segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Hierarquia na Legião Romana

General Em Chefe

Magister militum ou Mestre dos Soldados, possuía um exército de várias legiões que lhe eram fiéis, onde o seu estado maior era formado por outros generais. Era de sua responsabilidade atribuir a um oficial de confiança, o papel de recrutar futuros legionários. Ser general em chefe, era o posto mais elevado na carreira militar nas legiões romanas. Apenas os mais audazes, estrategistas e corajosos, conseguem chegar a esta posição de máxima honra e prestigio. Era ele que decidia o que fazer numa batalha, que podia terminar numa derrota, ou numa vitória!Comandar as melhores legiões romanas de todos os tempos, era ter ao seu serviço os melhores legionários de elite. Máxima fidelidade ao general em chefe e a Roma! Mas se o imperador fosse um ditador, ou o senado um ninho de corrupção, o general em chefe seria sempre quem tinha a última palavra, e nesse momento a fidelidade das legiões era máxima ao general em chefe e a ROMA! Nunca a um imperador impiedoso, ou um senado que agia para além dos interesses do povo!
                                                                                    
General

Liderava uma legião. O dever do general era percorrer a cavalo as diversas patentes e fileiras, onde a legião ecoava nas suas vozes, respeito e orgulho ao general! Mostrar-se aos que estão em perigo, enaltecer os bravos, ameaçar os cobardes, encorajar os inertes, preencher os vazios, transferir uma unidade se for necessário, dar apoio aos amedrontados, antecipar a crise, a hora e o desfecho! Era conhecedor das tácticas e dos medos do inimigo, e lutava lado a lado com seus legionários! A força guerreira deste comandante, aliada á lealdade dos legionários que lutavam a seu lado, empregava uma força e coragem fora do comum. A presença de um general no campo d batalha era a prova disso: "TODOS IGUAIS, TODOS POR ROMA!"


Cônsul

Os cônsules exerciam um grande número de funções responsável pela política, e questões burocráticas, fossem militares ou não - administrativas, legislativas e judiciais - em época de paz e, em tempo de guerra, era-lhes entregue o comando supremo do exército em substituição do general em chefe. Após a conquista de províncias anexadas ao império, era o responsável pela proteção dos interesses de Roma e das legiões, Sendo designado governador e ao mesmo tempo organizava a diplomacia, nomeando embaixadores ou diplomatas que se encarregavam de tratar das relações entre Roma e as províncias, e quando necessário, com outras nações estrangeiras. Os cônsules são obrigatoriamente diplomatas de formação, e são conhecedores de um pouco de tudo em outras áreas. São também uma espécie de juiz, para resolver problemas internos nas províncias ou nas próprias legiões. 


Centurião 

O centurião é o responsável por comandar a centúria, dando ordens que devem ser prontamente obedecidas pelos legionários, especialmente as formações militares, pois é ai que se decide uma batalha. O centuríão apesar de seu posto de destaque é um soldado que luta com os demais, marcha junto à sua unidade e acampa conjuntamente a eles, só assim permanece a disciplina e a honra nas legiões. Para além do respeito e admiração dos legionários, o maior destaque é a sua conduta psicológica em combate, incentiva os seus homens de tal maneira, que ganham uma força extra em condições adversas, como no caso de um inimigo ser muito superior. Um centurião tem um papel muito importante, é lugar tenente dos generais, é neles que reside o papel principal das ordens serem prontamente executadas. É um posto de muita responsabilidade e importância. Centurião é o equivalente a um capitão nos tempos de hoje.


Decurião

Cada decurião é responsável pelo controlo de sua fileira em uma centúria romana. Sendo que no início de cada fila o decurião é responsável por organizar a sua fileira e executar as formações militares que são ordenadas pelo líder geral da centúria, que é o centurião. Os decuriões dormem nas mesmas tendas que os legionários, mas são importantes para o êxito das formações e alinhamentos militares dos legionários que estão ao seu comando. Decurião é o equivalente no exército atual ao cabo.


Legionário

É um soldado bem treinado e organizado. O legionário romano é, normalmente, um cidadão romano com menos de 27 anos de idade. Um legionário é alistado numa É um soldado bem treinado e organizado. Um legionário é alistado numa legião para um tempo de serviço de 25 anos. Os últimos 5 anos de serviço de um legionário veterano é prestado em serviços mais leves. Um legionário é submetido a rigorosos treinamentos; a disciplina é a base para o sucesso de qualquer legião. Os legionários são constantemente treinados com armas e especialmente treinados em marchas, marchas forçadas com toda a carga que um legionário pode carregar e em formação de guerra. Como já foi dito, a disciplina é muito importante nas legiões e quaisquer infrações são severamente punidas pelos centuriões. Os legionários da  são, simplesmente a elite guerreira do império! Após os 25 anos de serviço, o legionário fazia jus a uma recompensa em dinheiro equivalente a um ano de soldo, por vezes com um bônus para os que concordassem em fixar residência na província onde houvessem servido por último. Com isso, o ex-soldado podia comprar um pedaço de terra ou abrir um negócio. Legionários reformados morando nas províncias tornavam-se, assim, fazendeiros, comerciantes ou artesãos, geralmente casavam-se com mulheres locais, e era muito provável que seus filhos viessem futuramente a se tornar também legionários. Dessa forma, as Legiões, além de sua importância militar, também se constituíram num poderoso elemento de difusão da cultura romana.


domingo, 6 de outubro de 2013

[ARM] Novo fuzil é aposta da Imbel para recuperação financeira

Defesanet, 10 de Setembro, 2013

 
Após uma fase de sérias dificuldades financeiras, a Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel), fabricante armamentos vinculada ao Ministério da Defesa, acredita estar perto da virada. A empresa começou a produzir o novo modelo de fuzil que espera ser o escolhido pelos militares para substituir parcialmente os FAL 7.62 que estão nas mãos das três forças. O ministério fala em trocar 10 mil fuzis por ano a partir de 2014.

O negócio também interessa à fabricante gaúcha de armas Forjas Taurus. A Imbel, no entanto, está num estágio mais avançado do que a concorrente do Sul. Mil e quinhentos Imbel A2 - ou apenas IA-2 calibre 5.56 - já foram fabricados para testes militares e a empresa afirma que a capacidade de produção da maior de suas cinco fábricas, em Itajubá, sul de Minas Gerais, é suficiente para atender à toda futura demanda da Defesa.
 



Para fazer parte do cardápio de compras das Forças Armadas, o IA-2 precisa ainda passar por uma última etapa da burocracia militar: o termo de adoção, o que a Imbel calcula que será emitido em breve.

Um contrato de 10 mil fuzis IA-2 envolveria um valor aproximado de R$ 55 milhões, disse ao Valor o diretor industrial da empresa, o coronel da reserva Alte Zylberberg. "Esse fornecimento representaria a estabilidade da fábrica de Itajubá no mínimo por dez anos; e a estabilidade de Itajubá é a estabilidade da Imbel e a possibilidade continuidade de recuperação."

