segunda-feira, 2 de julho de 2012

Reichswehr - O Exército na República de Weimar

Origens

Depois da derrota de Napoleão na batalha de Waterloo o reino da Prussia teve anos de sucessos militares nos séculos XIX e XX. Cada homem entre 17 e 45 anos, era obrigado a prestar serviço militar. Havia 4 classes de serviço; Ativo (Aktiv), Reserva, Landwehr e Landsturm. O Landwehr e o Landsturm eram chamados apenas em iminência de guerra. A unidade básica do exército neste tempo era o Regiment. O regimento dava suporte a uma cidade ou região específica. Cada regimento era estacionado perto de sua cidade natal. O regimento da reserva era composto em sua maioria por membros vindos do regimento local. As unidades de Landwehr e Landsturm foram organizadas também da mesma maneira. Um indivíduo poderia gastar todos os 22 anos de serviço militar cercados por seus amigos e família. Este sistema criou fortes laços nos regimentos, entretanto havia o perigo de todos os homens de uma cidade serem mortos em batalha de uma só vez.

O exército alemão que lutou na Primeira Guerra Mundial não era de fato um exército unificado. Os quatro reinos germânicos que existiam antes da Unificação Alemã em janeiro de 1871, a saber, Baviera, Prússia, Saxônia e Württemberg, cada qual tinha seu próprio exército antes da unificação. A Prússia teve o maior dos quatro exércitos. Após o unificação e a formação do Império Alemão, o exército Prussiano transformou-se no núcleo do exército alemão imperial (Kaiserliches Heer ou Deutsches Reichsheer). Em 1914 o exército alemão possuía 50 divisões ativas e em 1918 250 divisões. O termo "exército alemão" veio a ser usado somente após a assinatura do Tratado de Versalhes em 1919.

O Exército após 1918

Com o final da Primeira Guerra Mundial, também veio uma onda de revoluções e contra-revoluções através da maior parte da Europa Ocidental e Oriental. A Alemanha não ficou imune ao fervor da revolução e experimentou numerosas revoltas, tentativas de golpe, assaltos contra-revolucionários, batalhas de rua, e disputas de terras. Os soldados da linha de frente que desertaram e se dispersaram após o retorno à Alemanha lutaram em ambos os lados destas disputas revolucionárias.

Um grande número de ex-soldados da Primeira Guerra juntou-se para formar unidades de voluntários, coletivamente conhecidas como Freikorps. As unidades Freikorps poderiam consistir de pequenos grupos de menos de 100 homens espalhados ao longo de linhas quase-militares para defender áreas limitadas, enquanto outras eram de tamanho de divisões, consistindo de infantaria, artilharia, metralhadoras e unidades motorizadas, apoio logístico, engenharia e força aérea. Estimativas colocam o número de unidades do Freikorps formadas durante o período de 1918-1923 em cerca de 200-300. As unidades Freikorps serviram de base para combater a revolução comunista dentro da Alemanha, combates na região báltica e luta contra os poloneses através da fronteira oriental defendendo-se contra as várias incursões territoriais polonesas.

Desde que a maior parte do exército imperial germânico havia desaparecido logo após o final da Primeira Guerra Mundial, uma força militar formal foi necessária pela nova República de Weimar, além do independente e desregulado Freikorp. Em 6 de março de 1919, uma nova força armada alemã foi formada por meio de um decreto oficial conhecido como Vorläufige Reichswehr, ou Força de Defesa Provisória Alemã. Ela consistia do Vorläufige Reichsheer (Exército Provisório) e da Vorläufige Reichsmarine (Marinha Provisória). Muitas unidades Freikorps serviam parcial ou totalmente no Vorläufige Reichsheer, que possuía aproximadamente 400.000 homens agrupados em 50 unidades do tamanho de brigada.

Em 28 de junho de 1919, a Alemanha assinou formalmente o Tratado de Paz, selando o Armistício assinado em 11 de novembro de 1918. Em 30 de setembro de 1919, o Exército foi reorganizado como "Übergangsheer" (Exército de Transição) em 20 brigadas. Em maio de 1920, ele foi reduzido a 200.000 homens e reestruturado novamente, formando 3 divisões de Cavalaria e 7 divisões de infantaria. Em 1 de outubro de 1920, as brigadas foram substituídas por regimentos e o efetivo foi reduzido a apenas 100.000 soldados, como estipulado pelo Tratado de Versalhes. Isto durou até 1 de janeiro de 1921, quando a Reichswehr foi oficialmente estabelecida, obedecendo os limites impostos pelos Aliados.

Segundo as novas imposições dos vencedores, a Reichswehr deveria ser composta do:

(a) Reichsheer: um exército consistindo de dois comandos de grupos, 7 divisões de infantaria e 3 divisões de cavalaria. Tanques, artilharia pesada e aviões estavam proibidos.

(b) Reichsmarine: limitada a uma porção de encouraçados leves. Submarinos e aviões estavam proibidos.

Apesar das limitações de efetivo e equipamento, o planejamento para "tempos melhores" prosseguiu, através da análise da derrota na Primeira Guerra, pesquisa e desenvolvimento e exercícios militares na URSS com o apoio do Exército Vermelho. Além disso, apesar de estar proibido de possuir um Estado-Maior, o Exército continuou a conduzir suas funções típicas de Estado-Maior sob o nome camuflado de "Truppenamt", ou Escritório de Tropa. Nesta época, muitos dos futuros líderes da Wehrmacht (por exemplo, Heinz Guderian) formularam novas idéias táticas e estratégicas, as quais seriam utilizadas anos mais tarde.

A Reichswehr nunca foi uma amiga da democracia, sendo saudosista dos velhos tempos do militarismo imperial. Mesmo assim, ela permaneceu leal ao governo republicano e seu caráter apolítico foi enfatizado, dando à incipiente democracia alemã uma chance de sobrevivência nos conturbados anos 1920. A maior influência no desenvolvimento da Reichswehr foi Hans von Seeckt (1866-1936), que serviu de 1920 a 1926 como Chefe da Liderança do Exército ("Chef der Heeresleitung").

A figura 1 mostra a estrutura do Reichswehr. A figura 2 mostra a bandeira das forças armadas alemãs durante a República De Weimar. Note que as cores imperiais ainda estão presentes, além da Cruz de Ferro, símbolo do militarismo germânico.



Figura 1

Figura 2


Na verdade, a redução do efetivo das forças armadas, de 780.000 (1913) para 100.000 nos tempos de paz, ajudou a melhorar a qualidade da Reichswehr, já que somente os melhores entre os melhores poderiam permanecer no corpo de oficiais e subalternos. Apesar disso, a proibição do uso de veículos mecanizados e apoio aéreo tornava o Exército figura meramente decorativa.

Entre 1933 e 1934, após a ascensão de Adolf Hitler como Chanceler da Alemanha, a Reichswehr começou um programa secreto de expansão, que se tornou público com o anúncio da criação da Wehrmacht em 1935 e o abandono das cláusulas do Tratado de Versalhes.

Uniformes

Túnica

Quatro bolsos, tunica de serviço (Dienstrock), introduzida em maio de 1919, para o Reichsheer Transitório. Esta túnica era de cor cinza-esverdeado (feldgrau) tinha gola para insígnia da mesma cor, duas mangas com botões nas pontas e um suporte nas costas com botões para suporte do cinto. As insígnias eram de um padrão incomum, adotadas brevemente em 1919, e que representavam a ruptura com as tradições militares imperiais.

