terça-feira, 10 de setembro de 2013

Cientistas da Nasa tentam determinar se viagem mais rápida do que a luz é possível

Folha, 03/09/2013

 
Na sede do Centro Espacial Johnson, Harold White e outros engenheiros da Nasa vêm redesenhando diversos instrumentos --um laser, uma câmera e pequenos espelhos-- com o objetivo de usá-los para distorcer a trajetória de um fóton, alterando a distância que ele percorre em determinada área.

Tralhando em um laboratório imune a vibrações, construído especialmente para esse fim, a equipe está tentando determinar se uma viagem mais rápida do que a luz poderia ser possível. Dobra espacial. Como em "Star Trek".

"O espaço vem se expandindo desde o Big Bang, há 13,7 bilhões de anos", disse White, 43, físico e engenheiro de propulsão avançada que dirige o projeto de pesquisa. "Sabemos, ao examinar alguns modelos cosmológicos, que houve períodos iniciais do Universo em que ocorreu uma inflação explosiva, onde dois pontos teriam se afastado mutuamente a velocidades muito elevadas."

"A natureza é capaz de fazer isso. Então a pergunta é se podemos fazer o mesmo."

"Não excederás a velocidade da luz", postulou Einstein, o que basicamente significa impor um limite galáctico de velocidade.

Mas, em 1994, o cientista mexicano Miguel Alcubierre teorizou que velocidades superiores à da luz seriam possíveis sem contradizer Einstein.

A teoria de Alcubierre envolvia o aproveitamento da expansão e da contração do espaço. Sob essa hipótese, uma nave continuaria sem poder exceder a velocidade da luz numa região específica do espaço. Mas um sistema teórico de propulsão que ele esboçou manipulava o espaço-tempo ao gerar uma "bolha de dobra" que expandiria o espaço num lado da nave e o contrairia no lado oposto.

"Dessa forma, a nave espacial será empurrada pelo próprio espaço-tempo para longe da Terra e puxada na direção de uma estrela distante", escreveu ele.

Mas o estudo de Alcubierre era puramente teórico e sugeria obstáculos intransponíveis. Ele dependia, entre outras coisas, de enormes quantidades de um tipo de "matéria exótica" que violasse as leis típicas da física.

White acredita que os avanços obtidos por ele e por outros tornaram menos implausível o conceito de dobra espacial. Entre outras coisas, ele redesenhou a nave espacial teórica capaz de viajar nessas dobras --e em especial o anel ao seu redor, que é crucial para o sistema de propulsão-- de uma forma que ele acredita que reduziria grandemente as exigências energéticas.

Ele se apressa em apresentar ressalvas, dizendo que sua pesquisa está apenas tentando provar que uma microscópica bolha de dobra pode ser detectada em um laboratório. "Não estamos atrelando isso a uma nave espacial."

Teoricamente, uma dobra espacial poderia reduzir o tempo de viagens interestelares de dezenas de milhares de anos para semanas.

"Minha opinião pessoal é de que essa ideia ainda é maluca", disse Edwin Taylor, ex-editor da revista "The American Journal of Physics" e pesquisador sênior do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. "Confira comigo daqui a alguns séculos."

Mas o físico Richard Obousy, presidente da ONG Icarus Interstellar, composta por voluntários que colaboram no projeto de uma nave espacial, disse que não se trata de um simples devaneio. "Tendemos a superestimar o que podemos fazer em curtas escalas de tempo, mas acho que subestimamos enormemente o que podemos fazer em escalas temporais mais prolongadas", disse ele sobre o trabalho de White, que é seu amigo e colaborador da Icarus.

O astrofísico Neil deGrasse Tyson, do Museu Americano de História Natural, disse que a viabilidade das viagens interestelares dependeria de algum salto para além da nossa atual tecnologia.

"Na minha leitura", disse ele, "a ideia de uma dobra espacial que funcione continua sendo inconcebível, mas o importante é que as pessoas estão pensando a respeito -lembrando a todos nós que a ânsia por explorar continua correndo fundo na nossa espécie".


 
Propulsão Alcubierre

A Propulsão de Alcubierre (ou Dobra Espacial) é um modelo matemático teórico para uma forma de viagem espacial mais rápida que a luz, utilizada na série de ficção científica Jornada nas Estrelas.

Em 1994, o físico mexicano Miguel Alcubierre propôs um método de alongamento do espaço em uma onda que, em teoria, poderia fazer com que o tecido do espaço à frente de uma nave espacial se contraia, enquanto que o tecido que está atrás da nave se expanda. A nave se deslocaria surfando esta onda dentro de uma região conhecida como bolha de dobra, onde as características normais do tecido espaço-tempo se manteriam inalteradas. Uma vez que a nave não estaria se movendo dentro desta bolha, mas transportada junto com ela, os efeitos de dilatação do tempo previstos pela Teoria da Relatividade Especial não se aplicariam à nave, mesmo com a altíssima velocidade de deslocamento em relação ao espaço normal em volta da nave. Além disso, esse método de viagem não implica realmente em se deslocar mais rápido que a luz, uma vez que no interior da bolha, a luz continuaria a ser mais rápida que a nave.

Assim, a Propulsão Alcubierre não contradiz a alegação tradicional da relatividade que proíbe que um objeto com massa seja mais rápido que a luz. No entanto, não se conhecem métodos para criar uma bolha de dobra em uma região do espaço, ou de deixar a bolha, uma vez lá dentro, de modo a Propulsão Alcubierre continua a ser um conceito teórico.

A Medida Alcubierre define a chamada propulsão de dobra espacial. Esta é um tubo de Lorentzian que, se interpretada no contexto da relatividade geral, apresenta características parecidas com a dobra espacial de Jornada nas Estrelas: uma bolha de dobra aparece no anteriormente plano tecido do espaço-tempo e se move a velocidade superluminal de forma efetiva. Os habitantes da bolha não sentem efeitos inerciais. Os objetos dentro da bolha não viajam (localmente) mais rápida do que a luz, em vez disso, o espaço à sua volta se move para que os objetos cheguem ao seu destino mais rápido do a luz viajaria, caso a viagem se fizesse em espaço normal.

Para aqueles familiarizados com os efeitos da relatividade especial, tal como a dilatação do tempo, a métrica Alcubierre aparentemente tem alguns aspectos peculiares. Em particular, Alcubierre demonstrou que, mesmo quando a nave espacial está acelerando, ela viaja em queda livre. Em outras palavras, uma nave usando a dobra para acelerar e desacelerar estará sempre em queda livre, e a tripulação não teria nenhuma sensação de aceleração. Enormes forças gravitacionais estarão presentes junto à fronteira da bolha de dobra, devido à grande curvatura do espaço lá, mas de acordo com a especificação da medida, estas seriam muito pequenas dentro do volume ocupado pela nave.

