uma ferida mortal que causou a morte do Ocidente, a maioria das pessoas hoje aceitam a Segunda Guerra como inevitável, aliás como a "boa guerra".

É dito e acredita-se que Adolf Hitler foi não somente a encarnação do mal, mas também era sedento por conquistas, primeiro a Polônia e então a Europa e depois o mundo.

Para parar tal monstro, todos tinham que arriscar tudo.

Estas são as duas sentenças no capítulo final do novo livro do historiador britânico Richard Overy, "1939: Contagem Regressiva para a Guerra", completando:

"Poucos historiadores hoje aceitam que Hitler tinha um plano ou projeto para a conquista do mundo... Pesquisas recentes sugerem que quase não haviam planos para fazer com uma Polônia conquistada e que a visão de um novo Império Alemão... teve que ser improvisada quase do rascunho."

Mas se Hitler não tinha "plano ou projeto para a conquista do mundo," isto levanta talvez a grande questão do século XX.

Qual foi a aposta da Inglaterra numa disputa territorial teuto-polonesa para justificar uma guerra da qual a nação britânica e o império jamais se recuperariam?

Como a guerra aconteceu é o objetivo do livro de Overy.

Em agosto de 1939, Hitler acreditava que a intransigência polonesa sobre a cidade de Danzig significava que a Alemanha teria que resolver o assunto à força. Mas ele desesperadamente não queria a guerra com a Inglaterra, como alguém que lutou contra ela entre 1914 e 1918.

Para prevenir que um confronto teuto-polonês resultasse numa guerra européia, contudo, Hitler teve de romper a aliança anglo-polonesa formada na primavera anterior.

Para tanto, Hitler negociou seu próprio pacto com Stalin, um golpe que significou que qualquer declaração de guerra britânica para salvar a Polônia seria um gesto inútil. Mas quando o pacto Hitler-Stalin foi anunciado, decretando o destino da Polônia, a Inglaterra reafirmou seu compromisso com aquele país.

Hitler imediatamente programou a invasão para 26 de agosto.

Na última análise, diz Overy, a "honra" britânica, honrando a garantia de guerra de Chamberlain para os poloneses, levou a Inglaterra para a guerra.

Quando e por que este compromisso foi dado?

Em 31 de março de 1939, Chamberlain, humilhado pelo colapso de seu acordo de Munique e a ocupação de Praga por Hitler, fez uma garantia de guerra não-solicitada para a polônia, então governada por uma junta de coronéis.

Para compreender a absoluta irracionalidade e precipitação desta decisão, temos que compreender a questão envolvida e a situação da Grã-Bretanha em 1939.

Primeiro, a questão: a disputa teuto-polonesa era sobre uma cidade, Danzig, e a maioria dos líderes britãnicos acreditavam que ela tinha sido tomada injustamente da Alemanha no final da Primeira Guerra e deveria ser devolvida.

A reinvidicação alemã sobre Danzig era lembrada como uma entre as mais justas feitas pela Alemanha que a maioria concorda terem sido resultado do injusto e vingativo Tratado de Versalhes.

O que os próprios cidadãos de Danzig queriam? Escreve Overy:

"Em maio de 1933, logo após Adolf Hitler chegar ao poder na Alemanha, o Partido Nacional Socialista de Danzig ganhou 38 das 72 cadeiras da assembléia e formou o governo da cidade... Por volta de 1936, havia virtualmente um sistema de partido único... A população alemã fortemente nacionalista agitou em 1939 para devolver a cidade para a Alemanha."

Em suma, os alemães queriam sua cidade de volta, e os danzigers queriam voltar à Alemanha. E a maioria dos britânicos não tinham nenhuma objeção.

Mesmo assim, eles garantiram a recusa da polônia mesmo em negociar, e quando isto levou à guerra, a Inglaterra declarou guerra à favor da polônia.

Por que a Inglaterra fez isso?

Acima de tudo, a garantia de guerra foi dada em resposta à destruição da Tchecoslováquia, mas os coronéis poloneses haviam eles próprios participado de tal destruição e tomaram um pedaço daquele país.

Segundo, apesar da garantia, a Inglaterra não tinha planos para vir ao auxílio da polônia. Terceiro, a Inglaterra não dispunha de meios para parar a Alemanha. Quando Hitler bombardeou Varsóvia, os bombardeiros britãnicos despejaram panfletos sobre a Alemanha.

