quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

[POL] A Carta de Gandhi a Hitler

Júlia Matravolgyi, 28 de junho de 2013

 
Ela nunca chegou a seu destino final – e seria arriscado dizer que, se tivesse chegado, teria alguma possibilidade de mudar o curso da história (terrível) que estaria por vir. Mas não podemos dizer que ele não tentou: Mahatma Gandhi, o líder pacifista que comandou o processo de independência da Índia, mostrou que era capaz de sonhar mais alto do que qualquer música de John Lennon e enviou uma carta para Adolf Hitler, pedindo que este evitasse a guerra. A correspondência foi escrita em 23 de julho de 1939, quando a Alemanha do Führer estava prestes a invadir a Polônia e dar início à Segunda Guerra Mundial.

A carta, que nunca chegou ao seu destino, pois foi interceptada pelo governo britânico, diz o seguinte:

Índia, 23 de julho de 1939

Querido amigo,

Amigos têm insistido que eu lhe escreva para o bem da humanidade. Mas eu tenho resistido ao pedido deles, pois sinto que qualquer carta escrita por mim seria uma impertinência. Algo me diz que eu não devo hesitar e devo fazer meu apelo, pois talvez ele tenha alguma utilidade.

Está claro que hoje você hoje é a única pessoa no mundo que pode evitar uma guerra capaz de reduzir a humanidade a seu estado mais selvagem.

Devemos pagar esse preço por algo, por mais valioso que lhe pareça? Você vai ouvir o apelo de alguém que deliberadamente deixou de lado métodos de guerra e obteve considerável sucesso? De qualquer forma, peço desculpas antecipadamente, caso tenha errado em escrever para você.

Permaneço seu amigo,

M. K. Gandhi

 
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domingo, 1 de dezembro de 2013

As Quinze Batalhas Navais decisivas da História - Parte I

Batalha de Salamina

Antonio Gasparetto Junior

A Batalha de Salamina foi o combate entre a frota persa e a grega no ano 480 a.C.

No século V a.C., gregos e persas se envolveram em uma séria de conflitos que, em grande parte, foram causados pela tentativa de cada lado de conquistar a região da Jônia, na Ásia Menor. Mileto, que era uma colônia grega na Jônia, tentou se livrar do domínio persa e forneceu o estopim para o início dos conflitos. Esses embates ficaram conhecidos como Guerras Médicas e ocorreram em dois momentos. Tanto a Primeira Guerra Médica como a Segunda Guerra Médica repercutiram na história da humanidade.

Alguns anos depois da Primeira Guerra Médica, os persas, comandados pelo rei Xerxes, entraram em Atenas e destruíram importantes monumentos da Acrópole. Era o início da Segunda Guerra Médica. O sucesso das investidas dos persas deixou toda a Grécia central aos pés de Xerxes. A frota grega foi forçada a abandonar Atenas e buscar refúgio em Salamina, local onde Temístocles, general ateniense, organizou seu exército e o preparou para um intenso combate contra os persas.

De acordo com o planejado por Temístocles, os gregos atraíram os persas para um combate naval no estreito que separa Salamina da Ática em setembro de 480 a.C.. O rei Xerxes estava muito confiante em seu exército, especialmente após a devastação que havia promovido em Atenas. No entanto, Temístocles concentrou sua frota com 200 embarcações na baía de Salamina para enfrentar os persas em uma localidade onde não conheciam muito bem. Sem ter como se defender, os persas foram derrotados na Batalha de Salamina, que provavelmente ocorreu no dia 29 de setembro de 480 a.C.

A Batalha de Salamina mudou o rumo da Segunda Guerra Médica, forçando os persas a recuar após importantes conquistas. O próprio rei Xerxes, que participava da campanha, viu-se obrigado a regressar à Ásia, deixando o comando da frota restante para Mardónio. Os embates ainda virariam o ano, mas, em 479 a.C., os persas seriam completamente vencidos nas costas da Ásia Menor. A vitória mudaria o contexto da região, pois Atenas lideraria a Confederação de Delos, uma aliança entre as cidades-estados gregas, na organização de suas defesas e aparatos militares.

 
http://www.infoescola.com/historia/batalha-de-salamina/

 
Batalha de Lepanto

A batalha de Lepanto, entre reinos cristãos e os turcos foi a maior batalha naval no Mediterrâneo depois da batalha de Actium em 31 Antes de Cristo.

A batalha teve como objectivo impedir a progressão dos Turcos Otomanos, depois que estes tomaram possessões da República de Veneza no Mediterrâneo oriental.

Veneza recorreu ao Papa, para que tentasse organizar uma aliança com os países do Mediterrâneo Ocidental, tradicionais rivais de Veneza, com o objectivo de impedir a progressão de um poder otomano que acabaria por ser negativo para todos os países.

O Papa iniciou então uma série de contactos com os países cristãos do ocidente. A França não participou em qualquer iniciativa, aliás até porque tinha praticamente sido expulsa do mediterrâneo pelos países pertencentes ao Sacro Império de Carlos V, que posteriormente passou para Filipe II.

A monarquia dos Habsburgos tinha interesses importantes no Mediterrâneo, porque alguns dos seus reinos mais importantes, dependiam do comércio nesse mar para sobreviver e manter as suas economias baseadas no comércio. A Coroa de Aragão e os seus reinos de Valência e Nápoles, bem como os seus aliados de Génova estavam a favor de uma intervenção do monarca.

Evidentemente que para criar uma força capaz de enfrentar os turcos, seriam necessários navios e homens, e é baseado nesse binómio que se vai criar a Santa Liga.