As novas especificações foram introduzidas em dezembro de 1920. A túnica de quatro bolsos, oito ou seis botões frontais (o último adotado em 1928) agora tinha mangas do tipo francesa e insígnias mais tradicionais (usadas mais tarde pela Wehrmacht). Outras especificações permaneceram as mesmas. As túnicas de campo M15 (modelo 1915) continuaram a ser usadas por praças em funções internas à guarnição e treinamento em campo. Nas figura 3, temos uma representação dos uniformes da Reichswehr.


Figura 3


Na figura 4, vemos uniformes de oficiais em épocas distintas. Na esquerda, o uniforme mais antigo apresenta a gola na mesma cor que a túnica; o quepe apresenta a grinalda em metal com a roseta no centro com as cores imperiais e tarja preta de couro sobre a banda lateral do boné. Na direita, temos um uniforme mais novo, de general, com a gola em verde escuro e no quepe a roseta foi substituída pelo escudo de armas da República de Weimar, uma águia negra prussiana com fundo amarelo (emblema que seria mais tarde adotado pela República Federal Alemã em 1949) e a tarja preta de couro sendo substituído pelo cordão duplo dourado (no caso de general).


Figura 4

 
Capacete
 
Os famosos capacetes alemães do tipo M18 (modelo 1918) possuíam emblemas na forma de escudo em ambos os lados com as cores da província na qual estavam servindo. Esse emblema, chamado Wappenschild, começou a ser usado em 26 de janeiro de 1924. A marinha, por sua vez, utilizava o escudo na cor branca ou dourada com uma âncora no centro no lado esquerdo. Em 14 de março de 1933, os emblemas com as cores das províncias foram abolidos e substituídos pelo escudo tricolor, com as cores do movimento nacional-socialista (branco, vermelho e preto) no lado esquerdo. Na figura 5, vemos os escudos de 4 províncias importantes e o escudo nacional de 1933.
 
 
 
Fontes de pesquisa:
 
Wikipedia
 
 
Die Uniformierung und Ausruestung des deutschen Reichsheers 1919-1932, Adolf Schlicht and Juergen Kraus, 1987.
 

domingo, 1 de julho de 2012

[SGM] A Cruz de Mérito da Guerra

Sebastián J. Bianchi


A Cruz do Mérito da Guerra, criada e instituída antes da guerra, formou uma parte integral da estrutura de condecorações do Terceiro Reich ao preencher lacunas que, de outra forma, existiria tanto na área civil quanto na militar.

Em épocas anteriores, a "tarja de não combatente" da Cruz de Ferro havia distinguido funcionários do Estado, civis e pessoal auxiliar das forças armadas que contribuíram com o esforço de guerra. Entretanto, tornou-se aparente das experiências na Primeira Guerra Mundial e na Guerra Civil Espanhola que esta condecoração simples não seria suficiente para reconhecer o vasto número de civis e forças auxiliares que eram necessários para conduzir uma guerra moderna e a tarja de não-combatente não foi renovada quando a Cruz de Ferro foi reintroduzida em setembro de 1939.

Esta nova era de guerra exigiria uma mobilização quase completa, uma perspectiva que foi mais tarde percebida e tornou-se famosa no decorrer com a sua descrição: Guerra Total. Para reconhecer tanto os milhões de alemães que estavam diretamente apoiando a Wehrmacht quanto aqueles empregados nas indústrias de armamentos, como estaleiros, depósitos de munições, fábricas de aviões e linhas de montagem, uma condecoração com mais profundidade era necessária.

Na área militar, a República de Weimar havia deixado uma lacuna após a Primeira Guerra Mundial quando ela aboliu as condecorações de Estado militares. Estas condecorações haviam tido um papel significativo ao premiar tanto bravura quanto atos relativamente comuns de mérito militar. No final, muitas novas condecorações foram criadas por Hitler, entre elas a Cruz de Mérito da Guerra (Das Kriegsverdienst Kreuz, ou KVK), que foi instituída em 18 de outubro de 1939.

Inicialmente, a Cruz consistia de somente duas classes, a Primeira e a Segunda, mas à medida que a necessidade crescia a Medalha de Mérito da Guerra e a Cruz de Cavaleiro para a Cruz de Mérito da Guerra foram introduzidas. Todas as graduações (exceto para a Medalha do Mérito da Guerra) eram constituídas de uma Cruz maltesa de oito pontas, com um par de espadas de estilo militar fixadas entre os braços da cruz distinguindo a categoria do combatente do não-combatente, a qual não tinha espadas mas no resto era idêntica.

A Cruz de Mérito da Guerra com Espadas reconhecia aqueles militares cujos atos de coragem estavam acima de suas obrigações normais, mas que ainda não encontrassem o critério da Cruz de Ferro. Estes atos poderiam ser tanto na forma de bravura não estando diretamente sob fogo inimigo ou a liderança/planejamento de operações de combate. Todos os membros das forças armadas eram elegíveis sem qualquer distinção de posto, e os aliados não-germânicos eram igualmente elegíveis.

A Cruz sem Espadas era concedida para ações de mérito geral. Pessoal militar que era qualificado para a Cruz de Mérito da Guerra em serviço administrativo, médico ou outro da linha de frente recebia esta condecoração, assim como civis cujas contribuições foram de importância significativa para o esforço de guerra. Civis eram premiados com a distinção sem critério de idade ou classe social, de Diplomatas a trabalhadores de chão de fábrica.

Era necessário ter a classe mais baixa para receber uma classe mais alta, apesar de alguns casos raros da Segunda e Primeira Classes serem concedidas simultaneamente. Se a Cruz de Mérito da Guerra com Espadas era concedida para um indivíduo que já possuía a classe sem Espadas, somente a Cruz com Espadas deveria ser usada. Foi decretado inicialmente que a Cruz de Mérito da Guerra não poderia ser premiada ou usada por recebedores da Cruz de Ferro, mas esta regulamentação foi revogada em 28 de setembro de 1941.

A Cruz de Mérito da Guerra foi eventualmente usada para reconhecer virtualmente qualquer serviço, e tornou-se a condecoração alemã mais usada durante a guerra.

Segunda Classe

A Cruz de Mérito da Guerra Segunda Classe era uma cruz maltesa em bronze que media 49 mm. Era construída de uma grande variedade de materiais, do zinco com banho a bronze a umas poucas e raras peças de bronze. À medida que a guerra progredia, a qualidade dos materiais caiu, e consequentemente as últimas cruzes de guerra perderam seu banho a bronze, adquirindo uma aparência cinzenta.

Os braços da cruz em ambos os lados tinham uma borda chata com um centro granulado. O disco do centro do lado frontal possía uma suástica inclinada cercada por um ramo de folhas de carvalho enquanto que no centro do lado reverso o ramo de folhas de carvalho cercava o ano de 1939. Uma orelha era soldada no braço superior da cruz através do qual um laço de fita, que tinha a marca do fabricante, era passada. A cruz era concedida com um pedaço de fita de 15 cm com tiras vermelho-branco-preto-branco-vermelho (As cores da fita da Cruz de Ferro invertidas). No caso da categoria de combatente um par de espadas militares era colocado entre os braços da cruz.