Se a Inglaterra não tinha nenhuma chance de salvar a Polônia e nem nenhum plano, por que encorajar os poloneses a lutar ao oferecer o que os ingleses sabiamser uma garantia de guerra inútil? Por que declarar uma guerra européia e mundial por um país que a Grã-Bretanha não poderia salvar e por uma causa, Danzig, que ela não acreditava, numa Europa Oriental que a Inglaterra não tinha nenhum interesse vital?

Disse o Secretário do Exterior Britânico Lorde Halifax: "Devemos jogar tudo o que pudermos na balança no lado da lei em oposição à ilegalidade na Europa."

E jogar tudo foi o que fizeram. E o que aconteceu com a Polônia?

Em Teerã e Yalta, outro Primeiro Ministro, Winston Churchill, deu a Polônia para o império de Stalin, em cujo cativeiro ela permaneceu por meio século.

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[SGM] Hitler queria a Guerra?

Patrick Buchanan


Em 1º de setembro de 1939, 70 anos atrás, o exército alemão cruzou a fronteira polonesa.Em 3 de setembro, a Grã-Bretanha declarou guerra.

Seis anos depois, 50 milhões de cristãos e judeus morreram. A Inglaterra estava quebrada e falida, a Alemanha uma ruína queimada. A Europa havia servido como local para o combate mais sangrento conhecido pelo homem, e civis sofreram horrores piores que os soldados.

Em maio de 1945, as hordas do Exército Vermelho ocuparam todas as grandes capitais da Europa Central: Viena, Praga, Budapeste, Berlim. Cem milhões de cristãos estavam sob o jugo da tirania mais bárbara da história: o regime bolchevista do maior terrorista de todos os tempos, Josef Stalin.

Qual causa poderia justificar tais sacrifícios?

A guerra teuto-polonesa era uma disputa sobre uma cidade do tamanho de Ocean City (Maryland), no verão. Danzig, 95% alemã, foi separada da Alemanha em Versalhes em violação ao princípio da auto-determinação de Woodrow Wilson (presidente dos EUA). Mesmo os líderes britânicos achavam que Danzig deveria ser retornada.

Por que Varsóvia não negociou com Berlim, que estava oferecendo um território na Eslováquia como compensação? Porque os poloneses tinham uma garantia de guerra da Inglaterra que, caso a Alemanha atacasse, ela e seu império viriam ao resgate da Polônia.

Mas por que a Inglaterra faria uma garantia de guerra para uma junta de coronéis poloneses, dando-lhes o poder de arrastar a Inglaterra numa segunda guerra com a nação mais poderosa da Europa?

Danzig era merecedora de uma guerra? Diferentemente dos 7 milhões de cidadãos de Hong Kong que os britânicos entregaram para Pequim, e que não queriam isso, os danzigers estavam clamando pelo seu retorno à Alemanha.

Aqui vem a resposta: a garantia de guerra não era para Danzig, ou mesmo para a Polônia. Era sobre o imperativo moral e estratégico de "parar Hitler", após ele mostrar, ao rasgar o pacto de Munique e a Tchecoslováquia com ele, que ele planejava conquistar o mundo. E aquela besta nazista não podia ser permitida fazer isso.

Se fosse verdade, muito justo. Os americanos, acima de tudo, estavam preparados para usar bombas atômicas para manter o Exército Vermelho longe do Canal da Mancha. Mas onde está a evidência que Adolf Hitler, cujas vítimas até março de 1939 eram uma fração das do General Pinochet ou das de Fidel Castro, queria conquistar o mundo?

Após Munique em 1938, a Tchecoslováquia realmente desagregou-se. Consideremos no que se tornaram suas partes.

Os alemães dos Sudetos retornaram ao domínio alemão, como queriam. A Polônia anexou a minúscula região disputada do Teschen, onde milhares de poloneses viviam. As terras ancestrais da Hungria no sul dda Eslováquia retornaram para ela. Os eslovacos tiveram sua independência completa garantida pela Alemanha. Quanto aos tchecos, eles vieram para Berlim com a mesma proposta dos eslovacos, mas Hitler insistiu que eles aceitassem um protetorado.

Agora alguém pode desprezar o que foi feito, mas como esta partição da Tchecoslováquia manifestou um desejo hitlerista de conquista do mundo?

Aqui vem a resposta: se a Inglaterra não tivesse dado uma garantia de guerra e ido à guerra, após a Tchecoslováquia viria a vez da Polônia, depois a Rússia, depois a França, depois a Grã-Bretanha, depois os Estados Unidos.