A República de Veneza, que era quem se sentia directamente mais ameaçada, construiria uma frota de mais de 100 navios de guerra. A essa frota juntam-se cerca de 40 navios do Papa, de Génova e de outros pequenos estados e mais 36 navios dos reinos espanhóis de Filipe II, juntamente com 11 galeras de Génova, mas subsidiadas pelos cofres do Reino de Castela.

Embora com uma participação relativamente reduzida em termos de navios os Habsburgos participariam com a maior parte da gente de guerra, ou seja os soldados que deveriam combater quando os navios das duas esquadras entrassem em contacto.
Dos cerca de 30.000 homens de armas que deveriam embarcar, dois terços eram pagos pela coroa dos Habsburgos e os restantes por venezianos, genoveses, estados do Papa e cavaleiros da Ordem de Malta.

Depois de várias movimentações e após a esquadra se ter reunido em Messina, no estreito que separa a península itálica da Sicília, a frota dirige-se para oriente para enfrentar os turcos, que julgava serem em menor numero.

As duas frotas enfrentam-se na manhã do dia 7 de Outubro e cada uma delas divide-se em três grupos.

O principal combate ocorre no grupo central, quando as forças turcas sob o comando de Ali Pashá atacam directamente a engalanada Galera Real onde seguia Juan de Áustria.

Ocorre que a disposição da frota cristã, incluía um tipo de navio construído nos arsenais de Veneza, o qual tinha sido mantido secreto.
Em frente da primeira linha central das forças de galeras cristãs, foram colocadas duas grandes Galeaças venezianas. Estes navios, tinham uma mobilidade reduzida, mas ao contrário das galeras, tinham um castelo de proa redondo equipado com nove canhões e ao mesmo tempo dispunham de seis canhões que permitiam disparar bordadas contra as galeras turcas.

Quando a frota turca, segue a grande galera de Ali Pashá, que se atira contra o navio de Juan de Áustria, sofre um intenso ataque de artilharia das enormes galeaças venezianas. Quando os navios turcos e cristãos se engancham, vários ocorrem para ajudar no combate, tendo lugar praticamente um combate terrestre a bordo de vários navios encostados uns aos outros numa enorme confusão de fumo, sangue e pólvora.

Porém, os navios turcos que vão em socorro da galera de Ali Pashá, não conseguem chegar sem antes serem fortemente bombardeados pelos lentas e desajeitadas galeaças de Veneza, que embora desajeitadas contam com 40 canhões de vário tipos.

Nestas condições as forças cristãs conseguem vantagem táctica, porque conseguem fazer chegar navios frescos à refrega, enquanto que os turcos não o conseguem fazer. É assim afundado o navio de Ali Pashá e o destino da batalha começa a tornar-se óbvio.

Entretanto, as galeaças que tinham sido deixadas para trás, voltam lentamente para a refrega, utilizando o poder dos seus 40 canhões, para destruir ou danificar muitos dos navios turcos que entretanto se tinham desviado para norte.

As outras duas batalhas que ocorreram com as restantes divisões, também acabaram por ser favoráveis aos cristãos, mercê da superioridade da artilharia dos navios venezianos e da intervenção de uma pequena esquadra de reserva de cerca de 30 galeras comandadas por Álvaro de Bazan.

A Batalha de Lepanto, foi a mais memorável vitória militar de Veneza, e o dia passou a ser feriado nacional. Ela marcou que também no Mediterrâneo, era o poder dos canhões de navios pesados que decidia o destino dos conflitos.

Para a coroa dos Habsburgos, a batalha também foi um sucesso, mas os comandantes Hispânicos não conseguiram retirar nenhum tipo de lição da batalha, e concluíram que a batalha se ganhou por causa da capacidade dos seus navios transportarem homens em quantidade para vencer a refrega no mar, com infantaria e não por causa da artilharia.

Esse tremendo erro de análise, viria a assombrar o império dos Áustrias, e acabaria por influenciar o resultado da batalha que haveria de ocorrer 17 anos depois, com aquela que ficou conhecida pelos britânicos como Armada Invencível.

Ao ter tirado conclusões erradas, os comandantes militares hispânicos não entenderam que a realidade da guerra naval tinha efectivamente mudado. Essa falha e o erro nas conclusões tiradas permitem afirmar que embora com uma vitória, é em Lepanto, que começa o longo declínio naval do império dos Habsburgos espanhóis.


 
http://www.areamilitar.net/HISTbcr.aspx?N=78

"Invencível Armada" espanhola é arrasada pelos ingleses

Em 8 de agosto de 1588, diante do porto de Gravelines (norte da França, no Canal da Mancha), o fogo e os canhões dispersam a frota espanhola que se destinava a conquistar a Inglaterra. Seria mais tarde chamada, com um travo de ironia, a "A invencível Armada".

Elizabeth I, filha de Ana Bolena e fruto do segundo casamento de Henrique VIII, tinha sucedido em 1558 a sua meia-irmã Mary Tudor, nascida do primeiro casamento de Henrique VIII com Catarina de Aragão e casada por procuração com o rei da Espanha, o muito católico Felipe II.

Elizabeth era protestante. Os católicos ingleses e aqueles do continente a consideravam bastarda e herética. Para eles, a herdeira legitima do trono deveria ser Maria Stuart, a mal-afortunada e abatida rainha da Escócia, prisioneira de Elizabeth.

