Dr. Jacques R. Pauwels, 08/06/2004
Nos Estados Unidos, a Segunda Guerra Mundial é geralmente conhecida como “a boa guerra”. Contrariamente a algumas guerras da América admitidamente más, tais como as Guerras Índias quase genocidas e o conflito cruel no Vietnã, a Segunda Guerra é extensamente celebrada como uma “cruzada” na qual os EUA lutaram incondicionalmente ao lado da democracia, liberdade e justiça contra a ditadura. Não admira que o presidente George W. Bush gosta de comparar sua atual “guerra contra o terrorismo” com a Segunda Guerra Mundial, sugerindo que a América está mais uma vez envolvida no lado correto em um conflito apocalíptico entre o bem e o mal. Guerras, contudo, nunca foram tão preto-e-branco quanto o Sr. Bush quer que acreditemos, e isto também se aplica à Segunda Guerra Mundial. A América certamente merece crédito por sua importante contribuição na vitória duramente conseguida que foi conseguida pelos Aliados. Mas o papel da América corporativa na guerra dificilmente pode ser sintetizado pela afirmação do presidente Roosevelt de que os EUA eram o “arsenal da democracia”. Quando os americanos desembarcaram na Normandia em junho de 1944 e capturaram os primeiros caminhões alemães, eles descobriram que estes veículos eram movidos por motores produzidos por firmas americanas como a Ford e a General Motors.[1] A América corporativa, pode-se dizer, também serviu como arsenal do Nazismo.[1]
Fãs do Führer
Mussolini tinha uma grande admiração pela América corporativa a partir do momento em que chegou ao poder por um golpe que foi celebrado nos EUA como “uma magnífica revolução jovem.”[2] Hitler, por outro lado, enviou sinais ambíguos. Como suas contrapartes alemãs, os empresários americanos se preocuparam com as intenções e os métodos deste levante popular, cuja ideologia era chamada Nacional Socialismo, cujo partido identificava-se como um partido dos trabalhadores, e que falava de forma preocupante em trazer uma mudança revolucionária.[3] Alguns líderes poderosos da América corporativa, entretanto, como Henry Ford gostavam e admiravam o Führer no início.[4] Outros admiradores precoces de Hitler eram o lorde da imprensa Randolph Hearst e Irene Du Pont, chefe do conglomerado Du Pont, que, de acordo com Charles Higham, já estava “acompanhando entusiasticamente a carreira do futuro Führer nos anos 1920” e o apoiou financeiramente.[5]
Eventualmente, a maioria dos capitães da indústria americana aprenderam a amar o Führer.[2]
É freqüentemente sugerido que a fascinação por Hitler era uma questão de personalidades, uma questão de psicologia. Personalidades autoritárias não poderiam supostamente ajudar, mas gostar e admirar de um homem que pregava as virtudes do “princípio da liderança” e praticava o que ele defendia primeiro em seu partido e depois na Alemanha como um todo. Apesar dele citar outros fatores, é essencialmente em tais termos que Edwin Black, autor do excelente livro “A IBM e o Holocausto”, explica o caso do executivo da IBM Thomas J. Watson, que encontrou-se com Hitler algumas vezes nos anos 1930 e tornou-se fascinado pelo novo governante autoritário da Alemanha. Mas é no reino da economia política, não na psicologia, que podemos compreender mais diretamente por que a América corporativa abraçou Hitler.[3]
Nos anos 1920, muitas corporações grandes americanas praticavam investimentos robustos na Alemanha. A IBM criou uma subsidiária alemã, Dehomag, antes da Primeira Guerra Mundial; nos anos 1920, a General Motors comprou o maior fabricante automobilístico da Alemanha, a Adam Opel AG; e Ford fundou uma planta filial, mais tarde conhecida como Ford-Werke, em Colônia. Outras firmas americanas fizeram parcerias estratégicas com companhias alemãs. A Standard Oil de Nova Jersey – atualmente, Exxon – desenvolveu ligações íntimas com o conglomerado IG Farben. No início dos anos 1930, uma elite de cerca de vinte das maiores corporações americanas tinham uma conexão alemã, incluindo a Du Pont, Union Carbide, Westinghouse, General Electric, Gilette, Goodrich, Singer, Eastman Kodak, Coca-Cola, IBM e ITT. Finalmente, muitas firmas de advocacia, companhias de investimento, e bancos estavam profundamente envolvidos na ofensiva de investimentos da América na Alemanha, entre elas o renomado escritório de advocacia de Wall Street Sullivan & Cromwell, e os bancos J. P. Morgan e Dillon, Read e Companhia, assim como o Union Bank de Nova York, pertencente ao Brown Brothers & Harriman. O Union Bank estava intimamente ligado com o império do magnata do aço Thyssen, cujo apoio financeiro permitiu a Hitler chegar ao poder. Este banco era administrado por Prescott Bush, avô de George W. Bush. Prescott Bush era também supostamente um simpatizante de Hitler, direcionou dinheiro para ele por meio da Thyssen, e em troca ganhou lucros consideráveis ao fazer negócios com a Alemanha Nazista; com os lucros, ele lançou seu filho, que se tornou presidente mais tarde, no negócio do petróleo.[6][4]
Os empreendimentos estrangeiros americanos não se deram muito bem no início dos anos 1930, já que a Grande Depressão atingiu a Alemanha de forma particularmente cruel. A produção e os lucros caíram vertiginosamente, a situação política era extremamente instável, havia greves constantes e batalhas urbanas entre nazistas e comunistas, e muitos temiam que o país fosse varrido por uma revolução “vermelha”, como aquela que levou os bolchevistas ao poder na Rússia em 1917. Entretanto, apoiado pelo poder e dinheiro dos industriais e banqueiros alemães tais como Thyssen, Krupp e Schacht, Hitler chegou ao poder em janeiro de 1933, e não somente a situação política mudou drasticamente, mas também a sócio-econômica. Logo, as subsidiárias alemãs das corporações americanas estavam lucrativas novamente. Por quê?[5]
Após chegar ao poder, os líderes de negócios americanos com propriedades na Alemanha ficaram imensamente satisfeitos que sua assim chamada revolução respeitava o status quo sócio-econômico. O modelo fascista teutônico do Führer, como outros tipos de fascismo, era reacionário por natureza, e extremamente útil aos objetivos capitalistas. Levado ao poder por empresários e banqueiros importantes da Alemanha, Hitler serviu aos interesses de seus “patrocinadores”. Sua primeira iniciativa de peso foi dissolver as uniões trabalhistas e colocar os comunistas, e muitos militantes socialistas, em prisões e nos primeiros campos de concentração, os quais foram especificamente criados para acomodar a abundância de prisioneiros políticos de esquerda. Esta medida dura não somente impediu a ameaça de mudança revolucionária – encabeçada pelos comunistas alemães – mas também enfraqueceu a classe trabalhadora e transformou-a em uma mera “massa de seguidores” (Gefolgschaft), usando a terminologia nazista, que fi colocada incondicionalmente à disposição de seus empregadores, os Thyssens e os Krupps. [6]
A maioria, senão todas as empresas na Alemanha, incluindo as filiais americanas, avidamente aproveitaram esta situação e cortaram custos trabalhistas drasticamente. A Ford-Werke, por exemplo, reduziu os custos trabalhistas de 15% do volume de negócios em 1933 para somente 11% em 1938. A planta de engarrafamento da Coca-Cola em Essen aumentou sua lucratividade consideravelmente porque, no Estado de Hitler, os trabalhadores “eram um pouco mais do que servos proibidos não somente de fazer greve, mas também de mudar de emprego,” convencidos a “trabalhar mais e mais rapidamente” enquanto seus salários “eram deliberadamente estabelecidos no mínimo.”[7] Na Alemanha Nazista, não havia problemas trabalhistas dignos de serem mencionados, de modo que qualquer tentativa de organizar uma greve imediatamente acionava uma resposta armada da Gestapo, resultando em prisões e demissões. Este foi o caso na fábrica da Opel da GM em Rüsselsheim em junho de 1936. Como o professor da Turíngia e membro da resistência anti-fascista Otto Jenssen escreveu após a guerra, os líderes corporativos da Alemanha estavam felizes que “o medo do campo de concentração tenha tornado os trabalhadores alemães dóceis como cachorrinhos.”[8] Os proprietários e administradores das corporações americanas com investimentos na Alemanha não estavam menos encantados, e se eles expressassem abertamente sua admiração por Hitler – como fez o executivo da General Motors, William Knudsen e o chefe da ITT Sosthenes Behn – seria sem dúvida pela forma como ele resolveu os problemas sociais da Alemanha de um modo que beneficiou seus interesses.[9][7]
Depressão? Que Depressão?
Hitler tornou-se querido para a América Corporativa por outra razão muito importante: ele encontrou uma solução para a Grande Depressão. Seu remédio provou ser uma espécie de estratagema keynesiano, onde ordens governamentais estimulavam a demanda, colocaram a produção nos trilhos novamente e tornaram possível para as empresas – incluindo as estrangeiras – aumentar os níveis de produção dramaticamente para atingir um nível sem precedentes de lucratividade. O que o Estado Nazista contratou da indústria alemã, contudo, era equipamento militar e estava claro que a política de rearmamento levaria inexoravelmente à guerra, pois somente os espólios resultantes de uma guerra vitoriosa permitiriam ao regime pagar as altas contas apresentadas pelos fornecedores. O programa de rearmamento nazista revelou-se uma janela de oportunidade para as subsidiárias das corporações americanas. Ford diz que a Ford-Werke foi discriminada pelo regime nazista por causa de sua origem estrangeira, mas explica que na segunda metade dos anos 1930 sua filial de Colônia foi “formalmente certificada (pelas autoridades nazistas)... como sendo de origem alemã” e, portanto, “elegível a receber contratos governamentais.” Ford tirou vantagem desta oportunidade, apesar dos pedidos governamentais serem quase exclusivamente para equipamento militar.[8]
A filial alemã de Ford teve pesadas perdas no início dos anos 1930, entretanto, com os lucrativos contratos governamentais graças à política de rearmamento de Hitler, os lucros anuais da Ford-Werke cresceram espetacularmente de 63.000 RM em 1935 para 1.287.800 RM em 1939. A fábrica da Opel da GM em Rüsselheim, próximo a Mainz, saiu-se melhor ainda. Sua participação no mercado automobilístico alemão cresceu de 35% em 1933 para mais de 50% em 1935 e a subsidiária da GM, que tinha perdido quase todo o dinheiro no início dos anos 1930, tornou-se extremamente lucrativa graças ao boom econômico provocado pelo rearmamento de Hitler. Ganhos de 35 milhões de RM – quase 14 milhões de dólares americanos – foram registrados em 1938. [10] Em 1939, na véspera da guerra, o executivo da GM, Alfred P. Sloan, justificou publicamente fazer negócio com a Alemanha de Hitler argumentando a natureza altamente lucrativa das operações da GM sob o Terceiro Reich.[11] Outra corporação americana que aproveitou a bonança no Terceiro Reich de Hitler foi a IBM.
Sua subsidiária alemã, Dehomag, forneceu aos nazistas o cartão perfurado – antecessor do computador – necessário para automatizar a produção no país, e ao fazer isso, a IBM alemã ganhou muito dinheiro. Em 1933, o ano em que Hitler chegou ao poder, a Dhomag teve um lucro de U$ 1 milhão, e durante os primeiros anos de Hitler a filial alemã enviou à IBM cerca de 4,5 milhões em dividendos. Por volta de 1938, ainda em total depressão, “os ganhos anuais foram de cerca de 2,3 milhões de RM, um retorno de 16% em lucro líquido,” escreve Edwin Black. Em 1939, os lucros da Dehomag aumentaram espetacularmente de novo para 4 milhões de RM.[9]
As firmas americanas com filiais na Alemanha não eram as únicas a aproveitar os bons ventos trazidos pelo rearmamento de Hitler. A Alemanha estava armazenando petróleo para a preparação para a guerra, e muito deste petróleo foi fornecido por companhias americanas. A Texaco lucrou grandemente com as vendas para a Alemanha Nazista, e sem surpresa seu executivo, Torkild Rieber, tornou-se outro empreendedor americano admirador de Hitler. Um membro do serviço secreto relatou que ele era “absolutamente pró-alemão” e “um sincero admirador do Führer.” Rieber também tornou-se um amigo pessoal de Göring, o czar econômico de Hitler.[12] Quanto a Ford, esta companhia não somente produziu para os nazistas na própria Alemanha, mas também exportou caminhões parcialmente montados diretamente dos EUA para a Alemanha. Estes veículos foram montados na Ford-Werke em Colônia e estavam prontos em tempo para serem usados na primavera de 1939, durante a ocupação de Hitler de parte da Tchecoslováquia que não havia sido cedida a ele pelo infame Acordo de Munique no ano anterior. Além disso, no final dos anos 1930, a Ford despachou matérias primas estratégicas para a Alemanha, algumas vezes por meio das subsidiárias em países terceiros; no início de 1937 somente, estes embarques incluíram quase dois milhões de libras de borracha e 130.000 libras de cobre.[10]
As corporações americanas ganharam muito dinheiro na Alemanha de Hitler; isto, e não o alegado carisma do Führer, é a razão por que os proprietários e executivos destas corporações o adoravam. Por outro lado, Hitler e seus colegas estavam muito satisfeitos com a performance do capital americano no Estado Nazista. De fato, a produção de equipamento militar das subsidiárias americanas encontrava - e mesmo superava - as expectativas da liderança nazista. Berlim prontamente pagava a conta e Hitler pessoalmente mostrava seu apreço ao condecorar pessoas como Henry Ford, Thomas Wilson da IBM e o diretor de exportação da GM, James D. Mooney.[11]
O valor dos investimentos americanos na Alemanha aumentou consideravelmente após Hitler chegar ao poder em 1933. A principal razão para isto é que o regime nazista não permitia que os lucros realizados por firmas estrangeiras fossem repatriados, pelo menos em teoria. Na realidade, as sedes corporativas podiam burlar este embargo por meio de estratagemas como cobrar a subsidiária alemã por “royalties” e todo tipo de taxas. Além disso, a restrição significava que os lucros eram novamente investidos dentro da terra da oportunidade que a Alemanha parecia ser na época, por exemplo, na modernização das instalações existentes, na construção ou aquisição de novas fábricas e na compra de títulos do Reich e bens imóveis. A IBM assim reinvestia considerável parte de seus ganhos em uma nova fábrica em Berlim-Lichterfelde, numa expansão de suas instalações em Sindelfingen próximo a Stuttgart, em numerosas filiais pelo Reich e na compra de propriedades alugadas em Berlim e outros bens imóveis e propriedades. Nestas circunstâncias, o valor do grupo alemão da IBM aumentou consideravelmente, no final de 1938 o valor da Dehomag dobrou de 7,7 milhões de RM em 1934 para 14 milhões de RM. O valor total das propriedades da Ford-Werke analogamente disparou nos anos 1930, de 25,8 milhões de RM em 1933 para 60,4 milhões de RM em 1939. O investimento americano na Alemanha continuou assim a expandir sob Hitler e acumulou para U$ 475 milhões na época de Pearl Harbor.[13] [12]
Melhor Hitler do que “Rosenfeld”
Ao longo dos “anos trinta sujos”, os lucros corporativos nos EUA continuaram estagnados, em casa firmas como a GM e a Ford poderiam apenas sonhar no tipo de riquezas que suas filiais na Alemanha estavam acumulando graças a Hitler. Além disso, em casa a América corporativa experimentou problemas com atividades trabalhistas, comunistas e outros radicais. E sobre os feitos cruéis da personalidade e regime do Führer? Eles não incomodavam os líderes da América Corporativa? Aparentemente não muito, se é que incomodavam. O ódio racial propagado por Hitler, por exemplo, nem de perto ofendeu suas sensibilidades.
Acima de tudo, o racismo contra não-brancos permaneceu sistemático pelos EUA e o anti-semitismo era comum na classe corporativa. Nos clubes exclusivos e hotéis de classe utilizados pelos capitães da indústria, os judeus eram raramente admitidos; e alguns dos líderes da América corporativa eram abertamente anti-semitas.[14] No início dos anos 1920, Henry Ford lançou um livro claramente anti-semita, O Judeu Internacional, que foi traduzido para muitas línguas; Hitler leu a versão alemã e reconheceu mais tarde que ele forneceu-lhe inspiração e encorajamento. Um outro magnata notoriamente anti-semita era Irene Du Pont, apesar da família Du Pont ter ascendência judaica. [15] [13]
O anti-semitismo da América corporativa era muito parecido com o de Hitler, cuja visão do Judaísmo era intimamente associada à sua visão do Marxismo, como Arno J. Mayer argumentou de forma convincente em seu livro Why Did the Heavens not Darken? [16] Hitler se autoproclamava um socialista, mas o seu era um socialismo “nacional”, um socialismo somente para alemães racialmente puros. Quanto ao socialismo original, que pregava a solidariedade internacional da classe trabalhadora e encontrou sua inspiração no trabalho de Karl Marx, era desprezado por Hitler como sendo uma ideologia judaica cujo objetivo era a escravidão ou mesmo a destruição dos alemães e outros povos “arianos”. Hitler rotulou como “judeu” todas as formas de Marxismo, mas nenhum mais que o Comunismo (ou “Bolchevismo”) e denunciou a União Soviética como o lar do socialismo internacional “judaico”.[14]
Nos anos 1930, o anti-semitismo da América corporativa de modo análogo revelou-se ser o outro lado da moeda do anti-socialismo, anti-marxismo e doença vermelha. A maioria dos homens de negócio americanos denunciou o New Deal de Roosevelt como uma intromissão socialista na economia. Os anti-semitas da América corporativa consideravam Roosevelt um pró-comunista e um agente dos interesses judeus, senão ele próprio um judeu; ele era rotineiramente conhecido como “Rosenfeld”, e seu New Deal era caluniado de “Jew Deal”.[17] Em seu livro The Flivver King, Upton Sinclair descreveu o publicamente anti-semita Henry Ford sonhando com um movimento fascista que “prometesse expulsar os Vermelhos e preservar os interesses privados no país; retirar o bolchevista (Roosevelt) da Casa Branca e todos os seus assessores esquerdistas do serviço público... (e) tornar ofensa inafiançável falar em comunismo ou organizar uma greve.” [18] Outros magnatas americanos também esperavam por um salvador fascista que livraria a América de seus “vermelhos” e assim restaurar a prosperidade e a lucratividade. Du Pont deu generoso apoio financeiro às próprias organizações fascistas da América, tais como a infame “Legião Negra” e esteve mesmo envolvido em planos para um golpe de estado em Washington. [19] [15]
Por que se preocupar com a Guerra Vindoura?
