quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

[HOL] Pesquisa forense em Treblinka realizada

The Huffington Post, 16/01/2012

 
Uma arqueóloga forense britânica trouxe nova evidência para provar a existência de túmulos coletivos no campo de extermínio nazista de Treblinka.

Cerca de 800.000 judeus foram assassinados no sítio, no nordeste da Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial, mas uma falta de evidência física no sítio estava sendo explorado por negadores do Holocausto.

A arqueóloga forense Caroline Sturdy Colls agora assumiu a primeira tentativa científica coordenada para localizar as covas, de acordo com uma entrevista no Radio Times.

Como a lei religiosa judia proibe a perturbação de túmulos, ela e sua equipe da Universidade de Birmingham usaram "radar de penetração do solo".

Seu trabalho no sítio, onde os nazistas tentaram destruir todas as evidências de assassinato em larga escala, está sendo seguido pelo recente documentário da Radio 4, "Os túmulos escondidos do Holocausto".

O apresentador do programa, Jonathan Charles, um antigo correspondente estrangeiro da BBC, escreveu para o Radio Times que o radar de penetração do solo também descobriu as fundações das construções e que duas parecem ter sido câmaras de gás.

Sturdy Colls disse: "Todos os livros de história dizem que Treblinka foi destruído pelos nazistas, mas a pesquisa demonstrou que este não é o caso."

Ela acrescentou: "Identifiquei um número de covas enterradas usando técnicas geofísicas. Estas (as covas) são consideráveis em tamanho, e muito profundas, uma em particular tem 26 por 17 metros."

O apresentador do programa escreveu para o Radio Times que as covas contém os restos queimados de milhares de corpos.

A arqueóloga forense, que agora apresentou suas descobertas para as autoridades responsáveis pelo memorial em Treblinka, disse: "Eu realmente espero que este seja o primeiro estágio de um longo programa para encontrar aquelas covas escondidas do Holocausto."

O sobrevivente Kalman Taigman lembra de sua chegada na estação ferroviária do campo, dentro de um vagão para gado.

"Estava com a minha mãe. Éramos cerca de 100 pessoas num vagão. Eles abriram as portas, atirando e nos batendo, e nos enviaram para um campo. Corri com minha mãe e tentei acalmá-la.

"Eles me disseram para deixar minha mãe, mas eu não o fiz rapidamente e fui atingido na cabeça. Quando acordei, ela tinha ido. Ela foi com todo o resto das mulheres para a câmara de gás."

"Os túmulos escondidos do Holocausto" está para ser transmitido na segunda-feira, 23 de janeiro, às 20:00 na Radio 4 da BBC.  


O perfil acadêmico da Dra. Caroline Sturdy Colls:


 
Trechos da Entrevista de Sturdy Colls

Ao “Laboratório de Idéias” da Universidade de Birmingham.

Entrevistador: Que tecnologia a senhora usou para investigar o local?

Sturdy Colls: Usei um número de técnicas não-invasivas em Treblinka e o que isto significa, como você bem apontou, é que o solo não estava perturbado devido à lei de sepultamento judaica, de modo que os métodos usados não envolveram qualquer forma de distúrbio no solo ou escavação e isto nos permitiu investigar o potencial histórico e científico de Treblinka, mas obviamente foi muito importante que reconhecêssemos seu significado religioso e comemorativo também. Logo, nas técnicas que foram usadas havia um processo de pesquisa arquivístico que envolveu olhar registros documentais, revisitar dados históricos se você assim preferir, verificando dados e avaliando-os com olhar arqueológico, assim procurando por informação sobre o cenário. Então, havia um processo de olhar as fotografias aéreas do sítio, qualquer foto do solo, relato das testemunhas, planos que foram criados, etc., para construir um banco de dados de informação de modo que quando fiz a pesquisa, tudo aquilo poderia ser comparado com meus resultados. Assim, neste caso, isto envolveu caminhadas pelo terreno, assim avaliando a paisagem, pesquisa topográfica que usou GPS avançado e rastreamento total para demarcar em alterações no plano do local, permitindo-nos registrar variações micro-topográficas que poderiam ser indicativo de objetos enterrados. E também avaliar a visibilidade de outras características, tais como um número de artefatos que foram totalmente identificados na parte remota do sítio. Então, a partir disso até olhar sob o solo, usei um número de técnicas geofísicas, logo muito mencionado é o radar de penetração e este foi um dos métodos usados, mas este foi comparado com outros métodos que detectaram outras propriedades físicas no solo. Então, também usei a inspeção por resistência e uma extensão desta que permite o mapeamento 3D dos restos enterrados também, para garantir que todas as propriedades dos restos enterrados pudessem ser caracterizados acuradamente.

Entrevistador: E o que a senhora descobriu?

Sturdy Colls: Bem, os resultados da investigação, quando comparados com a informação histórica, indicaram que havia um número de fundações de construções sobreviventes em Treblinka logo abaixo da superfície e também uma quantidade considerável de restos estruturais óbvios que os nazistas teriam sido simplesmente incapazes de remover do local, e isto apoia relatos escritos por investigadores do pós-guerra que comentaram sobre a visibilidade de restos de artefatos, restos estruturais no campo. Também identificamos um número de fossas no sítio. Novamente, todas estas fossas foram mapeadas e comparadas com os esboços das testemunhas e isto é indicativo de um número de covas prováveis no sítio. É reconhecido como parte da investigação que a história de Treblinka não terminou com este abandono pelos nazistas. Assuntos como pilhagem pós-guerra e a construção do próprio memorial e um número de outras formas de mudança de cenário que aconteceram no sítio, você sabe, poderia confundir a interpretação, portanto, era essencial que tudo isto fosse considerado quando os resultados da investigação geofísica em particular fossem avaliados. Então, todos estes dados foram reunidos à informação histórica, de modo que parecemos ter uma situação aqui onde tem sido acreditado que todas as vítimas em Treblinka foram cremadas, elas foram destruídas sem deixar rastros, entretanto, a pesquisa revelou uma figura muito mais complexa dos padrões de disposição usados pelos nazistas. Olhando de uma perspectiva dos criminosos, e um ponto de vista levemente mais forense, os nazistas trabalharam, como a maioria dos criminosos fazem, segundo o princípio do menor esforço onde eles realmente teriam um método de enterro que se casava com a natureza de suas vítimas ou seus locais dentro do campo e há um número de fotografias e evidência física que observamos no terreno de Treblinka que demonstra que estes corpos não foram reduzidos a pó, que alguns sobreviveram como covas coletivas no senso verdadeiro e que também os restos particulados das vítimas foram redepositados nas fossas que eles foram exumados sob a ordem de Himmler de 1943. Igualmente, junto com a investigação topográfica, demonstramos que o campo, como ele é marcado atualmente no terreno pelo memorial moderno, foi na verdade muito maior, que as fronteiras do campo foram 50 metros mais largas ao norte e isto tem uma repercussão para um número de estruturas dentro do próprio campo. Logo, podemos examinar isso de um ponto de vista espacial e olhar todas essas consequências relacionando-as entre si e de forma esperançosa eventualmente começar a construir um mapa mais detalhado do campo como ele existia durante sua operação.
 
Mapa atual de Treblinka e as descobertas da investigação

 
 
Entrevistador: Então, a senhora agora apresentou suas descobertas para as autoridades responsáveis pelo memorial em Treblinka. Isto conclui as investigações no sítio de Treblinka ou é uma espécie de projeto em curso?

Sturdy Colls: É absolutamente um projeto em curso. A investigação demonstrou que o sítio chegou a um potencial enorme em termos do que podemos aprender da aplicação do método arqueológico e muito foi a ponta do iceberg em termos de ser a primeira investigação do que espero estará mais por vir. Espero retornar ao sítio mais tarde este ano e haverá estações subsequentes de trabalho em campo para os próximos anos. Como mencionei, no momento o que temos é um mapa do que sobreviveu no campo como resultado de minhas descobertas. Entretanto, no sentido de construir um mapa do campo como ele existiu precisamos trabalhar mais, precisamos investigar o sítio. Somente uma pequena proporção do sítio foi investigado de modo que existe um potencial enorme de encontrar mais à respeito da história deste campo no futuro.              


Uma transcrição deste podcast pode ser encontrada em:


Ao programa de rádio, “As Covas Escondidas do Holocausto”, transmitido pela Rádio BBC em 23 de janeiro de 2012:

Sturdy Colls: Todos os livros de história dizem que Treblinka foi destruído pelos nazistas, mas a investigação mostrou que este não é o caso. Identifiquei um número de fossas enterradas (sic) usando técnicas geofísicas. Elas são consideráveis. Uma em particular tem 26 metros por 17 metros.

Jonathan Charles: É enorme.

Sturdy Colls: É enorme. Estamos falando de um considerável número de corpos (que) poderiam ser contidos dentro de fossas daquele tamanho.

Jonathan Charles: Que poderia conter centenas, talvez milhares de corpos, não sabemos o quão fundo ela é, ou a senhora sabe sua profundidade?

