Murray N. Rothbard
Este artigo foi originalmente publicado no Rampart Journal of Individualist Thought, Spring 1966.
O revisionismo tem a função geral de trazer a verdade histórica para um público que foi alienado pela propaganda e mentiras da guerra.
O revisionismo, como aplicado à Segunda Guerra Mundial e suas origens (assim como para as guerras anteriores), tem a função geral de trazer a verdade histórica para o público americano e mundial que foi alienado pela propaganda e mentiras da guerra. Isto, por si só, é uma virtude. Mas algumas verdades da história, é claro, devem ser apenas de interesse antiquário, com pouca relevância para o pensamento atual. Isto não é verdade para o revisionismo da Segunda Guerra Mundial, que tem um significado crítico para o mundo moderno.
A menor das lições que o revisionismo pode ensinar já foi extensamente aprendida: que a Alemanha e o Japão não foram as únicas "nações agressoras", amaldiçoadas do nascimento até a ameaça da paz do mundo. As grandes lições devem ser, infelizmente, ainda aprendidas.
Os EUA estão novamente sendo sujeitos àquele "complexo de medo e alarme" (na brilhante frase de Garet Garrett) que dirigiu-nos, e o mundo ocidental, em duas outras guerras desastrosas em nosso século. Mais uma vez, o público americano está sendo sujeito a aproximadamente uma barreira unânime de propaganda de guerra e histeria, de modo que somente os racionais conseguem manter suas cabeças no lugar. Mais uma vez, encontramos que surgiu em cena um Inimigo, um Malvado, com as mesmas características do malvado que conhecemos antes; um Inimigo monolítico, diabólico, que, gerações atrás em alguns "textos sagrados", decidiu (por razões que permanecem obscuras) "conquistar o mundo".
Desde então, o Inimigo, de maneira obscura, secreta, diabólica, "planejou", de forma conspiradora, conquistar o mundo, construindo uma vasta e poderosa máquina militar, e também estabelecendo uma quinta coluna internacional poderosa e "subversiva", cuja função como um exército de fantoches simples, agentes do quartel-general do Inimigo, é realizar espionagem, sabotagem, ou qualquer ato para "desestabilizar" outros países. O Inimigo, então, é "monolítico", governado somente e estritamente a partir do topo, por uns poucos mestres, e é dominado sempre pela simples proposta da conquista do mundo. O modelo para se ter em mente é o Dr. Fu Manchu, aqui tratado como um bicho-papão internacional.
O Inimigo, então, diz a propaganda de guerra, é guiado por um único objetivo: a conquista do mundo. Ele nunca sofre de tais emoções como o medo - medo de que nós o ataquemos - ou a crença de que está agindo em sua defesa, ou sem auto-estima e o desejo de salvar sua imagem diante de si próprio assim como diante dos outros. Ele não possui nem qualidades humanas como razão.
Não, há apenas outra emoção que pode balançá-lo: a força superior que o forçará a "retroceder". Isto porque, mesmo sendo um Fu Manchu, ele é parecido com o Malvado no filme do faroeste: ele encolherá diante do Mocinho se este for forte, armado até os dentes, resoluto em seus objetivos, etc. Por isso, o complexo de medo e alarme: medo do plano definitivo e implacável do Inimigo; estado de atenção para o enorme poder militar da América e sua intromissão no mundo, para "conter", "recuar", etc., o Inimigo, ou para "libertar" as "nações oprimidas".
Agora, o revisionismo nos ensina que isto é um mito completo, tão prevalente antigamente quanto agora sobre Hitler e sobre os japoneses, sendo uma malha de falácias do começo ao fim. Toda palavra nesta evidência torturante é tanto completamente falsa quanto não totalmente verdade. Se as pessoas pudessem aprender sobre essa fraude intelectual sobre a Alemanha de Hitler, então elas começariam a fazer perguntas, e procurar perguntas, sobre a versão atual da Terceira Guerra Mundial do mesmo mito. Nada impediria a atual fuga precipitada para a guerra mais rápida, ou mais seguramente levar as pessoas a começar a raciocinar sobre política externa novamente, após uma longa orgia de emoções e clichés.
O mesmo mito é agora baseado nas mesmas velhas falácias. E isto é visto pelo uso crescente pelos Velhos Guerreiros do "mito de Munique": a acusação continuamente repetida que foi o "apaziguamento" do "agressor" em Munique que "alimentou" sua "agressão" (novamente, a comparação com o Fu Manchu, ou "Besta Selvagem") e que fez com que o "agressor", entorpecido por suas conquistas, lançar a Segunda Guerra Mundial. Este mito de Munique tem sido usado como um dos argumentos principais contra qualquer tipo de negociações racionais com as nações comunistas, e a estigmatização da menor busca por um acordo como "apaziguamento". É por esta razão que o magnífico As Origens da Segunda Guerra Mundial, de A.J.P. Taylor, recebeu provavelmente as críticas mais distorcidas e frenéticas nas páginas do National Review.
É hora dos americanos aprenderem: os Malvados (Nazistas ou Comunistas) podem necessariamente não querer ou desejar a guerra, ou desejar conquistar o mundo (sua esperança para "conquistar" pode ser estritamente ideológica e não militar); que os Malvados podem também temer a possibilidade de uso do nosso enorme poder militar e postura agressiva em atacá-los; que tanto os Malvados quanto os Mocinhos podem ter interesses em comum que tornam a negociação possível (por exemplo, que nenhum deles quer ser aniquilado por armas nucleares); que nenhuma organização é um "monolito" e que "agentes" são freqüentemente apenas aliados ideológicos que podem fazer e dividir com seus supostos "mestres"; e que, finalmente, podemos aprender as lições mais profundas de todas: que a política doméstica de um governo não é em geral referência para a política externa.
Ainda estamos, na última análise, sofrendo da desilusão de Woodrow Wilson: que "democracias" ipso facto jamais provocarão guerras, e que "ditaduras" são sempre propensas a se engajar numa guerra. Muito do que podemos fazer ou fazemos são tão abomináveis quanto os programas domésticos da maioria dos ditadores (e certamente dos nazistas e dos comunistas), mas isto não tem necessariamente relação com suas políticas externas: de fato, muitas ditaduras são passivas e estáticas na história, e, contrariamente ao que se pensa, muitas democracias conduziram e promoveram guerras. O Revisionismo pode, de uma vez por todas, ser capaz de destruir este mito Wilsoniano.
Há somente uma única diferença real entre a capacidade de uma democracia e uma ditadura em provocar uma guerra: as democracias invariavelmente promovem uma propaganda de guerra enganosa, para conduzir e persuadir a população. As democracias que provocam guerras precisam produzir muito mais propaganda para convencer seus cidadãos e, simultaneamente, camuflar suas políticas muito mais intensamente numa retórica moral hipócrita para enganar os eleitores. A falta de necessidade para isto nas ditaduras freqüentemente torna suas políticas parecer superficialmente de enfrentamento, e isto é uma das razões porque eles tiveram uma "imprensa ruim" neste século.
A tarefa do revisionismo tem sido penetrar fundo nessas superficialidades e aparências em direção das realidades objetivas abaixo - realidades que mostram, certamente neste século, os EUA, a Grã-Bretanha e a França - as três grandes "democracias" - serem piores do que em quaisquer outros três séculos em fomentar e provocar guerras agressivas. A consciência dessa verdade seria de importância incalculável na cena atual.
http://mises.org/daily/2592
domingo, 13 de maio de 2012
Liberdade Traída
Em novembro de 1951, um executivo de relações públicas chamado John W. Hill encontrou-se com Herbert Hoover (presidente dos EUA entre 1929-1933) num jantar na cidade de Nova York. Era um tempo infeliz nos EUA, especialmente para os republicanos conservadores. No exterior, a Guerra da Coréia tornou-se um atoleiro sanguináio que a administração do presidente Harry Truman pareceu incapaz de terminar.
"Sr. Hoover," disse Hill naquela noite de novembro, "o mundo está uma bagunça dos infernos, não está?" "Sempre pensei," continuou Hill, "que estamos nessa situação por causa dos erros de estadistas. Alguém deveria escrever um livro sobre isso."
"Você está absolutamente certo," respondeu Hoover. " Isto deveria ser feito, e vou te dizer qual deveria ser o primeiro capítulo."
"Qual seria?", perguntou Hill.
"Quando Roosevelt colocou a América para ajudar a Rússia quando Hitler a invadiu em junho de 1941. Deveríamos ter deixado aqueles dois bastardos se aniquilarem."
O que Hill não compreendeu é que cerca de oito anos antes, Hoover havia completado seu próprio livro de besteiras diplomáticas. Hoover acabou chamando seu manuscrito de [i]Liberdade Traída[/i]. Por quase duas décadas, começando em 1944, o antigo presidente trabalhou em seu manuscrito volumoso, produzindo rascunho após rascunho, "edição" após "edição". Ele concluiu a versão final (salva para alguma edição menor e adição de novos fatos) em setembro de 1963 e preparou nos meses seguintes para a publicação do livro. A morte chegou primeiro, em 20 de outubro de 1964.
