domingo, 9 de junho de 2013

[ARM] Super Tucano – As Conquistas do Pequeno Notável

Humberto Leite

Defesanet, 18 de Maio, 2013


Se ao longo de décadas o Brasil precisou pagar para adquirir aeronaves militares modernas fabricadas pelos Estados Unidos, em 2013 a história se inverteu. A Forca Aérea dos EUA (USAF - United States Air Force) anunciou que o Super Tucano foi selecionado como suo futura aeronave de ataque leve. O anúncio, feito no dia 27 de fevereiro, confirmou que o avião desenvolvido pela Embraer após um requisito elaborado pela Força Aérea Brasileira ganhou reconhecimento internacional. Com a compra da USAF já são nove clientes de exportação.

"É um orgulho para a FAB e para o Brasil saber que um avião idealizado em solo nacional, para atender necessidades operacionais de nossa Forca Aérea, tem a sua qualidade reconhecida internacionalmente", disse o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Juniti Salto, Comandante da Aeronáutica. No Brasil, o principal uso do Super Tucano é em missões de vigilância das regiões de fronteira a partir das Bases de Campo Grande (MS), Porto Velho (RO) e Boa Vista (RR). "A cada dia nós comprovamos  o poder desse avião de defender nosso pais", completou o Brigadeiro.

Os Estados  Unidos devem adquirir 20  Super Tucanos em um negócio avaliado em US$ 427,5 milhões.  Chile, Colômbia, Equador, Indonésia, República Dominicana, Angola, Mauritânia e Burkina Fasso também já adquiriram a aeronave. De acordo com a Embraer, já há mais de 200 encomendas do Super Tucano,  o que torna a aeronave de combate mais vendida na historia da indústria de defesa brasileira. Cento e setenta ia foram entregues.  "O Super Tucano é, sem dúvida, a melhor aeronave hoje em operação no mundo para atuar nesse nicho, que é o ataque leve e a defesa aérea  contra aeronaves de pequeno porte,  afirma o Comandante da Aeronáutica.

Desenvolvimento

O Super Tucano voou pela primeira vez no dia 2 de junho de 1999. 0 projeto da Embraer precisava cumprir o requisito da Força Aérea Brasileira de uma aeronave de baixo custo operacional que fosse ideal para interceptar aeronaves de pequeno porte que tentassem sobrevoar o Brasil sem autorização, pudesse servir de treinador para pilotos de caça e  cumprir missões de ataque.

“Nós não tínhamos nenhuma visão de mercado externo. O Super Tucano foi feito exclusivamente para as necessidades da FAB. Mas nós sabíamos que as necessidades da FAB estariam presentes em outros países também", explica o Brigadeiro Fernando Antônio Fernandes Cima, atualmente na reserva. Ele foi o primeiro gestor do então chamado projeto ALX, quando, lembra, o avião ''era só um monte de papel".
 

"O Super Tucano é, sem dúvida, a melhor aeronave hoje em operação no mundo para atuar nesse nicho, que é o ataque leve e a defesa aérea contra aeronaves de pequeno porte"
Brigadeiro Juniti Saito
Comandante da Aeronáutica


Entre 1993 e 1995, a partir dos Requisitos Operacionais elaborados pela Força Aérea, a equipe do Brigadeiro Cima  conversou com a Embraer sobre como seria aquela futura aeronave. A ideia era que o AL-X fosse  baseado no Tucano, que na época já era utilizado armado com bombas, metralhadoras e foguetes, mas que fosse mais potente, levasse mais armamentos e seus equipamentos eletrônicos fossem comparáveis aos caças supersônicos mais modernos.

Ao contrário da tradição dos aviões à hélice terem apenas alguns “reloginhos” na cabine, o Super Tucano  veio equipado com displays multifunção coloridos, óculos de visão noturna(NVG), computadores para cálculo automático de mira, equipamento de busca no espectro infravermelho e uma  cabine projetada no conceito HOTAS (Hand on Throtle and Stick) e com HUD (Head up Display). Essas duas últimas características permitem que o piloto possa cumprir sua missão inteira sem tirar as mãos do manete e  ao mesmo tempo, conseguir enxergar as informações mais importantes sem tirar os olhos dos alvos.

"O avião saiu muito melhor que o inicialmente previsto”, diz o Brigadeiro Cima. “Depois que assinamos o  contrato de desenvolvimento , em 1995, o avião melhorou muito. Foi colocada uma aviônica mais moderna que o inicialmente previsto o processo construtivo da asa foi melhorado, conta.

Os  requisitos da FAB ainda incluíam a necessidade de  operar a partir de pistas difíceis, sem asfalto. “A capacidade de operar em qualquer lugar é importante.

Requisitos Operacionais elaborados pela  Força Aérea, a equipe do Brigadeiro Cima conversou com a EMBRAER sobre corno seria aquela futura aeronave. A ideia era que o ALX fosse baseado no Tucano, que na época já era utilizado armado com bombas, metralhadoras e foguetes, mas que fosse mais potente, levasse mais armamento e seus equipamentos eletrônicos fossem comparáveis aos caças supersônicos mais modernos.  Ao contrário da tradição dos aviões à hélice terem apenas alguns ''reloginhos" na cabine, o Super Tucano veio equipado com displays multifunção coloridos, óculos de visão noturna (NVG), computadores para cálculo automático de mira, equipamento de busca no espectro infravermelho e uma cabine projetada no conceito HOTAS (Hands on Throlle and Stick) e com HUD (Head Up Display). Essas duas últimas características permitem que o piloto possa cumprir sua missão inteira sem tirar as mãos do manche e da manete de potência e, ao mesmo tempo, conseguir enxergar as informações mais importante sem tirar os olhos dos alvos.

