quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

CIA x KGB: A Espionagem a Serviço das Superpotências

O surgimento da CIA: Nas garras da águia

Criada no início da Guerra Fria, a CIA se especializou em sabotar e derrubar governos. Conheça sete casos em que a agência mudou os rumos da história - nem sempre do jeito que ela tinha planejado

Tiago Cordeiro | 01/02/2008

 
Quando a Segunda Guerra acabou, em 1945, os americanos tinham mostrado ao mundo o alcance de seu poderio militar, selando o destino da Alemanha nazista na Europa e tirando o Japão de combate no Pacífico. Por trás desse sucesso, entretanto, se escondia uma perigosa fraqueza. Enquanto os soldados dos Estados Unidos haviam vencido no campo de batalha, os espiões americanos tinham colecionado fracassos, mostrando-se muito inferiores aos agentes britânicos, russos e alemães. Para um país que pretendia conter a crescente influência da União Soviética, era preciso investir num recurso decisivo: informação.

Foi pensando nisso que o presidente americano Harry Truman criou a Agência Central de Inteligência, a CIA (sigla para Central Intelligence Agency), em 1947. Tudo o que ele queria era saber o que acontecia nos países do bloco socialista. A missão incluía, é claro, infiltrar agentes na União Soviética. Mas os diretores da agência logo perceberam que isso era quase impossível – há alguns anos, Richard Helms, diretor da CIA entre 1966 e 1973, chegou a declarar que, naquela época, colocar e manter um espião em Moscou era tão difícil quanto mandar um homem para Marte.


 
Incapaz de vigiar de perto os rivais da Guerra Fria, os diretores da CIA ampliaram o ramo de atuação da agência. Em vez de se concentrar apenas em investigações, ela passou a intervir diretamente na política de diversos países, sempre procurando destruir qualquer possibilidade de aproximação com Moscou. A primeira intervenção bem-sucedida foi o financiamento do partido Democrata Cristão nas eleições italianas de 1948, para bloquear a ascensão da esquerda na Itália. Em pouco tempo, a CIA estaria apoiando grupos rebeldes e desestabilizando governos por todos os cantos do mundo.

“A agência deveria ser a cura para uma fraqueza crônica: a capacidade de guardar segredo e usar disfarces nunca foi nosso forte”, afirma o jornalista americano Tim Weiner em Legacy of Ashes (“Legado de cinzas”, inédito no Brasil), livro que conta a trajetória da CIA lançado recentemente nos Estados Unidos. “Quando a compreensão falhou, os presidentes do país ordenaram que a CIA mudasse o curso da história à força, por meio de operações clandestinas.” E assim foi. A seguir, você vai conhecer melhor sete momentos em que a agência foi capaz de mudar o mundo. E perceber que as mudanças nem sempre aconteceram do jeito que o governo americano desejava.

A arte de criar inimigos

O alvo da primeira intervenção militar da CIA foi o primeiro-ministro do Irã, Mohammed Mossadegh. Depois de assumir o poder, em 1951, ele propôs a nacionalização das companhias petrolíferas. A proposta irritou profundamente os ocidentais que lucravam com o petróleo iraniano. Nos Estados Unidos, Dwight Eisenhower assumiu a presidência em 1953 e encomendou à CIA a Operação Ajax, cujo objetivo era a deposição de Mossadegh. A ação ficou a cargo de Kim Roosevelt, chefe da divisão da agência no Oriente Médio e neto do ex-presidente Franklin Roosevelt. Com 1 milhão de dólares, ele iniciou uma campanha contra o premiê.

Contratadas pelos americanos, multidões de pessoas, em especial jovens religiosos, foram às ruas pedir a queda de Mossadegh – a agência fornecia a elas dinheiro e infra-estrutura (como carros e escritórios). Ao mesmo tempo, outros grupos, compostos por pessoas humildes, foram contratados pela CIA para fazer manifestações que vinculassem a imagem do premiê a Moscou – com palavras de ordem como “Eu amo Mossadegh e o comunismo”. A um preço de 150 mil dólares, os jornais passaram a criticar o primeiro-ministro. O problema é que o líder dos golpistas, o general Fazlollah Zahedi, não reuniu o apoio necessário.

No dia do golpe, 7 de julho, tudo saiu errado: os dissidentes foram presos e Mossadegh se manteve no poder. Mas Kim Roosevelt não desistiu. Em 19 de agosto, ele e um grupo de religiosos, liderados pelos aiatolás Ahmed Kashani e Ruhollah Khomeini, levaram centenas de pessoas armadas às ruas. O ataque à guarda de Mossadegh custou 200 vidas. Dessa vez o premiê não resistiu. Em seu lugar, assumiu Zahedi. “Gerações de iranianos cresceram sabendo que o governo americano tinha interferido em sua soberania. No médio prazo, essa ação foi péssima para a imagem dos Estados Unidos no Oriente Médio”, afirma Tim Weiner em seu livro.

O golpe mais duro contra os americanos veio em 1979. Foi quando o aiatolá Khomeini liderou a revolução que transformou o Irã em uma república islâmica. No mesmo ano, Khomeini deteve 52 americanos na embaixada dos Estados Unidos em Teerã. Eles só foram libertados após 444 dias – durante os quais a CIA participou de diversas ações de resgate malsucedidas. Meio século após a intervenção planejada pela agência, o Irã é uma enorme pedra no sapato da política externa americana.

Um golpe exemplar

Jacobo Arbenz Guzmán assumiu a presidência da Guatemala em 1951 e, apesar de não ser um aliado declarado da União Soviética, iniciou um projeto de nacionalização de empresas. Foi o suficiente para que ele se transformasse em motivo de inquietação nos corredores da CIA. Com o sucesso do golpe contra o premiê do Irã, em 1953, Guzmán se tornou a bola da vez. “Na maior parte dos casos, as ações da agência foram e são motivadas diretamente pelo presidente. No Irã, por exemplo, a ordem de Eisenhower foi muito clara. No caso da Guatemala, entretanto, a iniciativa da CIA foi preponderante. Nada teria acontecido sem o interesse da agência”, diz o historiador especializado na CIA John Prados, autor do livro Safe for Democracy: The Secret Wars of the CIA (“Seguro para a democracia: as guerras secretas da CIA”, sem tradução no Brasil). Desde o primeiro momento, a agência já sabia quem gostaria de ver no poder no lugar de Guzmán: o coronel Carlos Castillo Armas.

Em dezembro de 1953, começou a Operação Sucesso, orçada em 3 milhões de dólares. O dinheiro bancou a construção de campos de treinamento para militantes pró-Castillo. Em 18 de junho de 1954, o general e umas poucas centenas de guerrilheiros, usando armamento de idade e qualidade variável (incluindo rifles com símbolos nazistas que haviam sido usados na Segunda Guerra), derrotaram os 5 mil homens do Exército do país. Em 8 de julho, Castillo assumiu o poder. Começavam ali quatro décadas de revoluções e ditaduras, que provocariam a morte de 200 mil civis.

Mais até do que a ação no Irã, a operação na Guatemala tornou-se o maior modelo de conduta da agência americana. “No Irã ainda aconteceram alguns erros de avaliação, e a CIA contou com alguma sorte. Na Guatemala, a estratégia foi aplicada de forma impecável”, diz John Prados. “A proposta de dar dinheiro, armas e treinamento para grupos de oposição, somada a uma campanha de formação de opinião pública contra o presidente a ser deposto, funcionou ali tão bem que se tornou referência para todas as vezes em que a agência quis interferir na política externa de algum país. O padrão seria seguido à risca, por exemplo, no Chile.”

Rei posto, rei morto

Foi sob as bênçãos americanas que Ngo Dinh Diêm, primeiro presidente do Vietnã do Sul, chegou ao poder em 1955. Afinal, ele deveria fazer frente ao governo comunista do Vietnã do Norte – o país estava dividido em dois desde que a Primeira Guerra da Indochina, no ano anterior, colocara fim a quase um século de ocupação francesa. O governo de Diêm, entretanto, foi uma catástrofe. Católico (em um país em que 90% da população era budista), perdulário e apoiado por uma polícia secreta adepta da tortura, ele provocou a ira de grupos religiosos budistas e de setores do Exército, que organizaram dois golpes de Estado contra ele, em 1960 e em 1962.

No ano seguinte, o governo americano decidiu apoiar um novo presidente. Diêm foi convidado a se afastar do cargo e procurar exílio em território americano, mas se recusou a deixar o poder e, de aliado, passou a ser alvo de Washington. Ainda em 1963, um golpe liderado pelo general Tran van Don com apoio da CIA levou um grupo rebelde a cercar Diêm dentro de seu palácio. Ele escapou, mas no dia seguinte, 2 de novembro, negociou a rendição. O presidente se entregou pacificamente, mas foi imediatamente executado.

A versão oficial de que Diêm havia cometido suicídio não convenceu, e a agência americana foi acusada de ter apertado o gatilho. “Não acredito que a CIA tenha sido diretamente responsável pelo assassinato do presidente. Mas ela deu suporte operacional, e o governo americano vinha sinalizando que daria apoio ao sucessor de Diêm. Essas duas atitudes pavimentaram o assassinato”, afirma Malcolm Byrne, diretor de pesquisa do National Security Archive, em Washington.

Mesmo com o apoio americano, nenhum outro governante do Vietnã do Sul conseguiria estabilidade política. Logo as duas metades do país mergulhariam num conflito que custaria a vida de cerca de 3 milhões de vietnamitas e tragaria também os Estados Unidos. Entre 1965 e 1973, a Guerra do Vietnã matou 58 mil americanos e feriu outros 300 mil. À CIA, restou monitorar a carnificina. “Durante a Guerra do Vietnã, a postura da agência foi impecável. Seus relatórios sobre o fracasso do esforço militar americano em atingir com seriedade o exército de Ho Chi Mihn [o líder do Vietnã do Norte] são alguns dos textos analíticos mais corajosos escritos sobre o assunto no período”, afirma Byrne.

Dez milhões contra um

“Não vejo por que devemos deixar um país se tornar marxista só porque seus cidadãos são irresponsáveis.” Em junho de 1970, foi assim que Henry Kissinger, então conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, justificou reservadamente a liberação de uma parcela de 165 mil dólares para que a CIA continuasse sustentando uma violenta campanha de difamação contra Salvador Allende. Candidato à presidência do Chile, o socialista contava com grande apoio popular, e os americanos temiam que sua vitória nas eleições fizesse com que o Chile se tornasse aliado da União Soviética.

