quinta-feira, 18 de outubro de 2012

[HOL] Fotógrafo de Hitler registrou a vida em gueto de judeus

Terra, 18 de outubro de 2012


No 72º aniversário da criação do Gueto de Varsóvia pelos nazistas, foi divulgada uma série de imagens registradas pelo fotógrafo de Adolf Hitler de judeus na cidade de Kutno, a 75 km da capital polonesa. A fotos foram feitas por Hugo Jaeger, o homem que normalmente registrava o triunfo do Terceiro Reich, entre o fim de 1939 e o início de 1940.




 
 
 
 
 
 
 
 

[ARM] Fabricante Falido do AK-47 tem esperança em Novas Armas

Der Speigel, 09/05/2012


Dimitry Rogozin,, o vice-primeiro ministro encarregado da indústria de defesa da Rússia, gosta de lançar afirmações dramáticas enquanto viaja e faz aparições públicas, afirmações para reviver o orgulho russo em seu país.

Rogozin frequentemente recorre a anedotas de sua época de embaixador da Rússia junto à OTAN. Em Bruxelas, diz ele, ouviu mais de uma vez de seus colegas ocidentais: “Atualmente, os otimistas aprendem inglês, os pessimistas aprendem chinês, mas os realistas operam um AK-47.”

É a mesma velha piada contada pela milésima vez, e não seria totalmente insano suspeitar que foi o próprio Rogozin quem a concebeu. Mas a conversa fiada foi particularmente boa durante a visita de Rogozin à fábrica Izhmash na cidade russa ocidental de Izhevsk, onde ele pretendia tranqüilizar os trabalhadores locais. De fato, os empregados têm um interesse especial no destino do fuzil de assalto AK-47, pois atrás do nome inocente da companhia Izhmash está o maior fabricante de armas da Rússia – o berço do famoso Kalashnikov.




Esta arma automática, conhecida em russo simplesmente como “avtomat”, é muito estimada pelos americanos, relatou Rogozin. As unidades militares de elite dos EUA a utilizam, ele acrescentou, mesmo que o Congresso americano geralmente prefira comprar somente armas fabricadas no país. Colecionadores privados também têm se interessado por este fuzil de assalto, continuou ele, notando que as vendas nos EUA aumentaram 50% no último ano. Ele também mencionou como o Afeganistão ainda solicita Kalashnikovs a Moscou “mesmo eles tendo 140.000 soldados da OTAN bem armados dentro de suas fronteiras.”

A Rússia nunca agraciou o mundo com um carro ou um super avião a jato, mas em mais de 60 anos após sua estréia, o Kalashnikov parece continuar sua marcha triunfante. Cerca de 100 milhões de AK-47 foram fabricados ao redor do mundo. A arma ajudou guerrilheiros nas florestas do Vietnã a derrotar os adversários americanos, os líderes moçambicanos o incorporaram na bandeira do país e o líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, o levava em suas aparições em vídeo. Até hoje, os Kalashnikovs são o equipamento padrão para qualquer exército rebelde na África.

Uma Arma muito amada

Mesmo assim, o fuzil não é uma maravilha tecnológica. Ele não é particularmente refinado, nem o seu aspecto é amável. O Kalashnikov está mais para o Fusca do mercado das amas do que um Porsche: simples, robusto e indestrutível. “Nenhum fuzil no mundo tem sido mais confiável do que este,” disse recentemente Josh Laura, um antigo fuzileiro naval de Maryville, Tennessee, ao New York Times, ao explicar por que ele comprou um AK-47. Terry Sandlin, um eletricista em Scottsburg, Indiana, disse que ele escolheu o modelo porque “a qualidade e versatilidade de longe superam qualquer coisa no mercado.”

Os projetistas do fuzil russo tinham como princípio a simplicidade desde o início. O Kalashnikov não foi concebido como um fuzil para soldados profissionais, mas, ao invés disso, como uma pequena arma de fogo para multidões de soldados-cidadãos em campo comunista. Em sua história de 2010 do Kalashnikov intitulada simplesmente “A Arma”, o jornalista americano Christopher Chivers descreve o AK-47 e a bomba nuclear como um “casal incompatível mas destinado a ficar juntos,” explicando: “O guarda-chuva nuclear congelou as fronteiras e desencorajou a guerra total entre os exércitos convencionais estacionados na Europa, ajudando a criar condições na qual o Kalashnikov... (tornou-se) a ferramenta dominante para a violência nas zonas de conflito.”




O fuzil russo, que funciona debaixo de tempestades de areia ou chuva torrencial, sempre foi o escolhido em lutas de classes desde o começo. Soldados americanos lutando na Guerra do Vietnã gostavam de trocar seus fuzis M16 pelos Kalashnikovs que eles capturavam dos guerrilheiros porque o AK-47 não falhava na floresta úmida.

O músico do exército russo Dmitry Poltoratsky chegou mesmo a imortalizar o Kalashnikov em uma canção: “Sei para quem devo rezar e quem me ajudará. Meu Deus se mantém em uma correia de couro e carrega o logotipo de uma fábrica russa simples. O Kalashnikov é meu único Deus.”

Copiado até a Morte

A canção foi escrita em 2001, mas as coisas desandaram para o versátil fuzil desde então. Declarações de amor como aquelas do Vice-Primeiro Ministro Rogozin são mais precisamente analisadas como um sintoma da crise, assim como a expansão atual da arma no mercado americano.

