terça-feira, 8 de outubro de 2013

[PGM] Como a Inglaterra ajudou a começar a Grande Guerra

Paul Gottfried
 


Um assunto muito pouco explorado é o papel do governo britânico no início da Primeira Guerra Mundial. Até recentemente, era difícil encontrar estudiosos que duvidassem do julgamento confortável de que a “Alemanha autoritária” causou a Grande Guerra devido à sua arrogância. Supostamente, os britânicos somente se envolveram após os alemães precipitadamente violarem a neutralidade da Bélgica em seu caminho para conquistar a França “democrática”.

Mas o Secretário do Exterior britânico, Sir Edward Grey, tinha feito de tudo ao seu alcance para isolar os alemães e seus aliados austro-húngaros, que estavam corretos em sua preocupação de ficarem cercados por inimigos. A Tríplice Entente, largamente construída pelo governo Grey e que colocou os franceses e russos em uma aliança diversificada, cercaram a Alemanha e a Áustria com parceiros belicistas. Em julho de 1914, os líderes alemães sentiram a necessidade de apoiar seus aliados austríacos em uma guerra contra os sérvios, que eram o Estado fantoche russo. Estava claro então que este conflito exigiria que os alemães lutassem contra a Rússia e a França.

Os militares alemães fatalmente aceitaram a possibilidade da Inglaterra entrar na luta contra eles. Isto poderia ter acontecido mesmo se os alemães não tivessem violado o solo belga para derrotar os franceses antes de enviar seus exércitos para o leste para enfrentar uma invasão russa maciça. Os ingleses eram tudo, menos neutros. No verão de 1914, seu governo estava prestes a assinar uma aliança militar com a Rússia, planejando uma operação conjunta contra a Pomerânia alemã no caso de uma guerra geral. Os britânicos também deram garantias ao ministro do exterior francês, Teófilo Delcassé, que eles estariam ao lado dos franceses e russos (que eram aliados desde 1891) se a guerra eclodisse contra a Alemanha.

Grey rejeitou as tentativas do Chanceler alemão,Teobaldo Von Bethmann-Hollweg, para deixar seu governo fora do alcance de compromissos com os inimigos da Alemanha.

As concessões alemãs em 1912 incluíam:

* A aceitação do domínio britânico na construção de estradas e acessos às reservas de petróleo no que hoje é o Iraque.

* Investimentos conjuntos na África central que claramente beneficiariam mais os ingleses do que os alemães.

* Humildemente seguir a liderança da Inglaterra nas duas Guerras dos Bálcãs, onde o inimigo da Áustria, a Sérvia, quase dobrou seu território.

Os russos e os franceses também estavam expandindo enormemente seu alistamento e ultrapassaram as forças alemãs e austríacas, mas nem as concessões alemã nem os golpes de sabre dos aliados continentais da Inglaterra provocaram uma mudança de direção do governo britânico. Lorde Grey, que permaneceu secretário do exterior até 1916, nunca mudou sua opinião de que a Alemanha era o inimigo mais perigoso da Inglaterra.

Um livro que deixa isto claro é o estudo de Konrad Canis da política externa alemã de 1902 até 1914. Um volume enorme de mais de setecentas páginas ,  O Caminho para o Abismo, é um relato revisionista extraordinário das confusões que levaram à guerra.

Canis revela muitos pontos que não encontraremos no academicismo histórico comum:

1) A política externa do Segundo Império alemão era largamente passiva. Isto era verdade não somente para Bismarck após a unificação de 1871, mas quase totalmente verdadeiro para a política externa alemã a partir de 1902.

2) Os britânicos eram mais hostis aos alemães do que vice-versa. Eles viam a Alemanha como um competidor econômico em ascensão que tinha se estabelecido como a potência militar dominante no continente. Tanto a opinião pública quanto os líderes alemães eram fortemente anglófilos; o Chanceler Bethmann-Hollweg considerava a amizade britânica algo que valia a pena, mesmo que custasse os interesses alemães.

3) O governo alemão e a maioria da imprensa alemã faziam uma distinção clara entre esperar que seu país se tornasse uma potência mundial e aspirar o domínio sobre todos os países. As fontes de Canis sugerem que alemães influentes esperavam tornar-se uma potência “na escala da Inglaterra,” um país que eles respeitavam e não tinham interesse em combater.

Em 1914, a Rússia representava uma ameaça maior à Inglaterra do que a Alemanha ou a Áustria. A Inglaterra estava lutando contra a Rússia pelo domínio da Ásia Central. Ao invés de confirmar suas prioridades geopolíticas, Lorde Grey ofereceu à Rússia uma terceira frente contra os alemães prometendo disponibilizar os navios britânicos para um desembarque no norte da Alemanha. Esta foi a maneira como o governo britânico tentou resolver suas diferenças com a Rússia, já que ambos estavam se expandindo na mesma região. Nestes compromissos britânicos, não está claro se uma distinção ainda é possível entre guerras ofensivas e defensivas.

E então, temos os EUA. Quando o embaixador alemão se aproximou de Teddy Roosevelt para se unir aos alemães em garantir mercado aberto no Vale do Rio Yangtze na China e outras regiões então fechadas pelos britânicos e franceses, TR se recusou. Ele disse que não poderia assinar tal documento antes de consultar primeiro os britânicos. Esta é uma prova para aqueles que acreditam que os EUA eram um estado vassalo da Inglaterra antes da Primeira Guerra Mundial.

O autocrático governo russo, que entrou na guerra pelo leste, não era totalmente “democrático” em 1914, mas na época que Woodrow Wilson jogou-nos no caldeirão europeu,  a Rússia estava envolvida na primeira de duas revoluções, esta uma mudança revolucionária democrática em março de 1917. Assim, os EUA poderiam aliar-se ao aceitável governo provisório russo quando ele pegasse em armas contra os supostos belicistas alemães.

A Aliança Funesta, de Georg e Kennan, e A Origem Russa da Primeira Guerra Mundial, de Sean McMeekin, documentam o papel do governo russo agressivamente expansionista em iniciar a Grande Guerra. Mas tais revelações não são mais surpresa.

O que é mais surpreendente é a descoberta do papel da Inglaterra em criar esta catástrofe.  Esta omissão pode ser atribuída a certas causas óbvias: a visão errada de que a Inglaterra só entrou na guerra por causa da violação da neutralidade belga (isto confunde um pretexto com uma causa); a disposição anglófila das elites apolíticas e acadêmicas americanas; e mais recentemente, a noção tendenciosa de que “democracias jamais lutam entre si.” Infelizmente para esta generalização, os governos da Alemanha e Inglaterra (e certamente suas sociedades) em 1914 eram muito mais semelhantes entre si do que se parecem os atuais regimes americano e canadense.

