quarta-feira, 5 de junho de 2013

Simón Bolívar e o juramento do Monte Sacro

Voltaire Schilling

 
No dia 15 de agosto de 1805, em pleno verão romano, três venezuelanos dirigindo-se para fora da Cidade Eterna subiram no Monte Sacro, a histórica colina subversiva de Roma. Entre eles estava o jovem Simón Bolívar, então com 22 anos, acompanhado pelo seu preceptor Simón Rodrigues, um filósofo itinerante, e seu amigo Francisco Rodrigues Del Toro. Emocionado pela evocação do local - o monte servira de abrigo nos tempos da Roma Antiga para um protesto dos plebeus contra os que os oprimiam - Simón Bolívar empenhou ali a sua palavra de vir libertar a América do domínio espanhol. Foi o juramento do Monte Sacro.

 
Um dândi atrás da revolução

Nascido em 1783, filho de uma família de crioulos venezuelanos riquíssimos, dona de terras e de minas, o jovem Simón Bolívar foi enviado aos 16 anos de idade para a Europa para aprimorar sua instrução. Esteve na corte de Madri e depois se dirigiu para a Paris de Napoleão. Lá, em 1804, frequentou o salão de uma prima, Fanny Dervieu de Villars, descendente dos Arisguieta da aristocracia crioula da Venezuela, casada com um conde francês apaixonado por biologia.

Viúvo aos 19 anos, Bolívar fazia então o papel do fidalgo estouvado, herdeiro de um potentado latino-americano que gastava dinheiro a rodo pavoneando-se como um dândi (firmou moda com o "chapéu a Bolívar", bem espetaculoso), dedicado a cortejar todas as beldades parisienses que encontrava pela frente.

Quem fazia notável sucesso social naquela ocasião era Alexandre von Humboldt, o barão prussiano que se consagrara como viajante e naturalista de renome. Ele recém desembarcara na França com seu companheiro André Bonplan, vindo de uma estadia de cinco anos pelo Novo Mundo (1799-1804), desbravando rios, entrando em florestas e escalando montanhas. Além disso, nominou ainda uns 400 vulcões e identificou nas costas peruanas uma corrente marítima que levou seu nome: a corrente de Humboldt.

Não havia salão de Paris que não quisesse ouvir as façanhas dos dois cientistas, promovidos a cavalheiros da natureza. Assim sendo, Humboldt - típico representante do nobre iluminista - terminou por encontrar Bolívar numa das tantas recepções oferecidas pela prima Fanny. Na ocasião, o venezuelano tinha 21 anos.

Humboldt e Bolívar

Entre eles, deu-se, por assim dizer, uma amizade à primeira vista. Mais tarde, Bolívar deixaria dito que, devido ao seu trabalho científico, o alemão "foi o verdadeiro descobridor da América".

Num desses encontros, Humboldt comentou que percebeu, por todos os lados em que andara no Vice-Reino da Nova Granada (Venezuela, Colômbia e Equador) ou no Vice-Reino da Nova Espanha (o México e os países da América Central de hoje), um enorme e sincero anseio dos chefes crioulos e dos nativos em geral em se verem livres do domínio espanhol.

A questão da independência das colônias, assegurou Humboldt, era coisa para qualquer hora. Todavia, ressalvou o sábio alemão, a rebelião poderia demorar porque ele não vira por lá quem pudesse encabeçar o levante contra Madri.

Talvez tal observação casual de Humboldt tenha servido como um inesperado desafio ao jovem Bolívar que, até então, somente demonstrara ser dono de um temperamento exaltado, romântico e passional - uma energia em busca de uma causa.

É certo que o preceptor dele, o impagável filósofo Simón Rodrigues, um peregrino da liberdade seguidor de Rousseau, inculcara-lhe horror à tirania e amor desmedido pela independência. Por igual, as duas margens do Atlântico foram violentamente sacudidas pelo efeito da revolução norte-americana de 1776 e pela francesa de 1789, ambas influindo sobre aquele rapagão irrequieto. A isso, somaram-se as tantas leituras que Bolívar fizera, devorando além de Rousseau e Voltaire, as biografias de Plutarco sobre os grandes homens do passado greco-romano: Péricles, Alexandre, César, os Gracos, e tantos outros mais.

Por último, dominando inteiramente o cenário europeu, havia a magnifica personalidade de Napoleão, o homem que do nada construíra um império, sozinho, e que projetara sua imagem titânica sobre uma nova geração que surgia do rescaldo da revolução de 1789 com grande sede de aventuras.

Por todos os poros da Europa e do Novo Mundo brotavam rapazes que queriam "ser como Napoleão".

O clima de tensão, as batalhas memoráveis da revolução, o domínio do inesperado, tudo isso serviu como entorno para que Bolívar, até então um jovem ricaço inconsequente, um pavão vaidoso e petulante, viesse a se transformar no Libertador.