O Ministério da Defesa russo, antigamente o maior comprador do Kalashnikov, parou de comprar a arma no último outono. O chefe do Exército da Rússia notou que armazéns do fuzil já estavam preenchendo os arsenais do país, ultrapassando a demanda “doze vezes”. Ele continuou a descrever o fuzil como ultrapassado, dizendo que a era de guerras em larga escala acabou e que um diferente tipo de arma é necessária para enfrentar conflitos locais. Precisão, ao invés de uma rajada constante de fogo sobre tropas inimigas, é o necessário, disse ele. Planos estabelecem a destruição de 4 milhões de AK-47 por volta de 2015.

Consequentemente, os negócios estão ruim na fábrica de Izhevsk. A companhia que o Czar Alexander I criou 200 anos atrás para fabricar mosquetes para a preparação da guerra contra Napoleão, a companhia que Stalin ordenou que fabricasse um fuzil de assalto como o alemão MKb 42(H) durante a Segunda Guerra Mundial, está falida desde a primavera, após acumular uma dívida de €62 milhões (U$78 milhões) em 2011 e um débito crescente de €136 milhões. A produção da fábrica caiu pela metade, e a própria companhia passou a fazer parte de um grande aglomerado empresarial estatal.

Além disso, as reclamações da fábrica não podem ser apenas atribuídas à decisão militar russa de interromper a compra da arma. Outra razão é o fato de que o mercado global está inundado de Kalashnikovs. O AK-47 foi copiado em quase todo continente, com versões mais baratas fabricadas na Bielorrúsia, Bulgária, Romênia e Sérvia, nos países africanos e particularmente na China – geralmente sem licença.

Colocando Esperanças nos Novos Modelos

Os chefes em Izhevsk tentaram protelar o desastre ao expandir os produtos da companhia. Antes, a empresa fabricava canhões para caças a jato e projéteis de precisão para artilharia, agora concentra-se em armas para caça e esporte.

Um desses produtos é o Saiga, a versão civil do Kalashnikov que está sendo consumido nos EUA. O Saiga não é o mesmo fuzil de assalto usado pela Al-Qaeda ou pela milícia Al-Shabab na Somália – ele apenas se parece fisicamente. Por exemplo, ele não tem furo roscado, o qual permite a conexão de coisas como supressores de flash ou silenciadores, e não pode ser disparado em automático.

O modelo não é particularmente novo. Pelo contrário, foi desenvolvido nos anos 1970 para caça de saigas, um tipo de antílope que desde então tornou-se uma espécie em extinção, nas estepes do Cazaquistão. O líder soviético, Leonid Brezhenev, ele próprio um caçador apaixonado, deu sinal verde para sua fabricação.

Mas, mesmo com o salto nas vendas, o Saiga ainda permanece como não mais do que um nicho no mercado de armas americano. O consolo de seus fabricantes russos é que o fuzil não precisa temer competição desigual da China em mercado americano, pois a importação de armas chinesas de mesmo porte foi tornada ilegal nos EUA desde 1994.

Além disso, ninguém em Izhevsk quer acreditar que este é o fim de uma tradição que completa 200 anos. De fato, há ainda esperança – e ela vem acompanhada da abreviação AK-12.

AK-12 é o nome de um Kalashnikov totalmente novo, algo que não tem em comum nada com o modelo velho. Foi por este fuzil que o Vice-Primeiro Ministro Rogozin viajou até Izhevsk.

Este Kalashnikov é dito ser uma maravilha, a arma última para os amantes da guerra. Ele pode ser conectado a um iluminador laser, um lançador de granadas e um dispositivo de visão noturna. Ele pode atirar tanto projéteis simples, disparos de três tiros ou em mdo automático total. Ele pode reportadamente atingir um alvo precisamente mesmo disparando rajadas rápidas. E seu pente pode conter 60 cartuchos, ao invés dos 30 tradicionais.

Os jornais russos, entretanto, estão chamando o AK-12 de “blefe”, dizendo que o novo fuzil de assalto não é nada mais do que uma versão recauchutada do velho Kalashnikov. Deve ainda ser visto se ele encontrará alguma serventia no Exército russo.

Uma Ofensiva Condenada

Até que uma decisão seja tomada, os planos da Izhmash pretende se concentrar em resolver uma questão que admite ter lamentavelmente negligenciado por anos: estigamtização. Agora, ela lançou uma campanha global para dar novos ares para o nome Kalashnikov. A cidade vizinha de Glasov produz uma vodka chamada Kalashnikov que é vendida em enormes garrafões com o formato do fuzil. Existem versões em plástico para brinquedo do AK-47 fabricados na China, e uma empresa chamada MMI na cidade alemã de Solingen mantém o direito de comercializar relógios e guarda-chuvas carregando o logotipo da Kalashnikov. A Izhmash também planeja usar o nome para uma linha de roupas esportivas.

Primeiro, contudo, Mikhail Timofeyevich Kalashnikov, o criador original do fuzil, terá que dar sua benção ao plano. Ou talvez um de seus três filhos terão que fazê-lo porque Kalashnikov, que foi condecorado “herói do trabalho socialista” duas vezes e “herói da federação Russa”, está com 92 anos de idade e com saúde precária. Ninguém lhe contou que o fuzil que inventou está sendo agora descartado pelo exército russo. De acordo com o jornal moscovita Isvestia, isso seria “um sério choque para uma pessoa de sua idade.”

http://www.spiegel.de/international/world/russian-kalashnikov-maker-fights-bankruptcy-with-new-weapons-models-a-853915.html

AK-47

Fonte: Wikipédia

AK-47, sigla da denominação russa Avtomat Kalashnikova odraztzia 1947 goda ("Arma Automática de Kalashnikov modelo de 1947"), é um fuzil/espingarda de assalto de calibre 7,62 x 39 mm criado em 1947 por Mikhail Kalashnikov e produzido na União Soviética pela indústria estatal IZH.