A forma original da teoria de dobra, e as variações mais simples dela, foram escritas com o formalismo de Arnowitt, Deser e Misner, que é frequentemente utilizado em discutir a forma inicial da relatividade geral. Isto pode explicar o equívoco generalizado de que este espaço-tempo é uma solução da equação de campo relatividade geral. Métricas escritas dentro do formalismo ADM são adaptadas a uma determinada família de observadores inerciais, mas os observadores não são fisicamente distinguíveis das outras famílias. Alcubierre interpretou esta "bolha de dobra" em termos de contração do espaço à frente da bolha e expansão atrás. Mas essa interpretação pode ser ilusória, uma vez que a contração e expansão atualmente se referem ao movimento relativo próximo de observadores do tipo da família ADM.

Na relatividade geral, primeiramente se especifica uma distribuição de matéria e energia de forma plausível, e em seguida se verifica a geometria do espaço-tempo associado. Mas também é possível solucionar as equaçõs de campo de Einstein na outra direção: primeiro especificando uma medida e, em seguida, encontrando um tensor associado a ela. Foi isso que Alcubierre fez. Esta forma significa que a solução pode violar diversas condições de energia e requerer matéria exótica. A necessidade de matéria exótica leva à questão de se é realmente possível encontrar uma forma de ditribuir a matéria em um espaço-tempo inicial onde não exista uma "bolha de dobra", de forma a criar essa bolha posteriormente. Mas ainda existe outro problema, de acordo com Serguei Krasnikov, pode ser impossível criar a bolha sem que se force a matéria exótica a se mover mais rápido que a luz, o que implicaria na existência de táquions. Alguns métodos têm sido sugeridos para evitar o problema da movimento taquiônico, mas provavelmente iriam gerar uma singularidade nua na frente da bolha.


 
Dobra espacial

No universo ficcional de Star Trek, a dobra espacial (ou warp drive em inglês) é uma forma de propulsão mais rápida que a luz (FTL). Geralmente, ela é representada como sendo capaz de impulsionar uma espaçonave ou outros objetos a muitos múltiplos da velocidade da luz, ao mesmo tempo que evita os problemas associados a dilatação do tempo. Ela também é apresentada no jogo de computador Stars! e no filme Starship Troopers, bem como nos jogos de computador StarCraft e Eve Online. Não é capaz, via de regra, de criar uma viagem instantânea entre dois pontos a velocidade infinita, como tem sido sugerido em outras obras de ficção científica usando tecnologias teóricas tais como hiperdrive, salto hiperespacial e Motor de Improbabilidade Infinita. Ela é denominada FTL (Faster Than Light) nos romances Titan. Uma diferença entre a dobra espacial (ou warp drive) e o hiperespaço é que, diferentemente do hiperespaço, a nave não entra num universo ou dimensão diferente, ela cria uma pequena "bolha" de tempo-espaço normal ao seu redor. Naves em dobra podem interagir com objetos no espaço normal.

Para executar a dobra espacial, um propulsor de dobra criaria uma espécie de funil, estreito à sua frente e largo à suas costas, e logo depois dilataria sua frente, comprimindo suas costas, pelo qual passaria a espaçonave envolta em sua bolha de dobra. Para quem estivesse dentro dessa bolha, a nave estaria viajando a uma velocidade comum (inferior à da luz), mas para quem estivesse fora, ela deslocar-se-ia a uma velocidade milhares ou mesmo milhões de vezes maior do que a da luz.

Um exemplo seria um tubo de 1,0 metro de diâmetro que se afunila para 0,5 metro, o fluido que corre forçado pelo seu interior a, digamos, 100 unidades de força, passaria bem mais rápido pelo diâmetro menor. E se houver outros afunilamentos sucessivos até às medidas nanômicas, esse fluido (agora teria que ser um superfluido, como o Condensado de Bose-Einstein) estaria transitando a velocidades espantosas, principalmente se a força que o empurra fosse aumentada para 1.000.000.000 de unidades de força, e o diâmetro do tubo voltar a ser igual ou maior de 1 metro ao final.

Nesta hipótese, a nave se achataria e afunilaria até se transformar em um fio do diâmetro de alguns átomos, atingindo um comprimento de alguns anos luz, ou seja, todos os átomos da nave, inclusive os dos seus tripulantes, se ordenariam em fila indiana até o limite permitido de todas as suas ligações quânticas, se comportando como um superfluido, isso em alguns segundos, alcançando estrelas facilmente apenas pelo tamanho que se transformou o fio.

A possibilidade de comprimir átomos num pequeno espaço é o que se vê nos buracos negros.

No universo ficcional de Star Trek, o warp drive é o meio de propulsão usado para se atingir outras estrelas e planetas na nossa galáxia. Em tal universo, a velocidade da nave estelar é dada em "factores Warp", iniciando-se em Warp 1 até 9,99 (sendo que o máximo ficcional, Warp 10, exigiria energia infinita para ser atingido).

Em todo o enredo de TOS (The Original Serie - A Série Original), a velocidade de Warp é regida pela equação: v = c x Warp ^ (10/3), v é a velocidade da nave e c a Constante velocidade da luz e Warp é a velocidade de dobra desejada. Ou seja, quando o capitão Kirk ordena dobra 6, significa que a nave viajará a cerca de 392 vezes a velocidade da luz:
 
 
No episódio "The Changeling", de TOS, quando a USS Enterprise é invadida por uma sonda alienígena auto-consciente, esta faz alterações nos motores da nave, fazendo com que essa atinja warp 12 (3.956 C).
 
Para evitar velocidades absurdas, os produtores criaram um hipotético limite para a velocidade Warp, conhecido como "Barreira Warp 10".
 
Esse limite é explicado pelo fato que quanto mais se desdobra o continnum espaço-tempo, mais o espaço normal é dobrado (aproximando-se um ponto no espaço a outro), maior é o gasto de energia da nave, o que por si só é um limite para velocidade. Por outro lado, nesse limite hipotético, a nave estaria em todos os lugares do universo ao mesmo tempo, ocupando o espaço de toda a matéria existente no universo, o que tornaria impossível fisicamente essa velocidade (velocidade infinita).
 
Para manter a integridade da história e regulamentar essa velocidade limite, os produtores de Jornada, criaram o conceito hipotético de "transdobra", isto é, um jeito de vencer o limite da dobra 10 sem barrar-se no conceito de velocidade infinita. Ainda que implicitamente, uma nova equação de dobra foi criada: v / c = Warp ^ (10 / 3) + (10 - Warp) ^ (-11 / 3). Na próxima cronologia Trekker, o incidente provocado no epsódio citado, fez com que os cientistas da Federação percebessem que a equação de Warp estava incompleta. E, que a velocidade atingida pela USS Enterprise, Warp 12, na verdade seria Transdobra 2, porém, "apenas" Warp 9,87227 pela equação revista.
 
Nesse caso específico, houve um sério risco de destruição da nave, pois a USS Enterprise original não teria como suportar por muito tempo essa velocidade sem a destruição da nave.
As pesquisas para criar uma nave capaz de suportar tal velocidade de modo sustentável, terminaram com o desenvolvimento da nave USS Excelsior, que acabou se tornando um grande fracasso.
 
