quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Falta de profissionais ameaça o Programa Espacial Brasileiro

Defesanet, 05 de Abril, 2012

A recomposição do quadro de profissionais para o programa espacial brasileiro é uma promessa antiga do governo, mas a falta de uma ação mais efetiva tem provocado uma perda sistemática de recursos humanos no setor, situação que vem piorando com a elevação da faixa etária dos pesquisadores.

"Se não houver uma decisão neste ano, as nossas projeções indicam que em 2020 o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) estará próximo de uma situação de colapso, reduzido a 26% do efetivo que possuía em 1994", diz o diretor do órgão, brigadeiro Ailton dos Santos Pohlmann. Segundo ele, a média de idade dos pesquisadores do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), responsável pelos principais projetos espaciais do país na área de foguetes, é superior a 50 anos.
 
A perda de cérebros no programa espacial é crescente e com a demora em abrir um novo concurso a situação só tende a piorar. "A grande dificuldade daqui para a frente será treinar o pessoal novo, pois os que detêm o conhecimento, adquirido em mais de 20 anos de trabalho e estudos, já terão saído", alerta o presidente da Associação Aeroespacial Brasileira (AAB), Paulo Moraes Jr.
 
O último concurso público autorizado pelo governo para o DCTA foi feito em 2010, mas apenas 93 funcionários foram contratados para atender a todo o órgão, que inclui 11 institutos de ensino e pesquisa e dois centros de lançamento de foguetes. O déficit de pessoal hoje, de acordo com o brigadeiro Pohlmann, é de mais de mil funcionários. Em 2011, mais de 70 servidores deixaram o DCTA.
 
O lançamento do Veículo Lançador de Satélite (VLS) mais uma vez será afetado pela falta de recursos humanos especializados. "Desde 2003, quando aconteceu o acidente com o foguete na base espacial de Alcântara e se perderam 21 especialistas, não houve reposição desse pessoal", ressalta o brigadeiro.
 
O problema já foi relatado por diversas vezes ao governo e mais recentemente, em fevereiro, a direção do DCTA enviou um relatório ao Ministério da Defesa sinalizando que a situação ficará ainda mais crítica com o projeto de duplicação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), projeto que conta com o apoio pessoal da presidente Dilma Rousseff.
 
A ampliação do ITA deverá ocorre ao longo dos próximos cinco anos, mas já em 2013 a escola vai oferecer o dobro das vagas atuais, ou seja, 240. Atualmente, o ITA recebe 120 alunos por ano, mas de acordo com o reitor, Carlos Américo Pacheco, cerca de 500 estudantes que prestam o vestibular para o instituto, têm nota mínima para entrar. Este ano o ITA recebeu um total de 9.400 inscrições, o que representou um aumento de 20% em relação a 2011.
 
Para ampliar o número de vagas, o ITA também precisará contratar 150 professores no período de cinco a seis anos e cobrir cerca de 50 aposentadorias que deverão acontecer nesse período. A expansão do instituto terá um custo de R$ 300 milhões e as obras estão previstas para começar este ano.
 
"Não é possível duplicar o ITA se não houver a reposição dos quadros. A ampliação da escola exigirá também um aumento significativo na capacidade do DCTA de apoiar essa expansão, na parte de pessoal (contratação de mais professores), infraestrutura de alojamento, alimentação, laboratórios de pesquisa e segurança, entre outros", diz o brigadeiro Pohlmann.
 
No Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) a situação é mais grave na área de gestão, que em dez anos deve perder 70% do pessoal que trabalha no apoio às atividades finais do instituto, devido às aposentadorias. O plano diretor do Inpe para os anos de 2011 a 2015 mostra que em 1989 a instituição tinha 1,6 mil servidores, sendo apenas 50 com mais de 20 anos de serviço. Passados 20 anos, o número de funcionários é de 1.131, dos quais só 300 têm menos de 20 anos de casa. Atualmente, 72% dos engenheiros e tecnologistas do Inpe trabalham há mais de 20 anos na instituição.
 
A área de engenharia de satélites, que recebe os principais recursos do orçamento do instituto também preocupa bastante a direção do Inpe. Segundo o coordenador de Gestão Tecnológica do instituto, Marco Antônio Chamon, em cinco anos o número de funcionários desse setor deverá cair de 132 para 89. "Em dez anos estimamos que esse número esteja reduzido a 33 pessoas", afirma.
 
São essas mesmas pessoas que trabalham hoje no ambicioso programa de satélites do Inpe, que prevê lançar até 2014 três satélites. Entre 2015 e 2020, estão previstos mais dois satélites em parceria com a China, um em parceria com a Argentina, um satélite com a Agência Espacial Americana (Nasa) e três satélites nacionais.
 
"Não temos hoje condições de fazer dois satélites ao mesmo tempo", afirma Chamon. O satélite CBERS-3, feito com a China, segundo ele, será lançado no fim deste ano e desde fevereiro uma equipe de 30 a 50 técnicos e engenheiros do Inpe está no país para trabalhar na integração e testes finais do satélite. "Eles ficarão por lá até o lançamento do satélite e isso certamente reduziu o ritmo de trabalho de outros projetos, pois não há substituto para esse tipo de especialista."
 
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) liberou a abertura de concurso público para a contratação de 107 servidores para o Inpe em 2012, mas a instituição precisa de um mínimo de 400 contratações para repor especialistas em setores considerados estratégicos, como meteorologia, controle de satélites, ciência espacial e engenharia de satélites.
 
"Assim como nas universidades, precisamos de mecanismos que nos permitam repor nossos quadros de maneira sistemática, pois assim é possível preservar o conhecimento e transferi-lo aos poucos", explica.
"Há oito anos que o sindicato vem insistentemente cobrando as autoridades do governo federal sobre a contratação urgente de servidores para o Inpe e o DCTA. As poucas contratações que aconteceram foram temporárias, o que na área de ciência e tecnologia chega a ser uma estupidez," protesta o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial (SindiCT), Fernando Morais Santos.
 
O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Inpe (CPTEC), responsável pela produção de informações meteorológicas diárias e climáticas, possui hoje um total de 148 funcionários. Desses, cerca de 80 são contratados em regime temporário. "São atividades que não podem parar e esse pessoal temporário só tem mais dois anos para ficar no CPTEC", ressalta.
 
Entre os funcionários temporários do CPTEC, segundo Chamon, existe um grupo de 15 programadores, responsáveis por manter o supercomputador do centro em funcionamento, que encerram o contrato com a instituição no segundo semestre deste ano. "Sem esse pessoal não tem como fazer a previsão do tempo, pois são eles que colocam as informações que rodam no supercomputador", afirma Chamon.
 
Recursos escassos ameaçam projetos
 
A modernização da base de lançamento de foguetes em Alcântara, no Maranhão e o desenvolvimento de veículos lançadores e de satélites estão entre as prioridades do governo federal na área espacial. Esses projetos já têm, inclusive, recursos garantidos da ordem de R$ 2,2 bilhões até 2015, conforme previsto no plano plurianual 2012-2015.
 
Embora estejam na lista de prioridades de investimentos, alguns projetos ainda sofrem com a insuficiência de recursos. Somados à falta de especialistas em diversas áreas, os planos do governo nessa área poderão ser afetados. O lançamento do foguete VLS (Veículo Lançador de Satélite), por exemplo, que estava previsto para o início de 2013, deverá ser adiado. "Para cumprir a meta de lançamento no ano que vem precisamos de R$ 55 milhões e para este ano só temos disponível um pouco mais de R$ 16 milhões", revela o diretor do DCTA, brigadeiro Ailton dos Santos Pohlmann.
 
Os projetos que não estão na indústria, como os foguetes, são os mais afetados pelos constantes contingenciamentos de recursos e a falta de pessoal. "O setor de aerodinâmica de foguetes do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) já teve 18 especialistas. Hoje tem apenas quatro", comenta o presidente da AAB, Paulo Moraes. O pesquisador, que trabalha no IAE, ressalta que não está sendo formado um número suficiente de engenheiros no Brasil para atender às novas iniciativas do governo, das empresas de tecnologia e também a uma indústria de defesa em fase de crescimento.
 