Apesar de todos os esforços, a campanha não funcionou: Allende foi eleito em 4 de setembro de 1970. Dez dias depois, Kissinger liberou outros 250 mil dólares para ações contra o presidente. O chefe da CIA no Brasil, David Atlee Phillips, veterano do golpe de Estado orquestrado pela agência na Guatemala, foi convocado para coordenar a derrubada de Allende. Além de uma campanha de convencimento da imprensa e dos formadores de opinião chilenos, em 1972 começaram a acontecer atentados contra indústrias nacionalizadas pelo governo. Nessa época, militares com tendências políticas de direita já tinham recebido um bocado de armamento e treinamento dos americanos. Em 11 de setembro de 1973, Allende se viu cercado por uma parcela de seu Exército no palácio presidencial e se matou com um tiro de rifle (um AK-47 que ele supostamente teria ganhado de presente de Fidel Castro).

A queda de Allende custou 10 milhões de dólares – toda essa ajuda havia sido enviada por baixo do pano, já que, no início da década de 70, a CIA não precisava prestar contas sobre como usava seu dinheiro. Quem assumiu o poder foi Augusto Pinochet, que mantinha contato direto com o escritório da CIA em Washington. Depois do fim de seu governo, em 1990, soube-se que a atuação da agência não acabara com o golpe: vários agentes da CIA foram acusados de participação em episódios de tortura que provocaram a morte de 3200 pessoas no Chile. Por toda a América Latina, incluindo o Brasil, a agência se preocupava em manter a direita no poder – e a esquerda longe dele. O sucesso no Chile demonstrou de uma vez por todas a capacidade americana de moldar a situação política do continente à sua imagem e semelhança.

Da glória às trevas

Em 11 de fevereiro de 1979, Adolph Dubs, embaixador americano no Afeganistão, foi seqüestrado por um grupo de rebeldes muçulmanos. Ele acabou sendo morto três dias depois, durante a operação policial de resgate. O episódio ilustra bem o caos em que o país estava metido, no meio de uma revolução islâmica. Para completar o cenário – e aumentar a preocupação dos Estados Unidos –, a União Soviética se preparava para invadir o Afeganistão.

Enquanto 30 mil soldados de Moscou se aproximavam da fronteira, um relatório da CIA ao presidente Jimmy Carter afirmava: “Os soviéticos estão relutantes em empregar muitas forças de terra no Afeganistão”. Quando a invasão se tornou óbvia, a agência começou a mobilizar agentes de seus escritórios na Ásia para apoiar as tropas de resistência. Até 1988, quando os russos se retiraram do Afeganistão, nada menos que 250 milhões de dólares haviam saído das contas da CIA para as mãos dos rebeldes. “O apoio à resistência afegã foi um dos poucos momentos da história da agência em que ela se mostrou capaz de, indiretamente, minar o poder soviético”, afirma o historiador David Barrett, da universidade de Villanova, nos Estados Unidos. “O atoleiro do Afeganistão teve um grande peso no contexto da decadência da URSS.”

Embora aparentemente tenha contribuído para o fim da União Soviética, a atuação da CIA no Afeganistão teve um lado amargo para os americanos. Enquanto resistiam aos russos, os grupos islâmicos apoiados pela agência tiveram a participação de um milionário saudita chamado Osama bin Laden. Em sinal de gratidão, nos anos 90, ele ganhou abrigo no Afeganistão. A partir dali, planejou uma série de atentados contra os Estados Unidos – que culminaram na derrubada do World Trade Center, em Nova York, em 2001.

A CIA se empenhou em perseguir o ex-aliado a partir de 1996. “Tivemos Bin Laden na mira por duas vezes em 1997. Nós sabíamos onde ele estava e por onde ia passar”, afirma Michael Schauer, que na época dirigia a unidade da CIA que caçava o terrorista. “Mas o presidente Bill Clinton não nos autorizou a matá-lo. Ele achava que Bin Laden era uma referência muito importante para o mundo islâmico e não queria comprar essa briga.” Depois disso, a CIA nunca mais foi capaz de localizá-lo.

Relações perigosas

A família Somoza permaneceu 43 anos no comando da Nicarágua. Em julho de 1979, entretanto, a ditadura foi derrubada pelos rebeldes do Partido Sandinista. Um ano e meio depois, ao assumir a presidência dos Estados Unidos, Ronald Reagan declarou que o governo sandinista (que tinha como um dos líderes Daniel Ortega, o atual presidente da Nicarágua) estava se aproximando demais de Cuba e ajudando a financiar revoltas comunistas na América Latina. Autorizada por Reagan, a CIA deu apoio a um grupo de anti-sandinistas, que logo cresceu e ficou conhecido como Contras. Até 1989, o confronto entre eles e as forças do governo deixaria um saldo de cerca de 30 mil mortos.

Descrita assim, a ação na Nicarágua parece seguir o roteiro básico das intervenções da CIA. Mas, dessa vez, a agência estava contrariando o Congresso americano. Desde 1973, havia uma comissão parlamentar para monitorar atividades secretas realizadas a mando do poder Executivo. Em 1981, quando a autorização para agir na Nicarágua se tornou pública, o Congresso aprovou uma lei proibindo a CIA de financiar os Contras.

Enquanto isso, longe da América Latina, Irã e Iraque estavam em guerra. “O governo americano estava financiando abertamente o Iraque, mas também queria apoiar o Irã, na esperança de que os dois países se exaurissem”, diz o historiador David Barrett. Em 1982, o clima no Oriente Médio azedou de vez: apoiado pelos Estados Unidos, Israel invadiu o Líbano. Em represália, grupos libaneses seqüestraram 12 cidadãos americanos entre 1982 e 1985. Reagan tinha pressa em libertá-los.

Diante desse cenário, a CIA resolveu matar três coelhos com uma paulada só. Organizou um esquema de tráfico de armas para o Irã. Em troca, os iranianos deveriam convencer os libaneses a soltar os reféns. Do dinheiro obtido com a venda das armas, parte era depositada pela CIA em contas na Suíça. Lá, os recursos ficavam à disposição dos Contras da Nicarágua. Quando descoberto, em 1986, o esquema Irã-Contras provocou o maior escândalo da história da CIA. “A agência esteve perto de desaparecer”, afirma Barrett. Só oito reféns foram soltos – os outros foram assassinados, incluindo William Buckley, diretor do escritório da CIA no Líbano. O fim do conflito Irã-Iraque, em 1988, não trouxe benefícios para os Estados Unidos. Já os sandinistas continuaram no poder até 1990. “A partir do episódio Irã-Contras, a CIA teve muito mais dificuldade em derrubar presidentes”, diz o historiador. “Os países malvistos pelos americanos puderam respirar mais tranqüilos.”

Chute para fora

“O Iraque é o lugar mais perigoso do mundo.” A frase soa atual, mas está completando 50 anos. Foi com ela que Allen Dulles, então diretor da CIA, começou uma reunião em 1958. Estava assustado com o golpe de Estado de 14 de julho daquele ano, que havia derrubado a monarquia iraquiana, aliada dos Estados Unidos. O poder passou às mãos de Abdul Karim Qasim. Em 1963, veio o troco: a agência apoiou o golpe que colocou o general Abdul Salam Arif no governo. Ele morreu em 1966 e deu lugar a seu irmão, que, dois anos depois, foi deposto por Ahmed Hassan al-Bakr. Inicialmente apoiado pela CIA, ele acabou se aproximando da União Soviética.

No decorrer da década de 70, entretanto, Al-Bakr foi perdendo influência para seu vice-presidente, Saddam Hussein, que assumiu o poder em 1979. Saddam era visto pelos americanos como um aliado útil, embora não muito confiável. Entre 1980 e 1988, ele obteve polpudos empréstimos americanos para sustentar a guerra contra o Irã. Quando resolveu invadir o Kuwait, em 1990, Saddam já não contava com a simpatia dos americanos. A ação contra o vizinho e seus campos de petróleo foi uma provocação inaceitável. Uma coalizão liderada pelos Estados Unidos atacou o Iraque em janeiro de 1991 e derrotou as forças de Saddam antes do fim de fevereiro.

O presidente iraquiano, entretanto, seguiu no poder. Em janeiro de 2002, o diretor da CIA, George Tenet, recebeu a missão de provar que o ditador armazenava “armas de destruição em massa” no Iraque. O objetivo era torná-lo um alvo da Guerra Contra o Terror lançada pelo governo de George W. Bush. O país foi atacado em 2003, viveu momentos de guerra civil e segue ocupado pelos americanos. Saddam foi caçado, julgado e executado. E as tais armas nunca apareceram. “É verdade que Saddam alimentava a ilusão de que tinha as armas. Mas Tenet forçou a mão com base em informações que não tinha, torcendo para que depois o Exército encontrasse as armas”, escreve Tim Weiner. O erro custou a demissão de Tenet e uma nova quebra na relação de confiança entre a agência e a presidência. “Por causa do terrorismo, a agência nunca teve tanto dinheiro à disposição”, diz o historiador John Prados. “Mas dinheiro não é tudo. A CIA ainda precisa recuperar a fé da Casa Branca.”


 
KBG: Guerra fria e suja

Os bastidores de uma disputa que reúne espionagem, corrupção e assassinatos em 90 anos de história dos serviços secretos soviéticos e da temida KGB

Sérgio Miranda | 08/12/2009

 
Em 20 de agosto de 1940, o espanhol Ramón Mercader entrou em uma sala da casa de Leon Trotski, nos arredores da Cidade do México. Caminhou calmamente na direção do líder russo e acertou sua cabeça com uma picareta de alpinismo. Quando os guarda-costas partiram para cima de Mercader, ouviram o patrão gritar: "Não o matem! Esse homem tem uma história para contar". Trotski morreu no dia seguinte. Durante seu julgamento, o assassino testemunhou: "Pousei o casaco na mesa de forma a poder tirar a picareta que estava no bolso. Decidi não perder a grande oportunidade que surgiu. No momento em que Trotski começou a ler um artigo, deu-me a oportunidade: tirei a picareta do casaco, segurei-a firme na mão e, de olhos fechados, dei-lhe um golpe terrível na cabeça". Difícil acreditar que ele tenha dito isso nesses termos. Mas assim foi anotado pela Justiça mexicana e entrou para os anais da História. Embora tenha ocorrido no México e o assassino fosse nascido na Espanha, a ação tinha autoria clara: o NKVD, o serviço secreto da União Soviética. A entidade ainda não se chamava KGB, mas já dava mostras de sua capacidade de eliminar os inimigos do Estado soviético. Nas décadas seguintes, os espiões ampliariam o raio de ação: no lugar de resolver apenas questões internas, a KGB passaria a atuar em disputas diplomáticas, políticas, militares e econômicas de muitas outras nações, inimigas ou parceiras. O braço mais obscuro, eficiente e violento do regime comunista da URSS também mudaria os rumos do planeta durante a Guerra Fria.