Os erros de Roosevelt e de outros estadistas
Na Segunda Guerra, nós, com nossos aliados, enfrentamos militarmente as forças do Nazismo e do Fascismo. Mas não tivemos paz. Durante a guerra, um de nossos aliados, Stalin, expandiu a ditadura comunista e o império da Rússia para colocar em perigo a liberdade no mundo inteiro. Estamos agora profundamente envolvidos na "Guerra Fria", a qual põe em risco a nossa existência.
Para proteger nossa liberdade - ou seja, na verdade uma terceira guerra mundial - devemos carregar o fardo principal de defender as nações livres do mundo. Este fardo por si mesmo põe em risco nosso futuro.
Há aqueles que ainda defendem Roosevelt e Truman por responsabilizar Hitler e Stalin por todas as calamidades que acontecem no mundo. Que eles eram malígnos, não há necessidade de demonstração.
Qualquer revisão da perda de liderança americana e britânica ao lidar com eles, entretanto, não tem desculpa na história. Sem estes erros gigantes, estas calamidades não teriam acontecido com o mundo ocidental.
A primeira vez (de importância) que Roosevelt perdeu-se na liderança internacional foi a sua destruição da Conferência Econômica Mundial de 1933. Seu próprio Secretário de Estado Hull denunciou isto como uma das raízes da Segunda Guerra Mundial.
A segunda perda de liderança de Roosevelt foi o reconhecimento da Rússia Comunista em novembro de 1933. Uma longa trupe de comunistas e simpatizantes foram conduzidos aos mais altos cargos da administração, a ação de quinta-coluna espalhou-se pelo país, com uma longa série de atos traidores durante os restantes 12 anos de sua presidência.
Não estou disposto a condenar o acordo de Munique em setembro de 1938 para a transferência dos Sudetos Alemães para o Reich porque foi uma herança maldita de Versalhes que tornou tal ação inevitável. Entretanto, através de Munique, Hitler abriu as portas para a consumação de suas determinações repetidas em invadir a Rússia. Indo longe ao fornecer para a guerra inevitável entre os ditadores, a perda de liderança (terceira) foi quando tentaram parar estes monstros da destruição mútua.
A quarta perda abissal de liderança foi quando os britãnicos e franceses garantiram a independência da Polônia e Romênia no final de março de 1939. Foi neste ponto que as democracias ocidentais reverteram suas políticas anteriores de manter-se neutras no caso de uma guerra inevitável entre Hitler e Stalin. Foi provavelmente o maior fiasco na história da diplomacia européia. A Grã-Bretanha e a França não tinham como salvar a Polônia da invasão. por este ato, entretanto, eles jogaram os corpos da democracia entre Hitler e Stalin. Por suas ações, eles não apenas protegeram Stalin de Hitler como permitiram a ele vender sua influência para o mais alto apostador. Os Aliados pagaram mas o preço de Stalin foi a anexação de pessoas indefesas nos Estados Bálticos e na Polônia Oriental, um preço moral que os aliados não podiam pagar. Stalin conseguiu seu preço de Hitler.
O quinto maior erro na liderança foi quando Roosevelt, no inverno de 1941, jogou os EUA numa guerra não declarada contra a Alemanha e Japão numa total violação das promessas sobre as quais ele foi eleito umas poucas semanas antes. Nas semanas antes do lend-lease e sua força serem enfiadas guela abaixo do povo americano, Roosevelt sabia definitivamente da determinação de Hitler em atacar a Rússia, e ele informou os russos sobre isso. Ele deveria ter ficado de fora da guerra não declarada contra a Alemanha, restrito o lend-lease para uma ajuda simples à Inglaterra por meio de dinheiro, munições, suprimentos e navios, assim mantendo-se dentro da lei internacional.
De fato, a maior perda de liderança em toda a história americana foi a aliança tácita e apoio à Rússia comunista quando Hitler atacou em junho de 1941. Mesmo a teoria falsa de que a força militar americana era necessária para salvar a Grã-Bretanha tinha agora ido embora. Com o passatempo da fúria nazista sobre os pântanos da Rússia, ninguém poderia duvidar mais da segurança da Inglaterra e de todo o mundo ocidental. Estes ditadores monstruosos estavam marcados para se esgotarem não importa quem ganhasse. Mesmo que Hitler conseguido uma vitória militar, ele teria sido engolido por anos tentando manter o controle sobre aquelas pessoas. E ele sofreria um revés mesmo na vitória ao exaurir sua força militar - e os russos tentariam destruir quaisquer fontes de suprimentos que ele tivesse esperança de conseguir. Seus próprios generais se opuseram às suas ações.
O oitavo erro gigante da liderança de Roosevelt foi as sanções econômicas sobre o Japão um mês depois, no final de julho de 1941. As sanções representavam a guerra em qualquer essência exceto atirar. Roosevelt tinha sido alertado várias vezes por seus próprios funcionários que tal provocação levaria mais cedo ou mais tarde à guerra.
A nona vez que a liderança foi perdida totalmente foi a recusa peremptória de Roosevel em relação às propostas do Primeiro-Ministro (Fumimaro) Konoye para a paz no Pacífico em setembro de 1941. A aceitação destas propostas eram urgentemente necessárias tanto pelos embaixadores americanos quanto britânicos no Japão. Os termos que Konoye propôs englobavam todas as exigências americanas exceto possivelmente o retorno da Manchúria - e mesmo esta estava aberta à discussão. O cínico lembrará que Roosevelt desejava provocar a guerra e então dar a Manchúria para a Rússia comunista.
A décima perda de liderança foi a recusa em aceitar as porpostas que seu embaixador informou-lhe terem vindo do imperador do Japão por um acordo de paralisação de três meses em novembro de 1941. Nossos militares instigaram fortemente isto para Roosevelt. O Japão estava alarmado com a possibilidade da Rússia derrotar seu aliado, Hitler. O atraso de noventa dias teria tirado todas energias sobre o Japão e mantido a guerra fora do Pacífico.
O décimo-primeiro erro grosseiro da liderança de Roosevelt foi a exigência por uma "rendição incondicional" em Casablanca em janeiro de 1943, onde, sem o conselho de nossos militares, ou mesmo de Churchill, ele procurou uma promoção. Isto foi útil nas mãos de todo inimigo propagantista e militarista; prolongou a guerra com a Alemanha, Japão e itália. E no final, resultou em grandes concessões de rendição para a Itália e Japão. Mas não para a Alemanha, mesmo que ela se livrasse dos nazistas. A guerra total não deixou nenhum prédio em pé na Alemanha sobre o qual se pudesse contruir alguma coisa novamente.
O décimo-segundo erro de liderança foi o sacrifício das nações livres no encontro de ministros do exterior em Moscou em outubro de 1943. Aqui, entre palavras de liberdade e democracia, nenhuma palavra de protesto foi feita contra as intenções da Rússia de anexar os Estados Bálticos, Polônia Oriental, Finlândia Oriental, Bessarábia e Bukovina (que ele tinha em seu pacto com Hitler). Esta aquiescência marcou o abandono da última palavra das Quatro Democracias e da Carta do Atlântico.
O décimo-terceiro e possivelmente um dos maiores das trapalhadas na liderança de Roosevelt e Churchill foi em Teerã em dezembro de 1943. Aqui foi a confirmação da aquiescência na Conferência de Moscou das anexações; aqui foi a aceitação da doutrina estalinista de uma periferia de "Estados amigos fronteirços" - os governos fantoches comunistas sobre sete nações.
A décima-quarta perda fatal de liderança foi feita por Roosevelt e Churchill em Yalta em fevereiro de 1945. Não somente foram todas as usurpações de Stalin da independência de uma dúzia de nações ratificada, mas com uma longa série de acordos secretos outras forças malignas foram colocadas em movimento que continuarão a atormentar o mundo com perigos internacionais por gerações.
A décima-quinta vez de perda de liderança foi em relação ao Japão em maio, junho e julho de 1945. Truman se recusou a ver a bandeira branca japonesa estendida. Truman não estava comprometido com a "rendição incondicional" de Roosevelt. Ela foi denunciada por nossos próprios líderes militares na Europa. A paz poderia ter sido feita com o Japão com somente uma concessão. Qual seja, a preservação do Mikado que era o líder do Estado tanto espiritual quanto secular. Sua posição estava enraizada numa fé religiosa e tradição japonesa de mil anos. E finalmente concedemos isso após centenas de milhares de vidas humanas sacrificadas.
A décima-sexta vez de liderança cega foi Truman em Postdam. O poder agora tinha passado para mãos inexperientes nas democracias ocidentais e os comunistas seguiam seu caminho em qualquer ponto conseqüente. O acordo de Postdam inteiro foi uma série de ratificações e amplificações das rendições prévias a Stalin, mas o suprimento de governo na Alemanha e na Áustria foi arranjado de modo a enviar parte desses Estados para o bolso de Stalin. o resultado das políticas de reparações resultaram no endividamento dos contribuintes americanos com bilhões do custo para o alívio de alemães desocupados e turbinar a recuperação da Alemanha e assim da Europa por anos. A malvadez da escravidão sobre prisioneiros de guerra, a expulsão de povos inteiros de suas casas foi ratificada e amplificada em relação a Yalta.