 "O avião saiu muito melhor que o inicialmente previsto'', diz o Brigadeiro Cima. 'Depois que nós assinamos o contrato de desenvolvimento, em 1995, o avião melhorou muito. Foi colocada uma aviônica mais moderna que prevíamos inicialmente, o processo construtivo da asa foi melhorado", conta.

Os requisitos da FAB ainda incluíam a necessidade de operar a partir de pistas difíceis, sem asfalto. "A capacidade de operar em qualquer lugar é importante. Se ele só operasse em pistas asfaltadas, qualquer um saberia que só pode utilizar poucas pistas na Amazônia. Operando de pistas não preparadas, aumenta muito esse número", explica o Brigadeiro. Este também foi um dos  requisitos da concorrência vencida pelo Super Tucano nos Estados Unidos. Nos voos de demonstração, armada com bombas, a aeronave mostrou a capacidade de pousar e decolar em pista de terra. A vitoria nessa concorrência foi comemorada pelo Brigadeiro Cinta. "É uma vitória de toda a Força Aérea, de todos", disse. Mas ele faz questão de homenagear o Tenente- Coronel  Luis Augusto Lancia, já falecido, que atuou como piloto de testes do então ALX. "Ele foi fundamental para o desenvolvimento da aeronave. Ele era extremamente criativo. Muito do que nos vimos hoje de sucesso veio da cabeça dele".

Parcerias: FAB e indústria nacional

O anúncio da compra da USAF ainda é pequeno:  20 Super Tucanos é bem menos que, por exemplo, as 99 unidades recebidas pela FAB. Mas além de haver a possibilidade de novos lotes, a venda para os americanos serve como atestado da qualidade do avião. "E a chancela de uma Força Aérea operacional como a USAF. Não está mais em dúvida se esse avião é bom ou não, se ele cumpre ou não a missão explica  o Brigadeiro Cima. O Presidente da EMBRAER Defesa e Segurança, Luiz Carlos Aguiar. disse que a empresa já está pronta para iniciar a construção das aeronaves. "Nosso compromisso é avançar com a estratégia de investimentos nos Estados Unidos e entregar o Super Tucano no prazo esperado e conforme o orçamento contratado",  afirmou.  Esta não é a primeira vez que uns avião é desenvolvido a partir de um requisito da FAB. Nascida na década de 60,a EMBRAER construiu  o Bandeirante. Nas anos 80 e 90, o treinador Tucano, utilizado pelos cadetes brasileiros na Academia da Força Aérea, pode ser visto voando com as cores de mais 10 países, como França, Egito, Argentina e Peru. A versão construída sob licença no Reino Unido também serve para o treinamento dos pilotos da Royal Ai, Force e também do Quênia e Kuwait.

 Nos anos 90, após um requisito da FAB, a EMBRAER transformou seu jato ERJ 145 em uma plataforma para missões de inteligência, reconhecimento e vigilância. As primeiras aeronaves,entraram em, serviço no Brasil, em 2002, mas agora também já podem ser vistas nas cores das Forças Aéreas do México, índia e Grécia, sendo que sete último pais utilizou o modelo em missões reais durante a ofensiva da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Líbia em 2011.

O próximo desafio é o KC-390, o maior avião ja projetado no Brasil. Após um contrato de desenvolvimento assinado entre FAB e EMBRAER em 2009, o projeto já ganhou parcerias de Portugal, República Tcheca, Chile e Argentina, todos já dispostos a adquirir unidades. Em 20I2, a BOEING, dos Estados Unidos, também assinou convênio com a EMBRAER para ajudar na comercialização do jato de transporte. O primeiro voo do KC-390 está previsto para 2014 e as primeiras entregas devem acontecer em 2016.

 

SUPER TUCANO EM AÇÃO

Ataque de precisão

 
A cena parece um jogo de vídeo game: uma lista negra aparece em destaque e, de repente, enormes manchas aparecem na tela. Feitas a partir de um sistema de visualização por infra--vermelho, chamados pela sigla FLIR (do inglês Forward Looking Infrared),  as imagens mostram a operação real de bombardeio de urna pista clandestina na região amazônica. O ataque aconteceu em agosto de 2011 e foi realizado às três horas da manhã por quatro A-29 Super Tucano da Força Aérea Brasileira. Cada A-29 lançou duas bombas de 230 Kg. o suficiente para impedir que a pista de 1.400 metros de comprimento voltasse a ser utilizada para atividades ilícitas na região de fronteira. Além dos sistemas de navegação precisos o suficiente para sobrevoar a Amazônia em plena madrugada, onde praticamente não há referências visuais, os pilotos da FAB puderam utilizar na missão tecnologias como óculos de visão noturna (Night Vision Googles- NVG) e computadores,  que calculam automaticamente a hora certa de atirar para acertar° alvo.

 


De acordo com Tenente-Coronel Ricardo Assis, Comandante do Esquadrão Escorpião (1º/3º GAV), de Boa Vista (RR), o SuperTucano pode cumprir muitas das missões que poderiam ser realizadas por caças a jato, porém de forma mais econômica. "As características de precisão. Baixo x custo de manutenção e de operação fazem desta,  uma das aeronaves com o melhor custo-benefício de sua classe no mundo", diz.