Com 11 institutos e dois centros de lançamento de foguetes, em Alcântara, no Maranhão, e em Natal (RN), o DCTA é o órgão da Aeronáutica que executa e coordena os principais projetos do governo na área de defesa. O programa de lançadores VLS e o Cruzeiro do Sul, que seria uma nova geração de foguetes, são os mais conhecidos.
 
A lista de responsabilidades do DCTA, no entanto, inclui ainda outros programas de vulto, como o da aeronave de transporte militar KC-390, que está sendo desenvolvida pela Embraer, o processo de seleção das novas aeronaves de combate F-X2 e de todos os mísseis utilizados pela Força Aérea Brasileira (FAB), que hoje estão sendo produzidos pelas empresas Mectron, controlada pelo grupo Odebrecht, e Avibras.
 
O DCTA também coordena a compra de outras aeronaves, como os 56 helicópteros que estão sendo adquiridos da Helibras para as Forças Armadas, os Super Tucano produzidos pela Embraer, a modernização da frota de aeronaves F-5 e AMX e o desenvolvimento de veículos aéreos não tripulados.
 
Fuga de pesquisadores ameaça projetos da Agência Espacial
 
Defesanet, 23 de Maio, 2012
 
A Agência Espacial Brasileira (AEB) é uma autarquia do governo brasileiro de natureza civil, que está vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Criada em 10 de fevereiro de 1994, pela lei nº 8.854, tem por finalidade promover o desenvolvimento das atividades espaciais brasileiras de forma descentralizada.
 
Para nortear estas ações e definir diretrizes, a AEB atua na coordenação central do Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (SINDAE) e tem a responsabilidade de formular a Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (PNDAE) e de formular e implementar o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), cujas atividades são executadas por outras instituições governamentais que compõem o sistema.
 
Atualmente a AEB está sob controle civil, anteriormente estava sob controle militar. Alguns atribuem a pressões dos Estados Unidos por esta mudança. Outros acreditam que foi decorrente da mudança de foco do programa espacial, decorrente da chegada de civis à Presidência da República.

O novo presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, que toma posse oficialmente hoje em Brasília, pretende seguir adiante com o programa de lançadores, aumentar a participação das empresas e universidades brasileiras nos projetos, assim como lançar no prazo estabelecido pela presidente Dilma o primeiro satélite geoestacionário brasileiro, com base num empreendimento público-privado entre Telebras e Embraer.


José Raimundo Braga Coelho já trabalhou como chefe de cooperação internacional e de gabinete de Raupp no tempo em que ele era diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais(Inpe), entre 1985 e 1989. Foi no Inpe também que Coelho coordenou a área de engenharia e tecnologia e o programa de satélites feito com a China (CBERS), do qual participou desde o início.
 
Valor: Qual o orçamento da AEB para este ano?
 
Coelho: A nossa marca era da ordem de R$ 350 milhões, mas como todos sabem, o setor público brasileiro sofreu cortes. De forma que nós temos um número menor, mas ainda não tenho o valor preciso, pois estamos discutindo outras possibilidades. Estamos chorando junto ao governo para atender algumas necessidades que são prioritárias no nosso programa. E tem também um valor contingenciado, que estamos batalhando para que seja reincorporado ao orçamento da Agência.
 
Valor: Os cortes do orçamento vão afetar quais projetos?
 
Coelho: Com exceção do projeto CBERS-3, que será lançado até novembro, todos os grandes projetos terão de ser analisados. O caso do satélite CBERS é diferente porque, tecnicamente, todas as questões estão resolvidas e as previsões orçamentárias para o custeio estavam viabilizadas.
 
Valor: Como a AEB pretende tratar a questão do esvaziamento de pesquisadores no Inpe e no DCTA, um problema que vem se agravando com o aumento das aposentadorias de profissionais?
 
Coelho: Nós sabemos da dificuldade grande de reposição dos quadros nos nossos institutos, mas eu acho que deveria haver uma análise crítica e precisa da situação dos recursos humanos. Todas as pessoas que foram contratadas para o desenvolvimento de satélites estão realmente trabalhando nisso? Precisamos reavaliar se o que está sendo feito hoje pelos institutos está de acordo com a demanda das políticas públicas. A partir daí faríamos uma proposta mais convincente de reposição dos nossos recursos humanos para o governo.
 
Valor: O DCTA e o Inpe já estão prevendo um colapso no andamento dos projetos, caso não haja uma solução a curto prazo.
 
Coelho: Nós temos alertado o governo da importância de se manter essa massa crítica de conhecimento dos institutos, mas no caso de projetos pontuais, onde existe uma necessidade urgente de se contratar pessoas, não vejo problema em realizar contratos temporários. Alguns projetos também poderiam ser feitos na indústria, depois de passar por um processo de qualificação dentro dos Institutos.
 
Valor: O modelo de gestão do Satélite Geoestacionário Brasileiro, com Embraer e Telebras, vai servir de referência para outros projetos?
 
Coelho: A iniciativa de se constituir uma empresa integradora na área espacial no Brasil pode gerar muitos "spin offs" (criação de uma empresa a partir de uma tecnologia ou de outra empresa) daqui por diante. Que poderão ser úteis para vários segmentos das atividades espaciais.
 
Valor: Mas o satélite será comprado no exterior. Quais seriam as possibilidades de transferência de tecnologia neste caso?
 
Coelho: Através de cláusulas de "offset" ou acordos de contrapartida na área comercial, industrial e tecnológica. Essa empresa tem compromisso de trazer o satélite brasileiro, não quer dizer necessariamente que ele vai ser totalmente fabricado no país. Não será no Brasil em função de um cronograma muito apertado. (VS)
 
 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

[SGM] Como a Grã-Bretanha torturou PdG Nazistas

Daily Mail, 26/10/2012

Ian Cobain*

 
Os oficiais alemães da SS estão lutando para se salvar da forca por um crime de guerra terrível e podem ter dito qualquer coisa para escapar do laço. Mas Fritz Knöchlein não estava mentindo em 1946 quando ele afirmou que, em seu cativeiro em Londres, que ele tinha sido torturado por soldados britânicos que tentavam arrancar uma confissão dele.

Torturado por soldados britânicos? Em cativeiro? Em Londres? A idéia parece incrível.

A Grã-Bretanha tem uma reputação de uma nação que orgulha-se de si mesmo por seu amor ao jogo limpo e respeito pelo Estado de Direito. Afirmamos nossa alta moral quando se trata de direitos humanos. Fomos uns dos primeiros a assinar a Convenão de Genebra de 1929 sobre o tratamento humano de prisioneiros de guerra (PdG).

É claro, você poderia pensar, os britânicos evitaram a tortura? Mas você pode estar errado, como a minha pesquisa mostrou do que ocorreu a portas fechadas décadas atrás.

Foi em 2005 durante meu trabalho como repórter investigativo que eu topei com uma menção velada de um centro de detenção da Segunda Guerra Mundial conhecido como Gaiola Londrina. Ele recebeu um número de requisição de Liberdade de Informação para o Departamento estrangeiro antes que os arquivos governamentais fossem relutantemente liberados.    

Deles, um mundo sinistro foi revelado – de um centro de tortura que os militares britânicos operaram durante os anos 1940, em segredo completo, no coração de uma das vizinhanças mais exclusivas da capital.

Milhares de alemães passaram pela unidade que tornou-se conhecida como Gaiola Londrina, onde eles foram surrados, impedidos de dormir e forçados a assumir posições estressantes por dias.
 

 Prisioneiros alemães vendados levados para o cativeiro

 
Para alguns, foi dito que eles seriam assassinados e seus corpos secretamente enterrados. Outros foram ameaçados com cirurgia desnecessária conduzida por pessoal sem formação médica. Os guardas regozijavam que eles eram “a Gestapo Inglesa”.

A gaiola londrina era parte de uma rede de nove “gaiolas” através da Grã-Bretanha administrada pela Seção de Interrogação de PdG (PWIS), que ficou sob a responsabilidade da Diretoria de Inteligência Militar.

Três, em Doncaster, Kempton Park e Lingfield, foram rapidamente convertidas em pistas de corrida. Uma outra estava no piso do Preston North End Futebol Clube. A maioria era administrada de forma bondosa.