O décimo-sétimo delírio de liderança foi a ordem imoral de Truman de despejar a bomba atômica sobre os japoneses. Não somente o Japão estava implorando pela paz, mas foi um ato de brutalidade sem paralelos em toda a história americana. Ela pesará por toda a eternidade sobre a consciência americana.
http://www.nationalreview.com/articles/283064/blunders-statesmen-herbert-hoover?pg=1
"Sr. Hoover," disse Hill naquela noite de novembro, "o mundo está uma bagunça dos infernos, não está?" "Sempre pensei," continuou Hill, "que estamos nessa situação por causa dos erros de estadistas. Alguém deveria escrever um livro sobre isso."
"Você está absolutamente certo," respondeu Hoover. " Isto deveria ser feito, e vou te dizer qual deveria ser o primeiro capítulo."
"Qual seria?", perguntou Hill.
"Quando Roosevelt colocou a América para ajudar a Rússia quando Hitler a invadiu em junho de 1941. Deveríamos ter deixado aqueles dois bastardos se aniquilarem."
O que Hill não compreendeu é que cerca de oito anos antes, Hoover havia completado seu próprio livro de besteiras diplomáticas. Hoover acabou chamando seu manuscrito de [i]Liberdade Traída[/i]. Por quase duas décadas, começando em 1944, o antigo presidente trabalhou em seu manuscrito volumoso, produzindo rascunho após rascunho, "edição" após "edição". Ele concluiu a versão final (salva para alguma edição menor e adição de novos fatos) em setembro de 1963 e preparou nos meses seguintes para a publicação do livro. A morte chegou primeiro, em 20 de outubro de 1964.
Os erros de Roosevelt e de outros estadistas
Na Segunda Guerra, nós, com nossos aliados, enfrentamos militarmente as forças do Nazismo e do Fascismo. Mas não tivemos paz. Durante a guerra, um de nossos aliados, Stalin, expandiu a ditadura comunista e o império da Rússia para colocar em perigo a liberdade no mundo inteiro. Estamos agora profundamente envolvidos na "Guerra Fria", a qual põe em risco a nossa existência.
Para proteger nossa liberdade - ou seja, na verdade uma terceira guerra mundial - devemos carregar o fardo principal de defender as nações livres do mundo. Este fardo por si mesmo põe em risco nosso futuro.
Há aqueles que ainda defendem Roosevelt e Truman por responsabilizar Hitler e Stalin por todas as calamidades que acontecem no mundo. Que eles eram malígnos, não há necessidade de demonstração.
Qualquer revisão da perda de liderança americana e britânica ao lidar com eles, entretanto, não tem desculpa na história. Sem estes erros gigantes, estas calamidades não teriam acontecido com o mundo ocidental.
A primeira vez (de importância) que Roosevelt perdeu-se na liderança internacional foi a sua destruição da Conferência Econômica Mundial de 1933. Seu próprio Secretário de Estado Hull denunciou isto como uma das raízes da Segunda Guerra Mundial.
A segunda perda de liderança de Roosevelt foi o reconhecimento da Rússia Comunista em novembro de 1933. Uma longa trupe de comunistas e simpatizantes foram conduzidos aos mais altos cargos da administração, a ação de quinta-coluna espalhou-se pelo país, com uma longa série de atos traidores durante os restantes 12 anos de sua presidência.
Não estou disposto a condenar o acordo de Munique em setembro de 1938 para a transferência dos Sudetos Alemães para o Reich porque foi uma herança maldita de Versalhes que tornou tal ação inevitável. Entretanto, através de Munique, Hitler abriu as portas para a consumação de suas determinações repetidas em invadir a Rússia. Indo longe ao fornecer para a guerra inevitável entre os ditadores, a perda de liderança (terceira) foi quando tentaram parar estes monstros da destruição mútua.
A quarta perda abissal de liderança foi quando os britãnicos e franceses garantiram a independência da Polônia e Romênia no final de março de 1939. Foi neste ponto que as democracias ocidentais reverteram suas políticas anteriores de manter-se neutras no caso de uma guerra inevitável entre Hitler e Stalin. Foi provavelmente o maior fiasco na história da diplomacia européia. A Grã-Bretanha e a França não tinham como salvar a Polônia da invasão. por este ato, entretanto, eles jogaram os corpos da democracia entre Hitler e Stalin. Por suas ações, eles não apenas protegeram Stalin de Hitler como permitiram a ele vender sua influência para o mais alto apostador. Os Aliados pagaram mas o preço de Stalin foi a anexação de pessoas indefesas nos Estados Bálticos e na Polônia Oriental, um preço moral que os aliados não podiam pagar. Stalin conseguiu seu preço de Hitler.
O quinto maior erro na liderança foi quando Roosevelt, no inverno de 1941, jogou os EUA numa guerra não declarada contra a Alemanha e Japão numa total violação das promessas sobre as quais ele foi eleito umas poucas semanas antes. Nas semanas antes do lend-lease e sua força serem enfiadas guela abaixo do povo americano, Roosevelt sabia definitivamente da determinação de Hitler em atacar a Rússia, e ele informou os russos sobre isso. Ele deveria ter ficado de fora da guerra não declarada contra a Alemanha, restrito o lend-lease para uma ajuda simples à Inglaterra por meio de dinheiro, munições, suprimentos e navios, assim mantendo-se dentro da lei internacional.
De fato, a maior perda de liderança em toda a história americana foi a aliança tácita e apoio à Rússia comunista quando Hitler atacou em junho de 1941. Mesmo a teoria falsa de que a força militar americana era necessária para salvar a Grã-Bretanha tinha agora ido embora. Com o passatempo da fúria nazista sobre os pântanos da Rússia, ninguém poderia duvidar mais da segurança da Inglaterra e de todo o mundo ocidental. Estes ditadores monstruosos estavam marcados para se esgotarem não importa quem ganhasse. Mesmo que Hitler conseguido uma vitória militar, ele teria sido engolido por anos tentando manter o controle sobre aquelas pessoas. E ele sofreria um revés mesmo na vitória ao exaurir sua força militar - e os russos tentariam destruir quaisquer fontes de suprimentos que ele tivesse esperança de conseguir. Seus próprios generais se opuseram às suas ações.
O oitavo erro gigante da liderança de Roosevelt foi as sanções econômicas sobre o Japão um mês depois, no final de julho de 1941. As sanções representavam a guerra em qualquer essência exceto atirar. Roosevelt tinha sido alertado várias vezes por seus próprios funcionários que tal provocação levaria mais cedo ou mais tarde à guerra.
A nona vez que a liderança foi perdida totalmente foi a recusa peremptória de Roosevel em relação às propostas do Primeiro-Ministro (Fumimaro) Konoye para a paz no Pacífico em setembro de 1941. A aceitação destas propostas eram urgentemente necessárias tanto pelos embaixadores americanos quanto britânicos no Japão. Os termos que Konoye propôs englobavam todas as exigências americanas exceto possivelmente o retorno da Manchúria - e mesmo esta estava aberta à discussão. O cínico lembrará que Roosevelt desejava provocar a guerra e então dar a Manchúria para a Rússia comunista.
A décima perda de liderança foi a recusa em aceitar as porpostas que seu embaixador informou-lhe terem vindo do imperador do Japão por um acordo de paralisação de três meses em novembro de 1941. Nossos militares instigaram fortemente isto para Roosevelt. O Japão estava alarmado com a possibilidade da Rússia derrotar seu aliado, Hitler. O atraso de noventa dias teria tirado todas energias sobre o Japão e mantido a guerra fora do Pacífico.
O décimo-primeiro erro grosseiro da liderança de Roosevelt foi a exigência por uma "rendição incondicional" em Casablanca em janeiro de 1943, onde, sem o conselho de nossos militares, ou mesmo de Churchill, ele procurou uma promoção. Isto foi útil nas mãos de todo inimigo propagantista e militarista; prolongou a guerra com a Alemanha, Japão e itália. E no final, resultou em grandes concessões de rendição para a Itália e Japão. Mas não para a Alemanha, mesmo que ela se livrasse dos nazistas. A guerra total não deixou nenhum prédio em pé na Alemanha sobre o qual se pudesse contruir alguma coisa novamente.
O décimo-segundo erro de liderança foi o sacrifício das nações livres no encontro de ministros do exterior em Moscou em outubro de 1943. Aqui, entre palavras de liberdade e democracia, nenhuma palavra de protesto foi feita contra as intenções da Rússia de anexar os Estados Bálticos, Polônia Oriental, Finlândia Oriental, Bessarábia e Bukovina (que ele tinha em seu pacto com Hitler). Esta aquiescência marcou o abandono da última palavra das Quatro Democracias e da Carta do Atlântico.
O décimo-terceiro e possivelmente um dos maiores das trapalhadas na liderança de Roosevelt e Churchill foi em Teerã em dezembro de 1943. Aqui foi a confirmação da aquiescência na Conferência de Moscou das anexações; aqui foi a aceitação da doutrina estalinista de uma periferia de "Estados amigos fronteirços" - os governos fantoches comunistas sobre sete nações.
A décima-quarta perda fatal de liderança foi feita por Roosevelt e Churchill em Yalta em fevereiro de 1945. Não somente foram todas as usurpações de Stalin da independência de uma dúzia de nações ratificada, mas com uma longa série de acordos secretos outras forças malignas foram colocadas em movimento que continuarão a atormentar o mundo com perigos internacionais por gerações.