Defesa continental

Fronteira tio Brasil com a Bolívia, quase horário do por do sul. Um avião monomotor entra ilegalmente no espaço aéreo brasileiro voando a apenas 5oo metros de altitude. Para surpresa do piloto irregular, dois A-29 aparecem e ordenam que o piloto entre em contato, mude sua rota e pouse em Cacoal (R0), onde seria interrogado pelas autoridades policiais. O estrangeiro se recusa a cumprir as ordens e reduz a sua altitude para 100 metros. A tensão aumenta. Após autorização vinda de Brasília (DF), o piloto de caça brasileiro faz um tiro de aviso com suas metralhadoras. Desesperado,  o infrator musa sua aeronave em uma estrada de terra na zona rural de Alta Floresta d'Oeste (RO). Os Super Tucano, então, sobrevoaram a área até a chegada da Policia. Dentro da aeronave boliviana foram encontradas 176kg de pasta base de cocaína, o que  poderia render mais de 800kg da droga. Dois dias depois, o traficante foi preso.

Esta missão real aconteceu no dia 03 de junho de 2009, e não foi a única do tipo.  A partir de 1994, os aviões Tucano foram baseados próximos à fronteira para se contrapor à ameaça das aeronaves de pequeno porte que tentam invadir o espaço aéreo brasileiro. A partir dc 2005, os Super Tucano chegaram nessas Bases na fronteira.

 De acordo com o comandante do Escorpião, para interceptar aeronaves de pequeno porte, mais lentas, o Super Tucano é melhor que caças supersônicos. "Aeronaves como o F-5 e Mirage quando têm que acompanhar as manobras feitas por aeronaves que voam em baixas velocidades são como peixes fora d'água", explica.

[SGM] Os Soldados que estupraram a França

Guy Walters

 


O soldado simpático americano era o décimo cliente de Elizabeth aquela tarde. Trabalhando em seu negócio na cobertura de um prédio velho em Paris, ela sentia que tinha visto de tudo.

Nos últimos quatro anos, os homens haviam sido os alemães, e agora, desde que a cidade foi libertada em agosto de 1944, eram os americanos. Fazia pouca diferença.

Elizabeth mostrou três dedos de sua mão para indicar o preço de seu corpo – trezentos francos.

“Muito,” disse o soldado.

Elizabeth suspirou. Ela já tinha visto isso antes. Cansada, ela manteve os três dedos erguidos, quase como um insulto.

Não houve negociação – trezentos era tão pouco quanto parecia.

“Duzentos,” o soldado insistiu.

“Não,” disse Elizabeth. “Trezentos ou nada.”

O soldado se aproximou dela com ódio em seus olhos. Elizabeth deu um passo atrás, começando a sentir medo.

“Neste caso,” disse o soldado, “é nada.”

O soldado então colocou suas mãos pesadas no pescoço de Elizabeth e começou a apertar. Ela lutou o tanto quanto pode, se debatendo, mas foi em vão.

Após um minuto, ela apagou, seu corpo sem vida caindo sobre os lençóis molhados. O soldado então calmamente retirou suas roupas e fez sexo com ela. De graça.

Em seguida, ele vasculhou as coisas de Elizabeth e roubou seu dinheiro e joias. Então, ele saiu do prédio, encontrou outra prostituta e a levou para jantar e cinema.

Para o GI, foi uma noite proveitosa. Paris era aquilo o que eles costumavam dizer.

Mesmo para os padrões de guerra, isto foi particularmente um episódio repugnante. Mas enquanto os assassinos bárbaros eram extremamente raros, um novo livro revela que a violação de mulheres pelos soldados americanos, que foram enviados à Europa para libertar e ajudar, foi mais comum do que é pensado comumente.

É claro, é um horrível fato da guerra que soldados estuprem mulheres das terras que eles conquistam.

Muitos soldados – mas não certamente todos – veem as mulheres como espólio justo, algo que eles merecem após terem lutado contra seus maridos, pais e filhos.

O estupro é também um modo pelo qual uma nação diz que detém o domínio sobre outra.

Podemos ter suas mulheres, o estupro diz, e não há nada que você possa fazer já que estamos no comando.

Muitos milhares de mulheres e meninas alemãs, por exemplo, foram estupradas por soldados russos na batalha de Berlim no final da Segunda Guerra Mundial.

Até hoje, nós nas nações dos antigos Aliados Ocidentais tendíamos a lembrar do estupro como algo realizado por outros países.

Através de filmes como “O resgate do soldado Ryan” e “O mais longo dos dias”, somos condicionados a pensar nos soldados aliados como incapazes de realizar tais atos.

Entretanto, um novo livro explosivo publicado por uma pesquisadora americana derruba sensacionalmente este mito.

Em “O que os soldados fazem”, a professora Mary Louise Roberts, da Universidade de Wisconsin argumenta que os GIs americanos cometeram estupros milhares de vezes durante a guerra. E, surpreendentemente, muitas de suas vítimas eram francesas.

Como a professora Roberts diz: “meu livro procura acabar com o mito sobre os GIs, pensados principalmente como soldados-cidadãos que comportavam-se bem. Os GIs faziam sexo em todos os lugares.”

No total, é estimado que 14.000 mulheres tenham sido estupradas por GIs na Europa Ocidental de 1942 a 1945. Na França, 152 soldados americanos foram julgados por estupro, dos quais 29 foram enforcados.

Mas as estatísticas não revelam a estória completa. Houve indubitavelmente milhares de estupros na França, muitos dos quais não foram registrados pelas vítimas, que temiam o estigma injusto que o estupro carregava naqueles dias.