Mas os prisioneiros que eram considerados possuírem informação valiosa eram levados para uma unidade ultra-secreta localizada em uma linha de mansões grandiosas vitorianas em Kensington Palace Gardens, na época (assim como hoje) um dos locais mais badalados de Londres.

Hoje, a rua arborizada a poucos passos do Palácio de Kensington é o lar de embaixadores e bilionários, sultões e príncipes. As casas mudam de mão por £50 milhões ou mais.

No entanto, foi aqui, há sete décadas, em cinco salas de interrogatório, em celas e na sala da guarda em números seis, sete e oito no Palácio de Kensington Gardens que nove oficiais, assistidos por uma dúzia de sub-oficiais, usaram métodos que eles achavam necessários para arrancar informação dos suspeitos.

É claro, é crucial colocar estes eventos no contexto. Quando os centros de interrogação da Grã-Bretanha apareceram pela primeira – verão de 1940 – as forças alemãs estavam atravessando a França e os Países baixos, e a Grã-Bretanha estava lutando por sua sobrevivência. As apostas não poderiam ter sido mais altas.

Nos anos seguintes, grandes partes das cidades britânicas foram deixadas em ruínas, centenas de milhares de militares e civis morreram, e mal passava um dia sem uma evidência aparecer de uma nova atrocidade nazista. Não é preciso dizer de que havia a percepção de que os prisioneiros alemães deveriam sofrer nos centros de interrogação britânicos.

E deveria também ser dito que o que ocorreu dentro de suas paredes é insignificante quando comparado aos horrores que os nazistas fizeram com milhões de prisioneiros.

Então, como podemos estar certos dos métodos usados na Gaiola Londrina? Porque o homem que a gerenciou o admitiu – e foi abafado por meio século por um sistema que temia a vergonha de que sua estória poderia prejudicar uma Grã-Bretanha que estava lutando pela honestidade, decência e Estado de Direito.

O homem era o Coronel Alexander Scotland, um mestre conhecido nas técnicas da interrogação. Após a guerra, ele escreveu um relato franco de suas atividades em suas memórias, nas quais ele lembrava como ele pensava ao chegar na Gaiola toda manhã: “Abandone toda esperança você que entra aqui.”
 
 
Coronel Scotland

 
Porque, ele disse, antes de entrar nos detalhes: “Se qualquer alemão tivesse qualquer informação que queríamos, ela era invariavelmente conseguida dele do modo mais longo.”

Como era de costume, antes da publicação, Scotland submeteu seu manuscrito ao Departamento de Guerra para publicação em 1954. O pandemônio se instalou. Todas as quatro cópias foram confiscadas. Todos aqueles que sabiam de seu conteúdo foram silenciados com ameaças de processo pelo Ato de Segredos Oficiais.

O que causou grande consternação foi sua admissão de que os horrores continuaram após a guerra, quando os interrogadores mudaram da obtenção de inteligência militar para garantir confissões de crimes de guerra.

Dos 3.573 prisioneiros que passaram pelo Palácio de Kensington Gardens, mais de 1.000 foram persuadidos a assinar uma confissão ou dar testemunho para uso nos processos de crimes de guerra.

Fritz Knöchlein, um antigo tenente-coronel da Waffen-SS, era um desses. Ele era suspeito de ordenar o fuzilamento de 124 soldados britânicos que se renderam em Le Paradis no norte da França durante a evacuação de Dunquerque em 1940. Sua defesa era de que ele nem mesmo estava lá.

Em seu julgamento, ele afirmou que ele foi torturado na Gaiola Londrina após a guerra. Ele foi desprovido de sono por quatro dias e noites após chegar em outubro de 1946 e forçado a dar voltas em círculos por quatro horas enquanto era chutado por um guarda a cada volta completa.

Ele foi obrigado a lavar escadas e banheiros com um pequeno pano, por dias, enquanto rajadas de água eram lançadas contra ele. Se ele ousasse descansar, ele era espancado. Ele também foi forçado a correr em círculos no piso da casa enquanto carregava pesadas lenhas e tambores. Quando ele reclamava, o tratamento simplesmente ficava pior.

Mas ele não era o único. Ele disse que homens eram repetidamente surrados na cara e tinham os cabelos arrancados de suas cabeças. Um companheiro de cela implorou para ser morto porque ele não agüentava mais tanta brutalidade.

Contudo, todas as acusações de Knöchlein foram ignoradas. Ele foi considerado culpado e enforcado.

Suspeitos em outro crime de guerra tenebroso – o fuzilamento de 50 oficiais da RAF que fugiram de um campo de prisioneiros, o Stalag Luft III, no qual tornou-se como “Fugindo do Inferno” (em inglês, The Great Escape, filme produzido em 1962) – também passaram pela Gaiola.

Dos 21 acusados, 14 foram enforcados após um julgamento de crimes de guerra em Hamburgo. Muitos confessaram somente após terem sido interrogados por Scotland e seus homens. Na corte, eles protestaram que eles haviam sido submetidos a fome, chicoteados e sistematicamente surrados. Alguns disseram que eles haviam sido ameaçados com ferros em brasa e “ameaçados com dispositivos de choque elétrico”.

Scotland, é claro, negou as alegações de tortura, indo de julgamento em julgamento para dizer que seus acusadores estavam mentindo.

Foi mais do que surpresa então, que poucos anos depois ele tenha desejado esclarecer sobre as técnicas que ele empregava na Gaiola Londrina.

Em suas memórias, ele esclareceu que um número de homens foram forçados a auto-incriminar-se. Um general foi sentenciado à morte em 1946 após assinar uma confissão na Gaiola enquanto, nas palavras de Scotland, “deprimiu-se intensamente após vários exames.”

Um oficial naval foi sentenciado com base numa confissão que Scotland disse que ele assinou apenas após ter sido “sujeito a tarefas degradantes.”

Scotland também soube que um dos homens acusado dos assassinatos do “Fugindo do Inferno” foi para a forca apesar dele ter confessado após ter sido – nas próprias palavras de Scotland – “trabalhado psicologicamente”. Em seu julgamento, o homem insistiu que ele foi “trabalhado” também fisicamente.     

Outros não compartilharam da avidez de Scotland de orgulhar-se do que havia sido feito em Kensington. Um conselheiro legal do MI5 que leu seu manuscrito concluiu que Scotland e seus assistentes interrogadores eram culpados de um “rompimento claro” da Convenção de Genebra.  

Eles poderiam ter enfrentado acusações de crimes de guerra por forçar prisioneiros a permanecerem acordados 24 horas por dia; forçá-los a ajoelhar-se enquanto eram surrados na cabeça; ameaçá-los de morte; ameaçá-los de intervenção cirúrgica por outro prisioneiro sem qualificação médica.

Intimidado pelo embaraço que seu manuscrito causaria se fosse revelado, o Departamento de Guerra e o Departamento Estrangeiro declararam que ele jamais seria visto à luz do dia.

Dois anos depois, contudo, eles foram forçados a fazer um acordo com o autor após este ameaçar publicar seu livro em outro país. Ele foi avisado que jamais recuperaria o manuscrito original, mas um acordo foi feito no qual toda linha de material incriminador foi expurgada.

Uma versão altamente censurada da Gaiola Londrina convenientemente apareceu nas livrarias em 1957.

Mas funcionários no Departamento de Guerra, e seus sucessores no Ministério da Defesa, permaneceram encrencados.

Anos depois, em 1979, os editores de Scotland escreveram ao Ministério da Defesa pedindo uma cópia do manuscrito original pelo agora falecido coronel para os seus arquivos.

O pedido causou pânico, pois os servidores civis tentaram esclarecer as razões para negar o pedido. Mas, no final, eles de forma silenciosa depositaram uma cópia no que é agora os Arquivos Nacionais em Kew, onde permaneceu despercebido – até que eu o encontrei um quarto de século depois.

Há mais para se dizer a respeito da Gaiola Londrina? Quase que positivamente. Mesmo agora, alguns dos arquivos do Ministério da Defesa permanecem além de qualquer alcance público.