Era muito óbvio que Hitler, que estava rearmando a Alemanha até os dentes, iria provocar uma grande guerra mais cedo ou mais tarde. Quaisquer preocupações que os capitães da indústria da América tivessem tido a este respeito logo dissiparam-se, pois os especialistas da diplomacia e negócios internacionais nos anos 1930 esperavam enormemente que Hitler pouparia os países ocidentais, e ao invés disso atacasse e destruísse a União Soviética como prometido no Mein Kampf.
Para encorajá-lo e ajudá-lo nesta tarefa que ele considerava sua grande missão na vida [20], foi o objetivo implícito da infame política de apaziguamento perseguida por Londres e Paris, e tacitamente aprovada por Washington. [21] Os líderes corporativos em todos os países ocidentais, incluindo mais enfaticamente os EUA, odiavam a União Soviética porque aquele Estado era o berço do “contra-sistema” comunista à ordem das coisas do capitalismo internacional, e uma fonte de inspiração para os próprios “vermelhos” da América. Além disso, eles consideravam particularmente ofensivo que o lar do comunismo não foi afetado pela Grande Depressão, mas experimentou uma revolução industrial que foi favoravelmente comparada pelo historiador Americano, John H. Backer com o celebrado “milagre econômico” da Alemanha Ocidental após a Segunda Guerra Mundial. [16] (N. do T.: lembrando que essa industrialização forçada foi o principal motivo para o Holodomor, o genocídio de 7 milhões de ucranianos.)
A política de apaziguamento era um esquema de desvio, cujo objetivo real tinha que ser Escondido dos públicos britânico e francês. Ela correspondeu bem porque seus contornos eventualmente fizeram Hitler suspeitar das reais intenções de Londres e Paris, e obrigá-lo a fazer um acordo com Stalin, e assim levar a guerra da Alemanha contra a França e a Grã-Bretanha ao invés da União Soviética. Mesmo assim, o sonho de uma cruzada alemã contra a União Soviética comunista em nome do Ocidente capitalista se recusou a morrer.
Londres e Paris apenas lançaram uma “Guerra de mentira” contra a Alemanha, esperando que Hitler eventualmente se virasse contra a União Soviética afinal. Esta era também a idéia por trás das missões quase-oficiais a Londres e Berlim, feita por James D. Mooney da GM, que tentou muito – assim como o embaixador Americano em Londres, Joseph Kennedy, pai de John F. Kennedy – persuadir os líderes alemão e britânico a resolver seu conflito inconveniente, de modo que Hitler pudesse dedicar atenção única para seu grande projeto no leste. Em um encontro com Hitler em março de 1940, Mooney fez um apelo para a paz na Europa ocidental, sugerindo que “os americanos haviam compreendido a questão do espaço vital da Alemanha” – em outras palavras, que eles não tinham nada contra suas exigências territoriais no Leste. [23]
Estas iniciativas americanas, contudo, não produziram os resultados esperados.
Os proprietários e executivos das corporações americanas com subsidiárias na Alemanha sem dúvida lamentaram que a guerra que Hitler havia lançado em 1939 era uma guerra contra o Ocidente, mas na análise final isso não interessa muito. O que interessa foi isso: ajudar Hitler a se preparar para a guerra foi um bom negócio e a guerra em si abriu mesmo mais possibilidades extravagantes para fazer negócios e conseguir lucros. [17]
Colocando a Blitz na Blitzkrieg
Os sucessos militares da Alemanha em 1939 e 1940 foram baseados em uma nova e extremamente móvel forma de Guerra, a Blitzkrieg, consistindo de ataques extremamente rápidos e altamente sincronizados por ar e por terra. Para conseguir a “guerra relâmpago”, Hitler precisava de motores, tanques, caminhões, aviões, óleo diesel, gasolina, borracha e sistemas de comunicação sofisticados para garantir que os Stukas atacassem em sincronismo com os Panzers. Muito deste equipamento foi fornecido por firmas americanas, principalmente subsidiárias alemãs de grandes companhias americanas, mas alguns exportados dos EUA, geralmente por meio de países terceiros. Sem este tipo de apoio americano, o Führer somente poderia ter sonhado com “guerras relâmpagos”, seguidas de “vitórias relâmpagos”, em 1939 e 1940. [18]
Muitas das rodas e asas foram produzidas nas subsidiárias alemãs da GM e Ford. No final dos anos 1930, estas empresas haviam cessado a produção civil e focado exclusivamente no desenvolvimento de equipamento militar para o exército alemão e força aérea. Esta mudança, pedida – senão ordenada – pelas autoridades nazistas, não havia sido só aprovada como também encorajada pelas matrizes corporativas nos EUA. A Ford-Werke em Colônia construiu não somente incontáveis caminhões e viaturas, mas também motores e peças sobressalentes para a Wehrmacht. A nova fábrica da Opel da GM em Brandenburgo entregou caminhões “Blitz” para a Wehrmacht, enquanto que a fábrica principal em Rüsselsheim produziu primariamente para a Luftwaffe, montando aviões tais como o JU-88, o burro de carga da frota alemã de bombardeiros. Em um determinado momento, a Gm e a Ford juntas eram responsáveis por metade da produção inteira de tanques. Enquanto isso, a ITT adquiriu um quarto das ações do fabricante de aviões Focke-Wulf e assim ajudou a construir caças. [19]
Talvez os alemães pudessem ter montado veículos e aviões sem a ajuda americana. Mas a Alemanha precisava desesperadamente de matérias primas estratégicas, tais como borracha e petróleo, que eram necessárias para lutar uma guerra baseada em mobilidade e velocidade. As companhias americanas vieram ao resgate.
Como mencionado antes, a Texaco ajudou os nazistas a armazenar combustível. Além disso, à medida que a Guerra na Europa prosseguia, grandes quantidades de diesel, óleo lubrificante e outros derivados do petróleo eram enviados à Alemanha não somente pela Texaco, mas também pela Standard Oil, a maioria por meio dos portos espanhóis. (A Marinha de Guerra alemã, casualmente, foi abastecida com combustível pelo magnata do petróleo do Texas William Rhodes Davis.) [26] Nos anos 1930, a Standard Oil ajudou a IG Farben a desenvolver combustível sintético como uma alternativa ao petróleo comum, do qual a Alemanha precisava importar cada gota. Albert Speer, o arquiteto de Hitler e ministro do armamento na guerra, disse após a guerra que sem alguns tipos de combustível sintético fornecido pelas firmas americanas. Hitler “jamais teria considerado invadir a Polônia.” [27] Quanto aos Focke-Wulfs e outros caças ligeiros alemães, eles não poderiam ter atingido suas velocidades mortais sem um componente em seus combustíveis conhecido como tetraetil sintético; os próprios alemães mais tarde admitiram que sem o tetraetil o conceito inteiro de Blitzkrieg de guerra teria sido impensável. Este ingrediente mágico foi produzido por uma empresa chamada Ethyl GmbH, uma firma filho de um trio formado por Standard Oil, o parceiro alemão da Standard, a IG Farben e a GM. [28] [20]
A Guerra Blitzkrieg envolvia ataques perfeitamente sincronizados por terra e ar, e isto exigia equipamento de comunicação altamente sofisticado. A subsidiária alemã da ITT forneceu a maior parte do aparelho, enquanto outra tecnologia estado-da-arte útil para os objetivos da Blitzkrieg veio da IBM, por meio de sua filial alemã, a Dehomag. De acordo com Edwin Black, o know-how da IBM permitiu à máquina de Guerra nazista “alcançar escala, velocidade e eficiência”; A IBM, ele conclui, “colocou o ‘blitz’ no ‘krieg’ para a Alemanha Nazista.” [21]
Da perspectiva da América corporativa, não era nenhuma catástrofe a Alemanha estar impondo sua força sobre o continente europeu no verão de 1940. Algumas subsidiárias alemãs de companhias americanas – por exemplo, a Ford-Werke e a planta de engarrafamento da Coca-Cola em Essen – estavam expandindo nos territórios ocupados, seguindo os passos da vitoriosa Wehrmacht. O presidente da IBM, Thomas Watson, estava confiante de que sua filial alemã teria vantagens com o triunfo de Hitler. Black escreve: “Como muitos (outros homens de negócios americanos), Watson esperava” que a Alemanha permanecesse o mestre da Europa, e que a IBM se beneficiaria disto “dominando o domínio dos dados,” isto é, fornecendo à Alemanha as ferramentas tecnológicas para o controle total. [22]
Em 26 de junho de 1940, uma delegação comercial alemã organizou um jantar no hotel Waldorf-Astoria em Nova York para celebrar as vitórias da Wehrmacht na Europa Ocidental. Muitos líderes industriais foram no evento, incluindo James D. Mooney, o executivo encarregado das operações da GM alemã. Cinco dias depois, as vitórias alemãs foram novamente celebradas em Nova York, desta vez em uma festa patrocinada pelo pró-fascismo Rieber, chefe da Texaco. Entre os líderes da América corporativa presentes estavam James D. Mooney e o filho de Henry Ford, Edsel. [29] [23]
Que Guerra Maravilhosa!
1940 provou ser um ano excepcionalmente bom para a América corporativa. Não somente as subsidiárias na Alemanha compartilhavam os espólios dos triunfos de Hitler, mas o conflito europeu estava criando outras oportunidades maravilhosas. A própria América estava agora se preparando para uma possível guerra, e de Washington ordens para caminhões, tanques, aviões e navios começaram a ser feitas. Além disso, inicialmente em uma base estrita de “pague-e-leve” e então através do “Lend-Lease”, o presidente Roosevelt permitiu que a indústria americana suprisse a Grã-Bretanha como equipamento militar e outras máquinas, assim permitindo que o pequeno bravo Álbion continuasse a guerra contra Hitler indefinidamente. Pelo final de 1940, todos os países beligerantes assim como os neutros, como os EUA, estavam sendo abastecidos com armas fornecidas pelas fábricas da América corporativa, independentemente no país, na Grã-Bretanha (onde Ford e os outros tinham também plantas industriais) ou na Alemanha. [24]
Era uma guerra maravilhosa, realmente, e quanto mais ela durasse, melhor – do ponto de vista corporativo. A América corporativa não queria que Hitler perdesse a guerra, mas também que não a ganhasse; ela queria que essa guerra se prolongasse o maior tempo possível.
Henry Ford havia inicialmente se recusado a produzir armas para a Grã-Bretanha, mas agora ele tinha mudado de opinião. De acordo com seu biógrafo, David Lanier Lewis, ele “expressou a esperança de que nem os Aliados nem o Eixo pudessem ganhar (a guerra),” e sugeriu que os EUA deveriam fornecer tanto os Aliados como o Eixo com “as ferramentas para mantê-los lutando até que ambos entrassem em colapso.” [30] [25]
Em 22 de junho de 1941, a Wehrmacht atravessou a fronteira soviética, abastecido pelos motores da Ford e GM e equipado com as ferramentas produzidas na Alemanha com capital e know-how americanos. Enquanto muitos dos líderes da América Corporativa esperavam que os nazistas e os soviéticos se mantivessem presos tanto tempo quanto possível em uma guerra que os debilitariam,[31] assim prolongando a guerra europeia que estava provando ser tão lucrativa, os especialistas em Washington e Londres prediziam que os soviéticos seriam esmagados, “como um ovo” pela Wehrmacht. [32] A URSS, entretanto, tornou-se o primeiro país a levar a Blitzkrieg a um impasse. E, em 5 de dezembro de 1941, o Exército Vermelho mesmo lançou uma contra-ofensiva. [33] Ficou evidente, então, que os alemães estariam ocupados por algum tempo na Frente Oriental, de modo que isso permitiria aos britânicos continuar na guerra, e que o lucrativo negócio do Lend-Lease continuaria indefinidamente. A situação tornou-se mais vantajosa para a América corporativa quando aquele negócio poderia ser estendido também aos soviéticos.
De fato, em novembro de 1941, quando havia se tornado claro que a União Soviética não entraria em colapso, Washington concordou em estender crédito para Moscou, e concluiu um acordo Lend-Lease com a URSS, assim fornecendo às grandes companhias americanas outro mercado para seus produtos. [26]
A Ajuda Americana aos Soviéticos... e aos Nazistas
Após a guerra, seria costume no Ocidente afirmar que o sucesso inesperado contra a Alemanha Nazista foi possível graças à assistência maciça americana, fornecida em termos do acordo Lend-Lease entre Washington e Moscou, e que sem esta ajuda a União Soviética não teria sobrevivido ao ataque nazista. Esta afirmação é duvidosa. Primeiro, a assistência material americana não foi significativa antes de 1942, isto é, muito tempo após os soviéticos terem colocado um fim no progresso feito pela Wehrmacht e tivessem lançado sua contra-ofensiva. Segundo, a ajuda americana nunca representou mais do que quatro ou cinco por cento da produção de guerra soviética, apesar de que deve ser admitido que mesmo uma margem pequena pode ter provado ser crucial numa situação de crise. Terceiro, os próprios soviéticos desenvolveram todo tipo de armamento leve e pesado de qualidade – tal como o tanque T-34, provavelmente o melhor blindado da Segunda Guerra Mundial – que fez tornou o sucesso contra a Wehrmacht possível. [34] Finalmente, o muito tagarelado Lend-Lease para a URSS foi em grande parte neutralizado – e certamente diminuído – pela assistência não-oficial, discreta, porém importante, dada pelas fontes corporativas americanas aos inimigos alemães dos soviéticos. Em 1940 e 1941, os trustes americanos do petróleo aumentaram as lucrativas exportações de combustível para a Alemanha; grandes quantidades entregues à Alemanha Nazista por meio de estados neutros. A participação americana das importações alemãs de derivados importantes para lubrificação de motores (Motorenol) aumentou rapidamente, de 44% em julho de 1941 para 94% em setembro de 1941. Sem o suprimento de combustível dos EUA, o ataque alemão contra a União Soviética não teria sido possível, de acordo com o historiador alemão Tobias Jersak, uma autoridade no campo do “combustível americano para o Führer”. [35] [27]
Hitler ainda estava ruminando as notícias catastróficas da contra-ofensiva soviética e a falha da Blitzkrieg no Leste, quando soube que os japoneses haviam lançado um ataque surpresa em Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941. Os EUA estavam agora em guerra com o Japão, mas Washington não fez nenhum movimento para declarar guerra contra a Alemanha. Hitler não tinha nenhuma obrigação para correr em auxílio de seus amigos japoneses, mas em 11 de dezembro, ele declarou guerra aos EUA, provavelmente esperando – futilmente como se provou mais tarde – que o Japão em troca declarasse guerra contra a União Soviética. A declaração desnecessária de guerra de Hitler, acompanhada por uma declaração fútil de guerra italiana, tornaram os EUA um participante ativo na guerra na Europa. Como isto afetou as propriedades alemãs das grandes corporações americanas? [36] [28]
Negócios como sempre
As subsidiárias alemãs das corporações americanas não foram confiscadas brutalmente pelos nazistas e tiradas do controle das sedes americanas até a derrota da Alemanha em 1945, como as companhias afirmaram após a guerra. Lembrando as propriedades da Ford e GM, por exemplo, o especialista alemão Hans Helms diz, “nem mesmo uma vez durante este regime de terror os nazistas fizeram a menor tentativa de mudar o status de posse da Ford (isto é, da Ford-Werke) ou Opel.” [37] mesmo após Pearl Harbor, Ford manteve seus 52% das ações da Ford-Werke em Colônia, e a GM manteve-se como único proprietário da Opel. [29]
Além disso, os donos americanos mantiveram algumas vezes considerável controle sobre suas filiais na Alemanha após a declaração de guerra alemã contra os EUA. Há evidência que as sedes corporativas nos EUA e nas filiais na Alemanha mantiveram contato entre si, mesmo indiretamente, por meio das subsidiárias na Suíça neutra, ou diretamente por meio dos modernos sistemas de comunicação mundiais. O último foi fornecido pela ITT em colaboração com a Transradio, uma joint venture da própria ITT, RCA (uma outra companhia americana) e as firmas alemãs Siemens e Telefunken. [38] Em seu recente relatório sobre suas atividades na Alemanha Nazista, a Ford afirma que sua sede corporativa em Dearborn não teve nenhum contato direto com a subsidiária alemã após Pearl Harbor. Quanto à possibilidade de comunicações por meio das filiais em países neutros, o relatório diz que “não há indícios de comunicação entre si através dessas subsidiárias.” Entretanto, a falta de tal “indício” pode simplesmente significar que qualquer evidência de contatos pode ter sido perdidos ou destruídos antes que os autores do relatório tivessem tido acesso aos arquivos relevantes; acima de tudo, este acesso a arquivos foi somente permitido após 50 anos dos acontecimentos. Além disso, o próprio relatório reconhece alguma contradição ao dizer que um executivo da Ford-Werke viajou para Lisboa em 1943 para uma visita à subsidiária portuguesa da Ford, e é extremamente difícil acreditar que Dearborn não estivesse informada sobre o caso. [30]
Quanto à IBM, Edwin Black escreve que durante a guerra seu gerente geral para a Europa, Dutchman J. W. Schotte, estava estacionado na sede corporativa em Nova York, onde ele “continuou a manter comunicação regular com as subsidiárias da IBM em território nazista, tais como sua terra natal Holanda e a Bélgica.” A IBM também podia “monitorar eventos e exercer autoridade na Europa através das subsidiárias nos países neutros,” e especialmente através de seu escritório suíço em Genebra, cujo diretor, um cidadão suíço, “viajava livremente para e da Alemanha, territórios ocupados e países neutros.” Finalmente, como qualquer outra companhia americana, a IBM podia também confiar nos diplomatas americanos estacionados em países ocupados ou neutros para transmitir mensagens por meio de correio diplomático. [31]
Os nazistas não somente permitiram aos proprietários americanos reter posse e uma certa quantidade de controle administrativo sobre suas propriedades e subsidiárias alemãs, como sua intervenção na administração da Opel e da Ford-Werke foi mínimo. Após a declaração de guerra alemã contra os EUA, os membros do staff americano compreensivelmente desapareceram de cena, mas os gerentes alemães existentes – leais aos patrões nos EUA – geralmente mantiveram suas posições de autoridade e continuaram a tocar o negócio, mantendo na cabeça os interesses das sedes corporativas e dos acionistas na América. Para a Opel, a sede da GM nos EUA manteve virtualmente controle total sobre os gerentes em Rüsselheim; assim escreve o historiador americano Bradford Snell, que dedicou atenção a este tema nos anos 1970, mas cujas descobertas foram contestadas pela GM. Um estudo recente pela pesquisadora alemã Anita Kugler confirma o relato de Snell ao mesmo tempo fornecendo uma figura mais detalhada e matizada. Após a declaração alemã de guerra contra os EUA, ela escreve que inicialmente os nazistas não incomodaram a administração da Opel. Somente em 25 de novembro de 1942 Berlim determinou uma “custódia de propriedade inimiga”, mas o significado deste movimento foi puramente simbólico. Os nazistas simplesmente queriam criar uma imagem alemã para uma empresa que pertencia 100% à GM ao longo da guerra. [32]
