sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Judeus são uma “raça”, revelam os genes

Jon Entine

Jewish Daily, 04/05/2012


Em seu novo livro, Legado: Uma história genética do Povo Judeu, Harry Ostrer, um geneticista médico e professor na Faculdade Albert Einstein de Medicina em Nova York, afirma que judeus são diferentes, e as diferenças não são apenas na espessura da pele. Os judeus exibem, ele escreve, uma assinatura genética específica. Considerando que os nazistas tentaram exterminar os judeus baseado em sua suposta distinção racial, tal conclusão pode ser um motivo para preocupação. Mas ele vê isso como central para a identidade judaica.

“Quem é um judeu?” tem sido uma questão fundamental para os judeus ao longo de sua história. Ela evoca um mosaico complexo de identidade complexa constituído de diferentes correntes de crenças religiosas, práticas culturais e conexões sanguineas com a antiga Palestina e o moderno Israel. Mas a questão, com seu determinismo genético, também tem um lado negro.

Os geneticistas estão há muito tempo conscientes de que certas doenças, do câncer do seio até o Tay-Sachs*, desproporcionalmente afetam os judeus. Ostrer, que também é diretor de exames genéticos e genômicos no Centro Médico Montefiore, vai mais longe mantendo que os judeus são um grupo homogêneo com todas as características científicas do que costumamos chamar de “raça”.

Por quase 3.000 anos de história do povo judeu, a noção do que veio a ser conhecido como “excepcionalismo judeu” foi muito controverso. Por causa de nossa história de casamentos intragrupo e isolamento cultural, imposto ou adotado, os judeus foram considerados pelos gentis (e geralmente referenciados para eles próprios) como uma “raça”. Estudiosos de Josephus até Disraeli orgulhosamente proclamavam pertencer “à tribo”.

Ostrer explica como este conceito assumiu significado especial no século XX, quando a genética emergiu como um empreendimento científico viável. A distinção judaica pode na verdade ser medida empiricamente. Em Legado, ele primeiro nos introduz a Maurice Fishberg, um imigrante judeu russo mudando-se para Nova York no fin de siècle. Fishberg abraçou fervorosamente a moda antropológica da época, medindo tamanhos de crânios para explicar por que os judeus pareciam ser atingidos por mais doenças do que outros grupos – o que ele chamou de “peculiaridades da patologia comparada dos judeus.” Acontece que Fishberg e seus frenólogos contemporâneos estavam errados: o formato do crânio fornece uma informação limitada sobre as diferenças humanas. Mas seu estudo foi conduzido em um século de pesquisa que ligava os judeus à genética.

Ostrer divide seu livro em seis capítulos representando os vários aspectos do judaísmo: Parecendo judeu, Fundadores, Genealogias, Tribos, Tratamentos e Identidade. Cada capítulo apresenta um cientista proeminente ou figura histórica que avançou dramaticamente nossa compreensão do judaísmo. Os resumos de biografia iluminam uma densa floresta de algumas pseudociências. A narrativa, que consiste de uma porção de história de qualidade duvidosa, é difícil algumas vezes. Mas para o especialista e qualquer um ligado no eterno debate sobre identidade judaica, este livro é indispensável.

Legado pode causar a seus leitores desconforto. Para alguns judeus, a noção de um povo geneticamente relacionado é um remanescente embaraçoso do Sionismo original que estava em voga no auge da obsessão ocidental com raça, no final do século XIX. Celebrar a ancestralidade sangüinea traz a discórdia, eles afirmam: os autores de “A Curva Bell” foram difamados 15 anos atrás por sugerir que os genes têm um papel importante nas diferenças de QI entre grupos raciais.

Além disso, sociólogos e antropologistas culturais, um número desproporcional dos quais é judeu, ridicularizam o termo “raça”, afirmando que não há diferenças significativas entre os grupos étnicos. Para os judeus, a palavra ainda carrega a associação histórica especialmente odiosa com o nazismo e com as Leis de Nuremberg. Eles argumentam que o judaísmo transformou-se de um culto tribal em uma religião mundial enriquecida por milhares de anos de tradições culturais.

O judaísmo é um povo ou uma religião? Ou ambos? A crença de que os judeus podem ser psicológica e fisicamente distintos permanece uma disputa controvertida na mentalidade gentil e judaica, e Ostrer coloca-se diretamente na linha de fogo. Sim, ele escreve, o termo “raça” carrega associações nefastas com inferioridade e classificação de pessoas. Qualquer coisa que marque os judeus como essencialmente diferente corre o risco de provocar anti- ou filo- semitismo. Mas isto não significa que podemos ignorar a realidade fatual do que ele chama de “a base biológica do judaísmo” e “genética judaica”. Mesmo percebendo que a distinção de judeus é “carregada de perigo”, devemos atacar a evidência dura das “diferenças humanas” se procuramos entender a nova era da genética.

Apesar de reconhecer o papel formador da cultura e do ambiente, Ostrer acredita que a identidade judaica tem múltiplas origens, incluindo o DNA. Ele oferece uma lista de evidências cientificamente convincentes, que servem de como um modelo de controle científico.

“Por um lado, o estudo da genética judia pode ser visto como um esforço elitista, promovendo uma certa visão genética de superioridade judaica,” escreve ele. “Por outro, ele pode fornecer alimento para o antissemitismo ao apoiar evidência de uma base genética para características indesejáveis que estão presentes entre alguns judeus. Estes assuntos desafiarão a visão liberal de que os humanos são criados iguais, mas com obrigações genéticas.”

Os judeus, ele nota, são um dos mais distintos grupos populacionais no mundo por causa de nossa história de endogamia (casamento dentro do próprio grupo social de um indivíduo). Judeus – os asquenaze em particular – são relativamente homogêneos apesar deles estarem espalhados por toda a Europa e ter imigrado desde então para o continente americano e de volta para Israel. A Inquisição dispersou a judiaria sefardista, levando a mais casos de casamento misturado e a um DNA menos distinto.

Ao atravessar esse campo minado da genética de diferenças humanas, Ostrer sustenta sua analise com volumes de dados genéticos, que são a grande força do livro, mas também sua fraqueza. Dois livros complementares sobre este assunto – o meu próprio Os Filhos de Abraão: Raça, Identidade e o DNA do Povo Escolhido e O Legado de Jacob: Uma Visão genética da História Judia pelo geneticista da Universidade de Duke, David Goldstein, que é bem citado tanto em Os Filhos de Abraão como em Legado – são mais narrativos, misturando história com genética e, conseqüentemente, são de leitura mais fácil.

O conceito de “povo judeu” permanece controverso. A Lei do Retorno, que estabelece o direito dos judeus de ir para Israel, é um tema central do Sionismo e um princípio legal fundador do Estado de Israel. O DNA que une firmemente os asquenaze, sefardista e mizrahi, três grupos judaicos proeminentes cultural e geograficamente, poderia ser usado para apoiar as exigências territoriais sionistas – exceto, como Ostrer nota, alguns dos mesmos marcadores que podem ser encontrados nos palestinos, nossos primos genéticos distantes. Os palestinos, compreensivelmente, querem seu próprio direito de retorno.

Este desacordo sobre o significado do DNA também coloca os tradicionalistas judeus contra uma corrente particular de judeus liberais seculares que se uniram aos árabes e muitos não-judeus para defender o fim de Israel como uma nação judia. Seu herói é Shlomo Sand, um historiador israelita austríaco que relançou esta controvérsia complexa com a publicação do livro A Invenção do Povo Judeu em 2008.

Sand desafia aqueles sionistas que afirmam que uma ligação ancestral com os palestinos antigos é história manipulada. Mas ele criou sua tese a partir do livro do escritor Arthur Koestler A Décima Terceira Tribo, de 1976, que fazia parte de uma tentativa dos judeus liberais no pós-guerra de reconfigurar os judeus não como um grupo biológico, mas como uma ideologia religiosa e identidade étnica.

A maioria da população judaica asquenaze, como Koestler, e agora Sand, escreve, não são filhos de Abraão, mas descendentes de europeus orientais pagãos e euroasiáticos, concentrados principalmente no antigo Reino de Kazaria, no que é hoje a Ucrânia e a Rússia Ocidental. A nobreza kazariana converteu-se durante o início da Idade Média, quando a judiaria européia estava se formando.

Apesar de eruditos terem desafiado a manipulação seletiva dos fatos de Koestler e agora de Sand – a conversão foi quase certamente limitada a uma pequena classe dominante e não a uma vasta população pagã – o registro histórico é suficientemente fragmentário para estimular determinados críticos de Israel, que transformaram os livros de Koestler e de Sand em sucessos editoriais estrondosos.

Felizmente, recriar história agora depende não somente de restos de cerâmica, manuscritos fragmentados e moedas desgastadas, mas de algo muito menos ambíguo: DNA. O livro de Ostrer é um impressionante contraponto à duvidosa metodolia histórica de Sand e seus admiradores. E, como co-fundador do HapMap judeu – o estudo de haplótipo**, ou blocos de marcadores genéticos, que são comuns aos judeus ao redor do mundo – ele é bem posicionado para escrever a resposta definitiva.

De acordo com a maioria dos geneticistas, Ostrer rejeita firmemente a rejeição pós-modernista politicamente correta do conceito de raça como ingênuo geneticamente, optando por uma perspectiva mais eclética.