Mas por que os americanos estupraram seus aliados? Para o GI médio, a França era muito mais uma “aventura erótica” que uma expedição militar, e que a guerra era, em parte, “vendida” aos recrutas como uma oportunidade de encontrar mulheres francesas atraentes.

Muitos dos pais dos soldados estiveram na França durante a Primeira Guerra Mundial, e voltaram com contos exagerados da suposta perdição das mulheres francesas.

Seus filhos, agora lutando na mesma terra, lembravam da França como essencialmente um gigantesco puteiro, com milhares de garotas francesas ninfomaníacas loucas para serem pegas pelos GIs.

Como a professora Roberts observa corretamente, o GI médio “não tinha nenhuma ligação emocional com o povo francês ou com a causa de sua libertação.”

As revistas visavam as tropas, como o The Star and Stripes, mostrando fotos de mulheres alegres saudando durante paradas de libertação, acompanhadas de títulos como “É por isso que estamos lutando.”

A revista chegou mesmo a publicar frases francesas “úteis”, como as traduções para “Eu não sou casado” e “Você tem olhos encantadores”.

Era quase como se a revista estivesse dizendo aos GIs: cheguem e vão direto, rapazes.

E foi exatamente isso o que eles fizeram. Ao longo do verão de 1944, do momento em que eles afastaram os alemães durante o desembarque do Dia-D em junho, os americanos libertaram pelo norte da França, nas palavras da professora Roberts, um “tsunami de luxúria masculina.”

“As mulheres da Normandia lançaram uma onda de acusações de estupro contra os soldados americanos,” escreve Roberts, “ameaçando destruir a fantasia erótica no coração da operação. O espectro do estupro transformou o GI do guerreiro libertador em um intruso violento.”

Particularmente mal afetado foi o porto de Le Havre. Um cidadão escreveu ao prefeito da cidade, Pierre Voisin, reclamando dos “crimes de todos os tipos, cometidos dia e noite.”

O autor diz que os Gis “atacavam, roubavam... tanto nas ruas quanto em nossas casas” e era essencialmente “um regime de terror, imposto por bandidos em uniformes.”

Mas o maior problema era o sexo. Os GIs estavam copulando com toda mulher francesa que eles conseguissem em suas mãos, desejosa ou não, e o pior de tudo, eles o estavam fazendo em público.

“Estas coisas estão acontecendo à luz do dia em frente de nossas crianças ou outras pessoas que estejam próximas,” disse um civil.

Muitos bordéis improvisados foram estabelecidos pelas mulheres francesas desesperadas por dinheiro. Em uma das casas, os soldados faziam fila nas escadas.

“Eles urinam nas paredes e nas salas,” uma testemunha notou com repugnância, “e eles atacam qualquer mulher que esteja vivendo lá.”

O que tornou as coisas piores para os franceses era que os americanos eram os mesmos soldados que haviam devastado suas cidades com bombardeio aéreo e de artilharia.

Muitos franceses sentiam – com muita justificativa – que suas cidades foram destruídas inutilmente numa demonstração de masculinidade do poder de fogo americano.

Cerca de 20.000 civis foram mortos na Batalha da Normandia, e em Le Havre somente, 3.000 pessoas morreram.

Funcionários revoltados afirmaram que enquanto milhares de franceses mortos foram enterrados em entulhos, não mais do dez corpos alemães foram encontrados.

Com os estupros e o bombardeio, foi portanto compreensível que alguns franceses pensaram se eles realmente foram “libertados”.

Os americanos, lembrou um membro da Resistência, “marcaram sua reputação comportando-se como se eles tivessem conquistado o país.” Alguns mesmo lembravam esta “segunda ocupação” como sendo pior do que a primeira.

“A França para os americanos – assim como para os alemães – é Paris e mulheres,” observou outro francês, notando que havia pouca diferença entre o GI médio e o soldado alemão médio (n. do. T: chamado de Boche).

As mulheres francesas que trabalhavam como prostitutas chegavam mesmo a lembrar de seus clientes alemães com carinho. Os GIs, parecia, queriam mais do que apenas sexo.

“Você tinha que manter o olho em sua bolsa com aqueles bastardos,” lembrou uma mulher. “É triste dizer isso, mas senti saudades dos Fritzes, que eram mais cavalheiros com as mulheres. Eu não fui a única a dizer isso; todas as mulheres pensavam da mesma maneira que eu, somente que não costumávamos dizê-lo.”

Algumas prostitutas foram mesmo assassinadas por GIs. Além de Elisabeth em paris, uma outra foi esfaqueada 29 vezes no abdômen, enquanto que uma mulher chamada Marie foi morta por se recusar ser sodomizada.

Boatos apareceram contando estórias horríveis, incluindo a de uma garota que foi retalhada até a morte e então estuprada.

Aos olhos de muitos GIs, as mulheres francesas eram um pouco mais do que cigarros – algo que você consegue em suas rações e pode compartilhar entre os colegas. Não é de surpreender que as doenças venéreas eram comuns, mas os líderes americanos estavam mais preocupados com a saúde de “nossos garotos” e com a possibilidade deles infectarem suas amadas no lar, ao invés da saúde das mulheres francesas.

As clínicas ficaram lotadas de mulheres sofrendo de doenças venéreas, e muitas foram enviadas a hospitais que sequer possuíam leitos para elas.

“Uma população sem-teto e rejeitada de mulheres infectadas ficou vagando de uma cidade para outra,” escreve a professora Roberts, “estas prostitutas representavam o legado da ocupação americana da Normandia.”