Muitas conspirações visando derrocar Elizabeth para substituí-la por Maria foram trazidas à luz pela polícia secreta de Sir Francis Walsingham, comprometendo, sem margem de dúvida, a rainha da Escócia. Sua execução em 1587 levou o rei espanhol Felipe II a pôr em marcha o que ele chamou de "Operação Inglaterra".

À querela religiosa se somou a rivalidade entre a Espanha, potência já em decadência, e a Inglaterra, potência em ascensão.

Com o correr dos anos, o desenvolvimento do poderio naval inglês bateu de frente com os interesses espanhois. Em Flandres, onde Felipe II tentava reprimir violentamente as incessantes revoltas dos holandeses, Elizabeth apoiava os insurgentes.

A Armada espanhola era um formidável conjunto de navios. No total, 130 barcos a compunham. Transportava cerca de 30 mil homens dos quais 19 mil soldados mais 300 cavalos e mulas, o equipamento necessário para sitiar cidades, um hospital de campanha, etc. Seu objetivo era de operar um desembarque na Inglaterra e marchar sobre Londres.

Esta força, sob o comando do duque de Médina Sidonia, deveria se juntar àquela do duque de Parma, localizada em Flandres e composta por cerca de 18 mil homens aguerridos. Uma vez concluída a junção, a Armada deveria escoltar as chatas de Parma para a travessia do Canal da Mancha.

Para fazer face à ameaça, a Inglaterra dispunha de uma frota composta de navios da rainha e de navios mercantes fornecidos pelos oficiais da marinha real, pela cidade de Londres ou por simples voluntários, perfazendo um total de 197 navios e 15.835 homens.

Ao longo da noite de 7 para 8 de agosto de 1588, enquanto a Armada ancorava seus navios no Canal da Mancha, os ingleses a atacam com barcos carregados de explosivos e de materiais incendiários infiltrados entre as naves inimigas.

Esta manobra inesperada semeia o terror e um indescritível caos. A fim de escapar às chamas, os capitães ordenam cortar as amarras atando-as às âncoras. A frota espanhola se dispersa em meio à escuridão. Ao alvorecer, o duque de Medina Sidonia se empenha em reagrupar seus navios.

É então que tem início, ao largo de Gravelines, o confronto final com os ingleses. Durante horas, a canhonada ribomba. Os espanhois recebem o fogo do inimigo sem poder responder eficazmente. E para cúmulo da desventura, um forte vento sul empurra os navios em dispersão na direção norte.

Na impossibilidade de reagrupar os 112 navios que lhe restava, sem notícia dos eventuais preparativos da parte do duque de Parma e de suas chatas de desembarque, Médina Sidonia se resigna a retornar à Espanha pela única rota possível em vista das circunstâncias e os ventos: contornar a Escócia e a Irlanda e fazer velas em direção à Espanha.

Desafortunadamente, o mar não foi nem um pouco clemente e muitos navios desapareceram na costa da Irlanda. Tripulantes sobreviventes foram massacrados pelos insulares. Apenas um punhado deles chegaram a rever a terra espanhola.

 

sábado, 30 de novembro de 2013

Estação Espacial Internacional (ISS): A história de uma crise anunciada

Júlio Ottoboni

Defesanet, 07 de Novembro, 2013

 
A Agência Espacial Brasileira (AEB) tenta atualmente reatar com a National Aeronautics and Space Administration (NASA), sua correspondente dos Estados Unidos. Uma missão das mais difíceis, principalmente no momento que as políticas externas de ambos países estão envoltas em casos de espionagens e acusações. Mas essa história de desencontros e desagrados vem de longe, de pelo menos uma década de sucessivas atrapalhadas e dos famosos ‘contos do vigário’.

Pela primeira vez um veículo de imprensa passa a revelar pormenores desta que é a maior crise já estabelecida entre os órgãos oficiais ligados ao setor espacial dos dois países e que praticamente paralisou os intercâmbios e projetos entre ambos. E desmanchou com o resto de credibilidade que o Brasil tinha na área.


“Estamos numa reaproximação boa, voltaremos a fazer projetos conjuntos e nossa conversação está sim fluindo muito bem”, declarou o ministro de ciência, tecnologia e inovação, Marco Antonio Raupp, um dos responsáveis por essa aproximação quando ainda exercia o cargo de diretor geral do INPE, na década de 80.

A trajetória desta crise anunciada entre as duas agências espaciais surgiu logo após a inclusão do Brasil no mega-projeto da Estação Espacial Internacional (EEI), em outubro de 1997. A constante falta de repasse orçamentário para o projeto, sucessivos atrasos de cronograma, corte de verbas pelo Congresso Nacional e o descaso do governo com o compromisso assumido irritaram profundamente a direção da Nasa, que teve seu ápice em novembro de 2006.

O total de investimentos necessários para construir a estação era estimado em US$ 100 bilhões. A parte brasileira seria de US$ 120 milhões, ou seja, 0,12% do montante total. E isto foi conseguido em muito pela eficiência da gestão do primeiro presidente da entidade, Luiz Gylvan Meira Filho, hoje no Instituto de Estudos Avançados da USP e que mantinha um ótimo relacionamento com a direção da instituição norte-americana.

Para isto foi criado o Programa Brasileiro para a Estação Espacial Internacional. A gerência do programa, desenvolvimento e execução dos seis equipamentos contratados estavam sob a responsabilidade do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em parceria com indústrias brasileiras. Já que o órgão mantinha diversos programas bem sucedidos com os pesquisadores na Nasa no segmento ambiental.