Quando o genoma humano foi mapeado pela primeira vez uma década atrás, Francis Collins, então chefe do Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano, disse: “Os americanos, independentemente de seu grupo étnico, são 99,9% idênticos geneticamente.” Acrescentou J. Craig Venter, que na época era cientista-chefe em uma empresa privada que ajudou a seqüenciar o genoma, Celera Genomics, “Raça não tem nenhuma base genética ou científica.” Estas declarações pareciam sugerir que “raça”, ou a noção de grupos genéticos distintos porém interconectados, não tem sentido.

Mas Collins e Veter publicaram respostas a seus comentários mal interpretados. Quase todo grupo minoritário enfrentou, em uma época ou outra, ser considerado racialmente inferior baseado em uma compreensão superficial de como os genes peculiares à sua população trabalham. A inclinação de políticos, educadores e mesmo alguns cientistas para desprezar nossa separação é certamente compreensível. Mas também é equivocada. O DNA garante que somos diferentes não somente como indivíduos, mas também como grupos.

Apesar das diferenças insignificantes (e os geneticistas agora acreditam que elas são significativamente maiores que 0,1%), elas são cruciais. Aquele 0,1% contém cerca de 3 milhões de pares nucleotídeos no genoma humano e estes determinam tais coisas como a cor da pele ou do cabelo e a suscetibilidade para certas doenças. Elas contêm o mapa de nossa arvore genealógica até os primeiros humanos modernos.

Tanto o projeto genoma humano quanto a pesquisa de doenças baseiam-se na premissa de encontrar diferenças distinguíveis entre indivíduos e frequentemente entre populações. Os cientistas cunharam o termo “raça” com toda sua bagagem normativa e adotaram termos mais neutros, como “população” e “região” que possuem quase o mesmo significado. Reduzida à sua essência, raça é igual a “região de origem ancestral”.

Ostrer tem dedicado sua carreira para investigar estas árvores genealógicas estendidas, que ajudam a explicar a base genética de desordens comuns e raras. Hoje, os judeus permanecem identificáveis em grande medida pelas cerca de 40 doenças que eles carregam desproporcionalmente, a consequência inevitável do acasalamento interno. Ele rastreia a história fascinante de numerosas “doenças judaicas”, tais como a Tay-Sachs, Gaucher, Niemann-Pick, Mucolipidiose IV, assim como o câncer do seio e do ovário. De fato, 10 anos atrás, eu fui diagnosticada com três mutações genéticas de câncer do seio e do ovário que marcam minha família e eu como indelevelmente judeus, permitindo-me escrever “Filhos de Abraão”.

Como os asiáticos do extremo oriente, Amish***, islandeses, aborígenes, povo basco, tribos africanas e outros grupos, os judeus permaneceram isolados por séculos por causa da geografia, religião ou práticas culturais. Está marcado em nosso DNA. Como Ostrer explica em detalhes fascinantes, linhas de ancestralidade judaica conectam as comunidades judaicas da América do Norte e da Europa com os Iemenitas e outros judeus do Oriente Médio que foram relocados para Israel, assim como com os negros Lemba da África setentrional e com os judeus cochin da Índia. Mas, por outro lado, a ligação não inclui nem os Bene Israel+ nem os judeus etíopes. Testes genéticos mostram que ambos os grupos são convertidos, contradizendo seus mitos fundadores.  

Por que, então, os judeus não são tão diferentes naaparência, geralmente compartilhando traços das populações vizinhas? Pense nos judeus ruivos, judeus com olhos azuis ou os judeus negros da África. Como qualquer grupo – um termo genético que Ostrer usa no lugar do mais controverso “raça” – os judeus através da história se deslocaram e se infiltraram, apesar da mistura ocorrendo comparativamente com pouca frequência até as últimas décadas. Apesar disso, há variações genéticas identificáveis que são comuns entre os judeus, não somos uma raça “pura”. A máquina do tempo de nossos genes pode mostrar que a maioria dos judeus tem uma ancestralidade compartilhada que data dos antigos palestinos, mas, como toda a humanidade, os judeus são vira-latas.

Cerca de 80% dos machos judeus e 50% das fêmeas judias tem sua ancestralidade no Oriente Médio. O resto entrou no “caldeirão genético judeu” através da conversa ou casamento misto. Aqueles que casaram externamente frequentemente abandonam a fé em uma geração ou duas, com efeito podando a árvore genética judaica. Mas muitos convertidos tornam-se entrelaçados com a linha genealógica judaica. Reflita sobre a convertida icônica, a bíblica Ruth, que casou como Boaz e tornou-se avó do Rei David. Ela começou como uma forasteira, mas nãose pode imaginar algo mais judeu do que a linha hereditária do Rei David!

Para seu crédito, Ostrer também direciona seu terceiro tópico de discussão sobre o judaísmo e raça: a questão da inteligência. Os judeus são recém-chegados na era do pensamento livre. Enquanto o Iluminismo atravessou a Europa Cristã no século XVII, o Haskalá++ não se fortaleceu até o início do século XIX. No início do novo milênio, contudo, os judeus eram considerados como um dos povos mais inteligentes do mundo. Essa visão é mais proeminente na América, que tem a maior concentração de judeus fora de Israel e uma história de tolerância.

Apesar dos judeus serem menos que 3% da população, ele ganharam mais de 25% dos Prêmios Nobel concedidos aos cientistas americanos desde 1950+++. Os judeus também são 20% dos executivos-chefes deste país e fazem 22% dos estudantes da Liga Ivy. Psicólogos e educadores registraram seu QI médio entre 107,5 e 115, com seu QI verbal em mais de 120, um desvio padrão extraordinário acima da média de 100 encontrado naqueles de ancestralidade europeia. Gostem ou não, o debate do QI tornar-se-á uma agenda gradativamente importante no futuro, à medida que médicos geneticistas focam na revelação dos mistérios do cérebro.                           

Muitos judeus liberais mantêm, pelo menos em público, que a pletora de advogados, médicos e comediantes judeus é o produto de nossa herança cultural, mas a ciência conta uma estória mais complexa. O sucesso judeu é o produto de genes judeus tanto quanto das mamães judias. 

É “bom para os judeus” explorar tais assuntos controversos? Não podemos deixar de enfrentar as questões mais desafiadoras na era da genética. Por causa de nossa história de endogamia, os judeus são uma mina de ouro para os geneticistas estudando as diferenças humanas na busca da cura para as doenças. Por causa de nosso comprometimento cultural com a educação, os judeus estão entre os maiores pesquisadores genéticos do mundo.

À medida que a humanidade torna-se mais sofisticada geneticamente, a identidade fica mais fluida e também firme. Os judeus em particular podem encontrar linhas de nossa ancestralidade literalmente em qualquer lugar, confundindo as categorias tradicionais de nacionalidade, etnicidade, crença religiosa e “raça”. Mas tais discussões, no fim, são classificadas pela realidade da ancestralidade comum compartilhada da humanidade. O Legado de Ostrer afirma que – independente dos prós e contras de ser judeu – somos todos, geneticamente, unidos. E, ao fazer isso, ele está certo.  

http://forward.com/articles/155742/jews-are-a-race-genes-reveal/?p=all#ixzz2hPe6rzJL


Notas:

* A doença Tay-Sachs possui 5 mutações, pode ser descoberta na gestação e é consequência de uma mutação recessiva, presente apenas quando se herda genes mutados tanto da mãe quanto do pai. Crianças com Tay-Sachs aparentam uma severa deterioração das habilidades mentais e físicas. Uma forma da doença muito mais rara ocorre em pacientes entre 20 e 30 anos e é caracterizada por andar inconstante e deterioração neurológica progressiva.

** Um haplótipo é uma combinação de alelos em loci (local fixo num cromossomo onde está localizado determinado gene ou marcador genético) adjacentes, que fazem parte do mesmo cromossomo e são transmitidos juntos.

*** Amish é um grupo religioso cristão anabatista baseado nos Estados Unidos e Canadá. São conhecidos por seus costumes conservadores, como o uso restrito de equipamentos eletrônicos, inclusive telefones e automóveis. Como os Mennonitas, os Amish são descendentes dos grupos suíços de anabatistas chamados de Reforma radical. O Anabatistas suíços ou "os irmãos suíços" tiveram suas origens com Felix Manz (ca. 1498-1527) e Conrad Grebel (ca.1498-1526). O nome "Mennonita" foi aplicado mais tarde e veio de Menno Simons (1496-1561). Simons era um padre católico holandês que se converteu ao Anabatismo em 1536. O movimento Amish começou com Jacob Amman (c. 1656 - c. 1730), um líder suíço dos Mennonitas que acreditava que estes estavam se afastando dos ensinos de Simons.

+ Os Bene Israel (Filhos de Israel) são um grupo de judeus originários de Mumbai, Kolkata, Déli e Ahmadabad. Hoje, são em torno de 65.000 pessoas no mundo. A sua linguagem nativa é o judeu-marathi, uma variação do Marathi. Os Bene-Israel dizem ser descendentes dos judeus que escaparam da perseguição na Galileia no século II a.C. Os Bene-Israel mantém alguns costumes dos Maratha não-judeus, como roupas, mas mantém ainda práticas judaicas, como a circuncisão, as leis dietéticas e a observação do Shabat.

++ Haskalá, nome dado ao Iluminismo Judaico, é um movimento surgido no século XVIII. dentro do Judaísmo , e que adotava os valores iluministas, incentivando a integração com a sociedade européia e a valorização da educação secular, aliada ao estudo da história judaica e do hebraico.