Na Ford-Werke, Robert Schimdt, supostamente um nazista fanático, serviu como gerente geral durante a guerra, e sua performance satisfez tanto as autoridades em Berlim quanto os executivos da Ford na América. Mensagens de aprovação e mesmo congratulações – assinadas por Edsel Ford – eram regularmente emitidas da sede da Ford em Dearborn. Os nazistas também estavam orgulhosos com o trabalho de Schimdt; no devido tempo eles lhe concederam o título “líder no campo da economia militar.” Mesmo quando, meses após Pearl Harbor, uma ordem foi dada para inspecionar a planta da Ford em Colônia, Schmidt manteve suas prerrogativas e sua liberdade de ação. [39]
A experiência de Guerra da IBM com as intervenções do Eixo na Alemanha, frança, Bélgica e outros países foi igualmente longe de ser traumática. De acordo com Black, “eles protegeram entusiasticamente as propriedades, estenderam a produtividade e aumentaram os lucros”; além disso, “os gerentes da IBM retiveram seus cargos como administradores no dia-a-dia e, em alguns casos, chegaram mesmo a apontar seus interventores.” [33]
Os nazistas não estavam interessados na nacionalidade dos proprietários ou na identidade dos diretores, mas sim na produção já que após a falha de sua estratégia da Blitzkrieg na União Soviética, eles experimentaram uma necessidade continuamente crescente para produção em massa de aviões e caminhões. Desde que Henry Ford criou a linha de montagem em série e outras técnicas “fordistas”, as firmas americanas tem sido os líderes no campo da produção em massa industrial, e as plantas na Alemanha, incluindo a subsidiária Opel da GM não foi exceção a esta regra geral. Os planejadores nazistas como Göring e Speer compreenderam que mudanças radicais na administração da Opel poderiam atrapalhar a produção em Brandenburgo e Rüsselheim. Para manter a produção da Opel em níveis elevados, os diretores encarregados foram permitidos continuar seu trabalho porque eles eram familiares com os métodos americanos particularmente eficientes de produção. Anita Kugler conclui que a Opel, “tornou sua produção e pesquisa completas disponíveis aos nazistas e assim – objetivamente falando – contribuíram para melhorar sua capacidade de longo prazo para conduzir a Guerra.” [40] [34]
Especialistas acreditam que as melhores inovações tecnológicas da Ford e da GM durante a guerra beneficiaram suas filiais na Alemanha Nazista. Como exemplos eles citam os caminhões de tração integral da Opel, que provaram ser extremamente úteis aos alemães nos terrenos pantanosos do front oriental e no deserto da África do Norte, assim como os motores do Me-262, o primeiro caça a jato, também foram montados na Opel em Rüsselheim. [41] Quanto à Ford-Werke, em 1939 esta firma também desenvolveu um caminhão estado-da-arte – o Maultier (“mula”) – que tinha rodas na frente e uma esteira na parte de trás. A Ford-Werke também criou uma “companhia encoberta”, Arendt Gmbh, para produzir equipamento militar diferente de veículos, especificamente elementos de máquinas para aviões. Mas a Ford afirma que isto foi feito sem o conhecimento ou aprovação de Dearborn. No final da guerra, esta fábrica esteve envolvida no desenvolvimento ultra-secreto de turbinas para os infames foguetes V-2, que levaram devastação para Londres e Antuérpia. [35]
A ITT continuou suprindo a Alemanha com sistemas avançados de comunicação após Pearl Harbor, em detrimento dos próprios americanos, cujo código diplomático foi quebrado pelos nazistas com a ajuda de tal equipamento. [42] Até o fim da guerra, as instalações de produção da ITT na Alemanha, assim como na dos países neutros como Suécia, Suíça e Espanha forneceram às forças armadas alemãs equipamentos estado-da-arte. Charles Higham oferece exemplos: [36]
Após Pearl Harbor, o exército, a marinha e a força aérea alemãs contrataram a ITT para a manufatura de chaves de contato, telefones, sinalizadores de alarme, bóias, dispositivos de alerta aéreo, radares e 30.000 espoletas por mês para cartuchos de artilharia... Isto acabaria aumentando para 50.000 por mês em 1944. Além disso, a ITT fornecia explosivos para as bombas-foguete que atingiram Londres, células de selênio para retificadores secos, equipamento de rádio de alta freqüência e equipamentos de comunicação em campo e em bases militares. Sem este suprimento de materiais cruciais teria sido impossível à força aérea alemã matar tropas americanas e britânicas, para a marinha alemã lutar contra os Aliados, para a Inglaterra ser bombardeada ou para os navios aliados terem sido atacados no mar. [37]
Então, foi sem surpresa que as subsidiárias alemãs das empresas americanas ficaram lembradas como “pioneiras do desenvolvimento tecnológico” pelos plaejadores do Ministério da Economia do Reich e outras autoridades nazistas envolvidas com o esforço de Guerra. [44] [37]
Edwin Black também afirma que a tecnologia avançada do cartão perfurado da IBM, precursor do computador, permitiu aos nazistas automatizar a perseguição. A IBM supostamente é co-responsável no fantástico número do Holocausto porque forneceu ao regime de Hitler as máquinas de calcular Hollerith e outras ferramentas que foram usadas para “gerar listas de judeus e outras vítimas, que foram almejadas para deportação” e para “registrar internos (dos campos de concentração) e rastrear trabalho escravo.” Entretanto, críticas ao estudo de Black mantém a idéia de que os nazistas poderiam ou teriam alcançado sua eficiência mortal sem o benefício da tecnologia da IBM. De qualquer forma, o caso da IBM dá um outro exemplo de como as corporações americanas forneceram tecnologia estado-da-arte para os nazistas e obviamente não se importaram muito com os objetivos maléficos onde esta tecnologia seria usada. [38]
Lucro über Alles!
Os proprietários e executivos das sedes nos EUA se preocupavam pouco com os produtos que estavam sendo desenvolvidos e entregues pelas linhas de montagem alemãs. O que importava para eles e para os acionistas era somente os lucros. As filiais das companhias americanas na Alemanha alcançaram lucros consideráveis durante a guerra, e este dinheiro não foi embolsado pelos nazistas. Para a Ford-Werke os números precisos estão disponíveis. Os lucros da subsidiária alemã de Dearborn aumentaram de 1,2 milhões de RM em 1939 para 1,7 milhões de RM em 1940, 1,8 milhões em 1941, 2 milhões em 1942 e 2,1 milhões em 1943. [45] As subsidiárias da Ford na França, Holanda e Bélgica ocupadas, onde o gigante corporativo americano também fazia uma contribuição para o esforço de guerra nazista, eram igualmente bem sucedidas. A Ford-França, por exemplo – que não era próspera antes da guerra – tornou-se muito lucrativa após 1940 graças à incondicional colaboração com os alemães; em 1941, ela registrou rendimentos de 58 milhões de francos, um resultado pelo qual ela foi calorosamente elogiada por Edsel Ford. [46] Quanto à Opel, aqueles lucros foram à estratosfera ao ponto do Ministério da Economia nazista parar de publicá-los para evitar um banho de sangue por parte da população alemã, que era obrigada a apertar os cintos. [47] [39]
A IBM não somente experimentou lucros ascendentes com a sua filial alemã, mas, como Ford, também viu seus lucros na França ocupada pularem basicamente por causa dos negócios gerados pela colaboração ávida com as autoridades alemãs de ocupação. Era logo necessário construir novas fábricas. Acima de tudo, a IBM prosperou na Alemanha e nos territórios ocupados porque ela vendia aos nazistas as ferramentas tecnológicas necessárias para identificar, deportar, colocar em guetos, escravizar e finalmente exterminar milhões de judeus europeu, em outras palavras, organizar o Holocausto. [40]
Está longe de ficar claro o que aconteceu com os lucros feitos na Alemanha durante a Guerra pelas subsidiárias americanas, mas alguma migalha de informação tentadora acabou aparecendo. Nos anos 1930, as corporações americanas desenvolveram várias estratégias de enganar o embargo nazista na repatriação dos lucros.
O escritório central da IBM em Nova York, por exemplo, regularmente cobrava a Dehomag pelos royalties pelo uso da marca, para repagamento de empréstimos contraídos e por outras taxas e despesas; esta prática e outras transações inter-companhia complexas minimizou os lucros na Alemanha e assim simultaneamente funcionou como um esquema eficiente de evasão de impostos. Além disso, houve outros modos de trabalhar com o embargo na repatriação do lucro, tais como reinvestimento na Alemanha, mas após 1939 esta opção não foi mais permitida, pelo menos na teoria. Na prática, as subsidiárias americanas gerenciaram para aumentar consideravelmente suas propriedades deste modo. A Opel, por exemplo, assumiu o controle de uma siderúrgica em Leipzig em 1942. [48] Também foi possível manter o uso dos rendimentos para melhorar e modernizar a infra-estrutura das próprias filiais, que foi o caso da Opel. Existiram também oportunidades para expansão nos países ocupados da Europa. A subsidiária da Ford na França usou seus lucros em 1941 para construir uma fábrica de blindados em Oran, na Argélia; esta planta supostamente forneceu os equipamentos para o Afrika Korps de Rommel para avançar rapidamente para El Alamein no Egito. Em 1943, a Ford-Werke também estabeleceu uma siderúrgica não muito longe de Colônia, um pouco depois da fronteira belga, próximo a Liège, para produzir peças de reposição. [41]
É provável, além disso, que uma porção do lucro conseguido no Terceiro Reich tenha sido transferido para os EUA de algum outro modo, por exemplo, através da neutra Suíça. Muitas companhias americanas mantiveram escritórios lá que serviam como intermediários entre as sedes americanas e suas subsidiárias nos países inimigos ou ocupados, e que também estavam envolvidas com a “centralização do lucro”, como Edwin Black escreve em relação à filial suíça da IBM. [49]
Para o propósito da repatriação, as companhias também podiam contar com os serviços experientes das filiais parisienses de alguns bancos americanos, como o Chase Manhattan e o J. P. Morgan, e um número de bancos suíços. O Chase Manhattan era parte do império Rockfeller, assim como a Standard Oil, o parceiro americano da IG Farben; sua filial na Paris ocupada permaneceu aberta ao longo de toda a guerra e lucrou bem com a colaboração íntima com as autoridades alemãs. [42]
No lado suíço, também estavam envolvidas algumas instituições financeiras que – sem fazer perguntas difíceis – cuidou do ouro roubado pelos nazistas das vítimas judias. Um papel importante foi feito em relação a isso pelo Banco de Liqüidações Internacionais (BIS) em Basel, um banco supostamente internacional que foi fundado em 1930 dentro da estrutura do Plano Young com o objetivo de facilitar os pagamentos de reparação após a Primeira Guerra Mundial. Os banqueiros americanos e alemães (tal como Schacht) dominaram o BIS desde o início e colaboraram confortavelmente nesta parceria financeira. Durante a guerra, um alemão e membro do partido nazista, Paul Hechler, trabalhou como diretor do BIS, enquanto um americano, Thomas H. McKittrick, serviu como presidente. McKittrick era amigo do embaixador americano em Berna e agente do serviço secreto americano (OSS, o antecessor da CIA) na Suíça, Allen Dulles. Antes da guerra, Dulles e seu irmão, John Foster Dulles foram parceiros na firma de advocacia de Nova York Sullivan e Cromwell, e haviam se especializado nos negócios altamente lucrativos dos investimentos americanos na Alemanha. Eles tinham excelentes conexões com os proprietários e executivos das companhias americanas e com banqueiros, empresários e funcionários do governo – incluindo personalidades nazistas – na Alemanha. Após o início da guerra, John Foster tornou-se o advogado da BIS em Nova York, enquanto Allen juntou-se à OSS e arrumou um posto na Suíça, onde ele iniciou uma amizade com McKittrick. É bem conhecido eu durante a guerra a BIS mexeu com quantidades enormes de dinheiro e ouro originários da Alemanha Nazista. [50] Não é razoável suspeitar que estas transferências poderiam ter envolvido os lucros com títulos americanos das filiais americanas, em outras palavras, dinheiro acumulado por clientes e associados dos cosmopolitas irmãos Dulles? [43]
Que Venha o Trabalho Escravo!
Antes da Guerra, as companhias alemãs tinham tirado vantagem do grande favor feito a elas pelos nazistas, ou seja, a eliminação das uniões trabalhistas e a transformação resultante da classe trabalhadora alemã militante em uma “massa de seguidores” dócil. Sem surpresa, na Alemanha Nazista os salários reais caíram enquanto os lucros aumentaram correspondentemente.
Durante a Guerra, os preços continuaram a subir, enquanto os salários foram gradualmente corroídos e as horas trabalhadas foram aumentadas. [51] Isto também aconteceu com a força de trabalho das subsidiárias americanas. [44]
Para combater a falta de mão-de-obra nas fábricas, os nazistas confiaram de forma crescente em trabalhadores estrangeiros, que eram colocados para trabalhar na Alemanha sob condições freqüentemente desumanas. Junto com centenas de milhares de soviéticos e outros prisioneiros de guerras, assim como internos dos campos de concentração, estes Fremdarbeiter (trabalhadores forçados) formaram uma gigantesca massa de trabalhadores que podiam ser exploradas à vontade por seus recrutadores, em troca de uma modesta remuneração paga pela SS. A SS, além disso, também mantinha a disciplina exigida e a ordem com mão de ferro. Custos salariais assim caíram ao nível que somente os simpatizantes da terceirização podem sonhar, e os lucros corporativos aumentaram correspondentemente. [45]
As filiais alemãs das companhias americanas também fizeram uso de trabalho escravo fornecido pelos nazistas, não somente Fremdarbeiter, mas também prisioneiros de Guerra e mesmo internos dos campos de concentração. Por exemplo, a Companhia de Fabricação Yale & Towne, baseada em Velbert na Renânia reportou confiar na “ajuda de trabalhadores da Europa Oriental” para auferir “lucros consideráveis,” [52] e a Coca-Cola também é conhecida por ter se beneficiado do uso de trabalhadores estrangeiros, assim como prisioneiros de guerra em sua planta do refrigerante Fanta. [53] Os exemplos mais espetaculares do uso de trabalho forçado pelas subsidiárias americanas, contudo, parece ter sido o dado pela Ford e GM, dois casos que recentemente foram objeto de investigação cuidadosa. Da Ford-Werke é suposto que, a partir de 1942, esta firma correu atrás de trabalhadores estrangeiros e prisioneiros de guerra da URSS, França, Bélgica e outros países ocupados de forma “zelosa, agressiva e bem-sucedida” – aparentemente com o conhecimento da sede nos EUA. [54] Karola Fings, uma pesquisadora alemã que estudou cuidadosamente as atividades da Ford-Werke na guerra, escreve: [46]
(A Ford) fez negócios maravilhosos com os nazistas, em virtude da aceleração da produção durante a guerra ter aberto totalmente novas oportunidades para manter o nível dos custos salariais baixo. Um congelamento de aumento salarial foi, com efeito, observado na Ford-Werke a partir de 1941 em diante. Entretanto, as maiores margens de lucro puderam ser alcançadas através do uso dos Ostarbeiter (trabalhadores forçados da Europa Oriental). [55]
Os milhares de trabalhadores forçados estrangeiros colocados para trabalhar na Ford-Werke tinham uma carga horária diária de 12 horas e tinham folga apenas no domingo, e mesmo assim não recebiam salário. Presumivelmente mesmo pior era o tratamento reservado para o relativamente número pequeno de prisioneiros dos campos de concentração de Buchenwald, que estiveram disponíveis para a Ford-Werke no verão de 1944. [47]
Ao contrário da Ford-Werke, a Opel nunca usou internos dos campos de concentração, pelo menos nas plantas principais em Rüsselheim e Brandenburgo. A subsidiária alemã da GM, contudo, tinha um apetite insacíavel por outros tipos de trabalho forçado, tais como prisioneiros de Guerra. Típico do uso de trabalho escravo nas fábricas da Opel, particularmente quando envolvia os russos, escreve a historiadora Anita Kugler, eram “exploração máxima, o pior tratamento possível e a punição capital em caso de ofensas primárias.” A Gestapo estava à cargo da supervisão dos trabalhadores estrangeiros. [56] [48]
Uma Licença para Trabalhar para o Inimigo
Nos EUA, as matrizes das subsidiárias alemãs trabalharam arduamente para convencer o público Americano de seu patriotismo, de modo que que nenhum Americano comum pensasse que a GM, por exemplo, que financiava publicidade anti-alemã em casa estava envolvida em atividades na Renânia que poderiam ser interpretadas como traição. [57] [49]
Washington estava melhor informada que John Doe, mas o governo americano observou a regra não escrita que dizia que “o que é bom para a General Motors é bom para a América,” e fechou os olhos para o fato de que as companhias americanas acumulavam riquezas através de seus investimentos, ou negociava, com um país contra o qual os EUA estavam em guerra. Isto tinha muito a ver com o fato de que a América corporativa tornou-se mesmo mais influente em Washington durante a guerra do que havia sido anteriormente; de fato, após Pearl Harbor representantes do “grande negócio” foram à capital para assumir muitos postos importantes do governo. Teoricamente, eles estavam motivados por patriotismo contagiante e ofereceram seus serviços por um prato de comida, tornando-se conhecidos como “homens por um dólar ao ano.” Muitos, contudo, foram para lá para proteger suas propriedades na Alemanha. O antigo presidente da GM, William S. K. Knudsen, um admirador assumido de Hitler desde 1933 e amigo de Göring, tornou-se diretor do Departamento de Administração de Produção. Outro executivo da GM, Edward Stettinius Jr., tornou-se Secretário de Estado, e Charles E. Wilson, presidente da General Electric, tornou-se “o poderoso número dois no Escritório de Produção de Guerra.” [58] Nestas circunstâncias, não é surpresa que o governo americano tenha preferido virar-se para o outro lado enquanto as grandes corporações do país se escondiam na terra do inimigo alemão? De fato, Washington virtualmente legitimou essas atividades. Apenas uma semana após o ataque japonês em Pearl Harbor, em 13 de dezembro de 1941, o próprio presidente Roosevelt emitiu uma ordem permitindo às corporações americanas a fazer negócios com países inimigos – ou com países neutros que mantivessem relações diplomáticas com inimigos – por meio de uma autorização especial. [59] Esta ordem era uma transgressão das leis restritivas de todas as formas de “negócios com o inimigo.” [50]