O acerto de participação na EEI era vantajoso em vários aspectos, como mostram os AC artigo 9.4 - Transporte de experimentos para e da Estação pagos pela NASA; artigo 9.4 e 9.4 b - Oportunidade para experimentos brasileiros. E os itens do artigo 10.1 e 10.2 garantiam a “possibilidade de enviar um astronauta brasileiro para fazer parte da tripulação da Estação por um período padrão de 3 meses”. Além de qualificar a indústria nacional para esse novo e emergente mercado.

O cronograma previa a entrega da primeira peça brasileira em outubro de 2002 seguindo até janeiro de 2004, segundo documentos constantes no site do INPE. A própria direção da NASA chegou a informar que Pontes participaria de uma missão oficial em 2007. Mas isto antes das incertezas geradas pela postura do governo federal.

Em 2002, mesmo sem entregar qualquer peça, veio o colapso nas relações. Segundo fontes ligadas ao Ministério de Ciência e Tecnologia, o Brasil só não foi expulso do consórcio para se evitar uma crise generalizada. Então optou-se por diminuir drasticamente a participação nacional e extinguir qualquer chance de se ter um astronauta brasileiro no espaço. A NASA assumiu o que era de responsabilidade brasileira e lançou uma pá de cal sobre o assunto.

Pelo termo de adesão da AEB junto ao grupo de 15 Países construtores da estação espacial, havia a contrapartida encabeçada pelos norte-americanos de treinar e enviar ao espaço um ou mais astronautas brasileiros para as missões oficiais na EEI. Algo pretendido e com intenção de ser recuperado na renegociação do contrato pelo governo brasileiro.

Para minimizar a quadro diante da opinião pública e a pressão de vários setores do governo, a AEB argumentou que a revisão sobre a participação nacional na EEI se deu pelo alto custo das peças incluídas no documento inicial, superior ao estimado. Além do acidente com o ônibus espacial Columbia, que causou descontinuidade no cronograma da estação espacial.

O relatório da agência ao Ministério da Ciência e Tecnologia, referente ao exercício de 2003, teve um tópico sobre essa situação.


Participação Brasileira na Estação Espacial Internacional - Significativos avanços foram alcançados nas negociações com a NASA com vistas à revisão da participação brasileira no programa da Estação Espacial Internacional - ISS. Em face de limitações orçamentárias e das prioridades do PNAE, a AEB, diante da proposta de emenda formulada pela NASA, apresentou contraproposta, elaborada em conjunto com o INPE, na qual compromete-se inicialmente a fornecer apenas os itens denominados FSE (“Flight Support Equipment”), com a possibilidade de inclusão de outros itens, caso fontes adicionais de recursos venham a ser viabilizadas. Propôs, ainda, que se busquem identificar itens que sejam de interesse comum tanto da NASA quanto de outros projetos prioritários do PNAE, como equipamentos de sensoriamento remoto. Adicionalmente a AEB está trabalhando em conjunto com a NASA na identificação de possíveis parcerias entre cientistas brasileiros e norte-americanos para a realização de pesquisas conjuntas que explorem as facilidades da Estação. Técnicos do INPE já se encontram na NASA realizando um trabalho conjunto de identificação de itens alternativos e novo documento de emenda deverá ser preparado em breve, de modo que permita a retomada da cooperação nestas novas bases “.


Segundo dirigentes da NASA declararam à imprensa internacional em abril de 2006, desde 2004 os contatos com a agência brasileira saíram por completo de cena. O Brasil simplesmente se escondia de suas atribuições e cobranças. Embora em 2003, a AEB discutisse sobre as alternativas disponíveis para concretizar o plano de ver Pontes integrar uma missão espacial, na tentativa de acelerar o processo. Essa era uma exigência do então ministro de C&T, Roberto Amaral, apoiado diretamente pelo presidente Lula.

A insistência era tamanha que Roberto Amaral passou a exigir, via imprensa, que a NASA colocasse o astronauta Marcos Pontes em uma missão tripulada ao espaço tal era ‘o gasto que o Brasil já tinha feito’ na formação do militar. O discurso de Amaral, que pouco antes tinha defendido a construção de uma bomba atômica pelo país, soou como anacrônico e beirando o grotesco. Os norte americanos não entendiam como um país que não cumpria seus acordos contratuais podia vir a público exigir seu astronauta em uma missão enquanto diversos outros candidatos estrangeiros aguardavam a convocação e tinham seus países em dia com a Estação Espacial.

O marketing do governo federal via a possibilidade de consolidar seu discurso nacionalista na figura de um herói brasileiro, que sintetizasse a saga do operário humilde até se tornar um astronauta. Uma estratégia utilizada no império soviético para enaltecer as qualidades do homem comum, porém com uma defasagem de mais de 80 anos em relação as convicções promocionais brasileiras.

No rol das surpresa, uma outra veio em outubro de 2005, quando o presidente da entidade, Sergio Gaudenzi, anunciou o acordo com a Agência Espacial Federal da Rússia (Rosaviakosmos), que tornaria viável a viagem de Pontes. Um custo elevadíssimo, que arrebentaria com o programa CBERS 3, para levar um punhado de feijões para germinarem no espaço a um custo de Us$ 10 milhões.

(Nota DefesaNet – O efeito Pontes teve sérias consequências na indústria afetando empresas fornecedoras do CBERS-3, como a Opto, de São Carlos –SP)

Turismo Espacial

A reação dos dirigentes da NASA foi imediata. Na foto oficial do voo, no qual participou um astronauta dos Estados Unidos e um cosmonauta russo, a imagem de Marcos Pontes foi suprimida e a informação dada era que a ida do militar brasileiro se tratava de um “voo comercial”. Ou seja, uma atividade ligada ao “turismo espacial”, que tem bancado parte das deficiências orçamentárias dos projetos espaciais russos.