+++ Why do Jews win so many Nobels? http://www.haaretz.com/jewish-world/jewish-world-news/.premium-1.551520


Teoria Genética sob ataque por especialista em DNA

Jewish Daily, 07/05/2013

Cientistas geralmente não trocam insultos como “mentiroso” e “fraude”.

Mas é assim que o pesquisador com pós-doutorado na Universidade John Hopkins, Eran Elhaik, descreve um grupo de geneticistas altamente respeitados, incluindo Harry Ostrer, professor de patologia e genética na Faculdade Albert Einstein de Medicina na Universidade Yeshiva e autor do livro Legado: Uma História Genética do Povo Judeu.

Por anos, as descobertas de Ostrer e muitos outros cientistas têm permanecido praticamente livres de desafio sobre a genética dos judeus e a estória que eles contam das origens comuns do Oriente Médio compartilhadas por muitas populações judaicas ao redor do mundo – e dos asquenaze em particular – são de um povo único, de acordo com as descobertas da pesquisa de Ostrer.

Mas agora, Elhaik, um geneticista molecular, publicou uma pesquisa onde ele diz que derruba essa tese. E isto provocou um debate previsível.

A pesquisa dos geneticistas se baseiam no que é conhecido como Hipótese Renânia. De acordo com esta hipótese, os judeus asquenaze descendem de judeus que fugiram da Palestina após a conquista mulçumana no sétimo século e se estabeleceram na Europa setentrional. No final da Idade Média, ele se mudaram para a Europa Oriental a partir da Alemanha, ou Renânia.

“Sem sentido,” disse Elhaik, um israelense judeu de 33 anos de Beersheba que obteve um doutorado em evolução molecular na Universidade de Houston. Filho de um italiano e uma iraniana que se encontraram em Israel, Elhaik, um moreno claro, homem compacto, aceitou uma entrevista em seu pequeno escritório na Hopkins, onde ele trabalha há quatro anos.

Elhaik diz que provou que as raízes dos judeus asquenaze estão no Cáucaso – uma região na fronteira da Europa com a Ásia que se encontra entre os mares Negro e Cáspio – não no Oriente Médio. Eles são descendentes, ele argumenta, dos Kazares, um povo turco que viveu em um dos maiores estados medievais na Eurásia e então migraram para a Europa oriental nos séculos XII e XIII. Os genes asquenaze, acrescenta Elhaik, são muito mais heterogêneos do que Ostrer e outros proponentes da Hipótese Renânia acreditam. Elhaik encontrou um marcador genético do Oriente Médio no DNA dos judeus, mas, ele diz, pode ser do Irã e não da antiga Judéia.

Elhaik escreve que os Kazares se converteram ao judaísmo no oitavo século, apesar de muitos historiadores acreditarem que somente a realeza e alguns membros da aristocracia se converteram. Mas a conversão maciça dos kazares é o único modo de explicar o aumento espetacular da população judaica europeia para 8 milhões no início do século XX em relação ao seu pequeno número na Idade Média.

Elhaik baseia sua conclusão em uma análise de dados genéticos publicados por uma equipe de pesquisadores liderados por Doron Behar, um geneticista de populações e médico sênior no Centro Médico Rambam de Israel, em Haifa. Usando os mesmos dados, a equipe de Bahar publicou em 2010 um artigo concluindo que a maioria dos judeus modernos ao redor do mundo e algumas populações não-judias do Levante, ou Mediterrâneo Oriental, estão relacionadas intimamente.

“É uma premissa não-realista,” disse o geneticista Michael Hammer da Universidade do Arizona, um dos co-autores de Behar, a respeito do artigo de Elhaik. Hammer nota que os armênios têm raízes no Oriente Médio, o que, ele diz, é a razão porque eles parecem ser geneticamente relacionados com os judeus asquenaze no estudo de Elhaik.

Hammer, que também coescreveu o primeiro artigo que mostrou que os cohanim modernos são descendentes de um único ancestral macho, chama Elhaik e outros proponentes da Hipótese Kazariana “povo forasteiro... que possui um ponto de vista minoritário que não é apoiado cientificamente. Acho os argumentos que eles fazem muito fracos e deturpadores do que sabemos.”

Elhaik, que não acredita que Moisés, Aarão ou nas 12 tribos de Israel tenham alguma vez existido, despreza tal crítica.

“Isto é argumento circular,” disse ele a respeito da noção das semelhanças genéticas entre judeus e armênios se devam a ancestrais comuns no Oriente Médio e não na Kazaria, a área onde os armênios vivem. Se você acredita nisso, ele diz, então outras populações não-judias, como os georgianos, que são geneticamente semelhantes aos armênios deveriam ser considerados geneticamente relacionados aos judeus também, “e assim por diante.”

Em um artigo de jornal que acompanha o artigo de Elhaik, Shlomo Sand, professor de história na Universidade de Tel Aviv e autor do livro controverso A Invenção do Povo Judeu, disse que o estudo corrobora suas ideias.

“É tão óbvio para mim,” disse Sand ao jornal. “Algumas pessoas, historiadores e mesmo cientistas, tornam-se cegos para a verdade. Uma vez, dizer que os judeus eram uma raça era antissemita, agora dizer que eles não são uma raça é antissemita. É loucura como a história brinca conosco.”

O artigo tem recebido pouca cobertura da mídia Americana, mas atraiu a atenção de antissionistas e “supremacistas brancos antissemitas”, disse Elhaik. 

Curiosamente, enquanto os blogueiros antissionistas aplaudiram o trabalho de Elhaik, dizendo que ele prova que os judeus modernos não tem direito legítimo sobre Israel, alguns supremacistas brancos o atacaram.

David Duke, por exemplo, está conturbado pela afirmação de que os judeus nãosão uma raça. “comportamento disruptive e confrontador que tem marcado as atividades dos supremacistas judeus ao longo do milênio sugere fortemente que os judeus têm permanecido mais ou menos uniformes geneticamente e têm... desenvolvido uma estratégia de sobrevivência evolucionária grupal baseada em uma unidade biológica comum – algo que milita fortemente contra a teoria Kazar,” escreveu o antigo membro da Ku Klux Klan e ex-parlamentar do estado da Louisiana em seu blog em fevereiro.

Apesar do que seus críticos afirmam, Elhaik diz, ele não quis provar que os judeus contemporâneos não têm conexões com o povo judeu da Bíblia. Sua pesquisa foca na genética das doenças mentais, as quais, ele explica, o levaram a questionar as alegações de que os judeus asquenaze são uma população útil para estudo em virtude de sua homogeneidade.

http://forward.com/articles/175912/jews-a-race-genetic-theory-comes-under-fierce-atta/?p=all#ixzz2hPeqH4Qp

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

[SGM] A Guerra de Bombardeio: Europa 1939-1945

Resenha do livro The Bombing War, Europe 1939-1945, Richard Overy (2013)

Richard J Evans, Jill Stephenson



Entre as guerras, nos diz Richard Overy, os habitantes das cidades européias tornaram-se temerosos com a possibilidade de serem bombardeados. Os alarmistas prediziam milhões de mortos em Londres em um único ataque devastador. A cidade seria inteiramente destruída por bombas explosivas e incendiárias e sua população aniquilada por gás venenoso lançado do ar. A Civilização chegaria ao fim. Em 1908, HG Wells, em seu livro A Guerra no Ar, profetizou que Nova York seria reduzida, em uma questão de horas, a uma “fornalha incandescente da qual não haveria fuga”. Estes receios foram reforçados pela destruição da cidade basca de Guernica por bombardeiros alemães durante a guerra civil espanhola e pelo uso de gás venenoso pela força aérea italiana para destruir os exércitos inimigos em solo durante a invasão da Etiópia.

Entretanto, a realidade, quando chegou, foi muito diferente. Em 1939, era quase universalmente aceito que o poder aéreo seria melhor utilizado em conjunto com invasão terrestre, para neutralizar as forças aéreas inimigas e interromper as comunicações militares em solo. Nenhuma nação beligerante foi à guerra com uma frota totalmente desenvolvida de bombardeiros pesados. Os militares venceram aqueles que achavam que as forças aéreas deveriam agir independentemente. Havia hesitações sobre quebrar as sanções internacionais legalmente acordadas contra o uso de poder aéreo para atacar civis. Hitler explicitamente rejeitou o “bombardeio de terror” e organizou a Luftwaffe para limpar o caminho para a invasão das ilhas britânicas destruindo a RAF – e então, quando o trabalho estivesse feito (como os alemães erroneamente pensavam como seria por meados de setembro), para enfraquecer a economia britânica no apoio ao bloqueio.

Então, o que dizer de Varsóvia? “A campanha aérea na Polônia,” diz Overy, “foi um modelo de guerra aérea operacional elaborada antes de 1939, com as forças aéreas apoiando de maneira próxima as campanhas terrestres.” Missões sobre centros logísticos foram conduzidas, as quais “inevitavelmente envolveram baixas civis”. Talvez nossa visão de que se violou o acordo de que não se deve bombardear civis dependa do nosso entendimento de instalações de suprimento de gás e eletricidade  próximas a zonas industriais sejam um “alvo militar em potencial.” Além disso, Overy menciona mais tarde que “relatórios americanos no início da guerra destacaram a destruição selvagem das cidades polonesas a partir do ar.” Quanto a Roterdã, seu bombardeio “impôs pesadas baixas civis, porque o exército holandês escolheu defender a área ao invés de declara-la “cidade aberta” ou a rendição. É verdade que muitas das baixas em ambos os casos foram causadas pelo fogo de artilharia, mas o bombardeio causou outras. E, por que, em qualquer caso, deveriam os alemães ter bombardeado a cidade? Isto foi claramente uma agressão contra civis. Pode ser que as pequenas e incompetentes missões britânicas sobre a Alemanha em 1940 tenham provocado Hitler a lançar a Blitz, da qual a RAF aprendeu muitas lições para suas campanhas tardias. Mas foi o bombardeio alemão de civis britânicos que levou o Comando de Bombardeiros a permitir aos pilotos cada vez mais discrição no bombardeio de áreas onde havia civis. Isto logo se estenderia para toda a área de bombardeio, cumprindo a exigência de Stalin de que casas assim como fábricas fossem destruídas.