A décima-quinta vez de perda de liderança foi em relação ao Japão em maio, junho e julho de 1945. Truman se recusou a ver a bandeira branca japonesa estendida. Truman não estava comprometido com a "rendição incondicional" de Roosevelt. Ela foi denunciada por nossos próprios líderes militares na Europa. A paz poderia ter sido feita com o Japão com somente uma concessão. Qual seja, a preservação do Mikado que era o líder do Estado tanto espiritual quanto secular. Sua posição estava enraizada numa fé religiosa e tradição japonesa de mil anos. E finalmente concedemos isso após centenas de milhares de vidas humanas sacrificadas.
A décima-sexta vez de liderança cega foi Truman em Postdam. O poder agora tinha passado para mãos inexperientes nas democracias ocidentais e os comunistas seguiam seu caminho em qualquer ponto conseqüente. O acordo de Postdam inteiro foi uma série de ratificações e amplificações das rendições prévias a Stalin, mas o suprimento de governo na Alemanha e na Áustria foi arranjado de modo a enviar parte desses Estados para o bolso de Stalin. o resultado das políticas de reparações resultaram no endividamento dos contribuintes americanos com bilhões do custo para o alívio de alemães desocupados e turbinar a recuperação da Alemanha e assim da Europa por anos. A malvadez da escravidão sobre prisioneiros de guerra, a expulsão de povos inteiros de suas casas foi ratificada e amplificada em relação a Yalta.
O décimo-sétimo delírio de liderança foi a ordem imoral de Truman de despejar a bomba atômica sobre os japoneses. Não somente o Japão estava implorando pela paz, mas foi um ato de brutalidade sem paralelos em toda a história americana. Ela pesará por toda a eternidade sobre a consciência americana.
http://www.nationalreview.com/articles/283064/blunders-statesmen-herbert-hoover?pg=1
Qual o motivo do ódio de Hitler aos judeus?
Daily Mail, 19/06/2009
O ódio obsessivo de Adolf Hitler aos judeus foi iniciado por suas experiências após a Primeira Guerra Mundial, de acordo com um novo livro.
O respeitado historiador Ralf-George Reuth argumenta que o ditador culpou-os tanto pela revolução russa como pelo colapso da economia alemã.
O argumento é um contraste forte com as teorias anteriores que o antisemitismo de Hitler foi gerado nas ruelas de Viena quando ele era um desconhecido até 1914.
Os historiadores especularam que ele era meio-judeu - ou mesmo que sua mãe morreu nas mãos de um médico judeu incompetente.
O Ódio Judaico de Hitler: Cliché e Realidade se baseia em numerosos arquivos para estabelecer as razões por trás do Holocausto, o qual custou 6 milhões de vidas.
Reuth argumenta que foi provavelmente o preconceito da classe média baixa, compartilhado por muitos na época, que se transformou em ódio mortal por Hitler após 1919.
Na época, quase metade de todos os bancos privados alemães pertenciam a judeus, a bolsa de valores era dominada por negociantes judeus, quase metade dos jornais da nação eram comandados por judeus assim como 80% das lojas de departamentos.
Tornou-se moda responsabilizar a perda da guerra pelos financistas judeus.
Mas Hitler, de acordo com Reuth, também culpou os judeus pela revolução russa, citando a fé de Leon Trotsky, assim como a de Marx cujas teorias ele seguiu e mesmo Lênin, que era 1/4 judeu.
Quando uma república soviética foi declarada brevemente em Munique aquele ano, diz Reuth, estava tudo pronto para Hitler demonizar os judeus pela responsabilidade das desgraças do mundo.
"Com a Primeira Guerra Mundial perdida e a Alemanha arruinada financeiramente, com a ameaça da revolução, ele começou a ver os judeus como os únicos responsáveis pelo capitalismo financeiro, que causou uma pobreza aguda e sofrimento quando o sistema vacilou, e o bolchevismo," disse Reuth.
"Estes dois eventos foram cruciais na formação de suas visões dos judeus e seu plano subseqüente de matar todos eles. Ele aceitou os rumores e boatos que acusavam os capitalistas judeus de dar uma facada nas costas da Alemanha. Então ele viu que muitos judeus tinham papéis importantes na curta república soviética fundada em Munique em 1919, contra tudo o que o nacionalista Hitler acreditava. Os dois eventos, juntos com a revolução russa, misturaram-se para tornar-se, em sua mente, em bodes expiatórios para qualquer coisa. Mas foi somente após a Primeira Guerra, e não antes. Eu mostro que ele teve muitos conhecidos judeus em Viena, apesar de ter escrito no Mein Kampf que ele estava enojado por ver os judeus lá."
Reuth baseia-se numa riqueza de material de arquivo mostrando como Hitler alimentou-se das idéias de intelectuais da época para moldar sua crença.
Ele cita o novelista ganhador do Prêmio Nobel Thomas Mann que escreveu em 1919 que ele igualava a revolução bolchevista na Rússia aos judeus.
Ernst Nolte, um historiador berlinense, expôs essa teoria há mais de 20 anos num artigo que não foi dado muito crédito na época.
Reuth é um biógrafo distinto da era nazista que escreveu um livro aclamado sobre o mestre da propaganda do Terceiro Reich, Joseph Goebbels.
http://www.dailymail.co.uk/news/article-1194194/Has-historian-finally-real-reason-Hitlers-obsessive-hatred-Jews.html#ixzz1lXvYG1ed
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O Pensamento de Adolf Hitler... por ele mesmo
http://epaubel.blogspot.com.br/2015/03/pol-o-pensamento-de-adolf-hitler-por.html
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O respeitado historiador Ralf-George Reuth argumenta que o ditador culpou-os tanto pela revolução russa como pelo colapso da economia alemã.
O argumento é um contraste forte com as teorias anteriores que o antisemitismo de Hitler foi gerado nas ruelas de Viena quando ele era um desconhecido até 1914.
Os historiadores especularam que ele era meio-judeu - ou mesmo que sua mãe morreu nas mãos de um médico judeu incompetente.
O Ódio Judaico de Hitler: Cliché e Realidade se baseia em numerosos arquivos para estabelecer as razões por trás do Holocausto, o qual custou 6 milhões de vidas.
Reuth argumenta que foi provavelmente o preconceito da classe média baixa, compartilhado por muitos na época, que se transformou em ódio mortal por Hitler após 1919.
Na época, quase metade de todos os bancos privados alemães pertenciam a judeus, a bolsa de valores era dominada por negociantes judeus, quase metade dos jornais da nação eram comandados por judeus assim como 80% das lojas de departamentos.
Tornou-se moda responsabilizar a perda da guerra pelos financistas judeus.
Mas Hitler, de acordo com Reuth, também culpou os judeus pela revolução russa, citando a fé de Leon Trotsky, assim como a de Marx cujas teorias ele seguiu e mesmo Lênin, que era 1/4 judeu.
Quando uma república soviética foi declarada brevemente em Munique aquele ano, diz Reuth, estava tudo pronto para Hitler demonizar os judeus pela responsabilidade das desgraças do mundo.
"Com a Primeira Guerra Mundial perdida e a Alemanha arruinada financeiramente, com a ameaça da revolução, ele começou a ver os judeus como os únicos responsáveis pelo capitalismo financeiro, que causou uma pobreza aguda e sofrimento quando o sistema vacilou, e o bolchevismo," disse Reuth.
"Estes dois eventos foram cruciais na formação de suas visões dos judeus e seu plano subseqüente de matar todos eles. Ele aceitou os rumores e boatos que acusavam os capitalistas judeus de dar uma facada nas costas da Alemanha. Então ele viu que muitos judeus tinham papéis importantes na curta república soviética fundada em Munique em 1919, contra tudo o que o nacionalista Hitler acreditava. Os dois eventos, juntos com a revolução russa, misturaram-se para tornar-se, em sua mente, em bodes expiatórios para qualquer coisa. Mas foi somente após a Primeira Guerra, e não antes. Eu mostro que ele teve muitos conhecidos judeus em Viena, apesar de ter escrito no Mein Kampf que ele estava enojado por ver os judeus lá."
Reuth baseia-se numa riqueza de material de arquivo mostrando como Hitler alimentou-se das idéias de intelectuais da época para moldar sua crença.
Ele cita o novelista ganhador do Prêmio Nobel Thomas Mann que escreveu em 1919 que ele igualava a revolução bolchevista na Rússia aos judeus.
Ernst Nolte, um historiador berlinense, expôs essa teoria há mais de 20 anos num artigo que não foi dado muito crédito na época.
Reuth é um biógrafo distinto da era nazista que escreveu um livro aclamado sobre o mestre da propaganda do Terceiro Reich, Joseph Goebbels.
http://www.dailymail.co.uk/news/article-1194194/Has-historian-finally-real-reason-Hitlers-obsessive-hatred-Jews.html#ixzz1lXvYG1ed
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sábado, 12 de maio de 2012
Hitler cumprimentou Jesse Owens em 1936?