Cruz do Mérito da Guerra Segunda Classe sem Espadas


Cruz do Mérito da Guerra Segunda Classe com Espadas


Em ocasiões formais ou paradas militares a Cruz era usada suspensa pela fita ou como parte de um grupo. No serviço ativo, somente a fita era usada tanto no segundo botão da túnica quanto na barra de fitas (este assunto será detalhado em outro tópico). Se usado no botão, ela iria atrás da fita da Cruz de Ferro de Segunda Classe (ver tópico específico), mas tecnicamente antes da Medalha da Campanha de Inverno Oriental, apesar desta última ser vista frequentemente acima da Cruz de Mérito da Guerra devido ao seu alto prestígio entre as tropas combatentes.

A Cruz de Mérito da Guerra Segunda Classe sem espadas era concedida àqueles cujas ações eram julgadas ser no auxílio do esforço de guerra, mas não diretamente envolvidas em operações militares. Isto poderia significar civis, como professores e empresários, ou pessoal militar em função de responsabilidade ou guardas de campos de prisioneiros de guerra. A Cruz de Mérito da Guerra Segunda Classe com Espadas era concedida a militares por bravura não necessariamente em combate direto com o inimigo. Na verdade, havia uma área nebulosa na qual os indivíduos recebiam a Cruz com Espadas quando talvez a categoria não-combatente teria sido mais apropriada, e outros recebendo a Cruz de Ferro quando a Cruz de Mérito da Guerra com Espadas teria se encaixado melhor. O número de agraciados é o seguinte:



Primeira Classe

A Cruz de Mérito da Guerra Primeira Classe, como acontecia com uma condecoração mais alta, não era concedida de forma tão liberal e, portanto, era mais respeitada. A Cruz de Mérito da Guerra Primeira Classe era permanentemente usada no bolso esquerdo da túnica.

O lado frontal da Cruz era exatamente idêntico em desenho e proporções à de Segunda Classe, esta tendo no centro uma suástica inclinada com os braços apresentando pontas polidas afinadas e um centro granulado. O lado reverso era chato com somente um sistema de pino e gancho não diferente do da Cruz de Ferro de Primeira Classe, com a marca do fabricante, se existisse, geralmente marcada sobre o pino. Algumas cruzes vendidas de forma privada eram construídas com um sistema de encaixe parafusado que fornecia um grande nível de segurança. Neste caso, a marca era estampada na própria cruz. No caso da versão combatente, um par de espadas militares eram fixadas entre os braços da Cruz.


Ambas as divisões da condecoração eram prensadas e construídas em zinco com uma cobertura de prata, apesar de que podem ser encontradas peças raras de prata grau 800 (80% prata). Era feita de materiais de menor grau nos últimos anos da guerra e, consequentemente, a cobertura delas foi eventualmente eliminada dando uma aparência cinzenta. Como com todas as condecorações alemãs, manteve o alto padrão de detalhes até o final. Assim como com a Cruz de Ferro, os agraciados eram livres para comprar uma cópia oficial da LDO (Lista de Fabricantes Oficiais) do prêmio.


Cruz de Mérito da Guerra Primeira Classe sem Espadas
Cruz de Mérito da Guerra Primeira Classe com Espadas

A Cruz de Mérito da Guerra Primeira Classe sem Espadas era concedida para serviço meritório ou coragem em auxílio ao esforço de guerra. Era também concedida a diplomatas, guardas de campo e outras personalidades cujas ações eram vistas como tendo efeito significativo no esforço de guerra. A Cruz de Mérito da Guerra Primeira Classe com Espadas era concedida a militares por coragem e feitos heróicos (os quais não necessitariam ocorrer necessariamente diante do inimigo). O número de condecorações concedidas é o seguinte:


 

Cruz de Cavaleiro

A Cruz de Cavaleiro da Cruz de Mérito da Guerra (Ritterkreuz des Kriegsverdienstkeuzes) foi introduzida em 19 de agosto de 1940 simultaneamente à medalha do Mérito da Guerra. Sua posição na estrutura de condecorações alemã estava acima da Cruz Alemã em Prata e Ouro, mas abaixo da Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro. Foi concedida frugalmente ao longo dos anos de guerra, e em virtude de poucos serem agraciados, a Cruz era tida com muito respeito pela hierarquia nazista, dando-lhe uma aura de exclusividade que podia não ser totalmente merecida, já que era posicionada abaixo da Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro. Cerimônias pomposas geralmente eram feitas para os agraciados, com Hitler quase sempre entregando a condecoração ao lado de oficiais de altos postos e funcionários superiores do partido. No último ano de guerra, a Cruz de Cavaleiro em ouro foi introduzida como o nível mais alto da Cruz de Mérito da Guerra. Em grande parte devido à sua introdução tardia, este prêmio foi concedido somente umas poucas vezes.


Cruz de Cavaleiro da Cruz de Mérito da Guerra com Espadas


Ao todo, foram 211 agraciados com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Mérito da Guerra com Espadas e 48 sem Espadas.

 
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Clausewitz e a Arte da Guerra

Carl von Clausewitz (1780 - 1831) entrou para a vida militar aos doze anos, tendo servido em um dos regimentos prussianos tão bem descritos por John Keegan em seu livro Uma História da Guerra. Ainda jovem, acompanhou os exércitos prussianos em sua invasão à França, quando teve o primeiro contato com o fervor em combate dos revolucionários. Aos 21 anos, entrou para a Kriegsakademie, a escola militar de Berlim, onde estudou Kant e foi pupilo do general Scharnhorst, futuro chefe de estado-maior do exército da Prússia.

Durante a desastrosa campanha que levou à derrota dupla de Jena-Auerstedt, Clausewitz foi feito prisioneiro dos franceses. Libertado, tomou parte na reconstrução da Prússia após a Guerra da Quarta Coalizão, mas quando Napoleão declarou guerra à Rússia - forçando uma Prússia submissa a fazer o mesmo -, Carl von Clausewitz se juntou à Legião Russo-Germânica, testemunhando a primeira grande derrota dos exércitos napoleônicos. Enquanto esteve sob o serviço do Czar, ajudou a negociar a formação de uma aliança entre Prússia, Reino Unido e Rússia; tal coalizão levou à derrota de Bonaparte e posterior exílio.

Depois das Guerras Napoleônicas, Clausewitz foi promovido a Major-General e nomeado diretor da Kriegsakademie, que chefiou até 1830; um de seus alunos nesse período foi Helmut von Moltke, lendário comandante responsável pela vitória na Guerra Franco-Prussiana. No período entre 1818 e 1830, começou suas reflexões sobre a guerra, interrompidas em 1831 por sua morte em meio a uma epidemia de cólera. Seu livro, Vom Kriege, foi publicado postumamente por sua esposa.


Carl von Clausewitz

Tal lançamento sem uma revisão final por parte do autor fez com que surgissem muitas interpretações diferentes do autor. Ao mesmo tempo, Jomini e seus muitos discípulos tentaram conciliar as teses de Clausewitz com seus próprios princípios e máximas, o que levou a uma interpretação superficial. Ao rotularem a obra de Clausewitz como uma “filosofia da guerra” enquanto os derivados jominianos seriam “teóricos”, garantiu-se que a obra do general prussiano só teria suas conseqüências plenamente apreciadas no meio do século XX, com o surgimento do conceito da MAD (Destruição Mútua Assegurada).