Scotland, seus interrogadores, técnicos e datilógrafos, e os guardas brutamontes deixaram as instalações em janeiro de 1949. As casas permaneceram desocupadas por muitos anos.

Eventualmente, as de número seis e sete foram alugadas para a União Soviética, que estava procurando um local para sua nova embaixada. Hoje, elas pertencem à chancelaria da embaixada da Rússia.

A de número oito – onde é estimado que os piores excessos tenham sido feitos – permanece vazia. Ela era muito grande para ser um lar familiar nos anbos do pós-guerra e no interior muito pobre para sofrer reforma e converter-se em escritório. Por volta de 1955, a construção ficou abandonada e foi vendida a um desenvolvedor, que a trancou e construiu uma quadra com três flats luxuosos. Um que foi colocado à venda em 2006 foi estimado em £ 13,5 milhões.

A Gaiola não foi, entretanto, o único centro secreto de interrogação da Grã-Bretanha durante e após a Segunda Guerra Mundial. O MI5 também operou um centro de interrogação, codificado como Campo 020, em Latchmere House, uma mansão vitoriana próximo de Ham Common no sudoeste de Londres, cujos 30 quartos foram convertidos em celas com microfones escondidos.

O primeiro dos espiões alemães que chegou à Grã-Bretanha em setembro de 1940 foi levado até lá. Informação vital sobre a iminente invasão alemã foi conseguida com grande rapidez. Isto indica o uso de métodos extremos, mas estes eram dias desesperados exigindo medidas desesperadas. No comando estava o Coronel Robin Stephens, conhecido como “Olho de Lata”, por causa do monóculo fixado em seu olho direito.
 
 
Coronel Stephens
 

Não era um termo de afeição. O objeto de interrogação, Stephens disse aos seus oficiais, era simples: “A verdade no menor tempo possível.” Um memorando ultra-secreto falava de “métodos especiais”, mas não especificava.

Ele arrumou um quarteirão de 92 celas adicionais para serem adicionadas a Latchmere House, mais uma sala de punições – conhecida deprimentemente como Cela 13 – que era completamente exposta, com paredes polidas e um piso de linóleo.

Cerca de 500 pessoas passaram pelos portões do Campo 020. Principal entre eles estavam os espiões alemães, muitos dos quais eram “convertidos” e convencidos – ou talvez forçados – a trabalhar para o MI5.

Seus primeiros ocupantes eram os membros da União Britânica de Fascistas. Alguns deles eram mantidos em celas brilhantemente luminosas 24 horas por dia, outras celas eram mantidas em total escuridão.

Muitos prisioneiros foram submetidos a simulações de execução e eram surrados pelos guardas. Alguns eram aparentemente mantidos nús por meses.  

O Campo 020 tinha um médico residente, Harold Dearden, um psiquiatra que planejava regimes de fome e sono e privação sensorial para quebrar a força de vontade dos internos. Ele experimentou técnicas de tormento que deixava poucas marcas – métodos que poderiam ser negados pelos torturadores e que servidores civis e ministros do governo poderiam desconhecer.

Estas técnicas foram novamente utilizadas após a guerra em uma instalação britânica em Bad Nenndorf, uma cidade turística alemã, em um dos campos de internamento para aqueles considerados uma ameaça à ocupação aliada.

Em quatro anos após a guerra, 95.000 pessoas foram internadas na zona britânica da Alemanha ocupada. Alguns foram interrogados pelo que agora chamamos Divisão de Inteligência.

No comando de Bad Nenndorf estava “Olho de Lata” Stephens, ligado ao MI5, e experiente de sua época no Campo 020. Um interno lembrou dele fazendo perguntas enquanto batia nos prisioneiros.

Nos próximos dois anos, 372 homens e 44 mulheres passariam por suas mãos. Um prisioneiro alemão lembrou do que lhe disse um oficial da inteligência britânica: “Não estamos ligados a quaisquer regras ou regulamentos. Não damos a mínima se você vai deixar este lugar numa maca ou em um carro funerário.”

Ele foi colocado para dormir em um piso molhado na temperatura de -20ºC por três dias. Quatro de seus dedos do pé tiveram que ser amputados por causa do congelamento.

Um médico em um hospital próximo reclamou sobre o número de detentos levados a ele sujos, confusos e sofrendo de ferimentos múltiplos e congelamento. Muitos estavam dolorosamente magros após meses de inanição. Alguns acabaram morrendo.

O regime era pensado para enfraquecer, humilhar e intimidar os prisioneiros.

Com as reclamações surgindo, um comitê britânico de inquérito foi estabelecido para investigar o que estava sendo feito em Bad Nenndorf. Ele concluiu que as alegações dos antigos prisioneiros de assalto físico eram substancialmente corretas. Stephens e quatro outros oficiais foram presos e Bad Nenndorf abruptamente fechada.

Mas havia um dilema para o governo trabalhista. As consequências políticas poderiam ser profundamente desastrosas. Havia outros centros de interrogação semelhantes na Alemanha.

Do topo, vieram ações urgentes para colocar as coisas nos trilhos novamente.

A corte marcial de Stephens por mau tratamento de prisioneiros foi feita a portas fechadas. Ele não negou nenhum dos horrores. Sua defesa era de que ele não tinha ideia de que os prisioneiros sob sua custódia eram surrados, chicoteados, congelados, privados de sono e levados à morte por fome.   

Esta foi a defesa que foi oferecida – mal sucedida – pelos comandantes dos campos de concentração nazistas nos julgamentos de crimes de guerra. Mas ele foi absolvido.

A suspeita permanece de que ele escapou porque, se as crueldades ocorreram em Bad Nenndorf, então elas haviam sido autorizadas pelos ministros do governo.    

* extraído do livro “Cruel Britannia”, do autor.

 
http://www.dailymail.co.uk/news/article-2223831/How-Britain-tortured-Nazi-PoWs-The-horrifying-interrogation-methods-belie-proud-boast-fought-clean-war.html

[SGM] Londres e Berlim planejaram um segundo “Acordo de Munique”

Yuri Nikiforov


Enquanto tentam identificar o culpado pela Segunda Guerra Mundial, os historiadores sempre prestaram atenção nos financistas e políticos anglo-saxões já que suas políticas haviam buscado o apaziguamento de Adolf Hitler, mas somente encorajaram a Alemanha fascista em continuar sua expansão.

Após invadir a Tchecoslováquia na primavera de 1939, Hitler demonstrou que ele não precisava mais de aprovação de Chamberlain e Daladier para suas políticas agressivas. Os países europeus temiam a agressão crescente nazista e mostravam menos confiança na Inglaterra e França após estes países falharem em garantir a segurança européia. Assim, Londres e Paris enfrentavam riscos de perder influência no continente.

Como regra, a maioria dos historiadores que lidam com os eventos de 1939, foca nos contatos diplomáticos anglo-franco-soviético ou teuto-soviético. Entretanto, o estudo seria incompleto sem a análise das relações anglo-germânicas, que não foram cortadas após Hitler ter anexado a Tchecoslováquia. Além disso, há muitos motivos para acreditar que, na primavera de 1939, a idéia de apaziguamento – para alcançar um acordo com a Alemanha baseado na divisão de esferas de influência – ainda era apoiada por muitos na Grã-Bretanha.

A posição do governo britânico era a seguinte: por um lado, o ultimato de Hitler para a ocupação de Danzig (ele a fez ao governo polonês em 21 de março), causou séria preocupação em Londres. O Primeiro-Ministro Chamberlain disse que se a Alemanha tomasse os recursos da Polônia, isso afetaria os interesses britânicos. Por outro lado, Londres estava ciente de que ela deveria evitar um confronto com os países do Eixo. Por este motivo, o plano era continuar com a política de apaziguamento e, simultaneamente, demonstrar uma habilidade para usar a força quando necessário. Londres concordou que a Alemanha poderia anexar Danzig (também conhecido como “Corredor Polonês”), mas não aprovava os planos de Hitler de ocupar a Polônia inteira. Em 31 de março, o governo britânico deu garantias de independência a Varsóvia.

