segunda-feira, 10 de setembro de 2012

[SGM] Centenas de brasileiros lutaram ao lado dos nazistas

Euler de França Belém, 07/06/2009


O mestre em ciência política e doutor em ciências sociais Dennison de Oliveira, professor da Universidade Federal do Paraná, escreveu um livro muito bom, mas ainda exploratório, sobre brasileiros, filhos de alemães, que lutaram na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) ao lado dos nazistas de Adolf Hitler. “Os Soldados Brasileiros de Hitler” (Juruá, 122 páginas) não contém aquelas pesquisas exaustivas típicas de scholars europeus e norte-americanos. Leitores exigentes, e não apenas os do meio acadêmico, certamente estranharão o fato de que os personagens do livro, todos reais, não aparecem com seus nomes verdadeiros. Os nazistas teuto-brasileiros só falaram com o historiador com a garantia de que suas identidades seriam preservadas. Como se sabe, os caçadores de nazistas não se aposentaram e, de repente, aqueles que lutaram apenas como soldados, sem comprometimento algum com o Holocausto e os outros crimes bárbaros, podem ter suas vidas expostas e, em consequência, execradas. Para provar que os depoimentos são verdadeiros, que não há invenção literária, Dennison divulga fotografias e dados precisos sobre os militares nazistas. Um escarafunchador de arquivos e entrevistador implacável como o repórter Fernando Morais faria miséria com a história dos soldados patropis de Hitler




Pela legislação nazista, filhos de alemães eram considerados alemães e, em tempo de guerra, eram obrigados a prestar serviço militar na Wehrmacht (forças armadas alemãs). “Presumo que algumas centenas de brasileiros lutaram na Segunda Guerra Mundial sob a bandeira da Alemanha nazista”, escreve Dennison. O termo “presumo” significa que o assunto está à espera de uma pesquisa rigorosa, que, quem sabe, poderá ser feita pelo próprio historiador, que apurou (bem) as primeiras pistas.
Um dos primeiros entrevistados de Dennison era conhecido por seus colegas soldados como “Der Amerikaner” (o Americano), por ter nascido no Brasil. Como seu apelido era Gingo (ou Güingo, a pronúncia), o historiador usa as iniciais G. S.

Gingo (está vivo) nasceu em São Paulo, em 1925, filho de alemães que vieram para o Brasil em 1923. Em agosto de 1939, Gingo é levado para a Alemanha, para se “tratar” de febre amarela. Aos 14 anos, teve se filiar na Jungvolk, “organização juvenil controlada pelo regime nazista”. A doutrinação ideológica, segundo o entrevistado, não era fanática nem excessiva. Em 1942, aos 18 anos, foi convocado para o serviço militar. Alegou que era brasileiro e recebeu como resposta: “Se você tivesse nascido na África isso faria de você um negro?”

Enviado para a Tchecoslováquia, Gingo se tornou sargento-canhoneiro. O comando nazista decidiu enviá-lo para lutar na Itália. “Não me nego a ir ao front, mas não contra meus patrícios brasileiros”, disse ao capitão de sua unidade. Por se recusar a lutar, deveria ser fuzilado. “O sargento G. S. suava de escorrer suor pelas costas e nádegas”, mas resistiu. Um major decidiu protegê-lo, alegando que estava gravemente doente. Mais tarde, transferido para a infantaria, lutou contra o Exército Vermelho, na atual Eslováquia. Em Budapeste, “no posto de 3º sargento da infantaria, ele foi colocado no comando de um grupo de combate de sete homens, equipados com fuzis e uma única metralhadora de origem tcheca capturada aos partisans. As restrições no que se refere ao remuniciamento também eram pesadas: ele lembra de só ter disponíveis uns vinte tiros para cada arma, o que explica as limitações impostas: máximo de um ou dois disparos por arma; acima disso podia-se atirar somente com ordem superior”.

Intensamente bombardeado pelos soviéticos, o grupo de Gingo praticamente não dormia. Ele diz que às vezes dormia andando. Na região do lago Valence, G. S. se destacou nos combates e recebeu a Cruz de Ferro de Segunda Classe por bravura e foi promovido a 1º sargento. O militar conta que os húngaros temiam mais os soviéticos do que os alemães. O soviéticos estupravam meninas, mulheres adultas e idosas.

Preso pelos soviéticos, Gingo teve o relógio, presente de um padrinho brasileiro, roubado por um comissário esquerdista. Percebendo que teria um fim trágico nas mãos dos comunistas, Gingo escapou, junto com outros militares, e encontrou uma garota (os soviéticos “pregaram o avô dela com um prego pela língua” numa mesa, bateram em sua irmã, criança, e estupraram a avô e a mãe). Depois, o sargento caiu nas mãos dos americanos. “Para os soldados alemães era um alívio, um mal menor, ser prisioneiro dos americanos e não dos russos. O alemão não tinha medo, mas sim pavor do russo”, conta Gingo.

Num campo de prisioneiros, Gingo passou a fazer trabalhos braçais para os americanos. “A obra a qual foi destinado foi o desenterramento do cabo terrestre de comunicação Berlim-Roma, enterrado a três metros de profundidade, cujos condutores os americanos ambicionavam para si.” Relata o sargento G. S.: “Os soldados retornados às suas cidades recebiam as cartelas de racionamento de alimentos pelo prazo de três semanas. Mas tinham que obrigatoriamente assistir ao filme ‘Moinho do Diabo’ sobre atrocidades cometidas pelos alemães contra seus prisioneiros. De repente esse filme foi tirado de circulação, pois muitos soldados se reconheceram nesse filme como sendo eles os prisioneiros, e os Aliados, os carrascos”, conta Gingo. (Leia mais no site www.jornalopcao.com.br, na coluna Imprensa).

O sargento Gingo, deslocado para trabalhar numa pedreira, disse que era brasileiro e, por isso, perdeu o cartão de racionamento. Acusado de ser líder proeminente da Juventude Hitlerista, foi enviado para Hammelburg, um campo de concentração. Ficou três dias sem se alimentar e foi obrigado a trabalhar. “Com o tempo ele se convenceu de que havia o propósito da administração do campo em exterminar os detentos através da fome induzida. Para complementar a dieta ele teve de comer capim e cascas de árvores e lixo da cozinha”. Muitos prisioneiros morreram. Certa vez, a Cruz Vermelha enviou pacotes de alimentos e os guardas pró-americanos, supostamente filhos de judeus alemães, “colocaram os prisioneiros em forma e jogaram gasolina em cima de tudo e colocaram fogo”.

As pressões só cessaram quando o general americano George Patton visitou o campo. “Patton considerava o soldado alemão um soldado exemplar, que deveria ser respeitado”, anota o historiador. “Der Amerikaner atribui a essa visita do general americano o fato de sua vida e a de seus companheiros terem sido poupadas.”

Gingo ficou oito meses em Hammelburg e três meses em Darmstadt, “um grande campo para estrangeiros que serviram ao III Reich”. Em fevereiro de 1948, com o aval da Junta de Desnazificação e do subchefe da Missão Militar Brasileira, tenente-coronel Aurélio de Lyra Tavares, o Americano voltou ao Brasil, no navio Santarém.