Daily Mail, 11/08/2009
Tem sido lembrado como o maior fato desprezível na história do esporte - quando Adolf Hitler saiu furioso do Estádio Olímpico em Berlim porque a Alemanha havia sido humilhada por um negro.
O momento foi 1936 e um incrível atleta americano chamado Jesse Owens começara sua caminhada para a primeira das quatro medalhas de ouro nos 100 metros.
Hitler, que havia cumprimentado os ganhadores alemães dos dias anteriores, deixou o estádio furiosos porque seus super-homens arianos haviam sido derrotados por uma raça supostamente inferior.
Ou, assim diz a lenda.
Mas agora, um jornalista esportivo alemão afirmou que, apesar de Hitler ter deixado o estádio após a corrida, não o fez antes de apertar a mão de Owens.
Siegfried Mischner, 83 anos, afirma que Owens carregava por todos os lados uma fotografia na sua mala do Führer fazendo isso.
Owens, que sentiu que os jornais do dia haviam sido injustos com a atitude de Hitler em relação a ele, tentou fazer com que Mischner e seus colegas jornalistas mudassem a versão oficial nos anos 1960.
Mischner afirmou que Owens mostrou-lhe a fotografia e lhe disse: "Este foi um dos meus momentos mais bonitos." Mischner disse: "Ela foi tirada atrás da plataforma de honra e portanto não vista pela imprensa mundial. Mas eu a vi, eu o vi apertando a mão de Hitler. A opinião predominante na Alemanha do pós-guerra é que Hitler ignorou Owens. Nós então decidimos não mencionar a foto. O consenso era que Hitler deveria continuar sendo retratado de forma vil em relação a Owens."
Mischner, que decidiu escrever um livro sobre as Olimpíadas de 1936, disse que outros jornalistas estavam com ele no dia que Owens tirou a foto e eles também não mencionaram.
"Owens ficou decepcionado," disse ele. "Ele balançou sua cabeça negativamente. A imprensa então era muito obediente. Não posso dar desculpas, mas ninguém queria ser o cara que tornou Hitler um bom sujeito. Todos os meus colegas estão mortos, Owens está morto. Achei que esta seria a última chance de fazer a coisa certa. Eu não tenho idéia onde a foto está ou mesmo se ela ainda existe."
Owens, que morreu em 1980, era filho de meeiros e ganhou quatro medalhas de ouro - os 100 metros, o salto longo, os 200 metros e a corrida de revesamento - em Berlim.
Ele insistiu que não foi desprezado por Hitler, mas não fez nenhuma referência a um encontro e um aperto de mão. "Ele provavelmente aceitou o mito assim como nós," acrescentou Mischner.
Owens mais tarde disse que ele foi tratado melhor na Alemanha do que na América, onde os negros sofriam segregação.
O atleta alemão Lutz Long em conversa amigável com Jesse Owens nas Olimpíadas
http://www.dailymail.co.uk/news/article-1205572/Hitler-shook-hands-black-1936-Olympic-hero-Jesse-Owens.html#ixzz1q8YHV43q
Os Judeus foram escravos no Egito?
Haaretz, 26/03/2012
Eis uma questão para você: o que tem em comum o ator Charlton Heston, os estúdios de animação DreamWorks e o ex-Primeiro Ministro Menachem Begin? Bem, todos eles, uma vez ou outra, perpetuaram o mito de que os judeus construíram as pirâmides. E isto é um mito, não tenha dúvidas. Mesmo se tomarmos a data mais antiga possível para a escravidão judaica que a Bíblia sugere, os judeus foram escravizados no Egito cerca de 300 anos após a data de conclusão das pirâmides m 1750 a.C. Isto é, é claro, se eles mesmo foram escravos no Egito.
Somos tão rápidos em revelar as mentiras óbvias sobre judeus e Israel que são contadas no Egito - os governantes do Sinai afirmam que o Mossad liberou um tubarão no Mar Vermelho para matar os egípcios, ou, como eu li num jornal enquanto estava de férias no Cairo, o conto de que os judeus estavam vendendo fivelas de cinto magnéticas que esterilizaria os homens ao contato - ainda que muito raramente examinamos nossas próprias concepções errôneas sobre a natureza de nossa história com a nação egipcia.
Tendemos, no meio de nosso desprezo pelas teorias da conspiração egípcias e antisemitas, a passar batido no fato de que um dos maiores eventos do calendário judaico passado de geração em geração todo ano de como os egípcios eram nossos mestres cruéis de escravidão, numa ligação que provavelmente jamais existiu. Isto é realmente tão diferente das estórias do tubarão e do agente do Mossad?
A realidade é que não há evidência em qualquer lugar de que os judeus foram um dia escravizados no Egito. Sim, há a estória contida na própria Bíblia, mas aquilo não é nem remotamente uma fonte histórica admissível. Estou falando de prova real; evidência arqueológica, registros oficiais e fontes primárias. Destas, nada existe.
É difícil acreditar que 600.000 famílias (que significaria cerca de dois milhões de pessoas) cruzaram o Sinai inteiro sem deixar um simples pote de barro (o melhor amigo do arqueólogo) com hebraico inscrito nele. É incrível que os registros egípcios não façam menção à emigração repentina do que seria aproximadamente 1/4 de sua população, nem mesmo uma evidência tenha sido encontrada dos efeitos esperados de tal exôdo; tais como crise econômica ou falta de mão de obra. Além disso, não há evidência em Israel que msotre um fluxo repentino de pessoas de outra cultura na época. Nenhum abandono da cerâmica tradicional foi visto, nenhum registro ou estória de uma oscilação na população.
De fato, não há absolutamente nenhuma evidência para sugerir que a estória é verdadeira assim como não há nada que apoie as teorias da conspiração e contos sobre os judeus.
Então, à medida que nos aproximamos da Páscoa de 2012 quando, graças à "Primavera Árabe", nossas relações com o Egito estão em baixa após 40 anos, deixe-nos apreciar nosso Sêder (leituras da Torá de acordo com o antigo ciclo trianual palestino) e ler a estória por todos os meios, mas também lembrar aqueles à mesa que podem esquecer que isto é apenas uma metáfora, e que não existe nenhuma animosidade entre israelitas e egípcios. Pois, se queremos estabelecer aquela paz ilusória com o Egito que tantos trabalharam tão duro para conseguir, teremos que abandonar nossos preconceitos.
http://www.haaretz.com/jewish-world/were-jews-ever-really-slaves-in-egypt-or-is-passover-a-myth-1.420844
Eis uma questão para você: o que tem em comum o ator Charlton Heston, os estúdios de animação DreamWorks e o ex-Primeiro Ministro Menachem Begin? Bem, todos eles, uma vez ou outra, perpetuaram o mito de que os judeus construíram as pirâmides. E isto é um mito, não tenha dúvidas. Mesmo se tomarmos a data mais antiga possível para a escravidão judaica que a Bíblia sugere, os judeus foram escravizados no Egito cerca de 300 anos após a data de conclusão das pirâmides m 1750 a.C. Isto é, é claro, se eles mesmo foram escravos no Egito.
Somos tão rápidos em revelar as mentiras óbvias sobre judeus e Israel que são contadas no Egito - os governantes do Sinai afirmam que o Mossad liberou um tubarão no Mar Vermelho para matar os egípcios, ou, como eu li num jornal enquanto estava de férias no Cairo, o conto de que os judeus estavam vendendo fivelas de cinto magnéticas que esterilizaria os homens ao contato - ainda que muito raramente examinamos nossas próprias concepções errôneas sobre a natureza de nossa história com a nação egipcia.
Tendemos, no meio de nosso desprezo pelas teorias da conspiração egípcias e antisemitas, a passar batido no fato de que um dos maiores eventos do calendário judaico passado de geração em geração todo ano de como os egípcios eram nossos mestres cruéis de escravidão, numa ligação que provavelmente jamais existiu. Isto é realmente tão diferente das estórias do tubarão e do agente do Mossad?
A realidade é que não há evidência em qualquer lugar de que os judeus foram um dia escravizados no Egito. Sim, há a estória contida na própria Bíblia, mas aquilo não é nem remotamente uma fonte histórica admissível. Estou falando de prova real; evidência arqueológica, registros oficiais e fontes primárias. Destas, nada existe.
É difícil acreditar que 600.000 famílias (que significaria cerca de dois milhões de pessoas) cruzaram o Sinai inteiro sem deixar um simples pote de barro (o melhor amigo do arqueólogo) com hebraico inscrito nele. É incrível que os registros egípcios não façam menção à emigração repentina do que seria aproximadamente 1/4 de sua população, nem mesmo uma evidência tenha sido encontrada dos efeitos esperados de tal exôdo; tais como crise econômica ou falta de mão de obra. Além disso, não há evidência em Israel que msotre um fluxo repentino de pessoas de outra cultura na época. Nenhum abandono da cerâmica tradicional foi visto, nenhum registro ou estória de uma oscilação na população.
De fato, não há absolutamente nenhuma evidência para sugerir que a estória é verdadeira assim como não há nada que apoie as teorias da conspiração e contos sobre os judeus.