É extraordinário que tal tipo de garantia dada à Polônia e a alguns outros países europeus não os tenha ajudado a preservar sua integridade territorial, o que significa que suas fronteiras nacionais poderiam mudar a qualquer instante. Analogamente, as garantias não poderiam ser vistas como uma preparação da Grã-Bretanha para uma guerra contra a Alemanha. Aquelas eram apenas medidas para demonstrar uma posição firme, as quais eram, por sua vez, guiadas pela política de apaziguamento. Inglaterra e França não discutiram se eles teriam capacidade de cumprir as garantias.

Entretanto, o plano falhou: as garantias dadas à Polônia não impressionaram Berlim. Em 1º. de maio de 1939, Ribbentrop disse que a Inglaterra trairia a Polônia em caso de um conflito armado. Os nazistas continuariam a se preparar para a guerra.

Esta opinião era compartilhada por alguns outros políticos. Por exemplo, o embaixador sueco na Grã-Bretanha, B. Prutz, também chegou à conclusão no final de junho de 1939 que “em caso de deterioração das relações entre Alemanha e Polônia, a Inglaterra e a França não interferirão.”

E isto era uma conclusão totalmente razoável. Apesar da cooperação ativa com a União Soviética, a liderança britânica preferiu manter relações estáveis com a Alemanha. Em 3 de maio, Chamberlain convocou o governo para retomar as conversas econômicas anglo-germânicas. Nos seus arquivos, o Departamento do Exterior tem um documento datado de 5 de maio: “Memorando para Lorde Halifax”, uma espécie de instrução para os diplomatas britânicos: “De modo algum recusar a ajudar outros países em caso de sua soberania ser violada pela Alemanha, mas a Grã-Bretanha deve fazer todos os esforços para satisfazer quaisquer exigências consistentes de Berlim e prevenir o isolamento econômico da Alemanha.”

Em completa concordância com esta instrução, o Secretário para Assuntos Estrangeiros da Grã-Bretanha, Edward Halifax, durante as consultas anglo-francesas em Paris por uma solução para Danzig em favor da Alemanha. Uns poucos dias depois, Chamberlain informou seu Gabinete sobre planos “para discutir todas as questões não resolvidas com a Alemanha”. No início de julho, Halifax disse ao parlamento que estava preparando uma declaração aprovando “alguma revisão dos já atingidos acordos sobre Danzig.”

Isto significa que a integridade territorial da Polônia poderia ter facilmente se tornado vítima da idéia da política de apaziguamento, que foi primeiro declarada por Chamberlain e Daladier em Munique no outono de 1938. O memorando supracitado lê: “Nosso país (Grã-Bretanha) não pode permitir que as exigências infundadas da Polônia nos conduza a uma guerra.” Na margem da folha, Lorde Halifax escreveu: “É claro que não!”

Até que ponto a coalizão anglo-franco-soviética é considerada, Chamberlain e sua equipe haviam mais de uma vez expressado sua desaprovação de tratar a União Soviética como um aliado confiável. “Sou tão cético sobre a ajuda russa que penso que poderíamos fazê-lo sem ela”, disse o Primeiro-Ministro. No verão de 1939, o governo britânico concordou em fazer parte na negociação tripartite em Moscou, mas de nenhum modo se comprometeu a assinar quaisquer acordos que pudessem impor quaisquer obrigações a Londres. Dirigindo-se aos participantes de um conselho militar, Halifax disse que as conversas com a União Soviética não eram cruciais e seu objetivo era apenas prevenir que Moscou “ficasse do lado alemão”.

Julgando pela correspondência, podemos dizer que os líderes britânicos sentiram mesmo uma espécie de nojo em relação à Rússia e seu povo. O sub-Secretário de Estado Britânico para Assuntos Estrangeiros, Alexander Cadogan, uma vez chamou os diplomatas russos de “coletores de lixo”. E Vyacheslav Molotov, Comissário do Povo para Assuntos estrangeiros, era caracterizado como “um homem ignorante e suspeito, um camponês”, cuja posição linha dura nas discussões mereciam críticas de Halifax, que chamava Molotov de “insano”.

Quando falamos sobre a cooperação anglo-germânica no final dos anos 1930, devemos mencionar os nomes dos assistentes mais próximos de Chamberlain: H. Wilson e R. Hudson. Em junho e julho de 1939, Wilson manteve muitos encontros em Londres com G. Wohltat, um dos funcionários alemães da alta hierarquia, responsável pela implantação de um plano econômico quadrienal. Então, Wilson repetiu o que foi dito por Halifax: fazer tudo para evitar conflito armado com Hitler e manter a cooperação anglo-germânica.

Em julho, Hudson sugeriu um plano de cooperação econômica teuto-britânico e desenvolvimento colonial, incluindo um empréstimo britânico para a Alemanha em troca de uma política externa pacífica. A informação vazou para os meios de comunicação, e Chamberlain teve que esclarecer o assunto no parlamento, onde ele admitiu que Hudson e Wilson encontraram-se com Wohltat por algumas vezes, mas aquilo foi algo de suas próprias iniciativas. O anúncio provocou um escândalo entre os membros da coalizão “anti-Munique” e assim tornou mais difícil para Chamberlain alcançar um compromisso com Berlim.

Moscou não levou as desculpas de Chamberlain seriamente. Mesmo se assumirmos que o Primeiro-Ministro britânico disse a verdade, é muito claro que ele não estava a par das conseqüências das conversas anglo-franco-soviéticas. De outra forma, ele teria pedido a Hudson para demitir-se.

Entretanto, sabemos da opinião verdadeira de Chamberlain a partir de sua correspondência particular. Ele escreveu que as “idéias econômicas” que Hudson discutiu com Wohltat na época haviam sido discutidas no governo por quase um ano. Chamberlain acreditava que Hitler compreenderia que a Grã-Bretanha mostrara intenções sérias e que isso o preveniria de lançar uma guerra.

O historiador M. Carley diz que Chamberlain estava aborrecido com o incidente por causa do vazamento da informação. Em uma de suas cartas para sua irmã, o primeiro-ministro comentou da iniciativa de Hudson: “Atualmente, não temos mais canais confiáveis através dos quais podemos continuar nossa cooperação com a Alemanha... meus críticos pensam que para alcançar um compromisso com Berlim sem verificar suas reais intenções seria uma catástrofe... mas discordo. Deixe-nos convencê-los que suas chances de ganhar a guerra e evitar as graves conseqüências para sua economia são muito poucas. Mas a Alemanha poderia ganhar nossa confiança e respeito com seus interesses se ela abandonasse a idéia de políticas linha-dura...”

Falando sobre os “novos canais” de Chamberlain, provavelmente significava o empresário E. Tennant, que serviu como secretário da Sociedade Anglo-Germânica e em julho de 1939 foi autorizado pelo Primeiro-Ministro a ter uns poucos encontros com Ribbentrop, e Lorde Kemsley, diretor do “Notícias Aliadas”. Kemsley visitou a Alemanha e em 27 de julho foi permitido a encontrar-se com Hitler. Em sua chegada a Londres, Kemsley reportou-se ao primeiro-ministro. Ele disse que, em sua conversa com o Führer, ele notou que o governo britânico via o Tratado de Munique como um guia para a cooperação anglo-germânica e que Sir Chamberlain gostaria de encontrar-se pessoalmente com Hitler. Então, o Führer respondeu que ele preferia trocar opiniões de forma escrita. Mas quando no início de agosto Chamberlain e Halifax pediram a Berlim uma resposta, Hitler desmentiu o que ele disse a Lorde Kemsley e disse que não havia necessidade de organizar as conversações. O parlamento britânico também entrou em contato com Hering através do empresário sueco B. Dalerous, proprietário da “Bollinders Fabric A/B”. Ele era um outro canal que Londres usava para conhecer as posições da Alemanha.

Tendo conhecido sobre os planos britânicos para alcançar um compromisso com Berlim e predizer todas as concessões que Londres poderia fazer, Hitler pensou na guerra já que ele não estava mais interessado na revisão das fronteiras polonesas, acordos econômicos e desenvolvimento colonial. Mais tarde, Ribbentrop diria que Hitler acreditava que a cooperação com a Inglaterra não lhe traria nenhuma vantagem, e se a Inglaterra quisesse a Guerra era melhor iniciá-la sem hesitação.