Presumivelmente, Washington não poderia se dar ao luxo de ofender as grandes companhias do país, cuja inteligência era necessária para levar a guerra um fim bem sucedido. Como Charles Higham escreveu, a administração Roosevelt “tinha que dormir junto com as companhias petrolíferas (e com as outras grandes corporações) para poder ganhar a guerra.” Conseqüentemente, funcionários públicos sistematicamente fecharam os olhos para a conduta anti-patriótica do capital de investimento estrangeiro, mas houve algumas exceções a esta regra geral. “Para satisfazer a opinião pública,” escreve Higham, medidas legais foram conduzidas em 1942 contra o mais conhecido violador da legislação “negócios com o inimigo”, a Standard Oil. Mas a Standard argumentou que ela “estava abastecendo uma alta porcentagem do Exército, Marinha e Força Aérea, assim tornando possível para a América ganhar a guerra.” O grupo Rockfeller eventualmente aceitou pagar uma multa pequena “por ter traído a América”, mas foi permitida a continuar seu negócio rentável com os inimigos dos EUA. [60] Uma tentativa de investigação nas atividades certamente traidoras da IBM na terra do inimigo nazista foi igualmente abortada porque os EUA precisavam da tecnologia da IBM tanto quanto os nazistas. Edwin Black escreve: “A IBM era, num certo sentido, maior do que a guerra.” Ambos os lados não podiam dispensar a tecnologia importante da companhia. “Hitler precisava da IBM. Assim como os Aliados.” O Tio Sam apontou o dedo para a Standard Oil e a IBM, mas a maioria dos proprietários e diretores das corporações que fizeram negócios com Hitler jamais se aborreceram. As conexões de Sosthenes Behn da ITT com a Alemanha Nazista, por exemplo, eram um segredo público em Washington, mas ele nunca experimentou quaisquer dificuldades resultante delas. [51]
Enquanto isso, seria aparente que os quartéis-generais dos Aliados estivessem preocupados em pegar leve tanto quanto possível com as empresas de propriedade de americanos na Alemanha. De acordo com o especialista alemão Hans G. Helms, Bernard Baruch, um conselheiro de alto nível do presidente Roosevelt, deu a ordem para não bombardear certas fábricas na Alemanha, ou bombardeá-las levemente; não é surpreendente que as plantas industriais das companhias americanas caíram nesta categoria. E, de fato, enquanto o centro da cidade histórica de Colônia foi aniquilado por repetidos ataques de bombardeio, a grande fábrica da Ford nos arredores da cidade ganhou a reputação de ser o lugar mais seguro da cidade durante os ataques aéreos, apesar de algumas bombas terem eventualmente caído em sua propriedade. [61] [52]
Após a guerra, a GM e outras companhias americanas que haviam feito na Alemanha não somente não foram punidas, mas mesmo compensadas pelos estragos sofridos por suas subsidiárias alemãs como resultado dos bombardeios anglo-americanos. A GM recebeu U$ 33 milhões e a ITT U$ 27 milhões do governo americano a título de indenização. A Ford-Werke sofreu relativamente poucas perdas durante a guerra e recebeu mais de U$ 100 mil como compensação pelo próprio regime nazista; a filial da Ford na França, enquanto isso, conseguiu uma indenização de 38 milhões de francos do regime de Vichy. Mesmo assim, a Ford fez um pedido de U$ 7 milhões para Washington por danos, e pós muita choradeira recebeu U$ 785.321 “por sua parcela de perdas sofridas pela Ford-Werke e pela Ford Áustria durante a guerra,” que a companhia defendeu em seu relatório recentemente publicado. [53]
A América Corporativa e a Alemanha do Pós-Guerra
Quando a guerra na Europa terminou, a América corporativa estava bem posicionada para ajudar a determinar o que aconteceria com a Alemanha derrotada em geral, e com suas propriedades alemãs em particular. Muito antes dos canhões ficarem silenciosos, Allan Dulles, de seu posto de observação em Berna, Suíça, estabeleceu contato com os associados alemães das corporações americanas com quem ele havia trabalhado como advogado na Sullivan & Cromwell, e à medida que os tanques de Patton moviam-se para dentro do Reich na primavera de 1945, o chefe da ITT Sosthenes Behn vestiu o uniforme de oficial americano e se deslocou para a Alemanha derrotada para inspecionar pessoalmente suas subsidiárias lá. Mais importante é que a administração na zona de ocupação americana da Alemanha uniu-se a representantes de firmas como a GM e ITT. [62]
Eles estavam lá, é claro, para garantir que a América corporativa continuaria a desfrutar de seus investimentos lucrativos na Alemanha derrotada e ocupada. [54]
Uma de suas primeiras preocupações era prevenir a implantação do Plano Morgenthau. Henry Morgenthau era o Secretário do Tesouro de Roosevelt, que havia proposto o desmantelamento da indústria alemã, transformando a Alemanha assim em um Estado agrícola, atrasado, pobre e inofensivo. Os donos e executivos das corporações com propriedades alemãs estavam perfeitamente cônscios que a implantação do Plano Morgenthau seria a morte financeira para suas subsidiárias alemãs; logo, eles lutaram com unhas e dentes. Um oponente proeminente do plano foi Alfred P. Sloan, o influente executivo da diretoria da GM. Sloan, outros comandantes da indústria e seus representantes e contatos em Washington e entre as autoridades de ocupação americanas, lutaram por uma opção alternativa: a reconstrução econômica da Alemanha, de modo que eles seriam capazes de fazer negócios e ganhar dinheiro no país e eventualmente eles conseguiriam o que queriam. Após a morte de Roosevelt, o Plano Morgenthau foi descartado de forma silenciosa, e o próprio Morgenthau seria demitido de sua alta posição governamental em 5 de julho de 1945 pelo presidente Harry Truman. A Alemanha – ou pelo menos a parte ocidental dela – seria economicamente reconstruída e as subsidiárias americanas tornar-se-iam os maiores beneficiários deste desenvolvimento. [63] [55]
As autoridades de ocupação americanas na Alemanha em geral, e os agentes das matrizes americanas das subsidiárias alemãs nesta administração em particular, enfrentaram outro problema. Após a morte do Nazismo e do fascismo europeu, o ambiente na Europa era – e permaneceria por uns poucos anos – decididamente anti-fascista e simultaneamente mais ou menos anti-capitalista, pois era claramente entendido naquela época que o fascismo foi uma manifestação do capitalismo. Em quase toda Europa, e particularmente na Alemanha, associações radicais populares, tais como os grupos anti-fascistas alemães ou Antifas, surgiram espontaneamente e tornaram-se influentes. Uniões trabalhistas e partidos políticos de centro-esquerda também experimentaram retornos bem sucedidos; eles apreciavam o grande apoio popular após terem denunciado os banqueiros e industriais alemães por terem conduzido Hitler ao poder e pela colaboração próxima com seu regime, e quando eles propuseram algumas reformas anti-capitalistas, tais como a socialização de certas empresas e setores industriais. Tal plano de reformas, entretanto, violava os dogmas americanos em relação à inviolabilidade da propriedade privada e da empresa livre e eram obviamente uma fonte principal de preocupação para os industriais americanos com propriedades na Alemanha. [64] [56]
Estes industriais também ficaram chocados com emergência na Alemanha de “conselhos trabalhistas” eleitos democraticamente que exigiam participação nas decisões da empresa. Para tornar as coisas ainda piores, os trabalhadores frequentemente elegiam comunistas para estes conselhos. Isto aconteceu na maioria das filiais americanas mais importantes, a Ford-Werke e a Opel. Os comunistas tiveram um papel importante no conselho da Opel até 1948, quando a GM oficialmente encerrou a administração da Opel e rapidamente pôs um fim à experiência. [57]
As autoridades americanas sistematicamente se opuseram aos anti-fascistas e sabotaram seus esquemas para reforma social e econômica em todos os níveis da administração pública assim como nos negócios privados. Na planta da Opel em Rüsselheim, por exemplo, as autoridades americanas colaboraram com muita relutância com os anti-fascistas, enquanto faziam tudo ao seu alcance para prevenir o estabelecimento de novas uniões trabalhistas e negar aos conselhos qualquer interferência nos negócios das empresas. Ao invés de permitir as reformas democráticas planejadas de “baixo para cima”, os americanos tentaram restaurar as estruturas autoritárias de “cima para baixo” onde quer que fosse possível. Eles deixaram os anti-fascistas de lado em favor de personalidades conservadoras, autoritárias e de extrema direita, incluindo muitos antigos nazistas.Na Ford-Werke em Colônia, a pressão anti-fascista forçou os americanos a dispensar o gerente geral nazista Robert Schmidt, mas graças a Dearborn e às autoridades de ocupação americanas, ele e muitos outros executivos nazistas logo voltaram às atividades. [65] [58]
Capitalismo, Democracia, Fascismo e Guerra
“Sobre as coisas que alguém não pode conversar, ele deverá permanecer calado,” declarou o famoso filósofo Wittgenstein, e um colega, Max Horkheimer, o parafraseou em relação ao fenômeno do fascismo e de sua versão alemã, o Nazismo, ao enfatizar que se alguém quiser falar sobre o fascismo, deverá ficar calado sobre o capitalismo. O Terceiro Reich de Hitler foi um sistema monstruoso tornado possível pelos homens de negócio da Alemanha, e enquanto ele provou ser uma catástrofe para milhões de pessoas, ela funcionou como um Nirvana para a Alemanha corporativa. Empresas de propriedade estrangeira também aproveitaram a homenagem maravilhosa que o regime de Hitler prestou ao Capital, ao eliminar os partidos dos trabalhadores e uniões trabalhistas, um programa de rearmamento que lhes deram lucros enormes e uma guerra de conquista que eliminou a competição estrangeira e forneceu novos mercados, matérias primas baratas e uma inesgotável fonte de trabalhadores a partir de prisioneiros de guerra, trabalhadores escravos estrangeiros e internos de campos de concentração. [59]
Os donos e diretores das corporações da América admiravam Hitler porque em seu Terceiro Reich eles poderiam ganhar dinheiro como em nenhum outro lugar, e porque ele pisou no movimento sindical e jurou destruir a União Soviética, lar do comunismo internacional. Edwin Black erroneamente acredita que a IBM foi atípica nas corporações americanas no florescimento da grande festa do capitalismo fascista nas margens do Reno. Muitas, senão todas estas corporações, tiraram vantagem da eliminação dos sindicatos e partidos de esquerda e a orgia de ordens e lucros foi possível graças ao rearmamento e Guerra. Elas traíram seu país ao produzir todo tipo de equipamento para a máquina de Guerra de Hitler, mesmo após Pearl Harbor e elas objetivamente ajudaram os nazistas a cometer crimes terríveis. Estas tecnicalidades, entretanto, não perturbaram os donos e administradores na Alemanha e mesmo nos EUA, que estavam cientes do que ocorria no outro lado do oceano. O que lhes interessava, é claro, era que a colaboração incondicional com Hitler estava lhes permitindo ganhar lucros como nunca visto antes; seu lema poderia muito bem ter sido: “Lucro über Alles.” [60]
Após a guerra, os mestres capitalistas e associados do monstro fascista distanciaram-se à la Dr. Frankenstein de sua criatura, e em voz alta proclamaram sua preferência pelas formas democráticas de governo. Hoje, a maioria de nossos líderes políticos e nossa mídia quer nos fazer acreditar que “mercados livres” – um código eufemístico para capitalismo – e democracia são gêmeos siameses.
Mesmo após a Segunda Guerra, entretanto, capitalismo, e especialmente o capitalismo Americano, continuou a colaborar ativamente com regimes fascistas em países como Espanha, Portugal, Grécia e Chile, enquanto apoiavam movimentos de extrema direita, incluindo esquadrões da morte e terroristas na América Latina, África e em todos os lugares. Alguém pode dizer que nas sedes corporativas, cujo interesse coletivo é claramente refletido nas políticas governamentais americanas, a nostalgia se deteve nos bons velhos tempos do Terceiro Reich de Hitler, que foi um paraíso para firmas alemãs, assim como americanas e outras empresas estrangeiras: sem partidos de esquerda, sem sindicatos, número ilimitado de trabalhadores escravos e um estado autoritário que dava a necessária disciplina e arranjo para um “boom armamentista” e eventualmente uma guerra que trouxe “lucros sem horizonte”, como Black escreve, aludindo ao caso da IBM. Estes benefícios poderiam ser mais rapidamente esperados de uma ditadura fascista do que uma democracia verdadeira, por isso o apoio aos Francos, Suhartos e outros Pinochets do mundo pós-guerra. Mas mesmo dentro das sociedades democráticas, o capitalismo ativamente busca o trabalho barato e dócil que o regime de Hitler serviu numa bandeja e recentemente tem sido por meios disfarçados como a reengenharia e a globalização, ao invés de usar o meio do fascismo, que o capital americano e internacional têm procurado atingir a Nirvana corporativa da qual a Alemanha de Hitler deu uma antecipação tentadora. [61]
Notas:
1 Michael Dobbs, "US Automakers Fight Claims of Aiding Nazis," The International Herald Tribune, 3 December 1998.
2 David F. Schmitz, "'A Fine Young Revolution': The United States and the Fascist Revolution in Italy, 1919–1925," Radical History Review, 33 (September 1985), 117–38; and John P. Diggins, Mussolini and Fascism: The View from America (Princeton 1972).
3 Gabriel Kolko, "American Business and Germany, 1930–1941," The Western Political Quarterly, 25 (December 1962), 714, refers to the "'skepticism' displayed by the American business press with respect to Hitler because he was 'a political and economic nonconformist.'"
4 Neil Baldwin, Henry Ford and the Jews: The Mass Production of Hate (New York 2001), especially 172–91.
5 Charles Higham, Trading with the Enemy: An Exposé of The Nazi-American Money Plot 1933–1949 (New York 1983), 162.
6 Webster G. Tarpley and Anton Chaitkin, "The Hitler Project," chapter 2 in George Bush: The Unauthorized Biography (Washington 1991).
7 Mark Pendergrast, For God, Country, and Coca-Cola: The Unauthorized History of the Great American Soft Drink and the Company that Makes It (New York 1993), 221.
8 Cited in Manfred Overesch, Machtergreifung von links: Thüringen 1945/46 (Hildesheim Germany 1993), 64.
9 Knudsen described Nazi Germany after a visit there in 1933 as "the miracle of the twentieth century." Higham, Trading With the Enemy, 163.
10 Stephan H. Lindner, Das Reichskommissariat für die Behandlung feindliches Vermögens im Zweiten Weltkrieg: Eine Studie zur Verwaltungs-, Rechts- and Wirtschaftsgeschichte des nationalsozialistischen Deutschlands (Stuttgart 1991), 121; Simon Reich, The Fruits of Fascism: Postwar Prosperity in Historical Perspective (Ithaca, NY and London 1990), 109, 117, 247; and Ken Silverstein, "Ford and the Führer," The Nation, 24 January 2000, 11–6.
11 Cited in Michael Dobbs, "Ford and GM Scrutinized for Alleged Nazi Collaboration," The Washington Post, 12 December 1998.
12 Tobias Jersak, "Öl für den Führer," Frankfurter Allgemeine Zeitung, 11 February 1999.
13 Higham, Trading With the Enemy, xvi.
14 The authors of a recent book on the Holocaust even emphasize that "in 1930 anti-Semitism was much more visible and blatant in the United States than in Germany." See Suzy Hansen's interview with Deborah Dwork and Robert Jan Van Pelt, authors of Holocaust: a History
http://www.historycooperative.org/sa...ork/index.html
15 Henry Ford, The International Jew: The World's Foremost Problem (Dearborn, MI n.d.); and Higham, Trading With the Enemy, 162.
16 Aino J. Mayer, Why Did the Heavens not Darken? The Final Solution in History (New York 1988).
17 Neil Baldwin, Henry Ford and the Jews: The Mass Production of Hate, 279; and Higham, Trading With the Enemy, 161.
18 Upton Sinclair, The Flivver King: A Story of Ford-America (Pasadena, CA 1937), 236.
19 Higham, Trading With the Enemy, 162–4.
20 See Bernd Martin, Friedensinitiativen und Machtpolitik im Zweiten Weltkrieg 1939–1942 (Düsseldorf 1974); and Richard Overy, Russia's War (London 1998), 34–5.
21 See Clement Leibovitz and Alvin Finkel, In Our Time: The Chamberlain-Hitler Collusion (New York 1998).
22 John H. Backer, "From Morgenthau Plan to Marshall Plan," in Robert Wolfe, ed., Americans as Proconsuls: United States Military Governments in Germany and Japan, 1944–1952 (Carbondale and Edwardsville, IL 1984), 162.
23 Mooney is cited in Andreas Hillgruber, ed., Staatsmänner und Diplomaten bei Hitler. Vertrauliche Aufzeichnungen über Unterredungen mit Vertretern des Auslandes 1939–1941 (Frankfurt am Main 1967), 85.
24 Anita Kugler, "Das Opel-Management während des Zweiten Weltkrieges. Die Behandlung 'feindlichen Vermögens' und die 'Selbstverantwortung' der Rüstungsindustrie," in Bernd Heyl and Andrea Neugebauer, ed., "... ohne Rücksicht auf die Verhältnisse": Opel zwischen Weltwirtschaftskrise and Wiederaufbau, (Frankfurt am Main 1997), 35–68, and 40–1; "Flugzeuge für den Führer. Deutsche 'Gefolgschaftsmitglieder' und ausländische Zwangsarbeiter im Opel-Werk in Rüsselsheim 1940 bis 1945," in Heyl and Neugebauer, "... ohne Rücksicht auf die Verhältnisse," 69–92; and Hans G. Helms, "Ford und die Nazis," in Komila Felinska, ed., Zwangsarbeit bei Ford (Cologne 1996), 113.
25 Higham, Trading With the Enemy, 93, and 95.
26 Jersak, "Öl für den Fühier"; Bernd Martin, "Friedens-Planungen der multinationalen Grossindustrie (1932–1940) als politische Krisenstrategie," Geschichte und Gesellschaft, 2 (1976), 82.
27 Cited in Dobbs, "U.S. Automakers."
28 Jamie Lincoln Kitman, "The Secret History of Lead," The Nation, 20 March 2002.
29 Higham, Trading With the Enemy, 97; Ed Cray, Chrome Colossus: General Motors and its Times (New York 1980), 315; and Anthony Sampson, The Seven Sisters: The Great Oil Companies and the World They Made (New York 1975), 82.
30 David Lanier Lewis, The Public Image of Henry Ford: an American Folk Hero and His Company (Detroit 1976), 222, and 270.
31 Ralph B. Levering, American Opinion and the Russian Alliance, 1939–1945 (Chapel Hill, NC 1976), 46; and Wayne S. Cole, Roosevelt and the Isolationists, 1932–45 (Lincoln, NE 1983), 433–34.
32 The hope for a long, drawn-out conflict between Berlin and Moscow was reflected in many newspaper articles and in the much-publicized remark uttered by Senator Harry S. Truman on 24 June 1941, only two days after the start of Operation Barbarossa, the Nazi attack on the Soviet Union: "If we see that Germany is winning, we should help Russia, and if Russia is winning, we should help Germany, so that as many as possible perish on both sides ...." Levering, American Opinion, 46–7.