O juramento de Roma

Com um empréstimo que a prima Fanny lhe alcançou, Bolívar, com seu preceptor Simón Rodrigues e o amigo Francisco Rodrigues del Toro, rumou de Paris para uma longa viagem em direção à Itália. Percorreram o caminho tanto de diligência como com boas caminhadas. O trio de amigos levou 11 dias para atravessar os Alpes até chegar a Milão. Lá foram testemunhas da coroação de Napoleão como rei da Itália, ocasião em que, numa cerimônia militar impressionante, o general tomou para si a coroa de ferro dos monarcas lombardos (a mesma que encimara a cabeça de Ataúlfo).

Quando, por fim, chegaram a Roma, hospedaram-se na Piazza di Spagna, bem perto da famosa escadaria. Alugando um coche, os três passaram a fazer um tour pela cidade até que, no dia 15 de agosto de 1805, passando pelos portões em direção à periferia, avistaram o Monte Sacro. De imediato, veio à memória de Simón Rodrigues o feito dos plebeus da cidade que, nos tempos da Roma Republicana, lá haviam acampado em sinal de protesto. No ano de 494 a.C., liderados por Sicino Belluto, o povo pobre da cidade de Roma manifestou sua desconformidade com as injurias que sofria por parte dos patrícios, arrancando deles com uma longa greve um conjunto de concessões. O Monte Sagrado onde Bolívar estava era, pois, um local subversivo por excelência.

Ao cair da tarde, tomado pela forte emoção que evocava o local histórico, ato de desafio aos poderosos feito em época tão remota, Bolívar, olhando fixo para Simón Rodrigues no momento em que o sol se punha, teria feito então o juramento que iria comprometê-lo para o resto da sua vida:

¡Juro delante de usted; juro por el Dios de mis padres; juro por ellos; juro por mi honor, y juro por mi Patria, que no daré descanso a mi brazo, ni reposo a mi alma, hasta que haya roto las cadenas que nos oprimen por voluntad del poder español!

Simón Bolívar, O Juramento do Monte Sacro, Roma, 15/08/1805

Em tradução livre: "Juro frente a ti: juro por Deus e meus pais, juro por eles, juro pela minha honra e juro pela minha pátria, que não darei descanso ao meu braço nem repouso a minha alma, até que tenha rompido as cadeias que nos oprimem por vontade do poder espanhol!"

A partir de então, e pelos 20 anos seguintes, todas as energias dele voltaram-se para a nobre causa da libertação e independência do Novo Mundo.

Voltaire recomenda:

Castro, Moacir Werneck de - O Libertador: a vida de Simón Bolívar. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1988.

terça-feira, 4 de junho de 2013

[SGM] Churchill queria Hitler na Cadeira Elétrica e Gandhi morrer de fome

The Independent, 01/01/2006


 
Um lado do caráter de Winston Churchill raramente revelado – isto é, a do líder vingativo ao invés do magnânimo – surgiu em documentos secretos do governo tornados públicos. Eles revelam que ele queria seguir o passo sem precedentes de enviar Adolf Hitler à cadeira elétrica, se tivesse sido capturado, e também estava feliz ao ver o líder da independência indiana Mahatma Gandhi passando fome durante uma epidemia em 1943.

O Primeiro Ministro, falando em um encontro do Gabinete de Guerra em julho de 1942, descreveu Hitler como “a principal cria do mal” e, em seu modo extravagante, sugeriu humoradamente alugar uma cadeira elétrica – conhecida como “Fagulha Velha” – dos americanos e executá-lo como “um gangster” se e quando ele fosse pego.

A nova visão da raiva profunda e ódio mortal de Churchill ao Führer nazista – que ele responsabilizou pela morte de mais de meio milhão de britânicos – chega graças a uma série de notas classificadas do Departamento de Gabinete liberada pelos Arquivos Nacionais esta semana. As notas, feitas pelo Vice-Secretário de Gabinete Sir Norman Book durante alguns dos encontros de alto nível mais críticos da guerra, lança nova luz nos pensamentos e medos dos líderes britânicos durante este período.

O argumento sobre como lidar com a liderança nazista, se e quando fosse capturada, volta à superfície um número de vezes nos diários manuscritos.

Em um encontro-chave, em 6 de julho de 1942, Churchill diz: “Se Hitler cair em nossas mãos, devemos certamente executá-lo. Ele não é um soberano que poderia ser colocado nas mãos de ministros, como o Kaiser.”

O Primeiro Ministro então descreve o método preferido para a execução de Hitler: o meio mais torturante possível – a cadeira elétrica. Ele mesmo faz uma piada aos colegas de Gabinete que poderiam arrumar uma dos EUA no programa “lease-lend”.

Gill Bennett, historiador-chefe do Departamento do Exterior e da Comunidade Britânica, disse que a ideia de usar cadeira elétrica para executar Hitler era “típica de Churchill”. “Isto tem muito a ver com o estilo de Churchill. Ele sempre foi um homem de grandes gestos, e ele expressava o que ele acreditava ser o desejo do povo britânico,” disse o Sr. Bennett. “O Gabinete inteiro sentia fortemente os perigos do nazismo.”

Em 12 de abril de 1945, apenas duas semanas antes do suicídio de Hitler em seu bunker em Berlim, as notas de Sir Norman mostram como o assunto esquentou. Os americanos e russos estavam pressionando por julgamentos-espetáculo (show trials), mas Churchill ainda queria execução sumária tão logo fosse possível. O Primeiro Ministro diz ao seu Gabinete: “O julgamento será uma farsa... eles serão tratados como foras-da-lei.”