A diferença de termos, apesar de oriunda de uma tentativa de negar o valor prático da teoria clausewitziana, expressa o quão distantes são as abordagens. Jomini tentou, através de uma análise histórica, resumir os princípios militares então vigentes em uma série de máximas suficientemente vagas para não serem desmentidas por qualquer mudança mas ainda assim úteis. Clausewitz, um homem do Iluminismo inspirado por filósofos como Kant, adotou uma abordagem dialética para explicar o que é a guerra.

De um lado, ele define a guerra como uma ferramenta política, gerando a célebre frase “A guerra é uma continuação da política por outros meios” (que, no original, dizia “com a entremistura de outros meios”). A antítese dessa idéia é a visão de que a guerra é puramente um duelo entre duas vontades - uma “luta-livre”, para uma analogia mais apropriada. Ao analisar ambas as idéias, chega-se a síntese que constitui um dos principais pontos da abordagem de Clausewitz: a guerra nunca é ilimitada, sendo sempre restrita por objetivos políticos e outros; no entanto, o nível de comprometimento é fator que influencia na vitória ou derrota do conflito.

O objetivo em uma guerra seria desarmar o oponente, ou seja, destruir efetivamente a capacidade do oponente de guerrear. Aí é que entra o comprometimento em uma guerra. Quanto mais determinado o inimigo, mais difícil é de removê-lo do conflito. Isso fica visível na análise que Domício Proença Júnior et al. fizeram em seu Guia de Estudos Estratégicos sobre a guerrilha. Tomemos o exemplo da Guerra do Vietnã. É inegável que os Estados Unidos dispunham de maior capacidade militar que o NVA e o Vietcong, mesmo que tomemos apenas a fração dos recursos militares estadunidenses efetivamente comprometidos com a proxy war. No entanto, por estarem lutando apenas por razões políticas e influenciados pelas informações e listas de mortos transmitidas pela mídia, estavam dispostos a arriscar bem menos em um conflito do que seus inimigos, que, além de lutarem em seu próprio território, combatiam por um ideal.

Um dos principais pontos alegados sobre a suposta incompletude da obra de Clausewitz estaria no fato de que ela é permeada demais pelo modo ocidental de guerrear. Realmente, na cultura ocidental, a guerra subordina-se aos interesses políticos, assim como a religião também se curva perante estes. Mas isso não é sempre válido. Tomemos o exemplo do Japão, em que as formas culturais, muito mais do que as necessidades políticas, modelaram a forma de guerrear. O xogunato Tokugawa, logo após vencer as terríveis guerras civis no século XVI, conseguiu fazer com que o uso de armas de fogo no Japão fosse efetivamente eliminado até a chegada do Comodoro Perry, já na década de 1850. Ao fazê-lo, Tokugawa Ieyasu deu uma sobrevida de três séculos aos samurais e ao modo de vida já institucionalizado, coisa que não aconteceu na Europa.

Para outros, a teoria de Clausewitz se tornou ultrapassada com o início da Guerra Fria. As superpotências da segunda metade do século XX atingiram aquilo que é o objetivo supremo de um Estado clausewitziano: destruir uma imagem especular de si mesmo. Com o advento das armas nucleares, elevava-se o preço de uma guerra de tal modo que apenas formas limitadas de combate seriam possíveis sem a destruição do mundo. Isso não torna a teoria de todo descartável, uma vez que, como visto, ela ainda consegue explicar fenômenos como o terrorismo, mas mostra que Clausewitz não mais é suficiente para explicar a atual forma da guerra.

Eis alguns excertos Da Guerra:

"Os princípios da arte da guerra são extremamente simples em si e estão ao alcance do comum dos mortais. Embora exijam um conhecimento mais especializado na táctica do que na estratégia, a sua variedade e complexidade de forma alguma se comparam às de qualquer outra ciência. Não são necessários conhecimento e estudo aprofundados, nem tão pouco qualidades intelectuais excepcionais. Se quiséssemos salientar uma característica mental especial, para além da capacidade de julgar fundada na experiência, teríamos então de falar na astúcia e na perspicácia. Tem sido sustentado o contrário, quer por causa de uma falsa veneração por este assunto quer por causa da vaidade dos autores que têm escrito sobre ele. Uma reflexão sem preconceitos devia convencer-nos disto, e a experiência apenas cimenta esta nossa convicção. Ainda recentemente, na guerra revolucionária, alguns indivíduos que nunca tiveram acesso a qualquer educação militar específica provaram ser grandes líderes militares, muitas vezes de primeira grandeza. É duvidoso que Condé, Wallenstein, Suworow e muitos outros possuíssem tal formação militar.”

“A condução da guerra é, sem dúvida, muito difícil. Mas a dificuldade não reside na necessidade de se possuir erudição especial ou grande gênio para perceber os princípios básicos da sua condução. Estes princípios estão ao alcance de qualquer pessoa capaz de pensar, desprovida de preconceitos e não totalmente leiga na matéria. A própria aplicação destes princípios básicos nos mapas ou no papel não oferece nenhuma dificuldade e conceber um bom plano de operações não é nenhum bicho-de-sete-cabeças.”

“O livre arbítrio e a alma do chefe militar são então constantemente tolhidos e é necessária uma grande força moral e mental para vencer esta resistência. Muitas idéias válidas morrem à nascença por causa desta fricção. Muitas vezes vemo-nos na contingência de ter de executar, da forma mais simples e despretensiosa, aquilo que, combinado de maneira mais complexa, produziria melhores resultados. Pode ser impossível enumerar exaustivamente as causas desta fricção. De qualquer modo, aqui ficam as principais:

1. No momento em que elaboramos o plano de operações sabemos muito pouco sobre as medidas tomadas pelo inimigo e sobre a sua posição. No momento de executarmos uma decisão somos assaltados freqüentemente por milhares de dúvidas sobre os perigos inerentes a podermos ter cometido um erro quanto aos pressupostos do plano de operações. Apoderar-se-á de nós um sentimento de nervosismo, semelhante ao que invade aqueles que estão prestes a realizar algo de grandioso. Deste nervosismo facilmente podemos passar à indecisão e desta às medidas titubeantes vai um pequeno passo.

2. Não só nos debatemos com a incerteza sobre a força real do inimigo, como todos os rumores (ou seja, todas as notícias que nos chegam através dos postos avançados, de espiões ou casualmente) lhe aumentam a amplitude. A maior parte das pessoas é hesitante por natureza, e assim se explica por que razão elas constantemente exageram o perigo. Todas as influências se combinam então para dar ao chefe militar uma idéia errada da força do inimigo que tem pela frente e aqui reside uma nova fonte de indecisão.

Não devemos dar muita importância a esta indecisão e é preciso prepararmo-nos para ela desde o início.