33 Even as late as 5 December 1941, just two days before the Japanese strike against Pearl Harbor, a caricature in Hearst's Chicago Tribune suggested that it would be ideal for "civilization" if these "dangerous beasts," the Nazis and the Soviets, "destroyed each other." The Chicago Tribune caricature is reproduced in Roy Douglas, The World War 1939–1943: The Cartoonists' Vision (London and New York 1990), 86.
34 Clive Ponting, Armageddon: The Second World War (London 1995), 106; and Stephen E. Ambrose, Americans at War (New York 1998), 76–77.
35 Jersak, "Öl fürden Führer." Jersak used a "top secret" document produced by the Wehrmacht Reichsstelle für Mineralöl, now in the military section of the Bundesarchiv (Federal Archives), File RW 19/2694. See also Higham, Trading With the Enemy, 59–61.
36 James V. Compton, "The Swastika and the Eagle," in Arnold A. Offner, ed., America and the Origins of World War II, 1933–1941 (New York 1971), 179–83; Melvin Small, "The 'Lessons' of the Past: Second Thoughts about World War II," in Norman K. Risjord , ed., Insights on American History. Volume II (San Diego 1988), 20; and Andreas Hillgruber, ed., Der Zweite Weltkrieg 1939–1945: Kriegsziele und Strategie der Grossen Mächte, 5th ed., (Stuttgart 1989), 83–4.
37 Helms, "Ford und die Nazis," 114.
38 Helms, "Ford und die Nazis," 14–5; and Higham, Trading With the Enemy, 104–5.
39 Silverstein, "Ford and the Führer," 15–6; and Lindner, Das Reichskommüsariet, 121.
40 Kugler, "Das Opel-Management," 52, 61 ff., and 67; and Kugler, "Flugzeuge," 85.
41 Snell, "GM and the Nazis," Ramparts, 12 (June 1974), 14–15; Kugler, "Das Opel-Management," 53, and 67; and Kugler, "Flugzeuge," 89.
42 Higham, Trading With the Enemy, 112.
43 Higham, Trading With the Enemy, 99.
44 Lindner, Das Reichskommissariet, 104.
45 Silverstein, "Ford and the Führer," 12, and 14; Helms, "Ford und die Nazis," 115; and Reich, The Fruits of Fascism, 121, and 123.
46 Silverstein, "Ford and the Führer," 15–16.
47 Kugler, "Das Opel-Management," 55, and 67; and Kugler, "Flugzeuge," 85.
48 Communication of A. Neugebauer of the city archives in Rüsselsheim to the author, 4 February 2000; and Lindner, Das Reichskommissariat, 126–27.
49 Helms, "Ford und die Nazis," 115.
50 Gian Trepp, "Kapital über alles: Zentralbankenkooperation bei der Bank für Internationalen Zahlungsausgleich im Zweiten Weltkrieg," in Philipp Sarasin und Regina Wecker, eds., Raubgold, Reduit, Flüchtlinge: Zur Geschichte der Schweiz im Zweiten Weltkrieg (Zürich 1998), 71–80; Higham, Trading With the Enemy, 1–19 and 175; Anthony Sampson, The Sovereign State of ITT (New York 1973), 47; "VS-Banken collaboreerden met nazi's," Het Nieuwsblad, Brussels, 26 December 1998; and William Clarke, "Nazi Gold: The Role of the Central Banks — Where Does the Blame Lie?," Central Banking, 8, (Summer 1997)
http://www.centralbanking.co.uk/cbv8n11.html
51 Bernt Engelmann, Einig and gegen Recht und Freiheit: Ein deutsches Anti-Geschichtsbuch (München 1975), 263–4; Marie-Luise Recker, "Zwischen sozialer Befriedung und materieller Ausbeutung: Lohn- und Arbeitsbedingungen im Zweiten Weltkrieg," in Wolfgang Michalka, ed., Der Zweite Weltkrieg. Analysen, Grundzüge, Forschungsbilanz (Munich and Zürich 1989), 430–44, especially 436.
52 Lindner, Das Reichkommissariat, 118.
53 Pendergrast, For God, Country, and Coca-Cola, 228.
54 "Ford-Konzern wegen Zwangsarbeit verklagt," Kölner Stadt-Anzeiger, 6 March 1998 as cited in Antifaschistisck Nochrichten, 6 (1998)
http://www.antifaschistischenachrict...998/06/010.htm
55 Karola Fings, "Zwangsarbeit bei den Kölner Ford-Werken," in Felinska, Zwangsarbeit bei Ford, (Cologne 1996), 108. See also Silverstein, "Ford and the Führer," 14; and Billstein et al., 53–5, 135–56.
56 Kugler, "Das Opel-Management," 57; Kugler, "Flugzeuge," 72–6, quotation from 76; and Billstein et al., 53–5.
57 GM-financed patriotic posters may be found in the Still Pictures Branch of the National Archives in Washington, DC.
58 Michael S. Sherry, In the Shadow of War:The United States Since the 1930s (New Haven and London 1995), 172.
59 Higham, Trading With the Enemy, xv, and xxi.
60 Higham, Trading With the Enemy, 44–6.
61 Helms, "Ford und die Nazis," 115–6; Reich, The Fruits of Fascism, 124–5; and Mira Wilkins and Frank Ernest Hill, American Business Abroad: Ford on Six Continents (Detroit 1964), 344–6.
62 Higham, Trading With the Enemy, 212–23; Carolyn Woods Eisenberg, "U.S. Policy in Post-war Germany: The Conservative Restoration," Science and Society, 46 (Spring 1982), 29; Carolyn Woods Eisenberg, "The Limits of Democracy: US Policy and the Rights of German Labor, 1945–1949," in Michael Ermarth, ed., America and the Shaping of German Society, 1945–1955 (Providence, RI and Oxford 1993), 63–4; Billstein et al., 96–97; and Werner Link, Deutsche und amerikanische Gewerkschaften und Geschäftsleute 1945–1975: Eine Studie über transnationale Beziehungen (Düsseldorf 1978), 100–06, and 88.
63 Gabriel Kolko, The Politics of War: The World and United States Foreign Policy, 1943–1945 (New York 1968), 331, and 348–9; Wilfried Loth, Stalins ungeliebtes Kind: Warum Moskau die DDR nicht wollte (Berlin 1994), 18; Wolfgang Krieger, "Die American Deutschlandplanung, Hypotheken und Chancen für einen Neuanfang," in Hans-Erich Volkmann, ed., Ende des Dritten Reiches — Ende des Zweiten Weltkriegs: Eine perspektivische Rückschau (Munich and Zürich 1995), 36, and 40–1; and Lloyd C. Gardner, Architects of Illusion: Men and Ideas in American Foreign Policy 1941–1949 (Chicago 1970), 250–1.
64 Kolko, The Politics of War, 507–11; Rolf Steininger, Deutsche Geschichte 1945–1961: Darstellung und Dokumente in zwei Bänden. Band 1 (Frankfurt am Main 1983), 117–8; Joyce and Gabriel Kolko, The Limits of Power: The World and United States Foreign Policy, 1945–1954 (New York 1972), 125–6; Reinhard Kühnl, Formen bürgerlicher Herrschaft: Liberalismus — Faschismus (Reinbek bei Hamburg 1971), 71; Reinhard Kühnl, ed., Geschichte und Ideologie: Kritische Analyse bundesdeutscher Geschichtsbücher, second edition (Reinbek bei Hamburg 1973), 138–9; Peter Altmann, ed., Hauptsache Frieden. Kriegsende-Befreiung-Neubeginn 1945–1949: Vom antifaschistischen Konsens zum Grundgesetz (Frankfurt-am-Main, 1985), 58 ff.; and Gerhard Stuby, "Die Verhinderung der antifascistisch-demokratischen Umwälzung und die Restauration in der BRD von 1945–1961," in Reinhard Kühnl, ed., Der bürgerliche Staat der Gegenwart: Formen bürgerlicher Herrschaft II (Reinbek bei Hamburg 1972), 91–101.
65 Silverstein, "Ford and the Führer," 15–6; and Lindner, Das Reichskommissariat, 121.
http://www.historycooperative.org/jo...1/pauwels.html
terça-feira, 27 de novembro de 2012
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Um Nazista viaja para a Palestina
Leopold von Mildenstein (sob o pseudônimo „von Limm“)
Der Angriff, 27/09/1934
No navio “Moisés”, uma embarcação especial para emigrantes judeus para a Palestina, a Terra Prometida, um nazista viaja sozinho, e lá observa vilas, cidades, fábricas e os lares das crianças. Em sua viagem jornalística para Jaffa, ele torna-se familiar com os imigrantes judeus, as dificuldades em suas viagens e as esperanças que eles têm em relação ao seu novo lar. Nesta viagem para Jaffa, a maioria é admitida no país e mantém seus passaportes.
A Checagem do Passaporte!
Um barco a motor chega rapidamente em nossa direção, os temidos comissários alfandegários. O capitão, o primeiro oficial, o comissário, o médico, todos estão prontos para a recepção. Todos têm que estar em situação regular com a comissão alfandegária. Primeiro, todos têm que beber juntos para fortalecer o espírito, de modo que tudo possa seguir OK. Se a comissão negar a entrada a um imigrante, a companhia de transporte deve levá-lo de volta a Trieste. Se ele ainda tiver dinheiro, então eles podem tentar fazê-lo pagar pela viagem de retorno. Mas se ele não tem nada, então eles devem levá-lo de volta sem pagamento. Isto é algo que eles desejam evitar.
A comissão é liderada por um inglês, mas os inspetores alfandegários reais são judeus palestinos. A grande escolha começa. Naturalmente, ela inicia pela classe. Quem pagou mais começa por primeiro. Aqueles que têm seus passaportes carimbados, entra nos barcos aliviados. Para ficar certo, eles não são deixados em liberdade total. Eles devem primeiro ir para a seção de quarentena, para adaptação, e então, após três dias, retornam ao médico de quarentena. Mas isto acontece de maneira tranqüila, se tudo funcionar direito.
Arenques Voadores
Nós, os outros, que desejamos ir a Haifa, temos tempo para repouso. Neste ínterim, o segundo oficial livrou-se de sua carga. Isto não é tão simples. Quando alguns arenques pairam sobre o barco, um dos recipientes cai a partir da rede de arame de manivela para o barco. A tampa sai e os arenques aprendem a voar. As mãos rápidas dos árabes capturam-nos rapidamente e, desde que eles não querem voltar voluntariamente para o recipiente, um dos homens morenos pula sobre ele e, sob o forte chute de seus pés descalços, os arenques desistem. A tampa é fechada.
Quando o comissário de bordo, com seu grande sino, faz sinal para o almoço, a embarcação começa a se mover novamente com um curso para o norte, em direção a Haifa, deslizando pela costa. A areia levemente parda das dunas contrasta com a terra costeira fértil que fica atrás. Somente ocasionalmente vemos umas poucas palmeiras. Em seguida, vem a ressaca selvagem surgindo sobre as rochas íngremes das ruínas de Atlet. Atrás delas está o Monte Carmel. É mais de 4 horas da tarde e estamos nos aproximando das construções de Haifa.
Nos Portões para a Índia
Há uma situação totalmente diferente do que aquela pela manhã. O Monte Carmel cai abruptamente quase no porto. Carvalhos e pinheiros cobrem as chalupas. No final, fica um claustro com um farol, o verdadeiro símbolo de Haifa. À esquerda do porto fica a indústria de Haifa. Um grande farol brilha aqui. A cimenteira trabalha constantemente lançando fumaça de suas chaminés cinzas e ruidosas no céu azul.
As casas mais notáveis da cidade já subiram ao longo do cume da montanha. O ar deve ser maravilhoso. Aqui embaixo, apesar da água, é insuportavelmente quente. O enxame de insetos parece ter aguardado nossa vinda. Eles vêm em quantidades sobre nós. Seus ferrões carregam a Papadadschia, uma febre terrível. Seu zumbido, mais alto do que o do pernilongo comum, nos cerca.
Haifa é o único porto protegido pela natureza na costa leste do Mediterrâneo. Uma cadeia de pedras robustas fica ao redor do porto. Guindastes poderosos permanecem no cais. Alguns o chamam a porta de entrada da Inglaterra para a Índia. Então, Haifa é a chave para esta porta. Aqui é o único porto protegido da Costa Oriental. Aqui teremos o maior aeroporto do Oriente. Cruzamento das linhas aéreas de Cidade do Cabo e Índia. Aqui é o terminal do poderoso oleoduto para os campos petrolíferos de Mosul no Iraque. Aqui é o terminal da “ferrovia britânica”, que ligaria Haifa com Bagdá e Basra, assim unindo o Mediterrâneo e o Golfo Persa. E, se alguém não construir essa ferrovia, porque hoje uma auto-estrada seria mais vantajosa, então teríamos o começo desta estrada, que nunca deixa a proteção inglesa, e hoje já basicamente existe.
O “Martha Washington” está ancorado no cais, e a comissão vai a bordo novamente. Permaneço à bordo toda a noite. Meu carro, que passou a viagem inteira à bordo, deve ser registrado. Os funcionários públicos não estão lá. Logo, amanhã, amanhã!
Um Judeu Fascista
Esta é a receita oriental para todas as pessoas impacientes. Quando os árabes querem dizer algo educado para alguém, ele diz "bukra, insha' allah!", ou Amanhã, se Deus quiser. Se nada acontecer amanhã, Deus aparentemente não queria. Espero. Ao meu lado, há também uma família judia imigrante., que permaneceu à bordo, com os outros passageiros. Seus documentos não estão totalmente em ordem. Talvez amanhã. Neste interim, os passageiros para a viagem de retorno chegaram à bordo. Sentamos, sozinhos, na sala de jantar.
No lado oposto, um jovem palestino, carrega um distintivo em sua lapela. Um Menorá de sete braços. Começamos a conversar. Ele é um sionista russo. Eles são seguidores de um líder judeu russo, Trumpeldor, que morreu em combate, aqui na Palestina, logo após a guerra (N. do T.: Primeira Guerra Mundial, 1914 – 1918), na luta contra os árabes. Ele era líder da Legião Judaica. Seus apoiadores agora representam um grupo fascista entre os judeus. Nacionalistas radicais, eles são avessos a qualquer compromisso sobre questões do nacionalismo judaico. Seu partido político é o “Revisionistas”. Seu líder, Jabotinsky, é o enfant terrible dos Congressos Sionistas. Ele não perdoa os ingleses que, contrariamente às suas promessas no final da Guerra, desarmaram a Legião Judaica na Palestina, ao invés de ter protegido o país. Assim, ele está lutando contra os ingleses assim como os árabes. Suas tropas combatentes são uniformizadas. Calças pardas e camisas cor de chocolate. Além disso, eles usam bandoleiras de ombro. Estrelas em seus ombros são os sinais de sua lealdade. Nesta base, a auto-proteção judaica no país é recrutada. E os judeus algumas vezes precisam disto porque os interesses dos ingleses nem sempre são os interesses dos judeus.
Contrabandeando Pessoas
Passo para o convés. O navio está quase vazio. A maioria dos oficiais e homens estão de folga. O navio, na verdade, só parte amanhã à tarde. Na plataforma, permanecem soldados árabes. O cais é constante e cuidadosamente vigiado. Mesmo quando um navio chega, ninguém pode ir às vizinhanças. Mesmo chamar de bordo até o cais e os outros modos era estritamente proibido. Ele, que está a bordo, está em um mundo diferente. Se algum espertinho se atreve a gritar com seus conhecidos ou familiares á bordo, então imediatamente os soldados árabes partem para cima dele balançando seus porretes de forma ameaçadora.
Quando eu novamente cruzei a passarela estritamente observada, notei um soldado árabe que piscou seu olho. Como eu, cheio de expectativa e surpresa, olhei-o, ele caminha em minha direção. Então ele vira no próximo canto do convés. Quando chego lá, ele pisca para mim, de forma sutil. Finalmente, fiquei curioso e o segui. Um segundo árabe juntou-se a nós. Ele dá uma circulada até uma escada mal iluminada. Eles querem converser comigo em algum lugar entre os deques. O que está acontecendo? Um deles somente fala árabe. O outro fala um péssimo ingles. Com tantas piscadas e gestos, fui perguntado se eu estava autorizado a deixar o navio.
“Por que você quer saber isso?”
“Bem, talvez ainda haja possibilidade de entrar no país.” Barcos, bons amigos em terra firme, escuridão. A dica da proposta de gratificação não pode ser mal interpretada.
Portanto, eu imagino que contrabandear pessoas é um bom negócio. Se um pobre diabo de um imigrante sendo enviado de volta pela comissão enfrenta somente a viagem de volta, ele deve ser miserável. A companhia toma seu ultimo dinheiro para a viagem de retorno. Não deve ele estar sujeito à tentação? Com o dinheiro restante, ele continuará. Ele concorda com a proposta e paga. Ele compreende claramente que ele arrisca sua vida. Se o barco for visto, ele receberá tiros da vigilância do porto. Mas, por outro lado, ele está livre então. Quem se preocupará com um judeu desaparecido? Torno isto claro para os meus “guias” que, infelizmente, não poderei aceitar a proposta. Receoso de que eu os trairia, suspeita, raiva agora aparecem em seus olhos. Tento acalmá-los e vagarosamente me afasto deles para a claridade.
Somos Descarregados
A manhã se ergue com a movimentação o porto. Meu carro está agora sendo puxado por um guindaste. Com muito esforço e pouca ajuda, os estivadores árabes completam a manobra. Em seguida, eles querem sua gorjeta, sua recompensa. E então é uma questão de encerrar as formalidades com o carro. Tenho, assim dizendo, boa sorte na Palestina. Mas não sei ainda se alguém perguntará por dinheiro local. Os centros de serviço estão aqui e acolá, no antigo porto, parcialmente no novo. Entre eles, temos dez minutos de corrida e viagem pela areia e pedras, pó e rajadas de vento, lá e em outras partes.Isto me deixa aquecido, mas tenho meu passaporte junto. O dinheiro exigido é pouco, não chega a uma libra esterlina.
O resto da gasolina ainda está lá. A bagagem deve passar pela alfândega, e depois para o carro. Os estivadores do porto são organizados. Um líder acompanha. Mas, apesar disso, alguém tira vantagem disso. Se os carregadores quiserem, duas pessoas carregam uma mala, ao invés do outro modo. Um grupo leva a bagagem para a alfândega. Um deles pretende ser o fiscal e pede uma gorjeta especial, a qual ele reclama. Então, ele desconta imediatamente. Ele deve, é claro, ir embora, rapidamente. Logo se percebe o porquê. A bagagem é pouca na alfândega, quando todos querem o seu dinheiro e desaparecem. Enquanto isso, os outros agarraram as peças controladas, e posso apenas prevenir que um dos árabes de colocá-las em um carrinho que, naturalmente, ele opera. Apesar disso, é claro, ele quer o dinheiro combinado mais a gorjeta. Se trata de uma diferença de opinião, e o pai do dinheiro logo se torna o avô de baixo custo. Ele, que nunca esteve no oriente não pode apreciar o bate-boca e os modos vulgares desta horda suja. Estou feliz de ter salvo meu carro e a mim próprio, e poder desaparecer pelo acesso do porto.