Um porta-voz para o Departamento Interno alerta contra tornar Hitler um mártir na Alemanha, mas Churchill, ciente do talento do ditador para a retórica, está determinado que não lhe seja dado palco público para defender sua causa. “Não assumiria nenhuma responsabilidade por um julgamento – mesmo se os EUA queiram fazer isso,” ele diz isso ironicamente no dia em que o presidente Franklin D. Roosevelt morre.

Evidência posterior da agressividade de Churchill emerge nos diários de 1943, quando torna-se claro que ele está feliz em deixar o líder espeiritual indiano Gandhi morrer durante uma epidemia de fome sob responsabilidade britânica. Em outro encontro do Gabinete de Guerra em maio de 1945, Churchill fala sobre o destino do braço direito de Hitler, Heinrich Himmler, de forma semelhantemente agressiva. O registro apresenta ele perguntando se seria possível “negociar” com o chefe da SS e “depois matá-lo.” Infelizmente para Churchill e sua imaginação fértil, Himmler, como Hitler, cometeu suicídio antes que pudesse ser levado a julgamento.*   

Tivesse sido Hitler condenado à cadeira elétrica, a sentença teria sido realizada nos EUA, onde ela acontece desde 1890.


Nota:

* Esta declaração, por si só, já é uma prova de que Himmler foi assassinado quando caiu nas mãos dos britânicos, apesar da historiografia oficial ainda insistir que ele se suicidou. Em relação à declaração de Churchill sobre Nuremberg, ele não disse novidade.

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quinta-feira, 30 de maio de 2013

[SGM] Aliados discutiram assassinar Rommel durante o Dia-D

BBC News, 23/05/13

 
Esta carta de Charles Peake do Quartel-general Supremo da Força Expedicionária Aliada especula a possibilidade de assassinar figuras militares alemãs.

 
Foi discutido em comunicação entre o governo britânico, militares e serviços de inteligência com o objetivo de ajudar no desembarque.

Eles planejaram alvejar aqueles envolvidos com a Gestapo e a logística inimiga.

Entretanto, o plano foi abandonado como “o tipo de boa ideia que... produz uma boa dose de problemas e realiza muito pouco.”

As cartas e telegramas detalhando os planos foram revelados em um arquivo, datado de 1944 e indiretamente chamados de “Guerra (Geral)”, pelo sub-secretário do Departamento do Exterior Sir Alexander Cadogan.

O arquivo inclui comunicações de Sir Alexander assim como Charles peake, que estava a serviço do Quartel-general da Força Expedicionária Aliada, o órgão que comandou as forças aliadas na Europa setentrional, e Victor Cavendish-Bentinck, executivo dos Serviços de Inteligência Unidos.

Criminosos de guerra almejados

O plano discutiu a possibilidade de assassinatos específicos de qualquer membro alemão cuja “remoção a um ponto crítico poderia ser um desastre para o esforço alemão.”

Os alvos considerados eram figuras políticas assim como agentes da Gestapo, chefes de suprimentos e aqueles envolvidos em importantes “organizações econômicas.”

A carta inicial do Sr. Peake sugerindo o plano para assassinar importantes oficiais alemães tinha consciência de que era algo ambicioso, dizendo: “Compilar uma lista é uma coisa e conseguir os resultados é totalmente outra coisa, mas suponho que devemos fazer nosso melhor.”

A possibilidade de matar certas figuras militares de alta patente ao invés de fazê-las prisioneiras era controversa, mas foi decidido que “pode ser colocada na política como tratamento a criminosos de guerra.”

Os oficiais alemães discutidos incluíam o famoso Marechal-de-campo Erwin Rommel, que esteve envolvido no plano para matar Hitler.

O Sr. Cavendish-Bentinck argumentou que “se tais criminosos de guerra forem eliminados como proposto, isto nos livrará do problema de lidar com eles mais tarde.”

“Onda de Assassinatos”

O plano também seria estendido aos colaboradores da França Vichy, mas foi decidido que a identificação e assassinato destes alvos seria melhor deixado aos próprios franceses.

No final, contudo, o plano foi descartado pois acreditava-se que os ataques poderiam gerar “respostas sanguinárias”.

O Sr. Cavendish-Bebtinck acreditava que poderia resultar em uma “onda de assassinatos que provavelmente durará quando estivermos ocupando o território inimigo” e ele também duvidava da aptidão das forças britânicas para a tarefa:

“Os poloneses destruíram um número de oficiais alemães, mas eles eram especialistas neste tipo de trabalho e tiveram maior provocação. Se o assassinato fosse fácil, muitos estadistas e altos funcionários teriam tido um final violento.”

Mas ele permitiu que “se os franceses gostam de matar alemães ou colaboradores, não devemos detê-los.”

 Havia preocupações sobre a eficácia do plano, pois o Chefe do MI6, Stewart Menzies, referiu-se a ele como somente “C” nas comunicações, dizendo sobre as vítimas sugeridas:

“Não acreditamos, entretanto, que sua remoção terá muito, ou mesmo qualquer, efeito na eficiência funcionando na máquina altamente organizada e difundida na qual eles são funcionários proeminentes.”  