A história de Fritz (pseudônimo) e seus irmãos é uma das mais interessantes do livro de Dennison. Fritz nasceu em São Paulo, em 1928. Os pais, que chegaram ao Brasil em 1923, tiveram cinco filhos, Renate, Karl e Martin, nascidos na Alemanha, e Peter e Fritz, nascidos no Brasil. Peter lutou como nazista, na frente russa, e sobreviveu, radicando-se em São Paulo.

Martin contou a Dennison a história dos irmãos Gerd Emil Brunckhorst e Paul Heinrich. O primeiro lutou na Itália, ao lado dos brasileiros. O segundo morreu no front russo, lutando como nazista.

No início da década de 1940, com 14 anos, Fritz filiou-se à Jungvolk. Em 1942, a família foi informada da morte de Karl, do Afrika Korps, na África do Norte. Lutou sob o comando do marechal Erwin Rommel. “Entre 1943 e 1944”, Fritz “entrou para a Marine-Hitlerjugend, a Juventude Hitlerista Naval.” Em 1944, foi convocado para “prestar serviço como” auxiliar “da defesa antiaérea”. Em Berlim, presenciou os ataques diurnos dos aviões Aliados. “Nunca tinha visto tantos aviões juntos de uma só vez.” Os incêndios pareciam tomar conta de toda a Berlim. Viu pessoas queimadas, desfiguradas e mortas. Na cidade de Wetzlar, no Estado de Hessen, Fritz foi “incorporado ao serviço ativo no exército alemão”. Foi enviado para lutar contra os americanos. “Seu grupo foi dizimado. Ele e mais dois colegas conseguiram ir de carona, sem terem recebido ordens para isso, num caminhão carregado de munição até a Turíngia.” Os americanos o aprisionaram em março de 1945. Passou fome durante o transporte para um campo de prisioneiros de Bad Kreuznach.

O relato de Dennison a partir dos apontamentos do ex-soldado: “Fritz lembra que ele e seu grupo foram os primeiros a entrar no campo que consistia de um descampado plano, cercado de arame farpado. Inexistiam alojamentos ou instalações sanitárias, o que obrigava os reclusos a dormirem ao relento, sob um clima úmido e extremamente frio, sempre dispondo de pouca comida. Nesse momento a fala de Fritz se torna mais contida, ao recordar o elenco de misérias e brutalidades a que foram submetidos os prisioneiros alemães. (...) Ele conta que as pessoas defecavam e urinavam em grandes fossas a céu aberto. Os mais enfraquecidos pela fome e pela doença caíam dentro dessas fossas e, sem forças para se safar, morriam afogados da maneira mais abjeta em excrementos humanos. No desespero de obterem pelo menos algum conforto, os prisioneiros chegavam a trocar suas alianças de ouro por alguns cigarros com seus guardas norte-americanos”. A história contada por Fritz raramente aparece nos livros, porque, teoricamente, muitos acreditam que, como fizeram sofrer, os alemães também deveriam sofrer. A história da internação dos alemães, no fim da guerra, é um capítulo que merece resgate mais amplo. A versão dos americanos como captores benevolentes talvez precise ser refeita, embora não fossem, é claro, tão bárbaros quanto os soviéticos.

No campo, relata Fritz, “um grupo significativo de alemães morria” todo dia. “Se você perguntar a qualquer alemão o que foi um campo de extermínio, certamente ele irá te mencionar algum desses, de prisioneiros de guerra que os americanos improvisaram”. Fritz pegou tifo no campo e passou muito mal.

Em 1945, doente, Fritz conseguiu voltar para a casa dos pais. Recebeu informações sobre os irmãos. Martin havia sido aprisionado pelos russos, na Romênia. Peter estava na zona de ocupação inglesa. Renate estava em Portugal, na Embaixada Alemã. Recuperado, Fritz trabalhou na zona de ocupação russa e, mais tarde, fugiu para o lado americano, escapando para a Holanda. Em 1947, ele e Peter voltam para o Brasil, “no navio Santarém, primeiro navio brasileiro a fazer a rota até a Alemanha, saindo de Hamburgo com escala em Lisboa”.

Como saíra jovem do Brasil, Fritz descobriu que não sabia mais falar português e teve de ser amparado pelo irmão Peter, que não havia esquecido a língua. Fritz trabalhou na fábrica de fogões Wallig, em São Paulo, e na empresa MacMillan. Foi funcionário e sócio da Jarosch & Cia, representante da fábrica de armarinhos Ipu, de Nova Friburgo.

Ao contrário de nazistas que esqueceram o nazismo, Fritz contou a Dennison que era “entusiasta do regime”. “Ele se recorda de que, ao contrário do que hoje se imagina, as preleções políticas e doutrinárias aos jovens não tinham nada de exagerado. A despeito da inexistência de qualquer esforço para ‘fanatizar’ os jovens, ele próprio manteve até o fim a fé na vitória da Alemanha sobre os seus inimigos, mesmo quando já se encontrava em um campo de prisioneiros norte-americano em março de 1945. Ele lembra que os mais velhos — cita a sua própria mãe como exemplo — eram consideravelmente mais céticos com relação ao futuro do país sob regime nacional-socialista”.

Fritz foi entrevistado por Dennison em São Paulo, em 2002, e faleceu em 2006. Estava muito doente quando conversou com o historiador.

Cruz de ferro — Martin, irmão de Fritz, foi entrevistado por Dennisson em 2002, em São Paulo. Convocado em 1941, foi enviado para Posen, “no antigo corredor polonês”. Lutou contra partisans, na Lituânia, e contra tropas soviéticas. Foi condecorado (com a cruz de ferro) pelas batalhas contra as tropas comunistas. Ferido em combate, foi levado para a França. Recuperado, voltou para a mortal frente soviética, na Ucrânia, “sem armas. Toda divisão seria reequipada e armada lá mesmo na frente russa, na região de Poltava, tendo seguido depois para as margens do Rio Dnieper ao sul de Kharkhov”. Contraiu malária e foi retirado do front. Retornou à luta em abril de 1944, na artilharia, na Romênia. Tornou-se comandante de uma bateria. “O dia mais marcante no front, segundo suas lembranças, foi 22 de agosto de 1944. Naquele dia, intenso fogo de artilharia russa engolfou as posições alemãs de norte a sul, em apoio de um grande ataque das tropas soviéticas.” Sob pressão dos soviéticos, as tropas alemãs recuaram e entupiram as estradas, em fuga. Foi ferido outra vez, pelos soviéticos.

Capturado pelos soviéticos, Martin foi roubado. “Apesar de estar precariamente vestido, os seus captores fizeram questão de tirar-lhe os pertences pessoais, as botas, e parte das calças, estas últimas tiradas a faca pelos” soviéticos, “como resposta a sua alegação de que esta não sairia facilmente de seu corpo.” No trajeto para um campo de prisioneiros, foi novamente roubado pelos soviéticos, “que desta vez levaram-lhe as meias, que ele recorda estarem já empapadas de sangue coagulado. Quando finalmente chegou ao campo, estava descalço e seminu”.