A Imbel viveu anos conturbados, com alto endividamento e atrasos sucessivos nas entregas (veja reportagem ao lado). A empresa vem se reequilibrando e este ano a previsão é faturar R$ 105 milhões - isso se os contratos que espera ainda fechar nos próximos meses sejam concretizados. Se isso não ocorrer, a previsão é que o faturamento fique em R$ 67 milhões, disse Zylberberg, pouco mais do que os R$ 65 milhões de 2012.

A Imbel define o IA-2 como o primeiro fuzil nacional. Foi desenvolvido por sua equipe de engenheiros e usa componentes do belga FAL e do americano M16. A arma passou por testes militares do Exército, Marinha e Aeronáutica. Isso significa que soldados já saltaram com ele de paraquedas, o usaram para tiros submersos, o testaram em ambientes tomados por poeira, em campos frios do Sul e na umidade e calor da Amazônia.

"A expectativa da Imbel é que parte dos FAL 7.62 [usado pelas Forças Armadas] seja substituída pelo IA2 5.56, que é mais leve, compacto e moderno; e que parte seja convertida no IA2 7.62 [uma versão mais moderna que a Imbel faz aproveitando a arma antiga] e que com isso se abra, principalmente, o mercado sul-americano", disse Zylberberg. "Temos vários países na expectativa. Já existem conversas. Estou protelando uma viagem a um país da América do Sul com negócio praticamente fechado. Existem várias consultas." Fora da região, a Imbel recebeu proposta de compra da Arábia Saudita.

Da mesma família do novo fuzil, a carabina IA-2 está em uso há dois anos por policias militares e civis no Brasil e mais 15 mil unidades foram vendidas, diz Zylberberg.

A Imbel tem uma longa história como fabricante do fuzil FAL no país. Além de ter suprido as Forças Armadas do Brasil, vendeu a arma para mais de 20 países na América do Sul, América Central e África. O FAL, concebido no pós-Segunda Guerra pela belga F. N. Herstal, foi um fuzil de sucesso mundo afora. Quase 100 países o empregaram. Mas lentamente foi perdendo espaço para um fuzil originalmente americano, calibre 5.56. Hoje é esse o calibre padrão dos países que integram a OTAN e usado por outros fora da aliança, como o Brasil.

A expectativa do Ministério da Defesa, segundo a assessoria de imprensa, é adquirir cerca de 10 mil novos fuzis por ano. Para isso, o Congresso precisa aprovar um plano de modernização das forças que está em tramitação e é preciso orçamento. O ministério estima que a partir de 2014, comece, pelo Exército, a substituição parcial dos 200 mil fuzis das forças de Defesa.

Ainda segundo o ministério, só o IA-2 atende aos requisitos operacionais básicos (ROC), um novo critério criado em 2012 pelo governo para habilitar produtos para serem adquiridos pelas três forças. Mas, ainda segundo o ministério, há a possibilidade de que a Taurus também apresente um fuzil.

"A Forjas Taurus pretende produzir um fuzil de assalto chamado FAT 556, equivalente ao M4, um dos fuzis mais modernos do mundo. Este produto é de uso exclusivo para as Forças Armadas e está em fase de apostilamento pelo Exército", disse a empresa. O apostilamento é um conjunto de testes feito pelo Exército pelo qual um armamento precisa passar para poder ser comercializado. Além de oferecer às Forças Armadas, a Taurus diz que pode exportar o fuzil.


 
IMBEL - Regime militar criou companhia em 1975

O governo militar criou a Imbel em 1975 com o objetivo de preparar o país para um conflito armado. A empresa tinha de estar pronta para fornecer armamentos, munição e explosivos para o caso de uma ação de guerra do Exército em território nacional ou estrangeiro. "Essa era a função principal da Imbel, estar preparada para uma demanda de mobilização militar", conta o coronel Alte Zylberberg.




Como essa demanda nunca ocorreu, a empresa se viu desde o início em um difícil equilíbrio: ter de manter uma equipe técnica trabalhando e fábricas operando mesmo com um volume de pedidos das Forças Armadas aquém do que seria preciso para justificar a estrutura.

A Imbel é formada por cinco fábricas. A mais antiga tem raiz em 1808, uma fábrica de pólvora fundada pelo príncipe regente, Dom João VI, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio. A produção foi transferida em 1824 para Magé (RJ), ainda em operação. As outras fábricas estão no Rio, Piquete (SP), Itajubá (MG) e Juiz de Fora (MG). A sede fica em Brasília. No portfólio estão fuzis e carabinas, pistolas, munições, explosivos, equipamentos de comunicação e sistemas de abrigos.

A unidade de Itajubá, que começou a funcionar em 1935, além de ser a maior em número de funcionários (cerca de 900) é responsável por aproximadamente 50% do faturamento do grupo. Somada à de Juiz de Fora, tem-se 70% da receita.

Para manter uma empresa estratégica como é uma indústria de armas que abastece as Forças Armadas, o Estado tem um custo, diz Zylberberg. Com a economia patinando nos 80, a situação da Imbel, que nunca fora fácil, degringolou.

"Às vezes, nem recursos para comprar matéria prima a Imbel tinha. Chegou um ponto que o endividamento era crescente, o TCU chegou até a acionar o presidente, que era civil, por não recolher tributos", lembra ele, dizendo que sem ninguém não era possível pagar salários. "Se fosse uma empresa privada, estaria num estado pré-falimentar. O passivo era muito maior do que o ativo. Se vendesse todo o patrimônio não pagava as dívidas. Eram dívidas trabalhistas, fundo de garantia", lembra o coronel. A certa altura, a empresa tinha um faturamento de R$ 35 milhões uma dívida de R$ 140 milhões.

A fábrica de Itajubá ajudou a manter a empresa em pé produzindo pistolas para o mercado dos EUA. As armas eram montadas e distribuídas pela Springfield. As tentativas de recuperação da empresa começaram nos anos 2000, com renegociações da dívida, mudanças na gestão, reforço no orçamento da Defesa e aportes federais para modernização das fábricas.

Hoje, cerca de 56% da produção vai para as Forças Armadas; 15% para polícias; e 29% para mercado civil, como mineradoras [caso de explosivos] e empresas de segurança. (MMS)

Morre aos 102 anos general responsável pela vitória do Vietnã na guerra

Folha, 04/10/2013

 
O general vietnamita Vo Nguyen Giap, artífice da vitória militar de seu país sobre as tropas francesas e americanas, morreu nesta sexta-feira aos 102 anos no hospital militar de Hanói, informa a imprensa local.

Giap, que era o último dirigente histórico do Vietnã comunista ainda vivo e ficava atrás apenas do falecido líder revolucionário Ho Chi Minh como uma das figuras mais admiradas pela população no Vietnã. Internautas vietnamitas prestaram tributo ao general.

O militar nasceu em 25 de agosto de 1911, na região central da então Indochina francesa, embora se acredite que ele possa ter nascido em 1912. Ele entrou em contato com os setores políticos mais radicais enquanto estava no Liceu Nacional de Hue.

O general entrou no Partido Comunista da Indochina em 1933, quando estudava direito em Hanói. Foi professor de história e, em 1941, uniu-se a um grupo independista do Vietnã do Norte, no qual trabalhou na organização de milícias armadas.