A transmissão pela TV NASA, feita via internet, mostrou que as missões foram separadas em duas. A missão 12, reservada aos dois outros integrantes do voo, e a missão 13, denominada “Missão Pontes”. Essa divisão foi utilizada para desvincular as atividades e finalidades na estação espacial.

Como foi no caso do milionário Dennis Tito, que voou a bordo da Soyuz em 2001, e o africano Mark Shutleworth, em 2002. Todos pagaram US$ 20 milhões pela aventura, foram treinados na Rússia e tiveram atividades práticas dentro da EEI.

http://www.defesanet.com.br/space/noticia/12978/EEI---A-historia-de-uma-crise-anunciada--AEB-versus-NASA/

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

[POL] SS: Os Cavaleiros Negros do Reich

Emerson Paubel

 
Em março de 1923, Hitler comandou a formação de um corpo de guarda-costas estacionado em Munique, conhecido como “Guarda do Estado-Maior” (Stabswache), cujos membros faziam juramento de lealdade a ele pessoalmente. Dois meses depois, para evitar confusão com outras unidades da SA de mesmo nome, a Guarda foi integrada a um novo esquadrão composto por 30 homens, chamado “Tropa de Choque” Adolf Hitler (Stosstrupp Adolf Hitler), liderado por Julius Schreck e Josef Berchtold. A tropa de choque participou do malfadado levante de 9 de novembro de 1923, e, durante o tiroteio, Ulrich Graf salvou a vida de Hitler, embora tenha sido gravemente ferido. Em 1924, Gerhard Rossbach, um antigo líder da SA comprou numa liquidação na Áustria um lote de camisas com colarinho e bolsos em tom cáqui do Exército alemão. Assim, na primavera de 1925, quando o NSDAP e a SA retornaram de seu banimento após o putsch, as camisas de Rossbach foram incorporadas ao movimento.

Em 1925, após obter a liberdade da prisão de Landsberg, onde estivera preso em virtude da tentativa de golpe (putsch) contra o Governo da Bavária, Hitler resolveu promover algumas mudanças na filosofia e organização partidárias e decide, então, abdicar do uso da força para alcançar o poder. Nesta época, Hitler reformula sua guarda pessoal, rebatizando-a como Schutzstaffeln (Esquadrão de Proteção), ou SS, definindo-a como uma força partidária compacta, com uma inabalável lealdade ao Führer. Formada a partir de membros da SA, a SS começou, de fato, com dois membros: o próprio Hitler, membro número 1, e Emil Maurice, membro número 2. Ainda nesse ano, o desconhecido Heinrich Luitpold Himmler ingressa no quadro de componentes da recém-formada SS sob o número de registro 168.

Durante a primavera de 1926, 75 esquadrões SS foram formados no país. Um novo Comando Geral SS (SS-Oberleitung) foi criado e colocado nas mãos de Berchtold, que assumiu o pomposo posto de “Líder Nacional da SS” (Reichsführer der SS). Entretanto, ele rapidamente perdeu o interesse pelo cargo e em março de 1927 foi substituído por Erhard Heiden. No início de 1929, a SS contava com um quadro de 280 homens. Nessa época, contudo, Heiden caiu em desgraça, aparentemente por encomendar a fabricação de seu uniforme a um alfaiate judeu, e acabou sendo demitido por Hitler. Himmler então assume o comando da SS e inicia uma série de reformas na organização, que a transformará nos próximos anos no braço armado do partido nazista, substituindo a revolucionária SA nessa função. Assim, segundo o novo Reichsführer SS, “para o homem da SS existe um único princípio absoluto. Ele deve ser honesto, decente, leal e amistoso para com as pessoas do nosso próprio sangue e com mais ninguém.” Foi essa filosofia que norteou as ações das organizações dentro da SS durante o Terceiro Reich.

Em 1932, no sentido de dar uma maior “respeitabilidade” às suas formações paramilitares, o NSDAP adotou em 7 de julho um paletó e um quepe em estilo militar para a SS, ambos negros, projetados pelo SS-Oberführer, Dr. Karl Diebitsch. Em março de 1933, Himmler foi indicado Presidente da Polícia de Munique e, em seguida, tornou-se Comandante da Polícia Política na Bavária. Nessa época, estabeleceu o campo de concentração de Dachau, nos arredores de Munique, para abrigar criminosos comuns e políticos. Para tanto, criou um corpo de guardas chamado Totenkopf (Cabeça da Caveira), sob o comando de Theodore Eicke. Percebendo a importância de ter informações sobre supostos opositores do regime, em 9 de junho Himmler estabelece o Sicherheitsdienst (Serviço de Segurança), abreviadamente conhecido por SD e responsável por serviços de espionagem e contra-espionagem, nomeando Reinhardt Heydrich como seu comandante.