Mas o pior legado foi, sem dúvida, o estupro. O mais chocante é que as autoridades americanas fizeram pouco sobre isso.

Apesar de panfletos educacionais intitulados “Vamos ficar de olho nos Estupros” fossem distribuídos, eles não fizeram nada para diminuir o assalto sexual dos GIs contra aqueles que supostamente estavam sendo libertados da opressão.

Entretanto, alguma justiça era necessária, mas mesmo o processo foi profundamente desvirtuado. Dos meros 152 homens que foram julgados por estupro, 139 dos réus eram negros.

Parecia que o exército Americano estava ansioso em tratar os soldados negros como bodes expiatórios e rotulá-los como sendo “hipersexuais” e portanto, mais parecidos como estupradores.

Cortes marciais eram frequentemente um pouco mais do que tribunais cangurus, com homens enviados à forca com fracas evidências, e julgados por oficiais com pouco ou nenhum treinamento jurídico.

As vítimas francesas eram solicitadas a identificar seus violadores a partir de batalhões inteiros de soldados negros, apesar de frequentemente os estupros terem sido levados a cabo em salas que eram pouco iluminadas.

Além disso, outra verdade intragável é que muitas mulheres francesas eram tão racistas quanto os oficiais americanos.

Medos de algum tipo de “terror negro” foi liberado entre as mulheres na Normandia amplamente, e era muito fácil relacionar um crime a um soldado negro ao invés de um branco.

Ademais, algumas mulheres francesas reclamaram terem sido estupradas ao invés de admitir que elas queriam fornicar, e algumas prostitutas ameaçariam uma acusação de estupro no sentido de extorquir mais dinheiro de um GI.

A liberação de seu país foi, portanto, um assunto agridoce para os franceses.

Os crimes perpetrados pelos americanos contra as mulheres também afetou profundamente os homens franceses, que se sentiram diminuídos pelos americanos.

Eles eram maiores, mais fortes, ricos e saudáveis e não haviam passado anos sendo subjugados e forçados a servir sob o jugo alemão.

Apesar disso, gostamos de pensar nos homens que libertaram a Europa como membros da “grande geração” e que os Aliados lutaram uma “boa guerra”, como a professora Roberts mostra, mas a estória real é muito mais complicada e perturbadora.

Mesmo hoje, há mulheres idosas do outro lado do Canal que fecham seus olhos quando elas ouvem a palavra “libertação”.     

[SGM] Soldados Americanos eram estupradores vorazes

Daily Mail, 29/05/13

 
Trocando mantimentos por beijos e ensinando as garotas a dançar jazz, os soldados americanos (GIs) significavam um luz bem vinda na Europa destruída pela guerra.

Mas um novo livro revela o lado negro da liberação da Europa após a Segunda Guerra Mundial.

A professora Mary Louise Roberts, da Universidade de Wisconsin, escreve que meses após o Dia-D, as mulheres francesas temiam seus “libertadores” americanos.

Ela conta como, pelo verão de 1944, grande número de mulheres na Normandia denunciou estupros por soldados americanos.

E sua chegada significou uma onda de crimes por toda a França, com os soldados americanos cometendo roubos e assaltos.

A professora Roberts diz: “meu livro procura acabar com o mito sobre os GIs, pensados principalmente como soldados-cidadãos que comportavam-se bem. Os GIs faziam sexo em todos os lugares.”

Nas cidades de Le Havre e Cherbourg, o mau comportamento era comum.

Mulheres, incluindo aquelas casadas, eram abertamente solicitadas a fazer sexo. Parques, prédios em ruínas, cemitérios e trilhos ferroviários eram os locais de fornicação.

As pessoas não podiam sair para uma caminhada sem ver alguém fornicando.

Mas o sexo nem sempre consensual, com centenas de casos de estupros sendo relatados.

Os habitantes de Le Havre ficaram chocados com o comportamento dos soldados e escreveram cartas para protestar junto ao prefeito.

Uma reclamação, de outubro de 1945, diz: “Fomos atacados, roubados, perseguidos tanto nas ruas quanto em nossas casas.”

“Este é um regime de terror, imposto por bandidos em uniformes.”

O prefeito de Le Havre, Pierre Voisin, reclamou ao Coronel Thomas Weed – o comandante das tropas americanas na região.

“Cenas contrárias à decência estão acontecendo nesta cidade dia e noite,” escreveu Voisin, acrescentando que “não era somente escandaloso, mas intolerável” que “olhos jovens fossem expostos a tais espetáculos públicos.”

O prefeito sugeriu que os americanos organizassem um bordel fora da cidade para evitar o ultraje público e contivessem a transmissão de doenças sexuais. Entretanto, apesar dos oficiais americanos denunciarem publicamente o comportamento, eles fizeram pouco para impedir isso.

O livro também afirma que o exército americano “demonstrou um racismo profundo e permanente,” sugerindo que eles determinaram um número desproporcional de estupros com os GIs negros.

Os documentos mostram que dos 152 soldados que sofreram medidas disciplinares no exército por estupro, 130 eram negros.

A professora Roberts diz: “a propaganda americana não vendeu aos soldados a guerra como luta pela liberdade, mas como uma aventura sexual.”

Ela afirma que o “The Star and Stripes”, o jornal oficial das forças armadas americanas, ensinava aos soldados frases alemãs como “waffen niederlegen”, significando “abaixe seus braços”.