Martin passou cinco anos em campos de prisioneiros para militares alemães. Passou fome e foi intensamente pressionado pelos soviéticos. “Em 1950 ele foi devolvido pela URSS à recém-fundada República Federal da Alemanha.” De lá, voltou ao Brasil. Mora em São Paulo e planeja escrever um livro sobre sua história.

Banzo brasileiro — Hans (pseudônimo), brasileiro que lutou como nazista, foi entrevistado por Dennison em 2002. Nasceu em São Paulo, em 1926. Os pais, austríacos, voltaram para a Europa em 1938. Na Alemanha, filiou-se à Jungvolk e, depois, à Juventude Hitlerista. Lembra-se de Hamburgo bombardeada pelos Aliados. “A fúria dos ataques aliados promovera incêndios tão extensos (e prolongados — foi em Hamburgo que se empregou pela primeira vez a tática de revezamento ininterrupto de bombardeios diurnos norte-americanos com noturnos britânicos — naquilo que era conhecido como o ‘round-o-clock bombing’) que o asfalto das ruas se derretia e neles as pessoas em fuga acabavam presas.”

Em 1944, o garoto Hans foi convocado “para prestar o serviço militar no exército”. No fim desse ano, foi enviado para a Tchecoslováquia. Em busca de alimentos, encontrou grãos de café e sentiu saudade do Brasil. Em 1945, ainda na Tchecoslováquia, quase perdeu os pés, por conta do frio. “Os médicos decidiram pela amputação de parte das extremidades dos dedos dos seus dois pés, irremediavelmente comprometidos pela gangrena. Apesar de anestesiado, no período pós-operatório delirou intensamente, xingando e praguejando o tempo todo em português, para assombro do pessoal médico que o assistia.”

Hans diz ter ficado sabendo do relacionamento entre Hitler e Eva Braun apenas em 1945, quando, prisioneiro dos americanos, leu uma reportagem num jornal do exército dos Estados Unidos. A imprensa alemã não divulgava a história.

Repatriado, Hans chegou ao Brasil em 1947 e seus pais, em 1948. “Ele lembra que foram os primeiros brasileiros a serem repatriados.” Ele vive em São Paulo.

Selvageria soviética — Filho de alemães, Max nasceu no Brasil, em Santa Leopoldina, em 1928. Quando tinha 7 anos, em 1935, os pais voltaram para a Alemanha. Aos 10 anos, em 1938, entrou para a Jungvolk. Em 1942, aos 14 anos, ingressou na MarinerHitlerJugend, o ramo da juventude hitlerista administrado pela Marinha. O irmão Hans (que não é o Hans citado anteriormente) foi morto na frente soviética.

Entre 1944 e 1945, Max “ofereceu-se como voluntário para o trabalho de cavar trincheiras antitanques perto de Bratislava, na Tchecoslováquia. (...) No início de 1945 voltou a Berlim para se alistar seguindo logo depois para Viena na Áustria. Não chegou a se envolver em operações de combate”.

Max diz que o bombardeio de Berlim foi impressionante. “Numa única noite de bombardeio todo seu bairro foi inteiramente arrasado.” No fim da guerra, ele estava em Berlim. Sua família entrou em contato com o major Rubens, do Exército brasileiro com o objetivo de voltar para o Brasil. “Nessa ocasião [Max] presenciou diversas cenas de atrocidades por parte das tropas” soviéticas “de ocupação. Ele se recorda de que o comportamento e o nível de instrução das tropas sob comando” soviético “era extremamente rude e primitivo. Ele se lembra de ter visto soldados” soviéticos “arrancarem e levarem consigo as torneiras das paredes de banheiros e cozinhas, imaginando que assim poderiam ter água em qualquer lugar... Lembra também de vários casos de violência sexual perpetrada por russos contra mulheres alemãs de todas as idades que, até onde ele pôde perceber, eram tolerados senão encorajados pelos próprios escalões superiores da hierarquia militar soviética.”

Para livrar-se dos soviéticos, Max fugiu para a zona de ocupação francesa, onde viveu até 1947. Voltou para o Brasil nesse ano. Max vive em São Paulo.

Fome e porcos — Chicco (pseudônimo) foi o último entrevistado de Dennison. Nasceu em São Paulo, em 1927, e foi enviado pelos pais para a Áustria em 1939. Ele e um irmão se filiaram à Juventude Hitlerista. Em 1943, tornou-se auxiliar da Força Aérea Alemã. Participou de treinamentos na Alemanha, na Dinamarca e na Holanda. O soldado britânico que o capturou gritou: “... um brasileiro! Pegamos um brasileiro!” Depois de interrogado, foi jogado “por seus captores num chiqueiro onde havia alguns porcos grandes e famintos. Ali ele passou o seu primeiro dia como ‘prisioneiro de guerra’”.

Como falava inglês fluentemente, Chicco trabalhou para os ingleses. Na Holanda, contou o soldado, “se passava muito frio e se sofria muita fome”. Ele relata que “presenciou vários linchamentos de soldados alemães pelos civis locais”. Em maio de 1945, quando a guerra acabou, Chicco estava na cidade de Neuburg, próximo ao Rio Reno.

Chicco “convenceu seus captores a libertá-lo, o que possibilitou viajar até Antuérpia, na Bélgica. Lá ele finalmente conseguiu ser recebido pelo vice-cônsul brasileiro que, na sua lembrança, se chamava Júlio Diogo. Ele é que providenciou seu retorno ao Brasil de navio”. O pesquisador optou por não verificar quem é Júlio Diogo. Chicco trabalhou na Volkswagen e morreu em São Paulo em 2008.

Depois da guerra, cerca de 5 mil pessoas foram “repatriadas”. O coronel Lyra Tavares contabilizou “o envio para o Brasil de 2.445 brasileiros e 2.752 estrangeiros”.

IAE realiza o primeiro ensaio a quente do Motor Foguete L1

O Instituto de Aeronáutica e Espaço realizou no dia 29 de agosto de 2012 o primeiro ensaio a quente do motor foguete a propulsão liquida denominado L1, no banco de ensaio de 1kN do Laboratório de Propulsão Liquida da Divisão de Propulsão Espacial .

O desempenho do motor foguete L1 foi considerado muito bom, pois os parâmetros propulsivos mais importantes do motor como empuxo, vazão mássica, impulso especifico, velocidade característica se apresentaram bem próximos dos valores pré-calculados.




O motor L1 tem como objetivos principais o treinamento do corpo técnico do Laboratório de Propulsão Líquida e a realização de pesquisas na área de propulsão espacial, além de ser uma ferramenta de capacitação para formação de novos grupos do curso de mestrado de propulsão líquida.

O cabeçote de injeção do motor L1 é composto de injetores mono propelentes centrífugo e jato, para etanol e oxigênio gasoso, respectivamente. A câmara de combustão é de aço inoxidável, refrigerada a água, e a ignição é feita por um ignitor gás dinâmico.