Canis não defende a decisão final desastrosa em 1914. Os alemães deveriam ter segurado os austríacos mesmo após os agentes sérvios terem matado o arquiduque Ferdinando da Áustria.  A guerra resultante dilacerou a Velha Europa. As indústrias militares que Grey, Churchill e outros de sua laia estavam sustentando não eram o que a população queria. Os falcões da guerra estavam desviando o foco das reformas sociais. Apesar de eu dificilmente ser favorável ao Estado do Bem Estar Social, criar um desses na Inglaterra em 1910 teria sido bem menos prejudicial do que a política externa de Grey.        

http://takimag.com/article/how_england_helped_start_the_great_war_paul_gottfried#axzz26g7PSYu5

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Primeiro passo na Lua completa 44 anos

Terra, 20 de Julho de 2013


Há exatos 44 anos, em 20 de julho de 1969, o astronauta americano Neil Armstrong tornou realidade o sonho mais antigo das civilizações humanas quando se converteu no primeiro homem a caminhar na Lua. Enquanto 500 milhões de pessoas em torno do mundo esperavam ansiosamente aglomeradas junto a rádios e telas de televisão de imagem borrada, Armstrong desceu a escada do módulo sobre a superfície lunar.

"Este é um pequeno passo para um homem, mas um grande salto para a humanidade", recitou Armstrong com a voz levemente distorcida pela distância e pelos equipamentos de comunicação, uma frase que ficaria gravada para sempre nos livros de história da Terra.

As multidões ovacionaram o momento quando Armstrong foi alcançado por seu companheiro Buzz Aldrin, que descreveu a "magnífica desolação" da paisagem lunar, nunca antes testemunhada em primeiro plano vista da Terra. Apenas 12 terráqueos caminharam desde então pela superfície da Lua, o solitário e misterioso satélite da Terra que alimentou nossos sonhos desde que os primeiros humanos caminharam sobre o planeta.

A União Soviética foi a primeira nação a colocar um satélite em órbita, em 1957, com o lançamento do Sputnik e, em 1961, Yuri Gagarin se converteu no primeiro homem a viajar ao espaço. A corrida espacial se converteu no símbolo da batalha da Guerra Fria pelo domínio entre ideologias enfrentadas e poderes mundiais polarizados.

"Creio que esta nação deve se comprometer em alcançar a meta, antes de terminar esta década, de aterrissar o homem na Lua e trazê-lo de volta à Terra sem perigo", disse então Kennedy. Foi aí que os EUA desenvolvem o programa Apollo, que transformou-se em uma arma bem sucedida na prova de domínio na corrida espacial que culminou com os passos do americano Neil Armstrong na lua durante a missão Apollo 11, em 1969.

Em plena Guerra Fria, o programa Apollo foi usado para provar o domínio americano na corrida espacial. Colocar uma bandeira dos Estados Unidos na superfície da Lua em 1969 marcou pontos muitos importantes em relação à União Soviética. O programa Apollo, que tornou possível seis alunissagens bem sucedidas entre 1969 e 1972, começou oito anos antes, em 1961, quando o presidente John F. Kennedy lançou o desafio ao Congresso de levar o homem à Lua ainda naquela década.

Mas a conquista da Lua não foi o único resultado da corrida espacial. Muitos dos avanços tecnológicos que desfrutamos hoje - como a comunicação mundial instantânea, via satélite e o uso de computadores pessoais - foram criados na época durante pesquisas de aprimoramento das missões espaciais.


Como funcionava a espaçonave Apollo 

Visão geral da espaçonave

Na plataforma de lançamento, o conjunto da espaçonave Apollo e o veículo de lançamento Saturno V era impressionante. O conjunto tinha mais de 121,9 metros de altura e, da base ao topo, consistia nas partes que você confere a seguir.

  • Veículo de lançamento, que era o foguete Saturno V de três estágios em todas as missões Apollo tripuladas. A função do Saturno V era lançar a espaçonave Apollo ao espaço.
  • Havia uma estrutura que parecia um cone com a ponta cortada. Era chamada de adaptador do módulo lunar da espaçonave (AML). Protegia o módulo lunar (ML), que não conseguia suportar a pressão de viajar pela atmosfera terrestre a grande velocidade. O ML foi a parte da espaçonave Apollo que pousou na lua.
  • O módulo de serviço (MS) vinha a seguir. Ele continha muitos sistemas importantes da espaçonave Apollo, incluindo tanques de oxigênio, células de combustível, baterias e motores. Quando a espaçonave se separava do estágio final do Saturno V, o MS dava o empuxo necessário para ajustar a trajetória, arfagem, rolagem e guinada da espaçonave (os movimentos em torno dos três eixos da espaçonave).
  • Acima do MS ficava o módulo de comando (MC), onde os astronautas permaneciam durante a maior parte da missão.
  • Finalmente, no topo do MC ficava o sistema de escape do lançamento (SEL). Era uma estrutura em forma de torre que parecia um pequeno foguete no topo de uma treliça. A finalidade do SEL era permitir que os astronautas escapassem rapidamente no caso de alguma falha no lançamento. Nessa situação, o SEL puxaria o MC para longe do veículo de lançamento utilizando três motores de foguete de propulsor sólido.


Em contrapartida, quando a espaçonave Apollo reentrava na atmosfera terrestre e pousava no oceano, tinha apenas 3,35 metros de altura. Isso porque a NASA pretendia que somente o módulo de comando retornasse à Terra - todo o resto seria descartado sobre o oceano Atlântico ou no espaço.

O custo do programa foi estimado em mais de US$ 25 bilhões, o que significa mais de US$ 100 bilhões hoje [fonte: NASA]. A maior parte desse dinheiro foi gasto no projeto, na construção e no aperfeiçoamento dos complexos sistemas e no maquinário necessários para levar homens à lua e trazê-los de volta em segurança. A NASA destinou o resto do orçamento para o treinamento dos astronautas, sistemas de controle de solo e despesas afins. 

Os módulos de comando e serviço

O módulo de comando era o local onde os astronautas passavam quase todo o tempo e era a única seção da espaçonave projetada para retornar intacta à Terra. Com sua blindagem contra aquecimento, tinha cerca de 3,9 m de altura e pesava 5,5 t. Dentro, os astronautas tinham cerca de 6 metros cúbicos de espaço habitável - o resto do espaço interno do veículo era destinado aos painéis de controle e displays. O MC era tripulado por três astronautas. Durante o lançamento, os três homens se sentavam em uma poltrona, que eles dobravam e guardavam quando entravam no espaço.

Os engenheiros construíram o MC utilizando chapas de alumínio para a estrutura interna. Do lado de fora do MC, havia uma blindagem contra aquecimento de aço inoxidável soldado com latão e revestido com resina. Sem a blindagem contra aquecimento, os astronautas não sobreviveriam à reentrada na atmosfera terrestre no fim da missão.