Nas séries seguintes (com exceção de Enterprise), essa nave capaz de se sustentar em transdobra ainda não foi completada. As naves do final do séc XXIV, são capazes apenas de suportar tal velocidade (acima de dobra 9.9, pela equação revista) apenas por alguns minutos. Por exemplo: A USS Voyager é capaz de atingir dobra 9,975 (transdobra 47) por apenas 15 minutos. Isso permite que ela cubra uma distância de cerca de 20 anos-luz, porém o gasto de energia seria tal, que ela teria que ser abastecida imediatamente.
Boa parte do enredo do século XXIV, tem como base o sonho da federação atingir a capacidade de chegar a outras galáxias ou mesmo conseguir atravessar a galáxia de forma rápida e segura.
 
 

domingo, 8 de setembro de 2013

[ARM] F/A-18 - Um “Vespão” de Ferrão Afiado e Olhos Bem Atentos

DefesaNet, 24 de Abril, 2012



Herdeiro da tradição de aeronaves de combate que reúnem em um mesmo conceito robustez e versatilidade, o Boeing F/A-18 E/F Super Hornet tem uma folha de serviço de veterano, mas, ostenta impecável forma de um jovem cadete. Essa “disposição ao front” dá-se graças a um competente programa de incorporação constante de atualizações, upgrades e novas tecnologias. Em 2006, o F/A-18 concluiu o programa de substituição do Grumman F-14 Tomcat, aeronave imortalizada no filme Top Gun – Ases Indomáveis, e responsável por despertar a vocação de toda uma geração de aviadores. A missão de substituir uma lenda não era das mais fáceis, porém, o êxito do projeto foi tal que, não só re-equipou a linha de frente de combate da Força Aeronaval Americana, como também, elevou sobremaneira a capacidade de multi-funções da aviação da US Navy e do Marine Corps.

Dois motores com custo inferior a um F-16

Da criação deste caça multirole, até os dias de hoje, a Boeing tem conduzido uma modernização tão completa e significativa que as aeronaves em operação na atualidade revelam um novo avião, se comparados aos primeiros a entrar em serviço¹, seja no aspecto de aerodinâmica e desempenho em voo, aviônicos, motorização, radar, sensores, links e integração de diferentes sistemas de armas, o que culminou em uma impressionante eficiência e disponibilidade, que resultaram em um custo operacional por hora voada cada vez mais reduzido.

No quesito manutenção e disponibilidade, os números estatísticos são de chamar a atenção. Com apenas 3 níveis de manutenção, o avião permanece em missões por mais tempo e, chegado o momento de cumprir os programas mais complexos de revisão ou reparos, retorna muito rapidamente à linha de voo. Para se ter uma idéia, uma troca completa de motor dura menos de 60 minutos com a utilização de apenas 4 tipos de ferramentas de uso padrão, e o reabastecimento e armamento para uma missão de escolta, por exemplo, não excede os 35 minutos, com o envolvimento de não mais que sete profissionais, entre manutenção e material bélico.

A versatilidade e robustez do “conjunto da obra” podem ser ilustradas com duas características curiosas: as distâncias mínimas para operações de pouso e decolagem, e a ausência de qualquer limitação do regime de potência. O caça da Boeing armado com 2 AIM-9 Sidewinder e 2 AIM-120 AMRAAM decola em apenas 440 metros e pousa em 780 metros (2)¹ . Praticamente em uma “pista de aeroclube”. Quanto ao uso dos motores, nenhuma restrição quanto a limitações de regime. Pode-se se ir direto do idle a full afterburner (ou seja, da “marcha lenta” à máxima potência de pós-combustão) sem medo de danos às turbinas, ou falha de resposta.

Quanto à discussão sobre as vantagens e desvantagens de um caça com um ou dois motores, principalmente levando-se em conta o custo operacional, e em uma realidade de restrições orçamentárias, é importante comentar sobre os números aos quais DefesaNet teve acesso. Eles revelaram a partir de relatórios oficiais que, nos dias de hoje, o custo de uma hora de voo de um Super Hornet, uma aeronave equipada com 2 motores F414-GE-400 que oferecem 44.000 lbs de empuxo, é mais barato que o de um F-16, caça monomotor da General Dynamics Lockheed Martin equipado com um turbofan F110-GE-129 no Block 50, ou o F100-PW-229 no Block 52, que disponibilizam 29.588 lbs e 29.160 lbs de empuxo, full afterburner respectivamente.
          
Um veterano em constante estado da arte

Do mais recente incremento de novas tecnologias, saído da linha de montagem em St. Louis, Missouri, nos Estados Unidos, a incorporação de pods de armamentos e tanques conformais que se estendem ao longo da fuselagem, incrementam a capacidade aerodinâmica e dão o toque Stealth – capacidade furtiva – ao Super Hornet, reduzindo ainda mais a já baixa RCS frontal – assinatura radar.

A evolução no cockpit, e que até já foi apresentada no Brasil, tem como ponto alto o LALCD – Large Area Liquid Crystal Display, com função touch-screen, que reduz em muito o work load do piloto, uma vez que traz de forma condensada, integrada e intercambiável todas as informações nas diferentes configurações operacionais (navegação, combate ar-ar, ar-superfície, data link, TFLIR, monitoramento de sistemas e motores, etc.), e por substituir vários displays, traz também a vantagem da redução do custo por unidade.
          
O conceito Locked – Loaded – Linked definido pela equipe industrial do projeto na Boeing, pode ser bem compreendido ao se utilizar os sistemas integrados embarcados em conjunto com os recentes pods de designação de alvos, bombas inteligentes e mísseis de última geração (o que fizemos na condição SIM em voo e nos exercícios de treinamento no simulador). A harmonia entre armas e informações de SA – situational awareness, consciência situacional – fornecidas pela atuação combinada do radar APG-79 AESA – Active Electronically Scanned Array, ou radar de varredura eletrônica ativa, o JHMCS – capacete com sistema de aquisição de alvos integrado, IRST e ATFLIR – rastreamento e visualização de alvos por infravermelho, respectivamente – junto ao MIDS (Link-16) asseguram a este “Vespão” que seu ferrão continue bem afiado e seus olhos bem atentos.
          
A definição de multirole do Super Hornet vai bem além do conceito técnico da expressão, uma vez que além do desempenho de funções múltiplas “normais”, pode assumir até mesmo a função tanker, reabastecendo em voo outras aeronaves, sem que para isto seja necessária qualquer conversão ou alteração de sua estrutura ordinária ou sistemas.

O F/A-18 é uma aeronave altamente testada, com a incrível marca de 166.000 horas em combate. A estrutura de cada caça prevê um ciclo de vida da ordem de 9.500 horas de voo, e a permanência em serviço ativo do modelo na Marinha Americana será, a princípio, até 2035. A futura incorporação do JSF – Joint Strike Fighter – F-35, está concebida dentro da operação conjunta com o Super Hornet, onde a relação do inventário seria de 2 F/A-18 para 2 F-35, atuando concomitantemente.
 