 
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[POL] A Admiração Secreta de John Kennedy por Hitler

Allan Hall

Daily Mail, 23/05/13

 

Um novo livro publicado na Alemanha revela como o presidente Kennedy era um admirador secreto dos nazistas.

As notícias chegam embaraçosamente próximas de uma visita a Berlim no próximo mês pelo presidente Obama – uma semana antes das comemorações do 50º. Aniversário do memorável discurso de JFK “Ich Bin ein Berliner” (Sou um Berlinense) pedindo a solidariedade dos EUA com a Europa durante a Guerra Fria.

As anotações e cartas do presidente Kennedy narrando seus passeios pela Alemanha antes da Segunda Guerra Mundial, quando Adolf Hitler estava no poder, foram reveladas e mostram que ele era geralmente a favor do movimento que iria lançar o mundo na maior guerra da história.

“Fascismo?” escreveu o jovem future president. “A coisa certa para a Alemanha.”

Em outra; “O que são as maldades do fascismo comparadas às do comunismo?”

E, em 21 de agosto de 1937 – dois anos antes da guerra que matou 50 milhões de vidas eclodir – ele escreveu: “Os Alemães são realmente muito bons – portanto os povos cercam-se deles para se protegerem.”

E em uma linha que parece ser diretamente tirada da linha racista da superioridade racial do Terceiro Reich, ele escreveu após viajar pela Renânia: “As raças nórdicas certamente parecem ser superiores aos romanos.”

A saudação do futuro presidente é agora embaraçosa em perspective – uns poucos anos depois ele lutou na Segunda Guerra Mundial contra os nazistas e seu irmão mais velho, o Tenente Joseph Patrick Kennedy Jr., foi morto em combate.

Outros motivos de meditação foram a grandeza das autobahns – “as melhores rodovias no mundo” – e a visita à casa de campo bávara de Hitler em Berchtesgaden e à casa de chá construída no topo da montanha para ele.

Ele declarou: “Quem visitou estes dois lugares pode facilmente imaginar o quão Hitler erguer-se-á do ódio que atualmente o cerca e em poucos anos surgirá como uma das maiores personalidades de todos os tempos.”

A admiração de Kennedy pela Alemanha Nazista é revelada em um livro intitulado “John F. Kennedy entre os Alemães. Diários de viagem e cartas 1937 – 1945.”

Quando a Segunda Guerra Mundial chegou, o pai do futuro presidente, Joe P. Kennedy, se opôs fortemente em lutar contra a Alemanha e cometeu vários erros desgastando sua carreira política.

Ele adotou uma postura derrotista, pacifista e tentou agendar um encontro com Adolf Hitler sem a autorização do Departamento de Estado.

As razões para isso não são claras – alguns especulam que ele estava ávido em evitar a guerra porque ele temia que o capitalismo americano – com o qual ele lucrou muito – não sobrevivesse à entrada do país no conflito.

Como embaixador dos EUA na Grã-Bretanha, ele também se opôs à ajuda militar e econômica à Grã-Bretanha*.

Ele disse em uma entrevista: “A democracia acabou na Inglaterra. Ela existe aqui (nos EUA).”

Durante a Segunda Guerra Mundial, o irmão mais velho de JFK, Joe, voluntariou-se para uma missão secreta de teste de um avião tripulado experimental carregado de explosivos – uma arma que os Aliados esperavam utilizar como míssil guiado.

No primeiro voo de teste, os explosivos detonaram prematuramente e o avião explodiu – seu corpo nunca foi encontrado.

O jovem presidente gravou seu próprio lugar na história quando ele ficou na entrada da prefeitura de Berlim Ocidental de Schönenberg em 26 de junho de 1963 declarando a solidariedade americana à cidade e ao continente com as palavras imortais: “Sou um berlinense.”

O fato que, falando estritamente, ele estava referindo-se a si mesmo como uma rosquinha típica – o berlinense** – não diminuiu o entusiasmo contagiante por ele.

Mas seu elogio a Hitler em um país que ainda luta para chegar a um termo com seu legado pode revelar-se difícil para Obama, que visitará Berlim para conversações de longo termo com a Chanceler Merkel em 18 e 19 de junho.

Mas o seu louvor não era inteiramente sem ressalvas.

“É evidente que os alemães eram assustadores para ele,” escreveu a revista Der Spiegel em Berlim.

Nos diários das três viagens que ele fez à Alemanha do pré-guerra, ele também reconheceu; “Hitler parece ser tão popular aqui quanto Mussolini na Alemanha, apesar de que a propaganda é provavelmente sua arma mais poderosa.”

Observadores dizem que suas anotações variam da aversão à atração pela Alemanha.

O livro também contém suas impressões quando caminhou por uma Berlim destruída após a guerra: “Um fedor insuportável de corpos – doce e repugnante.”

E sobre o Führer morto ele disse; “Sua ambição ilimitada por seu país tornou-o uma ameaça à paz no mundo, mas ele tinha algo de misterioso. Ele foi uma lenda.”

O editor do livro acredita que ele era “sinistramente fascinado” pelo Fascismo.