Na verdade, a Grã-Bretanha concentrou-se no acordo com a Alemanha somente porque ela falhou em chegar a um termo com a União Soviética e porque as conversas anglo-franco-soviéticas sobre assuntos militares não alcançaram nenhum progresso. E, desde que a Inglaterra não queria tratar a União Soviética como um parceiro de mesmo nível dentro de uma possível coalizão contra agressores em potencial, em agosto de 1939 Moscou decidiu estabelecer cooperação com a Alemanha.

http://en.fondsk.ru/article.php?id=2394

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Hitler queria a Guerra?

http://epaubel.blogspot.com.br/2012/05/sgm-hitler-queria-guerra.html

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

[SGM] Revisionistas desafiam a estória do Dia-D

BBC News, 05/06/2009



Um tema revisionista parece ter sido levantado na comemoração do 65º. Aniversário dos desembarques da Normandia.

O assunto apareceu no novo livro de Antony Beevor, O Dia-D, o qual tenta desfazer algumas idéias pré-concebidas sobre a campanha aliada.

Longe de serem um sucesso absoluto, o Sr. Beevor descobriu que os desembarques por pouco não se tornaram um fiasco.

E longe de serem celebradas universalmente como libertadores, muitas tropas tiveram uma recepção hostil por parte do povo da Normandia.

A razão para isto é simples. Muitas cidades e vilas normandas foram literalmente destruídas pelo bombardeio aliado.

O bombardeio de Caen, diz o Sr. Beevor, poderia ser quase considerado um crime de guerra (apesar de ter se retratado mais tarde).

Muitos historiadores irão argüir que não há nada de novo no relato do Sr. Beevor.

Experiência Estressante

Acima de tudo, a escala de destruição já havia sido bem estabelecida.

Cerca de 20.000 civis franceses foram mortos em dois meses e meio desde o Dia-D, sendo 3.000 deles durante os desembarques reais.

Em algumas áreas – como o bolsão de Falaise onde os alemães foram encurralados até o esquecimento no final da campanha – sequer uma construção permaneceu de pé e os soldados tiveram que caminhar sobre pilhas de corpos humanos.

Quanto à destruição de Caen, há muito tempo é admitido que foi uma inutilidade militar.

Os alemães estavam estacionados ao norte da cidade e quase não foram molestados.

Vinte e cinco anos atrás, em seu livro Overlord, Max Hastings já o havia descrito como “um dos mais fúteis ataques aéreos da guerra.”

Apesar destes relatos revisionistas terem sido escritos longe dos locais de combate, é na França que estas idéias provocam maior debate hoje.

Não é como se a devastação provocada pelos Aliados não seja conhecida – é que ela tende a não ser discutida.

E para muitas famílias que viveram a guerra, foi a chegada e passagem das forças anglo-americanas que foi de longe a experiência mais estressante.

“Foi profundamente traumático para o povo da Normandia,” disse Christophe Prime, um historiador do Memorial da Paz em Caen.

“Pense nas centenas de toneladas de bombas destruindo cidades inteiras e aniquilando famílias. Mas o sofrimento dos civis foi por muitos anos mascarado pela imagem altamente difundida dos franceses saudando os libertadores com braços abertos.”

As boas-vindas mal-humoradas

De acordo com Prime, foi durante a comemoração do 60º. Aniversário cinco anos atrás que o tabu começou a ser levantado.

Nos encontros das cidades ao longo da Normandia, as testemunhas – agora em seus 70 anos – falaram das coisas terríveis que eles viram quando crianças.

Simultaneamente, uma exibição no memorial de Caen mostrou cartas de soldados aliados falando abertamente sobre a sua recepção pobre pelos moradores locais.

Aquilo foi uma iluminação para muitos povos normandos.

Por exemplo, o cabo Rocker da Força de Desembarque da Infantaria Leve Escocesa é citado em outro livro novo sobre o impacto civil da campanha, Libertação: O Caminho amargo para a Liberdade, de William Hitchcock.

“Foi mais do que um choque descobrir que não fomos recebidos entusiasticamente como libertadores pelos habitantes locais, como nos foi ditto que seríamos... Ele nos viam como mensageiros da destruição e da dor,” escreveu o sr. Rocker em seu diário.

Outro soldado, Ivor Astley, da 43º. Infantaria Wessex, descreveu os locais como “mal-humorados e quietos... Se esperávamos uma recepção calorosa, certamente falhamos em encontrá-la.”

Violência Sexual

Em seu livro, o sr. Hitchcock levanta outro assunto que raramente aparece nas memórias eufóricas da libertação: a pilhagem aliada e coisa pior.

“O roubo e a pilhagem das casas da Normandia e fazendas pelos soldados aliados começou em 6 de junho e nunca parou durante o verão inteiro,” ele escreve.

Uma mulher – da cidade de Colombieres – é mencionada dizendo que “o entusiasmo com os libertadores está diminuindo. Eles estão pilhando, e indo às casas em todos os lugares sob o pretexto de estarem procurando alemães.”

Mesmo mais temido, é claro, foi o crime de estupro – e aqui há também a imagem real que certamente foi apagada da memória popular.

De acordo com o historiador americano J. Robert lilly, houve cerca de 3.500 estupros por soldados americanos na França entre junho de 1944 e o fim da guerra.

“A evidência mostra que a violência sexual contra mulheres na França libertada era comum,” escreve o sr. Hitchcock.

“Ela também mostra que soldados negros acusados de tais atos infames recebiam punições severas, enquanto que soldados brancos recebiam sentenças mais brandas.”

Dos 29 soldados executados por estupro pelas autoridades militares, 25 eram negros – apesar de afro-americanos não representarem tão alta proporção das acusações.

Feliz e Agradecido

Então, por que o lado “mau” da libertação aliada tender a desaparecer da consciência popular francesa?

A resposta certamente é que o resultado total da campanha aliada foi positive para a França em geral.

Era difícil para o povo normando estragar a felicidade nacional ao reclamar de sua situação.

A mensagem do resto do país era simpático, porém realista: sabemos que vocês sofreram, mas o preço valeu a pena. A maioria das pessoas concordou e ficou quieta.

Além disso, a crítica aberta aos bombardeios britânicos e americanos era uma marca da colaboração francesa.

Em Paris – que é frequentemente esquecido, foi bombardeada pelos britãnicos – grupos pró-alemães criaram cerimônias para celebrar as vítimas e os “crimes” dos Aliados foram condenados na imprensa.

Após a Guerra, acusar os aliados teria parecido como ficar ao lado dos derrotados e desonrados.

É claro, em algumas comunidades a devastação jamais foi esquecida.

Há vilas na Normandia onde até recentemente as celebrações do 6 de junho eram deliberadamente evitadas, por causa das associações dolorosas.

E no fronte ideológico, sempre houve intelectuais tanto da esquerda quanto da direita que justificavam seu anti-americanismo ao lembrar dos terríveis aspectos da campanha francesa – como o modo “covarde” como os americanos bombardeavam de alta altitude, ou sua confiança em blindados causando baixas civis indiscriminadas.

Mas, em geral, a França continuou com a versão aceita dos desembarques e de suas consequências – qual seja, o de uma libertação alegre pela qual o país é eternamente grato.

Esta versão é a correta. A França foi de fato libertada da tirania, e os franceses ficaram felizes e agradecidos.

Mas é importante lembrar que tudo isto foi conseguido a um custo.

http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/8084210.stm

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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

[HOL] Fotógrafo de Hitler registrou a vida em gueto de judeus

Terra, 18 de outubro de 2012


No 72º aniversário da criação do Gueto de Varsóvia pelos nazistas, foi divulgada uma série de imagens registradas pelo fotógrafo de Adolf Hitler de judeus na cidade de Kutno, a 75 km da capital polonesa. A fotos foram feitas por Hugo Jaeger, o homem que normalmente registrava o triunfo do Terceiro Reich, entre o fim de 1939 e o início de 1940.