Sturdy Colls: Infelizmente não. A tecnologia de investigação não permite ir a certas profundidades. Sei que é superior a 4 metros, que foi a extensão desta (inaudível). É uma fossa considerável.

Jonathan Charles: Foram poucas covas descobertas?

Sturdy Colls: Absolutamente, havia um número de covas, em particular nos fundos do que é agora o memorial, cinco que estão de fato em fileira, novamente de tamanho considerável, em uma área onde testemunhas dizem que era a principal área de disposição dos corpos, isto é atrás das câmaras de gás, era onde a maioria das vítimas que foram enviadas lá foram então enterradas posteriormente, e depois onde os restos cremados das vítimas também foram colocados.

Jonathan Charles: Não são apenas fossas que a senhora encontrou, também algo parecido como construções.

Sturdy Colls: Há, e novamente, se os nazistas tivessem destruído Treblinka, como afirmaram, eles certamente teriam demolido o sítio, mas não é realmente possível quando as construções estiveram em um sítio para realmente esterilizar o terreno, então, o que eu identifiquei é que restos estruturais sólidos, estamos falando de fundações, sobreviveram, mas em particular dois tipos de estruturas que identifiquei são parecidas com as velhas e novas câmaras de gás em Treblinka.


 
Nova Tecnologia aponta para covas coletivas perdidas da era do Holocausto em Treblinka

JTA, 06/02/2012

Cientistas usando eletrônica de varredura de solo descobriram as covas coletivas perdidas no sítio de Treblinka, um dos mais conhecidos campos de extermínio nazistas.

Nenhum corpo real foi encontrado e as covas não foram escavadas, de acordo com a lei judaica, mas ossos e fragmentos de ossos foram descobertos no solo, de acordo com Caroline Sturdy Colls, uma arqueóloga forense da Universidade Straffordshire na Inglaterra que liderou a busca.

As estruturas subterrâneas detectadas por seu equipamento descrevem o que parecem ser as covas.

Os historiadores acreditam que cerca de 850.000 pessoas, incluindo ciganos, morreram em Treblinka.

Apesar de testemunhas oculares confirmarem a existência das covas coletivas, os alemães fizeram tudo o que puderam para encobrir seus crimes, e a incapacidade dos pesquisadores de encontrá-las foi usada algumas vezes pelos negadores do Holocausto para afirmar que o assassinato em larga escala não ocorreu em Treblinka.

Sturdy Colls usou fotografias aéreas dos anos 1940, imagem por satélite, dispositivos de mapeamento por GPS e novo radar de penetração de solo. O radar não pôde detectar corpos, mas pôde detectar diferenças entre o solo e distúrbios e inconsistências no solo, como objetos enterrados em 11 áreas.

"Considerando seu tamanho e localização, há uma forte tendência a admitir que eles representam áreas de enterro," ela disse.

Sturdy Colls começou a trabalhar em Treblinka em 2010. Ela e seus colegas usaram mapeamento por radar e elétrico para ter uma idéia do que estava no subsolo sem perturbar de fato o sítio. Uma das primeiras coisas que ela descobriu foi que os mapas antigos do sítio estavam incorretos - a linha da fronteira norte estava reduzida por cerca de 50 metros.

Após a guerra, os vizinhos de Treblinka saquearam algumas das covas procurando por ouro que eles pensavam os judeus ter escondido. Isto atrapalhou a topografia, mas o equipamento de Sturdy Colls encontrou muitas fossas exatamente onde as testemunhas disseram que elas deveriam estar.

A maior tem 26 metros de comprimento, 16 metros de largura e 4 metros de profundidade, com uma rampa para acesso. Pelo menos cinco outras com esta profundidade também existem na área.

Treblinka foi aberta em 23 de julho de 1942 como um campo de extermínio na Polônia central, parte da Operação Reinhard da Alemanha, o extermínio da judiaria européia.

Ele foi projetado com um único propósito: assassinato. 95% das pessoas enviadas para lá morreram imediatamente, a maioria por envenenamento por monóxido de carbono de motores de tanques bombeados para câmaras de gás.

Treblinka foi fechado em 19 de outubro de 1943 após uma rebelião da unidade sonderkommando - judeus forçados a ajudar na operação do campo. Muitos guardas alemães e ucranianos foram mortos na rebelião, permitindo a fuga de 300 prisioneiros.

Os alemães, contudo, ficaram repentinamente temerosos que seus crimes fossem descobertos.

Em 1943, eles descobriram os corpos de milhares de oficiais poloneses executados pelos russos em Katyn três anos antes, e perceberam que se alguém descobrisse os corpos nos campos de concentração, eles seriam culpados.

O líder nazista Heinrich Himmler ordenou que quando um campo fosse abandonado, todos os corpos teriam que ser exumados e cremados, disse Sturdy Colls.

A maioria das vítimas em Treblinka foram enterradas logo após a morte, apesar de alguns terem sido queimados. Seguindo as ordens de Himmler, os alemães escavaram os corpos e os cremaram usando trilhos de trem e madeira da floresta. Eles então reenterraram as cinzas nas mesmas covas.

A princípio, eles tentaram misturar as cinzas com sujeira, mas quando isso não funcionou, os alemães simplesmente jogaram as cinzas de volta nas trincheiras.

Sturdy Colls disse que necessita-se de uma alta temperatura para cremar um corpo humano, e fragmentos de ossos quase sempre permanecem intactos após o processo, mesmo quando a cremação é feita numa instalação moderna.

O trabalho foi feito às pressas. No final dos anos 1960, restos humanos emergiriam do solo, geralmente após uma tempestade.

Os alemães nivelaram o campo, destruindo todos os prédios, construindo uma fazenda falsa no lugar da padaria e mesmo assentaram uma família ucraniana na fazenda para dar-lhe um aspecto diferente. Pouco do campo permaneceu acima do solo.

"Eles manteriam essa artimanha mesmo se eles abandonassem o sítio," disse Sturdy Colls. "Eles tinham uma estação ferroviária falsa. Eles tinham sinalização. Eles obviamente sabiam o que estavam fazendo."

Uma investigação polonesa de crimes de guerra em 1946 descobriu uma passagem de porão com "restos salientes de postos queimados, as fundações do prédio de administração, e o velho poço. Aqui e ali podem ser detectados os restos de muros de postos queimados e pedaços de arame farpado, e pequenos trechos de estrada asfaltada. Há também outras evidências."

Eles não haviam encontrado, contudo, as covas até a investigação atual.

"Mapeamos o que pudemos. Identificamos 11 fossas individuais que pudemos investigar," disse Sturdy Colls, cujo trabalho continua. "Um pedaço grande do memorial foi construído onde eles pensavam ser as covas coletivas, de modo que há uma grande chance que há mais na floresta e sob o próprio memorial.




O Campo de Extermínio de Treblinka

"O campo recebeu sua primeiro carregamento de vítimas, 6.500 judeus do Gueto de Varsóvia, em 22/07/1942. As câmaras de gás tornaram-se operacionais no dia seguinte. Carregamentos continuaram diariamente a partir de então, geralmente alcançando entre 4.000 e 7.000 vítimas por dia, sendo que os judeus dos guetos da Polônia, principalmente de Varsóvia, a maioria dos quais era imediatamente enviada para as câmaras de gás. Centenas de prisioneiros morreram por fome, desidratação ou sufocamento enquanto em trânsito para o campo em vagões de gado.

As pobres habilidades organizacionais de Eberl logo resultaram na operação de Treblinka tornar-se um desastre. No início, os corpos eram enterrados em covas coletivas, mas dentro de uns dias as covas estavam transbordando de pessoas, e os corpos foram empilhados no campo II porque os trabalhadores não tiveram o tempo apropriado para enterrá-los. Simultaneamente, as câmaras de gás continuamente quebraram. Assim, a SS decidiu fuzilar os judeus na entrada do campo e empilhar os corpos através do campo. O cheiro dos corpos em decomposição podia ser sentido a 10 km de distância.

Em 28 de agosto de 1942, Globocnik suspendeu temporariamente as deportações para Treblinka... Em 1 de setembro, Franz Stangl substituiu Irmfried Eberl no comando de Treblinka... Em setembro, Stangl supervisionou a construção de câmaras de gás novas e maiores... Acredita-se que elas tinham capacidade de matar entre 12.000 e 15.000 vítimas por dia... O campo e o processo de matança em massa é descrito por Vasily Grossman, um repórter militar servindo o Exército Vermelho, em seu trabalho Um Inferno chamado Treblinka, que foi usado como evidência e distribuído no Julgamento de Nuremberg. (N. do T.: Grossman tinha ascendência judaica e escreveu seu artigo em 1944).

Fonte:


 
Resposta Revisionista

Após 70 anos, arqueólogos começam a procurar evidências do Holocausto

Santiago Alvarez e Thomas Kues

“Uma arqueóloga forense britânica trouxe evidência nova para provar a existência de covas coletivas no campo de extermínio nazista de Treblinka. Cerca de 800.000 judeus foram mortos no sítio, no nordeste da Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial, mas a falta de evidência física no sítio era explorada pelos negadores do Holocausto. A arqueóloga forense Caroline Sturdy Colls assumiu agora a primeira tentativa científica coordenada para localizar as covas.”

