quarta-feira, 18 de setembro de 2013

[POL] Rudolf Hess foi morto por agentes britânicos, diz investigação da época

Daily Mail, 07/09/2013

 


Acusações de que Rudolf Hess foi supostamente morto sob ordens dos britânicos para impedir-lhe de revelar segredos de guerra foram colocadas em um relatório policial que somente apareceu após 25 anos.

De acordo com os documentos, um médico militar, que trabalhava na prisão de Spandau e tratou o ex-líder do Partido Nazista, forneceu à Scotland Yard os nomes de dois agentes britânicos que eram os suspeitos do assassinato, mas a organização foi aconselhada a interromper a investigação.

O relatório do Detetive-chefe Howard Jones, que agora foi liberado graças ao Ato de Liberdade de Informação, fornece detalhes da investigação das acusações de Hugh Thomas.

Ele foi escrito dois anos após a morte de Hess em 1987 após a organização ser convocada devido à afirmação do Sr. Thomas, qual seja, de que o homem enviado pelos nazistas em 1941 não era Hess, mas um impostor.

As autoridades aliadas disseram que Hess enforcou-se com um cabo elétrico em sua cela em Spandau em 17 de agosto de 1987, aos 93 anos de idade.

Mas o Sr. Thomas disse que o Hess verdadeiro foi de fato morto por dois agentes britânicos disfarçados com uniformes americanos no meio de uma especulação de que ele estava para ser libertado após a concordância da União Soviética.

O relatório cita como o Sr. Thomas “concedeu confidencialmente” os nomes de dois possíveis suspeitos que ele havia recebido de um antigo membro do SAS.

O Sr. Jones escreveu: “(O Sr. Thomas) recebeu informação de que dois assassinos foram enviados pelo governo britânico para matar Hess no sentido dele não ser libertado e expor segredos em relação ao plano de derrubada do governo de Churchill.”

Apesar de não encontrar “muita coerência” nas acusações de assassinato, o Sr. Jones ordenou uma investigação.

De acordo com o jornal The Independent, o Serviço de Promotoria da Coroa recebeu uma cópia do relatório em 1989.

Após seis meses, o Diretor de Promotoria Pública na época, Sir Allan Green, aconselhou que a investigação fosse interrompida.

Hess foi um dos primeiros seguidores de Hitler, que ditou muito de seu manifesto infame Mein Kampf para ele enquanto esteve preso durante os anos 1920.

Ele eventualmente ascendeu e tornou-se vice-líder do Partido Nazista, sendo capturado em 1941 durante um voo solitário à Escócia em uma missão de paz aparentemente não autorizada.

Mais tarde, ele foi julgado em Nuremberg após o término da Segunda Guerra Mundial.

No julgamento de Nuremberg, Hess foi considerado inocente de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, mas sentenciado a prisão perpétua por crimes contra a paz e conspiração para cometer crimes contra a paz. A partir de 1966 em diante, Hess – cujos guardas aliados da prisão eram obrigados a se referir a ele como Prisioneiro Sete – era o único prisioneiro na prisão de 600 celas.

Sua chegada à Grã-Bretanha em 1941 tem sido objeto de muito debate ao longo dos anos.

Em março do ano passado, um relatório tornado público revelou pela primeira vez a cena completa na qual Hess supostamente cometeu suicídio e sua suposta carta de despedida.

Mas o relatório da investigação sobre a morte de Hess, liberado ano passado sob a Liberdade de Informação, somente aumentou o mistério em torno de seus últimos momentos, quando fotografias da cela onde ele morreu mostraram a pouca distância – cerca de 1,5 metro – entre a corda e o chão.

Seu filho, Wolf, insistiu anteriormente que a altura era insuficiente para seu pai, encurvado pela artrite, enforcar-se e adicionou ao exame pós-morte evidência de que um laço completo foi colocado em torno de seu pescoço.

Apesar do veredito oficial pelo Departamento de Investigações Especiais da Polícia Militar Britânica ser de que Hess cometeu suicídio e ninguém mais esteve envolvido, historiadores afirmaram que as imagens liberadas lançam dúvidas nesta versão dos fatos.

sábado, 14 de setembro de 2013

[SGM] A Mentira de Hiroshima

John V. Denson, 02/08/2006

 


Todo ano, durante as primeiras duas semanas de agosto, os meios de comunicação de massa e muitos políticos nacionais arrotam o mito político “patriota” de que o lançamento das duas bombas atômicas sobre o Japão em agosto de 1945 provocou sua rendição, e assim salvou a vida de 500 mil a um milhão de soldados americanos que não invadiram a ilha. Pesquisas de opinião nos últimos cinquenta anos mostram como os cidadãos americanos em sua esmagadora maioria (entre 80 e 90%) acreditam nesta falsa estória, que, é claro, deixa-os mais confortáveis em acreditar que a matança de centenas de milhares de civis (a maioria mulheres e crianças) salvou vidas americanas e ajudou a terminar a guerra.

O melhor livro em minha opinião a explorar este mito é “A Decisão de Usar a Bomba”, de Gar Alperovitz, pois ele não somente explica as reais razões das bombas terem sido lançadas, mas também fornece uma história detalhada de como e por que este mito foi criado para justificar o massacre de civis inocentes e, portanto, ser moralmente aceitável. O problema essencial começa com a política de rendição incondicional do Presidente Franklin Roosevelt, que foi relutantemente adotada por Churchill e Stalin e a qual foi adotada pelo Presidente Truman quando ele sucedeu Roosevelt em abril de 1945. Hanson Baldwin foi o principal correspondente do New York Times durante a Segunda Guerra Mundial e escreveu um livro importante imediatamente após a guerra intitulado “Grandes Erros da Guerra”. Baldwin conclui que a política de rendição incondicional “... foi talvez o maior erro político da guerra... rendição incondicional foi um convite aberto para a resistência incondicional; ela desencorajou a oposição a Hitler, provavelmente alongou a guerra, custou-nos vidas e ajudou a trazer o atual estado de paz abortada.”