Se a blitz foi a primeira ofensiva de bombardeio estratégico, ela foi seguida logo por uma ofensiva muito maior por parte dos britânicos, onde, excepcionalmente, a doutrina militar favoreceu o uso independente de bombardeiros. A estratégia foi desenvolvida seguindo tentativas de suprimir levantes coloniais, onde as longas distâncias e comunicações pobres tornavam difícil desembarcar forças terrestres eficientemente. O Comando de Bombardeiros, acima de tudo Arthur Harris, tornou-se, nas palavras de Overy, um “aprendiz de feiticeiro”, cujas atividades eventualmente ultrapassaram de longe o controle de seus mestres políticos.

Aqui também os alvos foram supostos ser militares e econômicos; mesmo nas missões altamente destruidoras sobre Hamburgo em 1943, Harris buscou os bairros de trabalhadores da cidade porque a eliminação dos operários prejudicaria a produção de guerra. As missões continuaram até o fim da guerra devido ao medo do alto comando aliado de que os alemães pudessem reconquistar a superioridade aérea com a ajuda de novas armas, como os mísseis terra-ar (um dos quais, o Wasserfall, estava em estágio avançado de desenvolvimento) e os caças a jato (o Me-262 estava em ação bem antes do fim da guerra). Mesmo assim, Harris foi além, atacando a sociedade civil na Alemanha, esperando que a devastação de suas cidades levaria a um levante popular contra o regime. Ele ostentava regularmente a destruição das cidades alemãs pelo Comando de Bombardeiros e por seus aliados americanos, e seu vice chamou os desembarques do Dia-D “uma ‘expedição marítima’ desnecessária” sob a luz do colapso iminente do inimigo sob o peso das missões de bombardeio.

Uma das qualidades deste livro é mostrar que quase todas as expectativas estavam erradas: os comandantes da força aérea sobreestimaram consistentemente o dano que seus aviões causaram. Apesar de milhões de máscaras de gás terem sido distribuídas às populações da Grã-Bretanha e da Alemanha, nenhum ataque de gás foi realizado; ambos os lados temiam as conseqüências, apesar do preparo elaborado, incluindo o fato de que dois países, particularmente os britânicos, construíram um estoque enorme de armas químicas e gás no final da guerra. Os alemães não se revoltaram contra Hitler por causa da campanha de bombardeios; as missões, especialmente aquelas da Operação Gomorra contra Hamburgo em 1943, causaram desmoralização e desilusão generalizadas com o regime. Mas, tal como a sociedade britânica uniu-se sob a blitz, a sociedade alemã também resistiu até o final, apesar de se submeter a um regime gradativamente draconiano de ameaças e punições do partido nazista.

Ele analisa o número de aviões, vôos de reconhecimento e cargas, e os compara com o número de mortos e feridos. Isto o leva a concluir que, por exemplo, o número padrão dado para mortes no bombardeio de Stalingrado em 23 de agosto de 1942, 40.000, “assim como as estatísticas exageradas em Roterdam... não sobrevive ao exame detalhado... Nenhum bombardeio pré-atômico conseguiu em qualquer lugar matar pelo menos 10% da população em um único dia de bombardeio.” Mesmo assim, um número de 18.474 mortes em uma única noite em julho de 1943 em Hamburgo, cerca de metade para a Operação Gomorra, foi extraordinário em sua severidade. O número de mortos por bombardeio na URSS foi cerca de 51.000, comparado a 60.595 na Grã-Bretanha, 53.601 na França, 1.350 na Bulgária, 307 na Dinamarca e 353.000 na Alemanha, entre outros países. O bombardeio alemão da URSS, diferentemente dos bombardeios da Alemanha e Grã-Bretanha entre si, foi em sua maioria para apoio de operações terrestres.

Os efeitos econômicos do bombardeio foram altamente exagerados em ambos os lados: a produção alemã foi detida, mas não destruída. A realocação e dispersão das fábricas de armas para áreas seguras; a camuflagem dos sítios de manufatura (por exemplo, pintando as paredes e tetos de preto para parecer como se eles tivessem sido danificados por ataques incendiários); e a rapidez com a qual as plantas-chaves, tal como a fábrica de rolamentos em Schweinfurt, foram reconstruídas após um ataque, tudo ajudou a garantir que a produção de armas alemã atingiu seu auge quase no final da guerra, em 1944, sob o impacto do programa de racionalização econômica do Ministro dos Armamentos Albert Speer. Quanto à blitz, apesar do bombardeio das docas de Londres, não mais que 5% da produção foi afetada pelas missões. Os efeitos militares da campanha no esforço de guerra alemão foram muito mais importantes, com recursos significativos em mão de obra e equipamento sendo desviados da frente oriental para tentar deter os ataques aéreos.

Para Overy, a característica principal do Comando de Bombardeiros em 1942, foi sua ineficiência. A política foi mal conduzida e executada porcamente, a ambição ultrapassou a capacidade técnica e não havia um plano geral. Para cada dois alemães mortos pelo bombardeio em 1942, um bombardeiro era perdido. Alegações foram feitas sobre a destruição de cidades quando a maioria das bombas havia demonstravelmente caído longe do alvo. Arthur Harris, chefe do Comando de Bombardeiros, mais tarde admitiu que a ofensiva aérea propriamente dita somente havia começado em março de 1943, após a reunião de tripulações, aviões e infraestrutura e aquisição de recursos de navegação eficientes. A Oitava Força Área dos EUA não se saiu muito melhor, apesar de ser em alguns aspectos tecnicamente superior. Os dois comandos permaneceram separados, o que quer que seja o que os americanos tenham dito; como Overy colocou, “Como muitos casamentos de conveniência, os parceiros dormiam em camas separadas.” Os americanos estavam perplexos com o objetivo britânico de dilacerar cidades, vendo a campanha de bombardeio mais como um meio para facilitar a invasão da Europa por forças terrestres.

Como Overy mostra, baixa visibilidade, deterioração rápida das condições climáticas, mau funcionamento dos equipamentos, aeronaves ultrapassadas e lentas, inexperiência dos pilotos ou exaustão da tripulação e ação inimiga variando de baterias anti-aéreas até caças noturnos ou embaralhamento de sinais de navegação, tudo reduziu a eficiência das frotas de bombardeiros. Aviões espatifavam no solo por falta de combustível ou falha do motor com uma freqüência atordoante. Em suas missões sobre a Grã-Bretanha de janeiro a junho de 1941, por exemplo, 216 bombardeiros alemães foram perdidos e 190 danificados; 282 destes foram resultado de acidentes aéreos. A taxa de óbitos entre os tripulantes de bombardeiro era extraordinariamente altos (membros do Comando de Bombardeiro tinham uma chance de sobrevivência de 25% em sua primeira missão, e 10% em sua segunda) mas nem tudo era resultado da ação inimiga. No final de 1941, o Comando de Bombardeiros reconheceu que estava perdendo seis aviões em acidentes para cada um abatido pelo inimigo. Os britânicos e especialmente os americanos poderiam repor essas perdas, e talvez até mais; no final, os poucos recursos da Alemanha significaram que a força aérea alemã estava crescentemente sendo superada.

As frotas de bombardeiros tinham que voar alto para evitar o fogo anti-aéreo do solo, de modo que mesmo que o tempo estivesse limpo, elas eram frequentemente incapazes de localizar seus alvos eficientemente. Em uma missão, Robert Kee, um piloto de bombardeiro que mais tarde se tornou um historiador de sucesso, “bombardeou algumas incendiárias no que esperávamos ser hanover”, mas a maioria das bombas lançadas em concentrações de holofotes porque era tudo o que ele poderia ver através das nuvens. Um relatório, compilado em setembro de 1941, relatou que somente 15% dos aviões estavam bombardeando seus alvos dentro de um raio de 7 km. Nos últimos três meses de 1944, foi reconhecido que somente 5,6% das bombas caíam dentro de 2 km do ponto-alvo se houvesse nuvem, apesar do uso de recursos de navegação eletrônicos. Uma missão em uma planta de petróleo importante viu 87% de suas bombas perdendo seu alvo inteiramente, e somente duas atingiram os prédios.

A conclusão de Overy é que a força aérea dos EUA foi muito mais bem sucedida do que o Comando de Bombardeiros em atingir alvos que conduziram diretamente à derrota alemã – aeródromos e, acima de tudo, reservas de petróleo e sistemas de comunicação. Quase no final, a produção industrial alemã continuou a uma taxa incrível, em parte por causa de uma política de dispersão e também por causa do uso de mão de obra escrava e também parcialmente porque o bombardeio provocou relativamente pouco dano industrial e que este rapidamente foi recuperado. A defesa civil alemã era grande e bem organizada. Em contraste, na URSS e na Grã-Bretanha, as preparações para defesa civil estavam em sua melhor condição quando o ataque principal havia cessado. Na Itália, contudo, havia pouca preparação eficiente, de modo que o resultado do bombardeio, especialmente em 1942, provocou uma crise material e moral. O bombardeio pode ter sido a única razão para a decepção com o regime de Mussolini, mas ele certamente induziu o governo de Pietro Badoglio a pedir a paz.