Este foi o trecho de um artigo no jornal local britânico The Huffington Post de 16 de janeiro de 2012. Ele reportou a pesquisa forense conduzida no território do antigo campo de concentração alemão de Treblinka (Polônia), sob a supervisão de Caroline Sturdy Colls, uma arqueóloga forense na Universidade de Birmingham, Inglaterra.

Dois anos antes, a Sra. Sturdy Colls anunciou publicamente que ela tentaria encontrar evidência das covas coletivas de Treblinka, onde os corpos de pelo menos 700.000 judeus mortos estariam enterrados na segunda metade de 1942. Ela disse:

"É difícil de acreditar que não tenha havido nenhuma pesquisa sistemática pelos seis milhões de vítimas que pereceram no Holocausto. 800.000 pessoas foram mortas aqui em Treblinka e seus corpos nunca foram encontrados. É hora de começarmos a olhar."

Vale lembrar que a afirmação triunfante de que os “negadores do Holocausto” finalmente e de uma vez por todas foram “refutados” foi escutada também após as pesquisas de Kola em Belzec e Sobibór, que na realidade refutaram a versão oficial dos eventos relacionando estes dois campos.

N. do T.: no final dos anos 1990, o professor da Universidade de Torun, Andrej Kola, liderou uma equipe arqueológica para realizar um trabalho no sítio do campo de Belzec. Durante o trabalho, Kola descobriu os restos de duas construções que originalmente eram suspeitos de servirem como câmaras de gás, que ele nomeou de construções “D” e “G” em seu relatório. Kola mais tarde concluiu que a construção “D” não operou como câmara de gás, mas manteve sua visão de que os restos de madeira da construção “G” poderiam “hipoteticamente serem lembrados como os restos da segunda câmara de gás.”


 
Já no final de 1999, o engenheiro australiano Richard Krege conduziu pesquisa forense usando radar de penetração de solo numa tentativa de localizar as alegadas covas coletivas. Seu relatório preliminar foi publicado somente em alemão e francês, mas tanto quanto sabemos, Krege nunca publicou um relatório final, mais detalhado, sobre suas descobertas. Ele apresentou alguma coisa de sua pesquisa na conferência revisionista realizada em Teerã no final de 2006, mas o relatório de Krege não foi publicado após este evento também.

Surpreendentemente, Krege afirma não ter encontrado nenhuma perturbação no solo em todo o território do antigo campo de Treblinka, apesar de algumas poucas trincheiras terem sido escavadas nesta área durante uma investigação forense pelas autoridades polonesas logo após a guerra. Então, se o método de Krege foi o som, ele teria encontrado pelo menos essas perturbações. Além disso, aqueles investigadores poloneses realmente encontraram traços de covas coletivas, apesar de que o tamanho de sua descoberta não encaixavam com as afirmações espetaculares feitas a respeito de Treblinka. 

Que estas afirmações são tecnicamente impossíveis e não apoiadas pela evidência física disponível, foi provado de forma conclusiva por Carlos Mattogno e Jürgen Graf no seu livro de pesquisa sobre Treblinka. Este livro também contém uma tradução parcial de um relatório preparado pelos investigadores poloneses acima mencionados sobre suas escavações de 1945 (pág. 83 - 89).

Tudo considerado, não é surpresa que a pesquisa por radar de Krege pode não ter sido tão penetrante e que ele tenha sido atacado pelos ortodoxos.

Refutação da pesquisa de Krege:

 

 
Apesar da Sra. Sturdy Colls não tenha se referido expressamente à pesquisa de Krege, pode ser assumido que ela (a pesquisa) tenha sido o "gatilho" que iniciou a curiosidade de Colls e talvez despertado sua ira. Sturdy Colls apresentou alguns dos resultados de sua pesquisa em um trabalho chamado "Aproximações arqueológicas para os sítios do Holocausto" durante uma conferência em 2011 na Alemanha.

Vamos agora olhar nos poucos trechos de informação que a Sra. Sturdy Colls liberou para o público em sua entrevista para o The Huffington Post:

1 - Em relação às covas coletivas que a Sra. Sturdy Colls afirma ter encontrado, ela diz:

"Estas são de tamanho considerável, e muito profundas, uma em particular tem 26 por 17 metros (442 m2)."

Isto provavelmente denota a área superficial de uma área particularmente grande de solo perturbado. É claro, tudo o que ela pode dizer dos dados de um radar de penetração de solo é que esta é uma área que foi perturbada. Se é uma cova, ou o resultado de atividades de escavação no pós-guerra, teria sido descoberta pelas escavações.

2 - Se assumirmos que a perturbação do solo encontrada pela Sra. Sturdy Colls foi de fato uma cova coletiva em seu conjunto e tinha uma profundidade de 6 metros (como afirmado pela testemunha E. Rosenberg), isto resultaria num volume de 2.600 m3. Além disso, se seguirmos a versão ortodoxa, pelo menos 700.000 judeus foram enterrados no campo até o fim de 1942 somente. Assumindo uma densidade realista de uns seis corpos por m3, isto resultaria na necessidade de um volume da cova de 117.000 m3.

N. do T.: Para enterrar todos esses corpos, teria que haver grandes escavações de covas. A operação de escavação não é simples. Nos equipamentos modernos, precisamos de uma escavadeira, de um trator com caçamba e um local apropriado para a colocação dos resíduos. Supondo que o trabalho tenha sido manual:

"Para se ter uma idéia do número de operários necessários para a execução braçal do movimento de terra, estima-se que para a produção de 50 m3/h de escavação, seriam necessários pelo menos 100 homens. A mesma tarefa pode ser executada por uma única escavadeira, operada apenas por um homem."

fonte: http://etg.ufmg.br/~jisela/pagina/notas%20aula%20Terraplenagem.pdf

3 - Portanto, a Sra. Sturdy Colls não deveria ter encontrado UMA ÚNICA perturbação grande de cerca de 2.600 m3 (e provavelmente muito mais de pequeno tamanho), mas pelo menos 45 perturbações de dimensões semelhantes. Após isso, os revisionistas NÃO questionarão o fato de que covas coletivas existem na área do campo. Eles apenas questionam a ordem humorística, tecnicamente impossível da magnitude afirmada pela ortodoxia.

Uma crítica mais completa do que a Sra. Sturdy Colls encontrou e, mais importante, como ela o interpreta, terá que aguardar a publicação dos resultados de sua pesquisa. Apenas podemos descansar seguros que nossos especialistas revisionistas lerão e criticarão seu trabalho a ser publicado em breve.

Então, mantenham-se ligados!


Uma crítica mais detalhada da investigação da Dra. Sturdy Colls pode ser lida aqui:

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

[SGM] As Razões para o Pacto de Não-Agressão Teuto-Soviético

Mahdi Darius Nazemroaya, 22/09/2009

 


O Pacto de Não-Agressão Teuto-Soviético ou Pacto Ribbentrop-Molotov provocou ondas de choque na Europa e na América do Norte quando foi assinado. Os governos alemão e soviético estavam em desacordo entre si. Isto ia além da ideologia; Alemanha e União Soviética estavam jogando um contra o outro nos eventos que conduziram à Segunda Guerra Mundial, assim como a Alemanha, o Império Russo e o Império Otomano jogaram contra si na Europa Oriental. [1]

Esta é a razão porque Grã-Bretanha e França declararam guerra a Berlim em 1939, quando URSS e Alemanha invadiram a Polônia. Se as intenções fossem proteger a Polônia, então por que somente declarar guerra contra a Alemanha, quando na realidade alemães e soviéticos a invadiram simultaneamente?      