 
 
 
 
 
 
 
 

[ARM] Fabricante Falido do AK-47 tem esperança em Novas Armas

Der Speigel, 09/05/2012


Dimitry Rogozin,, o vice-primeiro ministro encarregado da indústria de defesa da Rússia, gosta de lançar afirmações dramáticas enquanto viaja e faz aparições públicas, afirmações para reviver o orgulho russo em seu país.

Rogozin frequentemente recorre a anedotas de sua época de embaixador da Rússia junto à OTAN. Em Bruxelas, diz ele, ouviu mais de uma vez de seus colegas ocidentais: “Atualmente, os otimistas aprendem inglês, os pessimistas aprendem chinês, mas os realistas operam um AK-47.”

É a mesma velha piada contada pela milésima vez, e não seria totalmente insano suspeitar que foi o próprio Rogozin quem a concebeu. Mas a conversa fiada foi particularmente boa durante a visita de Rogozin à fábrica Izhmash na cidade russa ocidental de Izhevsk, onde ele pretendia tranqüilizar os trabalhadores locais. De fato, os empregados têm um interesse especial no destino do fuzil de assalto AK-47, pois atrás do nome inocente da companhia Izhmash está o maior fabricante de armas da Rússia – o berço do famoso Kalashnikov.




Esta arma automática, conhecida em russo simplesmente como “avtomat”, é muito estimada pelos americanos, relatou Rogozin. As unidades militares de elite dos EUA a utilizam, ele acrescentou, mesmo que o Congresso americano geralmente prefira comprar somente armas fabricadas no país. Colecionadores privados também têm se interessado por este fuzil de assalto, continuou ele, notando que as vendas nos EUA aumentaram 50% no último ano. Ele também mencionou como o Afeganistão ainda solicita Kalashnikovs a Moscou “mesmo eles tendo 140.000 soldados da OTAN bem armados dentro de suas fronteiras.”

A Rússia nunca agraciou o mundo com um carro ou um super avião a jato, mas em mais de 60 anos após sua estréia, o Kalashnikov parece continuar sua marcha triunfante. Cerca de 100 milhões de AK-47 foram fabricados ao redor do mundo. A arma ajudou guerrilheiros nas florestas do Vietnã a derrotar os adversários americanos, os líderes moçambicanos o incorporaram na bandeira do país e o líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, o levava em suas aparições em vídeo. Até hoje, os Kalashnikovs são o equipamento padrão para qualquer exército rebelde na África.

Uma Arma muito amada

Mesmo assim, o fuzil não é uma maravilha tecnológica. Ele não é particularmente refinado, nem o seu aspecto é amável. O Kalashnikov está mais para o Fusca do mercado das amas do que um Porsche: simples, robusto e indestrutível. “Nenhum fuzil no mundo tem sido mais confiável do que este,” disse recentemente Josh Laura, um antigo fuzileiro naval de Maryville, Tennessee, ao New York Times, ao explicar por que ele comprou um AK-47. Terry Sandlin, um eletricista em Scottsburg, Indiana, disse que ele escolheu o modelo porque “a qualidade e versatilidade de longe superam qualquer coisa no mercado.”

Os projetistas do fuzil russo tinham como princípio a simplicidade desde o início. O Kalashnikov não foi concebido como um fuzil para soldados profissionais, mas, ao invés disso, como uma pequena arma de fogo para multidões de soldados-cidadãos em campo comunista. Em sua história de 2010 do Kalashnikov intitulada simplesmente “A Arma”, o jornalista americano Christopher Chivers descreve o AK-47 e a bomba nuclear como um “casal incompatível mas destinado a ficar juntos,” explicando: “O guarda-chuva nuclear congelou as fronteiras e desencorajou a guerra total entre os exércitos convencionais estacionados na Europa, ajudando a criar condições na qual o Kalashnikov... (tornou-se) a ferramenta dominante para a violência nas zonas de conflito.”




O fuzil russo, que funciona debaixo de tempestades de areia ou chuva torrencial, sempre foi o escolhido em lutas de classes desde o começo. Soldados americanos lutando na Guerra do Vietnã gostavam de trocar seus fuzis M16 pelos Kalashnikovs que eles capturavam dos guerrilheiros porque o AK-47 não falhava na floresta úmida.

O músico do exército russo Dmitry Poltoratsky chegou mesmo a imortalizar o Kalashnikov em uma canção: “Sei para quem devo rezar e quem me ajudará. Meu Deus se mantém em uma correia de couro e carrega o logotipo de uma fábrica russa simples. O Kalashnikov é meu único Deus.”

Copiado até a Morte

A canção foi escrita em 2001, mas as coisas desandaram para o versátil fuzil desde então. Declarações de amor como aquelas do Vice-Primeiro Ministro Rogozin são mais precisamente analisadas como um sintoma da crise, assim como a expansão atual da arma no mercado americano.

O Ministério da Defesa russo, antigamente o maior comprador do Kalashnikov, parou de comprar a arma no último outono. O chefe do Exército da Rússia notou que armazéns do fuzil já estavam preenchendo os arsenais do país, ultrapassando a demanda “doze vezes”. Ele continuou a descrever o fuzil como ultrapassado, dizendo que a era de guerras em larga escala acabou e que um diferente tipo de arma é necessária para enfrentar conflitos locais. Precisão, ao invés de uma rajada constante de fogo sobre tropas inimigas, é o necessário, disse ele. Planos estabelecem a destruição de 4 milhões de AK-47 por volta de 2015.

Consequentemente, os negócios estão ruim na fábrica de Izhevsk. A companhia que o Czar Alexander I criou 200 anos atrás para fabricar mosquetes para a preparação da guerra contra Napoleão, a companhia que Stalin ordenou que fabricasse um fuzil de assalto como o alemão MKb 42(H) durante a Segunda Guerra Mundial, está falida desde a primavera, após acumular uma dívida de €62 milhões (U$78 milhões) em 2011 e um débito crescente de €136 milhões. A produção da fábrica caiu pela metade, e a própria companhia passou a fazer parte de um grande aglomerado empresarial estatal.

Além disso, as reclamações da fábrica não podem ser apenas atribuídas à decisão militar russa de interromper a compra da arma. Outra razão é o fato de que o mercado global está inundado de Kalashnikovs. O AK-47 foi copiado em quase todo continente, com versões mais baratas fabricadas na Bielorrúsia, Bulgária, Romênia e Sérvia, nos países africanos e particularmente na China – geralmente sem licença.

Colocando Esperanças nos Novos Modelos

Os chefes em Izhevsk tentaram protelar o desastre ao expandir os produtos da companhia. Antes, a empresa fabricava canhões para caças a jato e projéteis de precisão para artilharia, agora concentra-se em armas para caça e esporte.

Um desses produtos é o Saiga, a versão civil do Kalashnikov que está sendo consumido nos EUA. O Saiga não é o mesmo fuzil de assalto usado pela Al-Qaeda ou pela milícia Al-Shabab na Somália – ele apenas se parece fisicamente. Por exemplo, ele não tem furo roscado, o qual permite a conexão de coisas como supressores de flash ou silenciadores, e não pode ser disparado em automático.

O modelo não é particularmente novo. Pelo contrário, foi desenvolvido nos anos 1970 para caça de saigas, um tipo de antílope que desde então tornou-se uma espécie em extinção, nas estepes do Cazaquistão. O líder soviético, Leonid Brezhenev, ele próprio um caçador apaixonado, deu sinal verde para sua fabricação.

Mas, mesmo com o salto nas vendas, o Saiga ainda permanece como não mais do que um nicho no mercado de armas americano. O consolo de seus fabricantes russos é que o fuzil não precisa temer competição desigual da China em mercado americano, pois a importação de armas chinesas de mesmo porte foi tornada ilegal nos EUA desde 1994.

Além disso, ninguém em Izhevsk quer acreditar que este é o fim de uma tradição que completa 200 anos. De fato, há ainda esperança – e ela vem acompanhada da abreviação AK-12.

AK-12 é o nome de um Kalashnikov totalmente novo, algo que não tem em comum nada com o modelo velho. Foi por este fuzil que o Vice-Primeiro Ministro Rogozin viajou até Izhevsk.