Estaríamos agora falando alemão.

Mas se Hitler estava para conquistar o mundo - Grã-Bretanha, África, Oriente Médio, Estados Unidos, Canadá, América do Sul, Índia, Ásia e Austrália - por que ele gastou três anos construindo uma poderosa e cara Linha Siegfried para proteger a Alemanha da França? Por que ele iniciou a guerra sem nenhuma frota de superfície, sem transporte para as tropas e somente 29 submarinos? Como você conquista o mundo com uma Marinha que não pode sair do Mar Báltico?

Se Hitler quisesse o mundo, por que ele não construiu bombardeiros estratégicos, ao invés de bi-motores Dorniers e Heinkels que sequer alcançavam a Inglaterra a partir da Alemanha?

Por que ele deixou o exército inglês partir de Dunquerque?

Por que ele ofereceu paz aos britânicos duas vezes, após a queda da Polônia, e depois após a queda da França?

Por que, quando Paris caiu, Hitler não tomou a frota francesa, como os Aliados fizeram com a frota do Kaiser? por que ele não tomou as bases francesas na Síria e atacou Suez? Por que ele implorou a Benito Mussolini para não atacar a Grécia?

Porque Hitler queria terminar com a guerra em 1940, quase dois anos antes dos trens partirem para os campos (de concentração).

Hitler nunca quis a guerra contra a Polônia, mas uma aliança com ela, como ele fez com a Espanha de Francisco Franco, a Itália de Mussolini, a Hungria de Miklos Horthy e a Eslováquia de Jozef Tiso.

De fato, por que ele iria querer guerra quando, por volta de 1939, ele estava cercado de vizinhos aliados, simpatizantes ou neutros, exceto a França? E ele havia abdicado da Alsácia, pois reconquistá-la significaria guerra com a França, e isto significaria guerra com a Inglaterra, cujo império ele admirava e que sempre quis como aliada.

Por volta de março de 1939, Hitler nem mesmo tinha uma fronteira com a Rússia. Como então ele poderia invadí-la?

Winston Churchill estava certo quando ele chamou-a de "A Guerra Desnecessária" - a guerra que provou ser mortal para nossa civilização.

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[SGM] Pearl Harbor, um ataque-surpresa?

Jean Monestier


História Viva, Ano VII no. 78

...Desde o começo do século, a concorrência entre americanos e japoneses vinha se tornando cada vez mais acirrada. Ambos disputavam os imensos mercados da bacia do Pacífico e do Extremo Oriente. Ao longo da década de 1930, a ascensão do Japão à condição de potência global e a agressividade do país passaram a incomodar cada vez mais as autoridades civis e militares americanas. As Forças Armadas dos EUA sabiam de antemão que Tóquio seria o principal adversário em caso de um eventual conflito mundial. A Marinha, a Força Aérea e o Exército dos EUA vinham se preparando havia algum tempo para um enfrentamento com os japoneses e já haviam traçado planos de guerra detalhados.

Nesse cenário de disputa político-diplomática, os americanos contam com uma arma secreta: os serviços de inteligência da Marinha conseguem decifrar o código diplomático japonês. A partir de então, todas as intenções e diretrizes de Tóquio serão sistematicamente interceptadas por Washington.

No começo de 1941, o governo americano decide transferir a frota do Pacífico de San Diego, na costa californiana, para a base de Pearl Harbor, no Havaí. A decisão é tomada mesmo depois que o embaixador americano em Tóquio, Joseph Grew, alerta seu governo, em 27 de janeiro daquele ano, de um "projeto fantástico" dos japoneses justamente para aquela instalação militar do Pacífico.

Em seguida, no dia 13 de abril, Tóquio assina um tratado de neutralidade com a União Soviética, e parece reorintar sua política expansionista em direção à Ásia e ao Pacífico. Isso se confirma no dia 2 de julho, quando o Japão, que havia se recusado a seguir os alemães no ataque à UniãoSoviética em 22 de junho, decide oficialmente adotar uma política de força caso os Estados Unidos não reconheçam aquilo que os nipônicos julgavam ser seu "espaço vital".

A partir desse momento, as autoridades de Tóquio passam a agir em duas frentes: continuam a negociar com os EUA, ao mesmo tempo que começam a se preparar para a guerra com os americanos. Mas, como Washington é capaz de decifrar os códigos japoneses, Roosevelt é sistematicamente informado das intenções e ações do adversário.