A SS cresceu de forma regular entre 1931 e 1932, acompanhando o aumento dos membros do NSDAP e da SA. Himmler manteve-se ocupado mudando constantemente os nomes das divisões da SS para se manter fiel ao padrão elaborado por Röhm e seus colaboradores. No verão de 1933, a SS contava com 450 oficiais e 25.000 homens, com as unidades administrativas conhecidas como Oberführer-Abschnitt colocada entre 40 regimentos e o Reichsführer-SS. Em setembro de 1933, Himmler assume todas as unidades de polícia, militar e civil, na Alemanha com exceção da Prússia. Em 17 de junho de 1936, Himmler assume o comando de todas as polícias no interior do Reich Alemão, e com a campanha de remilitarização promovida por Hitler, volta seus olhos para a formação de uma organização militar nos moldes do exército, porém doutrinada segundo a ideologia nazista. Através do comando deste escritório, ele combinou sob seu controle o próprio Serviço de Segurança da SS (Sicherheitsdienst – SD), a Polícia Secreta do Estado da Prússia (Gestapo), que ele assumiu três anos antes, a Polícia Criminal (Kripo) e as forças policiais uniformizadas municipais e estaduais. Somente com a criação dos grupos de açãoEinsatzgruppen – em 1942 e a absorção em 1944 do serviço de contra-espionagem da Wehrmacht (Abwehr), ele aumentou sensivelmente seu aparato de repressão e terror.

O papel crescente institucional e integral da SS não significava, contudo, que a associação não estava mais aberta após 1933 para membros comuns do partido. Se ele provasse sua aptidão – ou utilidade – a SS aceitaria sua candidatura como antes. Mas essa associação parcial foi reduzida após a conquista do poder no que ficou conhecido como Allgemeine SS (SS Geral), um corpo sem funções – exceto as de fornecer dinheiro e recrutas para os ramos ativos. Em 1938, a SS-Geral adotou um uniforme cinza muito elegante para o seu estado-maior, substituindo a braçadeira do partido no braço esquerdo pelo emblema da soberania. Em 1934, a SS estabeleceu dois de seus mais importantes ramos: a SS militar e os guardas de campos de concentração. O primeiro, a ser conhecido em 1940 como Waffen-SS, ou SS Armada, apareceu na forma de um regimento de guarda pessoal para o Führer, o Leibstandarte Adolf Hitler. Comandado por um dos velhos companheiros, Sepp Dietrich, ela começou como guarda de quartel em Munique mas cresceu para se tornar uma das organizações militares mais dedicadas e implacáveis já conhecidas. A segunda, a Totenkopfverbände teve suas origens em destacamentos da SS recrutados para executar prisões ilegais contra opositores do regime em 1933.

O símbolo indissoluvelmente associado à SS parece ser a “Caveira” (Totenkopf), um crânio posicionado sobre dois ossos cruzados. Supostamente utilizada para aterrorizar os adversários do Terceiro Reich, o uso da caveira tem sua origem na tradição. Muitos dos Freischutzen que lideraram a resistência a Napoleão na Guerra de Libertação (1813 – 1815) a vestiram, e foi a cor predominante dos uniformes de alguns dos mais distintos regimentos de cavalaria do exército do Kaiser, em particular do 1o. e 2o. Leib-Husaren (os Hussardos da Cabeça de Morte). Os membros da Stosstupp AH adotaram a totenkopf como emblema da formação em 1923, pois ela simbolizava o tradicionalismo e sacrifício na guerra. A SS quando foi criada em 1925 prosseguiu com o hábito e manteve o símbolo até 1934, quando a Caveira no estilo prussiano – a qual foi adota pelas formações blindadas (panzer) do Exército – foi substituída por outra modificada, como a inclusão da mandíbula. Em 1932, Walter Heck, membro da organização e também designer gráfico, empregou duas runas do tipo Sig (S), uma ao lado da outra, e acabou se tornando o padrão para a SS. Ao lado da “Caveira”, as runas SS representavam o elitismo e a camaradagem entre os membros da organização.


Os princípios de conduta de um SS, estabelecidos por Himmler, eram os seguintes:
 
I. A atitude de um SS deve ser a de um lutador que se bate por amor à luta.
II. Deve ser obediente acima de tudo e emocionalmente insensível.
III. Deve desprezar todos os inferiores raciais e, em menor grau, os que não pertencem à Ordem SS.
IV. Manter para com seus colegas de SS fortes laços de camaradagem, sobretudo os seus companheiros de armas, e crer que nada lhes é impossível.

Além disso, assim como qualquer soldado na Wehrmacht, o membro da SS também fazia seu juramento de fidelidade ao Führer:

A Vós, Adolf Hitler, Führer e Chanceler do Reich, juro lealdade e bravura. Com a ajuda de Deus, prometo-vos, e aos que forem por vós designados para comandar-me, obediência até a morte.

A partir do Alto-Comando SS (Reichsführung-SS), oito departamentos principais (Hauptämter), acabaram evoluindo para controlar o trabalho diário, a direção e a administração da organização.

·       Hauptamt Persönlicher Stab (RfSS): O Estado-Maior Pessoal de Himmler, compreendendo oficiais especialistas, oficiais honorários e pessoal administrativo.
·       SS Hauptamt (SS-HA): O Escritório Central da SS responsável pelo recrutamento e manutenção de registros de Oficiais não Comissionados (Sargentos e Cabos) da SS.
·       SS Führungshauptamt (SS-FHA): O QG operacional da SS, que coordenava o treinamento, o pagamento de salários, o suprimento de equipamentos, armas, munições e veículos e a manutenção dos mesmos.
·       Reichssicherheitshauptamt (RSHA): O Escritório de Segurança do Reich, controlando a polícia, incluindo a Kripo, Gestapo e SD. Ela também era responsável pelas operações de inteligência, espionagem e contra-espionagem, combate ao crime comum e político, dentro do Reich e nos territórios ocupados.
·       SS-Wirtschafts und Verwaltungs Hauptamt: O Departamento Econômico e Administrativo da SS que supervisionava um grande número de atividades industriais e agrícolas da SS, administrava as finanças da corporação e supervisionava os campos de concentração.
·       Rasse und Siedlungshauptamt (RuSHA): O Departamento de Raça e Assentamento identificava a pureza racial de todos os membros da SS e era responsável pela execução da política de assentamento do corpo SS nos territórios ocupados do leste europeu.
·       Hauptamt SS-Gericht (HA SS-Gericht): O Departamento Legal da SS conduzia as questões disciplinares do código especial de conduta para o qual o pessoal da SS estava submetido.
·       Personal Hauptamt (Pers. HA): O Departamento de Pessoal da SS era responsável por assuntos pessoais dos membros da organização e mantinha um registro de todo o corpo de oficiais.