Seu funcionamento se dá de modo similar aos demais fuzis de assalto, pelo aproveitamento indireto dos gases que são desviados da parte posterior do cano até um cilindro montado acima deste, onde pressionam um êmbolo de longo curso que aciona o recuo do ferrolho de trancamento rotativo. O ferrolho desliza sobre dois trilhos na caixa da culatra com uma folga significativa entre as peças móveis e fixas, o que permite que opere com o seu interior saturado de lama ou areia. Dispara munição 7,62 x 39 mm nos modos automático e semi-automático. Seu registro de tiro e segurança é considerado por muitos sua principal desvantagem, não corrigida nos modelos posteriores. É lento e desconfortável, exige esforço extra para operar, especialmente com luvas, e quando acionado produz um "clique" alto e distinto. Outra desvantagem é a posição do ferrolho, que permanece fechado após o último tiro.

É alimentado por um carregador tipo cofre metálico bifilar de trinta projéteis, com retém localizado à frente do guarda-mato. Outros tipos de carregadores como o de quarenta projéteis ou o tambor de 75 projéteis da RPK também podem ser usados. Seu aparelho de pontaria é graduado de 100 m a 1000 m (800 no AK), e um ajuste fixo que pode ser usado para todas as faixas de até 300 metros. Pode também pode ser equipado com lançador de granadas montado sob o cano. A versão de coronha dobrável foi desenvolvida para as tropas aerotransportadas e denominadas AKS (AKMS). Os AK foram concebidos com baionetas destacáveis do tipo faca, que associada a sua bainha transforma-se numa tesoura de cortar arames.

Fuzil de Assalto

Fonte: Wikipédia

Um fuzil de assalto é uma arma leve dos modernos exércitos mundiais que se tornou o armamento de dotação individual dos combatentes de infantaria. Este tipo de arma constitui uma subvariante da espingarda automática ou fuzil automático que se caracteriza por utilizar uma munição menos potente.

Nascido no final da Segunda Guerra Mundial, o fuzil de assalto, teve uma grande evolução, adaptando-se aos mais diversos usos na guerra moderna. Ele surgiu quando estrategistas militares perceberam que, diferentemente da Primeira Guerra Mundial, que ocorreu com exércitos inteiros em linhas estáticas, combates em trincheiras e com disparos a longas distâncias, a Segunda Guerra não permitia o estacionamento de tropas devido à grande mobilidade dos veículos blindados apoiado pela artilharia e infantaria.

Foi nessa conjuntura que surgiu o fuzil de assalto, o infante combatia agora a curtas distancias, sendo que muitas vezes o embate ocorria em áreas urbanas, um campo de batalha que não havia sido explorado até o momento; diferentemente do combate em campo aberto, não havia o apoio instantâneo do fogo das metralhadoras, as quais necessitavam ser montadas e o encontro com o inimigo era inesperado.

Os fuzis de assalto representam um salto enorme no campo bélico. Essas metralhadoras portáteis podem ser usadas como metralhadoras de mão a curtas distâncias e como fuzis poderosos a longa distância. São armas tão poderosas, que hoje são a arma principal de todos os exércitos do mundo.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Fidel recrutou ex-nazistas da SS para treinar Exército cubano

Globo.com, 16/10/2012

Documentos do serviço de inteligência alemão (da sigla alemã, BND) revelaram que Fidel Castro contratou ex-nazistas para treinar o exército cubano durante o episódio que ficou conhecido como a Crise dos Mísseis, entre os Estados Unidos e a União Soviética, em outubro de 1962.

De acordo com o relatório, baseado em documentos confidenciais recém-divulgados, o presidente cubano chegou a contratar quatro ex-oficiais da SS, uma divisão do Exército nazista, que iriam embarcar rumo a Cuba no dia 25 de outubro de 1962 para treinar tropas na ilha.

Posteriormente, foi relatado que somente dois dos quatro oficiais realmente chegaram ao país.

"Como pagamento foram oferecidos o equivalente a mil marcos alemães por mês, em moeda cubana, e mais mil marcos alemães por mês, na cotação desejada, em uma conta de um banco na Europa", detalha o documento.

Bodo Hechelhammer, coordenador de pesquisa do BND, explica que Fidel tentava buscar formas alternativas de proteger Cuba, que não fossem ligadas aos soviéticos.

"Obviamente, o exército revolucionário cubano mostrou não ter medo de estabelecer contato com pessoas de passado nazista, quando isto era útil para a própria causa", argumenta Hechelhammer.

A Crise dos Mísseis de Cuba, no auge da Guerra Fria, fez 50 anos no último domingo. Na ocasião, Estados Unidos e a União Soviética estiveram à beira de um conflito nuclear.

A guerra iminente só foi afastada quando os soviéticos concordaram em retirar os mísseis da ilha e os americanos fizeram o mesmo com armamentos similares na Europa.

O impasse, que durou 13 dias, resultou em um bloqueio a Cuba imposto por Washington e um abalo nas relações entre Cuba e União Soviética.

Compra de armas com extrema direita

Fidel Castro, na ocasião, ficou descontente com a forma com que os comunistas russos enfrentaram a crise.

O documento alemão revela ainda que o líder cubano se aproximou de dois traficantes de armas ligados a extrema direita alemã para comprar pistolas de fabricação belga.