Depois de termos pensado em tudo antecipadamente e esquematizado sem preconceitos o plano mais plausível, não devemos abandonar de imediato as idéias iniciais. Muito pelo contrário, devemos submeter as informações que nos chegam ao escrutínio da critica avisada, compará-las umas com as outras e tentar obter outras. Deste modo, as informações falsas são muitas vezes desmentidas imediatamente e os primeiros relatórios confirmados. Em ambos os casos, obtemos certezas e, na posse delas, poderemos tomar decisões. Se nos faltarem certezas poderemos dizer para nós próprios que na guerra nada se consegue sem ousadia; que a natureza da guerra não nos permite sempre ver para onde vamos; que o que é provável, será sempre provável, muito embora de momento não o pareça; e que, se tomamos as precauções devidas, não deitaremos tudo a perder por causa de um único erro.

3. A incerteza sobre o estado das coisas num determinado momento não se limita apenas ao conhecimento do inimigo, mas estende-se também ao nosso próprio exército. Só muito raramente é que este pode ser mantido unido, de maneira a que possamos ter uma visão conjunta de todas as suas partes. Se tivermos tendência para nos sentirmos receosos e para hesitar, seremos assaltados por novas dúvidas. Vamos querer esperar e o resultado será o atraso na execução de todo o plano.

Temos, pois, que acreditar que as medidas gerais tomadas produzirão os resultados esperados. O mais importante, neste particular, é a confiança nos subordinados diretos. Conseqüentemente, devemos escolher pessoas em quem possamos confiar e pôr de parte todas as outras considerações. Se tomamos medidas preparatórias adequadas, ter-nos-emos precavido para quaisquer ocorrências desfavoráveis. Se elas acontecerem durante a execução do plano de operações não estaremos desde logo derrotados, tendo apenas que continuar a avançar corajosamente através daquilo que sabemos ser um mar de incertezas.

4. Se quisermos conduzir a guerra com o máximo potencial das nossas forças, os comandantes e mesmo as tropas (especialmente se não estão familiarizadas com a guerra) deparar-se-ão com dificuldades que descreverão como inultrapassáveis. Acharão a marcha demasiado longa, o esforço demasiado grande e o aprovisionamento impossível. Se dermos ouvidos a estas "dificuldades", como Frederico II as designava, em breve sucumbiremos e, em vez de agirmos com determinação e energia, ficaremos reduzidos à fraqueza e à inatividade.

Para combater tudo isto é imperioso termos confiança na nossa inteligência e nas nossas convicções. Na altura poderá parecer teimosia mas, na realidade, trata-se daquela força da mente e do caráter a que devemos dar o nome de firmeza.

(…)

Estas dificuldades na execução das operações requerem auto-confiança e firmeza de convicções. (…) Um sentimento poderoso deve fortalecer o ânimo do líder militar. Seja a ambição de César, o ódio ao inimigo de Aníbal, ou o orgulho numa derrota gloriosa, como com Frederico o Grande."

sábado, 30 de junho de 2012

[SGM] Os Fantasmas de Yalta nos perseguem ainda Hoje

Eric Margolis, 5/07/2010


Como colunista de assuntos estrangeiros, é um pouco estranho estar escrevendo sobre o Mar Negro quando tanta coisa está acontecendo em casa: a atrasada demissão do general americano Stanley McChrystal, o ataque impressionante da Grã-Bretanha à suas dívidas, a nova regulamentação dos bancos americanos, e a farra cara e desnecessária do G20 em Toronto, que tornou aquela metrópole normalmente pacata em uma versão de Fuga de Nova York.

Mais sobre McChrystal e seus Cruzados na próxima semana.

Para mim, como historiador militar, Yalta é uma conexão da história, o lugar dos eventos que continuam a afetar nosso mundo atual. Ela será estudada mesmo após o fim da última Guerra Afegã e continuará sendo discutida após os banqueiros de Wall Street serem esquecidos.

Como toda residência imperial russa parece, Livadia é um palacete, mesmo modesto. O Czar Nicolau II tinha este belo palácio de calcário construído como residência de férias da família na ensolarada Criméia.

Livadia negligencia uma das florestas sub-tropicais mais incríveis da Criméia e o vislumbre do Mar Negro. O último líder soviético, Mikhail Gorbachev, tinha uma casa de verão perto da costa, no antigo porto de comércio grego em Foros. Josef Stalin, que amava a costa do Mar Negro, tinha dachas (vilas) espalhadas entre a Criméia e a Georgia.

Durante os anos 1980, fui até Sochi, Abkhazia e Georgia quando os americanos não eram permitidos ir além dos limites da cidade de Moscou. Fiquei espantado ao descobrir o norte de Sochi como uma versão soviética de Acapulco, completa com um hotel em forma de pirâmide, discotecas noturnas, bares tumultuados e multidões de foliões abastecidos de vodka.

De volta para Livadia. Como muitas coisas russas, o palácio mexe com as emoções de qualquer um. Tantos fantasmas circulam por seus salões sombrios.

As paredes do andar superior do palácio estão lotadas de fotos do Czar, da Imperatriz Alexandra e de suas adoráveis crianças. O apaixonado Nicolau freqüentemente negligenciava assuntos de governo para gastar tempo com sua família. Havia fotografias tristes de seu filho, que sofria da tragédia genética da família, hemofilia – mas não há fotografias do monge sinistro Rasputin, que voltou o povo contra a Czarina.

Vemos o rosto cansado de Nicolau, os olhos assustados ressaltados por trás de sua barba de um governante fraco superado por uma tempestade de problemas, faltando-lhe vontade ou força para governar uma Rússia colapsando em uma revolução.

As fotografias mostram a família imperial reunida em Livadia do mesmo modo como eles estavam quando foram assassinados em 1918 por atiradores comunistas em uma sombria base nos Urais. Quem os vê lamenta que essa família unida por amor tão intenso e seu fim trágico.

Mas enquanto estava estudando estes momentos melancólicos do último Czar da Rússia, fiquei intrigado como Nicolau carrega uma responsabilidade intensa pelos desastres subsequentes do século XX. Ele teve em suas mãos a chance de mudar o fluxo da história, mas falhou em fazer isso. Vemos atitudes semelhantes de indecisão no caráter de um outro líder iniciante, conduzido em tempos obscuros, Barack Obama.

Em 1914, a Sérvia não pestanejou em provocar uma guerra entre a Rússia e seu inimigo, o Império Austro-Húngaro, sobre a Bósnia-Herzegovínia, ao assassinar o Arquiduque Franz Ferdinand, sucessor do trono Habsburg, em Saraievo. Como esperado, a Áustria mobilizou seus exércitos para se vingar da Sérvia.

A Sérvia era aliada dos russos, como o é ainda hoje, e a primeira peça da expansão russa na Europa Oriental pós-Império Otomano, como também o é ainda hoje. Em um ato fatal que encerrou a Época de Ouro da Europa, Nicolau ordenou que seus exércitos poderosos se mobilizassem contra a Áustria em apoio à Sérvia.

A mobilização da Rússia forçou o aliado da Áustria-Hungria, Alemanha, a mobilizar suas forças. A França mobilizou em resposta à mobilização alemã. Enfrentando França e Rússia em duas frentes, a Alemanha foi forçada a atacar a França antes que os vastos exércitos da Rússia tomassem o terreno.

A decisão do Czar de mobilizar acendeu o pavio da Primeira Guerra Mundial, que levou então à Segunda Guerra Mundial.

Nicolau poderia ao invés disso ter se dirigido a Berlim em seu trem particular para encontrar seu “primo Willy”, o Kaiser da Alemanha, para preveni-lo da eminente catástrofe. Mas Nicolau libertou os cães de guerra. Ele acabou perdendo seu Império e sua família – e jogando a Europa em três décadas de guerra.