...Em meados de novembro, a última tentativa de negociação entre as duas partes fracassa porque os americanos rejeitam as demandas ditas "mínimas" do Japão. Em 27 de novembro, FDR menciona a possibilidade de um ataque japonês em uma conversa com seu secretário de Guerra, Henry Stimson, e acrescenta que é preciso "manobrar" o inimigo até que este atire primeiro.

...Os dirigentes de Washington não podiam deixar os japoneses agir de acordo com seus interesses, mas também não podiam tomar a iniciativa e atacar, pois a população americana era fortemente isolacionista. As autoridades americanas devem, portanto, deixar o adversário bater á porta primeiro.

O objetivo é provocar uma comoção na opinião pública que lhes permita invocar a união sagrada da nação contra um inimigo desleal. Com o apoio total de um povo ultrajado, os líderes políticos e militares do país poderiam, então, conduzir a guerra como bem entendessem. É preciso, portanto, levar o adversário a cometer ele mesmo a falta maior que desencadeará o processo: de dirigi-lo ou de o "deixar vir".

[SGM] Por que o Japão atacou os EUA?

Patrick Buchanan - 11 de dezembro de 2001


De todos os dias que viverão "vivos na infâmia" na história americana, dois se sobressaem: 11 de setembro de 2001 e 7 de dezembro de 1941.

Mas por que o Japão, com uma potência industrial 1/10 da nossa, lançou um ataque surpresa contra a frota americana em Pearl Harbor, um ato de terrorismo de Estado que iniciou uma guerra mortal que ele não poderia ganhar? Eles eram loucos? Não, os japoneses estavam desesperados.

Para entender por que o Japão atacou, devemos retornar à Primeira Guerra Mundial. O Japão era nosso aliado. Mas quando ele tentou colher os frutos em Versalhes, ele topou com um teimoso Woodrow Wilson.

Wilson rejeitou os pedidos do Japão para a concessão alemã em Shantung, terra de Confúcio, que o Japão havia capturado ao preço de sangue. Tóquio ameaçou abandonar a conferência se fosse negado aquilo que os britânicos haviam prometido a eles. "Eles não estão blefando," advertiu Wilson, quando ele capitulou. "Demos a eles o que não deveriam receber."

Em 1921, na Conferência Naval de Washington, os EUA pressionaram a Grã-Bretanha para terminar sua aliança de 20 anos com o Japão. Para apaziguar os americanos, os britânicos enfureceram e alienaram uma nação orgulhosa que havia sido um amigo leal.

O Japão estava agora isolado, com o império expansionista de Stalin ao norte, uma China emergente ao leste e, ao sul, as potências imperiais ocidentais que detestavam e não confiavam nele.

Quando a guerra civil estourou na China, o Japão ocupou a Manchúria em 1931 como um Estado protegido. Este foi o modo como os europeus construíram seus impérios. Ainda, o Ocidente ficou "chocado" que o Japão tenha embarcado no curso da "agressão". Disse um diplomata japonês, "justamente quando havíamos aprendido a jogar pôquer, eles mudaram o jogo para canastra."

O Japão estava agora decidido a criar na China o que a Inglaterra fez na Índia - uma enorme colônia para explorar que poderia colocá-lo entre as potências mundiais. Em 1937, após um embate na Ponte Marco Polo próximo a Pequim, o Japão invadiu e, após quatro anos de luta, incluindo o terrível "Estupro de Nanking", ele conseguiu o controle das cidades costeiras, mas não do interior.

Quando a França capitulou em junho de 1940, o Japão moveu-se para a Indochina Francesa setentrional. E mesmo com os EUA não tendo nenhum interesse na região, impomos um embargo de ferro e metais recicláveis. Após Hitler invadir a Rússia em junho de 1941, o Japão moveu em direção da Indochina Francesa austral. FDR ordenou, então, que todos os bens japoneses fossem congelados.

Mas FDR não queria cortar o petróleo. Como ele disse ao seu Gabinete em 18 de julho, um embargo significaria a guerra, o que forçaria o Japão a atacar os campos de petróleo da Índias Holandesas Orientais. Mas um advogado do Departamento do Estado chamado Dean Acheson escreveu as sansões de tal modo que quaisquer compras de petróleo americano seriam bloqueadas. Quando FDR descobriu isso, em setembro, já era tarde demais.