Notas:    

* A famíla Kennedy era irlandesa.


 
http://www.dailymail.co.uk/news/article-2329556/How-JFK-secretly-ADMIRED-Hitler-Explosive-book-reveals-Presidents-praise-Nazis-travelled-Germany-Second-World-War.html

terça-feira, 30 de abril de 2013

[POL] O Tutor Renegado de Hitler

Benjamin Ziemann

History Today, Vol. 63, no. 1, 2013

 
Karl Mayr é frequentemente descrito como o genitor político de Hitler ou algo parecido. Como chefe do departamento de propaganda e inteligência no grupo de comando bávaro do Reichswehr, Mayr organizou cursos de instrução política em junho de 1919. Um dos participantes foi certamente o cabo de infantaria Adolf Hitler. Consciente de seu talento retórico, Mayr o recrutou para conduzir trabalho de propaganda adicional e agir como infiltrado e informante. Naquele trabalho, em setembro de 1919, Mayr ordenou a Hitler assistir a um encontro do Partido dos Trabalhadores Alemães (DAP) e relatar as atividades de um dos muitos grupos nacionalistas de extrema direita na Munique pós-revolucionária. Ao longo dos próximos meses, Mayr estava quase em contato diário com seu empregado, seguindo e apoiando todos os seus movimentos. Em relação ao seu trabalho, Hitler estava rapidamente encontrando sua voz política e desenvolvendo um papel crescente dentro do partido. Quando ele anunciou o novo manifesto do renomeado NSDAP em fevereiro de 1920, ele ainda estava na folha de pagamento do Reichswehr como subordinado de Mayr. Sem o apoio de Mayr, Hitler talvez jamais tivesse entrado na política. Para Mayr, por outro lado, o apoio  sistemático dos grupos populares e antirrepublicanos em 1919 e 1920 provou ser somente um episódio de curta duração em sua própria trajetória política.

 
Quem foi este mestre de fantoches Mayr, o solitário oficial do exército cujos trabalhos secretos atraíram suspeita mesmo de seus colegas políticos mais próximos? Por que ele abandonou o nascente partido nazista e voltou-se para a democracia social e o quão sincero ele foi em sua conversão? Explorando estas questões revela-se uma vida turbulenta que terminou em tragédia. Mesmo assim, o ativismo de Mayr, visto no contexto de uma organização em massa de republicanos devotos, ajuda a desafiar um estereótipo historiográfico de que a democracia de Weimar tinha falta de apoio substancial.

O Putsch Kapp

Karl Mayr nasceu em 1883 na cidade de Mindelheim na Suábia Bávara e cresceu no ambiente confortável e respeitável de uma família católica de classe média. Após conseguir o diploma de ensino médio em 1901, ele juntou-se ao exército bávaro como oficial de carreira. Escalando os postos, Mayr chegou a tenente por volta de 1911. Quando a guerra eclodiu em 1914, ele foi convocado para a recente força aérea bávara, porém voltou ao serviço no regimento de infantaria em 1915 e foi promovido a capitão no mesmo ano. De setembro de 1916 a janeiro de 1918, Mayr serviu como oficial do alto comando com o Corpo Alpino Bávaro. Ao seu próprio pedido, ele voltou ao front nos meses finais da guerra, incluindo um breve período no exército do Império Otomano, o aliado problemático da Alemanha. Na época em que saiu de licença por um breve período em fevereiro de 1919, Mayr era um oficial altamente condecorado, tendo sido condecorado não somente com a Cruz de Ferro de Primeira e Segunda Classes, mas também condecorações bávaras, prussianas e turcas importantes. Não há evidências de suas opiniões políticas até este ponto, mas em abril de 1919, quando os comunistas tomaram o poder e transformaram Munique e outras partes do sul da Baviera em uma república socialista, Mayr não hesitou em se juntar a uma unidade de defesa que ajudou a combater os revolucionários de dentro do estado. Mesmo antes de ele retornar ao exército em maio de 1919, como chefe do departamento de propaganda em Munique, seu anti-bolchevismo era profundamente sentido e sincero.

Em sua nova função no departamento de inteligência, Mayr foi absorvido pelo ambiente crescente de anti-bolchevismo, antissemitismo e de grupos separatistas e partidos dissidentes que pipocavam na Baviera, tranformando-a na “célula de ordem” auto-declarada contra o levante revolucionário. Um dos contatos principais da direita antirrepublicana no Reichswehr, Mayr estava também envolvido nas preparações do Putsch Kapp em março de 1920, quando parte dos militares, combatentes Freikorps e nacionalistas radicais tentaram derrubar o governo do Reich. A ação coletiva da classe trabalhadora em uma greve geral atrapalhou o golpe. Mas na Baviera o golpe forçou a minoria do gabinete do primeiro-ministro social democrata Johannes Hoffmann a renunciar. Escrevendo em setembro de 1920 para Wolfgang Kapp, o líder epônimo do putsch, Mayr falou de seu papel ativo nos eventos de março último e relatou sobre o “partido nacionalista dos trabalhadores” que ele estava apoiando para fortalecer o renascimento nacional. Entretanto, nesta época ele já havia deixado o exército.