Em março de 1935, Hitler criou uma unidade armada SS, chamada Verfügungstruppe (Tropa de Prontidão) com o tamanho de uma divisão e financiado com o orçamento da polícia do Reich. Ela foi formada reunindo-se três regimentos, criados em 1933, que estavam estacionados nas principais cidades alemãs: o Deutschland (Munique), o Germânia (Hamburgo) e o Leibstandarte (Berlim). Cada regimento, por sua vez, era composto de três batalhões. Paul Hausser, um Tenente-General (General de Divisão) desligado do exército em 1932, assumiu o comando da Verfügungstruppe, assim como a direção da Escola de Cadetes da SS (Junkerschule) em Bad Tölz em 1935. Hausser e Felix Steiner, outro ex-oficial do exército, praticamente estabeleceram os padrões de treinamento e doutrinação dos soldados da SS Armada, transformando-a em apenas alguns anos na primeira tropa de elite da era moderna. Após o Anschluss em 1938, a SS austríaca formou um quarto estandarte na Verfügungstruppe, o Der Führer, estacionado em Viena. Neste ano, Hitler decidiu especificar as funções para essas SS armadas e a relação delas com a Wehrmacht.

No final de 1939, Hausser defendeu que as formações armadas da SS fossem organizadas em divisões completas para operarem com eficiência. Himmler determinou que as divisões de campanha, as escolas de cadetes, as unidades de treinamento e as seções administrativas relacionadas recebessem a designação de Waffen-SS (SS Armada).

 
É estimado que cerca de 180.000 soldados da Waffen-SS foram mortos em ação durante a Segunda Guerra, com 400.000 feridos e 70.000 desaparecidos. Estes números são relevantes quando comparados com as baixas das forças armadas britânicas combinadas de cerca de 270.000 entre 1939 e 1945, e as perdas americanas de 300.000 homens. Nos estágios finais da guerra, os soldados SS estavam no final da adolescência, e a idade média de um oficial Junior da Waffen-SS era 20 anos, com uma expectativa de vida de dois meses no front.

O sistema de classificação de postos definitivo, criado em 1942, dividia o corpo militar da seguinte forma:

Oficiais Superiores (Höhere Führer)
·       SS-Oberst-Gruppenführer (Coronel-General)
·       SS-Obergruppenführer (General)
·       SS-Gruppenführer (Tenente-General)
·       SS-Brigadeführer (Major-General)
 
Oficiais Intermediários (Mittlere Führer)
·       SS-Oberführer (Coronel Senior)
·       SS-Standartenführer (Coronel)
·       SS-Obersturmbannführer (Tenente-Coronel)
·       SS-Sturmbannführer (Major)

Oficiais Juniores (Untere Führer)
·       SS-Hauptsturmführer (Capitão)
·       SS-Obersturmführer (Primeiro-Tenente)
·       SS-Untersturmführer (Segundo-Tenente)

Graduados (Unterführer)
·       SS-Sturmscharführer (Subtenente)
·       SS-Hauptscharführer (Sargento-Ajudante)
·       SS-Oberscharführer (Primeiro-Sargento)
·       SS-Scharführer (Segundo-Sargento)
·       SS-Unterscharführer (Terceiro-Sargento)

Outros Postos (Mannschaften)
·       SS-Rottenführer (Primeiro-Cabo)
·       SS-Sturmmann (Segundo-Cabo)
·       SS-Oberschütze (Soldado de Fileira)
·       SS-Mann (Soldado Raso)
·       SS-Anwärten (Cadete/Recruta)
·       SS-Bewerber (Candidato)