Em 1944, durante os ataques controversos contra o monastério italiano de Monte Cassino, usado pelos alemães como base militar e de comunicações, o quartel-general do general Oliver Leese, a 5 km da abadia, foi destruído, assim como o quartel-general francês distante 20 km. Levou outros três meses antes que a fortaleza fosse tomada. Um ataque contra o sítio de produção do foguete V-2 ao norte de Haia despejou 67 toneladas de bombas em uma área residencial em 1 de março de 1945, grande parte em virtude do oficial de instruções considerou as coordenadas erradas no mapa. O lançamento maciço de bombas sobre as cidades foi, portanto, o único modo de destruir os alvos militares e econômicos que eles continham.

Sob tais condições, a ideia de bombardear as linhas ferroviárias para Auschwitz para parar o extermínio dos judeus húngaros transportados até lá em 1944 era um pouco mais do que uma fantasia; qualquer ataque provavelmente teria infligido baixas maiores entre os internos do próprio campo. Foi somente nos últimos meses da guerra que a supremacia aérea aliada foi assegurada e a produção militar aliada era tão superior à dos alemães que realmente nenhum dano sério foi infligido – três quartos da carga total de bombas foi despejada sobre a Alemanha durante este período final. A indústria alemã sobreviveu com força suficiente, contudo, para eventualmente fornecer a base para o “milagre econômico” do país após o fim da guerra.

Uma das preocupações principais de Overy é com a moralidade do bombardeio de civis. No início da guerra, todos os lados concordavam que o bombardeio intencional de civis era ilegal e que o bombardeio deveria ser restrito a alvos militares. Mas a situação desesperadora na frente ocidental na primavera de 1940 (ao invés do bombardeio alemão de Roterdam) levou os britânicos a abandonar essa política em favor do bombardeio de alvos na Alemanha para um objetivo militar onde mesmo os civis poderiam estar na linha de fogo. Tanto Winston Churchill quanto Clement Attle eram altamente favoráveis a essa estratégia. Para Overy, um dos muitos mitos da Segunda Guerra Mundial é a de que os alemães foram os primeiros a bombardear civis: em sua visão, os britânicos o fizeram primeiro.

Sobre isto e outros assuntos, a pesquisa magnífica de Richard Overy, baseada em pesquisa extensiva nos arquivos de um grande número de países, deve agora ser lembrada como um trabalho de referência sobre a guerra aérea, não apenas na Grã-Bretanha e Alemanha, mas no resto da Europa também. É provavelmente o livro mais importante publicado sobre a história da Segunda Guerra Mundial neste século e os historiadores terão que revisar muitos de seus fatos e números aceitos a longo tempo.     



Tópicos Relacionados:

Os Heróis do Comando de Bombardeiros merecem seu Memorial... ao contrário do Açougueiro que os liderou


O Mito da Boa Guerra: Por que Dresden foi Destruída?


terça-feira, 8 de outubro de 2013

[PGM] Como a Inglaterra ajudou a começar a Grande Guerra

Paul Gottfried
 


Um assunto muito pouco explorado é o papel do governo britânico no início da Primeira Guerra Mundial. Até recentemente, era difícil encontrar estudiosos que duvidassem do julgamento confortável de que a “Alemanha autoritária” causou a Grande Guerra devido à sua arrogância. Supostamente, os britânicos somente se envolveram após os alemães precipitadamente violarem a neutralidade da Bélgica em seu caminho para conquistar a França “democrática”.

Mas o Secretário do Exterior britânico, Sir Edward Grey, tinha feito de tudo ao seu alcance para isolar os alemães e seus aliados austro-húngaros, que estavam corretos em sua preocupação de ficarem cercados por inimigos. A Tríplice Entente, largamente construída pelo governo Grey e que colocou os franceses e russos em uma aliança diversificada, cercaram a Alemanha e a Áustria com parceiros belicistas. Em julho de 1914, os líderes alemães sentiram a necessidade de apoiar seus aliados austríacos em uma guerra contra os sérvios, que eram o Estado fantoche russo. Estava claro então que este conflito exigiria que os alemães lutassem contra a Rússia e a França.

Os militares alemães fatalmente aceitaram a possibilidade da Inglaterra entrar na luta contra eles. Isto poderia ter acontecido mesmo se os alemães não tivessem violado o solo belga para derrotar os franceses antes de enviar seus exércitos para o leste para enfrentar uma invasão russa maciça. Os ingleses eram tudo, menos neutros. No verão de 1914, seu governo estava prestes a assinar uma aliança militar com a Rússia, planejando uma operação conjunta contra a Pomerânia alemã no caso de uma guerra geral. Os britânicos também deram garantias ao ministro do exterior francês, Teófilo Delcassé, que eles estariam ao lado dos franceses e russos (que eram aliados desde 1891) se a guerra eclodisse contra a Alemanha.

Grey rejeitou as tentativas do Chanceler alemão,Teobaldo Von Bethmann-Hollweg, para deixar seu governo fora do alcance de compromissos com os inimigos da Alemanha.

As concessões alemãs em 1912 incluíam:

* A aceitação do domínio britânico na construção de estradas e acessos às reservas de petróleo no que hoje é o Iraque.

* Investimentos conjuntos na África central que claramente beneficiariam mais os ingleses do que os alemães.

* Humildemente seguir a liderança da Inglaterra nas duas Guerras dos Bálcãs, onde o inimigo da Áustria, a Sérvia, quase dobrou seu território.

Os russos e os franceses também estavam expandindo enormemente seu alistamento e ultrapassaram as forças alemãs e austríacas, mas nem as concessões alemã nem os golpes de sabre dos aliados continentais da Inglaterra provocaram uma mudança de direção do governo britânico. Lorde Grey, que permaneceu secretário do exterior até 1916, nunca mudou sua opinião de que a Alemanha era o inimigo mais perigoso da Inglaterra.

Um livro que deixa isto claro é o estudo de Konrad Canis da política externa alemã de 1902 até 1914. Um volume enorme de mais de setecentas páginas ,  O Caminho para o Abismo, é um relato revisionista extraordinário das confusões que levaram à guerra.

Canis revela muitos pontos que não encontraremos no academicismo histórico comum:

1) A política externa do Segundo Império alemão era largamente passiva. Isto era verdade não somente para Bismarck após a unificação de 1871, mas quase totalmente verdadeiro para a política externa alemã a partir de 1902.

2) Os britânicos eram mais hostis aos alemães do que vice-versa. Eles viam a Alemanha como um competidor econômico em ascensão que tinha se estabelecido como a potência militar dominante no continente. Tanto a opinião pública quanto os líderes alemães eram fortemente anglófilos; o Chanceler Bethmann-Hollweg considerava a amizade britânica algo que valia a pena, mesmo que custasse os interesses alemães.

3) O governo alemão e a maioria da imprensa alemã faziam uma distinção clara entre esperar que seu país se tornasse uma potência mundial e aspirar o domínio sobre todos os países. As fontes de Canis sugerem que alemães influentes esperavam tornar-se uma potência “na escala da Inglaterra,” um país que eles respeitavam e não tinham interesse em combater.

Em 1914, a Rússia representava uma ameaça maior à Inglaterra do que a Alemanha ou a Áustria. A Inglaterra estava lutando contra a Rússia pelo domínio da Ásia Central. Ao invés de confirmar suas prioridades geopolíticas, Lorde Grey ofereceu à Rússia uma terceira frente contra os alemães prometendo disponibilizar os navios britânicos para um desembarque no norte da Alemanha. Esta foi a maneira como o governo britânico tentou resolver suas diferenças com a Rússia, já que ambos estavam se expandindo na mesma região. Nestes compromissos britânicos, não está claro se uma distinção ainda é possível entre guerras ofensivas e defensivas.

E então, temos os EUA. Quando o embaixador alemão se aproximou de Teddy Roosevelt para se unir aos alemães em garantir mercado aberto no Vale do Rio Yangtze na China e outras regiões então fechadas pelos britânicos e franceses, TR se recusou. Ele disse que não poderia assinar tal documento antes de consultar primeiro os britânicos. Esta é uma prova para aqueles que acreditam que os EUA eram um estado vassalo da Inglaterra antes da Primeira Guerra Mundial.

O autocrático governo russo, que entrou na guerra pelo leste, não era totalmente “democrático” em 1914, mas na época que Woodrow Wilson jogou-nos no caldeirão europeu,  a Rússia estava envolvida na primeira de duas revoluções, esta uma mudança revolucionária democrática em março de 1917. Assim, os EUA poderiam aliar-se ao aceitável governo provisório russo quando ele pegasse em armas contra os supostos belicistas alemães.

A Aliança Funesta, de Georg e Kennan, e A Origem Russa da Primeira Guerra Mundial, de Sean McMeekin, documentam o papel do governo russo agressivamente expansionista em iniciar a Grande Guerra. Mas tais revelações não são mais surpresa.

O que é mais surpreendente é a descoberta do papel da Inglaterra em criar esta catástrofe.  Esta omissão pode ser atribuída a certas causas óbvias: a visão errada de que a Inglaterra só entrou na guerra por causa da violação da neutralidade belga (isto confunde um pretexto com uma causa); a disposição anglófila das elites apolíticas e acadêmicas americanas; e mais recentemente, a noção tendenciosa de que “democracias jamais lutam entre si.” Infelizmente para esta generalização, os governos da Alemanha e Inglaterra (e certamente suas sociedades) em 1914 eram muito mais semelhantes entre si do que se parecem os atuais regimes americano e canadense.