Se Moscou e Berlim não tivessem assinado um acordo de não-agressão, não teria havido declaração de guerra contra a Alemanha. De fato, o Apaziguamento foi uma política criada na esperança de permitir a militarização da Alemanha e então dar ao governo nazista os meios, através de poder militar, de criar uma fronteira comum teuto-soviética, que seria um pré-requisito para uma guerra antecipada entre os dois países, a qual neutralizaria as duas potências continentais mais fortes da Europa e da Eurásia. [2]

A política britânica e a lógica para o pacto de não-agressão entre os soviéticos e alemães foi melhor descrita por Carroll Quigley (1910-77). Quigley, um respeitado professor americano de história, com base nos acordos diplomáticos na Europa e informação privilegiada, explicou os objetivos estratégicos da política britânica de 1920 a 1938 como:

Manter o equilíbrio de poder na Europa intensificando o confronto entre Alemanha e França e União Soviética; aumentar o peso da Grã-Bretanha naquele equilíbrio ao alinhá-la com seus domínios (e.g., Austrália e Canadá) e os Estados Unidos; recusar quaisquer compromissos (especialmente quaisquer compromissos com a Liga das Nações, e acima de tudo com a França) além daqueles existentes em 1919; manter a liberdade britânica de ação; conduzir a Alemanha para o leste contra a União Soviética se uma ou ambas destas potências se tornasse uma ameaça à paz (provavelmente significando um fortalecimento econômico) da Europa Ocidental (e muito provavelmente implicando em interesses britânicos.) [3]

Para realizar este plano de conduzir a Alemanha para leste contra a União Soviética, era necessário fazer três coisas: (1) liquidar todos os países entre a Alemanha e a URSS; (2) prevenir a França de honrar suas alianças com esses países (isto é, Tchecoslováquia e Polônia); e (3) enganar o povo britânico em aceitar isto como necessário, de fato, a única solução para o problema internacional. O grupo de Chamberlain foi tão bem sucedido em todas estas três coisas que eles tiraram vantagem disso, e só falharam por causa da teimosia dos poloneses, da pressa indecorosa de Hitler e o fato de que na décima primeira hora o Grupo Milner (N. do T.: grupo de personalidades conservadoras do Império Britânico que se reuniam secretamente; este termo foi cunhado pelo próprio Quigley) percebeu as implicações geo-estratégicas de sua política (o que, para o seu receio, acabou unindo soviéticos e alemães) e tentou revertê-lo. [4]    

Foi por causa deste objetivo de conduzir a Alemanha a uma posição de ataque contra os soviéticos que os líderes britânicos, canadenses e americanos tinham boa impressão de Adolf Hitler e do Nazismo (que parece não estar explicado nos livros de história padrão) até o início da Segunda Guerra Mundial.

Em relação ao apaziguamento sob o Primeiro Ministro Neville Chamberlain e seu início quando da remilitarização do pólo industrial da Renânia, Quigley explica:

Este evento de março de 1936, através do qual Hitler remilitarizou a Renânia, foi o mais crucial em toda história do apaziguamento. Desde que o território a oeste do Reno e uma faixa de 50 km de extensão à margem oriental do rio estavam demilitarizadas. Como exigido pelo Tratado de Versalhes e pelo Pacto de Locarno, Hitler jamais ousaria mover-se em direção da Áustria, Tchecoslováquia e Polônia. Ele não teria ousado porque, com a Alemanha ocidental sem fortificações e desprovida de tropas, a França poderia facilmente invadir a área industrial do Rhur e enfraquecer a Alemanha de modo que seria impossível ir para o leste. E por volta desta época (1936), certos membros do Grupo Milner e do governo conservador britânico tinham chegado à fantástica idéia de que eles podiam matar dois coelhos com uma cajadada só, ao jogar a Alemanha e a União Soviética contra si na Europa oriental. Neste caso, eles previram que os dois inimigos ficariam atolados, ou que a Alemanha ficaria satisfeita com o petróleo da Romênia e o trigo da Ucrânia. Nunca passou pela cabeça de ninguém em uma posição responsável que a Alemanha e a União Soviética poderiam ter uma causa comum, mesmo temporariamente, contra o Ocidente. Menos ainda passou pela cabeça deles que a União Soviética pudesse bater a Alemanha e assim abrir caminho para o Bolchevismo por toda a Europa Central. [5]    

A destruição dos países entre a Alemanha e a União Soviética poderia, assim que a Renânia fosse militarizada, sem medo da Alemanha que a França fosse capaz de atacá-la no ocidente enquanto ela se ocupava do leste. [6]

Em relação à criação eventual de uma fronteira comum teuto-soviética, a aliança militar liderada pela França deveria ser primeiro neutralizada. Os pactos de Locarno foram pensados pelos mandarins da política externa britânica para prevenir que a França fosse capaz de apoiar militarmente a Tchecoslováquia e a Polônia na Europa Oriental, e assim intimidar a Alemanha de tentar qualquer de anexar ambos os estados da Europa Oriental. Quigley escreve:

Os acordos de Locarno garantiram a fronteira da Alemanha com a França e Bélgica com as outras potências destes três Estados mais Grã-Bretanha e Itália. Na verdade, os acordos não deram nada à França, enquanto que elas deram à Grã-Bretanha um veto sobre a realização de suas alianças com a Polônia e a Pequena Entente (N. do T.: aliança entre Tchecoslováquia, Romênia e Iugoslávia para defesa comum de seu território no caso de uma ressurreição da Dinastia dos Habsburgos.) Os franceses aceitaram estes documentos enganosos por razão de política interna (...) Esta armadilha (como Quigley chama os acordos de Locarno) consistiam de muitos fatores inter-relacionados. Em primeiro lugar, os acordos não garantiam a fronteira e a condição desmilitarizada da Renânia contra ações alemãs, mas contra as ações tanto da Alemanha quanto da França. Isto, a princípio, deu à Grã-Bretanha o direito de se opor a qualquer ação francesa contra a Alemanha em apoio aos seus aliados a leste da Alemanha. Isto significava que se a Alemanha se movesse para leste contra Tchecoslováquia, Polônia e eventualmente a União Soviética, e se a França atacasse a fronteira ocidental da Alemanha em apoio da Tchecoslováquia ou Polônia, como seus aliados queriam, a Grã-Bretanha, Bélgica e Itália poderiam unir-se pelos Pactos de Locarno para sair em defesa da Alemanha. [7]

O Acordo Naval Anglo-Germânico de 1935 também foi deliberadamente assinado pela Grã-Bretanha para prevenir que os soviéticos se unissem à aliança militar entre França, Tchecoslováquia e Polônia. Quigley escreve:

... Quatro dias depois, Hitler anunciou o rearmamento e dez dias depois, a Grã-Bretanha condenou o ato enviando Sir John Simon para uma visita oficial a Berlim. Quando a França tentou se contrabalançar ao rearmamento alemão trazendo a União Soviética para seu sistema de aliança oriental em maio de 1935, a Grã-Bretanha contratacou fazendo o Acordo Naval Anglo-Germânico em 18 de junho de 1935. Este acordo, concluído por Simon, permitiu à Alemanha construir até 35% do tamanho da Marinha Britânica (e até 100% em submarinos). Esta foi uma facada nas costas da França, porque ele deu à Alemanha uma marinha consideravelmente maior do que a francesa nas importantes categorias de navios (navios principais e porta-aviões), pois a França estava limitada por acordo a 33% da Grã-Bretanha; e a França, além disso, tinha um império mundial para proteger e uma Marinha Italiana pouco amigável na costa do Mediterrâneo. Este acordo colocou a costa atlântica francesa tão completamente à mercê da Marinha alemã que a França tornou-se completamente dependente da frota britânica para a proteção desta área. [8]

O Plano Hoare-Laval (N. do T.: plano anglo-francês de 1935 para acabar com a Segunda Guerra Ítalo-Abssínia) também foi usado para direcionar a Alemanha para o leste ao invés do sul através do Mediterrâneo oriental, que a Grã-Bretanha como uma peça crítica para manter seu império unido e conectá-lo através do Canal de Suez à Índia. Quigley explica:

Os países marcados para extinção incluíam Áustria, Tchecoslováquia e Polônia, mas não incluíam Grécia e Turquia, já que o Grupo (Milner) não tinha nenhuma intenção de permitir a Alemanha descer até a “linha da vida” mediterrânea. De fato, o propósito do Plano Hoare-Laval de 1935, que destruiu o sistema de segurança coletiva ao dar a maior parte da Etiópia à Itália, deveria apaziguar a Itália em posição ao lado da Grã-Bretanha, no sentido de impedir qualquer movimento da Alemanha em direção ao sul ao invés do leste. [9]

Tanto a União Soviética, sob Joseph Stalin, e a Alemanha, sob Adolf Hitler, acabaram percebendo o planejamento de uma guerra teuto-soviética e por causa disso Moscou e Berlim assinaram um pacto de não-agressão antes da Segunda Guerra Mundial. O acordo foi em boa parte uma resposta à postura anglo-americana. No final, foi por causa da desconfiança mútua entre alemães e soviéticos que a aliança colapsou e a antecipada guerra teuto-soviética veio a ser o teatro de guerra mais mortal da Segunda Guerra Mundial, a frente oriental.

 
Mahdi Darius Nazemroaya  é pesquisador associado ao Centre for Research on Globalization (CRG), especializado em geopolítica e estratégia.

Texto Completo

Referências

[1] Mahdi Darius Nazemroaya, The “Great Game”: Eurasia and the History of War, Centre for Research on Globalization (CRG), December 3, 2007.
http://www.globalresearch.ca/index.p...xt=va&aid=7064


[2] China at this time was already being limited by Japan and before that by combined Japanese, Russian, and Western European policies. This would leave Germany and the U.S.S.R. as the two main threats to Anglo-American interests.

[3] Carroll Quigley, The Anglo-American Establishment: From Rhodes to Cliveden (San Pedro, California: GSG & Associates Publishers, 1981), p.240.

[4] Ibid., p.266.

[5] Ibid., p.265.

[6] Ibid., p.272.

[7] Ibid., p.264.

[8] Ibid., pp.269-270.