Bombas de gasolina! As bombas de gasolina são quase inexistentes. A gasolina, a maior parte da Shell, é vendida em galões de 18 kg e é colocada diretamente no tanque de combustível. Ela é muito mais barata que em nosso país, mas certamente muito mais suja, apesar da vasilha. O tráfego de automóveis é muito menos significativo do que na Europa. Pode-se ver freqüentemente carros com licenças alemãs. A palestina é completamente motorizada. As principais estradas foram construídas após a guerra pelos ingleses. Assim, portanto, podemos utilizar qualquer tipo de carro para tráfego urbano ou terra firme. Podemos ver vários tipos, mas a maioria é americano.
Fonte: Lenni Brenner, 51 Documents: Zionist Collaboration with the Nazis, pág. 130 (2002)
Der Angriff, 27/09/1934
Mildenstein, nos anos 1950, como executivo da Coca-Cola na Europa
No navio “Moisés”, uma embarcação especial para emigrantes judeus para a Palestina, a Terra Prometida, um nazista viaja sozinho, e lá observa vilas, cidades, fábricas e os lares das crianças. Em sua viagem jornalística para Jaffa, ele torna-se familiar com os imigrantes judeus, as dificuldades em suas viagens e as esperanças que eles têm em relação ao seu novo lar. Nesta viagem para Jaffa, a maioria é admitida no país e mantém seus passaportes.
A Checagem do Passaporte!
Um barco a motor chega rapidamente em nossa direção, os temidos comissários alfandegários. O capitão, o primeiro oficial, o comissário, o médico, todos estão prontos para a recepção. Todos têm que estar em situação regular com a comissão alfandegária. Primeiro, todos têm que beber juntos para fortalecer o espírito, de modo que tudo possa seguir OK. Se a comissão negar a entrada a um imigrante, a companhia de transporte deve levá-lo de volta a Trieste. Se ele ainda tiver dinheiro, então eles podem tentar fazê-lo pagar pela viagem de retorno. Mas se ele não tem nada, então eles devem levá-lo de volta sem pagamento. Isto é algo que eles desejam evitar.
A comissão é liderada por um inglês, mas os inspetores alfandegários reais são judeus palestinos. A grande escolha começa. Naturalmente, ela inicia pela classe. Quem pagou mais começa por primeiro. Aqueles que têm seus passaportes carimbados, entra nos barcos aliviados. Para ficar certo, eles não são deixados em liberdade total. Eles devem primeiro ir para a seção de quarentena, para adaptação, e então, após três dias, retornam ao médico de quarentena. Mas isto acontece de maneira tranqüila, se tudo funcionar direito.
Arenques Voadores
Nós, os outros, que desejamos ir a Haifa, temos tempo para repouso. Neste ínterim, o segundo oficial livrou-se de sua carga. Isto não é tão simples. Quando alguns arenques pairam sobre o barco, um dos recipientes cai a partir da rede de arame de manivela para o barco. A tampa sai e os arenques aprendem a voar. As mãos rápidas dos árabes capturam-nos rapidamente e, desde que eles não querem voltar voluntariamente para o recipiente, um dos homens morenos pula sobre ele e, sob o forte chute de seus pés descalços, os arenques desistem. A tampa é fechada.
Quando o comissário de bordo, com seu grande sino, faz sinal para o almoço, a embarcação começa a se mover novamente com um curso para o norte, em direção a Haifa, deslizando pela costa. A areia levemente parda das dunas contrasta com a terra costeira fértil que fica atrás. Somente ocasionalmente vemos umas poucas palmeiras. Em seguida, vem a ressaca selvagem surgindo sobre as rochas íngremes das ruínas de Atlet. Atrás delas está o Monte Carmel. É mais de 4 horas da tarde e estamos nos aproximando das construções de Haifa.
Nos Portões para a Índia
Há uma situação totalmente diferente do que aquela pela manhã. O Monte Carmel cai abruptamente quase no porto. Carvalhos e pinheiros cobrem as chalupas. No final, fica um claustro com um farol, o verdadeiro símbolo de Haifa. À esquerda do porto fica a indústria de Haifa. Um grande farol brilha aqui. A cimenteira trabalha constantemente lançando fumaça de suas chaminés cinzas e ruidosas no céu azul.
As casas mais notáveis da cidade já subiram ao longo do cume da montanha. O ar deve ser maravilhoso. Aqui embaixo, apesar da água, é insuportavelmente quente. O enxame de insetos parece ter aguardado nossa vinda. Eles vêm em quantidades sobre nós. Seus ferrões carregam a Papadadschia, uma febre terrível. Seu zumbido, mais alto do que o do pernilongo comum, nos cerca.
Haifa é o único porto protegido pela natureza na costa leste do Mediterrâneo. Uma cadeia de pedras robustas fica ao redor do porto. Guindastes poderosos permanecem no cais. Alguns o chamam a porta de entrada da Inglaterra para a Índia. Então, Haifa é a chave para esta porta. Aqui é o único porto protegido da Costa Oriental. Aqui teremos o maior aeroporto do Oriente. Cruzamento das linhas aéreas de Cidade do Cabo e Índia. Aqui é o terminal do poderoso oleoduto para os campos petrolíferos de Mosul no Iraque. Aqui é o terminal da “ferrovia britânica”, que ligaria Haifa com Bagdá e Basra, assim unindo o Mediterrâneo e o Golfo Persa. E, se alguém não construir essa ferrovia, porque hoje uma auto-estrada seria mais vantajosa, então teríamos o começo desta estrada, que nunca deixa a proteção inglesa, e hoje já basicamente existe.
O “Martha Washington” está ancorado no cais, e a comissão vai a bordo novamente. Permaneço à bordo toda a noite. Meu carro, que passou a viagem inteira à bordo, deve ser registrado. Os funcionários públicos não estão lá. Logo, amanhã, amanhã!
Um Judeu Fascista
Esta é a receita oriental para todas as pessoas impacientes. Quando os árabes querem dizer algo educado para alguém, ele diz "bukra, insha' allah!", ou Amanhã, se Deus quiser. Se nada acontecer amanhã, Deus aparentemente não queria. Espero. Ao meu lado, há também uma família judia imigrante., que permaneceu à bordo, com os outros passageiros. Seus documentos não estão totalmente em ordem. Talvez amanhã. Neste interim, os passageiros para a viagem de retorno chegaram à bordo. Sentamos, sozinhos, na sala de jantar.
No lado oposto, um jovem palestino, carrega um distintivo em sua lapela. Um Menorá de sete braços. Começamos a conversar. Ele é um sionista russo. Eles são seguidores de um líder judeu russo, Trumpeldor, que morreu em combate, aqui na Palestina, logo após a guerra (N. do T.: Primeira Guerra Mundial, 1914 – 1918), na luta contra os árabes. Ele era líder da Legião Judaica. Seus apoiadores agora representam um grupo fascista entre os judeus. Nacionalistas radicais, eles são avessos a qualquer compromisso sobre questões do nacionalismo judaico. Seu partido político é o “Revisionistas”. Seu líder, Jabotinsky, é o enfant terrible dos Congressos Sionistas. Ele não perdoa os ingleses que, contrariamente às suas promessas no final da Guerra, desarmaram a Legião Judaica na Palestina, ao invés de ter protegido o país. Assim, ele está lutando contra os ingleses assim como os árabes. Suas tropas combatentes são uniformizadas. Calças pardas e camisas cor de chocolate. Além disso, eles usam bandoleiras de ombro. Estrelas em seus ombros são os sinais de sua lealdade. Nesta base, a auto-proteção judaica no país é recrutada. E os judeus algumas vezes precisam disto porque os interesses dos ingleses nem sempre são os interesses dos judeus.
Contrabandeando Pessoas
Passo para o convés. O navio está quase vazio. A maioria dos oficiais e homens estão de folga. O navio, na verdade, só parte amanhã à tarde. Na plataforma, permanecem soldados árabes. O cais é constante e cuidadosamente vigiado. Mesmo quando um navio chega, ninguém pode ir às vizinhanças. Mesmo chamar de bordo até o cais e os outros modos era estritamente proibido. Ele, que está a bordo, está em um mundo diferente. Se algum espertinho se atreve a gritar com seus conhecidos ou familiares á bordo, então imediatamente os soldados árabes partem para cima dele balançando seus porretes de forma ameaçadora.
Quando eu novamente cruzei a passarela estritamente observada, notei um soldado árabe que piscou seu olho. Como eu, cheio de expectativa e surpresa, olhei-o, ele caminha em minha direção. Então ele vira no próximo canto do convés. Quando chego lá, ele pisca para mim, de forma sutil. Finalmente, fiquei curioso e o segui. Um segundo árabe juntou-se a nós. Ele dá uma circulada até uma escada mal iluminada. Eles querem converser comigo em algum lugar entre os deques. O que está acontecendo? Um deles somente fala árabe. O outro fala um péssimo ingles. Com tantas piscadas e gestos, fui perguntado se eu estava autorizado a deixar o navio.
“Por que você quer saber isso?”
“Bem, talvez ainda haja possibilidade de entrar no país.” Barcos, bons amigos em terra firme, escuridão. A dica da proposta de gratificação não pode ser mal interpretada.
Portanto, eu imagino que contrabandear pessoas é um bom negócio. Se um pobre diabo de um imigrante sendo enviado de volta pela comissão enfrenta somente a viagem de volta, ele deve ser miserável. A companhia toma seu ultimo dinheiro para a viagem de retorno. Não deve ele estar sujeito à tentação? Com o dinheiro restante, ele continuará. Ele concorda com a proposta e paga. Ele compreende claramente que ele arrisca sua vida. Se o barco for visto, ele receberá tiros da vigilância do porto. Mas, por outro lado, ele está livre então. Quem se preocupará com um judeu desaparecido? Torno isto claro para os meus “guias” que, infelizmente, não poderei aceitar a proposta. Receoso de que eu os trairia, suspeita, raiva agora aparecem em seus olhos. Tento acalmá-los e vagarosamente me afasto deles para a claridade.
Somos Descarregados
A manhã se ergue com a movimentação o porto. Meu carro está agora sendo puxado por um guindaste. Com muito esforço e pouca ajuda, os estivadores árabes completam a manobra. Em seguida, eles querem sua gorjeta, sua recompensa. E então é uma questão de encerrar as formalidades com o carro. Tenho, assim dizendo, boa sorte na Palestina. Mas não sei ainda se alguém perguntará por dinheiro local. Os centros de serviço estão aqui e acolá, no antigo porto, parcialmente no novo. Entre eles, temos dez minutos de corrida e viagem pela areia e pedras, pó e rajadas de vento, lá e em outras partes.Isto me deixa aquecido, mas tenho meu passaporte junto. O dinheiro exigido é pouco, não chega a uma libra esterlina.
O resto da gasolina ainda está lá. A bagagem deve passar pela alfândega, e depois para o carro. Os estivadores do porto são organizados. Um líder acompanha. Mas, apesar disso, alguém tira vantagem disso. Se os carregadores quiserem, duas pessoas carregam uma mala, ao invés do outro modo. Um grupo leva a bagagem para a alfândega. Um deles pretende ser o fiscal e pede uma gorjeta especial, a qual ele reclama. Então, ele desconta imediatamente. Ele deve, é claro, ir embora, rapidamente. Logo se percebe o porquê. A bagagem é pouca na alfândega, quando todos querem o seu dinheiro e desaparecem. Enquanto isso, os outros agarraram as peças controladas, e posso apenas prevenir que um dos árabes de colocá-las em um carrinho que, naturalmente, ele opera. Apesar disso, é claro, ele quer o dinheiro combinado mais a gorjeta. Se trata de uma diferença de opinião, e o pai do dinheiro logo se torna o avô de baixo custo. Ele, que nunca esteve no oriente não pode apreciar o bate-boca e os modos vulgares desta horda suja. Estou feliz de ter salvo meu carro e a mim próprio, e poder desaparecer pelo acesso do porto.
Bombas de gasolina! As bombas de gasolina são quase inexistentes. A gasolina, a maior parte da Shell, é vendida em galões de 18 kg e é colocada diretamente no tanque de combustível. Ela é muito mais barata que em nosso país, mas certamente muito mais suja, apesar da vasilha. O tráfego de automóveis é muito menos significativo do que na Europa. Pode-se ver freqüentemente carros com licenças alemãs. A palestina é completamente motorizada. As principais estradas foram construídas após a guerra pelos ingleses. Assim, portanto, podemos utilizar qualquer tipo de carro para tráfego urbano ou terra firme. Podemos ver vários tipos, mas a maioria é americano.
Reportagem do Der Angriff, jornal publicado por Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda de Hitler
Fonte: Lenni Brenner, 51 Documents: Zionist Collaboration with the Nazis, pág. 130 (2002)
terça-feira, 20 de novembro de 2012
[PGM] Os Prisioneiros Esquecidos da Grande Guerra
Panikos Panayi
Próximo da costa ocidental da Ilha de Man, próximo ao porto de Peel, vemos uma placa comemorativa da presença de milhares de prisioneiros, a maior parte alemães, que encontravam-se atrás do arame farpado na Grã-Bretanha durante a Primeira Guerra Mundial, alcançando um pico de 115.950 em novembro de 1918. De fato, pelo final do conflito, a Grã-Bretanha mantinha meio milhão de prisioneiros em escala global, entre os 8,7 milhões de pessoas que foram capturadas durante a Grande Guerra.
Aqueles mantidos na Grã-Bretanha (quase todos homens) caíam em três categorias. Primeiro, internos civis da comunidade alemã estabelecidos na Grã-Bretanha durante o século XIX que tiveram a infelicidade de se encontrar no país durante a eclosão da guerra. Segundo, alemães presos nas colônias britânicas e alemãs, assim como em navios em alto mar, e transportados para campos ao redor do mundo sob um sistema completo de encarceramento desenvolvido pelo Império Britânico. O quartel-general disto estava em Knockaloe, que, em seu pico, manteve 20.000 prisioneiros. Finalmente, militares também foram encarcerados em território britânico. Enquanto estes incluíam tripulações de Zeppelins que haviam aterrissado e membros da marinha alemã (alguns de submarinos) a maioria foi capturada na frente ocidental e, a partir de 1917, enfrentaram transferência crescente para a Grã-Bretanha, onde eles ajudariam com a colheita agrícola.
Durante a guerra, estes internos certamente caíram na boca do povo. Na Grã-Bretanha, a imprensa e políticos lideraram uma campanha para garantir que um internamento completo acontecesse, uma política que tornou-se realidade após o afundamento do navio de passageiros Lusitânia por um submarino alemão em maio de 1915 e tumultos anti-germânicos resultarem do incidente. Simultaneamente, alguns parlamentares e jornais tornaram-se fixados com a idéia de que os prisioneiros alemães na Grã-Bretanha eram bem tratados, enquanto os britânicos na Alemanha, acima de tudo aqueles mantidos no campo de internamento em Ruhleben, próximo de Berlim, sofriam tratamento brutal. Enquanto Ruhleben tornou-se um local de terror nas mentes britânicas, o campo de oficiais em Donington Hill, a mansão majestosa em Derbyshire, começou a simbolizar a aparente mordomia desfrutada pelos prisioneiros alemães na Grã-Bretanha, embora não exatamente.
A percepção na Alemanha de seus cidadãos mantidos em cativeiro na Grã-Bretanha claramente era diferente. De fato, a opinião pública e os parlamentares do Reichstag focaram nas experiências positivas dos prisioneiros mantidos na Alemanha e comparavam isto com o apelo de seu próprio povo aprisionado nos impérios francês, britânico e russo. Parentes de alemães aprisionados na Grã-Bretanha e em outros lugares garantiam que o apelo de seus familiares não estava esquecido, através das atividades de uma série de caridades, acima de tudo a Cruz Vermelha alemã. Enquanto isso, uma enxurrada de livros e panfletos surgiu, e que se prolongou até o final dos anos 1930, enfatizando as experiências dos alemães aprisionados na Grã-Bretanha durante a Grande Guerra. Alguns desses relatos, especialmente aqueles publicados por órgãos governamentais, focaram no mau tratamento experimentado pelos prisioneiros alemães na Grã-Bretanha e em outros lugares. Simultaneamente, uma série de aventuras também surgiu, principalmente “As Aventuras do Aviador de Tsingtao” (Die Abenteuer des Fliegers von Tsingtau), do aviador Günther Plüschow, publicada em 1916, que contava a viagem do autor da China até a Grã-Bretanha e suas façanhas em uma série de campos de internamento, incluindo Donington Hill, de onde ele tornou-se um dos três prisioneiros alemães durante a Grande Guerra que conseguiu escapar da Grã-Bretanha e voltar para casa. Outros relatos simplesmente focaram na realidade da vida diária na prisão. O mais incisivo destes, Time Stood Still, foi escrito na verdade pelo artista e escritor austríaco, Paul Cohen Portheim (1880 – 1932), que encontrava-se pintando na Inglaterra no verão de 1914. Incapaz de voltar, ele gastou boa parte da guerra em um campo de internamento em Wakefield, onde permaneceu até sua libertação em fevereiro de 1918.
Na Alemanha, os anos imediatamente posteriores à Guerra viram o estabelecimento de um número de grupos essencialmente paramilitares estabelecidos por antigos prisioneiros, que haviam sido aprisionados na Grã-Bretanha, França e Rússia. A “Liga do Reich para a Proteção de Prisioneiros Alemães Civis e Militares” (Reichsbund zum Schutze der deutschen Kriegs und Ziviligefangenen), fundada em dezembro de 1918, no início dos anos 1920 tinha mais de 400.000 membros.
Enquanto os prisioneiros alemães se mantiveram em suas memórias após a guerra, os britânicos rapidamente esqueceram-se delas, focando ao invés disso nos antigos internos de Ruhleben e outros campos alemães. A popular germanofobia da Grande Guerra, que resultou na deportação em massa de civis alemães no final do conflito, sobreviveria bem além de 1918. Um dos poucos bretões que tentou preservar as experiências dos internos alemães foi o escritor de Manx Hall Caine (1853 – 1931), que publicou “A Mulher de Knockaloe” (The Woman of Knockaloe) em 1923. A novela centrava na relação entre Mona Craine, a filha do fazendeiro local, e um interno levado para lá da ilha principal, Oskar Heine, um engenheiro previamente empregado por uma empresa inglesa em Mersey. Um conto de amor fadado ao fracasso, o casal eventualmente jogou-se do alto de uma montanha na Ilha de Man por causa da hostilidade britânica e alemã com a sua relação. A estória tornou-se o filme de Hollywood “Arame Farpado” (Barbed Wire) em 1927, apesar do local ter sido mudado da Ilha de Man para a Normandia e a estória teve um final feliz quando o irmão cego de Mona retorna da guerra e envergonha a população local com um apelo racional pelo amor e perdão. A reação anti-alemã ao filme na Grã-Bretanha enfureceu Caine, que escreveu ao Sunday Times opondo-se à sua adulteração por “certos setores da imprensa”, que descreveram o livro como “pró-alemão.