De acordo com os arquivos do BND, o político alemão, Ernst-Wilhelm Springer, e o ex-oficial da Wehrmacht (as forças armadas nazistas), Otto Ernst Remer, vendiam armas internacionalmente e, mesmo pertencendo a um grupo de extrema direita, foram contactados pelo comunista cubano, que buscava formas alternativas de armar o seu Exército.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/10/fidel-recrutou-ex-nazistas-da-ss-para-treinar-exercito-cubano.html

domingo, 14 de outubro de 2012

Adolf Hitler, Jesse Owens e o Mito Olímpico de 1936

HNN, 08/07/2002

Todo mundo sabe que na Olimpíada de 1936, Hitler esnobou Jesse Owens. Como conta a estória, após Owens ganhar uma medalha de ouro, Hitler, enfurecido, deixou o Estádio Olímpico de modo que ele não teria que cumprimentar Owens por sua vitória.

Tal comportamento teria sido perfeitamente previsível, mas isso não aconteceu. William J. Baker, biógrafo de Owens, diz que os jornais criaram essa estória. O próprio Owens originalmente insistiu que não era verdade, mas eventualmente ele começou a dizer que era, aparentemente para não ser o único a contradizê-la.

Os fatos são simples. Hitler não cumprimentou Owens, mas naquele dia ele não cumprimentou ninguém, nem mesmo os vencedores alemães. Na verdade, Hitler não cumprimentou ninguém após o primeiro dia de competições. No primeiro dia ele cumprimentou todos os vencedores alemães, mas isso lhe trouxe problemas com o Comitê Olímpico. Eles lhe disseram para manter a neutralidade olímpica, ou seja, ou ele cumprimentaria todos ou ninguém. Hitler decidiu a segunda opção.


 

Hitler esnobaria um atleta negro americano, mas era Cornelius Johnson, e não Jesse Owens. Aconteceu no primeiro dia do encontro. Antes de Johnson ser premiado, Hitler deixou o estádio. Um porta-voz do governo disse que a saída de Hitler havia sido pré-programada, mas ninguém acredita nisso.

Muitos outros enganos sobre a Olímpiada de 1936 ainda são aceitos. Não somente Owens não foi ignorado por Hitler como não foi vaiado pela platéia alemã no estádio de Berlim. Baker relata que Owens capturou tanto o imaginário popular que ele recebeu diversas ovações acaloradas. Qwens havia sido preparado para uma recepção hostil; um treinador o havia alertado antecipadamente para não ficar chateado por qualquer coisa que pudesse acontecer no pódio. "Ignore os insultos," foi dito a Owens, "e você ficará bem." Mais tarde, Owens lembrou que ele recebeu as maiores ovações de sua carreira em Berlim.


 

Outra crença popular é a de que os jogos marcaram um momento humilhante para os nazistas porque uns poucos negros receberam uma porção de medalhas enquanto Hitler havia predito que atletas arianos seriam os grandes vencedores, prova das habilidades sobrehumanas da raça branca. Na realidade, a competição foi tudo menos uma humilhação para os alemães. É esquecido de que a Alemanha conquistou mais medalhas do que todos os outros países reunidos. Hitler ficou satisfeito com o resultado.

http://hnn.us/articles/571.html

Tópico Relacionado

http://epaubel.blogspot.com.br/2012/05/hitler-cumprimentou-jesse-owens-em-1936.html

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A Verdade Sufocada

Carlos Alberto Brilhante Ustra


O fim do regime militar e a Lei da Anistia não trouxeram a pacificação desejada. Crédulos, os militares voltaram às suas atribuições, confiantes na reconciliação de todos os brasileiros. As mãos foram estendidas em sinal de paz, por um dos lados - as mãos dos vencedores da luta armada -, porém, para os vencidos, o combate continuou. Os derrotados trocaram as armas pelas palavras, fazendo questão de não deixar cicatrizar as feridas que procuram manter abertas até os dias de hoje.

Com a chegada ao Brasil dos primeiros banidos e auto-exilados a História começou a ser reescrita. Com os direitos políticos readquiridos, muitos voltaram a seus cargos, outros foram acolhidos por governos simpatizantes e outros ingressaram em partidos políticos recém fundados.

Aos poucos, a maioria dos “perseguidos políticos” ocupava cargos públicos, setores da mídia e universidades. Bons formadores de opinião, passaram a usar novas técnicas na batalha pela tomada do poder e pela tentativa de desmoralização das Forças Armadas.

A esquerda revanchista passou a descrever e a mostrar, da forma que lhe convinha, a luta armada no Brasil.

E o fez de maneira capciosa, invertendo, criando e deturpando fatos, enaltecendo terroristas, falseando a história, achincalhando as Forças Armadas e expondo à execração pública aqueles que, cumprindo com o dever, lutaram contra a subversão e o terrorismo em defesa da Nação e do Estado.

Passou a predominar no País a versão dos derrotados, que agiam livremente, sem qualquer contestação. As Forças Armadas, disciplinadas, se mantiveram mudas.

Aos poucos, a farsa dos revanchistas começou a ser aceita como “verdade” pelos que não viveram a época da luta armada e do terrorismo e que passaram a acreditar na versão que lhes era imposta pelos meios de comunicação social.

No segundo semestre de 1985, em razão das acusações formuladas no livro Brasil: Nunca Mais e pelas suas repercussões na mídia, a Seção de Informações do Centro de Informações do Exército (CIE) - atual Divisão de Inteligência do Centro de Inteligência do Exército - recebeu a missão de empregar os seus analistas - além de suas funções e encargos normais -, na realização de uma pesquisa histórica, considerando o período que abarcasse os antecedentes imediatos da Contra-Revolução de 31 de março de 1964, até a derrota e o desmantelamento das organizações e partidos que utilizaram a luta armada como instrumento de tomada do poder.