[9] Ibid., p.273.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

[SGM] Fumaça Humana: O Começo da Segunda Guerra Mundial, o Fim da Civilização

Fumaça Humana (Companhia das Letras, 2010) de Nicholson Baker é um livro meticulosamente pesquisado e bem construído, demonstrando que a Segunda Guerra Mundial foi uma das maiores e mais cuidadosamente planejadas mentiras da história moderna. Ele questiona a crença geralmente aceita de que os Aliados queriam evitar a guerra a todo custo, mas foram forçados a agir pela cruzada imperdoável de Hitler. O livro consiste grandemente em transcrições oficiais governamentais e outros documentos da época. Baker cita documentos sugerindo que os líderes dos Estados Unidos e do Reino Unido provocaram a Alemanha à guerra (mostrando, por exemplo, que a Grã-Bretanha bombardeou a Alemanha antes dos alemães bombardearem a Inglaterra) e que os líderes daquelas duas nações tinham motivos secretos para querer participar.





Os fatos são indiscutíveis. Baker mostra, passo a passo, como uma aliança dominada por líderes que eram intolerantes, mais opostos ao comunismo do que ao fascismo, obcecados por venda de armas e desejando por uma luta conduziu o mundo à guerra.

O anti-semitismo era predominante entre os Aliados. De Franklin Roosevelt, Baker nota que em 1922, quando ele era advogado em Nova York, “observou que os judeus representavam um terço dos calouros em Harvard” e usou sua influência para estabelecer uma cota para os judeus naquela instituição. Por anos ele impediu ajuda à judiaria européia e, tão tarde quanto 1939, ele desencorajou a aprovação da lei Wagner-Rogers, uma tentativa do Congresso para salvar as crianças judias. O Primeiro-Ministro Neville Chamberlain disse em 1939 do tratamento alemão dos judeus que “sem dúvida os judeus não são um povo amável. Eu mesmo não me importo com eles.” Uma vez começada a guerra, Winston Churchill queria prender os refugiados judeus alemães porque eles eram alemães. Que facilidade tal liderança deve ter sido para os nazistas, que, de acordo com o New York Times de 3 de dezembro de 1931, estavam tentando bolar uma maneira de se livrar dos judeus da Alemanha sem “despertar a opinião estrangeira.”

Como o livro de Baker deixa claro, entre as duas guerras mundiais, o comunismo, e não o fascismo, era o inimigo. David Lloyd George, que foi Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha durante a Primeira Guerra Mundial, alertou em 1933, ano em que Hitler chegou ao poder, que se os Aliados tentassem derrubar o Nazismo, “o que viria em seu lugar? Comunismo extremista. Certamente esse não pode ser nosso objetivo.” Mas mesmo maior que os comunistas, o inimigo número um de Churchill nos anos 1920 e início dos anos 1930 era Mohandas Gandhi e sua doutrina de não-violência, a qual Churchill alertou “mais cedo ou mais tarde, terá que ser combatida e finalmente esmagada.”

Churchill é uma figura dominante em “Fumaça Humana”, descrito como um belicista sanguinário que, em 1922, ainda lamentava o fato de a Primeira Guerra Mundial não ter durado um pouco mais de modo que a Grã-Bretanha pudesse ter tido a oportunidade de sua força aérea bombardear Berlim e “o coração da Alemanha”. Mas não, ele lamentou, ela tinha que parar, “devido ao nosso baixo estoque de alemães e inimigos.”

As políticas perseguidas por Churchill não poderiam estar mais longe desta demanda clara por jus in bello (limitação da ação agressiva). Como Primeiro Lorde do Almirantado na Primeira Guerra Mundial, ele supervisionou o bloqueio de suprimentos britânico da Alemanha. Ao determinar a fome entre a população alemã, Churchill esperava minar a máquina de guerra alemã a partir do interior.

“O bloqueio britânico,” mais tarde escreveu Churchill, “tratou a Alemanha por inteiro como uma fortaleza cercada, e admitidamente decidiu levar á fome a população inteira – homens, mulheres, crianças, jovens e velhos, feridos e sãos – até a submissão.

O armistício de 11 de novembro de 1918, não terminou com o bloqueio. Churchill continuou com ele até os alemães assinarem o Tratado de Versalhes em 1919. Ele disse em 3 de março de 1919,

“Estamos reforçando o bloqueio com rigor... É repugnante à nação britânica usar esta arma de fome, que cai principalmente sobre mulheres e crianças, sobre os velhos e fracos e pobres, após toda luta ter cessado, (mas) um momento a mais é necessário para garantir os termos justos pelos quais estávamos lutando.”

Tal desumanidade não é nem mesmo uma desculpa para a necessidade militar. Tivessem os alemães recusado a assinar, eles estariam indefesos contra uma tentativa inglesa e francesa de obrigá-los a fazer isso.

Baker não menciona isto, mas a geração jovem que cresceu sob estas condições medonhas tinha uma grande afinidade pelo Nazismo. O historiador da UCLA (N. do T.: Universidade da Califórnia) Peter Loewenberg, em seu artigo importante, “As Origens Psicohistóricas da Juventude Nazista” (American Historical Review, dezembro de 1971, pp. 1457-1502) documentou isto extensivamente. A política de Churchill ajudou, assim, a criar o regime nazista que ele mais tarde estaria determinado a destruir.

Churchill poderia ter dito das leis da guerra o que Jonathan Swift (N. do T.: autor de “As Viagens de Gulliver”) falou das promessas, qual seja, assim como a casca de um pão, elas foram “feitos para serem quebradas”. Baker mostra que no jornal The Aftermath, publicado em 1929, Churchill disse que tivessem os alemães não capitulado em 1918, uma campanha maciça contra o povo germânico teria trazido a guerra para um fim.

Mas o que tinha acontecido não foi nada comparado ao que teria acontecido se os alemães continuassem lutando em 1919, disse Churchill. Gases venenosos de “terrível malignidade” teriam encerrado toda resistência. “Milhares de aviões teriam reduzido a pó suas cidades.”

Dado este registro lamentável, não é de surpreender que o reinício de uma guerra mundial em setembro de 1939, a qual resultou na volta de Churchill ao Gabinete britânico como Primeiro Lorde do Almirantado, tenha trazido um novo bloqueio de fome à Alemanha. Herbert Hoover (N. do T.: antecessor de Roosevelt na presidência) protestou veementemente: era realmente uma tática de guerra aceitável levar à fome mulheres e crianças inocentes? Churchill não se emocionou e manteve o bloqueio.

Churchill não era movido pelo anti-fascismo. Em seu livro “Grandes Contemporâneos”, de 1937, ele descreveu Hitler como “um funcionário altamente competente, calmo e bem-informado com maneiras educadas.” O mesmo livro atacou ferozmente Leon Trotsky. (O que havia de errado com Trotsky? “Ele era ainda um judeu. Nada podia superar isso.”) Churchill repetidamente elogiou Mussolini por seu “jeito gentil e simples.” Em 1927, ele disse a uma platéia romana, “Se eu fosse um italiano, com certeza que eu estaria com vocês do começo ao fim na sua luta vitoriosa contra os interesses e paixões bestiais do Leninismo.” Churchill considerava o fascismo “um antídoto necessário para o vírus russo,” escreve Baker. Em 1938, ele lembrou à imprensa que se a Inglaterra fosse derrotada numa guerra, ele esperava que “pudéssemos encontrar um Hitler para nos liderar de volta para a nossa posição correta entre as nações.”

Em uma situação, Churchill foi capaz de aumentar sua reputação estratosférica de crueldade. Na guerra anterior, os bombardeiros não haviam sido usados em campanhas de terror contra civis. Teóricos militares após a guerra, como o italiano Giulio Douhet (não mencionado em “Fumaça Humana”) anteviu que a próxima guerra seria caracterizada decisivamente pelo bombardeio em massa. Churchill era um ardente defensor deste ponto de vista, e quando ele tornou-se Primeiro-Ministro, imediatamente instituiu a política de bombardeio civil. Baker talentosamente cita o funcionário do Ministério Aeronáutico britânico James Spaight lembrando que foi a Inglaterra, e não a Alemanha, que começou esta política repulsivamente imoral, condenada publicamente durante a guerra pelo corajoso bispo George Bell.

Foi na segunda noite do mandato de Churchill como Primeiro-Ministro… “Começamos a bombardear objetivos na pátria alemã antes de os alemães começarem a bombardear objetivos na pátria britânica.” (escreveu Spaight)

(As críticas ao bombardeio provavelmente custaram a Bell sua chance de suceder William Temple como Arcebispo de Canterbury.)

A última informação de Baker no livro é de 31 de dezembro de 1941, quando a campanha de bombardeio ainda não havia atingido o nível de selvageria do de Hamburgo e Dresden, mas a essência da política já estava em andamento.

Churchill não foi o único defensor do bombardeamento em massa: a política infelizmente tinha grande apelo popular. Baker cita nesta conexão algumas observações do esquerdista britânico Gerald Brenan: “Toda mulher e criança alemã morta é uma contribuição para a segurança e felicidade futuras da Europa,” escreveu Brenan.