Canis não defende a decisão final desastrosa em 1914. Os alemães deveriam ter segurado os austríacos mesmo após os agentes sérvios terem matado o arquiduque Ferdinando da Áustria.  A guerra resultante dilacerou a Velha Europa. As indústrias militares que Grey, Churchill e outros de sua laia estavam sustentando não eram o que a população queria. Os falcões da guerra estavam desviando o foco das reformas sociais. Apesar de eu dificilmente ser favorável ao Estado do Bem Estar Social, criar um desses na Inglaterra em 1910 teria sido bem menos prejudicial do que a política externa de Grey.        

http://takimag.com/article/how_england_helped_start_the_great_war_paul_gottfried#axzz26g7PSYu5

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Primeiro passo na Lua completa 44 anos

Terra, 20 de Julho de 2013


Há exatos 44 anos, em 20 de julho de 1969, o astronauta americano Neil Armstrong tornou realidade o sonho mais antigo das civilizações humanas quando se converteu no primeiro homem a caminhar na Lua. Enquanto 500 milhões de pessoas em torno do mundo esperavam ansiosamente aglomeradas junto a rádios e telas de televisão de imagem borrada, Armstrong desceu a escada do módulo sobre a superfície lunar.

"Este é um pequeno passo para um homem, mas um grande salto para a humanidade", recitou Armstrong com a voz levemente distorcida pela distância e pelos equipamentos de comunicação, uma frase que ficaria gravada para sempre nos livros de história da Terra.

As multidões ovacionaram o momento quando Armstrong foi alcançado por seu companheiro Buzz Aldrin, que descreveu a "magnífica desolação" da paisagem lunar, nunca antes testemunhada em primeiro plano vista da Terra. Apenas 12 terráqueos caminharam desde então pela superfície da Lua, o solitário e misterioso satélite da Terra que alimentou nossos sonhos desde que os primeiros humanos caminharam sobre o planeta.

A União Soviética foi a primeira nação a colocar um satélite em órbita, em 1957, com o lançamento do Sputnik e, em 1961, Yuri Gagarin se converteu no primeiro homem a viajar ao espaço. A corrida espacial se converteu no símbolo da batalha da Guerra Fria pelo domínio entre ideologias enfrentadas e poderes mundiais polarizados.

"Creio que esta nação deve se comprometer em alcançar a meta, antes de terminar esta década, de aterrissar o homem na Lua e trazê-lo de volta à Terra sem perigo", disse então Kennedy. Foi aí que os EUA desenvolvem o programa Apollo, que transformou-se em uma arma bem sucedida na prova de domínio na corrida espacial que culminou com os passos do americano Neil Armstrong na lua durante a missão Apollo 11, em 1969.

Em plena Guerra Fria, o programa Apollo foi usado para provar o domínio americano na corrida espacial. Colocar uma bandeira dos Estados Unidos na superfície da Lua em 1969 marcou pontos muitos importantes em relação à União Soviética. O programa Apollo, que tornou possível seis alunissagens bem sucedidas entre 1969 e 1972, começou oito anos antes, em 1961, quando o presidente John F. Kennedy lançou o desafio ao Congresso de levar o homem à Lua ainda naquela década.

Mas a conquista da Lua não foi o único resultado da corrida espacial. Muitos dos avanços tecnológicos que desfrutamos hoje - como a comunicação mundial instantânea, via satélite e o uso de computadores pessoais - foram criados na época durante pesquisas de aprimoramento das missões espaciais.


Como funcionava a espaçonave Apollo 

Visão geral da espaçonave

Na plataforma de lançamento, o conjunto da espaçonave Apollo e o veículo de lançamento Saturno V era impressionante. O conjunto tinha mais de 121,9 metros de altura e, da base ao topo, consistia nas partes que você confere a seguir.

  • Veículo de lançamento, que era o foguete Saturno V de três estágios em todas as missões Apollo tripuladas. A função do Saturno V era lançar a espaçonave Apollo ao espaço.
  • Havia uma estrutura que parecia um cone com a ponta cortada. Era chamada de adaptador do módulo lunar da espaçonave (AML). Protegia o módulo lunar (ML), que não conseguia suportar a pressão de viajar pela atmosfera terrestre a grande velocidade. O ML foi a parte da espaçonave Apollo que pousou na lua.
  • O módulo de serviço (MS) vinha a seguir. Ele continha muitos sistemas importantes da espaçonave Apollo, incluindo tanques de oxigênio, células de combustível, baterias e motores. Quando a espaçonave se separava do estágio final do Saturno V, o MS dava o empuxo necessário para ajustar a trajetória, arfagem, rolagem e guinada da espaçonave (os movimentos em torno dos três eixos da espaçonave).
  • Acima do MS ficava o módulo de comando (MC), onde os astronautas permaneciam durante a maior parte da missão.
  • Finalmente, no topo do MC ficava o sistema de escape do lançamento (SEL). Era uma estrutura em forma de torre que parecia um pequeno foguete no topo de uma treliça. A finalidade do SEL era permitir que os astronautas escapassem rapidamente no caso de alguma falha no lançamento. Nessa situação, o SEL puxaria o MC para longe do veículo de lançamento utilizando três motores de foguete de propulsor sólido.


Em contrapartida, quando a espaçonave Apollo reentrava na atmosfera terrestre e pousava no oceano, tinha apenas 3,35 metros de altura. Isso porque a NASA pretendia que somente o módulo de comando retornasse à Terra - todo o resto seria descartado sobre o oceano Atlântico ou no espaço.

O custo do programa foi estimado em mais de US$ 25 bilhões, o que significa mais de US$ 100 bilhões hoje [fonte: NASA]. A maior parte desse dinheiro foi gasto no projeto, na construção e no aperfeiçoamento dos complexos sistemas e no maquinário necessários para levar homens à lua e trazê-los de volta em segurança. A NASA destinou o resto do orçamento para o treinamento dos astronautas, sistemas de controle de solo e despesas afins. 

Os módulos de comando e serviço

O módulo de comando era o local onde os astronautas passavam quase todo o tempo e era a única seção da espaçonave projetada para retornar intacta à Terra. Com sua blindagem contra aquecimento, tinha cerca de 3,9 m de altura e pesava 5,5 t. Dentro, os astronautas tinham cerca de 6 metros cúbicos de espaço habitável - o resto do espaço interno do veículo era destinado aos painéis de controle e displays. O MC era tripulado por três astronautas. Durante o lançamento, os três homens se sentavam em uma poltrona, que eles dobravam e guardavam quando entravam no espaço.

Os engenheiros construíram o MC utilizando chapas de alumínio para a estrutura interna. Do lado de fora do MC, havia uma blindagem contra aquecimento de aço inoxidável soldado com latão e revestido com resina. Sem a blindagem contra aquecimento, os astronautas não sobreviveriam à reentrada na atmosfera terrestre no fim da missão.

O módulo de serviço era um cilindro de 7,5 m de altura. Tinha 3,9 m de largura e pesava 23.244 kg no lançamento. O MS era dividido internamente em seis seções, que continham um sistema de propulsão, tanques para combustível e material oxidante, tanques de hélio usados para pressurizar o sistema de combustível, células de combustível e tanques de oxigênio e hidrogênio. As células de combustível forneciam a energia para a maioria das necessidades da tripulação durante a missão, mas o MS e o MC também tinham baterias como um suplemento de energia.


Durante a maior parte do vôo da missão, o MC e o MS permaneciam conectados um ao outro. O MC dependia dos sistemas do MS para a maioria de suas operações. Devido a disso, alguns se referem às duas unidades como sendo uma só: o MCS.

A ponta do MCS tinha uma sonda que os astronautas utilizavam para fixar no ML. Logo que o adaptador do módulo lunar da espaçonave se separava do resto do veículo, a espaçonave Apollo soltava o ML de sua base. Usando motores de controle de reação (MCRs), o MCS ajustava seu alinhamento, de modo que o topo do MC ficasse de frente para um dispositivo em forma de funil no ML chamado de âncora. Os astronautas no MCS alinhariam a sonda, de modo que se acoplasse à âncora do ML. Uma vez fixado, 12 presilhas automáticas prendiam o ML ao topo do MC. Em outras palavras, o ML se movia de trás para a frente do MCS. Os astronautas podiam retirar a sonda e a âncora do interior da espaçonave, permitindo à tripulação se deslocar entre os dois módulos.
Para tornar a viagem espacial possível - e segura - o MCS precisava integrar diversos sistemas complexos de apoio. Continue lendo para saber como os astronautas puderam completar sua missão confiando nesses sistemas.

Sistemas e controles

Os sistemas a bordo do MCS tinham uma variedade de funções, incluindo navegação, direção, comunicação, apoio à vida, energia elétrica, controle de água e propulsão.

A seguir você vê uma rápida descrição dos sistemas do MCS.