 
Ficha Técnica Boeing F/A-18E/F Super Hornet 

Tripulação:               F/A-18E: 1
                                 F/A-18F: 2

Comprimento:          18,31 m

Envergadura:           13,62 m

Altura:                       4,88 m

Área da Asa:             46,5 m²

Peso Vazio:            F/A-18E: 14.552 kg
                              F/A-18F: 14.876 kg

Peso Máximo de Decolagem:          29.937 kg

Capacidade Interna de Combustível:     F/A-18E: 14.400 lbs
                                                             F/A-18F: 13.550 lbs
Capacidade Externa de Combustível:    5 × tanques de 480 gal, totalizando 16.380 lbs

Percentual Peso Estrutural: Alumínio...............30%
                                            Aço......................15%
                                            Titânio...................21%
                                            Fibra de Carbono ..19%
                                            Outros..................15%

Motorização:      (2) GE F414-GE-400

Empuxo Full Afterburner: 44.000 lbs

Velocidade Máxima: 1.6 Mach

Teto de Combate: 50.000 ft

Alcance: 2.346 km, sem tanques externos, com 2 AIM-9

Raio de Combate: 722 km sem reabastecimento em voo

Alcance em Traslado: 3.330 km

Razão de Subida: 44.882 ft/min (228 m/s)
 

Armamento

Canhão:         1× 20 mm M61A2 Vulcan tipo gatling gun

Cabides:           11 totais
                        2× ponta de asa
                        6× embaixo da asa
                        3× abaixo da fuselagem com capacidade de 8.050 kg de tanques de combustível
                        ou armamentos

Mísseis:

                        Ar-Ar:               AIM-9 series Sidewinder
                                                AIM-120 series AMRAAM

                        Ar-Superfície:  AGM-65 Maverick
                                                Standoff Land Attack Missile (SLAM-ER)
                                                AGM-88 HARM Míssil Anti-radiação
                                                AGM-154 Joint Standoff Weapon (JSOW)

                        Anti-Navio:       AGM-84 Harpoon
 

Bombas mais utilizadas:

                                                  GBU-12/16 LGB Bombas guiadas a Laser
                                                  GBU-24B/B LGB Bombas guiadas a Laser
                                                  GBU-32/38 JDAM Bomba guiada de precisão (PGMs)
                                                  Mk-82/83 Bombas de queda livre baixo arrasto para emprego geral
                                                  Mk-84 ou convertida com kit JDAM para GBU-31

Outros:
                                                  Raytheon AN/ALE-50 towed decoy (chamariz de mísseis rebocado)
                                                  AN/ASQ-228 ATFLIR pod Visão avançada de alvo por infra-vermelho
                                                  1 a 3 tanques de 330 US gal (1.200 lts)
                                                  4× tanques de 480 US gal (1,800 L) para reabastecimento de outras
                                                       aeronaves em voo (ARS)

Aviônicos:
                                                  Raytheon APG-79 Radar
                                                  ARC-210 radios
                                                  ANAV Sistema de navegação GPS/INS
                                                  AN/ALQ-214 Sistema de contramedidas eletrônicas
                                                  APN-194 radar altímetro
                                                  APX-111 IFF Transponder
                                                  Northrop Grumman AN/ALR-67(V)3 radar warning receiver
                                                  USQ-140 MIDS (Link 16)

Operadores:   US Navy – Estados Unidos
                      Royal Australian Air Force – Austrália

 

sábado, 7 de setembro de 2013

[PGM] O uso chocante de armas químicas por Winston Churchill

The Guardian, 01/09/2013

 
Segredo era a ordem. O staff imperial geral da Grã-Bretanha ficaria ultrajado se se tornasse público que o governo pretendia usar seu estoque secreto de armas químicas. Mas Winston Churchill, então Secretário de Estado da Guerra, passou por cima desses detalhes morais. Há muito tempo defensor da guerra química, ele estava determinado a usá-las contra os bolchevistas russos. No verão de 1919, 94 anos antes do ataque devastador na Síria, Churchill planejou e executou um ataque químico no norte da Rússia.

Os britânicos não eram ignorantes em relação ao uso das armas químicas. Durante a terceira batalha de Gaza em 1917, o general Edmund Allenby disparou 10.000 cartuchos de gás asfixiante em posições inimigas, com efeito limitado. Mas nos meses finais da Primeira Guerra Mundial, os cientistas nos laboratórios governamentais em Porton em Wiltshire desenvolveram uma arma ainda mais devastadora: o “Dispositivo M” ultra secreto, uma cápsula explosiva contendo um gás altamente tóxico chamado difenil-amina-cloro-arsênico. O encarregado pelo seu desenvolvimento, o general de divisão Charles Foulkes, o chamou de “a arma química mais eficiente jamais criada.”

Testes em Porton sugeriam que ele era de fato uma nova arma terrível. Vômito incontrolável, tosse acompanhada de sangue e fatiga paralisante instantânea eram as reações mais comuns. O coordenador geral da produção de armamento químico, Sir Keith Price, estava convencido de que o seu uso levaria rapidamente o regime bolchevista ao colapso. “Se você voltasse para casa somente uma vez com o gás, não encontraria mais nenhum comuna neste lado do Vologda*.” O gabinete era hostil ao uso de tais armas, para a irritação de Churchill. Ele também queria usar o Dispositivo M contra as tribos rebeldes do norte da Índia. “Sou totalmente a favor do uso de gás venenoso contra as tribos selvagens,” ele declarou em um memorando secreto. Ele criticou seus colegas por seus escrúpulos, declarando que “as objeções do Departamento da Índia em usar gás contra os nativos é irracional. O gás é arma mais misericordiosa que um projétil explosivo e obriga o inimigo a aceitar uma decisão com menos perdas de vidas do que outros tipos de guerra.”

Ele concluiu seu memorando com humor negro: “Por que não é justo para um artilheiro britânico disparar um projétil que faz os nativos espirrarem?” ele perguntou. “É realmente idiota.”

Uma quantidade surpreendente de 50.000 Dispositivos M foram despachados para a Rússia: ataques aéreos britânicos utilizando-os começaram no dia 27 de agosto de 1919, atingindo a vila de Emtsa, 200 km ao sul de Arcangel. Soldados bolchevistas foram vistos fugindo em pânico à medida que o gás esverdeado caiu sobre eles. Aqueles engolidos pela nuvem vomitaram sangue, então desmaiando inconscientes.  

Os ataques continuaram até setembro em muitas vilas mantidas pelos bolchevistas: Chunova, Vikhtova, Pocha, Chorga, Tavoigor e Zapolki. Porém, as armas provaram ser menos eficientes do que Churchill esperava, em parte por causa do clima úmido do outono. Em setembro, os ataques foram interrompidos então suspensos. Duas semanas depois, as armas restantes foram jogadas no Mar Branco (n. do T.: entre a Finlândia e o norte da Rússia). Eles permanecem no fundo do mar até hoje a uma profundidade de 80 metros.