O módulo de serviço era um cilindro de 7,5 m de altura. Tinha 3,9 m de largura e pesava 23.244 kg no lançamento. O MS era dividido internamente em seis seções, que continham um sistema de propulsão, tanques para combustível e material oxidante, tanques de hélio usados para pressurizar o sistema de combustível, células de combustível e tanques de oxigênio e hidrogênio. As células de combustível forneciam a energia para a maioria das necessidades da tripulação durante a missão, mas o MS e o MC também tinham baterias como um suplemento de energia.


Durante a maior parte do vôo da missão, o MC e o MS permaneciam conectados um ao outro. O MC dependia dos sistemas do MS para a maioria de suas operações. Devido a disso, alguns se referem às duas unidades como sendo uma só: o MCS.

A ponta do MCS tinha uma sonda que os astronautas utilizavam para fixar no ML. Logo que o adaptador do módulo lunar da espaçonave se separava do resto do veículo, a espaçonave Apollo soltava o ML de sua base. Usando motores de controle de reação (MCRs), o MCS ajustava seu alinhamento, de modo que o topo do MC ficasse de frente para um dispositivo em forma de funil no ML chamado de âncora. Os astronautas no MCS alinhariam a sonda, de modo que se acoplasse à âncora do ML. Uma vez fixado, 12 presilhas automáticas prendiam o ML ao topo do MC. Em outras palavras, o ML se movia de trás para a frente do MCS. Os astronautas podiam retirar a sonda e a âncora do interior da espaçonave, permitindo à tripulação se deslocar entre os dois módulos.
Para tornar a viagem espacial possível - e segura - o MCS precisava integrar diversos sistemas complexos de apoio. Continue lendo para saber como os astronautas puderam completar sua missão confiando nesses sistemas.

Sistemas e controles

Os sistemas a bordo do MCS tinham uma variedade de funções, incluindo navegação, direção, comunicação, apoio à vida, energia elétrica, controle de água e propulsão.

A seguir você vê uma rápida descrição dos sistemas do MCS.

  • Sistema de energia elétrica (SEE): consistia em células de combustível e baterias e fornecia eletricidade em correntes contínua e alternada. A maior parte dos SEEs estava no MS, mas o MC possuía três baterias.
  • Sistema de direção, navegação e controle (SDNC): a finalidade desse sistema era medir e controlar posição, inclinação e velocidade da espaçonave. O SDNC incluía subsistemas inercial, óptico e de computador. O subsistema inativo usava acelerômetros para medir a velocidade da espaçonave e seus movimentos em torno dos três eixos. O sistema óptico incluía um telescópio, um sextante e um sistema eletrônico que enviava dados ópticos ao computador da espaçonave para fins de navegação. O sistema de computador analisava dados de outros subsistemas e também dos comandos manuais dos astronautas. Em seguida, o computador enviava os comandos ao sistema de propulsão da espaçonave para fazer as correções de curso. O computador também tinha um piloto automático digital que podia controlar a espaçonave durante todas as fases da missão.
  • Sistema de estabilização e controle (SEC): esse sistema incluía controles e indicadores para a tripulação da Apollo poder controlar manualmente a rotação ou a velocidade da espaçonave. O sistema enviava comando ao sistema de propulsão da espaçonave.
  • Sistema de propulsão de serviço: localizado no MS, esse sistema de propulsão incluía quatro tanques de combustível de hidrazina e oxidante tetróxido de nitrogênio. Essas substâncias são hipergólicas, o que significa que entram em combustão espontaneamente quando misturadas. O sistema usava tanques de hélio para pressurizar as linhas de combustível. O motor de foguete do sistema produzia até 10.250 kg de empuxo. A NASA montou o motor em uma suspensão Cardan, que é um suporte que pode girar. Girando o motor na direção certa, a espaçonave podia manobrar para a inclinação e a trajetória corretas.
  • Sistemas de controle de reação (SCR): o SCR era um sistema de motores e tanques de combustível. Era parcialmente utilizado como um sistema redundante, o que significava que podia controlar os movimentos da espaçonave se o sistema de propulsão principal falhasse. O MC e o MS tinham um SCR independente. O MS tinha quatro quádruplos, que eram grupos de quatro motores de foguete. Cada motor podia fornecer 50 kg de empuxo. O MC tinha dois grupos de seis motores cada, com cada motor sendo capaz de fornecer 46,5 kg de empuxo. O SCR do MC também controlava a espaçonave durante a reentrada.
  • Sistema de telecomunicação: fornecia a intercomunicação entre os astronautas no espaço e o pessoal na Terra, bem como entre os próprios astronautas. Incluía radiotransmissores e receptores de banda S e freqüência muito alta (VHF) e um transponder. Os astronautas usavam o equipamento VHF para comunicação de curta distância e o equipamento de banda S para comunicação através do espaço. Quando um corpo grande - por exemplo, a lua - ficava entre a espaçonave e a tripulação em terra, perdia-se a comunicação.
  • Sistema de controle ambiental (SCA): controlava a pressão atmosférica e a temperatura da espaçonave, além de controlar a água. Ele coletava a água das células de combustível da nave (um subproduto útil). O SCA regulava a temperatura no MCS por meio de um sistema de resfriamento de água e glicol. O sistema bombeava a água e o glicol através de serpentinas de resfriamento para diminuir a temperatura do líquido. Em seguida, bombeava o líquido através de tubos para resfriar a atmosfera e os sistemas elétricos do MCS, semelhante a um sistema de resfriamento de líquido de computador.
  • Sistema de pouso na Terra: alojado no MC, esse sistema consistia em vários pára-quedas prontos para disparo. A NASA projetou a espaçonave Apollo com a intenção de um pouso na água na reentrada. Os pára-quedas diminuíam a velocidade de descida da espaçonave, o suficiente para garantir a segurança da tripulação.

O módulo lunar


O módulo lunar (ML) da Apollo foi o primeiro veículo tripulado projetado para operar completamente fora do ambiente da Terra. Ele permaneceu acoplado ao MCS durante a viagem da Apollo na órbita lunar. Já em órbita, dois dos três homens se transferiram do MCS para o ML. Após vedarem o MCS e o ML, os astronautas desacoplaram os dois veículos e o ML iniciou sua jornada para a superfície da lua.

O ML tinha duas seções. A seção superior era o estágio de subida e compreendia o compartimento da tripulação, indicadores e controles de sistema, antenas de banda S e de radar, um sistema de controle de reação (SCR), tanques de combustível, oxidante e oxigênio. A seção inferior era o estágio de descida e armazenava o equipamento que os astronautas usariam na lua. Tinha também um motor de foguete de descida, trem de pouso e tanques de combustível e oxidante. As duas seções desceram até a lua, com a seção de descida controlando o pouso, mas quando os astronautas deixaram a lua, fizeram-no somente com a seção de subida. A seção de descida serviu como plataforma de lançamento e foi deixada para trás.