Franklin Roosevelt rivalizou com sua contraparte britânica em seu desrespeito às regras da guerra civilizada. Antes mesmo do ataque japonês a Pearl Harbor naquela “data que viverá na infâmia,” 7 de dezembro de 1941, Roosevelt esperava que os chineses bombardeassem as maiores cidades do Japão. Por causa da presença da proximidade de construções de madeira, cidades inteiras poderiam ser rapidamente colocadas em chamas. É claro, os ataques de bombardeio americanos em Tóquio mostraram que Roosevelt estava perfeitamente certo em suas expectativas dos resultados horripilantes de tais bombardeios.

Baker afirma corretamente que Roosevelt estava ansioso pela confrontação com os japoneses. A colocação da Frota do Pacífico em Pearl Harbor por Roosevelt foi pensada como uma provocação a eles, e o comandante-em-chefe da Frota do Pacífico, Almirante James O. Richardson, protestou contra isto em várias ocasiões. Roosevelt eventualmente respondeu demitindo Richardson do seu posto.

As ofensas morais de Churchill e Roosevelt não estavam confinadas a violações das leis de guerra. Da época da ascensão de Hitler ao poder, 30 de janeiro de 1933, estava claro que os nazistas viam os judeus como seus arquiinimigos. Hitler desejava expulsá-los da Alemanha, e aqueles que desejassem emigrar eram encorajados ativamente a fazê-lo. Aqueles que ficaram viram sua situação tornar-se gradativamente precária.

Roosevelt não fez praticamente nada para ajudar. Ele se recusou a fazer pressão para relaxar as rígidas cotas de imigração americanas no sentido de permitir aos judeus a encontrar refúgio do reich. Pode ser dito em sua defesa, contudo, que as origens nacionais do sistema de cotas eram muito populares na época, e tivesse Roosevelt tentado mudá-las, ele teria arriscado cometer suicídio político. Mas ele não tentou alternativas óbvias como permitir residência temporária, sem possibilidade de futura cidadania americana. Nem ele mostrou muito interesse nos esforços para assentar os judeus em outro lugar. Churchill, com sua simpatia frequentemente expressada pelos judeus e o Sionismo, foi um pouco melhor.

As coisas ficaram piores após o pogrom da Kristallnacht em novembro de 1938. Hitler deixou claro em seu discurso de janeiro de 1939 ao Reichstag que se a guerra européia estourasse, ele contemplaria ações drásticas contra os judeus.

Dadas estas circunstâncias desagradáveis, não era um imperativo moral evitar o início da guerra e, se possível, assegurar a evacuação dos judeus das partes da Europa que poderiam possivelmente cair sob o controle alemão? Além disso, uma vez iniciada a guerra, não era imperativo terminá-la o mais rápido possível?

Churchill rejeitou todos os esforços para conseguir um assentamento. Ele continuou o bloqueio de fome, uma ação que somente exacerbaria as políticas nazistas mais extremistas. Mais uma vez, Herbet Hoover protestou, mostrando que o bloqueio colocava as crianças de Varsóvia em perigo de fome.

Em Varsóvia, Hoover disse, a taxa de morte entre as crianças era dez vezes maiores que as taxas de nascimento, e os corpos jaziam nas ruas... “É a causa Aliada mais avançada hoje como uma conseqüência da inanição das crianças?”, perguntou Hoover.

Churchill, é claro, tornou-se surdo: nenhuma consideração humanitária poderia desviá-lo da luta de vida e morte que ele estava determinado a seguir contra seu colega nazista.

Os defensores de Churchill, como John Lukacs, argumentam que ele não tinha escolha. Hitler intencionava o domínio da Europa; e não tivesse a guerra sido declarada em 1939, ou tivessem as ofertas de paz de Hitler em 1940 sido aceitas, a Grã-Bretanha logo teria que lutar de uma posição mais fraca ou aceitar a total supremacia alemã. Baker não aborda os objetivos de Hitler, apesar dele deixar claro suas simpatias a pacifistas como Rufus Jones e Jeanette Rankin. Como mencionado antes, Fumaça Humana é uma crônica de eventos significativos mais do que um argumento histórico, e os leitores em busca de uma análise da política alemã devem buscar outras fontes. Mesmo assim, gostaríamos de pensar que tendo em vista os massacres e destruição horrorosos da guerra, algumas escolhas melhores que as aquelas que Churchill e Roosevelt fizeram eram possíveis.

Fontes

http://mises.org/misesreview_detail.aspx?control=332

http://www.tkinter.smig.net/Stuff/SomeBooks/HumanSmoke.htm

http://articles.latimes.com/2008/mar/09/books/bk-kurlansky9

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sábado, 15 de dezembro de 2012

Rússia celebra 200º aniversário de batalha contra Napoleão

Terra, 02 de setembro de 2012


Russos reencenaram a histórica batalha de Borodino, de 1812, o maior e mais sangrento enfrentamento entre os Exércitos da França napoleônica e da Rússia czarista, que completou 200 anos neste domingo. A batalha, na qual 250 mil homens lutaram e 70 mil foram mortos, é considerada um marco decisivo da resistência russa ante a invasão do país por Napoleão.

O presidente russo, Vladimir Putin, discursou antes do evento deste domingo, em Borodino.

Participantes simularam carregar feridos durante a batalha e disparar canhões durante a simulação. O evento foi encenado por clubes de história russos.

Napoleão invadiu a Rússia em 16 de junho de 1812. A batalha de Borodino foi o enfrentamento de um dia de duração mais sangrento das guerras napoleônicas na Rússia. O Exército napoleônico venceu a batalha, mas sofreu perdas que o levariam a não conseguir derrotar a totalidade das forças russas.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

[POL] Eugenia e os Nazistas – A Conexão Californiana

Edwin Black, 09/11/2003


Hitler e seus seguidores vitimaram um continente inteiro e exterminaram milhões em sua busca pela chamada Raça Superior.

Mas o conceito de uma raça nórdica branca, loira e de olhos azuis não surgiu com Hitler. A idéia foi criada nos Estados Unidos, e cultivada na Califórnia, décadas antes de Hitler chegar ao poder. Os eugenistas californianos tiveram um papel importante, apesar de desconhecido, na campanha para limpeza étnica do movimento eugênico americano.

A eugenia foi uma pseudociência que objetivava “melhorar” a raça humana. No seu extremo, a forma racista, isto significava se livrar de todos os seres humanos classificados como “ineptos”, preservando somente aqueles que se enquadravam ao estereótipo nórdico. Elementos da filosofia foram santificados como política nacional através da esterilização forçada e de leis de segregação, assim como restrições conjugais, estabelecidas em 27 estados. Em 1909, a Califórnia tornou-se o terceiro estado a adotar tais leis. Finalmente, os praticantes da eugenia esterilizaram cerca de 60.000 americanos, barraram o casamento de milhares, forçosamente segregaram milhares em “colônias” e perseguiram números incontáveis em modos que estamos apenas tomando conhecimento. Antes da Segunda Guerra Mundial, quase metade de esterilizações coercivas foram feitas na Califórnia, e mesmo após a guerra, o Estado foi responsável por um terço de tais cirurgias.

A Califórnia era considerada um epicentro do movimento eugênico americano. Durante as primeiras décadas do século XX, os eugenistas da Califórnia incluíam cientistas raciais influentes, mas pouco conhecidos, como o especialista em doenças venéreas do Exército Dr. Paul Popenoe, o magnata das frutas cítricas Paul Gosney, o banqueiro de Sacramento Charles Goethe, assim como membros da Comissão de Caridade e Correção do Estado da Califórnia e a Comissão de Reitores da Universidade da Califórnia.


Paul Popenoe


A eugenia teria sido apenas conversa bizarra de salão se ela não tivesse recebido financiamento extensivo de filantropos corporativos, especialmente o Instituto Carnagie, a Fundação Rockfeller e a fortuna da ferrovia Harriman. Eles estavam todos em conluio com alguns dos cientistas mais respeitados da América de tais prestigiadas universidades como Stanford, Yale, Harvard e Princeton. Estes acadêmicos abraçaram a teoria e ciência raciais e então falsificaram e distorceram dados para servir aos objetivos racistas da eugenia.

O presidente de Standford David Starr Jordan originou a noção de “raça e sangue” em sua epístola racial de 1902 “Sangue de uma Nação”, na qual o estudioso declarou que as qualidades humanas e condições tais como talento e pobreza passavam pelo sangue.

Em 1904, o Instituto Carnagie criou um complexo laboratorial em Cold Spring Harbor em Long Island que acumulou milhões de fichas sobre americanos comuns, com os pesquisadores cuidadosamente traçando a remoção de famílias, linhagens e povos inteiros. De Cold Spring Harbor, os defensores da eugenia agitaram nas assembleias legislativas da América, assim como nas agências e associações de serviço social da nação.

A fortuna da ferrovia Harriman pagou caridade local, como o Escritório de Indústrias e Imigração de Nova York para encontrar imigrantes judeus, italianos e outros e em outras cidades populosas e sujeitá-los à deportação, prisão ou esterilização.

A Fundação Rockfeller financiou o programa de eugenia alemão e mesmo financiou o programa que Josef Mengele trabalhou antes de ir para Auschwitz.