Mayr abandonou o Reichswehr por sua própria iniciativa em julho de 1920, tendo alcançado o posto de major e direito a pensão completa. A razão mais provável foi sua oposição aos planos separatistas de separar a Baviera do resto do Reich. Isto foi discutido nos círculos do Partido Popular Bávaro (BVP) de tendência conservadora católica, o qual governava o estado após a renúncia de Hoffmann. No mesmo mês, Mayr publicou documentos sobre as tendências separatistas no BVP, uma atitude que ofendeu os colegas militares, alguns dos quais estavam envolvidos, e tornou sua posição no exército gradativamente insustentável. Nos meses seguintes, Mayr tentou ganhar influência no partido nazista, o qual ele próprio ajudou a criar. Como ele mais tarde confidenciou a camaradas do Partido Social Democrata (SPD), ele esperava em 1921 que o NSDAP pudesse funcionar como um equivalente ao defunto Nationalsozialer Verein (1896 – 1903).   Neste partido, o político protestante Friedrich Naumann, um dos mais proeminentes liberais sociais da falecida Alemanha Imperial, tentou oferecer uma alternativa moderada ao socialismo, que reconciliava o liberalismo nacionalista com tentativas de melhoria das condições da classe trabalhadora. Mas estas esperanças foram desapontadas e Mayr abandonou o NSDAP em março de 1921.

Para Mayr voltar-se subsequentemente à política democrática, duas relações foram de importância decisiva. Em abril de 1922, ele contatou o professor Hans Delbrück, o decano de história militar alemã. Enviando-lhe um manuscrito sobre o papel de Erich Ludendorff como chefe do Comando Supremo do Exército, Mayr  sinalizou seu interesse em uma crítica fundamental da estratégia de guerra alemã. Delbrück era simpático à ideia, já que ele tinha suas próprias dúvidas sobre os objetivos exagerados dos militares alemães na Grande Guerra. Nos anos seguintes, Mayr era um convidado regular de seu círculo “das quartas-feiras noturnas” em Berlim, nas quais a elite intelectual liberal-conservadora da capital troca ideias. Delbrück apoiava um plano para encontrar uma posição para Mayr no Reichsarchiv em Postdam, que mantinha os registros do exército alemão, mas sem sucesso. Não havia lugar para o ex-major dissidente em uma instituição que era tão associada ao Reichswehr e interessada em dar uma interpretação positiva ao esforço de guerra germânico. Escrevendo a Delbrück em abril de 1923, Mayr descreveu-se como um “republicano da razão”, como alguém que aceitava a República de Weimar mais por conveniência do que por convicção. Neste ponto, sua transformação política ainda não estava completa totalmente.

Contato decisivo

O outro contato de Mayr foi muito mais decisivo em sua mudança para a esquerda republicana moderada. No outono de 1921, ele se aproximou de Erhard Auer, o igualmente excêntrico e enérgico chefe do Partido Democrático Social Bávaro. Nos meses seguintes, Mayr forneceu a Auer documentos confidenciais sobre as atividades separatistas dentro do BVP governante e entre seus contatos de alto nível na aristocracia bávara, a polícia de Munique e oficiais do Reichswehr. Auer publicou alguns destes documentos no jornal do partido Müncher Post. A revelação pública do conhecimento íntimo de Mayr a respeito da direita radical aproximou-o do SPD. Como mais tarde ele descreveu, ele tentou “acostumar-se com o movimento social democrata” gradualmente. Ele juntou-se ao partido formalmente em 1924.    

Contudo, Mayr encontrou seu mais importante lar politico em outra organização afiliada do SPD formada no mesmo ano, o Reichsbanner Preto-Vermelho-Amarelo. Ele já havia se juntado a um dos muitos precursores locais deste, a “seção de segurança” do SPD de Munique, fundada em novembro de 1921. Também conhecido como “Guarda Auer”, esta formação de auto-defesa protegia as reuniões social democráticas na capital bávara sob o lema “Sem poder ao depotismo, todo poder à lei, toda justiça ao povo.” Quando políticos da liderança do SPD na cidade prussiana de Magdenburg estabeleceu o Reichsbanner em fevereiro de 1924, ele forneceu uma estrutura nacional para iniciativas tais como a Guarda Auer.

No papel, o Reichsbanner deveria transcender as divisões intrapartidárias. Ele era uma iniciativa dos social-democratas, membros do liberal-esquerdista DDP e do Partido Católico de Centro, assim refletindo o consenso pró-republicano da coalizão Weimar que governou o novo estado até 1920. Mas a presença de liberais e católicos de esquerda na diretoria não-executiva da liga foi apenas um disfarce. Ao nível da base, a noção de uma coalizão partidária era uma fachda, mesmo que ela fosse real o suficiente para provocar criticismo o bastante da ala esquerdista dentro do SPD. Em 1924, 85% dos membros do Reichsbanner eram social-democratas e esta proporção chegou mesmo a 90% nos dois anos seguintes. Como um relatório policial em maio de 1932 concluiu, o Reichsbanner era “quase uma organização puramente do SPD,” proximamente associada ao nível local com outras associações socialistas tais como Os Pensadores Livres – que preferiam a cremação ao invés do enterro cristão – ou o Movimento Coral Socialista. A fundação do Reichsbanner foi um dos sucessos importantes, embora esquecidos do período de Weimar. Ele rapidamente atraiu cerca de um milhão de membros, superando as ligas nacionalistas combatentes radicais mais importantes, Os Capacetes de Aço (Stahlhelm), também fundada em Magdenburg no final de 1918, e a Ordem dos Jovens Teutônicos (Jungdo).