A Segunda Guerra Mundial resultou na descrição simpática de um prisioneiro alemão do conflito de 1914-1918 no filme “A Vida e Morte do Coronel Blimp” (The Life and Death of Colonel Blimp, 1943) de Powell e Pressburger. Isso também produziu incontáveis estórias de captura recente. Na Alemanha, o foco virou-se para os milhões de alemães que estiveram aprisionados desde o início dos anos 1940, principalmente aqueles mantidos na União Soviética, alguns dos quais permaneceram lá até 1955. Eles, junto com um grande número de alemães étnicos expulsos da Europa Oriental após a guerra, tornaram-se símbolos do sofrimento de alemães comuns, assim obscurecendo a memória dos prisioneiros da Primeira Guerra Mundial. Na Grã-Bretanha, um pouco mais de atenção foi dada aos internos da primeira Guerra Mundial, freqüentemente graças aos esforços de historiadores locais.
Mas, muito surpreendentemente, a história dos prisioneiros da Primeira Guerra Mundial da Grã-Bretanha acaba de ser escrita, quase um século após o conflito. Pisque os olhos ao caminhar pela Fazenda Knockaloe e você perderá um dos únicos sinais físicos desta história. Parece ser época para um memória mais permanente a estas vítimas da Primeira Guerra Mundial surgir na Grã-Bretanha.
http://www.historytoday.com/panikos-panayi/forgotten-prisoners-great-war
Próximo da costa ocidental da Ilha de Man, próximo ao porto de Peel, vemos uma placa comemorativa da presença de milhares de prisioneiros, a maior parte alemães, que encontravam-se atrás do arame farpado na Grã-Bretanha durante a Primeira Guerra Mundial, alcançando um pico de 115.950 em novembro de 1918. De fato, pelo final do conflito, a Grã-Bretanha mantinha meio milhão de prisioneiros em escala global, entre os 8,7 milhões de pessoas que foram capturadas durante a Grande Guerra.
Aqueles mantidos na Grã-Bretanha (quase todos homens) caíam em três categorias. Primeiro, internos civis da comunidade alemã estabelecidos na Grã-Bretanha durante o século XIX que tiveram a infelicidade de se encontrar no país durante a eclosão da guerra. Segundo, alemães presos nas colônias britânicas e alemãs, assim como em navios em alto mar, e transportados para campos ao redor do mundo sob um sistema completo de encarceramento desenvolvido pelo Império Britânico. O quartel-general disto estava em Knockaloe, que, em seu pico, manteve 20.000 prisioneiros. Finalmente, militares também foram encarcerados em território britânico. Enquanto estes incluíam tripulações de Zeppelins que haviam aterrissado e membros da marinha alemã (alguns de submarinos) a maioria foi capturada na frente ocidental e, a partir de 1917, enfrentaram transferência crescente para a Grã-Bretanha, onde eles ajudariam com a colheita agrícola.
Durante a guerra, estes internos certamente caíram na boca do povo. Na Grã-Bretanha, a imprensa e políticos lideraram uma campanha para garantir que um internamento completo acontecesse, uma política que tornou-se realidade após o afundamento do navio de passageiros Lusitânia por um submarino alemão em maio de 1915 e tumultos anti-germânicos resultarem do incidente. Simultaneamente, alguns parlamentares e jornais tornaram-se fixados com a idéia de que os prisioneiros alemães na Grã-Bretanha eram bem tratados, enquanto os britânicos na Alemanha, acima de tudo aqueles mantidos no campo de internamento em Ruhleben, próximo de Berlim, sofriam tratamento brutal. Enquanto Ruhleben tornou-se um local de terror nas mentes britânicas, o campo de oficiais em Donington Hill, a mansão majestosa em Derbyshire, começou a simbolizar a aparente mordomia desfrutada pelos prisioneiros alemães na Grã-Bretanha, embora não exatamente.
Vista do Campo de Knockaloe durante a Guerra
Vista atual do Campo de Knockaloe
A percepção na Alemanha de seus cidadãos mantidos em cativeiro na Grã-Bretanha claramente era diferente. De fato, a opinião pública e os parlamentares do Reichstag focaram nas experiências positivas dos prisioneiros mantidos na Alemanha e comparavam isto com o apelo de seu próprio povo aprisionado nos impérios francês, britânico e russo. Parentes de alemães aprisionados na Grã-Bretanha e em outros lugares garantiam que o apelo de seus familiares não estava esquecido, através das atividades de uma série de caridades, acima de tudo a Cruz Vermelha alemã. Enquanto isso, uma enxurrada de livros e panfletos surgiu, e que se prolongou até o final dos anos 1930, enfatizando as experiências dos alemães aprisionados na Grã-Bretanha durante a Grande Guerra. Alguns desses relatos, especialmente aqueles publicados por órgãos governamentais, focaram no mau tratamento experimentado pelos prisioneiros alemães na Grã-Bretanha e em outros lugares. Simultaneamente, uma série de aventuras também surgiu, principalmente “As Aventuras do Aviador de Tsingtao” (Die Abenteuer des Fliegers von Tsingtau), do aviador Günther Plüschow, publicada em 1916, que contava a viagem do autor da China até a Grã-Bretanha e suas façanhas em uma série de campos de internamento, incluindo Donington Hill, de onde ele tornou-se um dos três prisioneiros alemães durante a Grande Guerra que conseguiu escapar da Grã-Bretanha e voltar para casa. Outros relatos simplesmente focaram na realidade da vida diária na prisão. O mais incisivo destes, Time Stood Still, foi escrito na verdade pelo artista e escritor austríaco, Paul Cohen Portheim (1880 – 1932), que encontrava-se pintando na Inglaterra no verão de 1914. Incapaz de voltar, ele gastou boa parte da guerra em um campo de internamento em Wakefield, onde permaneceu até sua libertação em fevereiro de 1918.
Na Alemanha, os anos imediatamente posteriores à Guerra viram o estabelecimento de um número de grupos essencialmente paramilitares estabelecidos por antigos prisioneiros, que haviam sido aprisionados na Grã-Bretanha, França e Rússia. A “Liga do Reich para a Proteção de Prisioneiros Alemães Civis e Militares” (Reichsbund zum Schutze der deutschen Kriegs und Ziviligefangenen), fundada em dezembro de 1918, no início dos anos 1920 tinha mais de 400.000 membros.
Enquanto os prisioneiros alemães se mantiveram em suas memórias após a guerra, os britânicos rapidamente esqueceram-se delas, focando ao invés disso nos antigos internos de Ruhleben e outros campos alemães. A popular germanofobia da Grande Guerra, que resultou na deportação em massa de civis alemães no final do conflito, sobreviveria bem além de 1918. Um dos poucos bretões que tentou preservar as experiências dos internos alemães foi o escritor de Manx Hall Caine (1853 – 1931), que publicou “A Mulher de Knockaloe” (The Woman of Knockaloe) em 1923. A novela centrava na relação entre Mona Craine, a filha do fazendeiro local, e um interno levado para lá da ilha principal, Oskar Heine, um engenheiro previamente empregado por uma empresa inglesa em Mersey. Um conto de amor fadado ao fracasso, o casal eventualmente jogou-se do alto de uma montanha na Ilha de Man por causa da hostilidade britânica e alemã com a sua relação. A estória tornou-se o filme de Hollywood “Arame Farpado” (Barbed Wire) em 1927, apesar do local ter sido mudado da Ilha de Man para a Normandia e a estória teve um final feliz quando o irmão cego de Mona retorna da guerra e envergonha a população local com um apelo racional pelo amor e perdão. A reação anti-alemã ao filme na Grã-Bretanha enfureceu Caine, que escreveu ao Sunday Times opondo-se à sua adulteração por “certos setores da imprensa”, que descreveram o livro como “pró-alemão.
A Segunda Guerra Mundial resultou na descrição simpática de um prisioneiro alemão do conflito de 1914-1918 no filme “A Vida e Morte do Coronel Blimp” (The Life and Death of Colonel Blimp, 1943) de Powell e Pressburger. Isso também produziu incontáveis estórias de captura recente. Na Alemanha, o foco virou-se para os milhões de alemães que estiveram aprisionados desde o início dos anos 1940, principalmente aqueles mantidos na União Soviética, alguns dos quais permaneceram lá até 1955. Eles, junto com um grande número de alemães étnicos expulsos da Europa Oriental após a guerra, tornaram-se símbolos do sofrimento de alemães comuns, assim obscurecendo a memória dos prisioneiros da Primeira Guerra Mundial. Na Grã-Bretanha, um pouco mais de atenção foi dada aos internos da primeira Guerra Mundial, freqüentemente graças aos esforços de historiadores locais.
Mas, muito surpreendentemente, a história dos prisioneiros da Primeira Guerra Mundial da Grã-Bretanha acaba de ser escrita, quase um século após o conflito. Pisque os olhos ao caminhar pela Fazenda Knockaloe e você perderá um dos únicos sinais físicos desta história. Parece ser época para um memória mais permanente a estas vítimas da Primeira Guerra Mundial surgir na Grã-Bretanha.
http://www.historytoday.com/panikos-panayi/forgotten-prisoners-great-war
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Revendo as Conseqüências da “Boa Guerra”: A Verdade Emergindo em um Oceano de Mito
Dwight D. Murphey
After the Reich: The Brutal History of the
Allied Occupation
Aqueles que narram honestamente os acontecimentos humanos,
atuais e passados, são pessoas raras e honradas. Deveríamos certamente
honrá-los no panteão de nossos deuses terrestres. Ao fazermos isso,
incluiremos, indubitavelmente, aqueles que, sem qualquer espécie de preconceito
contra o Ocidente ou os EUA ou seu povo, mas apenas pelo desejo da verdade, são
levados a lançar uma luz sobre os eventos que se seguiram ao final da Segunda
Guerra Mundial (assim como as atrocidades que foram cometidas como resultado do
modo pelo qual a guerra foi travada contra as populações civis, apesar deste
não o objetivo do texto). A guerra tem sido conhecida pelos americanos como “a
boa guerra” e aqueles que a lutaram como “a grande geração”. Mas agora,
gradualmente, somos atingidos pelas realidades tão comuns a uma existência humana
complexa: houve muito que não foi bom e, junto com o auto-sacrifício e as
melhores intenções, houve muita coisa venenosa e brutal. Estas realidades estão
sendo reveladas porque há alguns acadêmicos, pelo menos, que são conscientes
que um oceano de propaganda de guerra ainda espalha um mito que se prolonga por
muitas décadas e que têm um comprometimento com a verdade que sobrepuja a
persuasão para se conformar com o mito.
Em seu
Prefácio , MacDonogh diz que seu objetivo é “expor os aliados
vitoriosos em seu tratamento do inimigo em tempo de paz, na maioria dos casos
não foram os criminosos que foram estuprados, levados à fome, torturados ou
surrados, mas mulheres, crianças e pessoas idosas.” Apesar disto sugerir que a
tônica do livro será de ultraje, a narrativa é mais informativa do que
polêmica. As fontes de pesquisa de MacDonogh incluem muitos livros de história
alemã e francesa e biografias (assim como quatro livros sobre vinhos).
Os americanos fizeram uma distinção entre os 4,2 milhões de soldados capturados durante a guerra, que estavam sujeitos a proteção e subsistência pelas convenções de Haia e Genebra, e os 3,4 milhões capturados no ocidente ao seu final. McDonogh diz que o último grupo foi classificado como “Inimigos Rendidos” (Surrendered Enemy Persons, SEP) ou como “Inimigos Desarmados” (Disarmed Enemy Persons, DEP) e não contavam com a proteção destas convenções. Ele não dá um número total que morreu sob a custódia americana, dizendo “não está claro quantos soldados alemães morreram por fome.” Ele fala, entretanto, de muitas situações: “Os campos de PdG americanos mais conhecidos eram chamados de Rheinwiesenlager.” Aqui, os americanos permitiram que “cerca de 40.000 soldados alemães morressem por inanição e negligência nos pântanos do Reno.” Ele diz “qualquer tentativa de alimentar os prisioneiros pela população civil alemã era punida com morte.” Apesar da Cruz Vermelha ser responsável pela inspeção, “o entorno com arame farpado para os SEPs e DEPs era impenetrável.” Em outros lugares, "no Quartel dos Engenheiros em Worms ... havia 30.000-40.000 prisioneiros sentados no pátio, disputando espaço. Sem proteção contra a chuva, eles congelaram.” Os prisioneiros foram deixados passar fome em Langwasser, e em um “campo conhecido” em Zuffenhausen “por meses o almoço era sopa rala, com metade de uma batata na janta por dia.”
http://www.dwightmurphey-collectedwritings.info/A99-MacDonogh-BRArt.htm
http://epaubel.blogspot.com.br/2012/10/sgm-como-gra-bretanha-torturou-pdg.html
http://epaubel.blogspot.com.br/2012/06/pol-cova-encontrada-na-ucrania-contem.html
http://epaubel.blogspot.com.br/2012/05/sgm-o-ano-da-vinganca.html
Giles MacDonogh
Basic Books, 2007
Este artigo começa com uma simples resenha do livro de Giles
MacDonogh, que está identificado acima. Seu
livro é largamente do tipo demolidor de mito que eu aprecio. Entretanto, pelo
fato de haver material valioso adicional que sou contrário deixar não
mencionado, expandi-o para incluir outras informações e autores, deixando-o
mesmo assim como uma resenha de After de
Reich (“Após o Reich”, em tradução livre).
O livro de MacDonogh é desconcertante, tanto corajoso quanto
covarde, a maior parte (mas não inteiramente) digna de altos elogios que
devemos fazer a estudiosos incorruptíveis. Como mencionamos, o público
americano tem pensado no esforço aliado na Segunda Guerra mundial como uma
“grande cruzada” que contrapôs bondade e decência contra a maldade nazista.
Mesmo após todos estes anos, a última coisa que o público deseja aprender são
os vastos e inexplicáveis erros que foram cometidos pelos Aliados Ocidentais e
União Soviética durante a guerra e suas conseqüências. Cabe a MacDonogh bater
na face de nossa relutância para contar “a história brutal” em grande estilo.
Esta disposição é recomendável por sua bravura intelectual. Em face disso, é
intrigante que, mesmo que ele faça isso,
ele coloca um brilho a mais na história, na verdade continuando em parte um encobrimento de proporções históricas, o qual foi fixado pelo excesso de propaganda
de guerra por quase dois terços de século. O grande valor deste livro não pode, assim,
ser encontrado em sua integridade ou sinceridade explícita, mas, ao invés
disso, agindo como uma ponte – apesar de sua grande extensão – que pode iniciar
os leitores conscientes a seguir um estudo adicional de um assunto extremamente
importante.
Para este artigo,
será valioso começar resumindo a história que MacDonogh relata (e acrescentar
alguma coisa a ela). É somente após fazer isso que discutiremos o que McDonogh
obscurece. Tudo isto levará, então, a reflexões conclusivas.
As expulsões
(hoje chamadas “limpeza étnica”). Ao final da guerra, MacDonogh nos diz, “tanto
quanto 16.5 milhões de alemães foram expulsos de seus lares.” 9,3 milhões foram
expulsos da porção oriental da Alemanha, que foi entregue à Polônia. (Tanto as
fronteiras ocidental quanto a oriental da Polônia foram drasticamente afetadas
por acordo dos Aliados, com a Polônia tomando uma parte importante da Alemanha
e a União Soviética tomando a Polônia Oriental.) Os outros 7,2 milhões foram
forçados a deixar seus lares centenários na Europa Central, onde eles haviam
vivido por gerações.
Esta expulsão em massa foi estabelecida no Acordo de Postdam
em meados de 1945, apesar do acordo tornar explícito que a limpeza étnica
aconteceria “na maneira mais humana possível.” Churchill estava entre aqueles
que apoiaram-na como necessária “para uma paz duradoura.”
De fato, o processo foi tão desumano que tornou-se uma das
maiores atrocidades da história. MacDonogh relata que “cerca de dois milhões e
um quarto morreriam durante as expulsões.” Esta é uma das estimativas mais
baixas, que variam entre 2,1 a
6 milhões, se levarmos somente os expulsos em conta. Konrad
Adenauer , um grande amigo do Ocidente, sentiu-se capaz de
afirmar que entre os expulsos “seis milhões de alemães estão mortos,
desapareceram.” Veremos no relato de MacDonogh a fome e a exposição a frio
extremo às quais a população da Alemanha foi submetida, e é importante
mencionar neste ponto (apesar de ir além das expulsões) que o historiador James
Bacque que “a comparação dos censos mostram-nos que cerca de 5,7 milhões de
pessoas desapareceram no interior da Alemanha entre outubro de 1946 (um ano e
meio após a guerra ter encerrado) e setembro de 1950...”
O que MacDonogh chama “a maior tragédia maritime de todos os
tempos” ocorreu quando o navio Wilhelm Gustloff, transportando alemães de
Danzig em janeiro de 1945, foi afundado com “cerca de 9.000 pessoas, ... muitos
deles crianças.” Em meados de 1946, “fotografias mostram que cerca de 586.000
alemães boêmios colocados em caminhões como sardinhas.” Em outro ponto,
McDonogh nos diz como “os refugiados eram freqüentemente transportados de forma
tão apertada que eles não podiam mover-se para defecar e saíam dos veículos
cobertos de excremento. Muitos estavam mortos na chegada.” (Isto lembra as
cenas descritas tão vividamente no Volume I do livro “O Arquipelago Gulag” de
Solzhenitsyn). Na Silésia, “correntes de civis foram forçados para fora de seus
lares sob a mira de fuzis.” Um padre estimou que um quarto da população alemã
de uma cidade da Baixa Silésia suicidou-se, já que famílias inteiras cometeram
suicídio juntas.
A condição da
população alemã – fome e frio extremo. Os alemães se referem a 1947 como Hungerjahr, o “ano da fome”, mas
MacDonogh diz que “mesmo no inverno de 1948 a situação não havia sido remediada.” As
pessoas se alimentavam de cães, gatos, sapos, caracóis, urtiga, bolotas (fruto
do carvalho), raiz de erva e cogumelos num esforço desesperado para sobreviver.
Em 1946, as calorias fornecidas na zona americana da Alemanha caíram para 1.313
em março das 1.550 fornecidas anteriormente. Victor Gollancz, um escritor
britânico judeu, afirmou “estamos matando os alemães de fome.” Isto é
semelhante à afirmação feita pelo senador Homer Capehart de Indiana em um
discurso no Senado americano de 5 de fevereiro de 1946: “Por nove meses esta
administração está conduzindo uma política deliberada de fome em massa...”