Tóquio estava agora espremido entre um Partido da Guerra e um Partido da Paz, com o último no poder. O Primeiro-Ministro Konoye chamou o embaixador Joseph Grew e secretamente ofereceu se encontrar com FDR em Juneau ou qualquer lugar do Pacífico. De acordo com Grew, Konoye desejava abandonar a Indochina e a China, exceto uma região de controle ao norte para se proteger de Stalin, em retorno por uma intermediação americana com a China e a abertura das linhas de petróleo. Konoye disse a Grew que o Imperador Hirohito sabia de sua iniciativa e estava pronto para dar a ordem de retirada do Japão.

Temendo uma "segunda Munique", a América recusou a proposta. Konoye caiu e foi substituído por Hideki Tojo. Neste ponto, contudo, a guerra ainda não era inevitável. Os diplomatas americanos prepararam uma oferta ao Japão de modus vivendi. Se o Japão se retirasse do sul da Indochina, os EUA levantariam parcialmente o embargo de petróleo. Mas Chiang Kai-shek (líder chinês contra a ocupação japonesa) tornou-se "histérico" e seu conselheiro americano, Owen Lattimore interviu para abortar a proposta.

Enfrentando uma escolha entre a morte do império ou a luta pela vida, o Japão decidiu atacar os campos de petróleo das Índias. E a única força capaz de interferir era a frota americana, que FDR havia convenientemente transferido de San Diego para Honolulu.

E então o Japão atacou. E então ele foi derrotado e forçado a deixar o Vietnã, a China e a Manchúria. E então eles caíram diante de Stalin, Mao e Ho Chi Minh. E assim foi que os garotos americanos, não os japoneses, morreriam lutando contra coreanos, chineses e vietnamitas para tentar bloquear as agressões de um comunismo asiático bárbaro.

Agora, o Japão está desarmado e a China é um gigante asiático cujas ostentações militares estão empurrando os americanos para fora do Pacífico. Tivesse FDR se encontrado com o Príncipe Konoye, não teria havido Pearl Harbor, guerra no Pacífico, Hiroshima, Nagasaki, Coréia e Vietnã. Quantos de nossos pais e tios, irmãos e amigos estariam ainda vivos?

"De todas as palavras tristes da língua ou da caneta, as mais infelizes são estas: "Poderia ter sido..." Uns poucos pensamentos enquanto o Partido da Guerra bate o tambor para a guerra americana contra o Iraque e o Islã Radical.

http://buchanan.org/blog

[PGM] Estórias sobre abusos em Fromelles "exagerados"

The Australian, 19 de julho de 2011


A Batalha de Fromelle é vista há muito tempo como o dia mais obscuro da história militar australiana, não apenas porque foi o único dia com o maior número de fatalidades na história do país, mas também por causa dos relatos da brutalidade alemã.

Tom Weber, um historiador da Universidade de Aberdeen na Escócia, disse que a percepção australiana que o inimigo havia se comportado mal ao abusar dos prisioneiros e fuzilar os feridos foi um exagero que cresceu como uma tentativa "de dar sentido aos enormes sacrifícios que a Austrália sofreu."

O Dr. Weber disse que ele estabeleceu sua "visão mais equilibrada" da tragédia de Formelles enquanto pesquisava para seu livro A Primeira Guerra de Hitler, que coloca em dúvida o relato da Primeira Guerra do líder nazista.

Num único dia e noite de intensos combates em Fromelles, 5.533 australianos e 1.500 ingleses foram mortos, feridos ou feitos prisioneiros em 19-20 de julho de 1916, numa carnificina que foi revisitada pela descoberta em 2009 de 250 corpos de soldados aliados numa cova coletiva.

Eles foram reenterrados ano passado, e 40 parentes australianos foram esta manhã a uma cerimônia no cemitério para 14 dos mortos que foram identificados por teste de DNA, elevando para 110 o número dos que foram identificados.

O Regimento List, a unidade bávara na qual Hitler serviu, participou da batalha e o Dr. Weber estudou relatórios dos membros daquele regimento arquivados previamente e não usados, assim como relatos australianos publicados.

Após a vitória alemã, alguns soldados australianos disseram que eles viram soldados bávaros fuzilando feridos australianos, sendo que em um caso, um soldado cego foi feito andar em círculos antes que fosse executado.

Mas o Dr. Weber disse que a percepção geralmente aceita das atrocidades durante e após a batalha foram baseadas quase que inteiramente na evidência australiana.