O mais temido e famoso de todos os serviços secretos soviéticos começou a nascer ao fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Rapidamente, a celebração da vitória deu lugar a um racha entre os aliados. A Guerra Fria dividiu o mundo em dois blocos, liderados por americanos e soviéticos. Nesse novo ambiente, que de frio mesmo só levava o nome, a disputa era travada nos bastidores, na busca de informações sobre os inimigos, estivessem eles do outro lado do mundo ou atuando dentro de casa. As agências de espionagem, que sempre desempenharam papel importante nas estratégias de guerra e diplomacia, ganharam ainda mais destaque. Tudo o que faziam, e como faziam, servia para manter o outro lado sempre em dúvida sobre o próximo passo. Foi nesse ambiente tenso que emergiu para os ocidentais a figura emblemática do Comitê de Segurança do Estado (KGB, na sigla em russo, que aqui no Brasil costumamos flexionar no feminino: a KGB). Foi durante a Guerra Fria que as ações do serviço secreto se tornaram assunto recorrente no noticiário político ou nos filmes da Sessão da Tarde. O jogo de rato e rato entre as duas superpotências estimulou a modernização da agência, então chamada de Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD na sigla russa).


 


A interferência nas questões domésticas não era nova. Desde que chegaram ao poder, os comunistas sempre enfrentaram a ameaça e, às vezes, a tentativa direta de intervenção militar estrangeira. Britânicos e americanos patrocinaram os esforços de restauração do czar e as ações militares da revolta anticomunista detida por Lenin, em 1919, e armaram o Exército Branco, na guerra civil de 1921. O Estado soviético e o Partido Comunista se acostumaram, desde o nascimento, a reagir e atuar com o apoio de uma estrutura policial de segurança. Criado em 20 de dezembro de 1917 durante a revolução russa, a primeira dessas organizações foi o Comitê Contra Atos de Sabotagem e Contrarrevolução (Cheka), que existiu por quatro anos. Com a criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, em 1922, o serviço secreto passou a se chamar Administração Política do Estado e ganhou a nova missão de investir contra os "inimigos do povo russo", geralmente todo aquele cidadão que ainda fizesse oposição ao regime, de qualquer natureza.

Nos anos 30, sob as ordens diretas do novo diretor, Josef Stalin, a instituição trocou mais uma vez de sigla e virou NKVD. Com ele, além das funções policiais e de segurança do Estado, alguns dos departamentos cuidavam de questões como transportes, forças armadas e a guarda das fronteiras. Quanto mais concentravam esse poder, mais Stalin e o NKVD notabilizavam-se pela perseguição, tortura e execução de adversários, mesmo entre os membros do Partido Comunista. A rede de informações serviu para as estratégias soviéticas durante a Segunda Guerra, embora ele tenha condenado à morte alguns de seus estrategistas em 1938 e 1939.

Vizinhos sob controle

Com o fim da Segunda Guerra e o breve período de aliança com os países ocidentais, os soviéticos se deram conta de duas coisas, uma boa e outra ruim. A boa: os antigos inimigos dos russos tinham perdido muito poder. A França e a Inglaterra não eram os mesmos impérios e a Alemanha saíra derrotada. A má notícia: o inimigo que sobrou, os Estados Unidos, estava muito mais forte e determinado a combater o comunismo. Ainda assim, em um dos primeiros duelos da Guerra Fria, os espiões soviéticos levaram a melhor.

Os americanos trabalhavam em total sigilo no desenvolvimento da bomba atômica. Ou, pelo menos, pensavam assim. Quando o presidente Harry Truman aproveitou a conferência de Postdam, em julho de 1945, para mencionar a Stalin a montagem da bomba, o ditador não se surpreendeu. A KGB o municiava com informações vindas de uma rede de espiões - incluindo o físico Klaus Fuchs, um alemão naturalizado inglês que teve um importante papel dentro do Projeto Manhattan, de preparação da bomba em Nova York, e quatro espiões infiltrados na Inglaterra (veja o quadro na pág. 34). Ao explodir seu primeiro artefato, em agosto de 1949, a União Soviética antecipou as previsões dos especialistas estrangeiros em, no mínimo, dez anos.

Uma vantagem da KGB era a centralização de poder. Enquanto os americanos mantinham uma agência de inteligência para assuntos externos, a CIA, e um escritório para investigações internas, o FBI, os soviéticos concentravam tudo nas mãos de um único órgão. Com a morte de Stalin, em 1953, Laurenti Beria, chefe do NKVD, tentou assumir o posto máximo. Acabou executado pelo Partido Comunista, que ordenou também a reformulação do serviço secreto. "A reforma que criou a KGB visava desde conciliar a manutenção do controle interno até criar uma política mais efetiva nas ações estratégicas, principalmente no campo das informações e inteligência, fora do território soviético", afirma Dmitry Trofimov, professor do Centro de Relações Internacionais da Universidade de Moscou. Segundo ele, a polarização militar global ficou evidente em 1955, com a criação da Otan e, em seguida, do Pacto de Varsóvia. "Uma das primeiras atribuições da KGB foi atuar dentro dos aparelhos dos Estados satélites do bloco socialista, não só junto aos serviços secretos, mas também imprensa e organizações de trabalhadores", diz Trofimov.

A presença da KGB nos países do bloco virou rotina. Em 1956, em meio a denúncias de violação dos direitos humanos de presos políticos, agentes soviéticos estavam por trás dos relatórios que deram suporte à invasão da Hungria por tanques do Pacto de Varsóvia. No mesmo ano, envolveram-se na violenta repressão contra um movimento reformista na Polônia. Em 1961, o aval da KGB foi decisivo para a iniciativa do governo da Alemanha Oriental de erguer o Muro de Berlim. Mais tarde, em 1968, a atuação do serviço soviético sufocaria as transformações políticas, sociais e econômicas propostas por intelectuais da Tchecoslováquia, no episódio conhecido como Primavera de Praga.

Nem tudo acabava em perseguição e morte, mas tudo era guerra e o lançamento, em 31 de dezembro de 1968, do avião supersônico Tupolev TU-144 foi uma tremenda vitória anotada no caderninho da KGB. Dois meses antes, espiões soviéticos tiveram acesso aos planos do Concorde francês e colocaram o protótipo no ar antes que o modelo capitalista ficasse pronto. Assim, em 5 de junho de 1969, o Tupolev se tornava a primeira aeronave comercial a ultrapassar a barreira do som.

Nem todas as ações da KGB eram secretas. Em 1972, cerca de 100 consultores militares soviéticos foram enviados ao Afeganistão para treinar as forças armadas locais. Em 1978, os dois países já assinavam o acordo que permitia o envio de outros 400 militares. Em dezembro do mesmo ano, mais um papel que garantia a amizade e a cooperação mútua. Em 1979, o Exército Vermelho invadiu o país. "O presidente Hafizullah Amin, considerado incapaz de resistir aos rebeldes que lutavam contra o regime comunista local, foi morto durante a tomada do palácio presidencial pelas tropas treinadas pelo KGB", diz Roger McDermott, professor da Universidade de Aberdeen e autor de Russia’s Security Agenda in Central Asia ("Agenda de segurança da Rússia na Ásia Central", inédito no Brasil). Durante os três primeiros anos de invasão, dois terços do exército regular afegão desertaram, facilitando que os mujahidin rebeldes controlassem 80% do país. Sem o apoio local, a invasão foi um fiasco. Em 1986, a ajuda militar estrangeira já havia equipado os rebeldes com armamento pesado, inclusive os mísseis que tiraram dos soviéticos o controle sobre o espaço aéreo. A operação começou a ser questionada dentro da própria URSS pelo alto custo - cerca de 3 bilhões de dólares por ano - e pelo resultado negativo, tanto do ponto de vista político como da propaganda comunista. Mais de 110 mil soldados lutaram; 5 mil morreram.

A queda

O episódio expôs as falhas estratégicas do Exército e da coordenação da KGB. Mas a preocupação naquele momento já era outra: o império socialista estava ruindo. O país não suportava mais os investimentos em armas, corrida espacial ou serviços de espionagem em detrimento do parque industrial atrasado e dos baixos níveis de produção. Moradores de Moscou enfrentavam filas por alimentos e produtos de higiene, enquanto o fornecimento de energia e água entrava em colapso. Para McDermott, quando o líder soviético Mikhail Gorbachev surpreendeu o mundo declarando uma moratória nuclear unilateral e, em 15 de fevereiro de 1989, retirou o último tanque do Afeganistão, ele abriu o processo que deu fim à KGB, ao menos nos moldes a que estava acostumada. A Glasnost prometia liberdade de expressão para a imprensa e transparência nas ações do governo. Mesmo apregoando que não seria necessário erradicar o sistema socialista, mas provocar uma reformulação, Gorbachev sofreu uma tentativa de golpe em agosto de 1991 e foi afastado do partido por membros da burocracia conservadora e da KGB. A ação foi sufocada pelo presidente da Rússia, principal república soviética, Boris Ieltsin. Convocando uma greve geral, Ieltsin obteve apoio de milhares de pessoas que acamparam em frente ao Parlamento. Mas, com a nação em frangalhos, Gorbachev renunciou à presidência e extinguiu a URSS, em 31 de dezembro. Oficialmente, a data encerra a KGB. Afinal, um regime que deixa de existir não tem mais inimigos.

A queda da KGB, porém, não marca o fim de uma estrutura de inteligência. Desde a era Gorbachev, quando os membros do serviço secreto perderam prestígio, agentes passaram a buscar meios de tirar vantagem de seus postos. Muitos começaram a vender artefatos de espionagem no mercado negro, inclusive na Europa e nos EUA. Mas o que sobressaiu mesmo foram a estrutura e a experiência da KGB, que, em uma época de incerteza política pós-URSS, serviram como base para o desenvolvimento do crime organizado e daquilo que se costumou chamar de máfia russa. Estima-se que mais de 8 mil grupos criminosos controlem cerca 40% da riqueza do país. Grande parte dos grupos é liderada por ex-funcionários da KGB ou militares do extinto Exército Vermelho. Assim fica fácil entender as semelhanças entre a máfia e a polícia secreta soviética.

O herói russo

Richard Sorge nasceu em 1895 em Baku, hoje capital do Azerbaijão. Mudou-se com a família para a Alemanha e tornou-se jornalista. Com convicções socialistas desde cedo (seu tio havia sido secretário de Karl Marx ), entrou voluntariamente para um batalhão de artilharia na Primeira Guerra. Em 1925 foi para Moscou, filiou-se ao Partido Comunista e, em 1930, foi enviado à China pelo serviço de espionagem do Exército Vermelho. Com reputação de jornalista respeitado, viajou pela Ásia e se aproximou do Japão. Sorge transitava entre os líderes japoneses sem despertar suspeitas. Tanto que se recusou a obedecer uma ordem de Stalin para que retornasse à URSS em 1937. Entre as informações que passou aos soviéticos, uma teve importância fundamental para o andamento da Segunda Guerra: garantiu a Stalin que o Japão não atacaria a URSS, o que permitiu que as tropas soviéticas deixassem a fronteira com o país para se deslocarem para oeste, contendo o avanço dos alemães em Stalingrado. Sorge foi detido em 1941, depois que os japoneses prenderam o jornalista Ozaki Hozumi, seu colaborador. Foi enforcado em 1944 e, 20 anos depois, recebeu o título de Herói da União Soviética.