Perfil Nobre

O Reichsbanner tinha dois objetivos: defender a República de Weimar e as cores de sua bandeira e também, como seu estatuto dizia, integrar todos “os ex-soldados da Guerra Mundial e dos homens com treinamento militar que apoiam a constituição republicana sem reservas.” Como seu subtítulo indicava, era uma “Liga de Ex-Combatentes Republicanos.” Com o financiamento do Reichsbanner, o campo republicano estava claramente empolgado após o desapontamento com os ataques precedentes contra a Constituição, do Putsch Kapp em 1920 até o malfadado Putsch da Cervejaria de Hitler em 1923. Uma caricatura no jornal do SPD Vorwärts representava o ambiente otimista entre os social-democratas. Ela mostrava dois membros do partido nazista prontos para sabotar um trem de explosivos. No fundo, um trem com uma locomotiva a vapor chamada “Reichsbanner Preto-Vermelho-Amarelo” se aproxima a alta velocidade obrigando os dois a contemplar com resignação se “devemos nos explodir aqui.”
 
 
A maioria dos membros do Reichsbanner era de operários que buscavam principalmente um lugar para trocar suas experiências de guerra. Karl Mayr não foi o único oficial do exército imperial a juntar-se à organização. Desde o início, ele era composto de um número de oficiais de alta patente que haviam abandonado suas carreiras militares no sentido de apoiar o pacifismo e o republicanismo. Este grupo incluía o antigo general Paul Freiherr Von Schönaich (1866 – 1954), também membro da Sociedade Pacifista Alemã (DFG) e o general Berthold Von Deimling (1853 – 1944). Deimiling tornou-se conhecido por seu papel infame no caso Zabern em 1913, o qual havia desnudado o descaso dos militares alemães em relação aos civis da província da Alsácia-Lorena. Mayr, Von Schönaich, Von Deimiling e outros ex-oficiais de alta patente levaram ao Reichsbanner o valor simbólico de seu antigo serviço militar. Quando falavam em público sobre as consequências desastrosas da estratégia militar alemã durante a guerra ou expunham a lenda da “facada nas costas” como falsificação da extrema direita, eles estavam emprestando sua autoridade profissional inegável ao campo republicano. O que eles ganharm no Reichsbanner não foi somente a companhia de ex-combatentes simpatizantes, mas também um fórum apropriado para suas novas visões a favor do desarmamento e da colaboração internacional.

“Ódio Mortal”

Durante os primeiros anos de seu engajamento no Reichsbanner, a esfera de atividades de Mayr estava centrada em Munique, dando palestras a simpatizantes locais e escrevendo artigos para o Müncher Post e o Das Reichsbanner, o semanário do grupo. Mas sua mensagem espalhou-se quando ele tornou-se próximo de Karl Höltermann, o vice-chefe do Reichsbanner, que confiava nele pessoalmente e estava ansioso de empregar seu conhecimento militar na liga. Por um longo tempo, cogitou-se de que Mayr seria elevado ao cargo de assistente de Höltermann como editor-chefe do Das Reichsbanner, uma posição que ele finalmente assumiu no final de 1928. Mayr alugou um apartamento em Magdenburg para estar próximo da sede da liga. Ele logo entrou em conflito com Franz Osterroth, que havia sido previamente editor do jornal. Vindo da Jungsozialisten, a organização jovem esquerdista do SPD, Osterroth simplesmente não podia suportar o ódio mortal de Mayr contra a União Soviética. De fato, o anti-bolchevismo era um dos elementos presentes na visão política de Mayr desde os seus dias de oficial contrarevolucionário do exércitoem Munique. A liberdade para expressar estas visões foi certamente um elemento importante no sentimento de Mayr como social-democrata.

Nem Mayr era um simpatizante do pacifismo radical, que alguns membros do Reichsbanner defendiam, enquanto que a maioria esmagadora apoiava um pacifismo mais moderado que tinha consciência do papel dos militares para a defesa nacional. Em uma carta a Hans Delbrück, Mayr opinou que “para a mentalidade pacifista, qualquer crítica baseada em fatos de assuntos militares já deve parecer logicamente um pecado contra o espírito; com esta mentalidade somente aqueles maníacos homicidas valorizam os que devastaram o exército alemão e que perderam a guerra.” Tal “crítica baseada em fatos” do exército imperial foi uma de suas contribuições mais consistentes para a causa da liga dos veteranos republicanos.