O ML tinha radar de pouso que transmitia feixes de microondas para a superfície lunar e media as ondas que a superfície refletia na espaçonave. Calculando-se o tempo entre a transmissão e a recepção e medindo as ondas, o computador do ML podia calcular a proximidade do módulo à superfície e fazer os ajustes.

Após pousar na lua, os dois membros da tripulação preparariam primeiro o estágio de subida do ML para a decolagem. Depois, descansariam e se preparariam para os objetivos de sua missão na superfície da lua. Uma vez que tivessem concluído esses objetivos, retornariam ao ML para a volta. A seção superior do ML se separaria do estágio de descida (mais uma vez usando parafusos explosivos). O SCR do estágio de subida fornecia 1.750 kg de empuxo, suficiente para colocá-lo em órbita lunar.

A NASA projetou a antena de radar do estágio de subida para receber transmissões do transponder no MCS. O transponder transmitia informações referentes à posição e à velocidade do MCS. Com essas informações, as duas seções manobraram, para que pudessem se acoplar. Após o acoplamento, a tripulação do ML transferiu todas as amostras de materiais que coletaram na lua. Vedaram, então, os dois veículos e desacoplaram o ML, enviando-o para um curso de colisão com a lua. Instrumentos deixados na superfície da lua mediriam o impacto como parte de um projeto de pesquisa sísmica.


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Hierarquia na Legião Romana

General Em Chefe

Magister militum ou Mestre dos Soldados, possuía um exército de várias legiões que lhe eram fiéis, onde o seu estado maior era formado por outros generais. Era de sua responsabilidade atribuir a um oficial de confiança, o papel de recrutar futuros legionários. Ser general em chefe, era o posto mais elevado na carreira militar nas legiões romanas. Apenas os mais audazes, estrategistas e corajosos, conseguem chegar a esta posição de máxima honra e prestigio. Era ele que decidia o que fazer numa batalha, que podia terminar numa derrota, ou numa vitória!Comandar as melhores legiões romanas de todos os tempos, era ter ao seu serviço os melhores legionários de elite. Máxima fidelidade ao general em chefe e a Roma! Mas se o imperador fosse um ditador, ou o senado um ninho de corrupção, o general em chefe seria sempre quem tinha a última palavra, e nesse momento a fidelidade das legiões era máxima ao general em chefe e a ROMA! Nunca a um imperador impiedoso, ou um senado que agia para além dos interesses do povo!
                                                                                    
General

Liderava uma legião. O dever do general era percorrer a cavalo as diversas patentes e fileiras, onde a legião ecoava nas suas vozes, respeito e orgulho ao general! Mostrar-se aos que estão em perigo, enaltecer os bravos, ameaçar os cobardes, encorajar os inertes, preencher os vazios, transferir uma unidade se for necessário, dar apoio aos amedrontados, antecipar a crise, a hora e o desfecho! Era conhecedor das tácticas e dos medos do inimigo, e lutava lado a lado com seus legionários! A força guerreira deste comandante, aliada á lealdade dos legionários que lutavam a seu lado, empregava uma força e coragem fora do comum. A presença de um general no campo d batalha era a prova disso: "TODOS IGUAIS, TODOS POR ROMA!"


Cônsul

Os cônsules exerciam um grande número de funções responsável pela política, e questões burocráticas, fossem militares ou não - administrativas, legislativas e judiciais - em época de paz e, em tempo de guerra, era-lhes entregue o comando supremo do exército em substituição do general em chefe. Após a conquista de províncias anexadas ao império, era o responsável pela proteção dos interesses de Roma e das legiões, Sendo designado governador e ao mesmo tempo organizava a diplomacia, nomeando embaixadores ou diplomatas que se encarregavam de tratar das relações entre Roma e as províncias, e quando necessário, com outras nações estrangeiras. Os cônsules são obrigatoriamente diplomatas de formação, e são conhecedores de um pouco de tudo em outras áreas. São também uma espécie de juiz, para resolver problemas internos nas províncias ou nas próprias legiões. 


Centurião 

O centurião é o responsável por comandar a centúria, dando ordens que devem ser prontamente obedecidas pelos legionários, especialmente as formações militares, pois é ai que se decide uma batalha. O centuríão apesar de seu posto de destaque é um soldado que luta com os demais, marcha junto à sua unidade e acampa conjuntamente a eles, só assim permanece a disciplina e a honra nas legiões. Para além do respeito e admiração dos legionários, o maior destaque é a sua conduta psicológica em combate, incentiva os seus homens de tal maneira, que ganham uma força extra em condições adversas, como no caso de um inimigo ser muito superior. Um centurião tem um papel muito importante, é lugar tenente dos generais, é neles que reside o papel principal das ordens serem prontamente executadas. É um posto de muita responsabilidade e importância. Centurião é o equivalente a um capitão nos tempos de hoje.


Decurião

Cada decurião é responsável pelo controlo de sua fileira em uma centúria romana. Sendo que no início de cada fila o decurião é responsável por organizar a sua fileira e executar as formações militares que são ordenadas pelo líder geral da centúria, que é o centurião. Os decuriões dormem nas mesmas tendas que os legionários, mas são importantes para o êxito das formações e alinhamentos militares dos legionários que estão ao seu comando. Decurião é o equivalente no exército atual ao cabo.


Legionário

É um soldado bem treinado e organizado. O legionário romano é, normalmente, um cidadão romano com menos de 27 anos de idade. Um legionário é alistado numa É um soldado bem treinado e organizado. Um legionário é alistado numa legião para um tempo de serviço de 25 anos. Os últimos 5 anos de serviço de um legionário veterano é prestado em serviços mais leves. Um legionário é submetido a rigorosos treinamentos; a disciplina é a base para o sucesso de qualquer legião. Os legionários são constantemente treinados com armas e especialmente treinados em marchas, marchas forçadas com toda a carga que um legionário pode carregar e em formação de guerra. Como já foi dito, a disciplina é muito importante nas legiões e quaisquer infrações são severamente punidas pelos centuriões. Os legionários da  são, simplesmente a elite guerreira do império! Após os 25 anos de serviço, o legionário fazia jus a uma recompensa em dinheiro equivalente a um ano de soldo, por vezes com um bônus para os que concordassem em fixar residência na província onde houvessem servido por último. Com isso, o ex-soldado podia comprar um pedaço de terra ou abrir um negócio. Legionários reformados morando nas províncias tornavam-se, assim, fazendeiros, comerciantes ou artesãos, geralmente casavam-se com mulheres locais, e era muito provável que seus filhos viessem futuramente a se tornar também legionários. Dessa forma, as Legiões, além de sua importância militar, também se constituíram num poderoso elemento de difusão da cultura romana.


domingo, 6 de outubro de 2013

[ARM] Novo fuzil é aposta da Imbel para recuperação financeira

Defesanet, 10 de Setembro, 2013

 
Após uma fase de sérias dificuldades financeiras, a Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel), fabricante armamentos vinculada ao Ministério da Defesa, acredita estar perto da virada. A empresa começou a produzir o novo modelo de fuzil que espera ser o escolhido pelos militares para substituir parcialmente os FAL 7.62 que estão nas mãos das três forças. O ministério fala em trocar 10 mil fuzis por ano a partir de 2014.