  • Sistema de energia elétrica (SEE): consistia em células de combustível e baterias e fornecia eletricidade em correntes contínua e alternada. A maior parte dos SEEs estava no MS, mas o MC possuía três baterias.
  • Sistema de direção, navegação e controle (SDNC): a finalidade desse sistema era medir e controlar posição, inclinação e velocidade da espaçonave. O SDNC incluía subsistemas inercial, óptico e de computador. O subsistema inativo usava acelerômetros para medir a velocidade da espaçonave e seus movimentos em torno dos três eixos. O sistema óptico incluía um telescópio, um sextante e um sistema eletrônico que enviava dados ópticos ao computador da espaçonave para fins de navegação. O sistema de computador analisava dados de outros subsistemas e também dos comandos manuais dos astronautas. Em seguida, o computador enviava os comandos ao sistema de propulsão da espaçonave para fazer as correções de curso. O computador também tinha um piloto automático digital que podia controlar a espaçonave durante todas as fases da missão.
  • Sistema de estabilização e controle (SEC): esse sistema incluía controles e indicadores para a tripulação da Apollo poder controlar manualmente a rotação ou a velocidade da espaçonave. O sistema enviava comando ao sistema de propulsão da espaçonave.
  • Sistema de propulsão de serviço: localizado no MS, esse sistema de propulsão incluía quatro tanques de combustível de hidrazina e oxidante tetróxido de nitrogênio. Essas substâncias são hipergólicas, o que significa que entram em combustão espontaneamente quando misturadas. O sistema usava tanques de hélio para pressurizar as linhas de combustível. O motor de foguete do sistema produzia até 10.250 kg de empuxo. A NASA montou o motor em uma suspensão Cardan, que é um suporte que pode girar. Girando o motor na direção certa, a espaçonave podia manobrar para a inclinação e a trajetória corretas.
  • Sistemas de controle de reação (SCR): o SCR era um sistema de motores e tanques de combustível. Era parcialmente utilizado como um sistema redundante, o que significava que podia controlar os movimentos da espaçonave se o sistema de propulsão principal falhasse. O MC e o MS tinham um SCR independente. O MS tinha quatro quádruplos, que eram grupos de quatro motores de foguete. Cada motor podia fornecer 50 kg de empuxo. O MC tinha dois grupos de seis motores cada, com cada motor sendo capaz de fornecer 46,5 kg de empuxo. O SCR do MC também controlava a espaçonave durante a reentrada.
  • Sistema de telecomunicação: fornecia a intercomunicação entre os astronautas no espaço e o pessoal na Terra, bem como entre os próprios astronautas. Incluía radiotransmissores e receptores de banda S e freqüência muito alta (VHF) e um transponder. Os astronautas usavam o equipamento VHF para comunicação de curta distância e o equipamento de banda S para comunicação através do espaço. Quando um corpo grande - por exemplo, a lua - ficava entre a espaçonave e a tripulação em terra, perdia-se a comunicação.
  • Sistema de controle ambiental (SCA): controlava a pressão atmosférica e a temperatura da espaçonave, além de controlar a água. Ele coletava a água das células de combustível da nave (um subproduto útil). O SCA regulava a temperatura no MCS por meio de um sistema de resfriamento de água e glicol. O sistema bombeava a água e o glicol através de serpentinas de resfriamento para diminuir a temperatura do líquido. Em seguida, bombeava o líquido através de tubos para resfriar a atmosfera e os sistemas elétricos do MCS, semelhante a um sistema de resfriamento de líquido de computador.
  • Sistema de pouso na Terra: alojado no MC, esse sistema consistia em vários pára-quedas prontos para disparo. A NASA projetou a espaçonave Apollo com a intenção de um pouso na água na reentrada. Os pára-quedas diminuíam a velocidade de descida da espaçonave, o suficiente para garantir a segurança da tripulação.

O módulo lunar


O módulo lunar (ML) da Apollo foi o primeiro veículo tripulado projetado para operar completamente fora do ambiente da Terra. Ele permaneceu acoplado ao MCS durante a viagem da Apollo na órbita lunar. Já em órbita, dois dos três homens se transferiram do MCS para o ML. Após vedarem o MCS e o ML, os astronautas desacoplaram os dois veículos e o ML iniciou sua jornada para a superfície da lua.

O ML tinha duas seções. A seção superior era o estágio de subida e compreendia o compartimento da tripulação, indicadores e controles de sistema, antenas de banda S e de radar, um sistema de controle de reação (SCR), tanques de combustível, oxidante e oxigênio. A seção inferior era o estágio de descida e armazenava o equipamento que os astronautas usariam na lua. Tinha também um motor de foguete de descida, trem de pouso e tanques de combustível e oxidante. As duas seções desceram até a lua, com a seção de descida controlando o pouso, mas quando os astronautas deixaram a lua, fizeram-no somente com a seção de subida. A seção de descida serviu como plataforma de lançamento e foi deixada para trás.


O ML tinha radar de pouso que transmitia feixes de microondas para a superfície lunar e media as ondas que a superfície refletia na espaçonave. Calculando-se o tempo entre a transmissão e a recepção e medindo as ondas, o computador do ML podia calcular a proximidade do módulo à superfície e fazer os ajustes.

Após pousar na lua, os dois membros da tripulação preparariam primeiro o estágio de subida do ML para a decolagem. Depois, descansariam e se preparariam para os objetivos de sua missão na superfície da lua. Uma vez que tivessem concluído esses objetivos, retornariam ao ML para a volta. A seção superior do ML se separaria do estágio de descida (mais uma vez usando parafusos explosivos). O SCR do estágio de subida fornecia 1.750 kg de empuxo, suficiente para colocá-lo em órbita lunar.

A NASA projetou a antena de radar do estágio de subida para receber transmissões do transponder no MCS. O transponder transmitia informações referentes à posição e à velocidade do MCS. Com essas informações, as duas seções manobraram, para que pudessem se acoplar. Após o acoplamento, a tripulação do ML transferiu todas as amostras de materiais que coletaram na lua. Vedaram, então, os dois veículos e desacoplaram o ML, enviando-o para um curso de colisão com a lua. Instrumentos deixados na superfície da lua mediriam o impacto como parte de um projeto de pesquisa sísmica.


Tópicos Relacionados

As dúvidas sobre o pouso do homem na Lua



Comemorações do Programa Apollo em 2012



Como Funcionam os Foguetes


Hierarquia na Legião Romana

General Em Chefe

Magister militum ou Mestre dos Soldados, possuía um exército de várias legiões que lhe eram fiéis, onde o seu estado maior era formado por outros generais. Era de sua responsabilidade atribuir a um oficial de confiança, o papel de recrutar futuros legionários. Ser general em chefe, era o posto mais elevado na carreira militar nas legiões romanas. Apenas os mais audazes, estrategistas e corajosos, conseguem chegar a esta posição de máxima honra e prestigio. Era ele que decidia o que fazer numa batalha, que podia terminar numa derrota, ou numa vitória!Comandar as melhores legiões romanas de todos os tempos, era ter ao seu serviço os melhores legionários de elite. Máxima fidelidade ao general em chefe e a Roma! Mas se o imperador fosse um ditador, ou o senado um ninho de corrupção, o general em chefe seria sempre quem tinha a última palavra, e nesse momento a fidelidade das legiões era máxima ao general em chefe e a ROMA! Nunca a um imperador impiedoso, ou um senado que agia para além dos interesses do povo!
                                                                                    
General

Liderava uma legião. O dever do general era percorrer a cavalo as diversas patentes e fileiras, onde a legião ecoava nas suas vozes, respeito e orgulho ao general! Mostrar-se aos que estão em perigo, enaltecer os bravos, ameaçar os cobardes, encorajar os inertes, preencher os vazios, transferir uma unidade se for necessário, dar apoio aos amedrontados, antecipar a crise, a hora e o desfecho! Era conhecedor das tácticas e dos medos do inimigo, e lutava lado a lado com seus legionários! A força guerreira deste comandante, aliada á lealdade dos legionários que lutavam a seu lado, empregava uma força e coragem fora do comum. A presença de um general no campo d batalha era a prova disso: "TODOS IGUAIS, TODOS POR ROMA!"


Cônsul

Os cônsules exerciam um grande número de funções responsável pela política, e questões burocráticas, fossem militares ou não - administrativas, legislativas e judiciais - em época de paz e, em tempo de guerra, era-lhes entregue o comando supremo do exército em substituição do general em chefe. Após a conquista de províncias anexadas ao império, era o responsável pela proteção dos interesses de Roma e das legiões, Sendo designado governador e ao mesmo tempo organizava a diplomacia, nomeando embaixadores ou diplomatas que se encarregavam de tratar das relações entre Roma e as províncias, e quando necessário, com outras nações estrangeiras. Os cônsules são obrigatoriamente diplomatas de formação, e são conhecedores de um pouco de tudo em outras áreas. São também uma espécie de juiz, para resolver problemas internos nas províncias ou nas próprias legiões. 


Centurião 

O centurião é o responsável por comandar a centúria, dando ordens que devem ser prontamente obedecidas pelos legionários, especialmente as formações militares, pois é ai que se decide uma batalha. O centuríão apesar de seu posto de destaque é um soldado que luta com os demais, marcha junto à sua unidade e acampa conjuntamente a eles, só assim permanece a disciplina e a honra nas legiões. Para além do respeito e admiração dos legionários, o maior destaque é a sua conduta psicológica em combate, incentiva os seus homens de tal maneira, que ganham uma força extra em condições adversas, como no caso de um inimigo ser muito superior. Um centurião tem um papel muito importante, é lugar tenente dos generais, é neles que reside o papel principal das ordens serem prontamente executadas. É um posto de muita responsabilidade e importância. Centurião é o equivalente a um capitão nos tempos de hoje.