A dura verdade é que os líderes japoneses, tanto militares quanto civis, incluindo o Imperador, desejavam se render em maio de 1945 se ele pudesse permanecer no cargo e não fosse submetido a um tribunal de crimes de guerra após esta terminar. O fato chegou ao conhecimento do Presidente Truman ainda em maio. A monarquia japonesa era uma das mais antigas em toda a história, datando de 660 a.C. A religião japonesa tinha como crença que todos os imperadores eram descendentes diretos do deus Sol, Amaterasu. O imperador Hirohito era o 124º. Na linha direta de descendência. Após as bombas terem sido lançadas em 6 e 9 de agosto de 1945, e sua rendição logo após, foi permitido aos japoneses manter seu imperador no trono e ele não foi submetido a nenhum julgamento. O imperador Hirohito chegou ao trono em 1926 e continuou em sua posição até sua morte em 1989. Já que o presidente Truman, com efeito, aceitou a rendição condicional oferecida pelos japoneses em maio de 1945, podemos perguntar: “Por que então as bombas foram lançadas?”

O autor Alperovitz nos dá uma resposta em grande detalhe que somente pode ser resumida aqui, mas ele afirma, “Notamos uma série de japoneses ansiosos pela paz na Suíça que o chefe do OSS William Donovan relatou a Truman em maio e junho (de 1945). Isto sugeria, mesmo neste ponto, que a exigência americana para rendição incondicional era o único obstáculo sério para a paz. No centro disso, como vimos, estava Allen Dulles, chefe das operações da OSS na Suíça (e depois diretor da CIA). Em seu livro de 1966, “A rendição secreta”, Dulles lembrou que ‘em 20 de julho de 1945, sob ordens de Washington, fui à Conferência de Postdam e relatei lá ao Secretário (da Guerra) Stimson o que eu havia obtido de Tóquio – eles aceitavam a rendição desde que pudessem manter o imperador e sua constituição como forma de manter a ordem no Japão após as notícias devastadoras da rendição tornarem-se conhecidas do povo japonês.’” Alperovitz mostra que Stimson relatou este fato diretamente a Truman. Alperovitz afirma ademais que a prova documental que todo conselheiro civil e militar presidencial, com exceção de James Byrnes e o Primeiro-Ministro Churchill e sua liderança militar, pediu a Truman para revisar a política de rendição incondicional de modo aos japoneses renderem-se e manter seu imperador. Todo este conselho foi dado a Truman antes da Proclamação de Postdam, que ocorreu em 26 de julho de 1945. Esta proclamação fez uma exigência final sobre o Japão para render-se incondicionalmente ou sofrer consequências drásticas.

Outro fato incrível sobre a conexão militar entre o lançamento da bomba é a falta de conhecimento por parte do general MacArthur sobre a existência da bomba e se ela havia sido lançada. Alperovitz afirma que “MacArthur não sabia nada sobre o plano de utilização da bomba atômica até quase o último minuto. Nem ele estava envolvido pessoalmente na cadeia de comando com esta conexão; a ordem veio diretamente de Washington. De fato, o Departamento de Guerra esperou até cinco dias antes de bombardear Hiroshima mesmo para notificar MacArthur – o comandante supremo do Exército americano no Pacífico – da existência da bomba atômica.”

Alperovitz deixa bem claro que a principal pessoa que aconselhava Truman, enquanto ignorava todas as advertências de seus conselheiros civis e militares, era James Byrnes, o homem que virtualmente controlava Truman desde o começo de sua administração. Byrnes era uma das mais experientes figuras políticas em Washington, tendo servido por mais de trinta anos tanto no Congresso quanto no Senado. Ele também trabalhou no Supremo tribunal Federal e, a pedido do presidente Roosevelt, demitiu-se de sua posição e aceitou um cargo na administração Roosevelt na área de gestão de economia doméstica. Byrnes foi à Conferência de Yalta com Roosevelt e então recebeu a responsabilidade de convencer o Congresso e o povo americano a aceitar os acordos de Yalta.

Quando Truman tornou-se senador em 1935, Byrnes imediatamente tornou-se seu amigo e mentor e permaneceu próximo a Truman até que este tornou-se presidente. Truman jamais esqueceu isto e imediatamente chamou Byrnes para ser seu número dois na nova administração. Byrnes esperava ser nomeado candidato a vice-presidente para substituir Wallace e ficou desapontado quando Truman recebeu a indicação, ainda que os dois permanecessem próximos. Byrnes também era muito chegado a Roosevelt, enquanto Truman foi mantido na obscuridade pelo presidente durante a maior parte do tempo em que serviu como vice-presidente. Truman pediu a Byrnes imediatamente em abril, para tornar-se seu Secretário de Estado, mas eles prorrogaram o anúncio oficial até 3 de julho de 1945, de modo a não ofender o ocupante do cargo. Byrnes também havia aceitado uma posição no comitê que cuidava da política da bomba atômica e, assim, em abril de 1945 tornou-se o principal conselheiro de política externa de Truman, em especial do uso da bomba atômica. Foi Byrnes que encorajou Truman a postergar a Conferência de Postdam e seu encontro com Stalin até que eles pudessem saber, na conferência, se a bomba atômica havia sido testada com sucesso. Enquanto na Conferência de Postdam, os experimentos foram realizados com sucesso e Truman alertou Stalin de que uma nova arma de destruição em massa estava nas mãos da América, o que, esperava Byrnes, faria com que Stalin recuasse de exigências excessivas no período do pós-guerra.

Truman secretamente deu as ordens em 25 de julho de 1945 de que as bombas fossem lançadas em agosto, enquanto ele voltava para a América. Em 26 de julho, ele emitiu a Proclamação de Postdam, ou ultimato, ao Japão para se render, deixando no lugar a política de rendição incondicional, na certeza de que os termos não seriam aceitos pelo Japão.