Nota:

* Vologda é uma cidade localizada no centro-norte da Rússia às margens do rio de mesmo nome. Em dezembro de 1917, ela tornou-se o centro de poder soviético e em fevereiro de 1918 tornou-se a capital diplomática da Rússia por alguns meses.    

terça-feira, 20 de agosto de 2013

[POL] Heinrich Himmler: Uma Biografia


 
 
Recentemente, escrevi uma resenha do livro de Peter Longerich Não Sabíamos de Nada! ("We Knew Nothing About That!" The Germans and the Persecution of Jews 1933-1945), no qual ele examinou o que o público alemão sabia do Holocausto na Alemanha Nazista. Fiquei impressionado pela sua profunda e sistemática erudição. Nesta biografia de 2010, Heinrich Himmler: Uma Vida, Longerich escreveu O trabalho definitivo sobre o Reichsführer-SS – indubitavelmente a segunda figura mais importante no regime nazista. Li a tradução no inglês (trabalho excelente de tradução de Jeremy Noakes e Lesley Sharpe) que possui mais de 1.000 páginas, incluindo 200 páginas de notas de rodapé.

Em épocas normais, uma pessoa do calibre de Heinrich Himmler, o produto de uma educação restrita de uma família católica de classe média, poderia crescer e alcançar o status de um Filialleiter – gerente de departamento – de um Sparkasse (banco de economia) local. Mas aqueles não eram tempos normais e Himmler foi capaz de usar seus talentos organizacionais, sua energia obsessiva compulsiva e frenética e acesso ao aparato de terror nazista para tomar o controle da estrutura completa de segurança do Terceiro Reich, tanto no interior do Reich Alemão quanto nos territórios ocupados durante a guerra. No auge de seu poder, Himmler estava no comando de toda a organização SS, incluindo o braço militar Waffen-SS, a rede inteira de campos de concentração, os Einsatzgruppen envolvidos em campanhas de extermínio nos territórios ocupados, da segurança interna e organizações policiais, incluindo a Gestapo e a Kripo, assim como um serviço burocrático gigantesco que fornecia centenas de milhares de recursos de trabalho escravo para a indústria alemã e para os projetos grandiosos de Albert Speer. E mesmo assim, Longerich mostra, apesar de seu vasto poder e lealdade absoluta ao der Führer, Himmler nunca pertenceu ao círculo íntimo de Hitler.

Longerich transformou completamente minha compreensão sobre Heinrich Himmler. Sempre o imaginei como um competente funcionário emitindo ordens sob o comando do Führer – uma caracterização da “banalidade do mal”. Mas Himmler era exatamente o oposto do burocrata sem rosto sentado atrás de uma mesa. Himmler era dinâmico, visitando campos de concentração, recrutando novos membros para a SS, fazendo discursos para os comandantes da polícia. Ele tinha interesse pessoal em todo o aspecto da SS, incluindo dieta, higiene pessoal e vida sexual dos homens. E não apenas deles: Himmler era interessado em história racial e capacidade de gravidez de suas esposas e namoradas. Longerich escreve: “A posição (Himmler) construída ao longo dos anos pode ao invés disso ser descrita como um exemplo extremo da quase personalização total do poder político.”

Longerich gasta muito tempo reconstruindo a visão de mundo de Himmler. É fascinante ler como o Reichsführer-SS desenvolveu uma hostilidade em relação ao Cristianismo e ao invés disso abraçou um tipo de misticismo teutônico, que então encontrou expressão nos rituais da SS. Basicamente, a SS, como criada por Himmler, era uma organização religiosa, um culto baseado em pseudociência (Teoria do Gelo Cósmico*) e a grosseira ideologia racial que era central ao pensamento e política nazistas. Himmler, é claro, estava convencido de que os judeus eram uma raça estrangeira à cultura alemã. Mas ele também odiava o homossexualismo e o aborto, que ele encarava como catastróficos para o destino biológico da Alemanha.

O sistema de crença bizarro de Himmler seria engraçado se ele não tivesse tido consequências catastróficas. Ele tinha a autoridade e poder para agir de acordo com suas crenças, em estabelecer a rede de campos de concentração primeiro na Alemanha e depois na Polônia e nos territórios orientais. Seus planos de reassentamento maciço, elaborados de acordo com suas fantasias raciais, resultaram em caos total e morte. E a invasão da União Soviética foi vendida como uma batalha entre o ideal teutônico e a subhumanidade judaica-bolchevista:

Isto é uma luta de ideologias e uma batalha racial. De um lado, temos o Nacional Socialismo, uma ideologia baseada no valor de nosso sangue nórdico, germânico, um mundo que visionamos como lindo, decente, justo socialmente... um mundo culto, alegre e lindo. Do outro lado, temos 180 milhões de pessoas, uma mistura racial e de povos cujos nomes são impronunciáveis e cuja aparência física é tal que podemos fuzilá-los sem compaixão e remorso.

Longerich mostra que é inútil buscar a data exata na qual as ordens para o Endlösung – a “Solução Final” para a “Questão Judaica” – foram emitidas. Mas podemos argumentar que Himmler colocou a coisa em movimento muito antes da Conferência de Wannsee. Primeiro, quando tornou-se claro que o sonho fantástico de deportar 10 milhões de judeus para Madgascar jamais seria realizado, Himmler criou os Einsatzgruppen para assassinar dezenas de milhares de judeus masculinos “bandidos”. Segundo, quando ele presenciou em primeira mão como o fuzilamento contínuo estava causando grande estresse entre seus homens, ele veio com a ideia de usar monóxido de carbono e depois o Zyklon B para matar os prisioneiros. Finalmente, quando tornou-se difícil lidar com todas as mulheres e crianças deixadas para trás, Himmler os matou também – ostensivamente “sob as ordens do Führer”. De fato, Himmler estava agindo “com o espírito do Führer” e não foi somente bem tarde que ele convenceu Hitler da necessidade de matar mulheres e crianças.  

Logo, Himmler, como descrito em detalhes na biografia de Longerich, era um Vordenker – um pioneiro – do Holocausto, senão seu planejador. Mas ele foi cuidadoso em envolver e implicar outros líderes nazistas, assim como os generais da Wehrmacht, no genocídio. Em maio de 1944, ele falou abertamente sobre o Endlösung numa reunião de generais:

A questão judaica foi resolvida brutalmente de acordo com ordens e uma avaliação racional da situação... Não achei justo – estou me referindo aqui às mulheres e crianças judias – em permitir que gente com espírito vingativo crescesse naquelas crianças, que então matariam nossos pais e netos. Teria sido uma covardia fazer isso. Consequentemente, as questões foram resolvidas de forma inflexível.

A série de discursos honestos sobre o extermínio em massa lança dúvidas sobre a teoria das “mãos limpas” da Wehrmacht.

No final, quando o Terceiro Reich colapsou, Himmler comportou-se da maneira mais covarde, primeiro tentando enganar sua captura assumindo uma falsa identidade de Heinrich Hitzinger e depois, quando pego, suicidando-se com uma cápsula de cianureto, nos negando hoje de uma compreensão mais detalhada de como ele foi capaz de alcançar tanto poder. Mas, graças à pesquisa exaustiva de Peter Longerich, ainda sabemos muito sobre Himmler – o suficiente para chamá-lo de um dos grandes criminosos dos tempos modernos.