A agente apaixonada

A professora americana Elizabeth Bentley (1908-1963) teve contato com os ideais socialistas em 1933 quando estudou em Florença, Itália. Quando voltou aos EUA, em 1935, filiou-se ao PC local. Foi trabalhar numa organização italiana que propagava o fascismo nos EUA e pediu para entrar no serviço de espionagem soviético. Logo entrou em contato com Jacob Golos, um imigrante russo cidadão americano e um dos principais nomes da inteligência da URSS. O relacionamento se tornou amoroso e Golos, aos poucos, transferiu algumas de suas atividades para a mulher, como o trânsito de documentos entre os contatos da inteligência soviética em solo americano. O casal montou uma agência de viagem que facilitava a entrada de agentes secretos nos EUA. Depois da morte de Golos, Bentley começou a se desentender com os chefes, em 1943. Enquanto seu assassinato já era planejado, em novembro de 1945, após a Segunda Guerra, ela procurou o FBI e confessou. Entregou o nome de 150 espiões.

O traidor da KGB

A ação de um espião russo do NKVD está intimamente ligada ao início da Guerra Fria. Igor Sergeyevich Gouzenko (1919-1982) era criptógrafo na embaixada soviética em Ottawa, no Canadá. Mas ele desertou e, em setembro de 1945, reuniu 109 documentos e os entregou ao Jornal de Ottawa. A papelada provava a existência de uma rede de espionagem soviética no Canadá. O objetivo era obter informações para roubar tecnologia americana, principalmente sobre a bomba atômica. A URSS havia sido uma aliada importante para a derrota de Hitler e as revelações de Gouzenko serviram para alertar EUA e Canadá sobre as reais intenções dos soviéticos. Ele recebeu nova identidade e cidadania canadense. Em público, só aparecia mascarado.

Os espiões de Cambridge

Ainda nos anos 20 começou um plano do NKVD para infiltrar espiões no serviço de inteligência britânico. Jovens estudantes que seguiriam carreira diplomática ou nos órgãos de segurança e que manifestavam simpatia pelas ideias marxistas eram identificados e recrutados. Membros do Partido Comunista local eram descartados, pois nunca teriam acesso a dados internos do governo. Assim surgiu o grupo conhecido como os Espiões de Cambridge, quatro jovens que por quase 30 anos passaram segredos importantes aos contatos soviéticos na Europa. Guy Burgess (1910-1963), Anthony Blunt (1907-1983), Donald Maclean (1915-1983) e Kim Philby (1912-1988) atuavam no Escritório de Contrainteligência e no Serviço Secreto de Inteligência britânicos e foram responsáveis por revelar os projetos sobre a bomba atômica aos soviéticos. Permitindo o rápido acesso da URSS ao armamento nuclear, quando o presidente americano Harry Truman tinha sobre a mesa um plano de bombardeio a 32 cidades soviéticas, os espiões de Cambridge acabaram ajudando a salvar o mundo de uma catástrofe, já que os EUA desistiram da ideia temendo as consequências igualmente desastrosas.

O playboy sedutor

Em 1958, Oleg Kalugin chegou aos EUA como um estudante de intercâmbio para aprender jornalismo na Universidade de Columbia. Aos 24 anos, filho de um membro da polícia secreta de Stalin e falando alemão, inglês e árabe, além de russo, claro, Kalugin usou e abusou de sua simpatia, charme e de galanteios para circular entre os jovens americanos disseminando os ideais soviéticos. Analisava os nomes do Departamento de Estado e identificava quais poderiam ter alguma tendência esquerdista para se aproximar. Oferecia cerca de mil dólares por boas informações e mantinha estreita relação com funcionários de embaixadas. Descoberto em 1970, voltou para a União Soviética, tornando-se, aos 40 anos, o mais jovem general da história da KGB. Mas em 1990, desiludido, deixou o cargo e passou a criticar o Partido Comunista. Buscou refúgio no país que tinha espionado e conseguiu cidadania americana. É professor no Centro de Estudos de Contrainteligência e Segurança dos EUA. Na Rússia, está condenado a 15 anos de prisão por traição. Mas os americanos não pretendem extraditá-lo.

Médicos sabotadores

Agência manipulou o preconceito contra os judeus

Em 13 de janeiro de 1953, quem abrisse o Pravda, jornal oficial do Partido Comunista, daria de cara com a notícia: professores de medicina do hospital do Kremlin estavam "encurtando a vida de personalidades públicas da União Soviética, através de tratamento incorreto e sabotagem médica". Segundo a historiadora Jutta Petersdorf, da Universidade Livre de Berlim, a notícia se baseava num relatório da KGB. A URSS sofreu, então, uma onda de depredações de consultórios. O relatório da KGB era baseado na denúncia de Lydia Timashuk. A médica acusou um colega de propositalmente interpretar errado o exame cardiológico de um membro do PC para deixá-lo morrer. A acusação originou uma série de investigações da KGB, que, segundo Jutta , costumava incitar o preconceito como instrumento de repressão. "As conclusões dessas diligências vincularam a participação de médicos, em sua maioria judeus, à morte de várias lideranças soviéticas, inclusive Gorki, escritor e dramaturgo, herói do povo russo." O relatório encobria mortes inexplicáveis do período do expurgo stalinista, quando milhares de ex-aliados do ditador sumiram ou morreram misteriosamente.

Bugigangas fatais

Os equipamentos mais esquisitos usados pelos espiões soviéticos

Nem só de espiões e informantes viviam os serviços secretos soviéticos. Cientistas, técnicos e engenheiros trabalhavam no desenvolvimento de armas e equipamentos de escuta discretos e eficientes - como uma pistola em forma de batom, que disparava um único tiro. Conheça alguns deles

Câmera escondida

Na década de 1970, agentes soviéticos levavam minicâmeras escondidas, com a lente em forma de botão falso, para fotografar pessoas perseguidas pelo regime comunista. O mecanismo era acionado dentro do bolso do paletó.

Esconderijos portáteis

As gravações em áudio e vídeo precisavam ser escondidas em algum lugar pequeno e insuspeito. Surgiram, então, as canetas e escovas com buracos capazes de armazenar microfilmes. Mas os objetos mais usados para esse fim eram os maços de cigarro.

Gás mortal

A arma criada em 1950 levava no tambor um frasco com ácido prússico. Se o portador apertasse o gatilho, uma fagulha convertia o ácido em gás cianureto. Quem estivesse por perto morria por intoxicação - se o espião estivesse a ponto de ser pego, poderia se matar e ainda arrastar inimigos com ele.

Guarda-chuva assassino

Em 1978, o escritor dissidente búlgaro Georgi Markov esperava o ônibus em Londres quando sentiu uma dor aguda na perna. Virou-se e viu um homem com um guarda-chuva. Georgi morreu dias depois. Tudo indica que a ponta do guarda-chuva estava envenenada.

Sapato espião

Em 1960, a KGB introduziu um transmissor, um microfone e uma bateria dentro de solas de sapatos para monitorar as conversas de quem os calçava.

Vale tudo

Os golpes mais bizarros da KGB

O conto da espiã gata

Um jovem guarda de segurança do corpo de fuzileiros na embaixada dos Estados Unidos em Moscou, Clayton Lonetree, caiu no que podemos chamar de Conto da Espiã Gata. Acabou seduzido pela bela Violetta Sanni, funcionária da embaixada. Quando o caso já estava quente, eis que surge Sasha, um suposto tio de Violeta, para completar a cilada da KGB. O guarda foi intimado a contar o que acontecia na embaixada americana. Meses depois, respirou aliviado quando foi transferido para Viena, na Áustria. Mas Sasha começou a visitá-lo também lá e passou a oferecer-lhe dinheiro. Em 14 de dezembro de 1986, Clayton confessou. Foi despachado para os EUA e respondeu a um processo militar.

GPS em pó

Certo dia, uma funcionária da CIA em Leningrado encontrou suas luvas cobertas por um pó amarelo. Só depois de um ano apareceu outra amostra da substância, entregue por Sergev Vorontsov, contato infiltrado na KGB. Ele disse que a KGB usava o produto para localizar pessoas. Testes revelaram que o pó era nitrofenilpentadienal, capaz de alterar a estrutura celular se absorvido pela pele. Agentes passaram a recusar trabalho em Moscou. Em 1985, os EUA protestaram formalmente contra o uso do pó.

Tecla que eu te escuto

Em 1984, funcionários da embaixada americana em Moscou foram obrigados a trocar máquinas de escrever por lápis. A KGB estava interceptando as batidas de 13 máquinas IBM instaladas em áreas de segurança da embaixada. As máquinas haviam sido modificadas. Um posto de escuta eletrônica do lado de fora do prédio recebia todas as palavras datilografadas.

Chantagens sexuais

Uma agente da CIA em Berlim, em 1986, preferiu revelar o caso homossexual que tinha com outra agente a colaborar com a KGB. Os soviéticos tentaram chantageá-la com um vídeo recheado de cenas picantes entre ela e a amante.

Sem faxina

Quando os russos prenderam, em Moscou, o jornalista Nicholas Daniloff, em 1985, os americanos ativaram a linha Gravilov, um canal direto entre CIA e KGB para resolver pendências. Ele foi solto, mas EUA e URSS expulsaram diplomatas em protesto. Os russos retiraram 260 funcionários que trabalhavam na limpeza da embaixada dos EUA em Moscou. Os americanos tiveram de se virar para limpar e cozinhar.


 
http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/kbg-capa-guerra-fria-suja-518169.shtml

 

[ARM] Armas de Infantaria: Armas Curtas

Também conhecidas genericamente como “pistolas”, as armas curtas são armas de fogo que podem ser operadas com apenas uma mão. Seu pequeno tamanho torna-as convenientes para serem carregadas sem dificuldades e de forma discreta. Entretanto, alguns peritos neste tipo de arma fazem uma distinção técnica que tornam as pistolas como uma classe de armas curtas. Nos EUA, a palavra pistola se refere a uma arma curta cuja câmara é integrada com o cano, tornando-as distintas dos revólveres, outra classe de arma curta que têm um cilindro rotativo contendo múltiplas câmaras. Por outro lado, na Comunidade Britânica não existe distinção ao nível técnico; “pistola” pode se referir a revólveres, semi-automáticas ou armas de pederneira.

Uma pistola semi-automática é um tipo de arma curta que pode ser operada no modo semi-automático, disparando um cartucho para cada puxão no gatilho. Este tipo de arma de fogo usa uma câmara e cano simples, que permanecem numa orientação linear fixa em relação entre si, enquanto os cartuchos estão sendo disparados e recarregados de forma semi-automática.