Após um breve exílio na China, o general retornou ao Vietnã em 1944 e no ano seguinte, o líder vietnamita, Ho Chi Minh, o nomeou ministro da Defesa em seu governo provisório.

Durante os nove anos seguintes, Giap dirigiu as tropas que lutaram para expulsar os franceses com táticas que fundamentaram sua reputação.

 
Vo Nguyen Giap expulsou França e EUA do Vietnã

O general Giap foi um dos últimos sobreviventes de uma geração de revolucionários comunistas que nas décadas do pós-Guerra libertou o Vietnã do jugo colonial e combateu uma superpotência até levá-la a um impasse.

Em seus últimos anos de vida, era uma lembrança viva de uma guerra que é história antiga para a maioria dos vietnamitas, muitos dos quais nasceram depois dela.

Mas ele não tinha caído no esquecimento. Era visto como estadista aposentado e respeitado, alguém cujas posições de linha dura se abrandaram após o término da guerra que unificou o Vietnã.

Giap defendeu as reformas econômicas e o estreitamento dos laços com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que falou publicamente dos perigos da ampliação da influência chinesa e dos custos ambientais da industrialização.

Para seus adversários americanos, entre o início dos anos 1960 e meados dos anos 1970 ele talvez tenha perdido em importância apenas para seu mentor, Ho Chi Minh, como símbolo de um inimigo tão implacável com suas próprias forças quanto com seus inimigos.

Para os historiadores, sua disposição de suportar perdas esmagadoras diante do poder de fogo americano superior foi uma das grandes razões pelas quais a guerra se arrastou por tanto tempo, deixando mais de 2,5 milhões de mortos -58 mil dos quais americanos-, exaurindo o Tesouro americano e a vontade política de Washington de combater e dividindo até hoje o país numa discussão sobre o seu papel no mundo.

Professor e jornalista que não tinha formação militar, Vo Nguyen Giap (pronuncia-se vo nuin zap) uniu-se à insurgência comunista maltrapilha na década de 1940 e a converteu numa força altamente disciplinada, que, ao longo de 30 anos de revolução e guerra civil, pôs fim a um império e uniu uma nação.

Charmoso e volúvel, era um historiador militar erudito e um nacionalista ferrenho, que usava seu carisma pessoal para motivar os soldados e reforçar a devoção deles ao seu país. Seus admiradores o incluem no ranking dos grandes líderes militares do século 20, ao lado do americano MacArthur e do alemão Rommel, entre outros.

Para seus críticos, porém, as vitórias de Giap foram erguidas sobre um grande descaso pela vida de seus soldados. O general William C. Westmoreland, que comandou as forças americanas no Vietnã entre 1964 e 1968, disse: "Qualquer comandante americano que suportasse as mesmas baixas imensas que o general Giap suportou não teria durado três semanas no cargo".

O general Giap, porém, entendeu algo que seus adversários não compreenderam. Desde o início ele descobriu que contar com a lealdade dos camponeses vietnamitas era mais crucial que controlar a terra na qual eles viviam. Como Ho Chi Minh, ele acreditava profundamente que os vietnamitas se disporiam a pagar qualquer preço para libertar sua terra dos exércitos estrangeiros.

Ele também sabia de outra coisa, da qual tirou pleno proveito: que travar guerras na era da televisão dependia tanto da propaganda política quanto do êxito em campo.

Essas lições foram demonstradas na ofensiva do Tet, em 1968, quando as forças norte-vietnamitas e os guerrilheiros vietcongues atacaram dezenas de alvos militares e capitais provinciais no Vietnã do Sul apenas para serem rechaçados com baixas esmagadoras. O general Giap tinha previsto que a ofensiva desencadearia levantes e mostraria aos vietnamitas que os americanos eram vulneráveis.

Militarmente falando, foi um fracasso. Mas a ofensiva aconteceu no momento em que a oposição à guerra ganhava força nos Estados Unidos, e a selvageria dos combates, exibida pela televisão, suscitou nova onda de protestos.

O presidente Lyndon Johnson, que meses antes do Tet vinha contemplando a possibilidade de se aposentar, decidiu não tentar se reeleger, e com a reeleição de Richard Nixon, em novembro, teve início a prolongada retirada das forças americanas.

O general Giap tinha estudado os ensinamentos militares de Mao Tse-tung, que escreveu que a doutrinação política, o terrorismo e a guerra prolongada de guerrilha eram pré-requisitos para uma revolução bem-sucedida.

Usando essa estratégia, Giap defendeu a elite do Exército francês e sua famosa Legião Estrangeira em Dien Bien Phu, em maio de 1954, expulsando a França da Indochina e conquistando a admiração dos franceses, mesmo que a contragosto.

"Ele aprendeu com seus erros e não os repetiu", disse o general Marcel Bigeard, que quando jovem coronel das tropas de paraquedistas franceses rendeu-se em Dien Bien Phu, a um dos biógrafos do general Giap, Peter G. McDonald. Mas, disse ele, "para Giap, a vida de um homem não valia nada".

As estimativas de baixas feitas por Hanói eram pouco confiáveis; assim, é provável que o custo das vitórias do general Giap nunca seja conhecido.

Cerca de 94 mil soldados franceses morreram na guerra para conservar o Vietnã, e a luta pela independência custou a vida de 300 mil combatentes vietnamitas, segundo estimativas conservadoras. Na guerra americana, morreram cerca de 2,5 milhões de vietnamitas do norte e do sul, numa população total de 32 milhões. Os EUA perderam mais ou menos 58 mil militares.

"Centenas de milhares de pessoas morrem a cada minuto neste mundo", o general Giap teria observado após a guerra com a França. "A vida ou a morte de cem, mil ou dezenas de milhares de seres humanos, mesmo nossos compatriotas, significa pouco."

Vo Nguyen Giap nasceu em 25 de agosto de 1911, ou, segundo algumas fontes, 1912, no vilarejo de An Xa, na província de Quang Binh, na parte mais meridional do que mais tarde viria a ser o Vietnã do Norte. Seu pai, Vo Quang Nghiem, era um agricultor instruído e nacionalista fervoroso que incentivou seus filhos a resistir aos franceses, como também havia feito seu avô.

Giap se formou em direito e economia política em 1937 e lecionou história na escola Thanh Long, uma instituição particular para vietnamitas ricos em Hanói, tendo ficado conhecido pela intensidade de suas aulas sobre a Revolução Francesa. Ele também estudou Lênin e Marx. Ficou impressionado particularmente com as teorias de Mao sobre a combinação de estratégia política e militar para vencer uma revolução.

Em 1941, Ho Chi Minh, o fundador do Partido Comunista vietnamita, escolheu Giap para comandar o Viet Minh, a ala militar da Liga de Independência do Vietnã.

No final de 1953, os franceses estabeleceram um reduto no noroeste do país, em Dien Bien Phu, perto da fronteira com o Laos, reforçado por 13 mil homens de tropas coloniais vietnamitas e do norte da África, além das melhores tropas do Exército francês e a Legião Estrangeira, de elite.

Cercadas pelas forças comunistas durante oito semanas, as últimas forças francesas foram derrotadas em 7 de maio de 1954.