No Das Reichsbanner, Mayr publicou uma longa lista de artigos que criticavam a falta de qualquer controle político dos militares durante o último período imperial, expondo alguns dos erros estratégicos mais importantes do Alto Comando do exército alemão sob Hindenburg e Ludendorff e criticou a estória da “facada nas costas” como um mito artificial, perpretado pela elite militar para esconder os seus próprios defeitos.  O resultado de todas estas críticas incisivas era, porém, um ponto político crucial. Junto com outros membros do Reichsbanner, Mayr estava convencido de que a legitimidade da República de Weimar era um corolário do colapso militar do sistema monárquico no outono de 1918. Estes eventos, a “maior falência infame na história da Alemanha e da europeia,” como Mayr a colocou em 1929, forneceu a cidadania democrática às suas fileiras operárias e a preencheu com uma causa comum articulada pelo Reichsbanner.

Reconciliação

Entretanto, os pacifistas radiciais da esquerda do SPD não estavam convencidos da sinceridade do comprometimento republicano de Mayr. Fritz Küster, que ganhou influência na Sociedade Pacifista Alemã (DFG) a partir de meados dos anos 1920, tentou sujar a imagem de mayr em processos judiciais seguidos e o acusou de ser um militarista da velha ordem. Veteranos de guerra nos antigos países aliados, contudo, o tinham em muita alta estima. Desde 1927, o Reichsbanner tinha status de observador na Conferência Internacional de Combatentes e Mutilados (CIAMAC), uma organização não-governamental de ligas de veteranos que compreendia 24 associações de dez países europeus, incluindo a Grã-Bretanha. Mas o Reichbanner também estabeleceu conexões com as associações de veteranos franceses, com a Union Fédérale esquerdista, fundada por René Cassin e a muito menor, Fédération Nationale pacifista, em particular. A partir do final dos anos 1920, lideranças representativas destas ligas francesas, incluindo Cassin e André Liautey, um membro da executiva do CIAMAC e chefe do comitê francês da organização, apareciam regularmente nas reuniões do Reichsbanner. Em retribuição, funcionários da liga republicana alemã viajavam à França. Ele foi finalmente reconhecido por estes esforços ganhando a associação honorária da Fédération Nationale.

Na visão de Mayr, a reconciliação entre França e Alemanha poderia servir como um catalisador para uma integração maior das nações europeias e deveria finalmente resultar em uma “comunidade de defesa europeia.” A reconciliação com a França e as tentativas de estabelecer laços entre os antigos membros dos exércitos rivais era uma ênfase constante em seu trabalho.

Durante os anos finais da república, Mayr acelerou os passos de seu ativismo político, falando constantemente, escrevendo e viajando em nome do Reichsbanner. Ele também intensificou sua agitação contra o partido nazista. Imediatamente ao sucesso eleitoral nazista nas eleições do reichstag em 14 de setembro de 1930, Mayr tentou restabelecer o otimismo entre os republicanos. Em uma série de aparições públicas com boa presença popular, sob o lema “Adolf Hitler deitado em decúbito ventral”, apimentadas por revelações humorísticas de seu antigo subordinado militar, Mayr ridicularizou Hitler. Sua performance claramente animou os deprimidos membros do Reichsbanner. Quando os nazistas chegaram ao poder em janeiro de 1933, amigos com contatos dentro do partido nazista aconselharam Mayr a deixar o país imediatamente. Ele seguiu o conselho e fugiu para a França, onde se estabeleceu no subúrbio de Paris, provavelmente vivendo do ensino de língua alemã. Durante a invasão alemã da França em maio de 1940, ele foi preso no sul da França e levado de volta à Alemanha em julho. Lá, ele foi mantido em prisões sob o comando da SS em Berlim, de onde partiu para o campo de concentração de Sachsenhausen.

Pequeno homenzinho branco

Na primavera de 1943, Mayr foi transferido para Buchenwald. Social-democratas especularam em testemunho do pós-guerra se esta transferência pode ter sido o resultado de uma intriga comunista, orquestrada pelo aguerrido funcionário comunista Harry Naujoks, que cuidava da administração dos presos em Sachsenhausen e se reportava diretamente ao comandante do campo. Esta pelo menos foi a versão de Walter Hammer, o pseudônimo de Walter Hösterey (1888 – 1966), um pacifista radical do SPD, autor e editor. NA Alemanha do pós-guerra, Hammer reuniu um arquivo histórico expressivo sobre os membros do movimento de resistência a Hitler. Hammer conheceu Mayr muito bem durante seu serviço no departamento executivo do reichsbanner e foi preso com ele primeiro em Berlim em setembro de 1940 e um ano depois em Sachsenhausen. Hammer considerava o “pequeno homenzinho branco” Mayr – que ficou grisalho muito cedo – seu amigo. De abril de 1943 até sua morte em 9 de fevereiro de 1945, durante um bombardeio aliado, Mayr trabalhou na empresa Gusloff em Weimar, uma fábrica que explorava o trabalho dos presos de Buchenwald. Em uma ocasião, um grupo de oficiais da Wehrmacht que visitava a fábrica bateu continência quando reconheceram seu antigo oficial superior do exército imperial.

sábado, 27 de abril de 2013

[POL] Munique, 1939

Reunião de Hitler com lideranças nacionais e estrangeiras na cidade que foi o berço do movimento nacional socialista.

[POL] Berlim, 1936

Vídeo colorido raro da capital do Reich no auge do poder de Hitler.



e em 1945...



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Berlim, 1937

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