O revólver e a pistola são as armas de fogo mais comuns, utilizadas como armas básicas das polícias, também a preferida nos meios marginais. Aparecem em mais de 85 % das ocorrências envolvendo armas de fogo no Brasil. No meio militar, elas são normalmente usadas por oficiais para combate de curta distância. A figura 1 apresenta as principais características das armas portáteis atuais.
 
 
 Figura 1
 
Um cartucho consiste em uma cápsula, um propulsor e um projétil, tudo em um pacote de metal. Esse dispositivo simples é a base da maioria das armas de fogo modernas. Para ver como isso funciona, veremos o padrão de dupla ação de um revólver (figura 2).
 

 Figura 2


Essa arma tem um cilindro giratório, com seis culatras para seis cartuchos. Quando você puxa o gatilho em um revólver, várias coisas acontecem:

1.    inicialmente, a alavanca do gatilho empurra o martelo para trás;

q  quando ele se move para trás, o martelo comprime uma mola de metal na coronha da arma;

q  ao mesmo tempo, o gatilho gira o tambor para que a próxima câmara da culatra seja posicionada na frente do cano da arma;

2.    quando você puxa o gatilho todo para trás, a alavanca solta o martelo;

3.    a mola comprimida faz o martelo ir para a frente;

4.    o martelo bate na espoleta na parte de trás do cartucho, acendendo a espoleta;

5.    a espoleta aciona o explosivo;

6.    o explosivo atira a bala para fora da arma em alta velocidade.

A parte de dentro de um cano tem estrias, sulcos em espiral que servem para girar a bala enquanto ela sai da arma. Isso dá à bala mais estabilidade enquanto ela voa pelo ar, aumentando sua precisão.

Quando ocorre a explosão, o cartucho se expande e fecha a culatra temporariamente, para que todos os gases em expansão sejam empurrados para frente e não para trás.

Obviamente, esse tipo de arma é mais fácil de usar do que uma espingarda de pederneira ou uma arma com cápsula de percussão. Cabem seis balas de uma vez, e só é preciso puxar o gatilho para disparar. Mas ainda há limitações: é preciso puxar o gatilho a cada tiro, e recarregar a arma depois de seis tiros. E os cartuchos vazios são retirados dos cilindros manualmente.

Calibres

Quando ouvimos falar de uma determinada munição, muitas vezes nos perguntamos: será que sse calibre é bom para a defesa? Vamos citar aqui alguns dos calibres mais importantes no meio civil e militar para armas curtas.

.22

É considerada a mais antiga munição de cartucho metálico do mundo, com fogo circular (1845). O calibre .22 não foi concebido para obter-se resultados balísticos excepcionais, mas sim para uma utilização no tiro informal, ou para a prática de tiro-ao-alvo em competições não superiores a 50 metros, além de caça de pequenos animais, alcançando um nível de qualidade e precisão ainda não suplantado por nenhum outro calibre (exceto os calibres recarregados profissionalmente). Nos EUA, de cada 10 cartuchos disparados, 5 ou 6 são de calibre .22. Sendo uma munição de baixo custo, é indicada para iniciantes do esporte. Outra característica deste calibre é o pequeno impacto causado pelo projétil contra um ser humano. A sua velocidade, aliada ao baixo peso do projétil, gera um impacto insuficiente a ponto de interromper imediatamente uma ação ofensiva, excetuando-se um impacto certeiro em pontos vitais.

. 32

Também conhecido como .320, foi criado por volta de 1860 nos EUA, na configuração “Rim Fire” (fogo circular) ou seja, sem espoleta central no culote do cartucho.Dez anos após a sua criação nos EUA, na Inglaterra era desenvolvido o mesmo calibre, rebatizado de .320, de fogo central, desenvolvido especificamente para revólveres produzidos pelas firmas Webley e Tranter. O calibre .32 ao atingir um ponto vital do corpo humano, é tão letal quanto qualquer outro calibre. Ao se tratar de pontos vitais, não existe “calibre que mata mais ou calibre que mata menos”. Existe sim um índice relativo de incapacitação medido através do “stopping power” que cada calibre possui ao atingir pontos não vitais do ser humano.Hoje, o calibre .32 é considerado inadequado para fins de defesa, pela pouca capacidade que tem de transferir energia ao atingir o alvo. Presta-se mais para sessões informais de “plinking” (tiro em pequenos alvos, como latas de tinta).

7, 65 mm Browning (.32 ACP)

Criado por Jonh M. Browning em 1895, teve sua primeira utilização em uma pistola semi-automática fabricada pela FN (Fabrique Nationale de Armes de Guerre) belga. Utiliza projéteis com peso de 60 a 80 “grains”, considerados muito leves para serem usados na defesa, tendo em vista a velocidade desenvolvida após a queima total da pólvora.Cartuchos fabricados hoje pela CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos), com projéteis de 71 “grains” (4,6 g) desenvolvem 276 m/s atingindo 175 joules de pressão, quando medidos em provetes de 4 polegadas de comprimento de cano. Podem ser utilizados em qualquer arma de boa procedência e em bom estado de conservação.

9 mm Luger

Pelas suas características, é o cartucho para armas automáticas e semi-automáticas que obteve a maior aceitação pelas forças militares e policiais do mundo. Destaca-se a alta velocidade de seu projétil aliado ao pequeno tamanho do cartucho, que possibilita a utilização de carregadores de grande capacidade em armas compactas.

O cartucho 9 mm Luger, quando utilizado com projétil ogival, totalmente encamisado, possui bom poder de penetração, porém com pequena deformação, reduzindo o seu poder de parada. Já com projéteis modernos, do tipo ponta-oca, o seu poder de parada aumenta consideravelmente, pelo aproveitamento da grande velocidade do projétil, que ao chocar-se com o alvo deforma-se mais facilmente.

Tais características levaram o calibre 9 mm Luger a ser adotado por diversas forças armadas em substituição ao calibre .45, a exemplo do Brasil, e até mesmo nos EUA, que utilizavam o .45 pelas suas características peculiares e inclusive pela tradição, mas que ocupava muito espaço nos carregadores das armas. O 9 mm só deve ser considerado um bom calibre para defesa, quando utilizado com projéteis deformáveis, caso contrário ele transforma-se em um bom “perfurante”, muitas vezes transmitindo o resto de sua energia inicial contra uma parede, um carro ou uma vítima inocente, após atravessar o 1º alvo.

. 44

Apesar de já ser utilizado em diversas armas curtas nos anos de 1864/65, como em pistolas de tiro único, sendo produzidas na época com cartuchos de fogo circular, o calibre .44 evoluiu ao longo dos anos na forma de mais de 25 tipos de cartuchos diferentes. Hoje é comercializado em 3 configurações diferentes, conhecidos com os nomes de .44 Special, .44-40 WCF (Winchester Center Fire), e .44 Remington Magnum.

É hoje conhecido como “The Big .44” (“O Grande .44”), alcançando o status de ser a mais poderosa munição para caça e defesa para armas curtas no mundo. Apesar disso, não tem grande aceitação no uso policial devido ao fato que os revólveres que a calçam são extremamente grandes, além do grande recuo do calibre, que torna praticamente impossível efetuar disparos rápidos e seguidos com aproveitamento.Esportivamente, é utilizado em revólveres e pistolas de tiro único para a modalidade de silhuetas metálicas.

Fontes:

Wikipédia

How Stuffs Work

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Armas de Infantaria: Munição e Calibre de Armas de Fogo

[HOL] Pesquisa forense em Treblinka realizada

The Huffington Post, 16/01/2012

 
Uma arqueóloga forense britânica trouxe nova evidência para provar a existência de túmulos coletivos no campo de extermínio nazista de Treblinka.

Cerca de 800.000 judeus foram assassinados no sítio, no nordeste da Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial, mas uma falta de evidência física no sítio estava sendo explorado por negadores do Holocausto.

A arqueóloga forense Caroline Sturdy Colls agora assumiu a primeira tentativa científica coordenada para localizar as covas, de acordo com uma entrevista no Radio Times.

Como a lei religiosa judia proibe a perturbação de túmulos, ela e sua equipe da Universidade de Birmingham usaram "radar de penetração do solo".

Seu trabalho no sítio, onde os nazistas tentaram destruir todas as evidências de assassinato em larga escala, está sendo seguido pelo recente documentário da Radio 4, "Os túmulos escondidos do Holocausto".

O apresentador do programa, Jonathan Charles, um antigo correspondente estrangeiro da BBC, escreveu para o Radio Times que o radar de penetração do solo também descobriu as fundações das construções e que duas parecem ter sido câmaras de gás.

Sturdy Colls disse: "Todos os livros de história dizem que Treblinka foi destruído pelos nazistas, mas a pesquisa demonstrou que este não é o caso."

Ela acrescentou: "Identifiquei um número de covas enterradas usando técnicas geofísicas. Estas (as covas) são consideráveis em tamanho, e muito profundas, uma em particular tem 26 por 17 metros."

O apresentador do programa escreveu para o Radio Times que as covas contém os restos queimados de milhares de corpos.

A arqueóloga forense, que agora apresentou suas descobertas para as autoridades responsáveis pelo memorial em Treblinka, disse: "Eu realmente espero que este seja o primeiro estágio de um longo programa para encontrar aquelas covas escondidas do Holocausto."

O sobrevivente Kalman Taigman lembra de sua chegada na estação ferroviária do campo, dentro de um vagão para gado.

"Estava com a minha mãe. Éramos cerca de 100 pessoas num vagão. Eles abriram as portas, atirando e nos batendo, e nos enviaram para um campo. Corri com minha mãe e tentei acalmá-la.

"Eles me disseram para deixar minha mãe, mas eu não o fiz rapidamente e fui atingido na cabeça. Quando acordei, ela tinha ido. Ela foi com todo o resto das mulheres para a câmara de gás."

"Os túmulos escondidos do Holocausto" está para ser transmitido na segunda-feira, 23 de janeiro, às 20:00 na Radio 4 da BBC.  


O perfil acadêmico da Dra. Caroline Sturdy Colls:


 
Trechos da Entrevista de Sturdy Colls

Ao “Laboratório de Idéias” da Universidade de Birmingham.

Entrevistador: Que tecnologia a senhora usou para investigar o local?