Ele encontrou um relatório do 1o. Batalhão do Regimento List que concordava que as leis da guerra "civilizada" haviam sido quebradas, mas os vilões do relatório foram os australianos. O documento diz: "Sob estas condições, a recuperação de grande número de prisioneiros tornou-se extremamente perigosa para nós. O número de nossas perdas ocorrido enquanto executando essa tarefa é resultado da malvadeza do inimigo, na medida em que eles faziam sinal de rendição e então voltavam a atirar quando nos aproximávamos deles."

O Dr. Weber diz: "Atos de decência e de violência traiçoeira co-existiram e eram algumas vezes misturadas. Tal incidente ocorreu no final da Batalha de Fromelles, quando dois soldados bávaros carregando um soldado australiano ferido de volta para as trincheiras do inimigo, despediram-se dele e, então, quando eles voltavam para as linhas alemãs, foram executados por outros australianos que provavelmente sabiam o que estava acontecendo."

"Atos de decência na batalha eram mais comuns do que atos de brutalidade. Os soldados ingleses e australianos que foram feitos prisioneiros registraram mais tarde que, durante o cativeiro, eles não foram tratados com brutalidade."

De fato, Weber trouxe à luz documentos sugerindo que soldados bávaros ajudaram tão rapidamente as tropas inimigas feridas que o seu comandante se sentiu compelido a dar uma ordem especial que os homens do regimento de Hitler deveriam ajudar seus prisioneiros somente após eles terem cuidado de seus próprios compatriotas.

O comandante alemão também sentiu a necessidade de lembrar que os soldados capturados, mais do que os homens do Regimento List, deveriam carregar soldados ingleses e australianos feridos para a retaguarda.

"Também sabemos que menos de duas semanas após a batalha, 20 ou 30 soldados australianos que enfrentaram o Regimento List saíram de suas trincheiras e tentaram confraternizar," diz o dr. Weber.

Isto mostra que a brutalização das tropas não ocorreu da maneira como é geralmente percebida e que, após a batalha e depois que a adrenalina foi embora, o remorso tendia a aparecer. É importante que honremos não somente aqueles que morreram, mas aqueles em ambos os lados que se comportaram com compaixão em relação aos soldados inimigos."


http://www.theaustralian.com.au/national-affairs/tales-of-fromelles-abuses-exaggerated/story-fn59niix-1226097863371

[PGM] O Segredo do Lusitânia

Daily Mail, 20/12/2008



Seu afundamento com a perda de quase 1.200 vidas causou tanta indignação que levou os EUA para a Primeira Guerra Mundial.

Mas agora, mergulhadores revelaram um segredo obscuro sobre a carga transportada pelo Lusitânia em sua viagem final em maio de 1915. As munições encontradas no depósito sugerem que os alemães estavam certos em reclamar que o navio carregava artefatos de guerra e era um alvo militar legítimo.

O navio da Cunard (companhia marítima inglesa), viajando de Nova York a liverpool, foi afundada 12,8 km da costa irlandesa por um submarino. Mantendo o argumento que o Lusitânia era somente um navio de passageiros, os britânicos rapidamente acusaram o "bárbaro pirata" de castigar civis.

O desastre foi usado para despertar a raiva anti-alemã, especialmente nos EUA, onde 128 das 1.198 vítimas vieram. Uma centena dos mortos eram crianças, muitas delas abaixo dos dois anos de idade.

Robert Lansing, o secretário de Estado dos EUA, escreveu depois que o afundamento deu-lhe a "convicção de que nos tornaríamos o aliado da Inglaterra."

O povo americano foi enganado ao ser informado de que as crianças alemãs foram dispensadas da escola para celebrar o afundamento do Lusitânia. O desastre inspirou uma multidão de cartazes clamando vingança pelas vítimas. Um deles, famoso ao mostrar uma jovem mãe afundando entre as ondas com seu bebê, trazia o moto "Aliste-se".

Dois anos depois, os americanos juntaram-se aos Aliados como potência associada - uma decisão que deu uma guinada decisiva contra a Alemanha.

A equipe de mergulhadores estima que cerca de quatro milhões de cartuchos 0.303 da fabricante americana Remington estejam no depósito do Lusitânia a uma profundidade de 90 metros.