A conclusão que podemos chegar, com a evidência apresentada, é que Byrnes é o homem que convenceu Truman a manter a política de rendição incondicional e não aceitar a rendição do Japão de modo a ter uma desculpa para lançar as bombas e demonstrar aos russos que a América tinha um novo líder, um “novo xerife em Dogde City” que, diferentemente de Roosevelt, seria duro com os russos em termos de política externa e que estes deveriam “ficar na sua” no período que ficou conhecido como “Guerra Fria”. Uma razão secundária foi que o Congresso seria informado agora por que eles tornaram secreto o Projeto Manhattan e gastaram uma fortuna mostrando que não somente as bombas funcionavam, mas também elas trouxeram um fim para a guerra, fizeram os russos recuar e tornaram a América a maior potência militar do mundo.

Se a rendição japonesa tivesse sido aceita entre maio e o final de julho de 1945 e o imperador tivesse sido mantido no cargo, como de fato ele permaneceu após o bombardeio atômico, isto teria mantido a Rússia fora da guerra. A Rússia concordou em Yalta a entrar em guerra contra os japoneses três meses após a rendição alemã. De fato, a Alemanha rendeu-se em 8 de maio de 1945 e a Rússia anunciou em 8 de agosto (exatamente três meses depois) que estava abandonando sua política de neutralidade em relação ao Japão e entrou na guerra. A entrada na guerra da Rússia por seis dias permitiu-lhes ganhar poder e influência extraordinários na China, Coréia e outras áreas importantes da Ásia. Os japoneses morriam de medo do Comunismo e se a proclamação de Postdam indicava que a América aceitaria a rendição condicional permitindo ao imperador permanecer no cargo e informasse os japoneses de que a Rússia entraria na guerra se eles não se rendessem, então isto certamente apressaria a rendição japonesa.

A segunda questão que Alperovitz responde na segunda metade do livro é como e por que o mito de Hiroshima foi criado. A estória do mito começa com a pessoa de James B. Conant, o presidente da Universidade Harvard, que foi um cientista proeminente, tendo inicialmente estabelecido sua reputação como químico criador de gás venenoso durante a Primeira Guerra Mundial. Durante a Segunda Guerra, ele foi chefe do Comitê de Pesquisa de Defesa nacional do verão de 1941 até o fim da guerra e ele foi uma das figuras centrais no Projeto Manhattan. Conant começou a se preocupar com o futuro de sua carreira acadêmica, assim como com suas posições na indústria privada, pois várias pessoas começaram a questionar o motivo do lançamento das bombas. Em 9 de setembro de 1945, o almirante William F. Halsey, comandante da Terceira Frota, foi citado publicamente como dizendo que a bomba atômica foi usada porque os cientistas tinham “um brinquedo e queriam testá-lo...” Ele complementou, “a primeira bomba atômica foi um experimento desnecessário... foi um erro tê-la lançado.” Albert Einstein, um dos principais cientistas mundiais, que também teve uma conexão importante com o desenvolvimento da bomba atômica, respondeu e suas palavras apareceram na primeira página do New York Times: “Einstein lamenta o uso da Bomba Atômica”. A reportagem escreveu que Einstein afirmou “a grande maioria dos cientistas se opôs ao uso repentino da bomba atômica.” No julgamento de Einstein, o lançamento da bomba foi político – uma decisão diplomática ao invés de uma decisão militar ou científica.

Provavelmente, a pessoa mais próxima de Truman do ponto de vista militar era o Chefe do Grupo de Líderes de Staff, o almirante William Leahy e existem boatos de que ele também lamentou o uso da bomba e havia aconselhado Truman a não usá-la, alertando-o para revisar a política de rendição incondicional de modo que os japoneses pudessem se render e manter o imperador. As visões de Leahy foram mais tarde relatadas por Hanson Baldwin em uma entrevista que Leahy “achava que o lance de reconhecer a continuação do Imperador era um detalhe que podia ter sido resolvido facilmente.” A secretária de Leahy, Dorothy Ringquist, relatou que Leahy lhe disse no dia em que a bomba de Hiroshima foi lançada, “Dorothy, lamentaremos esse dia. Os Estados Unidos sofrerão, porque a guerra não deve ser feita contra mulheres e crianças.” Outra voz naval importante, o comandante em chefe da Frota americana e chefe das Operações Navais, Ernest J. King, afirmou que o bloqueio naval e o bombardeio anterior do Japão em março de 1945, haviam deixado os japoneses sem outra opção e o uso da bomba atômica foi desnecessária e imoral. Analogamente, a opinião do Almirante Chester W. Nimitz foi relatada em uma conferência de imprensa em 22 de setembro de 1945 como sendo “o Almirante aproveita a oportunidade de juntar-se àquelas vozes que insistem que o Japão fora derrotado antes do bombardeio atômico e da entrada da Rússia na guerra.” Em um discurso subsequente no Monumento de Washington em 5 de outubro de 1945, o Almirante Nimitz disse que “os japoneses já tinham, de fato, implorado por paz antes da era atômica ser anunciada ao mundo com a destruição de Hiroshima e antes da entrada russa na guerra.” Foi sabido também que em 20 de julho de 1945, o general Eisenhower havia pedido a Truman, em uma visita pessoal, para não usar a bomba atômica. O argumento de Eisenhower foi “não é necessário atingi-los com esta coisa terrível... usar a bomba atômica, matar e aterrorizar civis, sem qualquer tentativa (de negociações) foi um duplo crime.” Eisenhower também disse que não era necessário a Truman sucumbir a Byrnes.

James Conant chegou à conclusão que alguma pessoa na administração deveria vir a público para mostrar que o lançamento das bombas era uma necessidade militar, assim salvando a vida de centenas de milhares de soldados americanos, de modo que ele se aproximou de Harvey Bundy e seu filho, McGeorge Bundy. Foi acordado por eles que a pessoa mais importante para criar este mito era o Secretário da Guerra, Henry Stimson. Foi decidido que Stimson escreveria um longo artigo a ser amplamente divulgado nas revistas nacionais mais conhecidas. Este artigo foi revisado repetidamente por McGeorge Bundy e Conant antes de ser publicado na revista Harper de fevereiro de 1947. O longo artigo tornou-se assunto de primeira página e editorial no New York Times e no editorial estava escrito, “Não há dúvidas que o presidente e o Sr. Stimson estão certos quando eles mencionam que a bomba provocou a rendição japonesa.” Mais tarde, em 1949, o presidente Truman endossou especificamente esta conclusão, incluindo a ideia de que ela salvou a vida de um milhão de soldados. Este mito tem sido renovado anualmente pela mídia e por vários políticos desde então (N. do T.: até para justificar as políticas imperialistas do governo americano ao redor do globo) .