Sturdy Colls: Usei um número de técnicas não-invasivas em Treblinka e o que isto significa, como você bem apontou, é que o solo não estava perturbado devido à lei de sepultamento judaica, de modo que os métodos usados não envolveram qualquer forma de distúrbio no solo ou escavação e isto nos permitiu investigar o potencial histórico e científico de Treblinka, mas obviamente foi muito importante que reconhecêssemos seu significado religioso e comemorativo também. Logo, nas técnicas que foram usadas havia um processo de pesquisa arquivístico que envolveu olhar registros documentais, revisitar dados históricos se você assim preferir, verificando dados e avaliando-os com olhar arqueológico, assim procurando por informação sobre o cenário. Então, havia um processo de olhar as fotografias aéreas do sítio, qualquer foto do solo, relato das testemunhas, planos que foram criados, etc., para construir um banco de dados de informação de modo que quando fiz a pesquisa, tudo aquilo poderia ser comparado com meus resultados. Assim, neste caso, isto envolveu caminhadas pelo terreno, assim avaliando a paisagem, pesquisa topográfica que usou GPS avançado e rastreamento total para demarcar em alterações no plano do local, permitindo-nos registrar variações micro-topográficas que poderiam ser indicativo de objetos enterrados. E também avaliar a visibilidade de outras características, tais como um número de artefatos que foram totalmente identificados na parte remota do sítio. Então, a partir disso até olhar sob o solo, usei um número de técnicas geofísicas, logo muito mencionado é o radar de penetração e este foi um dos métodos usados, mas este foi comparado com outros métodos que detectaram outras propriedades físicas no solo. Então, também usei a inspeção por resistência e uma extensão desta que permite o mapeamento 3D dos restos enterrados também, para garantir que todas as propriedades dos restos enterrados pudessem ser caracterizados acuradamente.

Entrevistador: E o que a senhora descobriu?

Sturdy Colls: Bem, os resultados da investigação, quando comparados com a informação histórica, indicaram que havia um número de fundações de construções sobreviventes em Treblinka logo abaixo da superfície e também uma quantidade considerável de restos estruturais óbvios que os nazistas teriam sido simplesmente incapazes de remover do local, e isto apoia relatos escritos por investigadores do pós-guerra que comentaram sobre a visibilidade de restos de artefatos, restos estruturais no campo. Também identificamos um número de fossas no sítio. Novamente, todas estas fossas foram mapeadas e comparadas com os esboços das testemunhas e isto é indicativo de um número de covas prováveis no sítio. É reconhecido como parte da investigação que a história de Treblinka não terminou com este abandono pelos nazistas. Assuntos como pilhagem pós-guerra e a construção do próprio memorial e um número de outras formas de mudança de cenário que aconteceram no sítio, você sabe, poderia confundir a interpretação, portanto, era essencial que tudo isto fosse considerado quando os resultados da investigação geofísica em particular fossem avaliados. Então, todos estes dados foram reunidos à informação histórica, de modo que parecemos ter uma situação aqui onde tem sido acreditado que todas as vítimas em Treblinka foram cremadas, elas foram destruídas sem deixar rastros, entretanto, a pesquisa revelou uma figura muito mais complexa dos padrões de disposição usados pelos nazistas. Olhando de uma perspectiva dos criminosos, e um ponto de vista levemente mais forense, os nazistas trabalharam, como a maioria dos criminosos fazem, segundo o princípio do menor esforço onde eles realmente teriam um método de enterro que se casava com a natureza de suas vítimas ou seus locais dentro do campo e há um número de fotografias e evidência física que observamos no terreno de Treblinka que demonstra que estes corpos não foram reduzidos a pó, que alguns sobreviveram como covas coletivas no senso verdadeiro e que também os restos particulados das vítimas foram redepositados nas fossas que eles foram exumados sob a ordem de Himmler de 1943. Igualmente, junto com a investigação topográfica, demonstramos que o campo, como ele é marcado atualmente no terreno pelo memorial moderno, foi na verdade muito maior, que as fronteiras do campo foram 50 metros mais largas ao norte e isto tem uma repercussão para um número de estruturas dentro do próprio campo. Logo, podemos examinar isso de um ponto de vista espacial e olhar todas essas consequências relacionando-as entre si e de forma esperançosa eventualmente começar a construir um mapa mais detalhado do campo como ele existia durante sua operação.
 
Mapa atual de Treblinka e as descobertas da investigação

 
 
Entrevistador: Então, a senhora agora apresentou suas descobertas para as autoridades responsáveis pelo memorial em Treblinka. Isto conclui as investigações no sítio de Treblinka ou é uma espécie de projeto em curso?

Sturdy Colls: É absolutamente um projeto em curso. A investigação demonstrou que o sítio chegou a um potencial enorme em termos do que podemos aprender da aplicação do método arqueológico e muito foi a ponta do iceberg em termos de ser a primeira investigação do que espero estará mais por vir. Espero retornar ao sítio mais tarde este ano e haverá estações subsequentes de trabalho em campo para os próximos anos. Como mencionei, no momento o que temos é um mapa do que sobreviveu no campo como resultado de minhas descobertas. Entretanto, no sentido de construir um mapa do campo como ele existiu precisamos trabalhar mais, precisamos investigar o sítio. Somente uma pequena proporção do sítio foi investigado de modo que existe um potencial enorme de encontrar mais à respeito da história deste campo no futuro.              


Uma transcrição deste podcast pode ser encontrada em:


Ao programa de rádio, “As Covas Escondidas do Holocausto”, transmitido pela Rádio BBC em 23 de janeiro de 2012:

Sturdy Colls: Todos os livros de história dizem que Treblinka foi destruído pelos nazistas, mas a investigação mostrou que este não é o caso. Identifiquei um número de fossas enterradas (sic) usando técnicas geofísicas. Elas são consideráveis. Uma em particular tem 26 metros por 17 metros.

Jonathan Charles: É enorme.

Sturdy Colls: É enorme. Estamos falando de um considerável número de corpos (que) poderiam ser contidos dentro de fossas daquele tamanho.

Jonathan Charles: Que poderia conter centenas, talvez milhares de corpos, não sabemos o quão fundo ela é, ou a senhora sabe sua profundidade?

Sturdy Colls: Infelizmente não. A tecnologia de investigação não permite ir a certas profundidades. Sei que é superior a 4 metros, que foi a extensão desta (inaudível). É uma fossa considerável.

Jonathan Charles: Foram poucas covas descobertas?

Sturdy Colls: Absolutamente, havia um número de covas, em particular nos fundos do que é agora o memorial, cinco que estão de fato em fileira, novamente de tamanho considerável, em uma área onde testemunhas dizem que era a principal área de disposição dos corpos, isto é atrás das câmaras de gás, era onde a maioria das vítimas que foram enviadas lá foram então enterradas posteriormente, e depois onde os restos cremados das vítimas também foram colocados.

Jonathan Charles: Não são apenas fossas que a senhora encontrou, também algo parecido como construções.

Sturdy Colls: Há, e novamente, se os nazistas tivessem destruído Treblinka, como afirmaram, eles certamente teriam demolido o sítio, mas não é realmente possível quando as construções estiveram em um sítio para realmente esterilizar o terreno, então, o que eu identifiquei é que restos estruturais sólidos, estamos falando de fundações, sobreviveram, mas em particular dois tipos de estruturas que identifiquei são parecidas com as velhas e novas câmaras de gás em Treblinka.


 
Nova Tecnologia aponta para covas coletivas perdidas da era do Holocausto em Treblinka

JTA, 06/02/2012

Cientistas usando eletrônica de varredura de solo descobriram as covas coletivas perdidas no sítio de Treblinka, um dos mais conhecidos campos de extermínio nazistas.

Nenhum corpo real foi encontrado e as covas não foram escavadas, de acordo com a lei judaica, mas ossos e fragmentos de ossos foram descobertos no solo, de acordo com Caroline Sturdy Colls, uma arqueóloga forense da Universidade Straffordshire na Inglaterra que liderou a busca.

As estruturas subterrâneas detectadas por seu equipamento descrevem o que parecem ser as covas.

Os historiadores acreditam que cerca de 850.000 pessoas, incluindo ciganos, morreram em Treblinka.

Apesar de testemunhas oculares confirmarem a existência das covas coletivas, os alemães fizeram tudo o que puderam para encobrir seus crimes, e a incapacidade dos pesquisadores de encontrá-las foi usada algumas vezes pelos negadores do Holocausto para afirmar que o assassinato em larga escala não ocorreu em Treblinka.

Sturdy Colls usou fotografias aéreas dos anos 1940, imagem por satélite, dispositivos de mapeamento por GPS e novo radar de penetração de solo. O radar não pôde detectar corpos, mas pôde detectar diferenças entre o solo e distúrbios e inconsistências no solo, como objetos enterrados em 11 áreas.

"Considerando seu tamanho e localização, há uma forte tendência a admitir que eles representam áreas de enterro," ela disse.

Sturdy Colls começou a trabalhar em Treblinka em 2010. Ela e seus colegas usaram mapeamento por radar e elétrico para ter uma idéia do que estava no subsolo sem perturbar de fato o sítio. Uma das primeiras coisas que ela descobriu foi que os mapas antigos do sítio estavam incorretos - a linha da fronteira norte estava reduzida por cerca de 50 metros.

Após a guerra, os vizinhos de Treblinka saquearam algumas das covas procurando por ouro que eles pensavam os judeus ter escondido. Isto atrapalhou a topografia, mas o equipamento de Sturdy Colls encontrou muitas fossas exatamente onde as testemunhas disseram que elas deveriam estar.

A maior tem 26 metros de comprimento, 16 metros de largura e 4 metros de profundidade, com uma rampa para acesso. Pelo menos cinco outras com esta profundidade também existem na área.

Treblinka foi aberta em 23 de julho de 1942 como um campo de extermínio na Polônia central, parte da Operação Reinhard da Alemanha, o extermínio da judiaria européia.

Ele foi projetado com um único propósito: assassinato. 95% das pessoas enviadas para lá morreram imediatamente, a maioria por envenenamento por monóxido de carbono de motores de tanques bombeados para câmaras de gás.

Treblinka foi fechado em 19 de outubro de 1943 após uma rebelião da unidade sonderkommando - judeus forçados a ajudar na operação do campo. Muitos guardas alemães e ucranianos foram mortos na rebelião, permitindo a fuga de 300 prisioneiros.

Os alemães, contudo, ficaram repentinamente temerosos que seus crimes fossem descobertos.

Em 1943, eles descobriram os corpos de milhares de oficiais poloneses executados pelos russos em Katyn três anos antes, e perceberam que se alguém descobrisse os corpos nos campos de concentração, eles seriam culpados.

O líder nazista Heinrich Himmler ordenou que quando um campo fosse abandonado, todos os corpos teriam que ser exumados e cremados, disse Sturdy Colls.

A maioria das vítimas em Treblinka foram enterradas logo após a morte, apesar de alguns terem sido queimados. Seguindo as ordens de Himmler, os alemães escavaram os corpos e os cremaram usando trilhos de trem e madeira da floresta. Eles então reenterraram as cinzas nas mesmas covas.

A princípio, eles tentaram misturar as cinzas com sujeira, mas quando isso não funcionou, os alemães simplesmente jogaram as cinzas de volta nas trincheiras.