Nota:

* Welteislehre (Teoria do Gelo Cósmico), conhecida também como “Cosmogonia Glacial”, é uma teoria cosmológica proposta por Hans Hörbiger, um engenheiro e inventor austríaco.

Hörbiger não chegou à sua teoria por meio de pesquisa, mas disse que ele a havia recebido por uma “visão” em 1894. De acordo com sua teoria, gelo era a substância básica de todos os processos cósmicos, e luas geladas, planetas gelados e o “éter global” (também feito de gelo) havia determinado o desenvolvimento inteiro do Universo.

Ela não recebeu muita atenção na época, mas após a Primeira Guerra Mundial, Hörbiger decidiu mudar sua estratégia, promovendo a nova “verdade cósmica” não somente às pessoas nas universidades e instituições de ensino, mas também ao grande público. Hörbiger achava que se “as massas” aceitassem sua ideia, então elas poderiam pressionar o establishment acadêmico a divulgar sua teoria nos meios de comunicação.

Duas organizações foram criadas em Viena baseadas nesta teoria, a Kosmotechnische Gesellschaft e o Instituto Hörbiger. O primeiro foi criado em 1921 por um grupo de entusiastas da Teoria, que incluía engenheiros, médicos, funcionários públicos e empresários. A maioria era pessoalmente ligada a Hörbiger e participava de suas palestras. Entre os seguidores de Hörbiger estava o escritor vienense Egon Friedell, que explicou a Teoria do Gelo Cósmico em seu livro de 1930 História Cultural da Modernidade.

Heinrich Himmler, um dos líderes nazistas mais poderosos, tornou-se um seguidor ativo da teoria e dizia que se ela fosse corrigida e ajustada de acordo com as novas descobertas científicas ela poderia ser muito bem aceita como trabalho científico. Entretanto, o Ministério da Propaganda sentiu-se obrigado a esclarecer que “uma pessoa pode ser um bom nacional socialista sem acreditar na teoria.”

Adolf Hitler, um seguidor entusiasta da teoria, adotou-a como a cosmologia oficial do partido nazista. Ele afirmava que Hörbiger não era aceito pelo establishment científico porque “o fato é que os homens não querem conhecer.” A Teoria do Gelo Cósmico deveria fazer parte do planetário que Hitler queria construir no monte Pöstling em Linz. De acordo com o projeto estrutural, o piso térreo seria o centro em torno do Universo Ptolomaico, o piso médio teria a teoria de Copérnico e no piso superior, a teoria de Hörbiger.

Especula-se que a razão real do interesse de Hitler e Himmler na teoria era a tentativa de contrabalançar a influência judaica percebida nas ciências, semelhante ao movimento Física Alemã. A teoria de Hörbiger era, por exemplo, oposta à teoria da relatividade de Albert Einstein. Dezenas de jornais científicos, livros e mesmo romances foram publicados sobre este assunto. As teorias de Hörbiger tornaram-se aceitas de forma generalizada entre a população da Alemanha nazista e uma organização teve milhares de membros.

Após a Segunda Guerra Mundial, a teoria desapareceu. Mas foi reavivada um pouco depois, continuando a ter membros tanto na Alemanha quanto na Inglaterra por muitos anos, mesmo tendo sido desacreditada novamente.


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domingo, 18 de agosto de 2013

[SGM] O Discurso do “Mapa Secreto” de Roosevelt

Mark Weber

 
O presidente Franklin Roosevelt era um mestre do engodo. Em pelo menos uma ocasião, ele admitiu honestamente sua prontidão em mentir para conseguir seus objetivos. Durante uma conversa em maio de 1942 com seu conselheiro próximo judeu, o Secretário do Tesouro Henry Morgenthau Jr., o presidente lembrou: “Você sabe, sou um trapaceiro, e nunca deixo minha mão direita saber o que minha mão esquerda faz... Posso ter uma política para a Europa e outra diametralmente oposta para a América do Norte e do Sul. Posso ser inteiramente inconsistente e, além disso, desejo perfeitamente enganar e dizer inverdades para ajudar a ganhar a guerra.”*

Roosevelt não foi o primeiro ou o último presidente americano a mentir para o povo. Mas raramente existiu uma figura política americana proeminente que tenha feito um discurso com mentiras descaradas como Franklin Roosevelt fez em seu anúncio ao Dia da Marinha de 27 de outubro de 1941, que foi dado a um grande encontro em Washington, DC, e transmitido ao vivo para toda nação por rádio.

Muita coisa aconteceu nos meses precedentes. Em 11 de março de 1941, Roosevelt transformou a ajuda Lend-Lease em lei, permitindo entregas gradativamente crescentes de ajuda militar para a Grã-Bretanha – uma política que violava a neutralidade americana e a lei internacional. Em abril, Roosevelt enviou ilegalmente tropas americanas para ocupar a Groenlândia. Em 27 de maio, ele afirmou que os líderes alemães planejavam a “dominação mundial”, e proclamou aos EUA um estado de “emergência nacional ilimitada”. Seguindo o ataque da Alemanha contra a URSS em junho, a administração Roosevelt começou a fornecer ajuda militar aos soviéticos sitiados. Estes embarques também violavam descaradamente a lei internacional. Em julho, Roosevelt enviou ilegalmente tropas para ocupar a Islândia. E em setembro, Roosevelt anunciou uma ordem para os navios de guerra americanos de “mirar e atirar” contra embarcações alemãs e italianas em alto mar.

O presidente começou seu discurso do Dia da Marinha lembrando que submarinos alemães torpedearam o destróier americano Greer em 4 de setembro de 1941 e o destróier Kearny em 17 de outubro. Em linguagem altamente emocional, ele caracterizou estes incidentes como atos espontâneos de agressão direcionados contra todos os americanos. Ele declarou que, apesar de querer evitar o conflito, as hostilidades haviam começado e “a história registrou quem deu o primeiro tiro.” O que Roosevelt deliberadamente falhou em mencionar era o fato de que em ambos os casos, os destróieres americanos se envolveram em operações ofensivas contra os submarinos, que atiraram em autodefesa somente como último recurso. Apesar da ordem de “mirar e atirar” de Roosevelt, que tornou incidentes como estes que ele condenou piedosamente como inevitáveis, Hitler ainda queria evitar guerra com os Estados Unidos. O líder alemão ordenou expressamente que seus submarinos evitassem conflito contra navios de guerra americanos sob qualquer custo, exceto para evitar destruição iminente. Apesar dos esforços provocativos do presidente Roosevelt para conduzir Hitler a declarar guerra aos Estados Unidos, a maioria dos americanos ainda se opunham ao envolvimento direto no conflito europeu.