Decurião

Cada decurião é responsável pelo controlo de sua fileira em uma centúria romana. Sendo que no início de cada fila o decurião é responsável por organizar a sua fileira e executar as formações militares que são ordenadas pelo líder geral da centúria, que é o centurião. Os decuriões dormem nas mesmas tendas que os legionários, mas são importantes para o êxito das formações e alinhamentos militares dos legionários que estão ao seu comando. Decurião é o equivalente no exército atual ao cabo.


Legionário

É um soldado bem treinado e organizado. O legionário romano é, normalmente, um cidadão romano com menos de 27 anos de idade. Um legionário é alistado numa É um soldado bem treinado e organizado. Um legionário é alistado numa legião para um tempo de serviço de 25 anos. Os últimos 5 anos de serviço de um legionário veterano é prestado em serviços mais leves. Um legionário é submetido a rigorosos treinamentos; a disciplina é a base para o sucesso de qualquer legião. Os legionários são constantemente treinados com armas e especialmente treinados em marchas, marchas forçadas com toda a carga que um legionário pode carregar e em formação de guerra. Como já foi dito, a disciplina é muito importante nas legiões e quaisquer infrações são severamente punidas pelos centuriões. Os legionários da  são, simplesmente a elite guerreira do império! Após os 25 anos de serviço, o legionário fazia jus a uma recompensa em dinheiro equivalente a um ano de soldo, por vezes com um bônus para os que concordassem em fixar residência na província onde houvessem servido por último. Com isso, o ex-soldado podia comprar um pedaço de terra ou abrir um negócio. Legionários reformados morando nas províncias tornavam-se, assim, fazendeiros, comerciantes ou artesãos, geralmente casavam-se com mulheres locais, e era muito provável que seus filhos viessem futuramente a se tornar também legionários. Dessa forma, as Legiões, além de sua importância militar, também se constituíram num poderoso elemento de difusão da cultura romana.


domingo, 6 de outubro de 2013

[ARM] Novo fuzil é aposta da Imbel para recuperação financeira

Defesanet, 10 de Setembro, 2013

 
Após uma fase de sérias dificuldades financeiras, a Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel), fabricante armamentos vinculada ao Ministério da Defesa, acredita estar perto da virada. A empresa começou a produzir o novo modelo de fuzil que espera ser o escolhido pelos militares para substituir parcialmente os FAL 7.62 que estão nas mãos das três forças. O ministério fala em trocar 10 mil fuzis por ano a partir de 2014.

O negócio também interessa à fabricante gaúcha de armas Forjas Taurus. A Imbel, no entanto, está num estágio mais avançado do que a concorrente do Sul. Mil e quinhentos Imbel A2 - ou apenas IA-2 calibre 5.56 - já foram fabricados para testes militares e a empresa afirma que a capacidade de produção da maior de suas cinco fábricas, em Itajubá, sul de Minas Gerais, é suficiente para atender à toda futura demanda da Defesa.
 



Para fazer parte do cardápio de compras das Forças Armadas, o IA-2 precisa ainda passar por uma última etapa da burocracia militar: o termo de adoção, o que a Imbel calcula que será emitido em breve.

Um contrato de 10 mil fuzis IA-2 envolveria um valor aproximado de R$ 55 milhões, disse ao Valor o diretor industrial da empresa, o coronel da reserva Alte Zylberberg. "Esse fornecimento representaria a estabilidade da fábrica de Itajubá no mínimo por dez anos; e a estabilidade de Itajubá é a estabilidade da Imbel e a possibilidade continuidade de recuperação."

A Imbel viveu anos conturbados, com alto endividamento e atrasos sucessivos nas entregas (veja reportagem ao lado). A empresa vem se reequilibrando e este ano a previsão é faturar R$ 105 milhões - isso se os contratos que espera ainda fechar nos próximos meses sejam concretizados. Se isso não ocorrer, a previsão é que o faturamento fique em R$ 67 milhões, disse Zylberberg, pouco mais do que os R$ 65 milhões de 2012.

A Imbel define o IA-2 como o primeiro fuzil nacional. Foi desenvolvido por sua equipe de engenheiros e usa componentes do belga FAL e do americano M16. A arma passou por testes militares do Exército, Marinha e Aeronáutica. Isso significa que soldados já saltaram com ele de paraquedas, o usaram para tiros submersos, o testaram em ambientes tomados por poeira, em campos frios do Sul e na umidade e calor da Amazônia.

"A expectativa da Imbel é que parte dos FAL 7.62 [usado pelas Forças Armadas] seja substituída pelo IA2 5.56, que é mais leve, compacto e moderno; e que parte seja convertida no IA2 7.62 [uma versão mais moderna que a Imbel faz aproveitando a arma antiga] e que com isso se abra, principalmente, o mercado sul-americano", disse Zylberberg. "Temos vários países na expectativa. Já existem conversas. Estou protelando uma viagem a um país da América do Sul com negócio praticamente fechado. Existem várias consultas." Fora da região, a Imbel recebeu proposta de compra da Arábia Saudita.

Da mesma família do novo fuzil, a carabina IA-2 está em uso há dois anos por policias militares e civis no Brasil e mais 15 mil unidades foram vendidas, diz Zylberberg.

A Imbel tem uma longa história como fabricante do fuzil FAL no país. Além de ter suprido as Forças Armadas do Brasil, vendeu a arma para mais de 20 países na América do Sul, América Central e África. O FAL, concebido no pós-Segunda Guerra pela belga F. N. Herstal, foi um fuzil de sucesso mundo afora. Quase 100 países o empregaram. Mas lentamente foi perdendo espaço para um fuzil originalmente americano, calibre 5.56. Hoje é esse o calibre padrão dos países que integram a OTAN e usado por outros fora da aliança, como o Brasil.

A expectativa do Ministério da Defesa, segundo a assessoria de imprensa, é adquirir cerca de 10 mil novos fuzis por ano. Para isso, o Congresso precisa aprovar um plano de modernização das forças que está em tramitação e é preciso orçamento. O ministério estima que a partir de 2014, comece, pelo Exército, a substituição parcial dos 200 mil fuzis das forças de Defesa.

Ainda segundo o ministério, só o IA-2 atende aos requisitos operacionais básicos (ROC), um novo critério criado em 2012 pelo governo para habilitar produtos para serem adquiridos pelas três forças. Mas, ainda segundo o ministério, há a possibilidade de que a Taurus também apresente um fuzil.

"A Forjas Taurus pretende produzir um fuzil de assalto chamado FAT 556, equivalente ao M4, um dos fuzis mais modernos do mundo. Este produto é de uso exclusivo para as Forças Armadas e está em fase de apostilamento pelo Exército", disse a empresa. O apostilamento é um conjunto de testes feito pelo Exército pelo qual um armamento precisa passar para poder ser comercializado. Além de oferecer às Forças Armadas, a Taurus diz que pode exportar o fuzil.


 
IMBEL - Regime militar criou companhia em 1975

O governo militar criou a Imbel em 1975 com o objetivo de preparar o país para um conflito armado. A empresa tinha de estar pronta para fornecer armamentos, munição e explosivos para o caso de uma ação de guerra do Exército em território nacional ou estrangeiro. "Essa era a função principal da Imbel, estar preparada para uma demanda de mobilização militar", conta o coronel Alte Zylberberg.




Como essa demanda nunca ocorreu, a empresa se viu desde o início em um difícil equilíbrio: ter de manter uma equipe técnica trabalhando e fábricas operando mesmo com um volume de pedidos das Forças Armadas aquém do que seria preciso para justificar a estrutura.

A Imbel é formada por cinco fábricas. A mais antiga tem raiz em 1808, uma fábrica de pólvora fundada pelo príncipe regente, Dom João VI, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio. A produção foi transferida em 1824 para Magé (RJ), ainda em operação. As outras fábricas estão no Rio, Piquete (SP), Itajubá (MG) e Juiz de Fora (MG). A sede fica em Brasília. No portfólio estão fuzis e carabinas, pistolas, munições, explosivos, equipamentos de comunicação e sistemas de abrigos.

A unidade de Itajubá, que começou a funcionar em 1935, além de ser a maior em número de funcionários (cerca de 900) é responsável por aproximadamente 50% do faturamento do grupo. Somada à de Juiz de Fora, tem-se 70% da receita.

Para manter uma empresa estratégica como é uma indústria de armas que abastece as Forças Armadas, o Estado tem um custo, diz Zylberberg. Com a economia patinando nos 80, a situação da Imbel, que nunca fora fácil, degringolou.

"Às vezes, nem recursos para comprar matéria prima a Imbel tinha. Chegou um ponto que o endividamento era crescente, o TCU chegou até a acionar o presidente, que era civil, por não recolher tributos", lembra ele, dizendo que sem ninguém não era possível pagar salários. "Se fosse uma empresa privada, estaria num estado pré-falimentar. O passivo era muito maior do que o ativo. Se vendesse todo o patrimônio não pagava as dívidas. Eram dívidas trabalhistas, fundo de garantia", lembra o coronel. A certa altura, a empresa tinha um faturamento de R$ 35 milhões uma dívida de R$ 140 milhões.

A fábrica de Itajubá ajudou a manter a empresa em pé produzindo pistolas para o mercado dos EUA. As armas eram montadas e distribuídas pela Springfield. As tentativas de recuperação da empresa começaram nos anos 2000, com renegociações da dívida, mudanças na gestão, reforço no orçamento da Defesa e aportes federais para modernização das fábricas.

Hoje, cerca de 56% da produção vai para as Forças Armadas; 15% para polícias; e 29% para mercado civil, como mineradoras [caso de explosivos] e empresas de segurança. (MMS)