Sturdy Colls disse que necessita-se de uma alta temperatura para cremar um corpo humano, e fragmentos de ossos quase sempre permanecem intactos após o processo, mesmo quando a cremação é feita numa instalação moderna.

O trabalho foi feito às pressas. No final dos anos 1960, restos humanos emergiriam do solo, geralmente após uma tempestade.

Os alemães nivelaram o campo, destruindo todos os prédios, construindo uma fazenda falsa no lugar da padaria e mesmo assentaram uma família ucraniana na fazenda para dar-lhe um aspecto diferente. Pouco do campo permaneceu acima do solo.

"Eles manteriam essa artimanha mesmo se eles abandonassem o sítio," disse Sturdy Colls. "Eles tinham uma estação ferroviária falsa. Eles tinham sinalização. Eles obviamente sabiam o que estavam fazendo."

Uma investigação polonesa de crimes de guerra em 1946 descobriu uma passagem de porão com "restos salientes de postos queimados, as fundações do prédio de administração, e o velho poço. Aqui e ali podem ser detectados os restos de muros de postos queimados e pedaços de arame farpado, e pequenos trechos de estrada asfaltada. Há também outras evidências."

Eles não haviam encontrado, contudo, as covas até a investigação atual.

"Mapeamos o que pudemos. Identificamos 11 fossas individuais que pudemos investigar," disse Sturdy Colls, cujo trabalho continua. "Um pedaço grande do memorial foi construído onde eles pensavam ser as covas coletivas, de modo que há uma grande chance que há mais na floresta e sob o próprio memorial.




O Campo de Extermínio de Treblinka

"O campo recebeu sua primeiro carregamento de vítimas, 6.500 judeus do Gueto de Varsóvia, em 22/07/1942. As câmaras de gás tornaram-se operacionais no dia seguinte. Carregamentos continuaram diariamente a partir de então, geralmente alcançando entre 4.000 e 7.000 vítimas por dia, sendo que os judeus dos guetos da Polônia, principalmente de Varsóvia, a maioria dos quais era imediatamente enviada para as câmaras de gás. Centenas de prisioneiros morreram por fome, desidratação ou sufocamento enquanto em trânsito para o campo em vagões de gado.

As pobres habilidades organizacionais de Eberl logo resultaram na operação de Treblinka tornar-se um desastre. No início, os corpos eram enterrados em covas coletivas, mas dentro de uns dias as covas estavam transbordando de pessoas, e os corpos foram empilhados no campo II porque os trabalhadores não tiveram o tempo apropriado para enterrá-los. Simultaneamente, as câmaras de gás continuamente quebraram. Assim, a SS decidiu fuzilar os judeus na entrada do campo e empilhar os corpos através do campo. O cheiro dos corpos em decomposição podia ser sentido a 10 km de distância.

Em 28 de agosto de 1942, Globocnik suspendeu temporariamente as deportações para Treblinka... Em 1 de setembro, Franz Stangl substituiu Irmfried Eberl no comando de Treblinka... Em setembro, Stangl supervisionou a construção de câmaras de gás novas e maiores... Acredita-se que elas tinham capacidade de matar entre 12.000 e 15.000 vítimas por dia... O campo e o processo de matança em massa é descrito por Vasily Grossman, um repórter militar servindo o Exército Vermelho, em seu trabalho Um Inferno chamado Treblinka, que foi usado como evidência e distribuído no Julgamento de Nuremberg. (N. do T.: Grossman tinha ascendência judaica e escreveu seu artigo em 1944).

Fonte:


 
Resposta Revisionista

Após 70 anos, arqueólogos começam a procurar evidências do Holocausto

Santiago Alvarez e Thomas Kues

“Uma arqueóloga forense britânica trouxe evidência nova para provar a existência de covas coletivas no campo de extermínio nazista de Treblinka. Cerca de 800.000 judeus foram mortos no sítio, no nordeste da Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial, mas a falta de evidência física no sítio era explorada pelos negadores do Holocausto. A arqueóloga forense Caroline Sturdy Colls assumiu agora a primeira tentativa científica coordenada para localizar as covas.”

Este foi o trecho de um artigo no jornal local britânico The Huffington Post de 16 de janeiro de 2012. Ele reportou a pesquisa forense conduzida no território do antigo campo de concentração alemão de Treblinka (Polônia), sob a supervisão de Caroline Sturdy Colls, uma arqueóloga forense na Universidade de Birmingham, Inglaterra.

Dois anos antes, a Sra. Sturdy Colls anunciou publicamente que ela tentaria encontrar evidência das covas coletivas de Treblinka, onde os corpos de pelo menos 700.000 judeus mortos estariam enterrados na segunda metade de 1942. Ela disse:

"É difícil de acreditar que não tenha havido nenhuma pesquisa sistemática pelos seis milhões de vítimas que pereceram no Holocausto. 800.000 pessoas foram mortas aqui em Treblinka e seus corpos nunca foram encontrados. É hora de começarmos a olhar."

Vale lembrar que a afirmação triunfante de que os “negadores do Holocausto” finalmente e de uma vez por todas foram “refutados” foi escutada também após as pesquisas de Kola em Belzec e Sobibór, que na realidade refutaram a versão oficial dos eventos relacionando estes dois campos.

N. do T.: no final dos anos 1990, o professor da Universidade de Torun, Andrej Kola, liderou uma equipe arqueológica para realizar um trabalho no sítio do campo de Belzec. Durante o trabalho, Kola descobriu os restos de duas construções que originalmente eram suspeitos de servirem como câmaras de gás, que ele nomeou de construções “D” e “G” em seu relatório. Kola mais tarde concluiu que a construção “D” não operou como câmara de gás, mas manteve sua visão de que os restos de madeira da construção “G” poderiam “hipoteticamente serem lembrados como os restos da segunda câmara de gás.”


 
Já no final de 1999, o engenheiro australiano Richard Krege conduziu pesquisa forense usando radar de penetração de solo numa tentativa de localizar as alegadas covas coletivas. Seu relatório preliminar foi publicado somente em alemão e francês, mas tanto quanto sabemos, Krege nunca publicou um relatório final, mais detalhado, sobre suas descobertas. Ele apresentou alguma coisa de sua pesquisa na conferência revisionista realizada em Teerã no final de 2006, mas o relatório de Krege não foi publicado após este evento também.

Surpreendentemente, Krege afirma não ter encontrado nenhuma perturbação no solo em todo o território do antigo campo de Treblinka, apesar de algumas poucas trincheiras terem sido escavadas nesta área durante uma investigação forense pelas autoridades polonesas logo após a guerra. Então, se o método de Krege foi o som, ele teria encontrado pelo menos essas perturbações. Além disso, aqueles investigadores poloneses realmente encontraram traços de covas coletivas, apesar de que o tamanho de sua descoberta não encaixavam com as afirmações espetaculares feitas a respeito de Treblinka. 

Que estas afirmações são tecnicamente impossíveis e não apoiadas pela evidência física disponível, foi provado de forma conclusiva por Carlos Mattogno e Jürgen Graf no seu livro de pesquisa sobre Treblinka. Este livro também contém uma tradução parcial de um relatório preparado pelos investigadores poloneses acima mencionados sobre suas escavações de 1945 (pág. 83 - 89).

Tudo considerado, não é surpresa que a pesquisa por radar de Krege pode não ter sido tão penetrante e que ele tenha sido atacado pelos ortodoxos.

Refutação da pesquisa de Krege:

 

 
Apesar da Sra. Sturdy Colls não tenha se referido expressamente à pesquisa de Krege, pode ser assumido que ela (a pesquisa) tenha sido o "gatilho" que iniciou a curiosidade de Colls e talvez despertado sua ira. Sturdy Colls apresentou alguns dos resultados de sua pesquisa em um trabalho chamado "Aproximações arqueológicas para os sítios do Holocausto" durante uma conferência em 2011 na Alemanha.

Vamos agora olhar nos poucos trechos de informação que a Sra. Sturdy Colls liberou para o público em sua entrevista para o The Huffington Post:

1 - Em relação às covas coletivas que a Sra. Sturdy Colls afirma ter encontrado, ela diz:

"Estas são de tamanho considerável, e muito profundas, uma em particular tem 26 por 17 metros (442 m2)."

Isto provavelmente denota a área superficial de uma área particularmente grande de solo perturbado. É claro, tudo o que ela pode dizer dos dados de um radar de penetração de solo é que esta é uma área que foi perturbada. Se é uma cova, ou o resultado de atividades de escavação no pós-guerra, teria sido descoberta pelas escavações.

2 - Se assumirmos que a perturbação do solo encontrada pela Sra. Sturdy Colls foi de fato uma cova coletiva em seu conjunto e tinha uma profundidade de 6 metros (como afirmado pela testemunha E. Rosenberg), isto resultaria num volume de 2.600 m3. Além disso, se seguirmos a versão ortodoxa, pelo menos 700.000 judeus foram enterrados no campo até o fim de 1942 somente. Assumindo uma densidade realista de uns seis corpos por m3, isto resultaria na necessidade de um volume da cova de 117.000 m3.

N. do T.: Para enterrar todos esses corpos, teria que haver grandes escavações de covas. A operação de escavação não é simples. Nos equipamentos modernos, precisamos de uma escavadeira, de um trator com caçamba e um local apropriado para a colocação dos resíduos. Supondo que o trabalho tenha sido manual:

"Para se ter uma idéia do número de operários necessários para a execução braçal do movimento de terra, estima-se que para a produção de 50 m3/h de escavação, seriam necessários pelo menos 100 homens. A mesma tarefa pode ser executada por uma única escavadeira, operada apenas por um homem."

fonte: http://etg.ufmg.br/~jisela/pagina/notas%20aula%20Terraplenagem.pdf

3 - Portanto, a Sra. Sturdy Colls não deveria ter encontrado UMA ÚNICA perturbação grande de cerca de 2.600 m3 (e provavelmente muito mais de pequeno tamanho), mas pelo menos 45 perturbações de dimensões semelhantes. Após isso, os revisionistas NÃO questionarão o fato de que covas coletivas existem na área do campo. Eles apenas questionam a ordem humorística, tecnicamente impossível da magnitude afirmada pela ortodoxia.

Uma crítica mais completa do que a Sra. Sturdy Colls encontrou e, mais importante, como ela o interpreta, terá que aguardar a publicação dos resultados de sua pesquisa. Apenas podemos descansar seguros que nossos especialistas revisionistas lerão e criticarão seu trabalho a ser publicado em breve.

Então, mantenham-se ligados!