As pesquisas iniciais, realizadas ainda em 1985, mostraram, com clareza, que o trabalho ficaria incompleto e, até mesmo, impreciso historicamente, se fosse cumprido o planejamento inicialmente estabelecido. Assim, ampliou-se, no tempo e no espaço os limites físicos e cronológicos da pesquisa, retroagindo-se a Marx e Engels, passando pelos pólos irradiadores do Movimento Comunista Internacional e pela história do PCdoB – desde a sua criação em 1922 com a denominação de Partido Comunista do Brasil/Seção Brasileira da Internacional Comunista -, prolongando-se até a primeira metade da década de 1980.

Foi um trabalho minucioso, realizado em equipe, em que, inicialmente, os documentos existentes àquela época no CIE foram estudados, analisados e debatidos, conduzindo a novas indagações e a novos interesses. Com isso, as pesquisas foram ampliadas significativamente, incluindo processos, inquéritos, depoimentos de próprio punho de presos, jornais, revistas, gravações de programas de televisão, entrevistas, uma extensa bibliografia nacional e estrangeira e alguns livros de ex-militantes da luta armada.

Todas as pesquisas contribuíram para a elaboração desse livro, diferentemente do trabalho da equipe de D. Paulo Evaristo Arns que, para o livro “Brasil Nunca Mais”, pesquisou os processos e os inquéritos disponíveis na Justiça Militar, de onde extraiu, apenas, o que interessava, desde que fossem acusações e críticas aos militares e civis que os combateram e os derrotaram.

Visando a resguardar o caráter confidencial da pesquisa e a elaboração da obra, foi designada uma palavra-código para se referir ao projeto - Orvil -, livro escrito de forma invertida.

Em fins de 1987, o texto, de aproximadamente mil páginas, estava pronto.

A obra recebeu a denominação de “Tentativas de Tomada do Poder” e foi classificada como “Reservado”, grau de sigilo válido até que o livro fosse publicado oficialmente ou que ultrapassasse o período previsto na lei para torná-lo ostensivo.

Concluída e apresentada ao ministro do Exército, General Ex Leônidas Pires Gonçalves, este não autorizou a sua publicação - que seria a palavra oficial do Exército -, sob a alegação de que a conjuntura política não era oportuna, que o momento era de concórdia, conciliação, harmonia e desarmamento de espíritos e não de confronto, de acusações e de desunião.

Assim, a instituição permaneceu muda e a farsa dos revanchistas continuou, livre e solta, a inundar o País.

Muitos militares, considerando que a classificação sigilosa “Reservado” já ultrapassara o sigilo imposto pela lei e dispostos a divulgar o livro, resolveram copiá-lo e difundi-lo nos últimos 12 anos, na expectativa de que um número cada vez maior de leitores tomasse conhecimento de seu conteúdo.

Milhares de exemplares foram distribuídos a amigos, em corrente, e alguns exemplares foram entregues a jornalistas. Nós também recebemos um e nossos visitantes têm nos cobrado, permanentemente, a difusão do mesmo. Hoje, até órgãos do governo o possuem. Não o difundem porque a eles não interessa a divulgação do que ele contém.

Em abril de 2007, o Diário de Minas e o Correio Braziliense publicaram, por vários dias, extensa matéria sob o título “Livro Secreto do Exército é revelado”, em que abordaram, de forma irresponsável e panfletária, alguns aspectos que mais lhes interessavam sobre o livro. Logo em seguida, os telejornais fizeram coro à campanha.

Um procurador, mais afoito e atirado, afirmou que os militares sonegam dados sobre os desaparecidos. E de repente, não mais que de repente, o assunto bombástico desapareceu da mídia, como sempre. Os críticos do livro se recolheram, deixando no ar algumas meias verdades e muitas mentiras.

O silêncio prolongado, embora excepcionalmente revelador, sugere algumas indagações, dentre outras:

a - Por que os jornais não difundem o livro sequencialmente em capítulos?

- Teriam matéria gratuita por um longo período e, por certo, bateriam recordes de venda;

- Mostrariam à Nação um pouco das “ações heróicas” dos angelicais ex-terroristas, que receberam treinamento de guerrilha em Cuba, União Soviética e na China. Terroristas, que mataram, “justiçaram”, seqüestraram e assaltaram.

- Alertariam a população para as verdadeiras intenções da luta armada - implantar no Brasil o comunismo - seguindo as idéias de Fidel Castro e Che Guevara. As mesmas intenções do atual bolivarismo.

b - Se o livro teve a mais baixa classificação sigilosa – “Reservado” -, porque denominá-lo de Livro Secreto?-

- Para criar impacto e vender mais?

- Para criar falsas expectativas no leitor?

- Por que não permitir ao leitor conhecer toda essa História?

- Por que não publicá-lo ostensivamente, se a classificação “Reservado” já está caduca?

Assediado pela imprensa, o General Leônidas confirmou a missão atribuída ao CIE de elaborar o livro em 1985 e a decisão de não publicá-lo em 1988, em nome da concórdia, do desarmamento de espírito e da pacificação nacional, como o fora em 1979 a “Lei da Anistia”.

Em 29 de agosto último, a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República lançou, no Palácio do Planalto, em badalada cerimônia, que contou com a presença do presidente Lula, o livro “Direito à Memória e à Verdade”, praticamente uma cópia do livro “Os filhos deste solo” de Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio. Para os autores desses dois livros, os crimes praticados pelos militantes da luta armada, simplesmente, não existiram. São ”heróis” que precisam ser permanentemente homenageados.