O negócio também interessa à fabricante gaúcha de armas Forjas Taurus. A Imbel, no entanto, está num estágio mais avançado do que a concorrente do Sul. Mil e quinhentos Imbel A2 - ou apenas IA-2 calibre 5.56 - já foram fabricados para testes militares e a empresa afirma que a capacidade de produção da maior de suas cinco fábricas, em Itajubá, sul de Minas Gerais, é suficiente para atender à toda futura demanda da Defesa.
 



Para fazer parte do cardápio de compras das Forças Armadas, o IA-2 precisa ainda passar por uma última etapa da burocracia militar: o termo de adoção, o que a Imbel calcula que será emitido em breve.

Um contrato de 10 mil fuzis IA-2 envolveria um valor aproximado de R$ 55 milhões, disse ao Valor o diretor industrial da empresa, o coronel da reserva Alte Zylberberg. "Esse fornecimento representaria a estabilidade da fábrica de Itajubá no mínimo por dez anos; e a estabilidade de Itajubá é a estabilidade da Imbel e a possibilidade continuidade de recuperação."

A Imbel viveu anos conturbados, com alto endividamento e atrasos sucessivos nas entregas (veja reportagem ao lado). A empresa vem se reequilibrando e este ano a previsão é faturar R$ 105 milhões - isso se os contratos que espera ainda fechar nos próximos meses sejam concretizados. Se isso não ocorrer, a previsão é que o faturamento fique em R$ 67 milhões, disse Zylberberg, pouco mais do que os R$ 65 milhões de 2012.

A Imbel define o IA-2 como o primeiro fuzil nacional. Foi desenvolvido por sua equipe de engenheiros e usa componentes do belga FAL e do americano M16. A arma passou por testes militares do Exército, Marinha e Aeronáutica. Isso significa que soldados já saltaram com ele de paraquedas, o usaram para tiros submersos, o testaram em ambientes tomados por poeira, em campos frios do Sul e na umidade e calor da Amazônia.

"A expectativa da Imbel é que parte dos FAL 7.62 [usado pelas Forças Armadas] seja substituída pelo IA2 5.56, que é mais leve, compacto e moderno; e que parte seja convertida no IA2 7.62 [uma versão mais moderna que a Imbel faz aproveitando a arma antiga] e que com isso se abra, principalmente, o mercado sul-americano", disse Zylberberg. "Temos vários países na expectativa. Já existem conversas. Estou protelando uma viagem a um país da América do Sul com negócio praticamente fechado. Existem várias consultas." Fora da região, a Imbel recebeu proposta de compra da Arábia Saudita.

Da mesma família do novo fuzil, a carabina IA-2 está em uso há dois anos por policias militares e civis no Brasil e mais 15 mil unidades foram vendidas, diz Zylberberg.

A Imbel tem uma longa história como fabricante do fuzil FAL no país. Além de ter suprido as Forças Armadas do Brasil, vendeu a arma para mais de 20 países na América do Sul, América Central e África. O FAL, concebido no pós-Segunda Guerra pela belga F. N. Herstal, foi um fuzil de sucesso mundo afora. Quase 100 países o empregaram. Mas lentamente foi perdendo espaço para um fuzil originalmente americano, calibre 5.56. Hoje é esse o calibre padrão dos países que integram a OTAN e usado por outros fora da aliança, como o Brasil.

A expectativa do Ministério da Defesa, segundo a assessoria de imprensa, é adquirir cerca de 10 mil novos fuzis por ano. Para isso, o Congresso precisa aprovar um plano de modernização das forças que está em tramitação e é preciso orçamento. O ministério estima que a partir de 2014, comece, pelo Exército, a substituição parcial dos 200 mil fuzis das forças de Defesa.

Ainda segundo o ministério, só o IA-2 atende aos requisitos operacionais básicos (ROC), um novo critério criado em 2012 pelo governo para habilitar produtos para serem adquiridos pelas três forças. Mas, ainda segundo o ministério, há a possibilidade de que a Taurus também apresente um fuzil.

"A Forjas Taurus pretende produzir um fuzil de assalto chamado FAT 556, equivalente ao M4, um dos fuzis mais modernos do mundo. Este produto é de uso exclusivo para as Forças Armadas e está em fase de apostilamento pelo Exército", disse a empresa. O apostilamento é um conjunto de testes feito pelo Exército pelo qual um armamento precisa passar para poder ser comercializado. Além de oferecer às Forças Armadas, a Taurus diz que pode exportar o fuzil.


 
IMBEL - Regime militar criou companhia em 1975

O governo militar criou a Imbel em 1975 com o objetivo de preparar o país para um conflito armado. A empresa tinha de estar pronta para fornecer armamentos, munição e explosivos para o caso de uma ação de guerra do Exército em território nacional ou estrangeiro. "Essa era a função principal da Imbel, estar preparada para uma demanda de mobilização militar", conta o coronel Alte Zylberberg.




Como essa demanda nunca ocorreu, a empresa se viu desde o início em um difícil equilíbrio: ter de manter uma equipe técnica trabalhando e fábricas operando mesmo com um volume de pedidos das Forças Armadas aquém do que seria preciso para justificar a estrutura.

A Imbel é formada por cinco fábricas. A mais antiga tem raiz em 1808, uma fábrica de pólvora fundada pelo príncipe regente, Dom João VI, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio. A produção foi transferida em 1824 para Magé (RJ), ainda em operação. As outras fábricas estão no Rio, Piquete (SP), Itajubá (MG) e Juiz de Fora (MG). A sede fica em Brasília. No portfólio estão fuzis e carabinas, pistolas, munições, explosivos, equipamentos de comunicação e sistemas de abrigos.

A unidade de Itajubá, que começou a funcionar em 1935, além de ser a maior em número de funcionários (cerca de 900) é responsável por aproximadamente 50% do faturamento do grupo. Somada à de Juiz de Fora, tem-se 70% da receita.