O timing foi um golpe de mestre político, já que a derrota se deu no próprio dia em que negociadores se reuniram em Genebra para discutir um acordo. Confrontados com o fracasso de sua estratégia, os negociadores franceses se renderam e acordaram a retirada do país. O Vietnã se dividiu entre o Norte, de governo comunista, e o Sul, não comunista.

No final dos anos 1950 e início da década de 1960, os presidentes Dwight Eisenhower e, mais tarde, John Kennedy observaram com ansiedade crescente as forças comunistas intensificarem a guerra de guerrilha. Quando Kennedy foi assassinado, em Dallas, em 1963, os EUA já tinham mais de 16 mil soldados no Vietnã do Sul.

O general Westmoreland confiou na superioridade de armamentos para travar uma guerra de atrito na qual media o sucesso pelo número de inimigos mortos. Embora os comunistas perdessem em qualquer contagem comparativa de mortos, o general Giap não demorou a perceber que os bombardeios indiscriminados e o poder de fogo avassalador dos americanos causaram pesadas baixas civis e levaram muitos vietnamitas a distanciarem-se do governo que os americanos apoiavam.

Com a guerra num impasse, e os americanos cada vez mais avessos a aceitar baixas, o general Giap disse a um entrevistador europeu que o Vietnã do Sul era "um poço sem fundo para os americanos".

No dia 30 de janeiro de 1968, durante um cessar-fogo em honra ao Ano Novo vietnamita (chamado Tet Nguyen Dan), 84 mil norte-vietnamitas atacaram bases militares e cidades em todo o Vietnã do Sul, naquilo que viria a ser conhecido como a ofensiva do Tet.

Para os comunistas, as coisas deram errado desde o começo. Algumas unidades vietcongues atacaram precocemente, sem aguardar o apoio de tropas regulares, conforme o previsto. Esquadrões suicidas, como aquele que penetrou na Embaixada dos Estados Unidos em Saigon, provocaram algumas baixas e muitos danos, mas foram eliminados rapidamente.

A despeito de algumas vitórias -os norte-vietnamitas entraram na cidade de Hue e a dominaram por três semanas-, a ofensiva foi um desastre militar. Os levantes pelos quais se esperava nunca chegaram a acontecer, e foram mortos ou feridos cerca de 40 mil combatentes comunistas. O Viet Cong nunca recuperou a força que tinha tido antes do Tet.

Mas a ferocidade da ofensiva demonstrou a determinação de Hanói de vencer a guerra, abalando o público e a liderança americanos.

"A ofensiva do Tet foi dirigida principalmente contra a população do Vietnã do Sul", declarou o general Giap mais tarde, "mas acabou por afetar mais a população dos Estados Unidos. Até o Tet, os americanos pensavam que poderiam vencer a guerra, mas com a ofensiva, souberam que não poderiam."

Giap disse ao jornalista Stanley Karnow, em 1990: "Queríamos mostrar aos americanos que não estávamos exauridos, que podíamos atacar seus arsenais, suas comunicações, suas unidades de elite, até mesmo seus quartéis-generais, os cérebros por trás da guerra".

"Queríamos projetar a guerra para dentro das casas das famílias da América, porque sabíamos que a maioria dos americanos não tinha nada contra nós."

O governo americano iniciou negociações de paz em Paris em maio de 1968. No ano seguinte, Nixon deu início à retirada das tropas americanas, sob sua política de vietnamização, pela qual as tropas sul-vietnamitas suportariam o ônus maior dos combates.

Em março de 1972, os norte-vietnamitas lançaram a Ofensiva de Páscoa em três frentes, ampliando as áreas sob seu controle no Camboja e no Laos e obtendo avanços temporários no Vietnã do Sul. Mas a ofensiva acabou derrotada, e o general Giap novamente foi criticado fortemente pelas baixas pesadas. No verão de 1972, ele foi substituído pelo general Van Tien Dung, possivelmente porque teria desagrado ao regime, mas possivelmente, conforme boatos que circularam, porque teria a doença de Hodgkin's.

Apesar de ter sido afastado do comando direto das forças militares em 1973, Giap continuou a ser o ministro da Defesa, tendo supervisionado a vitória final do Vietnã do Norte sobre o Vietnã do Sul e os Estados Unidos, com a queda da capital do sul, Saigon, em 30 de abril de 1975.

Ele também guiou a invasão do Camboja, em janeiro de 1979, que derrubou o brutal Khmer Vermelho comunista. No mês seguinte, depois de Hanói ter estabelecido um governo novo em Phnom Penh, tropas chinesas atacaram ao longo da fronteira norte-vietnamita para que não restassem dúvidas de que a China ainda era a potência regional maior.

Foi a última campanha militar de Giap. Ele foi afastado do cargo de ministro da Defesa em 1980, depois de seus rivais principais, Le Duan e Le Duc Tho, o terem afastado do Politburo. Importante demais para ser denunciado abertamente, ele foi em vez disso nomeado vice-primeiro-ministro para a Ciência e a Educação.

Mas seus dias de poder real tinham terminado. Em agosto de 1991, ele foi afastado, juntamente com outros altos funcionários, com a chegada ao poder de Vo Van Kiet, reformista de estilo ocidental.

Em seus últimos anos de vida, o general Giap recebeu visitantes estrangeiros em sua residência em Hanói, onde lia extensamente obras de literatura ocidental, ouvia Beethoven e Liszt e converteu-se à promoção do socialismo por meio de reformas de mercado livre. Seu pensamento tinha mudado.

"No passado, nosso maior desafio era a invasão de nosso país por estrangeiros", ele explicou a um entrevistador. "Agora que o Vietnã é independente e unificado, podemos enfrentar nosso desafio maior. Esse desafio é a pobreza e o atraso econômico."

Em 1989, ele disse ao jornalista Neil Sheehan que esse desafio vinha sendo empurrado com a barriga havia muito tempo. "Nosso país é como um doente que sofre há muito tempo. Os países à nossa volta fizeram muitos avanços. Nós estávamos em guerra."


A Guerra da Indochina
 
 
 
Com o crescimento econômico, os países europeus buscavam novos mercados e fonte de matéria-prima, iniciando assim, no final do século 19, o Neocolonialismo. Encontrada em abundância no sudeste asiático, a borracha atraiu os franceses para a Indochina, conhecida como Indochina Francesa, constituída pela Cochinchina, Tonquim, Annan, Laos e Camboja, região colonizada pela França até 1940. Neste território, no século 20, aconteceu a Guerra da Indochina, envolvendo a França e a Indochina Francesa.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com o enfraquecimento da França, o território da Indochina Francesa foi ocupado pelo Japão. Em 1941, o revolucionário Ho Chi Minh fundou a Liga pela Independência, partido comunista conhecido como Vietminh, que buscava obter a independência do Vietnã (constituído por Tonquim, Annan e Cochinchina), discordando da ocupação francesa e japonesa na região. No dia 02 de dezembro de 1945, lutando contra o fascismo japonês e o imperialismo francês, Ho Chi Minh proclama a independência da República Democrática do Vietnã.