No texto de uma matéria publicada no Correio Braziliense de 31/08/07, o articulista Lucas Figueiredo estabeleceu um ponto de contato, um elo de integração entre o livro “Direito à Memória e a Verdade” e o livro do CIE “As Tentativas de Tomada do Poder”, quando afirmou: “a versão oficial do Exército sobre a morte de desaparecidos políticos é incorporada à história formal do período militar – Livro secreto agora é oficial”, como se o Orvil desse credibilidade às versões publicadas no livro” Direito à Memória e a Verdade”.

Em razão de uma afirmação descabida, desonesta e mal intencionada e para que os leitores possam comparar, avaliar e concluir, resolvemos divulgar o “Projeto Orvil” no site - www.averdadesufocada.com, para consulta livre e gratuita.

Ao mesmo tempo, o divulgaremos para todos os endereços eletrônicos disponíveis – particularmente os de jornais, revistas, escolas, universidades, associações de classe, etc - e o colocamos à disposição de outros sites que, como o nosso, estejam interessados em mostrar aos leitores que o livro não é secreto e nada tem a esconder, pelo contrário, ele mostra tudo aquilo que a esquerda não quer que o Brasil conheça.

http://www.averdadesufocada.com/index.php?option=com_content&task=view&id=737&Itemid=78

Link para o livro:

http://www.averdadesufocada.com/images/orvil/orvil_completo.pdf

Vídeos sobre o Livro e a deturpação da História pela Esquerda





domingo, 7 de outubro de 2012

[HOL] Estória do Holocausto de Australiano classificada como Mentira

The Jewish Chronicle, 27/09/2012

Pressão está crescendo sobre um australiano para provar que sua extraordinária estória de sobrevivência do Holocausto seja verdadeira. A estória de Alex Kurzem foi contada em um livro de grande sucesso e em um documentário premiado – ambos intitulados “O Mascote” – mas foi o especial apresentado no programa 60 Minutes nos EUA em 2009 que provocou suspeitas no Dr. Barry Resnick, um professor universitário californiano que perdeu parentes no Holocausto. Uldis (Alex) Kurzem afirmava que ele presenciou o massacre de sua mãe, irmã e irmão judeus na vila bielo-russa de Koidanoy quando ele tinha cinco anos de idade em 1941. Ele também afirmava que foi mais tarde adotado por um guarda letão que ficou com pena dele, deu-lhe um novo nome (Uldis Kurzemnieks) e tornou-o seu mascote de batalhão. Vestido com emblemas da SS, ele foi filmado para o documentário de propaganda nazista como “O mais jovem nazista do Reich.”
O Mascote recebeu aclamação crítica. Mas nem todos ficaram impressionados. “Após assistir a transmissão e ler o livro, tive sérias dúvidas,” disse o Dr. Resnick. “Um historiador me disse que não havia nada de surpreendente sobre a estória de Kurzem de ser um mascote de uma unidade militar. Entretanto, quando ele alegou ser judeu e que foi encontrado pelos nazistas, então tornou-se uma estória de tremendo sucesso.”
 
Alex Kurzem como "O Mascote"

O Dr. Resnick trabalhou nos últimos três anos com a especialista em DNA, Dra. Colleen Fitzpatrick, que esteve envolvida na descoberta de duas estórias fraudulentas do Holocausto – “Sobrevivendo com Lobos” de Misha Fonseca e “Anjo na Cerca” de Herman Rosenblat.
O Sr. Kurzem, que imigrou em 1949 e vive em Melbourne, acredita que ele nasceu Ilya Galperin, o filho de Solomon Galperin, que foi feito prisioneiro em Auschwitz, mas sobreviveu, casou-se novamente e teve um outro filho, Erik. Os especialistas americanos acreditam que o único modo de provar conclusivamente isto é o Sr. Kurzem e o Sr. Galperin fazerem um teste de DNA.

Mas o Sr. Kurzem, que mantém sua estória, disse: “Eles me chamam de mentiroso, uma fraude. Você colaboraria com pessoas como estas? Se ela (Fitzpatrick) tivesse pedido de uma maneira mais educada... eu teria aceitado.” Mesmo assim, ele disse que faria o teste para “calar-lhes a boca”. “Provarei que eles estão errados,” disse ele.
 
Alex Kurzem

A estória do Sr. Kurzem está também sob investigação pela Associação de Reivindicações, confirmou o vice-presidente executivo Greg Schneider. “Nenhuma prova de fraude foi encontrada e, como tal, não seguramos nenhum pagamento,” escreveu o Sr. Schneider por e-mail.
Além disso, sobreviventes no Centro do Holocausto Judaico em Melbourne estão com dúvidas a respeito de algumas de suas afirmações. Phillip Maisel, que registrou cerca de 2.000 depoimentos, não acreditou na estória inteira quando ele entrevistou o Sr. Kurzem pela primeira vez em 1996.

Ele alegava que o massacre de Koidanov levou dois dias. “Ele foi feito em uma tarde e isto está confirmado em um livro Yizkor de Koidanov contendo cartas para parentes dos poucos que sobreviveram,” disse o Sr. Maisel.

“Eles estão me acusando e me sentenciando,” disse o Sr. Kurzem. “Estou 1 milhão por cento certo de que sou judeu. Desejava não ser quando era criança. Era uma maldição. Agora, é grande evidência,” disse ele.

Mas o Dr. Resnick acrescentou. “Mesmo que o sr. Kurzem seja judeu, ele presenciou o massacre de sua família? Ele é Ilya Galperin? Um teste de DNA é a única maneira de provar esta estória.”

http://www.thejc.com/news/world-news/83898/australian-mans-holocaust-story-labelled-a-lie%E2%80%99

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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

[SGM] Dois Historiadores Britânicos analisam o pior conflito do Século XX

The Economist, 9/06/2012


A História está repleta de guerras que foram mais sanguinárias que a Segunda Guerra Mundial. Proporcionalmente à população, mais pessoas foram mortas durante a rebelião Lushan na China no século XVIII, por exemplo, ou pela Guerra dos Trinta Anos no século XVII na Europa Central. Mas a real magnitude da tragédia humana da Segunda Guerra Mundial a insere em uma classe particular, e sua relativa proximidade com o presente afeta a memória coletiva mais do que os horrores do passado.