Este Kalashnikov é dito ser uma maravilha, a arma última para os amantes da guerra. Ele pode ser conectado a um iluminador laser, um lançador de granadas e um dispositivo de visão noturna. Ele pode atirar tanto projéteis simples, disparos de três tiros ou em mdo automático total. Ele pode reportadamente atingir um alvo precisamente mesmo disparando rajadas rápidas. E seu pente pode conter 60 cartuchos, ao invés dos 30 tradicionais.

Os jornais russos, entretanto, estão chamando o AK-12 de “blefe”, dizendo que o novo fuzil de assalto não é nada mais do que uma versão recauchutada do velho Kalashnikov. Deve ainda ser visto se ele encontrará alguma serventia no Exército russo.

Uma Ofensiva Condenada

Até que uma decisão seja tomada, os planos da Izhmash pretende se concentrar em resolver uma questão que admite ter lamentavelmente negligenciado por anos: estigamtização. Agora, ela lançou uma campanha global para dar novos ares para o nome Kalashnikov. A cidade vizinha de Glasov produz uma vodka chamada Kalashnikov que é vendida em enormes garrafões com o formato do fuzil. Existem versões em plástico para brinquedo do AK-47 fabricados na China, e uma empresa chamada MMI na cidade alemã de Solingen mantém o direito de comercializar relógios e guarda-chuvas carregando o logotipo da Kalashnikov. A Izhmash também planeja usar o nome para uma linha de roupas esportivas.

Primeiro, contudo, Mikhail Timofeyevich Kalashnikov, o criador original do fuzil, terá que dar sua benção ao plano. Ou talvez um de seus três filhos terão que fazê-lo porque Kalashnikov, que foi condecorado “herói do trabalho socialista” duas vezes e “herói da federação Russa”, está com 92 anos de idade e com saúde precária. Ninguém lhe contou que o fuzil que inventou está sendo agora descartado pelo exército russo. De acordo com o jornal moscovita Isvestia, isso seria “um sério choque para uma pessoa de sua idade.”

http://www.spiegel.de/international/world/russian-kalashnikov-maker-fights-bankruptcy-with-new-weapons-models-a-853915.html

AK-47

Fonte: Wikipédia

AK-47, sigla da denominação russa Avtomat Kalashnikova odraztzia 1947 goda ("Arma Automática de Kalashnikov modelo de 1947"), é um fuzil/espingarda de assalto de calibre 7,62 x 39 mm criado em 1947 por Mikhail Kalashnikov e produzido na União Soviética pela indústria estatal IZH.





Seu funcionamento se dá de modo similar aos demais fuzis de assalto, pelo aproveitamento indireto dos gases que são desviados da parte posterior do cano até um cilindro montado acima deste, onde pressionam um êmbolo de longo curso que aciona o recuo do ferrolho de trancamento rotativo. O ferrolho desliza sobre dois trilhos na caixa da culatra com uma folga significativa entre as peças móveis e fixas, o que permite que opere com o seu interior saturado de lama ou areia. Dispara munição 7,62 x 39 mm nos modos automático e semi-automático. Seu registro de tiro e segurança é considerado por muitos sua principal desvantagem, não corrigida nos modelos posteriores. É lento e desconfortável, exige esforço extra para operar, especialmente com luvas, e quando acionado produz um "clique" alto e distinto. Outra desvantagem é a posição do ferrolho, que permanece fechado após o último tiro.

É alimentado por um carregador tipo cofre metálico bifilar de trinta projéteis, com retém localizado à frente do guarda-mato. Outros tipos de carregadores como o de quarenta projéteis ou o tambor de 75 projéteis da RPK também podem ser usados. Seu aparelho de pontaria é graduado de 100 m a 1000 m (800 no AK), e um ajuste fixo que pode ser usado para todas as faixas de até 300 metros. Pode também pode ser equipado com lançador de granadas montado sob o cano. A versão de coronha dobrável foi desenvolvida para as tropas aerotransportadas e denominadas AKS (AKMS). Os AK foram concebidos com baionetas destacáveis do tipo faca, que associada a sua bainha transforma-se numa tesoura de cortar arames.

Fuzil de Assalto

Fonte: Wikipédia

Um fuzil de assalto é uma arma leve dos modernos exércitos mundiais que se tornou o armamento de dotação individual dos combatentes de infantaria. Este tipo de arma constitui uma subvariante da espingarda automática ou fuzil automático que se caracteriza por utilizar uma munição menos potente.

Nascido no final da Segunda Guerra Mundial, o fuzil de assalto, teve uma grande evolução, adaptando-se aos mais diversos usos na guerra moderna. Ele surgiu quando estrategistas militares perceberam que, diferentemente da Primeira Guerra Mundial, que ocorreu com exércitos inteiros em linhas estáticas, combates em trincheiras e com disparos a longas distâncias, a Segunda Guerra não permitia o estacionamento de tropas devido à grande mobilidade dos veículos blindados apoiado pela artilharia e infantaria.

Foi nessa conjuntura que surgiu o fuzil de assalto, o infante combatia agora a curtas distancias, sendo que muitas vezes o embate ocorria em áreas urbanas, um campo de batalha que não havia sido explorado até o momento; diferentemente do combate em campo aberto, não havia o apoio instantâneo do fogo das metralhadoras, as quais necessitavam ser montadas e o encontro com o inimigo era inesperado.

Os fuzis de assalto representam um salto enorme no campo bélico. Essas metralhadoras portáteis podem ser usadas como metralhadoras de mão a curtas distâncias e como fuzis poderosos a longa distância. São armas tão poderosas, que hoje são a arma principal de todos os exércitos do mundo.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Fidel recrutou ex-nazistas da SS para treinar Exército cubano

Globo.com, 16/10/2012

Documentos do serviço de inteligência alemão (da sigla alemã, BND) revelaram que Fidel Castro contratou ex-nazistas para treinar o exército cubano durante o episódio que ficou conhecido como a Crise dos Mísseis, entre os Estados Unidos e a União Soviética, em outubro de 1962.

De acordo com o relatório, baseado em documentos confidenciais recém-divulgados, o presidente cubano chegou a contratar quatro ex-oficiais da SS, uma divisão do Exército nazista, que iriam embarcar rumo a Cuba no dia 25 de outubro de 1962 para treinar tropas na ilha.

Posteriormente, foi relatado que somente dois dos quatro oficiais realmente chegaram ao país.

"Como pagamento foram oferecidos o equivalente a mil marcos alemães por mês, em moeda cubana, e mais mil marcos alemães por mês, na cotação desejada, em uma conta de um banco na Europa", detalha o documento.

Bodo Hechelhammer, coordenador de pesquisa do BND, explica que Fidel tentava buscar formas alternativas de proteger Cuba, que não fossem ligadas aos soviéticos.

"Obviamente, o exército revolucionário cubano mostrou não ter medo de estabelecer contato com pessoas de passado nazista, quando isto era útil para a própria causa", argumenta Hechelhammer.

A Crise dos Mísseis de Cuba, no auge da Guerra Fria, fez 50 anos no último domingo. Na ocasião, Estados Unidos e a União Soviética estiveram à beira de um conflito nuclear.

A guerra iminente só foi afastada quando os soviéticos concordaram em retirar os mísseis da ilha e os americanos fizeram o mesmo com armamentos similares na Europa.

O impasse, que durou 13 dias, resultou em um bloqueio a Cuba imposto por Washington e um abalo nas relações entre Cuba e União Soviética.

Compra de armas com extrema direita

Fidel Castro, na ocasião, ficou descontente com a forma com que os comunistas russos enfrentaram a crise.

O documento alemão revela ainda que o líder cubano se aproximou de dois traficantes de armas ligados a extrema direita alemã para comprar pistolas de fabricação belga.

De acordo com os arquivos do BND, o político alemão, Ernst-Wilhelm Springer, e o ex-oficial da Wehrmacht (as forças armadas nazistas), Otto Ernst Remer, vendiam armas internacionalmente e, mesmo pertencendo a um grupo de extrema direita, foram contactados pelo comunista cubano, que buscava formas alternativas de armar o seu Exército.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/10/fidel-recrutou-ex-nazistas-da-ss-para-treinar-exercito-cubano.html