Vídeo do 1º ensaio do motor foguete L1




Fonte:

http://www.aeb.gov.br/indexx.php?secao=noticias&id=899

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

[SGM] O Último Sobrevivente da Queda de Hitler dá sua última Entrevista

Express, 15 de maio de 2011

Em um subúrbio de Berlim, a apenas alguns quilômetros do bunker de Hitler, está uma pequena casa branca destacada com um portão de metal cinza e gesso em decomposição.

Ela tem sido, por muitas décadas, o lar de Rochus Misch, o homem que trabalhou como guarda-costas de Hitler entre 1940 e 1945. Ele é a última testemunha viva do suicídio do ditador e o único sobrevivente do staff do bunker.

Agora com 93 anos, confinado em sua casa e doente de modo terminal, Misch diz: “Este será definitivamente meu último encontro com a imprensa. Gostaria de morrer em paz.”

Não há fotos, bustos ou objetos pessoais de Adolf Hitler na casa de Misch. “Minha esposa Gerda livrou-se de tudo,” ele diz.

Misch nasceu em 29 de julho de 1917, logo após seu pai ter morrido na Primeira Guerra Mundial. Em 1920, sua mãe morreu de pneumonia de modo que o jovem Rochus foi criado por seus avós. Quando ele terminou o colégio, ele treinou para ser pintor.

Em 1937, durante o exame físico para o exército, sugeriram que ele completasse seu serviço militar obrigatório na Verfügungstruppe (Tropas de Prontidão), o precursor da Waffen-SS. Seriam quatro anos de serviço livre de tarefas cansativas e com aceitação automática no sérico civil.

Em 24 de setembro de 1939, Misch foi ferido no peito durante a Batalha de Modlin, a 40 km ao norte de Varsóvia, na Polônia. Ele tentou negociar a rendição da guarnição polonesa e recebeu uma Cruz de Ferro Segunda Classe por sua bravura.




A consciência de Misch foi levada em alta consideração e, após sua recuperação, seu comandante de companhia, Wilhelm Mohnke, o recomendou para o Führerbegleitkommando (a escolta SS do Führer). “Fui colocado em um carro e levado para a Chancelaria do Reich em Berlim. O endereço: Wilhelmstrasse 77, a residência do Führer,” relembra Misch.

“Fui conduzido pelo secretário de Hitler, Wilhelm Brückner. Estava assustado de encontrar o Führer em pessoa. Adolf Hitler estava de pé atrás da porta quando o secretário a abriu. Tive um calafrio na espinha.”

Hitler lhe deu uma carta a ser entregue a sua irmã Paula em Viena e, assim, Rochus Misch fez a sua primeira viagem de mensageiro. “Aquele foi o meu primeiro encontro com o Führer. Ele não era um monstro ou um super-homem. Ele ficou diante de mim como qualquer outro homem educado.”

Rochus Misch foi o telefonista, mensageiro e guarda-costas de Adolf Hitler por cinco anos. Como telefonista, ele era responsável pela comunicação de Adolf com seus generais. “O número de Hitler na Chancelaria do reich era 12 00 50,” ele diz e é visivelmente orgulhoso de sua boa memória. Na SS, ele pertencia ao Regimento de Proteção pessoal de Adolf Hitler. Quando Misch casou com sua esposa Gerda em 1942, Hitler enviou uma garrafa de vinho ao casal.

Seu passado não era a de um nazista fanático. “Nunca tive nada a ver com o Partido nazista, não fiz parte da Juventude Hitlerista e mesmo assim, fiz parte do círculo íntimo, noite e dia. Nós telefonistas e guarda-costas estávamos sempre ao seu redor. Cerca de 22 passos me separavam de seu quarto.”

À medida que a guerra progredia, Misch acabou conhecendo seu patrão pessoalmente. “Hitler ficava gripado muito facilmente e freqüentemente tinha uma garrafa de água quente ao lado de sua cama,” ele relembra. Um incidente particular permanece claro em suas lembranças. “Foi no meio da noite. Na crença de que Hitler já havia ido para a cama, abri a porta de sua sala de estar para pegar alguma coisa lá. Ele estava sentado lá, segurando o queixo, imóvel, como se estivesse em transe. Ele estava fitando um quadro de Frederico o Grande que estava tremulando sob a luz da vela. Ele sempre carregava o quadro consigo quando viajava. Me senti como um intruso que havia interrompido alguém no meio da prece.”

Entretanto, Misch insiste que ele nunca ouviu nada sobre o extermínio de milhões de judeus europeus em qualquer uma das chamadas telefônicas que ele escutou. “Eu completava meu trabalho, lealmente e bem e transmitia as notícias e mensagens corretamente porque eu não queria ser demitido. Estava feliz por não estar na linha de batalha. Eu me adaptei ao trabalho lá e logo Hitler era uma pessoa normal para mim, ele era o patrão. Apenas uma vez eu li uma notícia dizendo que um comitê internacional controlava os campos de concentração e que os relatórios eram escritos pelo Conde Bernadotte (um diplomata sueco e negociador a serviço dos prisioneiros dos campos de concentração); isto foi tudo em relação a este assunto.”

Misch testemunhou a tentativa de assassinato de Hitler em 20 de julho de 1944 e também os últimos dias no bunker abaixo da Chancelaria do Reich antes do suicídio do Führer. Ele estava lá em 30 de abril de 1945, quando Adolf Hitler se despediu de todos e estava no quarto ao lado quando ele se matou. “Hitler havia perdido sua confiança na vitória fazia tempo.”

Ele viu o corpo antes de ser enrolado e também Eva Braun sentada morta no canto do sofá próxima do corpo do marido. Sua cabeça estava voltada para o lado de Hitler. “Seus joelhos estavam encolhidos junto ao peito, ela estava vestindo um vestido azul marinho com babados brancos na gola.”

Após a morte de Hitler, Misch ficou dividido. Ele queria tentar escapar dos russos, mas por outro lado ele não queria desertar. Ele queria encerrar seu serviço ao “Führer, povo e Pátria” de maneira apropriada. Então, em 1º. De maio de 1945, ele pediu a Joseph Goebbels se havia alguma coisa que ainda pudesse fazer. Goebbels deixou-o com as palavras: “Soubemos viver, então saberemos como morrer.”

Em 2 de maio de 1945, às 6 horas da manhã, Misch desligou o sistema telefônico do bunker do Führer e atravessou uma janela do porão, mas foi feito prisioneiro por um soldado russo.

Por causa de sua proximidade com Hitler, ele foi levado para a União Soviética e encarcerado na prisão militar de Butyrka em Moscou. Ele foi freqüentemente torturado fazendo com que escrevesse para o chefe de inteligência Lavrentiv Beria e pedindo para ser morto por um pelotão de fuzilamento. “Eles queriam me bater até a morte, mas pelo fato de eu ser um soldado eu lhes pedi para ser fuzilado. A carta está lá no arquivo,” diz Misch.