É interessante notar que em suas memórias Henry Stimson, chamada “Em Serviço Ativo em Paz e na Guerra”, ele escreva “infelizmente, vivi o suficiente para saber que a história não é geralmente o que de fato aconteceu, mas o que é registrado nela.”

Para trazer este assunto em foco sob um ponto de vista da tragédia humana, recomendo a leitura do livro de um sobrevivente de Hiroshima, “Diário de Hiroshima: O Registro de um Médico Japonês”, de Michiko Hachiya, o registro diário de um médico sobre as mulheres, crianças e idosos que ele tratou no hospital. O médico estava muito ferido, mas se recuperou o suficiente para ajudar is outros e seu relato das tragédias pessoais de civis inocentes que foram queimados ou morreram como resultado da bomba coloca a questão moral em uma perspectiva clara.

Agora que vivemos na era nuclear e há armas nucleares suficientes espalhadas pelo mundo para destruir a Civilização, precisamos enfrentar o fato de que a América é o único país a ter usado esta arma terrível e que foi desnecessário fazê-lo. Se os americanos pudessem reconhecer esta realidade, ao invés de acreditar no mito, poderia ser motivo de uma revolta moral que poderia levar o mundo a perceber que as guerras no futuro poderão ser nucleares, e portanto todas as guerras devem ser evitadas a qualquer custo.   

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Cientistas da Nasa tentam determinar se viagem mais rápida do que a luz é possível

Folha, 03/09/2013

 
Na sede do Centro Espacial Johnson, Harold White e outros engenheiros da Nasa vêm redesenhando diversos instrumentos --um laser, uma câmera e pequenos espelhos-- com o objetivo de usá-los para distorcer a trajetória de um fóton, alterando a distância que ele percorre em determinada área.

Tralhando em um laboratório imune a vibrações, construído especialmente para esse fim, a equipe está tentando determinar se uma viagem mais rápida do que a luz poderia ser possível. Dobra espacial. Como em "Star Trek".

"O espaço vem se expandindo desde o Big Bang, há 13,7 bilhões de anos", disse White, 43, físico e engenheiro de propulsão avançada que dirige o projeto de pesquisa. "Sabemos, ao examinar alguns modelos cosmológicos, que houve períodos iniciais do Universo em que ocorreu uma inflação explosiva, onde dois pontos teriam se afastado mutuamente a velocidades muito elevadas."

"A natureza é capaz de fazer isso. Então a pergunta é se podemos fazer o mesmo."

"Não excederás a velocidade da luz", postulou Einstein, o que basicamente significa impor um limite galáctico de velocidade.

Mas, em 1994, o cientista mexicano Miguel Alcubierre teorizou que velocidades superiores à da luz seriam possíveis sem contradizer Einstein.

A teoria de Alcubierre envolvia o aproveitamento da expansão e da contração do espaço. Sob essa hipótese, uma nave continuaria sem poder exceder a velocidade da luz numa região específica do espaço. Mas um sistema teórico de propulsão que ele esboçou manipulava o espaço-tempo ao gerar uma "bolha de dobra" que expandiria o espaço num lado da nave e o contrairia no lado oposto.

"Dessa forma, a nave espacial será empurrada pelo próprio espaço-tempo para longe da Terra e puxada na direção de uma estrela distante", escreveu ele.

Mas o estudo de Alcubierre era puramente teórico e sugeria obstáculos intransponíveis. Ele dependia, entre outras coisas, de enormes quantidades de um tipo de "matéria exótica" que violasse as leis típicas da física.

White acredita que os avanços obtidos por ele e por outros tornaram menos implausível o conceito de dobra espacial. Entre outras coisas, ele redesenhou a nave espacial teórica capaz de viajar nessas dobras --e em especial o anel ao seu redor, que é crucial para o sistema de propulsão-- de uma forma que ele acredita que reduziria grandemente as exigências energéticas.

Ele se apressa em apresentar ressalvas, dizendo que sua pesquisa está apenas tentando provar que uma microscópica bolha de dobra pode ser detectada em um laboratório. "Não estamos atrelando isso a uma nave espacial."

Teoricamente, uma dobra espacial poderia reduzir o tempo de viagens interestelares de dezenas de milhares de anos para semanas.

"Minha opinião pessoal é de que essa ideia ainda é maluca", disse Edwin Taylor, ex-editor da revista "The American Journal of Physics" e pesquisador sênior do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. "Confira comigo daqui a alguns séculos."

Mas o físico Richard Obousy, presidente da ONG Icarus Interstellar, composta por voluntários que colaboram no projeto de uma nave espacial, disse que não se trata de um simples devaneio. "Tendemos a superestimar o que podemos fazer em curtas escalas de tempo, mas acho que subestimamos enormemente o que podemos fazer em escalas temporais mais prolongadas", disse ele sobre o trabalho de White, que é seu amigo e colaborador da Icarus.

O astrofísico Neil deGrasse Tyson, do Museu Americano de História Natural, disse que a viabilidade das viagens interestelares dependeria de algum salto para além da nossa atual tecnologia.

"Na minha leitura", disse ele, "a ideia de uma dobra espacial que funcione continua sendo inconcebível, mas o importante é que as pessoas estão pensando a respeito -lembrando a todos nós que a ânsia por explorar continua correndo fundo na nossa espécie".


 
Propulsão Alcubierre

A Propulsão de Alcubierre (ou Dobra Espacial) é um modelo matemático teórico para uma forma de viagem espacial mais rápida que a luz, utilizada na série de ficção científica Jornada nas Estrelas.