Uma crítica mais detalhada da investigação da Dra. Sturdy Colls pode ser lida aqui:

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

[SGM] As Razões para o Pacto de Não-Agressão Teuto-Soviético

Mahdi Darius Nazemroaya, 22/09/2009

 


O Pacto de Não-Agressão Teuto-Soviético ou Pacto Ribbentrop-Molotov provocou ondas de choque na Europa e na América do Norte quando foi assinado. Os governos alemão e soviético estavam em desacordo entre si. Isto ia além da ideologia; Alemanha e União Soviética estavam jogando um contra o outro nos eventos que conduziram à Segunda Guerra Mundial, assim como a Alemanha, o Império Russo e o Império Otomano jogaram contra si na Europa Oriental. [1]

Esta é a razão porque Grã-Bretanha e França declararam guerra a Berlim em 1939, quando URSS e Alemanha invadiram a Polônia. Se as intenções fossem proteger a Polônia, então por que somente declarar guerra contra a Alemanha, quando na realidade alemães e soviéticos a invadiram simultaneamente?      

Se Moscou e Berlim não tivessem assinado um acordo de não-agressão, não teria havido declaração de guerra contra a Alemanha. De fato, o Apaziguamento foi uma política criada na esperança de permitir a militarização da Alemanha e então dar ao governo nazista os meios, através de poder militar, de criar uma fronteira comum teuto-soviética, que seria um pré-requisito para uma guerra antecipada entre os dois países, a qual neutralizaria as duas potências continentais mais fortes da Europa e da Eurásia. [2]

A política britânica e a lógica para o pacto de não-agressão entre os soviéticos e alemães foi melhor descrita por Carroll Quigley (1910-77). Quigley, um respeitado professor americano de história, com base nos acordos diplomáticos na Europa e informação privilegiada, explicou os objetivos estratégicos da política britânica de 1920 a 1938 como:

Manter o equilíbrio de poder na Europa intensificando o confronto entre Alemanha e França e União Soviética; aumentar o peso da Grã-Bretanha naquele equilíbrio ao alinhá-la com seus domínios (e.g., Austrália e Canadá) e os Estados Unidos; recusar quaisquer compromissos (especialmente quaisquer compromissos com a Liga das Nações, e acima de tudo com a França) além daqueles existentes em 1919; manter a liberdade britânica de ação; conduzir a Alemanha para o leste contra a União Soviética se uma ou ambas destas potências se tornasse uma ameaça à paz (provavelmente significando um fortalecimento econômico) da Europa Ocidental (e muito provavelmente implicando em interesses britânicos.) [3]

Para realizar este plano de conduzir a Alemanha para leste contra a União Soviética, era necessário fazer três coisas: (1) liquidar todos os países entre a Alemanha e a URSS; (2) prevenir a França de honrar suas alianças com esses países (isto é, Tchecoslováquia e Polônia); e (3) enganar o povo britânico em aceitar isto como necessário, de fato, a única solução para o problema internacional. O grupo de Chamberlain foi tão bem sucedido em todas estas três coisas que eles tiraram vantagem disso, e só falharam por causa da teimosia dos poloneses, da pressa indecorosa de Hitler e o fato de que na décima primeira hora o Grupo Milner (N. do T.: grupo de personalidades conservadoras do Império Britânico que se reuniam secretamente; este termo foi cunhado pelo próprio Quigley) percebeu as implicações geo-estratégicas de sua política (o que, para o seu receio, acabou unindo soviéticos e alemães) e tentou revertê-lo. [4]    

Foi por causa deste objetivo de conduzir a Alemanha a uma posição de ataque contra os soviéticos que os líderes britânicos, canadenses e americanos tinham boa impressão de Adolf Hitler e do Nazismo (que parece não estar explicado nos livros de história padrão) até o início da Segunda Guerra Mundial.

Em relação ao apaziguamento sob o Primeiro Ministro Neville Chamberlain e seu início quando da remilitarização do pólo industrial da Renânia, Quigley explica:

Este evento de março de 1936, através do qual Hitler remilitarizou a Renânia, foi o mais crucial em toda história do apaziguamento. Desde que o território a oeste do Reno e uma faixa de 50 km de extensão à margem oriental do rio estavam demilitarizadas. Como exigido pelo Tratado de Versalhes e pelo Pacto de Locarno, Hitler jamais ousaria mover-se em direção da Áustria, Tchecoslováquia e Polônia. Ele não teria ousado porque, com a Alemanha ocidental sem fortificações e desprovida de tropas, a França poderia facilmente invadir a área industrial do Rhur e enfraquecer a Alemanha de modo que seria impossível ir para o leste. E por volta desta época (1936), certos membros do Grupo Milner e do governo conservador britânico tinham chegado à fantástica idéia de que eles podiam matar dois coelhos com uma cajadada só, ao jogar a Alemanha e a União Soviética contra si na Europa oriental. Neste caso, eles previram que os dois inimigos ficariam atolados, ou que a Alemanha ficaria satisfeita com o petróleo da Romênia e o trigo da Ucrânia. Nunca passou pela cabeça de ninguém em uma posição responsável que a Alemanha e a União Soviética poderiam ter uma causa comum, mesmo temporariamente, contra o Ocidente. Menos ainda passou pela cabeça deles que a União Soviética pudesse bater a Alemanha e assim abrir caminho para o Bolchevismo por toda a Europa Central. [5]    

A destruição dos países entre a Alemanha e a União Soviética poderia, assim que a Renânia fosse militarizada, sem medo da Alemanha que a França fosse capaz de atacá-la no ocidente enquanto ela se ocupava do leste. [6]

Em relação à criação eventual de uma fronteira comum teuto-soviética, a aliança militar liderada pela França deveria ser primeiro neutralizada. Os pactos de Locarno foram pensados pelos mandarins da política externa britânica para prevenir que a França fosse capaz de apoiar militarmente a Tchecoslováquia e a Polônia na Europa Oriental, e assim intimidar a Alemanha de tentar qualquer de anexar ambos os estados da Europa Oriental. Quigley escreve:

Os acordos de Locarno garantiram a fronteira da Alemanha com a França e Bélgica com as outras potências destes três Estados mais Grã-Bretanha e Itália. Na verdade, os acordos não deram nada à França, enquanto que elas deram à Grã-Bretanha um veto sobre a realização de suas alianças com a Polônia e a Pequena Entente (N. do T.: aliança entre Tchecoslováquia, Romênia e Iugoslávia para defesa comum de seu território no caso de uma ressurreição da Dinastia dos Habsburgos.) Os franceses aceitaram estes documentos enganosos por razão de política interna (...) Esta armadilha (como Quigley chama os acordos de Locarno) consistiam de muitos fatores inter-relacionados. Em primeiro lugar, os acordos não garantiam a fronteira e a condição desmilitarizada da Renânia contra ações alemãs, mas contra as ações tanto da Alemanha quanto da França. Isto, a princípio, deu à Grã-Bretanha o direito de se opor a qualquer ação francesa contra a Alemanha em apoio aos seus aliados a leste da Alemanha. Isto significava que se a Alemanha se movesse para leste contra Tchecoslováquia, Polônia e eventualmente a União Soviética, e se a França atacasse a fronteira ocidental da Alemanha em apoio da Tchecoslováquia ou Polônia, como seus aliados queriam, a Grã-Bretanha, Bélgica e Itália poderiam unir-se pelos Pactos de Locarno para sair em defesa da Alemanha. [7]

O Acordo Naval Anglo-Germânico de 1935 também foi deliberadamente assinado pela Grã-Bretanha para prevenir que os soviéticos se unissem à aliança militar entre França, Tchecoslováquia e Polônia. Quigley escreve:

... Quatro dias depois, Hitler anunciou o rearmamento e dez dias depois, a Grã-Bretanha condenou o ato enviando Sir John Simon para uma visita oficial a Berlim. Quando a França tentou se contrabalançar ao rearmamento alemão trazendo a União Soviética para seu sistema de aliança oriental em maio de 1935, a Grã-Bretanha contratacou fazendo o Acordo Naval Anglo-Germânico em 18 de junho de 1935. Este acordo, concluído por Simon, permitiu à Alemanha construir até 35% do tamanho da Marinha Britânica (e até 100% em submarinos). Esta foi uma facada nas costas da França, porque ele deu à Alemanha uma marinha consideravelmente maior do que a francesa nas importantes categorias de navios (navios principais e porta-aviões), pois a França estava limitada por acordo a 33% da Grã-Bretanha; e a França, além disso, tinha um império mundial para proteger e uma Marinha Italiana pouco amigável na costa do Mediterrâneo. Este acordo colocou a costa atlântica francesa tão completamente à mercê da Marinha alemã que a França tornou-se completamente dependente da frota britânica para a proteção desta área. [8]

O Plano Hoare-Laval (N. do T.: plano anglo-francês de 1935 para acabar com a Segunda Guerra Ítalo-Abssínia) também foi usado para direcionar a Alemanha para o leste ao invés do sul através do Mediterrâneo oriental, que a Grã-Bretanha como uma peça crítica para manter seu império unido e conectá-lo através do Canal de Suez à Índia. Quigley explica:

Os países marcados para extinção incluíam Áustria, Tchecoslováquia e Polônia, mas não incluíam Grécia e Turquia, já que o Grupo (Milner) não tinha nenhuma intenção de permitir a Alemanha descer até a “linha da vida” mediterrânea. De fato, o propósito do Plano Hoare-Laval de 1935, que destruiu o sistema de segurança coletiva ao dar a maior parte da Etiópia à Itália, deveria apaziguar a Itália em posição ao lado da Grã-Bretanha, no sentido de impedir qualquer movimento da Alemanha em direção ao sul ao invés do leste. [9]

Tanto a União Soviética, sob Joseph Stalin, e a Alemanha, sob Adolf Hitler, acabaram percebendo o planejamento de uma guerra teuto-soviética e por causa disso Moscou e Berlim assinaram um pacto de não-agressão antes da Segunda Guerra Mundial. O acordo foi em boa parte uma resposta à postura anglo-americana. No final, foi por causa da desconfiança mútua entre alemães e soviéticos que a aliança colapsou e a antecipada guerra teuto-soviética veio a ser o teatro de guerra mais mortal da Segunda Guerra Mundial, a frente oriental.

 
Mahdi Darius Nazemroaya  é pesquisador associado ao Centre for Research on Globalization (CRG), especializado em geopolítica e estratégia.

Texto Completo

Referências

[1] Mahdi Darius Nazemroaya, The “Great Game”: Eurasia and the History of War, Centre for Research on Globalization (CRG), December 3, 2007.
http://www.globalresearch.ca/index.p...xt=va&aid=7064


[2] China at this time was already being limited by Japan and before that by combined Japanese, Russian, and Western European policies. This would leave Germany and the U.S.S.R. as the two main threats to Anglo-American interests.

[3] Carroll Quigley, The Anglo-American Establishment: From Rhodes to Cliveden (San Pedro, California: GSG & Associates Publishers, 1981), p.240.

[4] Ibid., p.266.

[5] Ibid., p.265.

[6] Ibid., p.272.

[7] Ibid., p.264.

[8] Ibid., pp.269-270.

[9] Ibid., p.273.