Após nove anos em um campo de trabalho soviético próximo dos Urais no Cazaquistão, seu tempo como prisioneiro de guerra acabou e ele foi libertado em 1954. Até sua aposentadoria em 1985, ele geria uma loja de tintas, pincéis, papéis de parede e suprimento de decoração. “Desde a morte da minha esposa em 1997, tenho vivido sozinho,” acrescenta Misch.

Com a morte do ajudante de Hitler Otto Günsch em outubro de 2003, ele tornou-se a última testemunha do círculo íntimo do Terceiro Reich. As mortes do oficial de staff Bernd Von Freytag-Loringhoven em 2007 e do mensageiro da Juventude Hitlerista Armin Lehmann em 2008, significou que ele se tornou o último sobrevivente do bunker do Führer.

Em 2012, seu filme “A Última Testemunha” será filmada em Hollywood com um custo de produção de U$ 15 milhões. Os contratos foram assinados, mas Misch não acredita que esteja vivo para ver o filme concluído.

“Não acredito que vá viver tanto,” ele diz. “Vejo a morte diante dos meus olhos.”

http://www.express.co.uk/posts/view/246754/The-last-survivor-of-Hitler-s-downfall-The-Fuhrer-s-bodyguard-gives-last-interview

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terça-feira, 4 de setembro de 2012

[SGM] O “Lawrence da Arábia” Alemão

Haaretz, 24/02/12

Franz Wimmer-Lamquet amava seu passado. Ele dava entrevistas a jornalistas e escrevia memórias sobre suas atividades em nome do Terceiro Reich e encontrou seu sucesso nos círculos neo-nazistas. Se ele ainda estivesse vivo, ele poderia ter sentido grande satisfação esta semana, quando tornou-se público que mesmo os britânicos o apelidaram o “ Lawrence da Arábia Alemão.” O arquivo Franz Wimmer-Lamquet está entre os materiais que a agência de segurança britânica MI5 tornou público esta semana a estudiosos nos Arquivos Nacionais Britânicos. E dele qualquer um vê pelo menos uma característica que este homem compartilhou com o lendário Lawrence da Arábia: ele tinha uma grande tendência de aumentar as coisas.

Qualquer um que já tenha conduzido pesquisa histórica está familiarizado com a dificuldade de decidir o que é mais ambíguo: relatórios biográficos que estão enterrados em arquivos secretos de agências de inteligência, ou autobiografias que as pessoas escrevem sobre si próprias. Entrevistas autobiográficas que as pessoas dão a jornais são muito freqüentemente ambíguas.




Wimmer-Lamquet provavelmente nasceu em 1919, e já era um jovem de 15 anos quando ele se alistou ao exército do Terceiro Reich. Tanto quanto se pode inferir do arquivo do MI5 e das próprias memórias de Franz Wimmer-Lamquet, ele estava envolvido na organização do levante pró-nazista de Rashid Ali AL-Gaylani que aconteceu no Iraque entre abril e maio de 1941. Um pouco depois desse evento, ele propôs aos seus superiores que ele ficasse encarregado de organizar uma unidade de elite de soldados árabes, a serem deslocados para a África do Norte.

De acordo com uma versão dos fatos, sua missão era de reunir inteligência: tentar descobrir quando as forças Aliadas desembarcariam na Europa. De acordo com sua própria estória, seus soldados vestiram uniformes americanos e britânicos, fazendo amizade com os sheiks locais, e então, a um certo ponto, voltar-se-iam contra eles, assassiná-los, violentar suas filhas e desaparecer. O objetivo era incitar a população contra os americanos e britânicos, antes que eles desembarcassem lá, e disseminar o ódio contra eles. Num certo estágio a lenda nasceu de modo que Wimmer-Lamquet havia liderado 3.000 guerreiros árabes na África do Norte – por isso seu apelido.

Os documentos nos arquivos do MI5 atestam que o serviço de segurança britânico se interessou por ele em janeiro de 1945, quando ainda havia alguma importância na informação que o pessoal do MI5 escutava e anotava. Aparentemente, um homem com o nome de Abu Ali deu ao Coronel Wimmer-Lamquet o nome de um contato em uma das vilas árabes na Palestina. Contudo, parece que o habilidoso coronel não conseguiu nada aqui: no final da guerra ele foi feito prisioneiro dos soviéticos; seus anos subseqüentes foram gastos em campos de internamento na URSS. Em 1955 ele foi libertado e permitido a voltar para casa.

Como outros nazistas proeminentes, Franz Wimmer-Lamquet provou ser um tremendo fofoqueiro, e ele encontrou gente ávida para ouvir suas estórias. A popularidade de algumas pessoas da SS e de suas estórias está entre as marcas da cultura européia nos anos 1950. Poucos encontraram um mercado também para as memórias que eles escreveram. A de Wimmer-Lamquet apareceu somente a sete anos atrás. Entre outras coisas, soubemos que o próprio Adolf Hitler ordenou que Wimmer-Lamquet casasse com a filha do sultão da Mauritânia, para tornar mais fácil a entrada mo mundo árabe.

Ele obedeceu, é claro, mas na época ele ainda era virgem e nunca havia visto uma mulher nua em sua vida. Então, ele escreve, o Führer ordenou que ele tivesse aulas em sexo básico. De acordo com Wimmer-Lamquet, um de seus soldados árabes, Mohammed Said, que mais tarde tornou-se ministro no governo algeriano, deu as dicas. Evidentemente, conexões deste tipo eram úteis para aumentar sua rede de negócios após a guerra.

O arquivo do MI5 que foi tornado público esta semana mostra que o serviço de segurança britânico continuou seu interesse em Wimmer-Lamquet nos anos 1950. Ele também chamou a atenção de outros serviços secretos. O serviço de segurança espanhol, que ainda operava sob o comando de Franco, suspeitava por alguma razão que Wimmer-Lamquet era um perigoso espião comunista. Londres ignorou a suspeita espanhola: “Eles descreverão qualquer um como um agente soviético perigoso que seja atrevido o suficiente para carregar uma cópia do The New Statesman,” escreveu um agente do MI5, e acrescentou: “Parece provável que Wimmer-Lamquet é um contrabandista de armas e provocador provavelmente trabalhando para os egípcios.”

Em 1956, o MI5 escreveu um relatório que apareceu no jornal Empire News, de acordo com o qual Israel, assim como muitos países árabes, haviam se aproximado do antigo coronel da SS Wimmer-Lamquet com uma oferta de trabalho para eles. Desnecessário dizer, o próprio Wimmer-Lamquet foi a fonte do tal relatório; ele conversou com o jornalista Antony Terry, que se especializou em entrevistas com criminosos de guerra. Wimmer-lamquet tinha contemplado a oferta. Naturalmente, ele não trabalharia para os judeus, ele disse. Acima de tudo, ele era e permanecia leal a Hitler.

http://www.haaretz.com/weekend/week-s-end/the-german-lawrence-of-arabia-1.414592

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Afrika Korps

http://epaubel.blogspot.com.br/2012/06/sgm-afrika-korps.html

domingo, 26 de agosto de 2012

[HOL] Judeus Romenos e Turcos lembram vítimas da guerra

Bucareste, 26/02/2012

 
Judeus romenos e turcos pretaram homenagem na sexta-feira a 768 judeus que morreram 70 anos atrás quando o navio em que se encontravam fugindo do regime pró-nazista do Marechal Ion Antonescu foi torpedeado por um submarino soviético.