Com o fim da guerra, o Japão encontrava-se derrotado e se retira da Indochina. A França não reconhece o governo de Ho Chi Minh e busca recolonizar o território, ocupando o sul do Vietnã, Laos e o Camboja, dando início à Guerra da Indochina (1946-1954). Nesta guerra, os Vietminh tiveram apoio da China e da União Soviética e os franceses foram apoiados pelos Estados Unidos que temiam o avanço do comunismo.

Inicialmente, a França se destacava pelo seu poderio militar; no entanto, através da última batalha (Dien Bien Phu), em 1954, as tropas do Vietnã do Norte venceram as tropas francesas. Neste mesmo ano, foi realizada a Conferência de Genebra com o objetivo de restaurar a paz na região. Através desta Conferência, a França foi obrigada a reconhecer a independência do Camboja, Laos e Vietnã, que ficou dividido em duas partes: Vietnã do Norte (socialista) e Vietnã do Sul (capitalista), o que mais tarde culminaria com a Guerra do Vietnã.



http://www.portaleducarbrasil.com.br/Portal.Base/Web/VerContenido.aspx?ID=212510

A Guerra do Vietnã

Em 1954, a Conferência de Genebra (convocada para negociar a paz) reconheceu a Independência do Camboja, Laos e Vietnã.

Outra medida tomada estabeleceu que o Vietnã ficaria dividido em:

- Vietnã do Norte: socialista governado por Ho Chin Minh

- Vietnã do Sul: capitalista governado por Ngo Dinh-Diem

Essa divisão estaria valendo até as eleições para unificação do país, em 1956.

Em 1955, Ngo Diem liderou um golpe militar tornando-se ditador. Diem cancelou as eleições, proclamou a Independência do Sul, brigou com os budistas, perseguiu nacionalistas e comunistas e seu governo foi marcado pela corrupção. Os americanos o apoiaram, porque estavam convencidos de que os nacionalistas e comunistas de Ho Chi Minh ganhariam as eleições e isso não era bom; pois se os comunistas ganhassem, acabariam influenciando outras nações a segui-los (“Teoria de Dominó”).

Os EUA passaram a colaborar com o Vietnã do Sul enviando armas, dinheiro e conselheiros militares.

Tudo isso fez com que surgissem os movimentos de oposição: Frente Nacional de Libertação (apoiados pelo Vietnã do Norte) juntamente com o seu exército Vietcong.

Apoiados pelos americanos e suas armas poderosas os sul-vietnamitas atacaram por 10 anos o norte.

Porém, depois que algumas embarcações americanas foram bombardeadas no Golfo de Tonquim, o presidente Lindon B. Johnson ordenou bombardeios de represália contra o Vietnã do Norte. Esse fato marcou a entrada dos EUA na guerra (1965).

Em 1968, as tropas do norte e os vietcongs fizeram a chamada Ofensiva do Tet, ocupando inclusive a embaixada americana em Saigon. Isso fez com que os americanos sofressem sérias derrotas.

A guerra continuava e os americanos não estavam muito felizes. Várias manifestações foram realizadas contra a participação dos EUA na guerra.

Em 1972, durante o governo do presidente Nixon, os EUA bombardearam a região de Laos e Camboja utilizando, inclusive, armas químicas, mas não adiantou, pois os guerrilheiros continuavam lutando.

Eles (guerrilheiros) se saíram melhor, principalmente pelas vantagens geográficas, já que conheciam bem a região.

Os americanos se retiraram do conflito em 1973; porém, a guerra só foi encerrada de fato em 30/04/1975, pois ainda havia alguns conflitos contra o norte.

Em 1976, o Vietnã se reunificou e passou a se chamar República Socialista do Vietnã.

[POL] A Biblioteca esquecida de Hitler

Timothy W. Ryback

 
Os livros que constituem a Biblioteca Hitler foram descobertos em uma mina de sal próximo a Berchtesgaden ao acaso na primavera de 1945 por soldados da 101ª. Divisão Aerotransportada dentro de caixas de aguardente com o endereço da Chancelaria do Reich gravado nelas. Após uma longa avaliação inicial no “ponto de coleta” militar dos EUA em Munique, os livros, 3.000 volumes, foram despachados para os Estados Unidos e transferidos em janeiro de 1952 para a Biblioteca do Congresso, onde um funcionário foi indicado para descarregar a coleção.

“O funcionário fez o que chamamos de triagem seletiva,” diz David Moore, um assistente de aquisições alemãs na Biblioteca do Congresso. “Se um livro não era 100% certo, se não havia nenhuma informação, nenhuma inscrição para o Führer, ele descartou.” De acordo com Moore, cópias duplicadas foram enviadas para a divisão de troca-e-doação e então tanto para outras bibliotecas quanto para o comércio; os livros não duplicados que não puderam ser totalmente identificados foram absorvidos na coleção geral da Biblioteca do Congresso.

Os 1.200 volumes que sobreviveram à “triagem seletiva” juntaram-se à coleção de livros raros no terceiro andar do prédio Jefferson, onde eles foram informalmente identificados por uma placa grande suspensa por uma corda onde se lê “Biblioteca Hitler. Somente esta baia. Por favor, recoloque os livros nos locais apropriados.”

A placa acabou sendo removida, os livros realocados muitas vezes e a coleção eufemisticamente renomeada “Coleção Terceiro Reich”. Os livros podem ser ordenados, cinco de uma vez, a partir da mesa principal na sala de leitura de livros raros. Quando visitei a primeira vez a coleção, em abril de 2001, menos da metade dos 1.200 livros estavam na Biblioteca do Congresso e somente 200 daqueles estavam listados no catálogo online; os restantes mil títulos estavam listados alfabeticamente por autor em fichas amarelas em um gaveteiro de madeira de estilo antigo, muitos ainda identificados pelos números provisórios que lhes foram dados no início dos anos 1950. Jerry Wager, chefe da sala de leitura de livros raros me disse na época, “Processar esta coleção não tem sido uma prioridade para nós.”; ele também disse que os livros foram realocados novamente nos últimos meses.

“Nós rotineiramente movemos coleções para fazer uso melhor do espaço existente e para acomodar novas aquisições,” disse ele. Um cavalheiro de meia-idade com uma barba grisalha bem aparada, Wager é um mestre da discrição. Quando lhe perguntei sobre o novo local da coleção de Hitler, ele respondeu, “Por motivos de segurança, não revelamos onde as coleções estão localizadas no prédio.” Ele é igualmente circunspecto em relação aos pesquisadores que estudaram previamente a coleção, simplesmente notando que os livros são solicitados somente umas poucas vezes por ano, e geralmente por pessoas procurando volumes específicos ao invés de uma oportunidade para estudar a coleção como um todo.

Os livros tinham sido apenas recentemente desencaixotados e eu estava intrigado pelo que eu encontraria lá. Para a decepção de Gehardt Weinberg, uma autoridade no período nazista, a Biblioteca de Hitler parecia consistir em sua maioria de cópias presenteadas por autores ou editores. “Há poucas provas de que muitos desses livros tenham feito parte de sua biblioteca pessoal, e mesmo menos evidência de ele os tenha lido,” diz Weinberg.