Entretanto, as frases francesas recomendadas aos soldados incluíam “você tem olhos charmosos”, “não sou casado” e “seus pais estão em casa?” A revista americana Life chegou mesmo a fantasiar que a França era “um tremendo bordel”, habitada por “40.000.000 de hedonistas, que gastavam seu tempo comendo, bebendo e fornicando.”

Um dono de um café em Le Havre disse na época: “Esperamos amigos que não nos faria sentir envergonhados de nossa derrota. Ao invés disso, tivemos apenas incompreensão, arrogância, péssimas maneiras incríveis e gabolice dos conquistadores.”

[SGM] Um soldado alemão em uma Vila Russa

Asmus Remmer era um fotógrafo alemão que se especializou em fotografia de retrato, gênero e paisagem. Ele tinha seu próprio estúdio fotográfico e laboratório. No período de 1940 a 1945, ele pertenceu à infantaria da Wehrmacht. Em maio de 1945, ele foi feito prisioneiro em um campo americano de prisioneiros de guerra, mas foi libertado no outono do mesmo ano.

Asmus escreveu que ele foi deixado na estação ferroviária em Pavlinovo, região de Kaluga na Rússia. Ao amanhecer, ele pôde avistar a primeira vila russa. As casas estavam cobertas de neve. Uma mulher russa ao lado de um poço e fumaça rosa saindo das chaminés – ele sentiu como se estivesse lendo a Bíblia e então exclamou: “É esse o lugar onde estamos lutando?” Ele sentiu-se mal na hora e outros soldados o levaram até uma casa próxima.

Quando acordou, ele viu uma garota russa ajoelhada em frente a ele e dando-lhe chá com leite quente e mel. Ele lhe disse: “Eu poderia matar o teu marido, mas você ainda se preocupa comigo.”

Logo, ele viu mais vilas russas e compreendeu que os alemães precisavam fazer a paz com os russos o mais rápido possível. Pode ser visto nestas fotos que os russos não se importavam aos uniformes militares alemães e eram muito amigáveis. Os alemães percorreram mais de mil quilômetros dentro do império russo e ele continuou pensando todo o tempo em que condições este país  estaria quando eles fossem embora.

Todas as fotos foram feitas na região de Kaluga em 1942-43.

As fotos de Asmus Remmer foram exibidas em Moscou e Nizhny Novgorod em 2003.  

 
http://englishrussia.com/2013/01/24/nazi-soldier-in-the-russian-village/

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

sábado, 8 de junho de 2013

Saímos do Iraque, mas os iraquianos não têm essa opção

John Pilger

The Guardian, 26/05/13

 
A areia percorre as longas estradas, as quais são os dedos do deserto. Ela entra em seus olhos e nariz e garganta; ela invade os mercados e os parquinhos das escolas, cobrindo as crianças que jogam futebol; e ela carrega, segundo o Dr. Jawad Al-Ali, “as sementes de nossa morte.” Especialista internacional respeitado em câncer no hospital universitário Sadr em Basra, o Dr. Ali me disse que em 1999, e hoje seu alerta é irrefutável. “Antes da Guerra do Golfo,” ele disse, “tínhamos dois ou três pacientes com câncer por mês. Agora, temos 30 a 35 morrendo todo mês. Nossos estudos indicam que 40 a 48% da população nesta área contrairão câncer: no tempo de cinco anos e, em seguida, muito tempo depois. É quase metade da população. A maioria de minha própria família está com ele, e não temos histórico familiar da doença. É como Chernobyl aqui; os efeitos genéticos são novos para nós; os cogumelos crescem enormes; mesmo as uvas em meu jardim sofreram mutação e não podem ser consumidas.”

Junto no corredor, a Dra. Ginan Ghalib Hassen, uma pediatra, manteve um álbum das crianças que ela estava tentando salvar. Muitas tinham neuroblastoma (n. do t.: tumor congênito que ataca recém-nascidos). “Antes da guerra, vimos apenas um caso deste tumor incomum em dois anos,” ela disse. “Agora, temos muitos casos, a maioria sem histórico familiar. Estudei o que aconteceu em Hiroshima. O aumento repentino de tais más formações congênitas é o mesmo.”

Entre os médicos que entrevistei, havia pouca dúvida de que os projéteis de urânio empobrecido usado pelos americanos e britânicos na Guerra do Golfo foram a causa. Um médico das forças armadas americanas designado para limpar o campo de batalho da guerra do Golfo ao longo da fronteira do Kuwait disse: “cada projétil disparado por uma aeronave de ataque A-10 Warthog carregava cerca de 4,5 kg de urânio sólido. Cerca de 300 toneladas de urânio empobrecido foram usadas. Isto é uma forma de guerra nuclear.”

Apesar da ligação com o câncer é sempre difícil de provar de forma absoluta, os médicos iraquianos argumentam que “a epidemia fala por si só.” O oncologista britânico Karol Sikora, chefe do programa de câncer da Organização Mundial da Saúde nos anos 1990, escreveu no Jornal Médico britânico: “Equipamento de radioterapia solicitado, drogas quimioterápicas e analgésicos são constantemente bloqueados pelos consultores americanos e britânicos (ao comitê de sansões iraquianas).” Ele me disse, “nós fomos avisados especificamente (pela OMS) a não falar sobre o que estava acontecendo no Iraque. A OMS não é uma organização que gosta de se envolver em política.”