Em 1994, o físico mexicano Miguel Alcubierre propôs um método de alongamento do espaço em uma onda que, em teoria, poderia fazer com que o tecido do espaço à frente de uma nave espacial se contraia, enquanto que o tecido que está atrás da nave se expanda. A nave se deslocaria surfando esta onda dentro de uma região conhecida como bolha de dobra, onde as características normais do tecido espaço-tempo se manteriam inalteradas. Uma vez que a nave não estaria se movendo dentro desta bolha, mas transportada junto com ela, os efeitos de dilatação do tempo previstos pela Teoria da Relatividade Especial não se aplicariam à nave, mesmo com a altíssima velocidade de deslocamento em relação ao espaço normal em volta da nave. Além disso, esse método de viagem não implica realmente em se deslocar mais rápido que a luz, uma vez que no interior da bolha, a luz continuaria a ser mais rápida que a nave.

Assim, a Propulsão Alcubierre não contradiz a alegação tradicional da relatividade que proíbe que um objeto com massa seja mais rápido que a luz. No entanto, não se conhecem métodos para criar uma bolha de dobra em uma região do espaço, ou de deixar a bolha, uma vez lá dentro, de modo a Propulsão Alcubierre continua a ser um conceito teórico.

A Medida Alcubierre define a chamada propulsão de dobra espacial. Esta é um tubo de Lorentzian que, se interpretada no contexto da relatividade geral, apresenta características parecidas com a dobra espacial de Jornada nas Estrelas: uma bolha de dobra aparece no anteriormente plano tecido do espaço-tempo e se move a velocidade superluminal de forma efetiva. Os habitantes da bolha não sentem efeitos inerciais. Os objetos dentro da bolha não viajam (localmente) mais rápida do que a luz, em vez disso, o espaço à sua volta se move para que os objetos cheguem ao seu destino mais rápido do a luz viajaria, caso a viagem se fizesse em espaço normal.

Para aqueles familiarizados com os efeitos da relatividade especial, tal como a dilatação do tempo, a métrica Alcubierre aparentemente tem alguns aspectos peculiares. Em particular, Alcubierre demonstrou que, mesmo quando a nave espacial está acelerando, ela viaja em queda livre. Em outras palavras, uma nave usando a dobra para acelerar e desacelerar estará sempre em queda livre, e a tripulação não teria nenhuma sensação de aceleração. Enormes forças gravitacionais estarão presentes junto à fronteira da bolha de dobra, devido à grande curvatura do espaço lá, mas de acordo com a especificação da medida, estas seriam muito pequenas dentro do volume ocupado pela nave.

A forma original da teoria de dobra, e as variações mais simples dela, foram escritas com o formalismo de Arnowitt, Deser e Misner, que é frequentemente utilizado em discutir a forma inicial da relatividade geral. Isto pode explicar o equívoco generalizado de que este espaço-tempo é uma solução da equação de campo relatividade geral. Métricas escritas dentro do formalismo ADM são adaptadas a uma determinada família de observadores inerciais, mas os observadores não são fisicamente distinguíveis das outras famílias. Alcubierre interpretou esta "bolha de dobra" em termos de contração do espaço à frente da bolha e expansão atrás. Mas essa interpretação pode ser ilusória, uma vez que a contração e expansão atualmente se referem ao movimento relativo próximo de observadores do tipo da família ADM.

Na relatividade geral, primeiramente se especifica uma distribuição de matéria e energia de forma plausível, e em seguida se verifica a geometria do espaço-tempo associado. Mas também é possível solucionar as equaçõs de campo de Einstein na outra direção: primeiro especificando uma medida e, em seguida, encontrando um tensor associado a ela. Foi isso que Alcubierre fez. Esta forma significa que a solução pode violar diversas condições de energia e requerer matéria exótica. A necessidade de matéria exótica leva à questão de se é realmente possível encontrar uma forma de ditribuir a matéria em um espaço-tempo inicial onde não exista uma "bolha de dobra", de forma a criar essa bolha posteriormente. Mas ainda existe outro problema, de acordo com Serguei Krasnikov, pode ser impossível criar a bolha sem que se force a matéria exótica a se mover mais rápido que a luz, o que implicaria na existência de táquions. Alguns métodos têm sido sugeridos para evitar o problema da movimento taquiônico, mas provavelmente iriam gerar uma singularidade nua na frente da bolha.


 
Dobra espacial

No universo ficcional de Star Trek, a dobra espacial (ou warp drive em inglês) é uma forma de propulsão mais rápida que a luz (FTL). Geralmente, ela é representada como sendo capaz de impulsionar uma espaçonave ou outros objetos a muitos múltiplos da velocidade da luz, ao mesmo tempo que evita os problemas associados a dilatação do tempo. Ela também é apresentada no jogo de computador Stars! e no filme Starship Troopers, bem como nos jogos de computador StarCraft e Eve Online. Não é capaz, via de regra, de criar uma viagem instantânea entre dois pontos a velocidade infinita, como tem sido sugerido em outras obras de ficção científica usando tecnologias teóricas tais como hiperdrive, salto hiperespacial e Motor de Improbabilidade Infinita. Ela é denominada FTL (Faster Than Light) nos romances Titan. Uma diferença entre a dobra espacial (ou warp drive) e o hiperespaço é que, diferentemente do hiperespaço, a nave não entra num universo ou dimensão diferente, ela cria uma pequena "bolha" de tempo-espaço normal ao seu redor. Naves em dobra podem interagir com objetos no espaço normal.

Para executar a dobra espacial, um propulsor de dobra criaria uma espécie de funil, estreito à sua frente e largo à suas costas, e logo depois dilataria sua frente, comprimindo suas costas, pelo qual passaria a espaçonave envolta em sua bolha de dobra. Para quem estivesse dentro dessa bolha, a nave estaria viajando a uma velocidade comum (inferior à da luz), mas para quem estivesse fora, ela deslocar-se-ia a uma velocidade milhares ou mesmo milhões de vezes maior do que a da luz.