Para manter uma empresa estratégica como é uma indústria de armas que abastece as Forças Armadas, o Estado tem um custo, diz Zylberberg. Com a economia patinando nos 80, a situação da Imbel, que nunca fora fácil, degringolou.

"Às vezes, nem recursos para comprar matéria prima a Imbel tinha. Chegou um ponto que o endividamento era crescente, o TCU chegou até a acionar o presidente, que era civil, por não recolher tributos", lembra ele, dizendo que sem ninguém não era possível pagar salários. "Se fosse uma empresa privada, estaria num estado pré-falimentar. O passivo era muito maior do que o ativo. Se vendesse todo o patrimônio não pagava as dívidas. Eram dívidas trabalhistas, fundo de garantia", lembra o coronel. A certa altura, a empresa tinha um faturamento de R$ 35 milhões uma dívida de R$ 140 milhões.

A fábrica de Itajubá ajudou a manter a empresa em pé produzindo pistolas para o mercado dos EUA. As armas eram montadas e distribuídas pela Springfield. As tentativas de recuperação da empresa começaram nos anos 2000, com renegociações da dívida, mudanças na gestão, reforço no orçamento da Defesa e aportes federais para modernização das fábricas.

Hoje, cerca de 56% da produção vai para as Forças Armadas; 15% para polícias; e 29% para mercado civil, como mineradoras [caso de explosivos] e empresas de segurança. (MMS)

Morre aos 102 anos general responsável pela vitória do Vietnã na guerra

Folha, 04/10/2013

 
O general vietnamita Vo Nguyen Giap, artífice da vitória militar de seu país sobre as tropas francesas e americanas, morreu nesta sexta-feira aos 102 anos no hospital militar de Hanói, informa a imprensa local.

Giap, que era o último dirigente histórico do Vietnã comunista ainda vivo e ficava atrás apenas do falecido líder revolucionário Ho Chi Minh como uma das figuras mais admiradas pela população no Vietnã. Internautas vietnamitas prestaram tributo ao general.

O militar nasceu em 25 de agosto de 1911, na região central da então Indochina francesa, embora se acredite que ele possa ter nascido em 1912. Ele entrou em contato com os setores políticos mais radicais enquanto estava no Liceu Nacional de Hue.

O general entrou no Partido Comunista da Indochina em 1933, quando estudava direito em Hanói. Foi professor de história e, em 1941, uniu-se a um grupo independista do Vietnã do Norte, no qual trabalhou na organização de milícias armadas.

Após um breve exílio na China, o general retornou ao Vietnã em 1944 e no ano seguinte, o líder vietnamita, Ho Chi Minh, o nomeou ministro da Defesa em seu governo provisório.

Durante os nove anos seguintes, Giap dirigiu as tropas que lutaram para expulsar os franceses com táticas que fundamentaram sua reputação.

 
Vo Nguyen Giap expulsou França e EUA do Vietnã

O general Giap foi um dos últimos sobreviventes de uma geração de revolucionários comunistas que nas décadas do pós-Guerra libertou o Vietnã do jugo colonial e combateu uma superpotência até levá-la a um impasse.

Em seus últimos anos de vida, era uma lembrança viva de uma guerra que é história antiga para a maioria dos vietnamitas, muitos dos quais nasceram depois dela.

Mas ele não tinha caído no esquecimento. Era visto como estadista aposentado e respeitado, alguém cujas posições de linha dura se abrandaram após o término da guerra que unificou o Vietnã.

Giap defendeu as reformas econômicas e o estreitamento dos laços com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que falou publicamente dos perigos da ampliação da influência chinesa e dos custos ambientais da industrialização.

Para seus adversários americanos, entre o início dos anos 1960 e meados dos anos 1970 ele talvez tenha perdido em importância apenas para seu mentor, Ho Chi Minh, como símbolo de um inimigo tão implacável com suas próprias forças quanto com seus inimigos.

Para os historiadores, sua disposição de suportar perdas esmagadoras diante do poder de fogo americano superior foi uma das grandes razões pelas quais a guerra se arrastou por tanto tempo, deixando mais de 2,5 milhões de mortos -58 mil dos quais americanos-, exaurindo o Tesouro americano e a vontade política de Washington de combater e dividindo até hoje o país numa discussão sobre o seu papel no mundo.

Professor e jornalista que não tinha formação militar, Vo Nguyen Giap (pronuncia-se vo nuin zap) uniu-se à insurgência comunista maltrapilha na década de 1940 e a converteu numa força altamente disciplinada, que, ao longo de 30 anos de revolução e guerra civil, pôs fim a um império e uniu uma nação.

Charmoso e volúvel, era um historiador militar erudito e um nacionalista ferrenho, que usava seu carisma pessoal para motivar os soldados e reforçar a devoção deles ao seu país. Seus admiradores o incluem no ranking dos grandes líderes militares do século 20, ao lado do americano MacArthur e do alemão Rommel, entre outros.

Para seus críticos, porém, as vitórias de Giap foram erguidas sobre um grande descaso pela vida de seus soldados. O general William C. Westmoreland, que comandou as forças americanas no Vietnã entre 1964 e 1968, disse: "Qualquer comandante americano que suportasse as mesmas baixas imensas que o general Giap suportou não teria durado três semanas no cargo".

O general Giap, porém, entendeu algo que seus adversários não compreenderam. Desde o início ele descobriu que contar com a lealdade dos camponeses vietnamitas era mais crucial que controlar a terra na qual eles viviam. Como Ho Chi Minh, ele acreditava profundamente que os vietnamitas se disporiam a pagar qualquer preço para libertar sua terra dos exércitos estrangeiros.

Ele também sabia de outra coisa, da qual tirou pleno proveito: que travar guerras na era da televisão dependia tanto da propaganda política quanto do êxito em campo.

Essas lições foram demonstradas na ofensiva do Tet, em 1968, quando as forças norte-vietnamitas e os guerrilheiros vietcongues atacaram dezenas de alvos militares e capitais provinciais no Vietnã do Sul apenas para serem rechaçados com baixas esmagadoras. O general Giap tinha previsto que a ofensiva desencadearia levantes e mostraria aos vietnamitas que os americanos eram vulneráveis.

Militarmente falando, foi um fracasso. Mas a ofensiva aconteceu no momento em que a oposição à guerra ganhava força nos Estados Unidos, e a selvageria dos combates, exibida pela televisão, suscitou nova onda de protestos.

O presidente Lyndon Johnson, que meses antes do Tet vinha contemplando a possibilidade de se aposentar, decidiu não tentar se reeleger, e com a reeleição de Richard Nixon, em novembro, teve início a prolongada retirada das forças americanas.

O general Giap tinha estudado os ensinamentos militares de Mao Tse-tung, que escreveu que a doutrinação política, o terrorismo e a guerra prolongada de guerrilha eram pré-requisitos para uma revolução bem-sucedida.