Muitos países compartilham a vergonha pelas mortes, mas "responsabilidade primária está com o regime de Antonescu," disse o historiador Liviu Rotman durante um seminário sobre a tragédia 70 anos depois que o navio foi afundado.

Em 12 de dezembro de 1941, 769 judeus embarcaram no Struma, um navio "casco de cavalo": navios débeis e inadequados carregando mais do que o seu limite de segurança. O Struma foi construído para levar não mais do que 100 pessoas.

O Struma estava destinado à Palestina, alcançou Istambul três dias depois e foi colocado imediatamente sob quarentena.

Os oficiais turcos, após consultarem as autoridades britânicas na Palestina, forçaram os passageiros a permanecer à bordo, mesmo estando sem água e comida.

Após 70 dias de negociações em vão e pedidos de ajuda, o navio, cujo motor havia quebrado, foi rebocado da costa turca e deixado à deriva.

No dia seguinte, em 24 de fevereiro de 1942, o Struma foi torpedeado por um submarino soviético, matando todos exceto um dos passageiros, em circunstâncias que permanecem obscuras.

"Este drama é parte da história romena e judia," disse o escritor Stelin Tanase. "As vítimas foram apanhadas no meio do regime antisemita de Antonescu, das perseguições contra judeus na Europa e especuladores desprezíveis" cujo único objetivo era ganhar dinheiro nesta viagem, ele acrescentou.

O Marechal Antonescu ainda tem apoiadores na Romênia.

Mas o historiador Lya Benjamin resumiu sua política antisemita, que incluiu pogroms e deportação de milhares de judeus e ciganos.

"Tudo o que estou interessado é livrar o país dos judeus," teria dito ele ao chefe do serviço secreto em 1941, disse Benjamin.

"A coisa importante é que eles deixem (o país) sem dinheiro ou jóias," ele acrescentou.

Em Istambul, durante o evento comemorativo, membros da comunidade judaica turca disseram que a Turquia deve mostrar a coragem de pedir desculpas por seu papel na tragédia do Struma. "Como a Chanceler Angela Merkel desculpou-se pelos turcos que foram mortos por neonazistas, Ankara deve ter a mesma coragem," disse Izhak Alaton, um líder da comunidade.

Alaton disse ao jornal Hurriyet que ele tinha apenas 15 anos de idade quando ele levava pão ao Struma toda manhã enquanto ele estava ancorado na baía de Istambul.

"Eu percebi que eles estavam sendo enviados para a morte quando pela manhã não encontramos o barco onde ele deveria estar. Somente a comunidade judaica ajudou aquelas pessoas que estavam vivendo naquele velho navio com doenças e fome," ele acrescentou.

http://www.ejpress.org/article/56421

 
N. do. T.:

(1) Será que Israel exigirá da Rússia indenização pela morte desses judeus? Ou será que a conta vai mais uma vez para os alemães?

(2) Algumas centenas de judeus estavam se dirigindo à Palestina. Elie Wiesel contou em seu livro “A Noite” que até bem tarde na guerra (1944) era possível aos judeus emigrarem para lá. Quantos judeus realmente conseguiram fugir para a Palestina? Será que não existe estatística ou ela não é disponibilizada?

[HOL] Judeu foi diplomado Advogado na Alemanha Nazista

Haaretz, 18/04/2012

 
Uma nova exibição sobre advogados judeus praticando na Alemanha Nazista levou a uma descoberta surpreendente - de um advogado da Palestina que foi agraciado com grau em Leipzig apenas três dias após a Kristallnacht, em 1938.

A estória de Saul Lande foi incluída em uma exibição em Leipzig chamada "Advogados sem Direitos".

Em 12 de novembro de 1938, Lande foi agraciado com seu diploma de doutor em Direito. Os nazistas já estavam no poder há cinco anos na época, mas a Universidade de Leipzig não tentou tirar o grau de Lande, como aconteceu com dezenas de outros judeus. Pelo contrário. Em um ato que é quase impossível de compreender em perspectiva, a universidade inclusive convidou Lande a vir da palestina para a cerimônia de graduação na Alemanha.

O convitepara a cerimônia percorreu o seu caminho da Alemanha Nazista até a Rua Ahad Ha´am em Tel Aviv. "Lande, numa mostra de chutzpah, baravura ou estupidez, pegou um navio para a Europa e então pegou um trm diretamente para Leipzig," disse Joel Levi, um advogado que está a cargo das relações entre Israel e a Alemanha para a Associação dos Advogados de Israel.

Estórias contadas pela família de lande dizem que ele alcançou Leipzig e encontrou um amigo de estudos na Universidade, que o repreendeu por arriscar sua vida apenas para receber seu diploma. Para protegê-lo, seu amigo rapidamente arrumou para sua esposa alemã acompanhar Lande ao redor, esperando que o judeu da Palestina não levantasse nenhuma suspeita no coração da Alemanha Nazista. "Ele chegou à cerimônia, recebeu seu diploma, deixou a cidade e retornou a Israel de forma segura," disse Levi.

Por décadas, o diploma de Lande permaneceu no ático na casa em Tel Aviv da filha de lande, Rina Gross, que também é advogada e casou com o juíz aposentado Yehoshua Gross. "Tínhamos uma caixa com documentos da família, mas nunca nos incomodamos de abri-la," disse Rina Gross quando ela abriu a caixa. Nove meses atrás, após receber um pedido da Alemanha, ela olhou no ático e encontrou a caixa após anos.

"Ficamos chocados. Meu pai nunca falou sobre isso," disse Gross. Ela estava particularmente chocada pela suástica adornando o diploma do seu pai. Entre outros documentos que ela encontrou no arquivo da família estavam sua dissertação para doutorado, em alemão; correspondência entre seu pai e seu orientador na preparação para receber seu diploma; e preços de impressoras na Alemanha com quem ele estava negociando para imprimir sua dissertação. Uma das cartas, que também foi enviada da Alemanha Nazista para Tel Aviv terminava com a saudação "Heil Hitler."

Hubert Lang, um advogado alemão de Leipzig é um dos que trouxeram a estória de volta a vida. Lang queria incluir a estória de Lande na exibição "Avogados sem Direitos". A exibição viajou pelo mundo nos últimos anos e recentemente alcançou Leipzig. Levi iniciou a exibição, que apresenta as estórias de advogados judeus na Alemanha durante os anos nazistas.

Graças ao trabalho de Levi, a Universidade de Leipzig recuperou os diplomas de Direito de 72 judeus que haviam sido revogados pelo regime nazista.