Recentemente, Hans von Sponeck, antigo secretário geral da Nações Unidas e funcionário sênior da ONU Humanitária no Iraque, escreveu-me: “O governo americano conseguiu prevenir que a OMS investigasse as áreas no sul do Iraque, onde o urânio empobrecido foi usado e causou problemas sérios de saúde e ambientais.” Um relatório da OMS, o resultado de um estudo de referência conduzido pelo ministério da saúde iraquiano, foi “postergado”. Cobrindo 10.800 lares, ele contém “evidência avassaladora”, diz um funcionário do ministério e, de acordo com um de seus pesquisadores, permanece “ultra secreto”. O relatório diz que os defeitos de nascimento cresceram ao ponto de uma “crise” dentro da sociedade iraquiana onde o urânio empobrecido e outros metais pesados tóxicos foram usados pelos EUA e Grã-Bretanha. Quatorze anos após fazer o alerta, o Dr. Jawad Al-Ali avalia cânceres múltiplos em famílias inteiras.

O Iraque já não é mais notícia. Semana passada, a morte de 57 iraquianos em apenas um dia não foi nem comparado ao assassinato de um soldado britânico em Londres. Mesmo assim, as duas atrocidades estão conectadas. Seu simbolismo poderia ser um pródigo novo filme para “O Grande Gatsby” de F. Scott Fitzgerald. Os dois personagens principais, como escreveu Fitzgerald, “destruíram as coisas e as pessoas e voltaram-se para seu dinheiro e sua vasta irresponsabilidade... e deixaram que outras pessoas arrumassem a bagunça.”

A “bagunça” deixada por George Bush e Tony Blair no Iraque é uma guerra sectária, as bombas de 7/7 (n. do t.: os atentados em Londres de 07/07/2005) e agora um homem carregando uma faca ensanguentada em Woolwich. Bush voltou-se para o seu “museu e biblioteca presidencial” Mickey Mouse e Tony Blair em suas palestras ao redor do mundo e dinheiro.

Sua “bagunça” é um crime de proporções épicas, escreveu Von Sponeck, referindo-se à estimativa do Ministério de Assuntos Sociais do Iraque de 4,5 milhões de crianças que perderam um ou ambos os pais. “Isto significa que cerca de 14% da população iraquiana está órfã,” ele escreveu. “Cerca de um milhão de famílias são comandadas por mulheres, a maioria das quais são viúvas.” A violência doméstica e pedofilia são assuntos urgentes na Grã-Bretanha; no Iraque, a catástrofe iniciada pela Grã-Bretanha trouxe violência e abuso a milhões de lares.

Em seu livro “Despachos do Lado Negro”, Gareth Peirce, a grande advogada dos direitos humanos na Grã-Bretanha, aplica a força da lei contra Blair, seu propagandista Alastair Campbell e seu Gabinete conivente. Para Blair, ela escreveu, “seres humanos que supostamente mantenham suas visões (islâmicas) devem ser mutiladas por qualquer meio possível, e permanentemente... na linguagem de Blair, um ‘vírus’ a ser ‘eliminado’ e exigindo ‘uma miríade de intervenções (sic) profundamente nos assuntos de outras nações.” E mesmo assim, diz Peirce, “a troca de e-mails, comunicados intergovernamentais, não revelam dissidência.” Para o secretário do exterior Jack Straw, enviar cidadãos britânicos inocentes a Guantanamo era “o melhor meio de cumprir nosso objetivo contra-terrorista.”

Estes crimes, sua iniquidade em pé de igualdade com Woolwich, aguarda um processo judicial. Mas quem entrará com ele? No teatro kabuki (n. do t.: teatro japonês com os atores muito maquiados) da política de Westminster, a violência distante de “nossos valores” não tem interesse. O resto de nós virou as costas?           

http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2013/may/26/iraqis-cant-turn-backs-on-deadly-legacy

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http://epaubel.blogspot.com.br/2012/06/por-que-os-eua-invadiram-o-iraque.html

sexta-feira, 7 de junho de 2013

O discurso que Nixon nunca leu

Estadão, 07 de junho de 2013

Em 20 de julho de 1969, os astronautas americanos Neil Armstrong e Buzz Aldrin se tornavam os primeiros homens a pisar na Lua. Armstrong era comandante na missão Apolo 11 e foi ouvido e visto por 500 milhões de pessoas dizendo a frase, que se tornou famosa, “um pequeno passo para um homem, mas um grande salto para a humanidade”.

A saída do módulo e a caminhada pela superfície lunar foram transmitidas ao vivo por TV e rádio. E, ao retornar da Lua, Armstrong anunciou que não pretendia voltar ao espaço. A caminhada lunar foi o grande trunfo dos americanos na corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética durante a Guerra Fria.

Mas, sabendo que o desfecho podia ser outro e os dois astronautas poderiam não voltar, em 18 de julho de 1969, William Safire, o jornalista que escrevia os discursos do presidente Richard Nixon, deixou pronto um comunicado para o caso de a missão Apolo XI falhar. O memorando deveria ser entregue ao secretário de Estado Harry Robbins Haldeman e lido por Nixon.

O documento está divulgado na página do Arquivo Nacional dos EUA e começa dizendo que o “destino determinou que os homens que foram para a Lua para explorar em paz, permaneçam na Lua para descansar em paz”. Usando palavras como “esperança” e “descoberta”, o discurso deveria enaltecer as pesquisas de Armstrong e Aldrin e incentivar a continuidade pela corrida espacial.

“Antigamente, homens olhavam para as estrelas e viam seus heróis nas constelações. Atualmente, fazemos o mesmo, mas nossos heróis são épicos homens de carne e sangue”, descreve o documento.