Então, à medida que nos aproximamos da Páscoa de 2012 quando, graças à "Primavera Árabe", nossas relações com o Egito estão em baixa após 40 anos, deixe-nos apreciar nosso Sêder (leituras da Torá de acordo com o antigo ciclo trianual palestino) e ler a estória por todos os meios, mas também lembrar aqueles à mesa que podem esquecer que isto é apenas uma metáfora, e que não existe nenhuma animosidade entre israelitas e egípcios. Pois, se queremos estabelecer aquela paz ilusória com o Egito que tantos trabalharam tão duro para conseguir, teremos que abandonar nossos preconceitos.
http://www.haaretz.com/jewish-world/were-jews-ever-really-slaves-in-egypt-or-is-passover-a-myth-1.420844
[SGM] O Ano da Vingança
por Dominic Sandbrook
Daily Mail, 23/03/2012
Imagine vivendo em um mundo no qual lei e ordem foram destruídos completamente: um mundo no qual não existe autoridade, regras e punições.
Nas ruínas bombardeadas das cidades européias, gangues brutais reviravam lixo em busca de comida. Idosos são mortos por suas roupas, seus relógios ou mesmo seus calçados. Mulheres são violentadas sem piedade, muitas vezes durante uma única noite.
Vizinho se volta contra vizinho; velhos amigos tornam-se inimigos mortais. E o sobrenome errado, mesmo o sotaque errado, pode te matar.
Parece como uma coleção de pesadelos. Mas para centenas de milhões de europeus, muitos dos quais hoje aposentados polidos, respeitáveis, esta era a realidade nos meses desesperadores após o fim da Segunda Guerra Mundial.
Na Grã-Bretanha, lembramos da grande cruzada contra os nazistas como a nossa melhor hora. Mas como o historiador Keith Lowe mostra em um novo, extraordinário, perturbador e poderoso livro, "Continente Selvagem", é tempo de pensarmos novamente sobre o modo como a guerra terminou.
Para milhões de pessoas ao longo do Continente, ele argumenta, o Dia da Vitória marcou não o fim de um pesadelo, mas o começo de um novo. Na Europa Central, a Cortina de Ferro já estava descendo; mesmo no Oeste, os rituais de recriminação estavam sendo realizados.
Esta é a estória não da redenção, mas da selvageria. E longe de ser a "Hora Zero", como os alemães a chamam, maio de 1945 marcou o início de uma terrível queda para o anarquismo.
É claro que a Segunda Guerra Mundial foi aquela coisa rara, uma luta genuinamente moral contra um inimigo terrível que caiu para as profundezas da crueldade humana. Mas precisamente porque nós na Inglaterra escapamos da vergonha e do trauma da ocupação, raramente refletimos sobre o que aconteceu em seguida.
Após anos de bombardeio e matança, muito da Europa estava física e moralmente quebrada. De fato, ao contemplar os custos da guerra na Alemanha somente é simplesmente assustador.
Ao longo das ruínas do Reich de Hitler, quase 20 milhões de pessoas estavam sem teto, enquanto 17 milhões de refugiados, muitos dos quais antigos prisioneiros de guerra e trabalhadores escravos, estavam perambulando a terra.
Metade de todas as casas em Berlim estavam em ruínas; assim como sete de dez casa em Colônia.
Nem todos os alemães que sobreviveram à guerra apoiaram Hitler. Mas nas vastas extensões de seu antigo império conquistadas pelo Exército Vermelho de Stalin, a vingança terrível dos vitoriosos caiu sobre suas cabeças, independentemente de seu passado.
Na pequena vila prussiana de Nemmensdorf, o primeiro território alemão a cair nas mãos dos russos, todo homem, mulher e criança foi brutalmente assassinado. "Pouparei vocês da descrição das mutilações e da terrível condição dos corpos," disse um correspondente suíço a seus leitores.
"Estas são impressões que vão além da pior imaginação selvagem."
Próximo da cidade prussiana oriental de Königsberg - agora a cidade russa de Kalaningrado - os corpos de mulheres mortas, que foram violentadas e então assassinadas, estavam jogados pelas ruas. E em Gross Heydekrug, escreve Keith Lowe, "uma mulher foi crucificada no altar da igreja local, com dois soldados alemães ao seu lado."
Muitos historiadores russos ainda negam esses relatos de atrocidades. Mas a evidência é esmagadora.
Através de boa parte da Alemanha, Lowe explica, "milhares de mulheres foram estupradas e então mortas numa orgia de violência verdadeiramente medieval."
Mas a verdade é que a guerra medieval não foi em nada selvagem quando comparada com a que foi feita contra o povo alemão em 1945. Onde se encontrava o Exército Vermelho, mulheres eram estupradas por gangues aos milhares.
Uma mulher em Berlim, levada atrás de uma pilha de carvão, lembrou ter sido violentada por "vinte e três soldados, um após o outro. Eu tive que levar pontos no hospital. Nunca quis mais ter relações com qualquer outro homem novamente."
É claro que é fácil dizer que os alemães, tendo perpretado algumas das mais terríveis atrocidades na história humana na frente oriental, carregaram para si mesmos esse sofrimento. Mesmo assim, nenhuma pessoa sã poderia possivelmente ler o livro de Lowe sem tremer de horror.
A verdade é que a Segunda Guerra Mundial, que lembramos como uma grande campanha moral, levou danos incalculáveis para as sensibilidades éticas da Europa. E, na luta desesperada pela sobrevivência, muitas pessoas fariam qualquer coisa para conseguir comida e abrigo.
Na Nápoles ocupada pelos Aliados, o escritor Norman Lewis viu como mulheres locais, seus rostos indicando se tratar de senhoras de família, alinhadas para vender seus corpos para jovens soldados americanos por pequenos pratos de comida.
Um outro observador, o correspondente de guerra Alan Moorehead, escreveu que ele tinha visto "o colapso moral" do povo italiano, que tinha perdido todo seu orgulho em sua "luta animal pela sobrevivência".
No meio do trauma da guerra e ocupação, os limites da decência sexual haviam simplesmente desaparecido. Na Holanda, a um soldado americano foi ofertada uma menina de 12 anos. Na Hungria, filas de meninas de 13 anos foram levadas ao hospital com doenças venéreas; na Grécia, médicos trataram de meninas infectadas por doenças venéreas tão novas quanto dez anos de idade.
Mais ainda, mesmo naqueles países libertados por britânicos e americanos, uma corrente profunda de ódio mergulhou a vida nacional.
Todos saíram da guerra com alguém para odiar.
Na Itália setentrional, cerca de 20.000 pessoas foram sumariamente assassinadas por seus próprios compatriotas nas últimas semanas da guerra. E nas praças das cidades francesas, mulheres acusadas de term dormido com soldados alemães eram despidas e seus cabelos raspados, seus seios marcados com suásticas enquanto multidões de homens permaneciam ao redor rindo. Mesmo hoje, muitos franceses se recusam a acreditar em tais cenas.
A regra geral, contudo, era que quanto mais ao leste você estivesse, pior o horror se tornava.
Em Praga, soldados alemães capturados eram "surrados, molhados em petróleo e queimados até a morte." No estádio de esportes da cidade, soldados russos e tchecos estupravam mulheres alemãs.
Nas vilas da Boêmia e Morávia, centenas de famílias alemãs foram brutalmente assassinadas. E nas prisões polonesas, os prisioneiros alemães eram afogados em esterco, e um homem sufocado até a morte após ser obrigado a engolir um sapo vivo.
Mesmo naquela época, muitas pessoas viam isso como uma punição justa para os crimes nazistas. Os líderes aliados se recusaram a discutir as atrocidades, nem mesmo condená-las, porque eles não queriam perder o apoio popular.
"Quando você corta madeira," disse com desdém o futuro presidente tcheco Antonin Zapotocky, "os cavacos voam."
É para o grande crédito de Lowe que ele resiste a fazer um julgamento moral. Nenhum de nós pode saber como teríamos nos comportado sob circunstâncias semelhantes; é uma das grandes bençãos da história britânica que, apesar de nosso sacrifício para derrotar os nazistas, nossa experiência nacional foi muito menos traumática do que a dos nossos vizinhos.
É também verdade que por mais repelente que achemos, o desejo de vingança foi tanto instintivo quanto compreensível - especialmente naqueles terríveis lugares onde os nazistas castigaram tantos inocentes. Então, é chocante, mas não surpreendente, ler que quando os americanos libertaram o campo de extermínio de Dachau, um grupo de soldados enfileiraram os guardas alemães e simplesmente os metralharam.
Para qualquer padrão, isto foi um crime de guerra; mesmo assim, quem entre nós pode honestamente sizer que nos teríamos comportado de maneira diferente?
Lowe nota como "um pequeno grupo" de prisioneiros judeus conduziram uma vingança sangrenta contra seus antigos carrascos.
Tais afirmações, inevitavelmente, são profundamente controversas. Quando o veterano correspondente de guerra americano John Sack, ele próprio judeu, escreveu um livro sobre isso nos anos 1990, ele foi acusado de negação do Holocausto e seus editores cancelaram o contrato. (ver
http://en.wikipedia.org/wiki/An_Eye_for_an_Eye:_The_Untold_Story_of_Jewish_Revenge_Against_Germans_in_1945 )
Mesmo após a libertação do campo de Theresienstadt, um homem judeu viu uma multidão de ex-prisioneiros linchar um soldado da SS, e tais cenas não eram incomuns através de todo o Reich. (N. do T.: evidentemente isso foi uma injustiça, pois alguns de nossos amigos aqui do fórum disseram que os campos de concentração eram casas de repouso onde os judeus eram tratados com dignidade...rs). "Todos nós participávamos," um outro interno judeu do campo, Szmulek Gontartz, lembrou anos mais tarde. "Era doce. A única coisa que lamento é que não teve mais disso."