Um exemplo seria um tubo de 1,0 metro de diâmetro que se afunila para 0,5 metro, o fluido que corre forçado pelo seu interior a, digamos, 100 unidades de força, passaria bem mais rápido pelo diâmetro menor. E se houver outros afunilamentos sucessivos até às medidas nanômicas, esse fluido (agora teria que ser um superfluido, como o Condensado de Bose-Einstein) estaria transitando a velocidades espantosas, principalmente se a força que o empurra fosse aumentada para 1.000.000.000 de unidades de força, e o diâmetro do tubo voltar a ser igual ou maior de 1 metro ao final.

Nesta hipótese, a nave se achataria e afunilaria até se transformar em um fio do diâmetro de alguns átomos, atingindo um comprimento de alguns anos luz, ou seja, todos os átomos da nave, inclusive os dos seus tripulantes, se ordenariam em fila indiana até o limite permitido de todas as suas ligações quânticas, se comportando como um superfluido, isso em alguns segundos, alcançando estrelas facilmente apenas pelo tamanho que se transformou o fio.

A possibilidade de comprimir átomos num pequeno espaço é o que se vê nos buracos negros.

No universo ficcional de Star Trek, o warp drive é o meio de propulsão usado para se atingir outras estrelas e planetas na nossa galáxia. Em tal universo, a velocidade da nave estelar é dada em "factores Warp", iniciando-se em Warp 1 até 9,99 (sendo que o máximo ficcional, Warp 10, exigiria energia infinita para ser atingido).

Em todo o enredo de TOS (The Original Serie - A Série Original), a velocidade de Warp é regida pela equação: v = c x Warp ^ (10/3), v é a velocidade da nave e c a Constante velocidade da luz e Warp é a velocidade de dobra desejada. Ou seja, quando o capitão Kirk ordena dobra 6, significa que a nave viajará a cerca de 392 vezes a velocidade da luz:
 
 
No episódio "The Changeling", de TOS, quando a USS Enterprise é invadida por uma sonda alienígena auto-consciente, esta faz alterações nos motores da nave, fazendo com que essa atinja warp 12 (3.956 C).
 
Para evitar velocidades absurdas, os produtores criaram um hipotético limite para a velocidade Warp, conhecido como "Barreira Warp 10".
 
Esse limite é explicado pelo fato que quanto mais se desdobra o continnum espaço-tempo, mais o espaço normal é dobrado (aproximando-se um ponto no espaço a outro), maior é o gasto de energia da nave, o que por si só é um limite para velocidade. Por outro lado, nesse limite hipotético, a nave estaria em todos os lugares do universo ao mesmo tempo, ocupando o espaço de toda a matéria existente no universo, o que tornaria impossível fisicamente essa velocidade (velocidade infinita).
 
Para manter a integridade da história e regulamentar essa velocidade limite, os produtores de Jornada, criaram o conceito hipotético de "transdobra", isto é, um jeito de vencer o limite da dobra 10 sem barrar-se no conceito de velocidade infinita. Ainda que implicitamente, uma nova equação de dobra foi criada: v / c = Warp ^ (10 / 3) + (10 - Warp) ^ (-11 / 3). Na próxima cronologia Trekker, o incidente provocado no epsódio citado, fez com que os cientistas da Federação percebessem que a equação de Warp estava incompleta. E, que a velocidade atingida pela USS Enterprise, Warp 12, na verdade seria Transdobra 2, porém, "apenas" Warp 9,87227 pela equação revista.
 
Nesse caso específico, houve um sério risco de destruição da nave, pois a USS Enterprise original não teria como suportar por muito tempo essa velocidade sem a destruição da nave.
As pesquisas para criar uma nave capaz de suportar tal velocidade de modo sustentável, terminaram com o desenvolvimento da nave USS Excelsior, que acabou se tornando um grande fracasso.
 
Nas séries seguintes (com exceção de Enterprise), essa nave capaz de se sustentar em transdobra ainda não foi completada. As naves do final do séc XXIV, são capazes apenas de suportar tal velocidade (acima de dobra 9.9, pela equação revista) apenas por alguns minutos. Por exemplo: A USS Voyager é capaz de atingir dobra 9,975 (transdobra 47) por apenas 15 minutos. Isso permite que ela cubra uma distância de cerca de 20 anos-luz, porém o gasto de energia seria tal, que ela teria que ser abastecida imediatamente.
Boa parte do enredo do século XXIV, tem como base o sonho da federação atingir a capacidade de chegar a outras galáxias ou mesmo conseguir atravessar a galáxia de forma rápida e segura.
 
 

domingo, 8 de setembro de 2013

[ARM] F/A-18 - Um “Vespão” de Ferrão Afiado e Olhos Bem Atentos

DefesaNet, 24 de Abril, 2012



Herdeiro da tradição de aeronaves de combate que reúnem em um mesmo conceito robustez e versatilidade, o Boeing F/A-18 E/F Super Hornet tem uma folha de serviço de veterano, mas, ostenta impecável forma de um jovem cadete. Essa “disposição ao front” dá-se graças a um competente programa de incorporação constante de atualizações, upgrades e novas tecnologias. Em 2006, o F/A-18 concluiu o programa de substituição do Grumman F-14 Tomcat, aeronave imortalizada no filme Top Gun – Ases Indomáveis, e responsável por despertar a vocação de toda uma geração de aviadores. A missão de substituir uma lenda não era das mais fáceis, porém, o êxito do projeto foi tal que, não só re-equipou a linha de frente de combate da Força Aeronaval Americana, como também, elevou sobremaneira a capacidade de multi-funções da aviação da US Navy e do Marine Corps.

Dois motores com custo inferior a um F-16

Da criação deste caça multirole, até os dias de hoje, a Boeing tem conduzido uma modernização tão completa e significativa que as aeronaves em operação na atualidade revelam um novo avião, se comparados aos primeiros a entrar em serviço¹, seja no aspecto de aerodinâmica e desempenho em voo, aviônicos, motorização, radar, sensores, links e integração de diferentes sistemas de armas, o que culminou em uma impressionante eficiência e disponibilidade, que resultaram em um custo operacional por hora voada cada vez mais reduzido.