Como um judeu da Palestina recebeu seu diploma na Alemanha Nazista, ainda não tem uma resposta clara. Levi acha que tratou-se simplesmente de um erro burocrático. "A mão direita não sabia o que a mão esquerda estava fazendo," ele disse.

Lande, que nasceu em Varsóvia em 1907, veio de uma família rica do ramo têxtil. No começo da Primeira Guerra Mundial, sua família mudou-se para Moscou e em 1920 para a Alemanha. Lande estudou em Berlim e Leipzig e em 1933 concluiu seus estudos de Direito. Ainda muito jovem, ele trabalhou como conselheiro legal de uma grande companhia, gerenciou um escritório de advocacia, e serviu como diretor de um banco.

Sua família diz que ele falava sete línguas fluentemente, incluindo latim e grego, e amava viajar. Em 1935, Lande se mudou para Israel, passou nos testes para advogados estrangeiros em 1940 e foi aceito na Associação. Ele praticou direito civil e comercial por anos e estava envolvido na compensação paga pela Alemanha para sobreviventes do Holocausto. Lande morreu em 1971, com a idade de 63 anos.

Mês passado, Rina e Yehoshua Gross viajaram à Alemanha com seus filhos para uma cerimônia de abertura da exibição em Leipzig.

http://www.haaretz.com/jewish-world/a-jew-from-palestine-was-awarded-law-degree-from-nazi-germany-exhibition-reveals-1.424956

Nova biografia mostra lado 'escuro' de Einstein

Terra, 26 de agosto de 2012

 
Albert Einstein já teve seu nome como título de obras biográficas, porém poucas focaram em sua personalidade paradoxal e polêmica. Desprezo pelo sexo feminino, comportamento injusto com seus colegas de trabalho, erros de cálculo, falta de empatia pelos próprios filhos. Estes são alguns dos fatos revelados pelo físico e biológo alemão Jürgen Neffe em Einstein - uma biografia, pela Novo Século. Segredos e paixões antes desconhecidos pelo público aparecem nas 528 páginas da obra lançada em 2005 e traduzida recentemente para o português.

Na biografia inédita no Brasil até este ano, Neffe procura apresentar o Einstein que existiu por trás dos números e das teorias físicas. O pai da Teoria Geral da Relatividade é apresentado como um ser humano em meio a tantos outros e não como um alguém acima de todos. Em entrevista exclusiva para o Terra, o autor fala sobre o processo de produção da biografia e sobre a personalidade fascinante que o levou à máquina de escrever.

 
Terra - No início do livro, o senhor descreve Einstein como um personagem paradoxal, alguém que personifica muitas contradições. Como essa personalidade aparece em seu relacionamento com as pessoas e nos seus estudos sobre Física?

Jürgen Neffe - Não são todas as pessoas cheias de contradições? Para mim, era uma questão de "relativizar" Einstein, de representá-lo como um homem entre os homens, não como um semideus. No livro, eu mostro também o seu lado escuro: o seu comportamento normalmente pouco correto e justo para com os colegas, os seus pensamentos que tomaram caminhos errados. Mas, principalmente, suas fraquezas pessoais na maneira de lidar com sua mulher e, até mesmo, com seus dois filhos.

Terra - Como o senhor chegou às informações publicadas no livro?

Neffe - Principalmente através de arquivos, como a Coleção de Artigos de Albert Einstein (original de Jerusalém, com cópia completa em Pasadena, Califórnia), mas também por meio de coleção de jornais da época, documentos de universidades e institutos científicos, como a Sociedade Max-Planck e o Instituto de Estudos Avançados em Princeton. Também usei livros sobre Einstein, em particular, obras antigas e biografias esquecidas sobre ele. Foi preciso, é claro, fazer muitas entrevistas e visitas a lugares de sua vida para montar parte da narrativa do livro.

Terra - Qual foi a descoberta que o senhor considerou mais interessante sobre a vida de Einstein?

Neffe - Ver o que sua vida e seu trabalho significam para o nosso tempo. O porquê de ele ter se sobressaído como pesquisador na área das ciências exatas. Enfim, como o mito surgiu e se modificou.

Terra - Alguma informação descoberta pelo senhor mudou sua ideia sobre ele?

Neffe - Eu diria que mudou minha visão em duas direções. O meu conceito sobre ele como cientista melhorou durante o meu trabalho, enquanto o sobre a sua personalidade se tornou pior.

Terra - Como a personalidade de Einstein influenciou na formulação de seus estudos mais importantes, como na Teoria Geral da Relatividade e nos estudos sobre Física Quântica?

Neffe - Sua integridade intelectual, sua capacidade de fazer perguntas, que ninguém havia feito antes, e sua intrepidez contribuíram muito para que ele pudesse superar horizontes do seu tempo e pisar em novos territórios.

Terra - Em 1933, Adolf Hittler tomou o poder, e Einstein teve que se mudar para Princeton, nos Estados Unidos. Como foi a sua adaptação ao país? Ele chegou a se sentir um verdadeiro cidadão americano?

Neffe - Neste momento, Einstein já era um cidadão do mundo - com passaporte suíço. Sua naturalização aos Estados Unidos foi mais uma questão mais prática do que de natureza patriótica. A língua foi um fator decisivo que impediu que Einstein se sentisse realmente em casa nos Estados Unidos. Se ele tinha um lar, esse era na comunidade internacional de cientistas e no seu idioma. Todos os seus assistentes no país deviam falar alemão. Depois da Segunda Guerra Mundial, ele se encontrou na Era McCarthy e foi tido como suspeito de espionagem e - falsamente - acusado de ser o responsável pela bomba atômica. Por causa do que trouxe para o país, os americanos nem sempre facilitaram as coisas para ele.

Terra - Como foi sua aceitação de que não poderia mais voltar à Alemanha por causa do regime nazista?

Neffe - Einstein odiava os nazistas e por motivos compreensíveis. Não só pela perseguição aos judeus, mas também aos intelectuais livres da ciência e da arte. Depois de 1945, ele transmitiu sua aversão à Alemanha e aos que contribuíam para o sistema. Por causa disso, ele não queria ter nada a ver com sua terra natal - mas ficou feliz quando estudantes pediram para nomear uma escola com o nome de Albert Einstein.

Terra - Há uma grande variedade de biografias de Albert Einstein. Algumas extensas e detalhadas, como "Subtle is the Lord", de Abraham Pais. Outras visam explicar de maneira simples as teorias do físico alemão, como "Einstein's Cosmos", de Michio Kaku. Como você descreveria seu texto? Uma obra mais detalhada do Cientista? Para todo o tipo de público ou para aqueles mais apaixonados pela história do físico?