Enquanto isso, através dos vastos territórios da Europa oriental, comunidades alemãs que viveram por séculos no sossego foram atingidas. Alguns tinham sangue em suas mãos, muitos outros, contudo, eram inocentes. Mas eles não podiam ter pago um preço mais alto pelo colapso das ambições imperiais de Adolf Hitler.
Nos meses após a guerra ter terminado, uma multidão de 7 milhões de alemães foram expulsos da Polônia, outros 3 milhões da Tchecoslováquia e quase 2 milhões mais de outros países da Europa Central, freqüentemente em condições deploráveis de fome, sede e doenças.
Hoje, isto parece com limpeza étnica em escala maciça. Mesmo naquela época, cônscios de que todos eles estiveram sob o jugo nazista, políticos poloneses e tchecos viram as expulsões como "o modo menos pior" para evitar outra guerra.
De fato, esta selvageria étnica não estava restrita aos alemães. Na Polônia Oriental e Ucrânia Ocidental, nacionalistas rivais conduziam uma guerra não declarada de brutalidade horrorosa, estupros e castigo contra mulheres e crianças e forçando quase dois milhões de pessoas a abandonarem suas casas.
O que estes homens queriam não era, no final, tão diferente das próprias ambições de Hitler: uma pátria etnicamente homogênea, limpa dos últimos remanescentes de contaminação estrangeira.
Em 1947, num empreendimento chamado Operação Vistula, os poloneses reuniram seus últimos cidadãos ucranianos e os deportaram para o lado ocidental do país, que havia feito parte da Alemanha. Lá, eles foram assentados em cidades desertas, cujos velhos habitantes haviam sido deportados para a Alemanha Ocidental.
Foi, escreve Lowe, "o ato final numa guerra racial iniciada por Hitler, continuada por Stalin e completada pelas autoridades polonesas."
Para o seu imenso crédito, os poloneses tiveram a coragem de enfrentar o que aconteceu àqueles anos atrás. De fato, dez anos atrás o presidente polonês Aleksander Kwasniewski publicamente pediu desculpas pela Operação Vístula.
Para a suprema ironia da guerra, foi na Polônia, e em outros lugares da Europa Oriental, que o Dia da Vitória marcou o fim de uma tirania e o começo de outra.
Aqui na Inglaterra, freqüentemente esquecemos que apesar de termos ido à guerra para salvar a Polônia, nós na verdade acabamos permitindo que ela caísse no despotismo cruel de Stalin.
Talvez não tivéssemos escolha; não havia apetite para uma guerra contra os russos em 1945, e estávamos exuastos de qualquer forma. Mesmo assim, nem todo mundo estava preparado para aceitar a rendição tão facilmente.
Em um dos últimos capítulos do livro profundamente emocionante de Lowe, ele lembra-nos que entre 1944 e 1950, cerca de 400.000 ucranianos estavam envolvidos com resistência anti-soviética na Ucrânia.
E o mais importante, nos estados bálticos da Lituânia, Letônia e Estônia, que Stalin havia brutalmente absorvido na União Soviética, dezenas de milhares de guerrilheiros nacionalistas conhecidos como Irmãos da Floresta lutaram em vão por sua independência, mesmo lutando batalhas enérgicas contra o Exército Vermelho e atacando prédios governamentais nas cidades principais.
Pensamos na Guerra Fria na Europa como um beco-sem-saída. Mesmo em 1965, partisans lituanos ainda lutavam contra a polícia soviética, enquanto o último guerrilheiro estoniano, August Sabbe de 69 anos, não foi morto até 1978, mais de 30 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial.
Nós na Inglaterra estamos certos de se orgulhar de nosso registro na guerra. Mesmo assim, é tempo, como o livro mostra, que enfrentemos algumas das ambiguidades morais daqueles anos sangrentos, desesperados.
Quando retratamos o fim da guerra, imaginamos multidões no centro de Londres, comemorando e cantando.
Raramente pensamos no terrível sofrimento e castigo que marcou as vidas da maioria dos europeus na época.
Mas quase 70 anos depois do fim do conflito, é hora de conhecermos as realidades escondidas do capítulo talvez mais obscuro em toda a história da humanidade.
http://www.dailymail.co.uk/news/article-2119589/How-neighbours-turned-anarchy-erupted-Europe-aftermath-WWII.html#ixzz1s2WdK8eG
Um vídeo do historiador Keith Lowe está aqui:
Daily Mail, 23/03/2012
Imagine vivendo em um mundo no qual lei e ordem foram destruídos completamente: um mundo no qual não existe autoridade, regras e punições.
Nas ruínas bombardeadas das cidades européias, gangues brutais reviravam lixo em busca de comida. Idosos são mortos por suas roupas, seus relógios ou mesmo seus calçados. Mulheres são violentadas sem piedade, muitas vezes durante uma única noite.
Vizinho se volta contra vizinho; velhos amigos tornam-se inimigos mortais. E o sobrenome errado, mesmo o sotaque errado, pode te matar.
Parece como uma coleção de pesadelos. Mas para centenas de milhões de europeus, muitos dos quais hoje aposentados polidos, respeitáveis, esta era a realidade nos meses desesperadores após o fim da Segunda Guerra Mundial.
Na Grã-Bretanha, lembramos da grande cruzada contra os nazistas como a nossa melhor hora. Mas como o historiador Keith Lowe mostra em um novo, extraordinário, perturbador e poderoso livro, "Continente Selvagem", é tempo de pensarmos novamente sobre o modo como a guerra terminou.
Para milhões de pessoas ao longo do Continente, ele argumenta, o Dia da Vitória marcou não o fim de um pesadelo, mas o começo de um novo. Na Europa Central, a Cortina de Ferro já estava descendo; mesmo no Oeste, os rituais de recriminação estavam sendo realizados.
Esta é a estória não da redenção, mas da selvageria. E longe de ser a "Hora Zero", como os alemães a chamam, maio de 1945 marcou o início de uma terrível queda para o anarquismo.
É claro que a Segunda Guerra Mundial foi aquela coisa rara, uma luta genuinamente moral contra um inimigo terrível que caiu para as profundezas da crueldade humana. Mas precisamente porque nós na Inglaterra escapamos da vergonha e do trauma da ocupação, raramente refletimos sobre o que aconteceu em seguida.
Após anos de bombardeio e matança, muito da Europa estava física e moralmente quebrada. De fato, ao contemplar os custos da guerra na Alemanha somente é simplesmente assustador.
Ao longo das ruínas do Reich de Hitler, quase 20 milhões de pessoas estavam sem teto, enquanto 17 milhões de refugiados, muitos dos quais antigos prisioneiros de guerra e trabalhadores escravos, estavam perambulando a terra.
Metade de todas as casas em Berlim estavam em ruínas; assim como sete de dez casa em Colônia.
Nem todos os alemães que sobreviveram à guerra apoiaram Hitler. Mas nas vastas extensões de seu antigo império conquistadas pelo Exército Vermelho de Stalin, a vingança terrível dos vitoriosos caiu sobre suas cabeças, independentemente de seu passado.
Na pequena vila prussiana de Nemmensdorf, o primeiro território alemão a cair nas mãos dos russos, todo homem, mulher e criança foi brutalmente assassinado. "Pouparei vocês da descrição das mutilações e da terrível condição dos corpos," disse um correspondente suíço a seus leitores.
"Estas são impressões que vão além da pior imaginação selvagem."
Massacre de crianças em Nemmensdorf
Próximo da cidade prussiana oriental de Königsberg - agora a cidade russa de Kalaningrado - os corpos de mulheres mortas, que foram violentadas e então assassinadas, estavam jogados pelas ruas. E em Gross Heydekrug, escreve Keith Lowe, "uma mulher foi crucificada no altar da igreja local, com dois soldados alemães ao seu lado."
Muitos historiadores russos ainda negam esses relatos de atrocidades. Mas a evidência é esmagadora.
Através de boa parte da Alemanha, Lowe explica, "milhares de mulheres foram estupradas e então mortas numa orgia de violência verdadeiramente medieval."
Mas a verdade é que a guerra medieval não foi em nada selvagem quando comparada com a que foi feita contra o povo alemão em 1945. Onde se encontrava o Exército Vermelho, mulheres eram estupradas por gangues aos milhares.
Uma mulher em Berlim, levada atrás de uma pilha de carvão, lembrou ter sido violentada por "vinte e três soldados, um após o outro. Eu tive que levar pontos no hospital. Nunca quis mais ter relações com qualquer outro homem novamente."
É claro que é fácil dizer que os alemães, tendo perpretado algumas das mais terríveis atrocidades na história humana na frente oriental, carregaram para si mesmos esse sofrimento. Mesmo assim, nenhuma pessoa sã poderia possivelmente ler o livro de Lowe sem tremer de horror.