Os alemães insistiram que o Lusitânia - a linha mais rápida no Atlântico Norte - estava sendo usada como navio cargueiro de armas para romper o bloqueio que Berlim estava tentando impor à Grã-Bretanha desde o início das hostilidades em agosto de 1914.

Winston Churchill, que era o Primeiro Lorde so Almirantado e há muito tempo era suspeito de saber mais a respeito das circunstâncias do ataque do que ele falava em público, escreveu em uma carta confidencial um pouco antes do afundamento que alguns ataques de submarinos alemães eram bem vindos. Ele disse: "É muito importante atrair navios neutros para nossos mares, na esperança de envolver os EUA contra a Alemanha. De nossa parte, queremos o tráfego - quanto mais melhor e se algum dele se meter em encrenca, melhor ainda."

Hampton Sides, um escritor trabalhando para a Vogue masculina, testemunhou o achado dos mergulhadores. Ele disse: "São balas que foram especialmente fabricadas para matar alemães na Primeira Guerra - balas que os oficiais britânicos em Whitehall, e oficiais americanos em Washington, negavam existir a bordo do Lusitânia."

A descoberta pode ajudar a explicar por que o Lusitânia de 240 metros afundou 18 minutos após ter sido atingido no casco por um torpedo alemão.

Alguns dos 764 sobreviventes relataram uma segunda explosão que pode ter sido a munição indo pelos ares.

Gregg Bemis, um empresário americano que detém os direitos sobre os restos do navio e está financiando sua exploração, disse: "Aqueles 4 milhões de cartuchos de 0.303 não eram extamente para caçadas privadas. Agora que o encontramos, os ingleses não podem negar mais que não havia munição a bordo. Isto levanta a questão de que o que havia a mais a bordo. Havia literalmente toneladas e mais toneladas de coisas armazenadas nos depósitos não-refrigerados registrados como queijo, manteiga e ostras. Sempre apostei que algumas explosões significativas nos depósitos - cartuchos, pólvora e algodão para munição - foram iniciadas pelo torpedo e pela entrada de água. Foi isto que afundou o navio."

http://www.dailymail.co.uk/news/article-1098904/Secret-Lusitania-Arms-challenges-Allied-claims-solely-passenger-ship.html

terça-feira, 8 de maio de 2012

A Cruz de Ferro

A Cruz de Ferro é indiscutivelmente a condecoração militar alemã mais conhecida historicamente. Sua longa tradição remonta a 1813, quando o Rei Frederico Guilherme III da Prússia instituiu a ordem durante a Guerra da Libertação contra Napoleão. Karl Friedrich Schinkel, um arquiteto de 31 anos, foi designado pelo rei para projetar um símbolo que incluísse a Coroa Prussiana, seu monograma real, a data de criação e uma representação das folhas de carvalho, a árvore sagrada da Alemanha. A maior influência sobre Schinkel foi a dos Cavaleiros Teutônicos da Terceira Cruzada. A Ordem incorporou grandes cruzes em seus uniformes e versões menores esmaltadas para a condecoração de seus Sumo-Sacerdotes (Hochmeisters). O príncipe Karl von Mecklenburg-Strelitz, sugeriu então uma modificação no desenho da Cruz: ao invés de braços formando ângulos retos entre si, Schinkel desenharia os braços formando arcos, conhecido hoje como Cruz Patté.

A Cruz voltou a aparecer nos uniformes dos admiráveis soldados alemães na Guerra Franco-Prussiana de 1870, e depois na Primeira Guerra Mundial em 1914. Através do sacrifício dos homens que a carregavam, seu simples mas poderoso formato tornou-se sinônimo do velho espírito alemão de coragem e triunfo.


Cruz de Ferro Segunda Classe 1870


O negro e o prata eram reminiscentes dos galantes guerreiros prussianos, das grandes vitórias da era Bismarquiana e dos bravos soldados da Primeira Guerra; a Cruz tinha uma aura inquestionável desde que havia sido criada. Com as primeiras salvas de tiros dadas na Segunda Guerra, Hitler sobrepôs sua imagem política de força a esta aura, evocando a glória dos tempos passados. O próprio Hitler havia sido agraciado com uma Cruz de Ferro de Primeira Classe por atos de bravura e a ostentou até o seu último dia de vida.