Mais significativas são as anotações às margens das páginas dos livros. O habito de Hitler de marcar conceitos-chaves e passagens é compatível com sua teoria da “arte da leitura”. No capítulo 2 do Mein Kampf, ele observa:

Um homem que possua a arte da leitura correta, ao estudar qualquer livro, revista ou panfleto, irá perceber imediata e instintivamente tudo o que em sua opinião é digno de lembrança permanente, tanto porque está de acordo com seu objetivo quanto por ser interessante conhecer... Então, se a vida de repente exigir algumas questões diante de nós para análise ou resposta, a memória, se este método de leitura for observado... desviará todos os itens em relação a estas questões, criadas ao longo das décadas e submetê-las à mente para análise e reconsideração, até que a questão seja clarificada ou respondida.

Nestas anotações de margem, vemos um homem (que era conhecido por jamais escutar as pessoas, para quem “conversação” era um pouco mais do que uma torrente de monólogos) lendo passagens, refletindo sobre elas e respondendo com rabiscos de caneta, marcações, perguntas e pontos de exclamação e sublinhando – marcas intelectuais ao longo da página. Aqui está uma das figuras mais complexas da história reduzida meramente a um leitor com um livro e uma caneta.

Por meio das memórias de Kubizek, publicadas originalmente nos anos 1950, sua descrição do futuro Führer como um bibliófilo foi amplamente corroborada. Um dos principais primos de Hitler, Johann Schmidt, recontou para a história do Führer publicada pelo Partido Nazista que quando Hitler passava os verões com parentes no pequeno vilarejo de Waldviertel, em Spital, ele invariavelmente chegava com “pilhas de livros que ele constantemente lia e trabalhava.”

Hans Frank, advogado pessoal de Hitler e “governador” da Polônia ocupada pelos nazistas, lembrou antes de sua execução em 1946 em Nuremberg que Hitler carregava uma cópia de “Mundo como Vontade e Representação” de Schopenhauer consigo durante a Primeira Guerra Mundial. Durante sua prisão após o putsch fracassado de Munique em 1923, Hitler era regularmente presenteado com material de leitura por amigos e associados. Ele certa vez se referiu à sua estadia na prisão de Landsberg como sua “universidade paga pelo Estado”. Durante um surto de tristeza na prisão em dezembro de 1924, ele recebeu um pacote de Winifred Wagner, nora do compositor Richard Wagner e uma das poucas pessoas que se dirigiam a Hitler com o informal “você”.

Livros parecem ter sido uma dádiva de escolha para Hitler em virtualmente qualquer ocasião. A Biblioteca Hitler contém pilhas de livros contendo inscrições para Natal, seu aniversário e outras ocasiões festivas. Um livro intitulado “Morte e Imortalidade na Visão dos Pensadores Indogermãnicos” está marcado para Hitler pelo chefe da SS Heinrich Himmler na ocasião do Yule 1938 (festival religioso pagão germânico), a versão nazista do Natal. Também descobri livros da cineasta controversa Leni Riefenstahl – dois sobre a Olimpíada de Berlim e um conjunto de oito volumes dos trabalhos completos do filósofo alemão Johann Gottlieb Fichte em uma rara primeira edição. Considerando que Hitler incumbiu Riefenstahl com a filmagem dos Jogos Olímpicos, a presença dos dois primeiros volumes é compreensível; o de Fitche é mais enigmático.

Quando procurei Riefenstahl (1902 – 2003), que vive nos arredores de Munique e acabou de completar seu centésimo aniversário, ela me recomendou suas memórias publicadas, nas quais ela dedica um capítulo aos volumes de Fitche. De acordo com o relato, na primavera de 1933, a cineasta de trinta anos se aproximou de Hitler para ajudar muitos amigos judeus. “Tenho grande estima por você como artista, você tem um raro talento,” respondeu Hitler, de acordo com Riefenstahl. “Mas não posso discutir o problema judeu contigo.” Assustada por essa repreensão (Riefenstahl diz que ela se sentiu fraca), ela mais tarde tentou fazer as pazes enviando a Hitler o Fitche. Adornados em capa de couro branco com letras douradas, os livros trazem a inscrição “Para o meu querido Führer com a mais profunda admiração, Leni Riefenstahl.”

Alimentada por doações e suas próprias aquisições, a biblioteca de Hitler cresceu dramaticamente no final dos anos 1920 e início dos anos 1930. Em sua declaração de imposto de renda de 1925, Hitler listou seus bens pessoais como irrisórios 1.000 marcos e “nenhuma propriedade” exceto “uma escrivaninha e duas estantes com livros.”

Em 1930, contudo, as vendas do Mein Kampf turbinaram sua renda e a compra de livros representou sua terceira maior fonte de abatimento de imposto (após viagem e transporte): 1.692 marcos em 1930, com deduções semelhantes nos dois anos seguintes. Mais revelador ainda é a política de seguro de cinco anos que Hitler contratou em outubro de 1934, com a Companhia de Seguros Gladbacher Fire cobrindo seu apartamento de seis quartos na Prinzregentenplatz no centro de Munique.

Na carta de aceitação acompanhando o contrato, Hitler avaliou sua coleção de livros, dizendo que ela consistia de 6.000 volumes a um valor de 150.000 marcos, metade do valor do seguro completo. A outra metade representava suas obras de arte.

No final dos anos 1930, Hitler tinha três bibliotecas separadas para sua sempre crescente coleção. Em seu apartamento, ele removeu uma parede entre dois quartos e instalou estantes. Em Berghof, sua pousada de descanso próximo a Berchtesgaden, Hitler construiu um estúdio de dois andares com estantes feitas sob encomenda; fotografias coloridas do espaço concluído mostram um espaço elegante com tapetes orientais, dois globos e estantes com portas de vidro e maçanetas de bronze.

Herbert Dohring, que administrou Berghof de 1936 a 1943, me disse que a biblioteca poderia acomodar não mais que 500 ou 600 volumes. “Ele reservou este espaço para os livros com os quais realmente se importava,” diz Dohring, que ajudou Hitler a organizar os livros. “Ele costumava enviar o resto para um local de armazenamento em Munique ou à nova Chancelaria do Reich em Berlim.”

Para sua residência oficial em Berlim, Hitler tinha seu arquiteto, Albert Speer, que projetou uma enorme biblioteca que ocupava todo lado oeste. “Registros de inventário da Chancelaria do Reich que encontramos no Instituto Hoover em Stanford sugerem que no início de 1940 Hitler estava recebendo cerca de 4.000 livros anualmente,” disse-me Daniel Mattern. Em Munique, Gassert e Mattern também descobriram esboços arquitetônicos para um anexo da biblioteca em Berghof que deveria acomodar mais de 60.000 volumes. “Este era um homem com muitos livros,” diz Mattern.

Infelizmente, Hitler nunca inventariou seus livros e o único registro detalhado de suas bibliotecas vem da cortesia do antigo correspondente da United Press, Frederick Öchsner, que encontrou-se com Hitler repetidamente e era capaz de ficar informado intimamente sobre as coleções de livros do Führer. “Eu acho que sua biblioteca pessoal, que é dividida entre sua residência na Chancelaria em Berlim e sua casa de campo em Obersalzberg em Berchtesgaden, contém quase 16.300 livros,” escreveu Öchsner em seu livro de sucesso Este é o Inimigo (1942).