MacDonogh nos diz que a Cruz Vermelha, os Quakers, Menonitas e outros queriam
levar comida, mas “no inverno de 1945 as doações eram retornadas com a
recomendação de que elas seriam usadas em outras partes afetadas pela guerra na
Europa.” Na zona americana de Berlim, “era política americana que nada fosse
dado ou jogado fora. Logo, aquelas mulheres alemãs que trabalhavam para os
americanos eram fantasticamente bem alimentadas, mas não poderiam levar nada
para suas famílias ou crianças.” Bacque diz “as agências estrangeiras de alívio
foram prevenidas de enviar alimentos de fora; os trens de alimentos da Cruz
Vermelha eram enviados de volta à Suíça; todos os governos estrangeiros eram
proibidos de enviar comida aos civis alemães; a produção de fertilizantes foi
drasticamente reduzida... a frota de pesca foi mantida nos portos enquanto as
pessoas morriam de fome.”
Sob a ocupação russa da Prússia Oriental, MacDonogh vê
“semelhanças gritantes” à “fome deliberada dos kulaks ucranianos no início dos
anos 1930”
promovida por Stalin. Como na Ucrânia, “casos de canibalismo foram relatados,
com pessoas se alimentando de carne de suas crianças mortas.”
O sofrimento do frio extreme misturado à fome criaram
miséria e uma alta taxa de mortandade. Apesar do inverno de 1945-46 ser normal,
“a falta terrível de carvão e alimento foi sensivelmente sentida.” Invernos
anormalmente frios aconteceram em 1946-47 (“possivelmente o mais frio na
memória”) e 1948-49. Somente em Berlim, acredita-se que 60.000 pessoas morreram
nos primeiros dez meses após o fim da guerra, e “o inverno seguinte matou mais
12.000.” As pessoas viviam em buracos entre as ruínas, e “alguns alemães –
particularmente os refugiados do leste – estavam virtualmente nus.
No seu
livro Gruesome Harvest: The Allies’ Postwar War Against The German People (“A Resposta
Terrível: A guerra do pós-guerra dos Aliados contra o povo alemão”, em tradução
livre), Ralph Franklin Keeling cita o relato de um “pastor alemão famoso”:
“Milhares de corpos estão pendurados nas árvores das florestas ao redor de Berlim
e ninguém se importa em retirá-los de lá. Milhares de corpos estão sendo
levados para o mar pelos rios Oder e Elba – ninguém mais se importa. Milhares e
milhares estão morrendo de fome nas rodovias... as crianças vagam pelas
estradas sozinhas...”
No seu livro The German Expellees: Victims in War and
Peace (“Os expulsos alemães:
vítimas na Guerra e na paz”, em tradução livre), Alfred-Maurice de Zayas disse
como o Marechal Tito da Iugoslávia usou campos como centros de extermínio para
matar de fome alemães.
Estupros em massa –
para o qual alguém deve acrescentar o “sexo voluntário” obtido com mulheres
passando fome. A onde de estupros pelas forças invasoras russas é,
certamente, infame. Na zona russa da Áustria, “o estupro era parte da vida
diária ente 1947 e muitas mulheres foram infectadas com doenças venéreas e não
tinham meios de tratá-las.” MacDonogh nos diz que “estimativas conservadoras
colocam o número de mulheres estupradas em Berlim em 20.000.” Quando os
britânicos chegaram a Berlim, “oficiais lembram do choque de ver os lagos no
oeste próspero cheios de corpos mulheres que cometeram suicídio após terem sido
estupradas.” A idade das vítimas faz pouca diferença, variando dos 12 aos 75
anos. Enfermeiras e freiras estavam entre as vítimas (algumas cerca de
cinqüenta vezes). “Os russos eram particularmente cruéis com os ricos,
colocando fogo nas mansões e estuprando ou matando seus moradores.” Apesar “da
maioria das crianças russas serem abortadas,” diz MacDonogh “é estimado que
entre 150.000 e 200.000 bebês russos sobreviveram.” Os russos estupravam onde
quer que fossem, de modo que não foram só as mulheres alemãs que foram
estupradas, mas também mulheres da Hungria, Bulgária, Ucrânia e Iugoslávia,
mesmo este último país sendo aliado soviético.
Havia uma política oficial contra o estupro, mas era tão
comumente ignorada que “foi somente em 1949 que soldados russos foram ameaçados
realmente.” Até então, “eles eram estimulados por (Ilya) Ehrenburg e outros
propagandistas soviéticos que viam o estupro como uma expressão de ódio.”
Embora houvesse “incidência difundida de estupro por
soldados americanos,” havia uma polícia militar de segurança contra ele, com
“um número de soldados americanos executados” por isso. As acusações criminais
feitas por estupro “cresceram constantemente” durante os meses finais da
guerra, mas caíram rapidamente depois. O que continuou depois foi decididamente
quase tão ruim: a exploração sexual de mulheres passando fome que
“voluntariamente” vendiam serviços sexuais por comida. Em Gruesome Harvest , Keeling cita um artigo no Christian Century de 5 de dezembro de
1945: “O chefe de segurança americano... disse que o estupro não representa
problema para a polícia militar porque ‘um pouco de comida, uma barra de
chocolate ou um sabonete parece tornar o estupro desnecessário.” A extensão
disto é mostrada pelo número que MacDonogh fornece de um “estimado 94.000 Besatzungskinder ou ‘crianças da
ocupação’ (que) nasceram na zona americana.” Ele diz que em 1945-6 “muitas
meninas caíram na prostituição para sobreviver. Meninos, também, prestavam serviços a soldados
aliados.”
Keeling, escrevendo para a publicação de 1947 de seu livro
(que explica seu uso do verbo no presente), disse que havia “um aumento nas
doenças venéreas que atingiu proporções epidêmicas,” e continuou dizendo que
“uma grande proporção de contaminação originou-se de soldados negros que
estacionaram em grande número na Alemanha e entre eles a taxa de infecção
venérea é muitas vezes maior do que entre as tropas brancas.” Em julho de 1946,
ele diz, a taxa anual de infecção em soldados brancos era de 19%, enquanto que
para as tropas negras 77,1%. Ele reiterou o ponto que estamos fazendo aqui
quando ele apontou “a conexão íntima entre a taxa de doenças venéreas e disponibilidade
comida.”
Se MacDonogh menciona o estupro por soldados britânicos,
isso me escapou. Ele fala, entretanto, de estupro por poloneses, franceses,
guerrilheiros de Tito e pessoas sem teto. Em Danzig, “os poloneses
comportavam-se tão ruim quanto os russos... foram os poloneses que libertaram a
cidade de Teschen no norte (da Tchecoslováquia) em 10 de maio. Por cinco dias
eles estupraram, roubaram, queimaram e mataram.” Ele escreve do “comportamento
de soldados franceses em Stuttgart, onde cerca de 3.000 mulheres e 8 homens
foram estuprados,” diz “mais 500 mulheres (foram) estupradas em Vaihingen,” e
relata “três dias de assassinatos, roubos, incêndios criminosos e estupro” em Freundenstadt. Das
pessoas sem teto, ele diz que “havia cerca de dois milhões de prisioneiros de
guerra (PdG) e trabalhadores forçados da Rússia que formaram gangues, roubaram
e estupraram por toda Europa Central.”
Tratamento de PdG.
Ao todo, havia aproximadamente 11 milhões de prisioneiros de guerra alemães. Um
milhão e meio destes jamais retornaram para casa. MacDonogh expressa um ultraje
apropriado aqui: “Para tratá-los com tal desleixo com um milhão e meio de
mortos foi escandaloso.”
A Cruz Vermelha não tinha responsabilidade sobre aqueles
mantidos pelos russos, já que a União Soviética não assinou a Convenção de
Genebra. MacDonogh diz que os russos não faziam distinção entre civis alemães e
PdG, apesar de sabermos que um relatório da KGB os classificavam para execução
e outros objetivos. Ao final da guerra, eles mantinham aproximadamente 4 ou 5
milhões dentro da Rússia (e aqui, novamente, os arquivos da KGB são uma
importante fonte de consulta, como o historiador James Bacque fez; eles mostram
um número de 2.389.560). Grandes números foram mantidos em cativeiro por mais
de dez anos, tendo sido enviados de volta à Alemanha somente após a visita de
Konrad Adenauer a Moscou em 1956. Mesmo assim, em 1979 – 34 anos depois do fim
da guerra! – “acreditava-se haver ainda 72.000 prisioneiros vivos sob custódia
russa.” Cerca de 90.000 soldados alemães foram capturados em Stalingrado, mas
somente 5.000 voltaram para casa.
Os americanos fizeram uma distinção entre os 4,2 milhões de soldados capturados durante a guerra, que estavam sujeitos a proteção e subsistência pelas convenções de Haia e Genebra, e os 3,4 milhões capturados no ocidente ao seu final. McDonogh diz que o último grupo foi classificado como “Inimigos Rendidos” (Surrendered Enemy Persons, SEP) ou como “Inimigos Desarmados” (Disarmed Enemy Persons, DEP) e não contavam com a proteção destas convenções. Ele não dá um número total que morreu sob a custódia americana, dizendo “não está claro quantos soldados alemães morreram por fome.” Ele fala, entretanto, de muitas situações: “Os campos de PdG americanos mais conhecidos eram chamados de Rheinwiesenlager.” Aqui, os americanos permitiram que “cerca de 40.000 soldados alemães morressem por inanição e negligência nos pântanos do Reno.” Ele diz “qualquer tentativa de alimentar os prisioneiros pela população civil alemã era punida com morte.” Apesar da Cruz Vermelha ser responsável pela inspeção, “o entorno com arame farpado para os SEPs e DEPs era impenetrável.” Em outros lugares, "no Quartel dos Engenheiros em Worms ... havia 30.000-40.000 prisioneiros sentados no pátio, disputando espaço. Sem proteção contra a chuva, eles congelaram.” Os prisioneiros foram deixados passar fome em Langwasser, e em um “campo conhecido” em Zuffenhausen “por meses o almoço era sopa rala, com metade de uma batata na janta por dia.”
Seria um engano pensar que em um mundo com escassez de
alimentos tornaram os EUA incapazes de alimentar seus prisioneiros. Bacque escreve que “o capitão Lee
Berwick da 42ª. Divisão de Infantaria, que comandou as torres de
vigilância no Campo Bretzenheim,… me contou, ‘alimentos foram empilhados em
torno do muro do campo. Os prisioneiros viam de lá caixotes empilhados tão
altos quanto bangalôs.’”
O que MacDonogh nos conta sobre o tratamento dos PdG alemães
da Grã-Bretanha parece conflitante. Ela tinha 391.880 prisioneiros trabalhando na
Grã-Bretanha em 1946, e um total de 600 campos lá em 1948. Ele diz “o regime
não era tão duro, e em termos de porcentagem de mortos sob custódia britânica é
visivelmente baixa comparado aos outros aliados.” Em todos os lugares,
entretanto, ele fala como “os britânicos podiam burlar (as recomendações da
Convenção de Genebra)... que eles fornecem 2.000 a 3.000 calorias por
dia,” de modo que “pela maior parte do tempo os níveis caíram para baixo de
1.500 calorias.” Lá, “as condições para os 130.000 prisioneiros foram relatadas
como sendo ‘não muito melhores do que Belsen’ (N. do T.: campo de concentração
nazista Bergen-Belsen.)... Quando o campo foi inspecionado em abril de 1947, foram
encontradas apenas quatro lâmpadas funcionando... não havia combustível, colchões
de palha e nenhuma comida, exceto sopa rala.”
Uma reportagem da Reuters em dezembro de 2005 acrescenta uma
dimensão importante: “A Grã-Bretanha administrou uma prisão secreta na Alemanha
por dois anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, onde os prisioneiros,
incluindo membros do partido nazista, foram torturados e deixados passar fome,
diz o jornal Guardian. Citando arquivos do Departamento Estrangeiro que foram
abertos após um pedido com o Ato de Liberdade de Informação, o jornal diz que a
Grã-Bretanha havia mantido homens e mulheres na prisão em Bad Nenndorf até
julho de 1947... “Ameaças de execução de prisioneiros, ou prisão, tortura e
assassinato de suas esposas e filhos foram considerados ‘meios apropriados’ já
que tais ameaças jamais seriam levadas a cabo,” relata o jornal.
Os franceses queriam que trabalhadores alemães ajudassem a
reconstruir o país, e para este objetivo, os britânicos e americanos
transferiram cerca de um milhão de soldados alemães para eles. MacDonogh diz
“seu tratamento foi particularmente brutal.” Não muito após a guerra, de acordo
com a Cruz Vermelha, 200.000 dos prisioneiros estavam passando fome. Sabemos de
um campo “no Sarthe (onde) os prisioneiros tinham que sobreviver com 900
calorias por dia.”
A destruição da
economia alemã. Os líderes aliados discordavam entre si sobre o Plano
Morgenthau de retirar a natureza industrial da Alemanha e transformá-la em um
país agrícola. A oposição de alguns e a hesitação de outros não preveniram,
entretanto, uma implantação real do plano. Na época que o confisco terminou, a
Alemanha estava grandemente despojada de sua infra-estrutura produtiva.
MacDonogh diz que sob os russos “Berlim perdeu cerca de 85%
de sua capacidade industrial.” Todas as máquinas foram levadas de Viena. Os
navios foram tomados do Danúbio, e “uma prioridade soviética era a apreensão de
todos os trabalhos importantes de arte encontrados na capital (Viena). Isto foi
uma operação totalmente planejada.” Mas “pior do que a remoção em escala total
da base industrial da terra era a abdução de homens e mulheres para desenvolver
a indústria na União Soviética.”
Sob os americanos, o desmantelamento dos sítios industriais
continuou até o General Lucius Clay interrompê-lo um ano após o fim da guerra.
Até Clay agir, a Cláusula 6 da Ordem dos Chefes de Staff 1067 fundamentavam o
Plano Morgenthau. MacDonogh diz que onde “a roubalheira oficial americana foi
conduzida em uma escala maciça” foi “na apreensão de equipamento científico e
seqüestro de cientistas”.
Os britânicos tomaram muito para si e repassaram outras
propriedades industriais para “estados clientes” como Grécia e Iugoslávia. A
família real britânica recebeu o iate de Göring, e a zona britânica da Alemanha
foi destituída de “plantas (industriais) que mais tarde poderiam competir com
as industrias britânicas.” MacDonogh diz “os britânicos... tinham seu próprio
departamento de roubo organizado na (assim chamada) Força-T, que consistia em
reunir toda inventividade industrial...”
De sua parte, os franceses garantiram “o direito de
pilhagem.” “Os franceses... não escondiam a rapinagem no negócio do cloro em
Rheinfelden, da celulose em Rottweil, as minas da Preussag AG ou os grupos
químicos da Rhodia,” ... e muito mais.
Se o plano tivesse sido totalmente implantado em um longo
período de tempo, os efeitos teriam sido calamitosos. Keeling, em Gruesome Harvest , diz que ao buscar “a destruição
permanente do coração industrial da Alemanha” teria tido uma “conseqüência
inevitável... a morte por fome e doenças de milhões e dezenas de milhões de
alemães.”
A repatriação forçada
de russos para Stalin. O livro de MacDonogh se limita à ocupação aliada,
mas há, é claro, muitos outros aspectos da guerra que merecem menção, apesar de
que aqui nos limitaremos a apenas um deles. É a repatriação aliada de russos
capturados para a União Soviética. Em “A Traição Secreta” (The Secret Betrayal, em tradução livre), Nicolai Tolstoy nos diz
como entre 1943 e 1947, um total de 2.272.000 russos foram devolvidos. Os
russos capturaram mais 2.946.000 de partes da Europa tomadas pelo Exército
vermelho. Aqueles enviados à Soviética pelas democracias ocidentais incluíam
milhares de pessoas que eram emigrantes czaristas e nunca viveram sob o regime
soviético. Tolstoy diz que apesar de muitos quererem retornar à Rússia
(enquanto muitos outros desesperadamente não queriam, e foram mandados de volta
esperneando e gritando), eles foram uniformemente brutalizados, executados,
estuprados ou feitos escravos. Alguns dos repatriados eram russos que
voluntariamente lutaram pela Alemanha contra a União Soviética e que foram
liderados pelo General Vlasov. Alguns eram Cossacos, muitos deles sequer era,
cidadãos soviéticos. As repatriações violentas começaram em agosto de 1945.
Tolstoy reconta como o engano, porretes, baionetas e mesmo ameaças com tanques
de lança-chamas foram empregados para forçar a remoção.
A Justiça dos vencedores. Quando a Guerra terminou, havia um
consenso entre os líderes aliados de que os nazistas do alto escalão deveriam
ser executados. Alguns queriam execução imediata, outros uma “corte marcial
estrondosa”. Havia uma virtude curiosa na insistência pelos britânicos em
seguir as “formas legais”, que é o que foi decidido. (N. do T.: este artigo foi
escrito antes da descoberta dos diários do chefe do MI5 dizendo que Churchill e
demais membros do governo queriam o fuzilamento ao invés de julgamento). O
resultado foi uma série de julgamentos com a pompa dos procedimentos jurídicos
normais, mas que eram na verdade uma enganação do ponto de vista da “regra da
lei”, faltando tanto o espírito quanto as particularidades do “devido processo”
. Em dois capítulos, MacDonogh dá um relato do julgamento principal de
Nuremberg e da série de julgamentos que continuaram pelos anos subsequentes.
Entre eles, os americanos conduziram muitos julgamentos em Nuremberg após o
principal; milhares de casos foram trazidos diante das “cortes de denazificação”;
as cortes alemãs, após voltarem à normalidade, continuaram o processo; e, é
claro, sabemos do julgamento e execução de Eichmann em Israel.
Há muitas razões para chamá-la “justiça dos vencedores”.
Para não ser verdade, um tribunal verdadeiramente internacional teria que ter
sido convocado em algum lugardo mundo (se tal coisa pudesse ter sido possível
após uma guerra mundial), e os crimes de guerra de ambos os lados julgados.
Mas, é claro, sabemos que tal justiça imparcial não estava em estudo. No
indiciamento de Nuremberg, os nazistas foram acusados de extermínio em massa de
oficiais poloneses na floresta de Katyn, uma acusação que foi discretamente (e
com grande desonestidade intelectual e “jurídica”) retirada no julgamento final
porque tornou-se claro que a União Soviética era a responsável pelo crime.
Outro dos muitos exemplos possíveis seriam as deportações em massa que os
nazistas foram acusados tanto como crime de guerra quanto como crime contra a
humanidade em Nuremberg. Em compensação, ninguém foi levado à justiça pela
expulsão de milhões de alemães de seus lares ancestrais na Europa Central pelos
aliados.
http://www.dwightmurphey-collectedwritings.info/A99-MacDonogh-BRArt.htm
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