Neffe - No meu livro eu tento combinar muitas coisas: em concentrar em Einstein, o ser humano com todos os seus lados e falhas, crenças religiosas, preferências culturais e culinárias, sua configuração psicológica. Eu criei um novo quadro para mostrar o gênio atrás das teorias. Seu pensamento é definido em relação à história da ciência, da Antiguidade aos tempos modernos, mostrando sua forma de pensar em uma linhagem com estes homens, nos ombros dos quais ele se suporta, até os nossos dias quando suas previsões teóricas estão sendo examinadas e verificadas. Meu texto, como a mídia americana disse, "é lido como um romance". Eu pego meus leitores pela mão e caminho com eles através desse mundo, e também introduzo lugares e pessoas que trabalham e tratam de seu legado hoje. E, como um jornalista científico e autor - assim como outros físicos, como Pais e Kaku -, eu tento fazer o pensamento de Einstein compreensível para pessoas leigas sem usar fórmulas.

Terra - Einstein já foi eleito o maior físico da história e a personalidade mais importante do século XX. Por que um cientista alcançou tamanha notoriedade? O que fez o cientista ser tão popular, inclusive em vida?

Neffe - Não existe outra pessoa como ele; o gênio que descobriu o fim do universo e explicou o funcionamento do menor dos mundos - o que veio a ser a física quântica -; a voz política; o cientista que tomou responsabilidade mais o profeta que nos deu a fórmula para o futuro do mundo nos fundamentos da cosmologia que ele colocou na relatividade geral. Ele era como Muhammed Ali, que foi convidado por reis e presidentes para ficar cada vez mais mítico, como sabemos, na segunda metade de sua vida.

Terra - Existem muitos mitos sobre Albert Einstein. Um deles diz que ele era um mau aluno, que rodava em provas de matemática e brigava com professores. Outro que era muito religioso. Quais dessas afirmações eram verdadeiras e quais são apenas lendas?

Neffe - Existem tantos que eu temo que você precisará ler meu livro. Aqui estão alguns:

Ele era um estudante ruim apenas em esportes. Ele era brilhante em física e muito bom em matemática. Como esperado.

Oh, sim, ele discutiu com seu professor e finalmente se sentiu forçado a deixar a escola em Munique e terminar os estudos na Suíça.

Ele não era religioso no completo sentido de pertencer ao judaísmo. Ele não seguia nenhum rito e ritual e era criticamente engajado no que chamou de tribo judaica - fora da comunidade religiosa.

Ele não usava meias.

Ele não inventou a bomba atômica.

Ele era um ser humano com um cérebro como o de muitos outros.

Sua mulher não inventou a relatividade - mas como física, ela ajudou um pouco.

Ele não era vegetariano, ele amava carne - e morangos.

Ele tinha noção de seu engraçado corte de cabelo, até o preparava antes de ser fotografado e usava a imagem para ajudar seu mito a se propagar.

Terra - Muitos físicos criticam que as últimas décadas de vida do pesquisador foram desperdiçadas em uma busca inútil de uma "teoria do tudo". Qual é sua opinião?

Na verdade, ele começou pensando em combinar o mundo do gigante - universo - e do minúsculo - as partículas elementares -, ou seja, a relatividade geral com a física quântica a partir de aproximadamente 1920, o que significa que ele teria perdido 35 anos. Ele não teve sucesso, mas, levando em conta que essa fórmula não foi descoberta até hoje, ele não perdeu seu tempo e nos deu muitas contribuições úteis - a mais conhecida é o paradoxo Einstein-Podolski (o nome completo é paradoxo Einstein-Podolsky-Rosen, o qual questionava pontos da mecânica quântica). Eu não conheço nenhum físico que o critique por tentar, mas por confiar apenas na matemática para encontrar uma "bela fórmula" ao invés de usar a física e o mundo (real) físico.

http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI6101147-EI238,00-Nova+biografia+mostra+lado+escuro+de+Einstein.html


Como Einstein arruinou a Física

Mark Green

Albert Einstein foi o homem mais esperto e o maior cientista que já viveu? Milhões acreditam que sim.

Mas Roger Schlafly vê de forma diferente, abaixando o posto do cientista mais reverenciado do século XX. Por quê? Schlafly apresenta evidência constrangedora que outros físicos e matemáticos importantes antes e simultâneamente a Einstein fizeram avanços igualmente importantes na teoria da relatividade e campos correlatos. Além disso, Schlafly sugere que Einstein pode ter roubado algumas de suas mais famosas idéias.

O que tornou Einstein tão famoso? A estória oficial segue deste modo: Albert Einstein, um jovem funcionário no escritório de patentes suíço, transformou sozinho a Física de uma ciência estática, tridimensional para um universo espaço-tempo quadridimensional, para além da compreensão, por meio de solitários e brilhantes "experimentos do pensamento" envolvendo gravidade, movimento, espaço e tempo. Einstein também fez incursões sem precedentes na natureza da luz e energia e foi o primeiro a compreender a equivalência entre massa e energia. As descobertas de Einstein não somente transformaram a física moderna, mas o modo como vemos o Universo.

Schlafly não concorda: "É tudo mito. Einstein não inventou a Relatividade ou a maioria das outras coisas pela qual ele é reconhecido." Schlafly leva o caso de forma atrevida e convincente.

Roger Schlafly tem uma compreensão impressionante do assunto, tendo conseguido seu título em Engenharia Elétrica em Princeton e seu Ph.D. em matemática na Universidade da Califórnia em Berkeley. Ele é professor na Universidade de Chicago e na Universidade da Califórnia, Santa Cruz, onde vive hoje.

Schlafly pode conversar sobre física das partículas, relatividade especial e teoria quântica com os melhores do ramo, analisando vetores, bósons, teoria das cordas (a qual ele detesta), simetria (pela qual é atraído) e paradigmas de Kuhn (os quais não suporta) e uma infinidade de outros enigmas científicos. Schlafly tem um pouco de Einstein, apesar de que ele provavelmente se oporia ao termo como sendo uma comparação de inteligência.

Schlafly examina as contribuições impressionantes (apesar de quase esquecidas) de físicos e matemáticos importantes durante aquela era antiga. Uma pequena lista de grandes figuras inclui o matemático e laureado Nobel francês Henri Poincaré (que foi chamado pelo filósofo-matemático inglês Bertrand Russell como o maior homem que a França produziu), o físico holandês pioneiro e laureado Nobel Hendrik A. Lorentz, e o físico e matemático escocês James Clerk Maxwell. De acordo com Schlafly, Maxwell foi o primeiro a usar o termo "relatividade" e criou a primeira e genuína teoria da relatividade da massa e energia. Maxwell escreveu os volumosos dois volumes "Tratado sobre Eletricidade e Eletromagnetismo" em 1873 nos quais, na opinião de Schlafly, apareceram as mais importantes equações na história da ciência.

O tratado subseqüente de Poincaré sobre relatividade forneceu os teoremas que eram "matematicamente idênticos aos de Einstein," diz Schlafly e a maioria do trabalho de Poincaré também precedeu ao de Einstein. "Lorentz e Poincaré conheciam os principais aspectos da teoria (da relatividade) e as publicaram antes de Einstein," ele diz.

Mesmo assim, estas figuras científicas gigantes são quase esquecidas enquanto a reputação de Einstein atingiu o status de semi-deus. Por quê?

E = MC2

http://www.theoccidentalobserver.net/2012/03/review-of-roger-schlaflys-how-einstein-ruined-physics/