Usando essa estratégia, Giap defendeu a elite do Exército francês e sua famosa Legião Estrangeira em Dien Bien Phu, em maio de 1954, expulsando a França da Indochina e conquistando a admiração dos franceses, mesmo que a contragosto.

"Ele aprendeu com seus erros e não os repetiu", disse o general Marcel Bigeard, que quando jovem coronel das tropas de paraquedistas franceses rendeu-se em Dien Bien Phu, a um dos biógrafos do general Giap, Peter G. McDonald. Mas, disse ele, "para Giap, a vida de um homem não valia nada".

As estimativas de baixas feitas por Hanói eram pouco confiáveis; assim, é provável que o custo das vitórias do general Giap nunca seja conhecido.

Cerca de 94 mil soldados franceses morreram na guerra para conservar o Vietnã, e a luta pela independência custou a vida de 300 mil combatentes vietnamitas, segundo estimativas conservadoras. Na guerra americana, morreram cerca de 2,5 milhões de vietnamitas do norte e do sul, numa população total de 32 milhões. Os EUA perderam mais ou menos 58 mil militares.

"Centenas de milhares de pessoas morrem a cada minuto neste mundo", o general Giap teria observado após a guerra com a França. "A vida ou a morte de cem, mil ou dezenas de milhares de seres humanos, mesmo nossos compatriotas, significa pouco."

Vo Nguyen Giap nasceu em 25 de agosto de 1911, ou, segundo algumas fontes, 1912, no vilarejo de An Xa, na província de Quang Binh, na parte mais meridional do que mais tarde viria a ser o Vietnã do Norte. Seu pai, Vo Quang Nghiem, era um agricultor instruído e nacionalista fervoroso que incentivou seus filhos a resistir aos franceses, como também havia feito seu avô.

Giap se formou em direito e economia política em 1937 e lecionou história na escola Thanh Long, uma instituição particular para vietnamitas ricos em Hanói, tendo ficado conhecido pela intensidade de suas aulas sobre a Revolução Francesa. Ele também estudou Lênin e Marx. Ficou impressionado particularmente com as teorias de Mao sobre a combinação de estratégia política e militar para vencer uma revolução.

Em 1941, Ho Chi Minh, o fundador do Partido Comunista vietnamita, escolheu Giap para comandar o Viet Minh, a ala militar da Liga de Independência do Vietnã.

No final de 1953, os franceses estabeleceram um reduto no noroeste do país, em Dien Bien Phu, perto da fronteira com o Laos, reforçado por 13 mil homens de tropas coloniais vietnamitas e do norte da África, além das melhores tropas do Exército francês e a Legião Estrangeira, de elite.

Cercadas pelas forças comunistas durante oito semanas, as últimas forças francesas foram derrotadas em 7 de maio de 1954.

O timing foi um golpe de mestre político, já que a derrota se deu no próprio dia em que negociadores se reuniram em Genebra para discutir um acordo. Confrontados com o fracasso de sua estratégia, os negociadores franceses se renderam e acordaram a retirada do país. O Vietnã se dividiu entre o Norte, de governo comunista, e o Sul, não comunista.

No final dos anos 1950 e início da década de 1960, os presidentes Dwight Eisenhower e, mais tarde, John Kennedy observaram com ansiedade crescente as forças comunistas intensificarem a guerra de guerrilha. Quando Kennedy foi assassinado, em Dallas, em 1963, os EUA já tinham mais de 16 mil soldados no Vietnã do Sul.

O general Westmoreland confiou na superioridade de armamentos para travar uma guerra de atrito na qual media o sucesso pelo número de inimigos mortos. Embora os comunistas perdessem em qualquer contagem comparativa de mortos, o general Giap não demorou a perceber que os bombardeios indiscriminados e o poder de fogo avassalador dos americanos causaram pesadas baixas civis e levaram muitos vietnamitas a distanciarem-se do governo que os americanos apoiavam.

Com a guerra num impasse, e os americanos cada vez mais avessos a aceitar baixas, o general Giap disse a um entrevistador europeu que o Vietnã do Sul era "um poço sem fundo para os americanos".

No dia 30 de janeiro de 1968, durante um cessar-fogo em honra ao Ano Novo vietnamita (chamado Tet Nguyen Dan), 84 mil norte-vietnamitas atacaram bases militares e cidades em todo o Vietnã do Sul, naquilo que viria a ser conhecido como a ofensiva do Tet.

Para os comunistas, as coisas deram errado desde o começo. Algumas unidades vietcongues atacaram precocemente, sem aguardar o apoio de tropas regulares, conforme o previsto. Esquadrões suicidas, como aquele que penetrou na Embaixada dos Estados Unidos em Saigon, provocaram algumas baixas e muitos danos, mas foram eliminados rapidamente.

A despeito de algumas vitórias -os norte-vietnamitas entraram na cidade de Hue e a dominaram por três semanas-, a ofensiva foi um desastre militar. Os levantes pelos quais se esperava nunca chegaram a acontecer, e foram mortos ou feridos cerca de 40 mil combatentes comunistas. O Viet Cong nunca recuperou a força que tinha tido antes do Tet.

Mas a ferocidade da ofensiva demonstrou a determinação de Hanói de vencer a guerra, abalando o público e a liderança americanos.

"A ofensiva do Tet foi dirigida principalmente contra a população do Vietnã do Sul", declarou o general Giap mais tarde, "mas acabou por afetar mais a população dos Estados Unidos. Até o Tet, os americanos pensavam que poderiam vencer a guerra, mas com a ofensiva, souberam que não poderiam."

Giap disse ao jornalista Stanley Karnow, em 1990: "Queríamos mostrar aos americanos que não estávamos exauridos, que podíamos atacar seus arsenais, suas comunicações, suas unidades de elite, até mesmo seus quartéis-generais, os cérebros por trás da guerra".

"Queríamos projetar a guerra para dentro das casas das famílias da América, porque sabíamos que a maioria dos americanos não tinha nada contra nós."

O governo americano iniciou negociações de paz em Paris em maio de 1968. No ano seguinte, Nixon deu início à retirada das tropas americanas, sob sua política de vietnamização, pela qual as tropas sul-vietnamitas suportariam o ônus maior dos combates.

Em março de 1972, os norte-vietnamitas lançaram a Ofensiva de Páscoa em três frentes, ampliando as áreas sob seu controle no Camboja e no Laos e obtendo avanços temporários no Vietnã do Sul. Mas a ofensiva acabou derrotada, e o general Giap novamente foi criticado fortemente pelas baixas pesadas. No verão de 1972, ele foi substituído pelo general Van Tien Dung, possivelmente porque teria desagrado ao regime, mas possivelmente, conforme boatos que circularam, porque teria a doença de Hodgkin's.