A verdade é que a Segunda Guerra Mundial, que lembramos como uma grande campanha moral, levou danos incalculáveis para as sensibilidades éticas da Europa. E, na luta desesperada pela sobrevivência, muitas pessoas fariam qualquer coisa para conseguir comida e abrigo.
Alemães em estado de subnutrição após a guerra
Na Nápoles ocupada pelos Aliados, o escritor Norman Lewis viu como mulheres locais, seus rostos indicando se tratar de senhoras de família, alinhadas para vender seus corpos para jovens soldados americanos por pequenos pratos de comida.
Um outro observador, o correspondente de guerra Alan Moorehead, escreveu que ele tinha visto "o colapso moral" do povo italiano, que tinha perdido todo seu orgulho em sua "luta animal pela sobrevivência".
No meio do trauma da guerra e ocupação, os limites da decência sexual haviam simplesmente desaparecido. Na Holanda, a um soldado americano foi ofertada uma menina de 12 anos. Na Hungria, filas de meninas de 13 anos foram levadas ao hospital com doenças venéreas; na Grécia, médicos trataram de meninas infectadas por doenças venéreas tão novas quanto dez anos de idade.
Mais ainda, mesmo naqueles países libertados por britânicos e americanos, uma corrente profunda de ódio mergulhou a vida nacional.
Todos saíram da guerra com alguém para odiar.
Na Itália setentrional, cerca de 20.000 pessoas foram sumariamente assassinadas por seus próprios compatriotas nas últimas semanas da guerra. E nas praças das cidades francesas, mulheres acusadas de term dormido com soldados alemães eram despidas e seus cabelos raspados, seus seios marcados com suásticas enquanto multidões de homens permaneciam ao redor rindo. Mesmo hoje, muitos franceses se recusam a acreditar em tais cenas.
Mulher francesa, acusada de colaboracionista, é humilhada em praça pública
A regra geral, contudo, era que quanto mais ao leste você estivesse, pior o horror se tornava.
Em Praga, soldados alemães capturados eram "surrados, molhados em petróleo e queimados até a morte." No estádio de esportes da cidade, soldados russos e tchecos estupravam mulheres alemãs.
Nas vilas da Boêmia e Morávia, centenas de famílias alemãs foram brutalmente assassinadas. E nas prisões polonesas, os prisioneiros alemães eram afogados em esterco, e um homem sufocado até a morte após ser obrigado a engolir um sapo vivo.
Mesmo naquela época, muitas pessoas viam isso como uma punição justa para os crimes nazistas. Os líderes aliados se recusaram a discutir as atrocidades, nem mesmo condená-las, porque eles não queriam perder o apoio popular.
"Quando você corta madeira," disse com desdém o futuro presidente tcheco Antonin Zapotocky, "os cavacos voam."
É para o grande crédito de Lowe que ele resiste a fazer um julgamento moral. Nenhum de nós pode saber como teríamos nos comportado sob circunstâncias semelhantes; é uma das grandes bençãos da história britânica que, apesar de nosso sacrifício para derrotar os nazistas, nossa experiência nacional foi muito menos traumática do que a dos nossos vizinhos.
É também verdade que por mais repelente que achemos, o desejo de vingança foi tanto instintivo quanto compreensível - especialmente naqueles terríveis lugares onde os nazistas castigaram tantos inocentes. Então, é chocante, mas não surpreendente, ler que quando os americanos libertaram o campo de extermínio de Dachau, um grupo de soldados enfileiraram os guardas alemães e simplesmente os metralharam.
Para qualquer padrão, isto foi um crime de guerra; mesmo assim, quem entre nós pode honestamente sizer que nos teríamos comportado de maneira diferente?
Lowe nota como "um pequeno grupo" de prisioneiros judeus conduziram uma vingança sangrenta contra seus antigos carrascos.
Tais afirmações, inevitavelmente, são profundamente controversas. Quando o veterano correspondente de guerra americano John Sack, ele próprio judeu, escreveu um livro sobre isso nos anos 1990, ele foi acusado de negação do Holocausto e seus editores cancelaram o contrato. (ver
http://en.wikipedia.org/wiki/An_Eye_for_an_Eye:_The_Untold_Story_of_Jewish_Revenge_Against_Germans_in_1945 )
Mesmo após a libertação do campo de Theresienstadt, um homem judeu viu uma multidão de ex-prisioneiros linchar um soldado da SS, e tais cenas não eram incomuns através de todo o Reich. (N. do T.: evidentemente isso foi uma injustiça, pois alguns de nossos amigos aqui do fórum disseram que os campos de concentração eram casas de repouso onde os judeus eram tratados com dignidade...rs). "Todos nós participávamos," um outro interno judeu do campo, Szmulek Gontartz, lembrou anos mais tarde. "Era doce. A única coisa que lamento é que não teve mais disso."
Rudolf Höss, comandante de Auschwitz, após sessão de interrogatório
Enquanto isso, através dos vastos territórios da Europa oriental, comunidades alemãs que viveram por séculos no sossego foram atingidas. Alguns tinham sangue em suas mãos, muitos outros, contudo, eram inocentes. Mas eles não podiam ter pago um preço mais alto pelo colapso das ambições imperiais de Adolf Hitler.
Nos meses após a guerra ter terminado, uma multidão de 7 milhões de alemães foram expulsos da Polônia, outros 3 milhões da Tchecoslováquia e quase 2 milhões mais de outros países da Europa Central, freqüentemente em condições deploráveis de fome, sede e doenças.
Hoje, isto parece com limpeza étnica em escala maciça. Mesmo naquela época, cônscios de que todos eles estiveram sob o jugo nazista, políticos poloneses e tchecos viram as expulsões como "o modo menos pior" para evitar outra guerra.
De fato, esta selvageria étnica não estava restrita aos alemães. Na Polônia Oriental e Ucrânia Ocidental, nacionalistas rivais conduziam uma guerra não declarada de brutalidade horrorosa, estupros e castigo contra mulheres e crianças e forçando quase dois milhões de pessoas a abandonarem suas casas.
O que estes homens queriam não era, no final, tão diferente das próprias ambições de Hitler: uma pátria etnicamente homogênea, limpa dos últimos remanescentes de contaminação estrangeira.
Em 1947, num empreendimento chamado Operação Vistula, os poloneses reuniram seus últimos cidadãos ucranianos e os deportaram para o lado ocidental do país, que havia feito parte da Alemanha. Lá, eles foram assentados em cidades desertas, cujos velhos habitantes haviam sido deportados para a Alemanha Ocidental.
Foi, escreve Lowe, "o ato final numa guerra racial iniciada por Hitler, continuada por Stalin e completada pelas autoridades polonesas."
Para o seu imenso crédito, os poloneses tiveram a coragem de enfrentar o que aconteceu àqueles anos atrás. De fato, dez anos atrás o presidente polonês Aleksander Kwasniewski publicamente pediu desculpas pela Operação Vístula.
Para a suprema ironia da guerra, foi na Polônia, e em outros lugares da Europa Oriental, que o Dia da Vitória marcou o fim de uma tirania e o começo de outra.
Aqui na Inglaterra, freqüentemente esquecemos que apesar de termos ido à guerra para salvar a Polônia, nós na verdade acabamos permitindo que ela caísse no despotismo cruel de Stalin.
Talvez não tivéssemos escolha; não havia apetite para uma guerra contra os russos em 1945, e estávamos exuastos de qualquer forma. Mesmo assim, nem todo mundo estava preparado para aceitar a rendição tão facilmente.
Em um dos últimos capítulos do livro profundamente emocionante de Lowe, ele lembra-nos que entre 1944 e 1950, cerca de 400.000 ucranianos estavam envolvidos com resistência anti-soviética na Ucrânia.
E o mais importante, nos estados bálticos da Lituânia, Letônia e Estônia, que Stalin havia brutalmente absorvido na União Soviética, dezenas de milhares de guerrilheiros nacionalistas conhecidos como Irmãos da Floresta lutaram em vão por sua independência, mesmo lutando batalhas enérgicas contra o Exército Vermelho e atacando prédios governamentais nas cidades principais.
Pensamos na Guerra Fria na Europa como um beco-sem-saída. Mesmo em 1965, partisans lituanos ainda lutavam contra a polícia soviética, enquanto o último guerrilheiro estoniano, August Sabbe de 69 anos, não foi morto até 1978, mais de 30 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial.
Nós na Inglaterra estamos certos de se orgulhar de nosso registro na guerra. Mesmo assim, é tempo, como o livro mostra, que enfrentemos algumas das ambiguidades morais daqueles anos sangrentos, desesperados.
Quando retratamos o fim da guerra, imaginamos multidões no centro de Londres, comemorando e cantando.
Raramente pensamos no terrível sofrimento e castigo que marcou as vidas da maioria dos europeus na época.
Mas quase 70 anos depois do fim do conflito, é hora de conhecermos as realidades escondidas do capítulo talvez mais obscuro em toda a história da humanidade.
http://www.dailymail.co.uk/news/article-2119589/How-neighbours-turned-anarchy-erupted-Europe-aftermath-WWII.html#ixzz1s2WdK8eG
Um vídeo do historiador Keith Lowe está aqui:
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