Além do discurso que Nixon deveria ler, o memorando deixava a instrução de que o pronunciamento deveria ser seguido de uma oração. Como está descrito no site do Arquivo Nacional, o documento “felizmente, nunca precisou ser utilizado.”


 


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Quem são os criminosos de guerra na Síria?

Patrick J. Buchanan


Na última semana, muitas pesquisas de opinião foram publicadas revelando a opinião do público americano sobre uma possível intervenção na Síria.

De acordo com a pesquisa do Huffington Post, os americanos se opõem a bombardeios aéreos na Síria por 3 a 1. Eles se opõem a enviar armas aos rebeldes por 4 a 1. Eles se opõem a colocar tropas americanas terrestres na Síria por 14 a 1. Democratas, republicanos e independentes são todos contra o envolvimento naquela guerra civil que já produziu 1,2 milhões de refugiados e 70.000 mortos.

Uma pesquisa da CBS/New York Times encontrou que por 62 a 24 os americanos querem ficar de fora da guerra síria. Uma pesquisa da Reuters/Ipsos descobriu que 61 contra 10 americanos se opõem a qualquer intervenção americana.

Mas os números sofrem uma guinada quando o público é perguntado se faria diferença se o regime sírio usasse gás venenoso. Neste caso, a oposição à intervenção americana cai para 44 a 27 na Reuters/Ipsos.

Mesmo assim, no domingo os programas de entrevista estavam lotados dos falcões. Ter um senador que defende o armamento dos rebeldes e bombardeios aéreos americanos dá mais ibope que um senador que quer ficar de fora da guerra.

Na mesma pesquisa da CBS, porém, os 10% de todos os americanos que afirmam acompanhar a situação síria de perto, estavam igualmente divididos, 47 a 48, se deveria haver a intervenção.

O retrato da América que surge é a de uma nação não totalmente interessada no que está acontecendo na Síria, mas que em sua maioria quer ficar de fora da guerra.

Mas é também uma nação cuja elite da política externa é de longe mais intervencionista e muito mais apoiadora de enviar armas aos rebeldes e usar o poder aéreo americano. Destas pesquisas, não é difícil concluir que as elites de Beltway (n. do t.: o mundo social de Washington) que moldam a política externa dos EUA não representam mais o destino manifesto da América média.

A América não se tornou isolacionista, mas sim anti-intervencionista. Este país não quer que seus soldados sejam mais enviados em aventuras irresponsáveis como o Iraque e Afeganistão, e não vê qualquer interesse nacional vital naqueles que miram a Síria.

Mas quem está falando por esta grande maioria silenciosa? Quem no Senado americano está presente na TV opondo-se aos intervencionistas?

Quem no partido Republicano está combatendo os McCainmaníacos?

Outra estória que saiu este final de semana, sufocada pelas notícias dos ataques israelenses às instalações militares e depósitos de mísseis sírios, pode esfriar o ânimo da elite – e matar qualquer desejo público de intervir.

“Os rebeldes sírios podem ter usado gás sarin,” publicou a manchete da segunda-feira do New York Times. Citando Genebra, a estória começa:

“Os investigadores dos direitos humanos das Nações Unidas reuniram testemunhos das baixas da guerra civil síria e enfermeiros indicando que as forças rebeldes usaram o agente neurológico sarin, disse um dos principais investigadores no domingo.”

A comissão das Nações Unidas não encontrou evidência de que o exército sírio tenha usado armas químicas. Mas Carla Del Ponte, uma ex-promotora suíça e membro da comissão, disse:

“Nossos investigadores estiveram nos países vizinhos entrevistando as vítimas, médicos e hospitais provisórios, e de acordo com seus relatos da última semana, que eu vi, há fortes e concretas suspeitas, mas não ainda prova irrefutável do uso do gás sarin, a partir do estado em que as vítimas se encontram.”

“Isto foi usado por parte da oposição, os rebeldes.”

Ou seja, os criminosos de guerra podem ser as pessoas em cuja defesa supostamente devemos intervir. E se foram os rebeldes que usaram o gás sarin, e não as forças do presidente Bashar Assad, mais do que umas poucas perguntas precisam ser respondidas.

Apenas duas semanas atrás, a Casa Branca informou ao Congresso:

“Nossa comunidade de inteligência afirmou, com graus variados de confiança, que o regime sírio usou armas químicas em pequena escala na Síria, especificamente, o agente químico  sarin.”

Um clamor geral então exigiu que Obama fizesse bom uso de sua ameaça de que o uso de gás venenoso pelo regime sírio cruzaria a “linha vermelha” e seria uma “aposta”, exigindo “enormes consequências”.

Se os militares sírios não usaram o sarin, mas sim os rebeldes, quem na comunidade de inteligência dos EUA blefou? De quem as agências americanas obtiveram sua evidência de que o sarin foi usado por Damasco? Quase fomos arrastados para outra guerra desnecessária pelas últimas mentiras de alguém sobre armas de destruição em massa?

Quando as alegações do uso de sarin pelo governo sírio foram levantadas, muitos no Congresso, especialmente no Partido Republicano, denunciaram Obama por fraqueza em sustentar sua ameaça da “linha vermelha”.

Parece agora que Obama pode nos ter salvo de outro desastre estratégico ao não prosseguir com a ação militar. E a questão deveria ser colocada aos falcões da guerra:

Se o uso de sarin por Assad deveria exigir bombardeios aéreos americanos, o uso de sarin pelos rebeldes, se confirmado, faria com que este país lavasse suas mãos em relação àqueles criminosos de guerra?