No piso principal de Livadia, ninguém sente melancolia, mas raiva. Lá, em fevereiro de 1945, o presidente americano Franklin Roosevelt, o Primeiro-Ministro Winston Churchill e o ditador soviético Josef Stalin se encontraram para decidir o futuro da Europa no pós-guerra.

Na maior traição da história moderna, os líderes de guerra Aliados deram metade da Europa para o domínio soviético, levando dezenas de milhões de seus povos para os gulags, ditaduras e confisco de suas propriedades.

O falecido general da KGB Pavel Sudoplatov, que liderou a equipe que matou Trotsky e esteve presente em Yalta, chama adequadamente o pacto em seu diário como “tão cínico quanto o pacto Hitler-Stalin de 1939” que dividiu partes da Europa Oriental entre a Alemanha e a União Soviética. Mas naquele caso, Hitler e Stalin fizeram um acordo de dois lados, restaurando terras às suas nações que foram perdidas em consequência da Primeira Guerra Mundial.

Yalta foi uma entrega vergonhosa para apenas um lado de metade do continente europeu. Foi uma traição mais clamorosa do que o Pacto citado acima. A esquerda submissa, assim como o senil Roosevelt continuaram saudando Stalin, que havia matado mais de 20 milhões de seu próprio povo, “nosso Tio Joe”.

Ironicamente, na semana passada, o governo pró-ocidente da Georgia explodiu uma estátua de Stalin em sua cidade natal de Gori, irando muitos geórgios e russos em uma época em que a memória do ditador soviético está sendo reabilitada na Rússia.

A maquinaria pesada usada por Stalin para industrializar a URSS e construer suas fábricas de armas foi largamente comprada dos Estados Unidos. Moscou confiscou grãos de seus camponeses para financiar a industrialização, deixando cerca de dez milhões deles famintos. Mao Tsé-Tung mais tarde faria o mesmo para industrializar a China, da mesma maneira cruel nos anos 1950. Lembrem-se da profecia de Lênin que os capitalistas venderiam aos comunistas a corda que seria usada para enforcá-los.

Tem sido geralmente esquecido que os campos de concentração e o extermínio em massa de Stalin atingiram seu pico nos anos 1930, pelo menos cinco anos antes de Hitler começar seu extermínio em massa. Além disso, a América partiu para o socorro da União Soviética quando ela foi atacada pela Alemanha, fornecendo grandes quantidades de materiais, armas, combustível e dinheiro.

Como Churchill lembrou bem apropriadamente, quando Stalin chegou ao poder, os russos lavravam a terra com arados de madeira. Quando seu governo terminou, a União Soviética tinha armas nucleares.

Surpreendentemente, na Conferência de Yalta, o ingênuo Roosevelt e a delegação americana ficaram no Palácio de Livadia. O NKVD, a polícia secreta soviética, grampeou todo pedaço de Livadia, e escutou tudo o que era dito pelo presidente e seus funcionários.

Os ingleses ficaram no escuro Palácio Vorontzov vizinho, também altamente grampeado. Sarah Churchill lembrou para um membro da delegação britânica que seria bom provar o frango de Kiev. Ele foi entregue uma hora depois. Um outro diplomata britânico lembrou que ele queria limão para o seu chá. Um limoeiro inteiro foi rapidamente entregue.

O NKVD e a inteligência militar, GRU, sabiam quase tudo o que se passava nas mentes dos americanos e britânicos. Havia dois agentes soviéticos na equipe de Roosevelt: o assistente do Secretário do Tesouro Harry Dexter White e Alger Hiss. Sudoplatov diz que ele ouviu da GRU que havia um terceiro espião soviético bem colocado na Casa Branca, e um outro que era um famoso financista e descendente de uma das famílias mais famosas da América.

Harry Dexter White trabalhou para o Secretário de Tesouro, Henry Morgenthau, que planejou desindustrializar a Alemanha e jogá-la de volta à época medieval.

Como os senhores da guerra Roosevelt e Churchill puderam ser tão tolos e covardes? Stalin tinha 12 milhões de homens se deslocando pela Europa Oriental. O poder de Stalin intimidou Roosevelt e Churchill, fazendo com que trocassem um ditador totalitário, Adolf Hitler, apaziguando um ditador muito mais perigoso, Stalin.

A União Soviética tinha feito o trabalho do leão ao lutar na Europa, destruindo 75% de todas as forças terrestres e aéreas alemãs, e naturalmente esperava uma partilha proporcional do espólio. Quando os americanos, britânicos e canadenses pisaram na Normandia, quem os enfrentava era o fantasma da outrora invencível Wehrmacht, fatalmente alijada de suprimentos de combustível, munições e blindados, e sem qualquer cobertura aérea. É incrível que os alemães tenham durado tanto tempo na frente ocidental.

Depois que as forças alemãs se renderam, o general americano Patton estava pronto para direcionar seu famoso 3º. Exército contra os russos na Europa Oriental. Os EUA tinham a bomba atômica, e a Rússia não. Mas os EUA e a Inglaterra falida decidiram curvar-se a Stalin. A Europa Oriental pagou um preço caro. Patton foi dispensado e subsequentemente morto em um acidente de carro ainda misterioso.

Em 1905, o Kaiser Wilhelm da Alemanha predisse que em 50 anos o Império Britânico, que então controlava um quarto do globo terrestre, desapareceria em pós e seria substituído por dois novos impérios, a América e a Rússia.

Penso sobre isso, em uma das vilas verdes e sinistras de Stalin na costa russa próximo de Sochi. Sentei à mesa de Stalin, imaginando como após Yalta seus olhos amarelos devem ter piscado com malícia e triunfo enquanto baforava seu cachimbo após olhar com desprezo para o tolo Roosevelt e o perdido Churchill.

http://www.huffingtonpost.com/eric-margolis/the-ghosts-of-yalta-haunt_b_635676.html


As Origens do “Politicamente Correto”

William S. Lind, 19/11/2009


Em resposta ao assassinato de 13 soldados americanos no Forte Hood por um major mulçumano do Exército dos EUA, um número de oficiais superiores expressou seu medo, não do Islã, mas de uma possível ameaça para a “diversidade”. “Diversidade” é um dos muitos deuses falsos do “Politicamente Correto”. Mas o que é exatamente o Politicamente Correto?

O Politicamente Correto é marxismo cultural, marxismo traduzido do termo econômico para o cultural. Sua história remonta não aos anos 1960, mas à Primeira Guerra Mundial. Antes de 1914, a teoria marxista dizia que se uma guerra catastrófica eclodisse na Europa, os trabalhadores de cada país unir-se-iam em uma revolução para destruir o capitalismo e substituí-lo pelo socialismo internacional. Mas quando a guerra chegou, isto não aconteceu. O que deu errado?

Dois teóricos marxistas, Antonio Gramsci na Itália e Georg Lukacs na Hungria, independentemente chegaram à mesma resposta. Eles disseram que a cultura ocidental e a religião cristã tinham “cegado” a classe trabalhadora para os seus interesses de classe verdadeiros (marxistas) de modo que o Comunismo era impossível no Ocidente até que a cultura ocidental e Cristianismo fossem destruídos. Quando Lukacs tornou-se Comissário Especial para Cultura no breve governo bolchevista de Bela Kun na Hungria em 1919, um de seus primeiros atos foi introduzir a educação sexual nas escolas húngaras. Ele sabia que destruindo a moral sexual tradicional seria um passo importante para destruir a própria cultura ocidental.