E assim, como parte de seu esforço em convencer os americanos que a Alemanha era uma ameaça real à sua segurança, Roosevelt continuou seu discurso do Dia da Marinha com um anúncio surpreendente: “Hitler tem protestado frequentemente que seus planos de conquista não se estenderão além do Oceano Atlântico... Tenho em minha posse um mapa secreto, feito na Alemanha pelo governo de Hitler – pelos planejadores da Nova ordem Mundial. É o mapa da América do Sul e parte da América Central como Hitler pretende reorganizá-las.” Este mapa, explicou o presidente, mostrava a América do Sul, assim como “nossa grande linha vital, o canal do Panamá,” dividido em cinco Estados vassalos sob a dominação alemã. “O mapa, meus amigos, torna claro o projeto nazista não somente contra a América do Sul, mas também contra os Estados Unidos.”**

Roosevelt continuou revelando que ele também tinha em sua posse “outro documento feito na Alemanha pelo governo de Hitler. É um plano detalhado para abolir todas as religiões existentes – católica, protestante, mulçumana, hindu, budista e judaica – de modo que a Alemanha imporá “em um mundo dominado, se Hitler ganhar.”

A propriedade de  todas as igrejas serão tomadas pelo Reich e seus marionetes,” ele continua. “A cruz e todos os outros símbolos de religião serão proibidos. O clérigo será silenciado para sempre sob a penalidade dos campos de concentração... No lugar das igrejas de nossa civilização, haverá o estabelecimento de uma igreja nazista internacional – uma igreja que servirá aos oradores determinados pelo governo nazista. No lugar da bíblia, as palavras do Mein Kampf serão impostas e reforçadas como Palavra Santa. E no lugar da cruz de Cristo serão colocados dois símbolos – a suástica e uma espada nua.” ***

Roosevelt enfatizou a importância de suas afirmações alarmantes. “Vamos ponderar bem,” ele disse, “estas verdades horríveis que eu lhes disse a respeito dos planos presentes e futuros do hitlerismo.” Todos os americanos, ele continuou, “devem enfrentar a escolha entre o tipo de mundo que eles pretendem viver e o tipo de mundo que Hitler e suas hordas nos imporão.” Analogamente, “temos o nosso compromisso de colocar nossas forças na destruição do hitlerismo.”

Em Berlim, o governo alemão respondeu rapidamente ao discurso com uma declaração que rejeitava categoricamente as acusações do presidente. Em relação aos supostos documentos secretos, ele declarou, “são falsificados do tipo mais grosseiro e rude.” Além disso, a declaração oficial continuou: “As afirmações da conquista da América do Sul pela Alemanha e a eliminação das religiões das igrejas ao redor do mundo e sua substituição pela igreja nacional socialista são tão ridículas e absurdas que é superfulo para o governo do Reich discuti-las.” O Ministro da Propaganda Joseph Goebbels também respondeu às acusações de Roosevelt (ver texto abaixo). As “absurdas acusações” do presidente americano, escreveu ele em um longo ensaio, eram uma “grande fraude” elaborada para “fazer a cabeça da opinião pública americana.”

Em uma conferência de imprensa no dia seguinte ao discurso, um repórter naturalmente pediu ao presidente uma cópia do “mapa secreto”. Roosevelt se recusou, mas insistiu que ele tinha vindo de “uma fonte indubitavelmente confiável.”

A estória completa só apareceu muitos anos depois. O mapa existia, mas era uma falsificação produzida pelo serviço de inteligência britânico, muito provavelmente em seu laboratório técnico no Canadá. William Stephenson (codinome: Intrépido), chefe das operações de inteligência britânica na América do Norte, passou-o para o chefe de inteligência dos EUA, William Donovan, que o deu a Roosevelt. Em uma memória publicada no final de 1984, o agente britânico durante a guerra Ivar Bryce disse que a ideia do “mapa secreto” foi sua. É claro, o outro “documento” citado por Roosevelt, afirmando os planos alemães para destruir as religiões mundiais, era tão fraudulento quanto o “mapa secreto”.

O público americano de 1941 aceitou em sua grande maioria como verdade as afirmações fantásticas e alarmistas do presidente. Poucos americanos podiam acreditar que seu chefe executivo pudesse estar mentindo, enquanto que “os nazistas” pudessem estar falando a verdade. Em seu discurso do Dia da Marinha, Franklin Roosevelt conseguiu seu objetivo principal, que era o de assustar o público ao ponto de conseguir o apoio, ou pelo menos a tolerância, à sua campanha de conduzir os EUA à guerra.


Notas:

* Warren F. Kimball: The Juggler: Franklin Roosevelt as Wartime Statesman. Princeton University Press, 1991

** É interessante notar como o mesmo argumento fraudulento foi utilizado pela administração Bush para mostrar o “perigo” das supostas armas de destruição em massa do ditador iraquiano Sadam Hussein (que não existiam) ou pela administração do Primeiro-Ministro israelense Benjamin Nethanyahu em seu discurso nas Nações Unidas para mostrar a intenção do Irã em destruir Israel por armas atômicas (cuja construção nunca foi provada, até pelos serviços secretos dos EUA e de Israel).

*** A ideia de que Hitler imporia um domínio mundial e escravidão a todos os povos caso tivesse ganho a guerra persiste ainda hoje, provavelmente em virtude do impacto psicológico e disseminação desse discurso.

A resposta do Ministro da Propaganda do Reich, Joseph Goebbels

“O Sr. Roosevelt confrontado”

Por Joseph Goebbels

Em 28 de outubro, mais de um mês atrás, o presidente dos EUA Franklin D. Roosevelt deu um discurso por rádio que aparentemente tinha como objetivo lançar o povo americano em incerteza e pânico, assim preparando gradualmente para a intervenção funesta que o presidente americano deseja, apesar da opinião pública americana. O discurso difere de todos os seus discursos anteriores no qual Roosevelt não limitou-se aos ataques quase tradicionais e irresponsáveis e caluniadores contra o Führer e a Alemanha Nacional Socialista. Desta vez, Le fez acusações concretas contra as políticas do Reich, que ele tentou provar através da apresentação de documentos que ele supostamente possui.

O Sr. Roosevelt afirmou que ele tem provas em suas mãos de que as potências do Eixo planejam reorganizar a América do Sul e Central. Elas planejam transformar os catorze países existentes em cinco estado que estariam sob seu controle. Sua prova é um mapa secreto supostamente produzido pelo governo do Reich. O governo americano também afirma que possui outro documento do Reich. De acordo com ele, o governo do Reich planeja abolir as religiões existentes do mundo uma vez ganha a guerra – Catolicismo, Protestantismo, Islamismo, Hinduísmo, Budismo e Judaísmo. Elas serão substituídas pela Igreja Internacional Nacional Socialista, a cruz pela suástica e Deus pelo Führer. Isto é o que ele afirma.

Está claro para nós que o Sr. Roosevelt precisava deste grande subterfúgio para enganar a opinião pública americana. Ele precisava da munição mais pesada possível, já que o povo americano é mais inteligente do que o seu governo e não quer absolutamente nada com a guerra na Europa. Não estamos realmente interessados na opinião do Sr. Roosevelt a respeito da inteligência de seu povo ou no que ele acha que ele seja capaz de acreditar, e normalmente não haveria necessidade de responder estas mentiras desavergonhadas e ultrajantes que tão claramente mostram sinais de falsificação. Neste caso, contudo, é uma questão de falsificação política que nos parece ter um objetivo claro e agourento, e nos deu uma chance de ouro para desmascarar os mentirosos ao mundo inteiro, de modo que não poderíamos perder a oportunidade. Tivemos que superar nossos escrúpulos morais, contudo, no sentido de confrontar o mentiroso e pedir-lhe onde ele conseguiu esses documentos, onde eles podem ser encontrados, e se ele estava preparado para mostrá-los em público.