No quesito manutenção e disponibilidade, os números estatísticos são de chamar a atenção. Com apenas 3 níveis de manutenção, o avião permanece em missões por mais tempo e, chegado o momento de cumprir os programas mais complexos de revisão ou reparos, retorna muito rapidamente à linha de voo. Para se ter uma idéia, uma troca completa de motor dura menos de 60 minutos com a utilização de apenas 4 tipos de ferramentas de uso padrão, e o reabastecimento e armamento para uma missão de escolta, por exemplo, não excede os 35 minutos, com o envolvimento de não mais que sete profissionais, entre manutenção e material bélico.

A versatilidade e robustez do “conjunto da obra” podem ser ilustradas com duas características curiosas: as distâncias mínimas para operações de pouso e decolagem, e a ausência de qualquer limitação do regime de potência. O caça da Boeing armado com 2 AIM-9 Sidewinder e 2 AIM-120 AMRAAM decola em apenas 440 metros e pousa em 780 metros (2)¹ . Praticamente em uma “pista de aeroclube”. Quanto ao uso dos motores, nenhuma restrição quanto a limitações de regime. Pode-se se ir direto do idle a full afterburner (ou seja, da “marcha lenta” à máxima potência de pós-combustão) sem medo de danos às turbinas, ou falha de resposta.

Quanto à discussão sobre as vantagens e desvantagens de um caça com um ou dois motores, principalmente levando-se em conta o custo operacional, e em uma realidade de restrições orçamentárias, é importante comentar sobre os números aos quais DefesaNet teve acesso. Eles revelaram a partir de relatórios oficiais que, nos dias de hoje, o custo de uma hora de voo de um Super Hornet, uma aeronave equipada com 2 motores F414-GE-400 que oferecem 44.000 lbs de empuxo, é mais barato que o de um F-16, caça monomotor da General Dynamics Lockheed Martin equipado com um turbofan F110-GE-129 no Block 50, ou o F100-PW-229 no Block 52, que disponibilizam 29.588 lbs e 29.160 lbs de empuxo, full afterburner respectivamente.
          
Um veterano em constante estado da arte

Do mais recente incremento de novas tecnologias, saído da linha de montagem em St. Louis, Missouri, nos Estados Unidos, a incorporação de pods de armamentos e tanques conformais que se estendem ao longo da fuselagem, incrementam a capacidade aerodinâmica e dão o toque Stealth – capacidade furtiva – ao Super Hornet, reduzindo ainda mais a já baixa RCS frontal – assinatura radar.

A evolução no cockpit, e que até já foi apresentada no Brasil, tem como ponto alto o LALCD – Large Area Liquid Crystal Display, com função touch-screen, que reduz em muito o work load do piloto, uma vez que traz de forma condensada, integrada e intercambiável todas as informações nas diferentes configurações operacionais (navegação, combate ar-ar, ar-superfície, data link, TFLIR, monitoramento de sistemas e motores, etc.), e por substituir vários displays, traz também a vantagem da redução do custo por unidade.
          
O conceito Locked – Loaded – Linked definido pela equipe industrial do projeto na Boeing, pode ser bem compreendido ao se utilizar os sistemas integrados embarcados em conjunto com os recentes pods de designação de alvos, bombas inteligentes e mísseis de última geração (o que fizemos na condição SIM em voo e nos exercícios de treinamento no simulador). A harmonia entre armas e informações de SA – situational awareness, consciência situacional – fornecidas pela atuação combinada do radar APG-79 AESA – Active Electronically Scanned Array, ou radar de varredura eletrônica ativa, o JHMCS – capacete com sistema de aquisição de alvos integrado, IRST e ATFLIR – rastreamento e visualização de alvos por infravermelho, respectivamente – junto ao MIDS (Link-16) asseguram a este “Vespão” que seu ferrão continue bem afiado e seus olhos bem atentos.
          
A definição de multirole do Super Hornet vai bem além do conceito técnico da expressão, uma vez que além do desempenho de funções múltiplas “normais”, pode assumir até mesmo a função tanker, reabastecendo em voo outras aeronaves, sem que para isto seja necessária qualquer conversão ou alteração de sua estrutura ordinária ou sistemas.

O F/A-18 é uma aeronave altamente testada, com a incrível marca de 166.000 horas em combate. A estrutura de cada caça prevê um ciclo de vida da ordem de 9.500 horas de voo, e a permanência em serviço ativo do modelo na Marinha Americana será, a princípio, até 2035. A futura incorporação do JSF – Joint Strike Fighter – F-35, está concebida dentro da operação conjunta com o Super Hornet, onde a relação do inventário seria de 2 F/A-18 para 2 F-35, atuando concomitantemente.
 
 
Ficha Técnica Boeing F/A-18E/F Super Hornet 

Tripulação:               F/A-18E: 1
                                 F/A-18F: 2

Comprimento:          18,31 m

Envergadura:           13,62 m

Altura:                       4,88 m

Área da Asa:             46,5 m²

Peso Vazio:            F/A-18E: 14.552 kg
                              F/A-18F: 14.876 kg

Peso Máximo de Decolagem:          29.937 kg

Capacidade Interna de Combustível:     F/A-18E: 14.400 lbs
                                                             F/A-18F: 13.550 lbs
Capacidade Externa de Combustível:    5 × tanques de 480 gal, totalizando 16.380 lbs

Percentual Peso Estrutural: Alumínio...............30%
                                            Aço......................15%
                                            Titânio...................21%
                                            Fibra de Carbono ..19%
                                            Outros..................15%

Motorização:      (2) GE F414-GE-400

Empuxo Full Afterburner: 44.000 lbs

Velocidade Máxima: 1.6 Mach

Teto de Combate: 50.000 ft

Alcance: 2.346 km, sem tanques externos, com 2 AIM-9

Raio de Combate: 722 km sem reabastecimento em voo

Alcance em Traslado: 3.330 km

Razão de Subida: 44.882 ft/min (228 m/s)
 