Lukacs tornou-se uma grande influência no pensamento marxista estabelecido em 1923 na Universidade de Frankfurt na Alemanha, o Instituto para pesquisa Social, comumente conhecido como Escola de Frankfurt. Quando Max Horkheimer assumiu como diretor da Escola de Frankfurt em 1930, ele estabeleceu de forma determinada os comandos de Lukacs do termo econômico para o cultural. Outros membros da Escola de Frankfurt devotados a essa tarefa intelectual difícil foram Theodor Adorno, Eric Fromm, Wilhelm Reich e Herbert Marcuse. Seu objetivo não era o marxismo da União Soviética – Moscou os considerava hereges – mas era marxismo de qualquer forma.

A chave do sucesso da Escola de Frankfurt era cruzar Marx com Freud. Eles argumentavam que assim como vivendo sob o capitalismo as pessoas viviam em um estado de opressão econômica, então sob a cultura ocidental as pessoas viviam sob a repressão psicológica. Da psicologia eles também pegaram a técnica do condicionamento psicológico. Querem “normalizar” o homossexualismo? Apenas mostrem programa após programa na TV onde o macho branco normal é homossexual.

Em 1933, com a ascensão de Hitler, a Escola de Frankfurt mudou-se da Alemanha para Nova York. Lá, seus produtos incluíam “teoria crítica”, que exigia crítica constante e destrutiva de toda instituição social tradicional, começando pela família. Ela também criou uma série de “estudos do preconceito”, culminando com o livro imensamente influente de Adorno, “A Personalidade Autoritária”, que argumentava que todo mundo que defende a cultura tradicional é um “fascista” e mentalmente doente. Este é o motivo porquê qualquer um que desafia o “PC” (Politicamente Correto) é conduzido a um “treinamento de sensibilidade”, que é o condicionamento psicológico projetado para produzir submissão.

(N. do T.: um exemplo disso são os fóruns patrocinados por grandes jornais on-line. Se o forista escreve alguma coisa que bata de frente com o PC, logo seu comentário é apagado e ele é sujeito a expulsão.)

Nos anos 1950 e 1960, Herbert Marcuse traduziu o trabalho confuso de outros pensadores da Escola de Frankfurt em livros que estudantes universitários poderiam entender, tais como “Eros e Civilização”, que tornou-se a Bíblia da Nova Esquerda nos anos 1960. Marcuse injetou o Marxismo cultural da Escola de Frankfurt na geração do baby boom (a que nasceu durante a Segunda Guerra Mundial), ao ponto de tornar-se a ideologia desta geração. Nós o conhecemos como “multiculturalismo”, “diversidade” ou apenas Politicamente Correto.

Este é o pequeno segredo sujo do Politicamente Correto, pessoal: é uma forma de Marxismo. Se o americano médio soubesse disso, suspeito que o Politicamente Correto estaria em sérios problemas.

(N. do T.: não aqui no Brasil, onde os meios de comunicação e acadêmico estão infestados de marxistas liberais assumidos, que estão “fazendo a cabeça” da moçada.)

As mortes no Forte Hood levantam uma questão interessante: por que os Marxistas de qualquer linha apoiam o Islã? Acima de tudo, se os mulçumanos assumissem, eles cortariam as gargantas dos marxistas mesmo antes que eles cortassem as gargantas de cristãos e judeus. A resposta é que o marxismo cultural se aliará com qualquer força que ajude a atingir seus objetivos, ou seja destruir a cultura ocidental e o Cristianismo.

Obviamente, há muito mais da história da Escola de Frankfurt e sua criação do Politicamente Correto do que eu posso cobrir em um artigo curto. Esta é apenas a estrutura básica. Para aqueles que querem saber mais (espero que você seja um deles), pode encontrar um pequeno livro sobre o assunto, o qual eu editei, no site da Fundação do Congresso Livre (www.freecongress.org). O Congresso Livre também produziu um pequeno documentário sobre a Escola de Frankfurt, que me parece estar disponível no Youtube (procure por Escola de Frankfurt ou pelo meu nome). O vídeo é especialmente valioso porque entrevistamos o principal especialista americano na Escola de Frankfurt, Martin Jay, que é o diretor do Departamento de História em Berkeley (e obviamente não é um conservador). Ele fala tudo.

(N. do T.: quem quiser ouvir uma crítica ao PC em português, procure no Youtube os vídeos do filósofo católico Olavo de Carvalho.)

A maior parte das pessoas nas forças armadas dos EUA odeia o Politicamente Correto, mas eles não sabem como lutar contra isso. O modo de lutar é descobrir o que ele realmente é, e divulgar entre seus amigos também. O Politicamente Correto é Marxismo Cultural, que é o mesmo que o Soylent Green intelectual. Isto é tudo, o conhecimento é uma arma!

(N. do T.: Soylent Green é um filme de ficção científica, dirigido por Richard Fleischer. No ano de 2022, a cidade de Nova Iorque conta com 40 milhões de habitantes. Para alimentar as inúmeras pessoas pobres e desempregadas, existem tabletes verdes chamados de Soylent Green, produzidos inicialmente através da industrialização de algas. Somente os ricos tem acesso a comidas raras, como carnes, frutas e legumes.

Quando um rico empresário das indústrias Soylent Corporation é assassinado em seu luxuoso apartamento, o detetive policial Robert Thorn começa a investigar. O segredo que o poderoso empresário conhecia colocava em risco toda a ordem social reinante, porque falava da possibilidade da destruição da vida no nosso planeta.)

http://www.theamericanconservative.com/the-roots-of-political-correctness/


Por que os EUA invadiram o Iraque?

Jim Lobe, 18/03/2008


As razões oficiais - a ameaça imposta aos EUA e a seus aliados pelos alegados programas de Armas de Destruição em Massa (WMD, sigla em inglês) de Saddam Hussein e a possiblidade de que ele pudesse passar essas armas para a Al Qaeda - há muito tempo estão descartadas pelo peso extraordinário das evidências, ou, mais precisamente, a falta de evidência que tal ameaça alguma vez tenha existido.

Liberar o Iraque da tirania da versão particularmente vingativa e sanguinária do Baatismo (ideologia nacionalista árabe) de Hussein e assim estabelecer um precedente irresistível que seria espalhado por todo o mundo árabe - um tema defendido pela administração do presidente George Walker Bush principalmente após a invasão, já que tornou-se claro que os motivos oficiais poderiam não ser justificáveis - parece ter sido a obsessão dominante de somente um membro da equipe de Bush, e que não era particularmente influente: o adjunto do Secretário da Defesa Paul Wolfowitz.

Então, há a teoria que Bush - cuja psicologia enigmática, particularmente sua relação com seu pai, já deu muito combustível para a fogueira literária - queria esnobar seu pai por ter falhado em conquistar Bagdá em 1991. Ou ele quis "terminar o trabalho" que seu pai começou em 1991; e/ou vingar seu pai pela suposta tentativa de assassinato ordenada por Hussein contra ele no Kuwait após a guerra.