A estatística da guerra é quase impensável. As estimativas diferem entre si, mas cerca de 70 milhões de pessoas morreram como conseqüência direta da luta entre 1939 e 1945, cerca de dois terços delas não-combatentes, tornando-a em termos absolutos o conflito mais mortal da história. Aproximadamente 1 em 10 alemães morreram e 30% de seu exército. Cerca de 15 milhões de chineses morreram e 27 milhões de soviéticos. Espremida por dois vizinhos totalitários, a Polônia perdeu 16% de sua população, quase metade dela sendo judeus, que faziam parte da Solução Final de Hitler. Na média, quase 30.000 pessoas eram mortas diariamente.

Parcialmente porque é tão difícil entender o que esses números significam, historiadores atuais preferem se concentrar em teatros particulares ou aspectos da guerra com ênfase em tentar descrever como as pessoas que foram arrastadas para ela enxergavam-na. Tanto Anthony Beevor e Max Hastings são exemplos ilustres desta situação. O Sr. Hastings escreveu livros sobre a campanha de bombardeio estratégico da Grã-Bretanha, da invasão aliada da Normandia e das batalhas contra a Alemanha e Japão nos estágios finais da guerra. Com vários livros já publicados, o Sr. Beevor tornou-se conhecido em 1998 pelo seu relato épico do cerco a Stalingrado, e continuou a produzir relatos para o Dia-D e para a Queda de Berlim. Agora, ambos os escritores tentaram algo diferente: uma narrativa em volume único da história de toda a guerra. Ao fazer isso, eles estão seguindo os passos de Andrew Roberts e Michael Burleigh, que fizeram tentativas similares em, respectivamente, 2009 e 2010.

O Sr. Hastings chegou antes do Sr. Beevor. “All Hell Let loose” (Todo Inferno é Libertado, em tradução livre) foi publicado sete meses atrás (e agora está disponível em brochura) e com justiça recebeu críticas enfurecidas. A técnica do Sr. Hastings é selecionar os registros escritos daqueles que tomaram parte ativa e passivamente. Seu alcance testemunhal dos homens cujas decisões enviaram milhões para suas mortes até os soldados comuns que obedeceram essas ordens e as vítimas civis que receberam o castigo final. Cinismo e idealismo, sofrimento e euforia, coragem e terror, brutalização e sentimentalismo – tudo encontra expressão através de seu próprio testemunho. Das estradas da Birmânia aos comboios árticos, os campos de morte de Kursk e a Blitz londrina, suas vozes são ouvidas. A realização do Sr. Hastings em organizar esta massa incômoda de material em uma narrativa que transcorre confiantemente por todos os cantos do globo em conflito é impressionante.

Menores são alguns de seus julgamentos. Apesar de desenvolvidos com entusiasmo e economia (o Sr. Hastings é, acima de tudo, um jornalista completo), eles são freqüentemente injustos. Por exemplo, ele argumenta que a decisão da Grã-Bretanha e França de declarar guerra por causa do ataque alemão contra a Polônia foi um ato de cinismo porque ambos sabiam que não poderiam fazer nada para ajudar os poloneses. Isto nunca esteve em dúvida, mas os Aliados esperavam que a atitude firme contra a agressão brutal da Alemanha convenceria Hitler a retroceder da idéia da guerra, um motivo que não era nem básico nem ridículo.

A admiração repetida do Sr. Hastings pelas qualidades militares dos soldados alemães, japoneses e soviéticos em relação às forças britânicas e americanas é especialmente especulativa. A Alemanha e o Japão eram sociedades militarizadas que glorificavam a guerra e conquista, tinham pouco valor à vida humana e mantinham obediência ao Estado como virtude máxima. Os soldados russos estavam acostumados à brutalidade do jugo soviético e movidos pelo sentimento de que eles estavam lutando uma “guerra de aniquilação” contra um inimigo implacável. Se eles vacilassem, sabiam que seriam fuzilados pelos algozes do NKVD. Mais de 300.000 foram mortos pour encourager les autres (por encorajar os outros).

A maioria dos soldados cidadãos das democracias ocidentais, ao contrário, apenas queriam sobreviver e voltar à vida normal tão logo fosse possível. Isto também significava que os generais americanos e britânicos tinham que evitar a agressão enérgica de suas contrapartes alemã e russa, que poderiam tirar vidas com impunidade. Graças ao banho de sangue na Rússia, onde a Wehrmacht foi destruída e nove entre 10 soldados alemães que morreram na guerra encontraram sua morte, eles permitiam ser mais cuidadosos.

O Sr. Hastings admira excessivamente dois marechais alemães: Gerd von Rundstedt e Eric von Manstein, enquanto que somente Bill Slim e George Patton se sobressaem em relação à mediocridade do alto comando aliado. Felizmente, a virtuosidade tática dos alemães e japoneses estava mais do que compatível com sua incompetência estratégica ao declarar guerra contra a Rússia e América. Líderes menos arrogantes e melhor informados teriam percebido que aqueles dois países tinham os recursos humanos e industriais para vencer uma guerra de atrito.