De acordo com Öchsner, a maior parte da biblioteca de Hitler, cerca de 7.000 lvros, era devotada a assuntos militares, em particular “as campanhas de Napoleão, os reis prussianos; as vidas de todos os potentados alemães e prussianos que tiveram algum papel militar; e livros sobre virtualmente tudo das campanhas militares mais conhecidas na história registrada.”

Outros 1.500 volumes se referiam a arquitetura, teatro, pintura e escultura. “Um livro sobre teatro espanhol tem desenhos pornográficos, mas não há nenhuma seção sobre pornografia, ou algo parecido, na biblioteca de Hitler,” escreveu Öchsner. O equilíbrio das coleções consistia de grupos de livros sobre diversos temas abarcando desde nutrição e saúde até religião e geografia, com “oitocentos a mil livros” de “ficção popular, simples, a maioria dos quais puro lixo na linguagem popular.”

Segundo o próprio Hitler, ele não era um grande fã de romances ou aventuras, apesar dele ter classificado trabalhos como As Viagens de Gulliver, Robinson Crusoe e Don Quixote (ele tinha afeição pela edição ilustrada por Gustave Dore) entre os maiores textos literários do mundo.

Ninguém sabe a extensão exata da biblioteca de Hitler. Apesar de Öchsner ter estimado a coleção original em 16.000 volumes, Gassert e Mattern afirmam que é impossível determinar as dimensões reais, especialmente pelo fato de que a maioria dos livros terem sido queimados ou roubados nas semanas finais da guerra, uma suposição confirmada em parte por Florian Beierl, chefe do Arquivo para História Contemporânea de Obersalzberg, em Berchtesgaden.

De acordo com Beierl, a Berghof de Hitler experimentou sucessivas ondas de saqueadores: primeiro os habitantes locais, então os soldados franceses e americanos e eventualmente os membros do Senado americano. Beierl mostrou-me filme documentário de uma delegação dos senadores americanos Burton Wheeeler, Homer Capehart e Ernest McFarland saindo das ruínas de Berghof com livros debaixo dos braços. “Duvido que eles os estivessem levando para a Biblioteca do Congresso,” disse Beierl.

Também fui informado que uma parte da Biblioteca Hitler pode ter sido confiscada pelo Exército Vermelho. “Stalin era tão paranoico sobre Hitler que ele enviou brigadas de assalto procurar qualquer coisa conectada a ele,” diz Konstantin Akinsha, um antigo pesquisador da Comissão Presidencial para Bens do Holocausto nos Estados Unidos. “Seu crânio, seus uniformes, os vestidos de Eva Braun, seu maiô, tudo está em Moscou.” Akinsha me disse recentemente que no início dos anos 1990, ele ouviu boatos de um depósito em uma igreja abandonada em Uzkoe, um subúrbio de Moscou, que supostamente deve conter uma grande quantidade de “livros troféus”, incluindo alguns que pertenceram a Hitler.

Em dezenas de livros, com saudações de personalidades como o Príncipe August Wilhelm, filho do último Imperador Alemão, e os herdeiros da dinastia de piano Bechstein, vi Hitler o protegido da elite financeira, social e cultural da Alemanha. Um livro sobre “liderança” foi presenteado a Hitler pelo industrial Fritz Thyssen, que havia o introduzido a alguns dos líderes capitalistas em um encontro decisivo em Düsseldorf em janeiro de 1932.

Encontrei, contudo, algo de Hitler que não havia antecipado: um homem com um interesse verdadeiro em espiritualidade. Entre as pilhas de bobagem nazista estão mais de 130 livros sobre religião e assuntos espirituais, abarcando desde ocultismo ocidental até misticismo oriental, passando por ensinamentos de Jesus Cristo  com títulos como Meditações do Domingo; Sobre o Devoto; Uma Força para Questões Religiosas, Grandes e Pequenas; Grandes Verdades sobre a Humanidade, O Mundo e Deus.

Estudiosos desde então se dividiram em duas correntes em relação às crenças espirituais de Hitler. Ian Kershaw argumenta que Hitler conscientemente construiu uma imagem própria de uma figura messiânica e eventualmente começou a acreditar no próprio mito que criou. “Quanto mais sucumbia ao apelo de seu próprio culto ao Führer e acreditava em seu próprio mito, mais seu julgamento começou a ficar influenciado pela fé em sua própria infalibilidade,” escreveu Kershaw em O Mito Hitler (1987).* Mas acreditar em mito messiânico não é a mesma coisa que acreditar em Deus.

Quando perguntei a Kershaw em 2001 se ele achava que Hitler realmente acreditava na providência divina, ele descartou a ideia. “Não acho que ele tinha qualquer crença real em uma deidade de qualquer tipo, somente em si mesmo como um “homem do destino” que salvaria  a Alemanha,” declarou ele. Gerhard Weinberg, que ajudou a organizar a Biblioteca Hitler ainda nos anos 1950, também descarta a noção de Hitler como um devoto religioso, insistindo que ele era movido pelas paixões gêmeas Blut und Boden, pureza racial e expansão territorial. “Ele não acreditava em nada exceto ele mesmo,” disse-me Weinberg no último verão. A maioria dos historiadores tende a concordar.

Alguns não-historiadores, contudo, tendem a ter pontos de vista diferentes. Nos anos 1960, Friedrich Heer, um proeminente e controverso teólogo vienense, identificou Hitler como um “Católico austríaco” mal orientado, um homem cuja fé estava desastrosamente mal colocada mas mesmo assim sincera. Em um tratado volumoso de 750 páginas, Heer estudou Hitler, o católico sob todos os ângulos: o coroinha tomando seu primeiro contato com a suástica no brasão do Monastério Lambach; o orador da cervejaria cujos discursos ressoaram com alusões bíblicas; o Führer do Reich que recriou o esplendor da massa católica nas reuniões anuais de Nuremberg.    

Mesmo o seu virulento ódio contra a judiaria tem sustentação nestas raízes. Fritz Redlich, um proeminente psiquiatra de Yale, afirma isso em seu livro, Hitler: Diagnóstico de um Profeta Destruidor, que Hitler agiu com uma profunda fé em Deus. Notando as próprias palavras de Hitler, “Você não pode ficar em torno do conceito de Deus”, Redlich me disse no verão passado que ele estava certo que Hitler acreditava em um “ser superior”. Ele rejeitava suposições de que as invocações de Hitler do divino fossem um pouco mais do que exibição pública cínica e insistiu que devemos medir Hitler por suas palavras: “De um certo modo, Hitler era um mentiroso terrível, mas ele era um mentiroso tático. Em sua linha de pensamento essencial, ele era honesto.”