Pelo fato de Bush ser quem decidia as coisas, como ele próprio dizia, e porque ninguém que trabalhou nos níveis mais altos da administração jamais foi capaz de dizer precisamente quando (deixe sozinho o porquê) a decisão foi tomada para invadir o Iraque, esta explicação não pode ser inteiramente dispensada como uma resposta.

Então, há a questão do petróleo. A administração estava agindo a favor de uma indústria petrolífera desesperada para colocar suas mãos no petróleo mesopotâmico que era negado como resultado de sansões unilaterais da ONU proibindo negócios entre as companhias americanas e Hussein?

Dada a longa relação de Bush e do vice-presidente Dick Cheney com a indústria e a afirmação do antigo presidente do Federal Reserve (FED, o Banco Central americano) em sua recente auto-biografia que "a Guerra do Iraque é principalmente por causa do petróleo," esta teoria tem apelo definitivo - particularmente para aqueles da esquerda que fizeram do "Nenhuma gota de sangue por petróleo" um mantra favorito nos protestos anti-guerra na época da invasão - com uma grande plausibilidade.

O problema, entretanto, é que pouca ou nenhuma evidência que o Grande Petróleo, uma besta extremamente cautelsa no circo corporativo global, favoreceu uma guerra, particularmente uma conduzida de um modo (unilateralmente) que arriscava desestabilizar a região mais rica de petróleo do mundo, especialmente a Arábia Saudita e os Emirados.

Pelo contrário, o Instituto da Universidade Rice que carrega o nome do antigo secretário de Estado James Baker - um homem que representava e encarnava o Grande Petróleo ao longo de sua longa carreira jurídica - publicamente alertou no começo que se Bush absolutamente, positivamente tinha que invadir o Iraque por qualquer razão que fosse, ele sequer deveria considerar isso se duas condições não fossem satisfeitas: 1) que a ação fosse autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU; e 2) que tudo deveria ser feito para que não ficasse a impressão de que a motivação era a aquisição das reservas de petróleo do Iraque por companhias americanas.

Isto não quer dizer que o petróleo era irrelevante nos cálculos da administração, mas talvez de uma forma diferente do que aquele slogan "Nenhuma gota de sangue por petróleo" sugeriria. Acima de tudo, o petróleo é uma exigência absolutamente indispensável para movimentar as modernas economias e forças armadas. E a invasão era uma demonstração forçada - de fato, chocante e surpreendente - para o resto do mundo, especialmente rivais potencialmente estratégicos como China, Rússia ou mesmo a União Européia, da habilidade de Washington de conquistar e controlar rápida e eficazmente uma nação petrolífera no coração da região rica do Oriente Médio/Golfo Pérsico qualquer momento que os EUA desejassem, talvez convencendo aquelas potências emergentes que desafiar os EUA poderia ser contra-produtivo aos interesses de longo prazo, senão suas fontes de energia no curto prazo.

De fato, uma demonstração de tal poder poderia bem ser o caminho mais rápido para formalizar uma nova ordem internacional baseada no poder militar extraordinário dos Estados Unidos, inigualado pelo menos desde a época do Império Romano. Seria um “mundo unipolar” do tipo imaginado pelo relatório Guia de Planejamento de Defesa de 1992 organizado pelo então chefe do Pentágono Dick Cheney, examinado por Wolfowitz e pelo futuro chefe de gabinete de Cheney, I. Lewis Libby, e subscrito pelo futuro embaixador do Afeganistão e Iraque “libertados”, Zalmay Khalilzad e pelo conselheiro adjunto de segurança nacional de Bush, J. D. Crouch.

Era a mesma visão que formou a inspiração para os 27 signatários da Carta – uma coalizão de nacionalistas agressivos, neo-conservadores e líderes da direita cristã que incluía Cheney, Donald Rumsfeld, Wolfowitz, Libby, Khalilzad e muitos outros futuros funcionários de segurança nacional da administração Bush – do Projeto para um Novo Século Americano (PNAC) em 1997. Era o mesmo projeto que começou clamando por “mudança de regime” no Iraque em 1998 e que, nove dias após o ataque de 11/09 em Nova York e no Pentágono, publicamente alertou que qualquer “guerra ao terror” que excluísse a eliminação de Hussein seria necessariamente incompleta.

Resumindo, parece claro que o Iraque estava sendo visto por este grupo, que se tornou poderoso primeiro com a eleição de Bush e depois com o 11/09, como o primeiro, mais fácil e melhor disponível passo para alcançar a “Pax Americana” que não apenas estabeleceria os EUA de uma vez por todas como a potência dominante na região, mas cujas implicações estratégicas geopolíticas para almejar “competidores iguais” seria global em escopo.

Para os neo-conservadores e para os membros da direita cristã deste grupo, que eram os maiores belicistas, Israel também seria um grande beneficiário de uma invasão.

De acordo com um documento de 1996 esboçado por neo-conservadores linha dura proeminentes – incluindo alguns como Douglas Feith e David Wurmser, que mais tarde serviria em postos superiores no departamento de Cheney e no Pentágono no decorrer da invasão – expulsar Hussein e instalar um líder pró-ocidente era a chave para desestabilizar os inimigos árabes de Israel e/ou subjugá-los para o seus interesses. Isto permitiria que o Estado Judaico não somente escapasse do processo de paz de Oslo, mas também garantir todo território na Palestina ocupada e Síria que desejasse.

De fato, livrando-se de Hussein e ocupando o Iraque não somente aumentaria o poder de Israel nos territórios árabes nesta visão, mas também ameaçaria a sobrevivência da mais formidável arma dos mundos árabes e mulçumanos contra Israel – OPEC – ao despejar no mercado mundial petróleo iraquiano e forçando o preço do commodity para níveis históricos baixíssimos.

Isto é como parecia cinco anos atrás.


http://www.ipsnews.net/2008/03/politics-why-did-the-us-invade-iraq/

sábado, 23 de junho de 2012

[POL] Cova encontrada na Ucrânia contém Vítimas de Stalin

New York Times, 25 de março de 1989

Uma comissão governamental concluiu que milhares de pessoas enterradas em uma cova coletiva nos arredores de Kiev foram mortas durante as repressões de Stalin, e não pelos soldados nazistas, anunciou a agência oficial de imprensa Tass hoje.

A conclusão da comissão apoia o depoimento de testemunhas idosas na vila de Bykovnia, que disseram que eles viram caminhões derramando sangue no caminho para o site nos anos 1930, antes de os nazistas ocuparem a área.

Estimativas não-oficiais colocam o número de corpos na cova em 200.000 a 300.000.

Os moradores de Bykovnia quebraram cinco décadas de silêncio para acusar a polícia secreta de Stalin após o governo ucraniano erguer um monumento em maio de 1988 culpando os invasores nazistas pelo crime. Os moradores forçaram as autoridades ucranianas em dezembro a criar a comissão, dizendo que três investigações prévias tinham encoberto a verdade ao acusar as tropas nazistas.

O relatório de hoje da agência oficial não mencionou as investigações originais.

http://www.nytimes.com/1989/03/25/world/ukraine-grave-found-to-hold-stalin-victims.html?scp=1&sq=ukraine%20grave%20found%20to%20hold%20stalin%20victims&st=cse