Conexões Íntimas

No geral, contudo, o Sr. Hastings faz um trabalho admirável de conectar profundamente estórias pessoais com eventos grandes e alta estratégia. Isto levanta a questão de se outro livro cobrindo essencialmente o mesmo assunto é necessário. A resposta depende do que o leitor está procurando. O Sr. Beevor, que é conhecido por usar diários insuportavelmente tocantes de soldados comuns para lançar nova luz em velhas batalhas, é por outro lado menos generoso que o Sr. Hastings no espaço que ele dá às fontes primárias. Ele escreveu o que pode ser visto como uma história militar mais convencional. Mas onde ele é bom, ele é muito bom.

O sr. Beevor é cheio de intuição a respeito das conexões entre as coisas – ele ajeita as coisas “para entender como as peças se encaixam.” Assim, a relativamente pouco conhecida Batalha de Khalkhin-Gol, na qual os planos do Japão de tomar à força território soviético a partir de sua base na Manchúria foram desfeitos no verão de 1939 pelo maior e mais impiedoso general do Exército Vermelho, Georgi Zhukov, teve enormes conseqüências. A frente sul japonesa prevaleceu sobre a do norte, garantindo a Stalin não ter que lutar uma guerra em duas frentes quando os alemães lançaram a Operaçõa Barbarossa em 1941. O Sr. Beevor despreza a desagradável tentative de “Bombardeiro” Harris em ganhar a Guerra levando destruição e morte para todas as principais cidades alemãs como uma falha moral e estratégica. Mas ele também esclarece que ao forçar os nazistas a deslocar esquadrões de caças da Luftwaffe da Rússia para defender a Pátria, a campanha de Harris permitiu à força aérea soviética estabelecer uma supremacia aérea vital.

O Sr. Beevor é mais claro em relação ao sr. Hastings em descrever como as grandes batalhas terrestres aconteceram. Apesar de seus julgamentos serem menos raivosamente divertidos do que de seu rival, eles são mais bem calculados. Ele é notavelmente mais generoso em relação à contribuição da Grã-Bretanha na derrota de Hitler, a qual o Sr. Hastings algumas vezes pensar estar restrita principalmente ao centro de decodificação em Bletchley Park e, após derrotar a Luftwaffe em 1940, fornecer um “porta-aviões insubmergível” para o estabelecimento do poder militar americano.

O sr. Beevor é mais perspicaz do que o sr. Hastings em detalhar o horror. Ele é particularmente vivido em descrever as crueldades que se tornaram lugar comum durante a carnificina na frente oriental. Corpos congelados de alemães espalhados nos campos de batalha freqüentemente apareciam com as suas pernas faltando, não porque elas tenham sido destruídas, mas porque os soldados do Exército Vermelho estavam de olho em suas botas e só poderiam pegá-las após as pernas terem sido descongeladas em fogueiras. Nos arredores da cidade sitiada de Leningrado, pedaços de corpos eram roubados de hospitais militares e corpos roubados de covas coletivas para tornarem-se alimentos. Dentro da cidade, 2.000 pessoas foram presas por canibalismo. Aqueles que corriam maior risco eram as crianças, que eram comidas por seus próprios pais.

As crueldades perpetradas pelos japoneses contra civis na China (o Sr. Beevor encara o conflito sino-japonês que começou com o massacre de Nanking em 1937 como o verdadeiro estopim da Segunda Guerra Mundial) e qualquer dos países infelizes o suficiente para entrarem na “Esfera de Co-Prosperidade da Grande Ásia Oriental” eram quase tão sistemáticas quanto os crimes cometidos pelos nazistas. Os comandantes japoneses ativamente encorajaram a desumanização de suas tropas na crença de que com isso elas seriam mais formidáveis. Os prisioneiros eram queimados em piras aos milhares e matar os habitantes locais para roubar comida era oficialmente permitido.

O Sr. Beevor também dá mais atenção do que o sr. Hastings em relação aos apavorantes atos de violência sofridos por mulheres quando os exércitos invasores chegaram. Novamente, foram os japoneses que lançaram o estupro em massa com zelo metódico. Centenas de milhares de garotas chinesas e coreanas foram obrigadas a se tornar “mulheres para conforto”; 10.000 mulheres foram estupradas por gangues após a queda de Hong Kong. Mas a vingança dos soldados do Exército Vermelho dói um pouco melhor. As forças soviéticas, enquanto pilhavam em seu caminho para Berlim, estupraram cerca de dois milhões de mulheres e garotas.

Este é, entretanto, um livro menos satisfatório do que os anteriores do Sr. Beevor, trabalhos mais específicos. Há uma desigualdade de qualidade. O autor tem um tremendo entendimento das coisas que ele escreveu anteriormente, em particular a luta titânica entre Hitler e Stalin. Mas ele é formal ao invés de estimulante em se tratando de algumas passagens e teatros de guerra. O relato da campanha na África do Norte é cansativo, e os leitores americanos podem ficar decepcionados com as suas observações sobre a guerra no Pacífico. A batalha de Midway, sem dúvida o confronto naval decisivo entre Japão e América, possui somente duas páginas. Em outras passagens, há detalhes em excesso: uma sucessão de generais, exércitos e batalhas chegam e vão embora. Os estudiosos da Segunda Guerra e estudantes de história militar conseguirão mais do que estão procurando com o Sr. Beevor, mas leitores menos comprometidos acharão o trabalho do Sr. Hastings mais fácil de compreender e uma leitura melhor. Existe espaço para os dois livros? Absolutamente.

All Hell Let Loose: The World at War 1939-1945. por Max Hastings. HarperPress; 748 páginas.




The Second World War. por Antony Beevor. Little, Brown; 863 páginas.




http://www.economist.com/node/21556542