A estrutura básica da Waffen-SS era composta dos seguintes elelemntos:
·       Grupo de Exército: a maior formação de campanha da Waffen-SS durante a Segunda Guerra Mundial era o grupo de exército (armeegruppe). Comandado por um General (SS-Obergruppenführer) ou Coronel-General (SS-Oberstgruppenführer), teoricamente esta formação consistiria de um número de unidades com o tamanho de Corpos. 
·       Corpos: cada corpo, ou grupo de divisões (geralmente um mínimo de duas), era comandado por um SS-Gruppenführer ou um SS-Obergruppenführer. Cada corpo tinha seus próprios elementos permanentes, como estado-maior, polícia militar, transporte e assim por diante. As divisões dentro dos corpos não eram definitivamente fixadas. Por exemplo, o I Corpo Panzer SS enquanto existiu recebeu em vários momentos da guerra a 1ª. Divisão Panzer SS LAH, a 2ª. Divisão Panzer SS Das Reich, a 3ª. Divisão Panzer SS Totenkopf, a 12ª. Divisão Panzer SS Hitlerjugend, a 17ª. Divisão Panzergranadier SS Götz von Berlichingen, a 11ª. Divisão de Paraquedistas (Fallschirm) da Luftwaffe, a 117ª. Divisão Caçadora (Jäger) e a Divisão Führerbegleit do Exército. No total, 18 corpos da Waffen-SS foram formados.
·       Divisão: uma divisão panzer típica em 1944 era comandada por um SS-Brigadeführer ou um SS-Gruppenführer, e consistia de elementos divisionais de apoio, um regimento panzer, dois regimentos de granadeiros (panzergranadier), um regimento de artilharia, um batalhão de reconhecimento, um batalhão de engenharia, um batalhão anti-aéreo, um batalhão de sinalização, e polícia militar, transporte, corpo médico. Durante a guerra, um total de 38 divisões foi criado. A designação de uma divisão seguia o padrão militar, com uma numeração em número arábico, seguida de seu nome de honra.       
·       Regimento: comandado por um SS-Standartenführer ou SS-Oberführer. Numa divisão panzer típica de 1944, por exemplo, o regimento panzer-granadeiro conteria um estado-maior, três batalhões de infantaria blindada, uma seção de canhão pesado, uma seção de defesa anti-aérea, uma seção de reconhecimento e uma seção de engenharia de combate. O regimento era descrito por seu tipo, seguido por seu número em número arábico e seu título, se tivesse, por exemplo, Regimento 6 SS-Panzergrenadier Theodore Eicke.
·       Batalhão: comandado normalmente por um SS-Sturmbannführer ou SS-Obersturmbannführer, o batalhão médio era formado por quatro companhias. Um batalhão era indicado pelo uso de números romanos antes da designação do regimento-pai: II/SS-Panzergrenadier Regimento 25. 
·       Companhia: era formada de um grupo de pelotões (zuge) e era comandada por um SS-Obersturmführer ou SS-Hauptsturmführer.
·       Pelotão: também conhecido como zug, era geralmente comandado por um oficial Junior, como um SS-Untersturmführer, ou um NCO Senior, tal como um SS-Oberscharführer. Dentro dos pelotões haviam vários esquadrões (gruppe), comandados por um primeiro-cabo ou terceiro-sargento. A Seção (rotte) era comandada por um NCO Junior, como um SS-Rottenführer. 
Mas havia muito que era genuinamente alemão no estilo SS, particularmente no uso da faca de monteiro que Himmler oferecia aos membros mais favorecidos da ordem, da espada projetada segundo o padrão da Reichswehr, e a adoção do cinza-esverdeado (field-grey) para o uniforme da Waffen-SS. Foi talvez nos seus esquemas para a organização da Waffen-SS que Himmler fez uso sistemático das memórias históricas alemãs. Os títulos de suas divisões são quase que totalmente reminiscentes de algum episódio importante ou herói do passado da Alemanha: Hohenstauffen, Frundsberg, Gotz von Berlechingen, Prinz Eugen, Reich, Leibstandarte – todas são palavras de força e influência. Por outro lado, é hoje possível sugerir que a idéia de Himmler de usar títulos individuais e com a ênfase em identidade individual de unidades foi, no contexto nacional, uma jogada psicológica muito esperta por um homem esforçado em construir uma grande força militar somente através do meio do alistamento voluntário.

O velho exército do Kaiser havia sido montado segundo o princípio da forte identidade da unidade e na hierarquia de regimentos, com os Guardas no topo. Hitler deliberadamente reconstruiu a Wehrmacht segundo um padrão que não tinha nada a ver com o passado e não fazia nenhuma diferenciação entre uma unidade e outra, já que ele queria o novo exército sob seu domínio completo. Ao estabelecer esse plano, contudo, ele indubitavelmente frustrou um elemento fortemente estabelecido na atitude germânica em relação ao serviço militar. Himmler, ao reconhecer a inclinação do soldado alemão em pertencer a uma formação identificável e de elite, certamente atraiu muitos que de outra maneira não se sentiriam atraídos por uma organização política.

Sob muitos aspectos, a Alemanha não estava preparada para a guerra contra as outras potências durante a existência do Terceiro Reich, pois este nunca alcançou a produção em massa de qualquer coisa – tão logo um nível de produção era alcançado para satisfazer uma indústria, sua prioridade era diminuída e outros projetos eram atendidos. Equipamentos militares de alta qualidade, como tanques e aviões, nunca deixaram de ser aperfeiçoados, mas jamais foram produzidos na quantidade necessária e com um abastecimento decente de peças de reposição. Conseqüentemente, a maioria dos equipamentos da Wehrmacht era superior à dos Aliados, mas os alemães nunca os possuíam em quantidade suficiente para manter a guerra ao seu favor. Além disso, os esforços de Speer para aumentar a produção industrial da Alemanha foram parcialmente bem sucedidos, apesar de as estatísticas de produção impressionarem. Outro ponto fraco da política externa, e que influenciou no desempenho militar durante a guerra, foi confiar nos poços de petróleo da Romênia e Hungria como fonte de abastecimento. No momento em que estes países foram invadidos pelos soviéticos, a guerra acabou de vez para os alemães.

Quanto à SS, pode-se dizer que ela cumpriu a missão para a qual foi criada: defender o Führer e a Revolução Nacional-Socialista, até o fim. Sob o comando de Himmler, um administrador avesso ao exibicionismo, ela passou de um amontoado de guarda-costas para Hitler e outros líderes nazistas e distribuidores de panfletos para a detentora do poder do Estado, através do seu controle político e econômico. Tivesse a Alemanha ganho a guerra, Himmler provavelmente seria o sucessor de Hitler, já que possuía os meios necessários para isso.