Muito da orientação espiritual e agitação política para movimento eugênico americano veio das quase-autônomas sociedades eugênicas da Califórnia, tais como a Fundação para Melhoramento Humano de Pasadena e a filial da Califórnia da Sociedade Eugênica Americana, que coordenou muito de sua atividade com a Sociedade de Pesquisa Eugênica em Long Island. Estas organizações – que funcionavam como parte de uma rede – publicaram periódicos eugênicos racistas e jornais pseudocientíficos, tais como o Notícias Eugênicas e Eugenia, e propagandeou a ideologia nazista.

A eugenia nasceu como uma curiosidade científica na era vitoriana. Em 1863, Sir Francis Galton, primo de Charles Darwin, teorizou que se pessoas talentosas casassem somente com outras pessoas talentosas, o resultado seria um descendente comparativamente melhor. Na virada do último século, as ideias de Galton foram importadas para os Estados Unidos, assim como os princípios da hereditariedade de Gregor Mendel foram redescobertos.

Os defensores da eugenia americana acreditavam com fervor religioso que os mesmos conceitos mendelianos determinando a cor e tamanho de ervilhas, milho e gado também governavam o caráter social e intelectual de um homem.

Em um Estados Unidos demograficamente agitado pela onda de imigração e dividido pelo caos pós-reconstrução (N. Do T.: depois da Guerra Civil), o conflito racial estava presente em todo lugar no início do século XX. Elitistas, utopistas e os chamados progressistas fundiram seus medos raciais latentes e seus preconceitos de classe no sentido de criar um mundo melhor. Eles reinventaram a eugenia de Galton como uma ideologia racista e repressiva. A intenção: povoar a Terra com mais de seus pares sócio-econômicos e biológicos – e menos ou nada do resto.

A espécie superior que o movimento eugênico vendia não era somente formada por pessoas altas, fortes e talentosas. Os eugenistas estabeleceram tipos nórdicos loiros e de olhos azuis. Este grupo sozinho, eles acreditavam, estava preparado para herdar a Terra. No processo, o movimento pretendia diminuir negros emancipados, trabalhadores imigrantes asiáticos, indianos, hispânicos, europeus orientais, judeus, pessoas de cabelos escuros, pobres, enfermos e qualquer um que fosse classificado fora das linhas genéticas estabelecidas pelos estudiosos da raça (N. do T.: raceologists).

Como? Identificando árvores genealógicas defeituosas e sujeitando-os à segregação eterna e programas de esterilização para eliminar suas descendências. O grande plano era literalmente acabar com a capacidade reprodutiva daqueles classificados como fracos e inferiores – os chamados ineptos. Os eugenistas esperavam neutralizar a viabilidade de 10% da população numa só tacada, até que nenhum fosse deixado vivo exceto eles próprios.

Dezoito soluções foram estudadas em um “Relatório Preliminar do Comitê da Seção Eugênica da Associação do Reprodutor Americano para Estudo e para Identificar os Melhores Meios Práticos para Eliminar o Germoplasma (N. do T.: elemento dos recursos genéticos que maneja a variabilidade genética entre e dentro da espécie, com fins de utilização para a pesquisa em geral, especialmente para o melhoramento genético) Defeituoso na População Humana”, apoiado pelo Instituto Carnagie em 1911. A solução número oito era a eutanásia.

O método sugerido mais comum de eugenocídio nos Estados Unidos era uma “câmara letal” ou câmaras de gás coletivas operadas localmente. Em 1918, Popenoe, o especialista em doenças venéreas do Exército durante a Primeira Guerra Mundial, coescreveu o livro universitário amplamente usado, “Eugenia Aplicada”, que argumentava, “De um ponto de vista histórico, o primeiro método que se apresenta é a execução... Seu valor em manter o padrão da raça não deve ser subestimado.” “Eugenia Aplicada” também dedicava um capítulo para a “Seleção Letal”, que operava “através da destruição do indivíduo por algum efeito negativo do ambiente, tal como frio excessivo, ou bactéria, ou por deficiência corporal.”

Reprodutores eugênicos acreditavam que a sociedade americana não estava pronta para implantar uma solução letal organizada. Mas muitos hospícios e médicos praticavam morte médica improvisada e eutanásia passiva por sua própria conta. Uma instituição em Lincoln, Illinois, alimentava seus pacientes novatos com leite de vacas tuberculosas acreditando que indivíduos eugenicamente fortes seriam imunes. De trinta a quarenta por cento de óbitos eram registrados em Lincoln. Alguns médicos praticaram eugenocídio passivo em um bebê recém-nascido uma vez. Outros médicos em hospícios praticaram a omissão letal.

Entretanto, com o eugenocídio marginalizado, a principal solução para os eugenicistas era a rápida expansão da segregação forçada e esterilização, assim como mais restrições a casamentos. A Califórnia liderava a nação, executando quase todos os procedimentos de esterilização com pouco ou nenhum processo correto. Em seus primeiros 25 anos de legislação eugênica, a Califórnia esterilizou 9.782 indivíduos, a maioria mulheres. Muitas foram classificadas como “garotas más”, diagnosticadas como “apaixonadas”, “taradas” ou “sexualmente imprevisíveis”. Na Casa Pública Sonoma, algumas mulheres foram esterilizadas porque seus clitóris ou lábios vaginais foram considerados grandes.

Só em 1933, pelo menos 1.278 esterilizações forçadas foram realizadas, 700 em mulheres. As duas maiores fábricas de esterilização do Estado em 1933 foram a Casa Pública Sonoma com 388 operações e o Hospital do Estado Patton com 363 operações. Outros centros de esterilização incluíam Agnews, Mendoncio, Napa, Norwalk, Stockton e os hospitais públicos da Colônia do Pacífico.


Agnews

Mesmo a Suprema Corte dos EUA endossou aspectos da eugenia. Em sua decisão infame de 1927, o juiz Oliver Wendell Holmes escreveu, “É melhor para todo mundo se, ao invés de esperar para executar descendente degenerado por crime, ou deixá-lo morrer de fome por conta de sua imbecilidade, a sociedade puder prevenir aqueles que são manifestamente ineptos de continuarem sua espécie...Três gerações de imbecis é o suficiente.” Esta decisão permitiu que milhares de pessoas sofressem esterilização forçada ou perseguidas como subumanas. Anos depois, os nazistas no Julgamento de Nuremberg citaram as palavras de Holmes em sua própria defesa.

Somente após a eugenia tornar-se entrincheirada nos EUA é que a campanha foi transferida para a Alemanha, em grande medida, através dos esforços de eugenistas da Califórnia, que publicaram panfletos idealizando a esterilização e circulando-os para funcionários e cientistas alemães.

Hitler estudou as leis eugênicas americanas. Ele tentou legitimar seu anti-semitismo ao medicá-lo, e envolvê-lo na fachada pseudocientífica mais palatável de eugenia. Hitler foi capaz de recrutar mais seguidores entre alemães cultos ao afirmar que a ciência estava ao seu lado. O ódio racial de Hitler nasceu de sua própria cabeça, mas a base intelectual da eugenia que Hitler adotou em 1924 nasceu na América.

Durante os anos 1920, os cientistas eugênicos do Instituto Carnagie cultivaram relações profundas pessoais e profissionais com os eugenistas fascistas da Alemanha. No “Mein Kampf”, publicado em 1924, Hitler citou a ideologia eugênica americana e mostrou abertamente um conhecimento detalhado da eugenia americana. “Há hoje um Estado,” escreveu Hitler, “o qual pelo menos caminha em direção de uma melhor concepção (de imigração). É claro, não é nossa exemplar República alemã, mas os Estados Unidos.”

Hitler orgulhosamente disse aos seus camaradas como ele estava acompanhando de perto o progresso do movimento eugênico americano. “Tenho estudado com grande interesse,” ele disse a um amigo nazista, “as leis de muitos estados americanos sobre a prevenção de reprodução por pessoas cuja prole poderia, com toda probabilidade, não ter nenhum valor ou ser prejudicial à herança racial.”

Hitler chegou mesmo a escrever uma carta de elogio ao líder eugenista americano Madison Grant, chamando seu livro racial baseado na eugenia, “A Passagem da Grande Raça”, sua “bíblia”.

Agora, o termo americano “nórdico” foi alterado livremente para “germânico” ou “ariano”. Ciência racial, pureza racial e domínio racial tornaram-se as forças motivadoras por trás do Nazismo de Hitler. A eugenia nazista ditaria finalmente quem seria perseguido em uma Europa dominada pelo Reich, como as pessoas viveriam e como elas morreriam. Os médicos nazistas tornar-se-iam os generais invisíveis na guerra de Hitler contra os judeus e outros europeus classificados como inferiores. Os médicos criariam a ciência, descobririam as fórmulas eugênicas e selecionariam à mão as vítimas para esterilização, eutanásia e extermínio em massa.

Durante os primeiros anos do Reich, eugenistas por toda a América saudaram os planos de Hitler como a concretização lógica de décadas de seu esforço e pesquisa. Os eugenistas da Califórnia republicaram propaganda nazista para consumo americano.