As coisas ocorreram como esperado. O Sr. Roosevelt, o presidente de uma nação de 130 milhões de pessoas, ignorou nossos questionamentos. Ele afirmou que a autenticidade dos documentos é inatacável; ele os tinha. Eles, contudo, não podiam ser publicados, já que eles eram secretos e publicá-los seria como revelar a fonte. E o mapa em questão que mostrava a América Central e do Sul tinha marcas de lápis que poderiam comprometer a fonte que os forneceu. Ele, Roosevelt, não queria causar quaisquer dificuldades para o coitado que os passou adiante.

Que presidente! Ele é uma boa alma que se preocupa com seus patifes. Considerando seus discursos e ações, ele não hesitaria em enviar centenas de milhares de soldados para o campo de batalha, talvez sacrificando-os em serviço em nome de seus planos loucos de conquista, mas o simples pensamento de causar problema para um traidor elegante e honrado doe-lhe o coração. Como qualquer um pode imaginar, a resposta de Roosevelt não é uma prova muito convincente de suas acusações aterradoras tanto em casa quanto no estrangeiro. Nossos questionamentos duros deram frutos. Usamos a imprensa e o rádio para propor ao presidente americano que ele publicasse o mapa incriminador da América central e do Sul, talvez também apagando as marcas ignominiosas a lápis ou cobrindo-as com papel, ou pelo menos publicar o texto de nosso plano fantástico de começar uma campanha contra todas as religiões do mundo uma vez acabada a guerra, de Jeová até Confúcio até Cristo.

O Sr. Roosevelt afundou no silêncio, não comentando nada. Somente um de seus pares, o antigo cafetão e dono de boate argentino Taborda****, que por acaso o estava visitando na época, disse que ele tinha sido capaz de olhar o mapa, e que tudo era como o que o Sr. Roosevelt havia dito. Mais do que isso ele não poderia falar, já que ele havia lhe dado a palavra de honra.

Podemos compreender nossa relutância em considerar a palavra de honra de figura tão dúbia do submundo como absolutamente convincente. Olhamos adiante, e desde que não pudemos aprender nada além do que revelou o silêncio teimoso do acusador, tentamos fisgá-lo à resposta através de ataques maciços. Meu Deus, o normalmente cavalheiro falador parecia ter esquecido como conversar. Mesmo as tentativas da imprensa americana em saber algo mais enquanto ele visitava um dos famosos arranha-céus foi em vão.

O governo do Reich publicou duas negações formais em 1º. de novembro, que atingiram os ouvidos de Roosevelt de maneira tão intensa que ele teve que escolher entre revelar seus documentos ou provar ser ele próprio um falsificador e mentiroso para o mundo inteiro. Ele escolheu o último. A imprensa americana deu publicidade às negações alemãs e exigiu uma resposta. O Sr. Roosevelt aceitou o ataque, inflou as bochechas e não disse nada. Fizemos toda sugestão concebível para facilitar a publicação dos documentos, mas o presidente dos EUA preferiu ser concebido como um mentiroso e falsificador do que provar suas acusações absurdas.

Este é o jeito com são as coisas. Nós não nos chateamos ao acreditar que devemos de algum modo forçar o Sr. Roosevelt a falar. Ele aparentemente tem toda a razão em esperar que o assunto seja esquecido. Quando ele fez suas acusações, poderíamos talvez garantir generosamente que ele acreditava nelas. Era ao menos possível que ele tivesse sido vítima de algum tipo de “pegadinha” e tivesse acreditado na autenticidade dos documentos. Isto já não é mais possível, já que se ele tivesse agido honestamente ele teria fornecido a evidência que apoia suas acusações. Ele não o fez. Isto é prova suficiente que ele não foi vítima de uma fraude, mas muito mais do que isso, ele esteve envolvido direta ou indiretamente. Isto é um assunto de guerra e paz, e o público americano tem todo o direito de avaliar seu presidente e suas ações, perguntar-lhe sobre estes documentos, por que o Sr. Roosevelt não os publicou, se ele ainda mantém seu discurso de 28 de outubro, e o que ele planeja fazer para restaurar o dano feito à sua reputação pelas duas negações alemãs que o acusam de fraude.

Sempre sentimos a necessidade de lavar a mão após sermos forçados a lidar com os métodos do intervencionismo americano. É tão desagradável e imundo que trememos. Quando escutamos o absurdo virtuoso da plutocracia mundial comandada pelos judeus nos rádios ou o que é lido na imprensa, necessitamos olhar por trás das cenas para sentir pena pelas misérias da humanidade. Este homem teve a imprudência de nos julgar, de convocar Deus e o mundo como testemunhas da pureza de suas ações, de incitar a guerra e enviar pessoas inocentes cantando “Avante Soldados Cristãos” para lutar em nome de seus interesses financeiros imundos pode somente deixar horrorizada uma pessoa com o sentimento mais primitivo de decência. Houvesse somente tal tipo de pessoa no mundo, ela teria desprezado a humanidade.

O Sr. Roosevelt é o cúmplice de Churchill, mas aparentemente ele reconhece que no caso da derrota da Inglaterra, uma porção respeitável das possessões da Grã-Bretanha ficará sobrando. Assim, ele busca a guerra apesar da oposição da opinião pública de uma forma incompreensível para aqueles não familiares com os países democráticos. Qualquer que seja a política que ele possa seguir, ele não é mais capaz de mudar o destino da Inglaterra na guerra. Se o Sr. Roosevelt não quiser aceitar nosso argumento, ele pode pelo menos considerar que nós provavelmente não atacaremos o continente americano porque isso não é simplesmente possível. Isto deve estar claro para ele, já que é igualmente impossível para os americanos nos atacarem. Tão longe quanto os armamentos americanos possam ir, eles não são superiores em qualidade em relação aos da Europa, quanto mais melhores. Segundo, o material americano deve cruzar o Atlântico para chegar à Inglaterra. Nós, por outro lado, podemos receber tudo que não produzimos através de linhas ferroviárias de cada nação da Europa.

Mesmo na América, as árvores não alcançam os céus. Podemos dizer das ameaças de nosso inimigo quais são sérias e quais são blefes. Não subestimamos os Estados Unidos, mas não o superestimamos. Se o Sr. Roosevelt tiver sucesso em provocar a Guerra, ele verá que sua realidade é consideravelmente menos prazerosa do que suas fantasias. Seguiremos suas contínuas maquinações com calma estoica. Aqui, também, a comida é mais quente no forno do que no prato.      

http://www.calvin.edu/academic/cas/gpa/goeb2.htm

Nota:

**** Raúl Damonte Taborda (1909 – 1982). Deputado do Partido Radical que comandou um Comitê de investigação de atividades antiargentinas em julho de 1941 cujo alvo principal eram grupos nazi-fascistas instalados no país.  

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