Apesar de ter sido afastado do comando direto das forças militares em 1973, Giap continuou a ser o ministro da Defesa, tendo supervisionado a vitória final do Vietnã do Norte sobre o Vietnã do Sul e os Estados Unidos, com a queda da capital do sul, Saigon, em 30 de abril de 1975.

Ele também guiou a invasão do Camboja, em janeiro de 1979, que derrubou o brutal Khmer Vermelho comunista. No mês seguinte, depois de Hanói ter estabelecido um governo novo em Phnom Penh, tropas chinesas atacaram ao longo da fronteira norte-vietnamita para que não restassem dúvidas de que a China ainda era a potência regional maior.

Foi a última campanha militar de Giap. Ele foi afastado do cargo de ministro da Defesa em 1980, depois de seus rivais principais, Le Duan e Le Duc Tho, o terem afastado do Politburo. Importante demais para ser denunciado abertamente, ele foi em vez disso nomeado vice-primeiro-ministro para a Ciência e a Educação.

Mas seus dias de poder real tinham terminado. Em agosto de 1991, ele foi afastado, juntamente com outros altos funcionários, com a chegada ao poder de Vo Van Kiet, reformista de estilo ocidental.

Em seus últimos anos de vida, o general Giap recebeu visitantes estrangeiros em sua residência em Hanói, onde lia extensamente obras de literatura ocidental, ouvia Beethoven e Liszt e converteu-se à promoção do socialismo por meio de reformas de mercado livre. Seu pensamento tinha mudado.

"No passado, nosso maior desafio era a invasão de nosso país por estrangeiros", ele explicou a um entrevistador. "Agora que o Vietnã é independente e unificado, podemos enfrentar nosso desafio maior. Esse desafio é a pobreza e o atraso econômico."

Em 1989, ele disse ao jornalista Neil Sheehan que esse desafio vinha sendo empurrado com a barriga havia muito tempo. "Nosso país é como um doente que sofre há muito tempo. Os países à nossa volta fizeram muitos avanços. Nós estávamos em guerra."


A Guerra da Indochina
 
 
 
Com o crescimento econômico, os países europeus buscavam novos mercados e fonte de matéria-prima, iniciando assim, no final do século 19, o Neocolonialismo. Encontrada em abundância no sudeste asiático, a borracha atraiu os franceses para a Indochina, conhecida como Indochina Francesa, constituída pela Cochinchina, Tonquim, Annan, Laos e Camboja, região colonizada pela França até 1940. Neste território, no século 20, aconteceu a Guerra da Indochina, envolvendo a França e a Indochina Francesa.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com o enfraquecimento da França, o território da Indochina Francesa foi ocupado pelo Japão. Em 1941, o revolucionário Ho Chi Minh fundou a Liga pela Independência, partido comunista conhecido como Vietminh, que buscava obter a independência do Vietnã (constituído por Tonquim, Annan e Cochinchina), discordando da ocupação francesa e japonesa na região. No dia 02 de dezembro de 1945, lutando contra o fascismo japonês e o imperialismo francês, Ho Chi Minh proclama a independência da República Democrática do Vietnã.

Com o fim da guerra, o Japão encontrava-se derrotado e se retira da Indochina. A França não reconhece o governo de Ho Chi Minh e busca recolonizar o território, ocupando o sul do Vietnã, Laos e o Camboja, dando início à Guerra da Indochina (1946-1954). Nesta guerra, os Vietminh tiveram apoio da China e da União Soviética e os franceses foram apoiados pelos Estados Unidos que temiam o avanço do comunismo.

Inicialmente, a França se destacava pelo seu poderio militar; no entanto, através da última batalha (Dien Bien Phu), em 1954, as tropas do Vietnã do Norte venceram as tropas francesas. Neste mesmo ano, foi realizada a Conferência de Genebra com o objetivo de restaurar a paz na região. Através desta Conferência, a França foi obrigada a reconhecer a independência do Camboja, Laos e Vietnã, que ficou dividido em duas partes: Vietnã do Norte (socialista) e Vietnã do Sul (capitalista), o que mais tarde culminaria com a Guerra do Vietnã.



http://www.portaleducarbrasil.com.br/Portal.Base/Web/VerContenido.aspx?ID=212510

A Guerra do Vietnã

Em 1954, a Conferência de Genebra (convocada para negociar a paz) reconheceu a Independência do Camboja, Laos e Vietnã.

Outra medida tomada estabeleceu que o Vietnã ficaria dividido em:

- Vietnã do Norte: socialista governado por Ho Chin Minh

- Vietnã do Sul: capitalista governado por Ngo Dinh-Diem

Essa divisão estaria valendo até as eleições para unificação do país, em 1956.

Em 1955, Ngo Diem liderou um golpe militar tornando-se ditador. Diem cancelou as eleições, proclamou a Independência do Sul, brigou com os budistas, perseguiu nacionalistas e comunistas e seu governo foi marcado pela corrupção. Os americanos o apoiaram, porque estavam convencidos de que os nacionalistas e comunistas de Ho Chi Minh ganhariam as eleições e isso não era bom; pois se os comunistas ganhassem, acabariam influenciando outras nações a segui-los (“Teoria de Dominó”).

Os EUA passaram a colaborar com o Vietnã do Sul enviando armas, dinheiro e conselheiros militares.

Tudo isso fez com que surgissem os movimentos de oposição: Frente Nacional de Libertação (apoiados pelo Vietnã do Norte) juntamente com o seu exército Vietcong.

Apoiados pelos americanos e suas armas poderosas os sul-vietnamitas atacaram por 10 anos o norte.

Porém, depois que algumas embarcações americanas foram bombardeadas no Golfo de Tonquim, o presidente Lindon B. Johnson ordenou bombardeios de represália contra o Vietnã do Norte. Esse fato marcou a entrada dos EUA na guerra (1965).

Em 1968, as tropas do norte e os vietcongs fizeram a chamada Ofensiva do Tet, ocupando inclusive a embaixada americana em Saigon. Isso fez com que os americanos sofressem sérias derrotas.

A guerra continuava e os americanos não estavam muito felizes. Várias manifestações foram realizadas contra a participação dos EUA na guerra.

Em 1972, durante o governo do presidente Nixon, os EUA bombardearam a região de Laos e Camboja utilizando, inclusive, armas químicas, mas não adiantou, pois os guerrilheiros continuavam lutando.

Eles (guerrilheiros) se saíram melhor, principalmente pelas vantagens geográficas, já que conheciam bem a região.

Os americanos se retiraram do conflito em 1973; porém, a guerra só foi encerrada de fato em 30/04/1975, pois ainda havia alguns conflitos contra o norte.

Em 1976, o Vietnã se reunificou e passou a se chamar República Socialista do Vietnã.