Traudl Junge, a antiga secretária de Hitler, foi mais longe dizendo que Hitler acreditava em Deus, mas ela acreditava que as repetidas referências de Hitler ao divino eram apenas exibição. Junge, que morreu de câncer em fevereiro do ano passado, me disse que Hitler falava de tais coisas em privativo assim como em público. Após dois anos e meio de contato diário com Hitler, ela ficou convencida de que ele acreditava numa espécie de proteção divina, especialmente após sobreviver a uma tentativa de assassinato dramática em 1944. “Após o ataque de julho de 1944,” ela me disse, “acredito que ele se sentiu um instrumento da providência e acreditava que ele tinha uma missão a ser realizada.”

A historiografia oficial declara que Hitler flertou com o ocultismo no início dos anos 1920, e que ele recrutou alguns de seus parceiros ideológicos mais próximos Rudolf Hess, Alfred Rosenberg, Martin Bormann e Heinrich Himmler da Sociedade Thule e de cultos nórdicos semelhantes. “Quando conheci Hitler pela primeira vez em Munique em 1921 e 1922, ele estava em contato com um círculo que acreditava firmemente no poder dos eventos astrológicos,” lembrou Karl Wiegand, um antigo associado de Hitler, à revista Cosmopolitan em 1939.

Havia muitos boatos sobre a vinda de “outro Carlos Magno e um novo Reich.” O quanto Hitler acreditava nestas previsões e profecias astrológicas naqueles dias, não consegui extrair isso do Führer. Ele nem negava e nem afirmava tais crenças. Ele não era avesso, contudo, a fazer uso de previsões para prever a fé popular nele e em seu então novo movimento revolucionário.

A maioria dos eruditos descarta a noção de que Hitler seriamente acreditava nas ideias destes cultos, mas as anotações de margem de seus livros confirmam pelo menos um compromisso intelectual na substância do ocultismo da era Weimar. A coleção Brown** contém livros de tais figuras como Adamant Rohm, um “médico magnetopata” de Wiesbaden; Carl Ludwig Schleich, um médico berlinense pioneiro no uso de anestesia local; e Joseph Anton Schneiderfranken, que escreveu vários livros sobre reencarnação e fenômenos sobrenaturais sob o pseudônimo de Bo Yin Ra.

Um dos mais velhos volumes de literatura ainda na Biblioteca Hitler é uma edição alemã de 1917 de Peer Gynt, o épico de Henrik Ibsen de um “Fausto Nórdico” que, sem nenhum caráter, faz o que quer, quando quer, sem medir as consequências de seus atos. O texto relata suas aventuras da adolescência à velhice: irresponsável na juventude, torna-se um homem de negócios sem escrúpulos, que trafica escravos e armas. Peer Gynt enriquece, perde tudo, caminha pelo mundo. Quando desafiado a contar suas várias transgressões, Gynt declara que preferiria queimar no inferno por pecados em excesso do que a calmaria na obscuridade com o resto da humanidade. A cópia de Peer Gynt de Hitler, belamente ilustrada por Otto Sager, traz uma inscrição simples de seu tradutor alemão: “Dedicado ao seu estimado amigo Adolf Hitler. Dietrich Eckart. Munique, 22 de outubro de 1921.”

Poucas pessoas poderiam chamar Hitler de “amigo” e muitos menos de “estimado amigo”. Para Hitler, Eckart era tanto amigo quanto uma família, um mentor e uma figura paterna. Quando os dois se entraram pela primeira vez, no final de 1919, Hitler era um iniciante político de trinta anos de idade, saído das trincheiras há pouco mais de um ano, sem um tostão no bolso. Eckart era um autor de tetro de cinquenta anos de idade com um sucesso em cartaz (Peer Gynt), um  bigode em forma de pincel, um viciado em morfina e com um ódio lendário contra os judeus; um jornal de Munique o descreveu como “antissemita feroz” que “consumiria meia dúzia de judeus junto com seu chucrute.”

Inquestionavelmente, o volume mais importante não lido na coleção Hitler é a edição de 1940 de O Mito do Século Vinte, de Alfred Rosenberg, o clássico nazista que, com mais de um milhão de cópias impressas na época, era o segundo livro mais importante após o Mein Kampf para o movimento nazista.

Ao longo de suas 800 páginas, Rosenberg definiu a base para uma Igreja Nacional Alemã cujo objetivo era agrupar “o melhor das igrejas protestante e católica” e eliminar o “Velho Testamento infestado de judaísmo”. Denunciando os evangelhos de Mateus, Marco, Lucas e João como uma “falsificação da grande imagem de Cristo”, Rosenberg anteviu um “quinto evangelho” descrevendo Jesus como um superhomem ariano: “O orador poderoso e o profeta em fúria no Templo, o homem que inspirou e que todos seguiam, não a ovelha para sacrifício dos profetas judeus, não o homem da cruz.”

Apesar das tentativas repetidas de Rosenberg de estabelecer seu Mito como doutrina oficial do partido, Hitler insistiu que o livro era uma “publicação particular” que representava as opiniões pessoais de Rosenberg. Em conversas, Hitler admitia que ele havia lido somente “pequenas partes” dele e o descrevia como ilegível. Joseph Goebbels concordou, chamando O Mito de um “arroto intelectual”.

A leitura ou não de Hitler dos textos pseudoteológicos em sua biblioteca torna estes livros que ele leu, e em especial aqueles que ele deixou anotações de margem, todos significativos. Aqui é onde a Biblioteca Hitler é mais útil. Nos volumes Fichte dados a ele por Riefenstahl, encontrei uma verdadeira tempestade de grifos, pontos de interrogação e de exclamação e marcas de margem que varrem centenas de páginas de prosa teológica.

Onde Fichte destrincha os enigmas espirituais da Santa Trindade, posicionando o Pai como “uma força universal natural”, o Filho como “o corpo físico desta força” e o Espírito Santo como uma expressão da “luz da razão”, Hitler não somente sublinhou toda a passagem, mas colocou uma linha vertical grossa na margem, e acrescentou um ponto de exclamação.

Enquanto eu percorria as anotações à caneta, percebi que Hitler estava buscando um caminho para o divino que o levou a um único lugar. Fichte perguntou, “Onde Jesus obteve o poder que tem dado a seus seguidores o caminho da eternidade?” Hitler desenhou uma linha grossa sob a resposta: “Através de sua absoluta identificação com Deus.” Em outro ponto, Hitler marcou um parágrafo curto porém revelador: “Deus e eu somos Um. Expresso simplesmente em duas sentenças idênticas, Sua vida é minha; minha vida é Sua. Meu trabalho é Seu trabalho, e Seu trabalho é meu trabalho.”

Em dezembro de 1941, Hitler disse a alguns convidados, “Se existe um Deus, então Ele nos dá não somente a vida, mas também a consciência e a atenção. Se viver minha vida de acordo com meus sentimentos dados por Deus, então não posso fazer errado, e mesmo que eu faça, saberei que agi de boa fé.”

Mas Hitler acreditava que o mortal e o divino eram um só e o mesmo: que o Deus que ele estava buscando era, na verdade, ele próprio.       

Nota:

* ver tópico: Hitler, um perfil de poder.


** Coleção de livros de Hitler doados pelo sobrinho do coronel Albert Aronson à Universidade Brown em 1979. Aronson conseguiu os livros quando esteve no bunker de Hitler em maio de 1945.    


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