Cartaz do Programa de Eutanásia da Alemanha Nazista: "Esta pessoa sofrendo de defeitos hereditários custa à comunidade 60.000 Reichsmark durante sua vida. Companheiro alemão, este é seu dinheiro também."


Eles também organizaram exibições científicas nazistas, tal como uma exposição em agosto de 1934 no Museu do Condado de Los Angeles, para o encontro anual da Associação de Saúde Pública Americana.

Em 1934, quando as esterilizações foram aceleradas para mais de 5.000 por mês, o líder eugenista da Califórnia C. M. Goethe, após voltar da Alemanha, entusiasticamente alardeou para um colega, “Você estará interessado em saber que seu trabalho está tendo uma parte importante na formação de opiniões do grupo de intelectuais que estão ao lado de Hitler neste programa de tomada de decisões. Em todos os lugares, senti que suas opiniões foram tremendamente estimuladas pelo pensamento americano... Quero você, meu amigo, leve esta mensagem contigo para o resto de sua vida, que você realmente impulsionou para ação um grande governo de 60 milhões de pessoas.”

Naquele mesmo ano, 10 anos após a Virgínia passar seu ato de esterilização, Joseph DeJarnette, superintendente do Hospital Público da Virgínia Ocidental, observou no jornal Richmond Times-Dispatch, “Os alemães estão nos batendo em nosso próprio jogo.”

Mais do que fornecer o embasamento científico, a América financiou os institutos eugênicos da Alemanha.

Em 1926, Rockfeller doou cerca de U$ 410.000 – quase U$ 4 milhões a preços de hoje – a centenas de pesquisadores alemães. Em maio de 1926, Rockfeller doou U$ 250.000 para a criação do Instituto Kaiser Wilhelm de Psiquiatria. Entre os psiquiatras no Instituto de Psiquiatria Alemã estava Ernst Rüdin, que tornou-se diretor e eventualmente um arquiteto da repressão médica sistemática de Hitler.

Dentro do complexo de institutos de eugenia no Instituto Kaiser Wilhelm estava o Instituto para Pesquisa do Cérebro. Desde 1915, ele operava em uma sala simples. Tudo mudou quando o dinheiro de Rockfeller chegou em 1929. Uma receita de U$ 317.000 permitiu ao instituto construir um prédio principal e assumir o comando na biologia racial alemã. O instituto recebeu dinheiro adicional da Fundação Rockfeller durante os anos seguintes. Liderando o instituto, novamente, estava o seguidor médico de Hitler, Ernst Rüdin. A organização de Rüdin tornou-se o elemento principal e o lar de pesquisa e experiências assassinas conduzidas em judeus, ciganos e outros.

Começando em 1940, milhares de alemães tirados de asilos, hospícios e outras instalações foram sistematicamente gaseados. Entre 50.000 e 100.000 foram eventualmente mortos.

Leon Whitney, secretário executivo da Sociedade Eugênica Americana, declarou do Nazismo, “Enquanto estávamos engatinhando... os alemães estavam chamando os bois pelos nomes.”

Um receptor especial do financiamento de Rockfeller era o Instituto Kaiser Wilhelm para Antropologia, Hereditariedade e Eugenia Humanas em Berlim. Por décadas, os eugenistas americanos desejavam gêmeos para avançar em sua pesquisa sobre hereditariedade.

O instituto estava agora preparado para assumir tal pesquisa a um nível sem precedentes. Em 13 de maio de 1932, a Fundação Rockfeller em Nova York despachou um telegrama para seu escritório em Paris:

Encontro de Junho do Comitê Executivo

Nove mil dólares por um período de três anos para o Instituto de Antropologia do KWG para Pesquisa com gêmeos e os efeitos em gerações futuras de substâncias tóxicas para Germoplasma.

Na época do financiamento de Rockfeller, Otmar Freiherr Von Verschuer, um herói nos círculos eugenistas americanos,trabalhou como chefe do Instituto para Antropologia, Hereditariedade Humana e Eugenia. O financiamento de Rockfeller deste instituto continuou por via direta e através de outros meios durante o mandato de Verschuer. Em 1935, Verschuer deixou o instituto para formar uma instituição eugenista rival em Frankfurt que foi muito celebrada na imprensa eugenista americana. Pesquisa com gêmeos no Terceiro Reich explodiu, mantida por decretos governamentais. Verschuer escreveu no Der Erbazt, um periódico médico eugenista que ele publicava, que a guerra da Alemanha resultaria em uma “solução total para o problema judaico.”

Verschuer teve um assistente de longa data. Seu nome era Josef Mengele.

Em 30 de maio de 1943, Mengele chegou a Auschwitz. Verscher notificou a Sociedade de pesquisa Alemã, “Meu assistente, o Dr. Josef Mengele (M.D., Ph D.) juntou-se a mim neste ramo de pesquisa. Ele está presentemente empregado como Hauptsturmführer (capitão) e médico no campo de concentração em Auschwitz. O teste antropológico da maioria dos diversos grupos raciais neste campo de concentração está sendo conduzido com a permissão do SS Reichsführer (Himmler).”

Mengele começou a procurar gêmeos na chegada dos vagões. Quando ele os encontrava, ele conduzia experiências bestiais, escrupulosamente anotando os relatórios e enviava os trabalhos de volta para o instituto de Verschuer para avaliação. Geralmente cadáveres, olhos e outras partes de corpo também eram despachadas para os institutos eugênicos de Berlim.

Os executivos da Rockfeller jamais souberam de Mengele. Com poucas exceções, a fundação encerrou todos os estudos eugenistas na Europa ocupada antes da guerra eclodir em 1939. Mas por esta época, os dados haviam sido lançados. Os homens talentosos que Rockfeller e Carnagie financiaram, as grandes instituições que eles ajudaram a fundar, e o silêncio que eles ajudaram a criar seguiram caminho próprio.

Após a guerra, a eugenia foi declarada um crime contra a humanidade – um ato de genocídio. Os alemães foram julgados e eles citaram os estatutos da Califórnia em sua defesa – sem sucesso.

Entretanto, o chefe de Mengele Verschuer escapou de ser processado. Verschuer reestabeleceu suas conexões com os eugenistas da Califórnia, que saíram de cena e renomearam sua cruzada de “genética humana”. Típica foi uma troca em 25 de julho de 1946, quando Popenoe escreveu para Verschuer, “Foi de fato um prazer saber sobre você novamente. Estava muito ansioso sobre meus colegas na Alemanha... Suponho que a esterilização foi descontinuada na Alemanha?” Popenoe comentou boatos sobre várias personalidades americanas da eugenia e então enviou várias publicações eugênicas. Em um pacote separado, Popenoe enviou chocolate, café e outros produtos.

Verschuer respondeu, “Sua carta muito amigável de 7/25 deu-me um grande momento de satisfação e você tem meus sinceros agradecimentos por isso. A carta constrói outra ponte entre o seu e o meu trabalhos científicos; espero que esta ponte nunca colapse novamente mas, ao invés disso, torne possível estímulo e riqueza mútuas.”

Logo, Verschuer novamente tornou-se um cientista respeitado na Alemanha e ao redor do mundo. Em 1949, ele tornou-se membro correspondente da recentemente formada Sociedade Americana de genética Humana, organizada por eugenistas e geneticistas americanos.

No outono de 1950, a Universidade de Münster ofereceu a Verschuer uma posição em seu novo Instituto de Genética Humana, onde ele mais tarde tornou-se reitor. No início e meados dos anos 1950, Verschuer tornou-se membro honorário de diversas sociedades de prestígio, incluindo a Sociedade Italiana de Genética, a Sociedade Antropológica de Viena e a Sociedade Japonesa para Genética Humana.

As raízes genocidas da genética humana na eugenia foram ignoradas por uma geração vitoriosa que se recusou a ligar-se com os crimes do Nazismo e por gerações sucessivas que nunca souberam da verdade dos anos seguintes à guerra. Agora, governadores de cinco estados, incluindo a Califórnia, pediram desculpas públicas a seus cidadãos, do passado e do presente, pela esterilização e outros abusos difundidos pelo movimento eugenista.

A genética humana tornou-se um desafio iluminado no final do século XX. Trabalhando arduamente, cientistas dedicados finalmente decifraram o código humano através do Projeto Genoma Humano. Agora, cada indivíduo pode ser biologicamente identificado e classificado pelas características pessoais e ancestralidade. Mesmo agora, algumas vozes no mundo genético estão clamando por uma limpeza dos ineptos entre nós, e mesmo uma espécie humana superior.

Há preocupação compreensível sobre formas de abuso mais comuns, por exemplo, em negar seguro ou emprego baseado em testes genéticos. Em 14 de outubro, a primeira lei anti-discriminação genética passou no Senado por voto unânime. Apesar da pesquisa genética ser global, nenhuma lei nacional pode parar as ameaças.

http://www.sfgate.com/opinion/article/Eugenics-and-the-Nazis-the-California-2549771.php