Armamento

Canhão:         1× 20 mm M61A2 Vulcan tipo gatling gun

Cabides:           11 totais
                        2× ponta de asa
                        6× embaixo da asa
                        3× abaixo da fuselagem com capacidade de 8.050 kg de tanques de combustível
                        ou armamentos

Mísseis:

                        Ar-Ar:               AIM-9 series Sidewinder
                                                AIM-120 series AMRAAM

                        Ar-Superfície:  AGM-65 Maverick
                                                Standoff Land Attack Missile (SLAM-ER)
                                                AGM-88 HARM Míssil Anti-radiação
                                                AGM-154 Joint Standoff Weapon (JSOW)

                        Anti-Navio:       AGM-84 Harpoon
 

Bombas mais utilizadas:

                                                  GBU-12/16 LGB Bombas guiadas a Laser
                                                  GBU-24B/B LGB Bombas guiadas a Laser
                                                  GBU-32/38 JDAM Bomba guiada de precisão (PGMs)
                                                  Mk-82/83 Bombas de queda livre baixo arrasto para emprego geral
                                                  Mk-84 ou convertida com kit JDAM para GBU-31

Outros:
                                                  Raytheon AN/ALE-50 towed decoy (chamariz de mísseis rebocado)
                                                  AN/ASQ-228 ATFLIR pod Visão avançada de alvo por infra-vermelho
                                                  1 a 3 tanques de 330 US gal (1.200 lts)
                                                  4× tanques de 480 US gal (1,800 L) para reabastecimento de outras
                                                       aeronaves em voo (ARS)

Aviônicos:
                                                  Raytheon APG-79 Radar
                                                  ARC-210 radios
                                                  ANAV Sistema de navegação GPS/INS
                                                  AN/ALQ-214 Sistema de contramedidas eletrônicas
                                                  APN-194 radar altímetro
                                                  APX-111 IFF Transponder
                                                  Northrop Grumman AN/ALR-67(V)3 radar warning receiver
                                                  USQ-140 MIDS (Link 16)

Operadores:   US Navy – Estados Unidos
                      Royal Australian Air Force – Austrália

 

sábado, 7 de setembro de 2013

[PGM] O uso chocante de armas químicas por Winston Churchill

The Guardian, 01/09/2013

 
Segredo era a ordem. O staff imperial geral da Grã-Bretanha ficaria ultrajado se se tornasse público que o governo pretendia usar seu estoque secreto de armas químicas. Mas Winston Churchill, então Secretário de Estado da Guerra, passou por cima desses detalhes morais. Há muito tempo defensor da guerra química, ele estava determinado a usá-las contra os bolchevistas russos. No verão de 1919, 94 anos antes do ataque devastador na Síria, Churchill planejou e executou um ataque químico no norte da Rússia.

Os britânicos não eram ignorantes em relação ao uso das armas químicas. Durante a terceira batalha de Gaza em 1917, o general Edmund Allenby disparou 10.000 cartuchos de gás asfixiante em posições inimigas, com efeito limitado. Mas nos meses finais da Primeira Guerra Mundial, os cientistas nos laboratórios governamentais em Porton em Wiltshire desenvolveram uma arma ainda mais devastadora: o “Dispositivo M” ultra secreto, uma cápsula explosiva contendo um gás altamente tóxico chamado difenil-amina-cloro-arsênico. O encarregado pelo seu desenvolvimento, o general de divisão Charles Foulkes, o chamou de “a arma química mais eficiente jamais criada.”

Testes em Porton sugeriam que ele era de fato uma nova arma terrível. Vômito incontrolável, tosse acompanhada de sangue e fatiga paralisante instantânea eram as reações mais comuns. O coordenador geral da produção de armamento químico, Sir Keith Price, estava convencido de que o seu uso levaria rapidamente o regime bolchevista ao colapso. “Se você voltasse para casa somente uma vez com o gás, não encontraria mais nenhum comuna neste lado do Vologda*.” O gabinete era hostil ao uso de tais armas, para a irritação de Churchill. Ele também queria usar o Dispositivo M contra as tribos rebeldes do norte da Índia. “Sou totalmente a favor do uso de gás venenoso contra as tribos selvagens,” ele declarou em um memorando secreto. Ele criticou seus colegas por seus escrúpulos, declarando que “as objeções do Departamento da Índia em usar gás contra os nativos é irracional. O gás é arma mais misericordiosa que um projétil explosivo e obriga o inimigo a aceitar uma decisão com menos perdas de vidas do que outros tipos de guerra.”

Ele concluiu seu memorando com humor negro: “Por que não é justo para um artilheiro britânico disparar um projétil que faz os nativos espirrarem?” ele perguntou. “É realmente idiota.”

Uma quantidade surpreendente de 50.000 Dispositivos M foram despachados para a Rússia: ataques aéreos britânicos utilizando-os começaram no dia 27 de agosto de 1919, atingindo a vila de Emtsa, 200 km ao sul de Arcangel. Soldados bolchevistas foram vistos fugindo em pânico à medida que o gás esverdeado caiu sobre eles. Aqueles engolidos pela nuvem vomitaram sangue, então desmaiando inconscientes.  

Os ataques continuaram até setembro em muitas vilas mantidas pelos bolchevistas: Chunova, Vikhtova, Pocha, Chorga, Tavoigor e Zapolki. Porém, as armas provaram ser menos eficientes do que Churchill esperava, em parte por causa do clima úmido do outono. Em setembro, os ataques foram interrompidos então suspensos. Duas semanas depois, as armas restantes foram jogadas no Mar Branco (n. do T.: entre a Finlândia e o norte da Rússia). Eles permanecem no fundo do mar até hoje a uma profundidade de 80 metros.

Nota:

* Vologda é uma cidade localizada no centro-norte da Rússia às margens do rio de mesmo nome. Em dezembro de 1917, ela tornou-se o centro de poder soviético e em fevereiro de 1918 tornou-se a capital diplomática da Rússia por alguns meses.