Se a Cruz de Ferro pode ser considerada uma das medalhas mais populares no mundo, então a Cruz de Cavaleiro (Ritterkreuz) é a mais conhecida das Cruzes de Ferro. Ela foi introduzida como uma ponte entre a Cruz de Ferro de Primeira Classe e a Grande Cruz da Cruz de Ferro desde o fim da famosa medalha “Pour Le Mérite”, ou “Blue Max”, no final da Primeira Guerra. A Cruz de Cavaleiro foi instituída em 1 de setembro de 1939 ao mesmo tempo da restituição da própria Cruz de Ferro. Assim, a Cruz de Ferro possuia quatro classes:


(a) Cruz de Ferro de Segunda Classe



(b) Cruz de Ferro de Primeira Classe



(c) Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro



(d) Grande Cruz da Cruz de Ferro.

A Cruz de Ferro de Primeira e Segunda Classes eram as mesmas da Primeira Guerra Mundial. A de Segunda Classe era usada como uma fita nas cores vermelho, branco e preto na casa de botão da jaqueta ou numa barra de medalhas no peito esquerdo. A de Primeira Classe era usada sem a fita tricolor no peito esquerdo. A Cruz de Cavaleiro era maior que a Cruz de Ferro de Segunda Classe e era usada presa a uma fita tricolor em volta do pescoço. A Grande Cruz era quase duas vezes maior que a Cruz de Ferro de Segunda Classe e era usada numa fita tricolor larga em volta do pescoço. A largura das medalhas era a seguinte: 44 mm para a C.F. 1ª. e 2ª. Classes , 48 mm para a Cruz de Cavaleiro e 63 mm para a Grande Cruz. O único agraciado com a Grande Cruz foi o Marechal do Reich Herrmann Göring em julho de 1940, pelo seu comando da Luftwaffe durante a Campanha da França. A medalha original foi destruída durante um bombardeio aliado a Berlim.

As folhas de carvalho da Cruz de Cavaleiro foram instituídas em junho de 1940 e representavam um reconhecimento adicional, medindo 20 mm x 20 mm. As espadas foram instituídas em julho de 1941 e consistiam de duas espadas cruzadas a um ângulo de 40°, tendo um tamanho de 25 mm x 10 mm e sempre vinham acompanhadas de folhas de carvalho. As folhas de carvalho e espadas de ouro com diamantes foi instituída em dezembro de 1944 e acabou sendo fornecida a somente um soldado, o Coronel da Força Aérea Hans-Ulrich Rudel.




(a) Folhas de Carvalho

(b) Folhas de Carvalho com Espadas

(c) Folhas de Carvalho Prateada com Espadas e Diamantes

(d) Folhas de Carvalho Dourada com Espadas e Diamantes

A Cruz Alemã, apesar de não fazer parte da Cruz de Ferro, foi uma condecoração criada para servir de ponte entre a de Primeira Classe e a Cruz de Cavaleiro. Foi instituída em setembro de 1941 e também havia uma versão costurada diretamente no uniforme.



Em 1956, quando as forças armadas alemãs foram recriadas na Alemanha Ocidental sob o nome de Bundeswehr, muitos membros eram antigos soldados da Wehrmacht e da Waffen-SS que foram agraciados com a Cruz de Ferro e outras medalhas. Como parte do plano de desnazificação da Alemanha empreendido pelo governo central, esses ex-soldados poderiam ostentar suas condecorações, porém elas foram “adaptadas” e todas as referências ao nazismo foram retiradas. Por exemplo, na Cruz de Ferro a suástica foi substituída por folhas de orvalho e na Cruz Alemã a suástica foi substituída pelo formato da Cruz de Ferro.

Na primavera de 2007, uma petição para o Parlamento (Bundestag) para reintroduzir a Cruz de Ferro como uma prêmio por bravura militar foi iniciado. O parlamento decidiu em 13 de dezembro de 2007 deixar a reintrodução dela ao Ministério da Defesa. A proposta foi apoiada pelo Presidente da Associação dos Reservistas, Ernst-Reinhardt Beck, do partido CDU. Beck defendia a tese que o símbolo já era usado como símbolo de todos os veículos militares alemães e representava um símbolo de esperança, ajuda e solidariedade em áreas de crise, como a Bósnia ou o Afeganistão. Em 6 de março de 2008, o presidente Horst Köhler aprovou uma proposta do Ministro da Defesa Franz Josef Jung para instituir uma nova medalha por bravura. Ela foi chamada Ehrenkreuz der Bundeswehr für Tapferkeit e foi instituída em 10 de outubro de 2008, porém seu formato guarda pouca semelhança com a tradicional Cruz de Ferro.