segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Guerra Hispano-Americana: os novos donos do mar

Ricardo Bonalume Neto

 

A Guerra Hispano-Americana de 1898 sinalizou de vez a decadência espanhola como potência mundial e catapultou os Estados Unidos para o primeiro plano das disputas políticas globais. A Espanha tinha perdido quase todas as suas colônias na primeira metade do século 19; restavam apenas alguns poucos lugares do antigo império onde “o Sol nunca se punha”, como as Filipinas, Cuba ou Porto Rico. Já os Estados Unidos, depois de uma devastadora Guerra Civil entre 1861 e 1865, continuaram sua vertiginosa expansão econômica, mas mantinham em grande parte um isolamento político das questões mundiais. Isso mudaria radicalmente com a guerra.

Foi então que um dos mais influentes pensadores militares da história escreveu um livro seminal: A Influência do Poder Naval na História, 1660-1783, do capitão Alfred Thayer Mahan (1840-1914). Nesse livro, publicado em 1890, encontram-se as sementes intelectuais da guerra de 1898, das guerras japonesas contra chineses e russos logo em seguida e da corrida naval entre britânicos e alemães antes da Primeira Guerra Mundial. Para Mahan, o país que tivesse uma esquadra poderosa poderia derrotar uma frota rival e, com isso, controlar as rotas marítimas e bloquear a economia do inimigo. Ele defendia a busca dessa batalha naval decisiva para decidir o conflito.

Foi o que aconteceu em 1898, quando a renascente Marinha americana derrotou fragorosamente sua rival espanhola nas batalhas da Baía de Manila, nas Filipinas, e da Baía de Santiago, em Cuba. Com o domínio do mar, os americanos puderam projetar seu poder em terra e vencer as tropas inimigas.

Dos navios envolvidos nessas batalhas, o cruzador USS Olympia é o único remanescente que ainda flutua. Foi a nave-capitânia do almirante George Dewey (1837-1917) na batalha da Baía de Manila e encontra-se hoje preservado como navio-museu em Filadélfia, ao lado de um submarino da Segunda Guerra, o USS Becuna. Visitar o Olympia é voltar mais de um século no tempo e ajuda a entender como eram as batalhas navais da época da segunda Revolução Industrial.

A evolução dos navios

No começo do século 19, os navios eram de madeira, de propulsão a vela e armados com canhões de carregar pela boca com balas esféricas. No meio do século, surgem os navios encouraçados com ferro, movidos a vapor, embora ainda com velas como meio de propulsão auxiliar, e armados com canhões que disparam granadas explosivas. Assim eram os navios da Guerra Civil americana e da Marinha brasileira na Guerra do Paraguai.

A partir da década de 1880, uma nova revolução na engenharia naval se traduz em navios feitos de aço. As velas desaparecem de vez e começa a haver maior padronização dos tipos de navio de guerra. O principal deles passa a ser um couraçado de aço armado com canhões de grande calibre e uma bateria secundária de outros de calibre menor. Os cruzadores são versões menores, menos blindadas, porém mais rápidas.

A partir de 1883, o Congresso dos EUA decide iniciar a construção de navios modernos para substituir os velhos cascos da época da Guerra Civil. O país já estava no caminho de se tornar a maior potência industrial do planeta. Mas a situação da Marinha americana no começo da década de 1880 era tão ruim que até mesmo os navios adquiridos por marinhas sul-americanas causavam preocupação. Segundo o historiador naval John Roberts, era particularmente preocupante não haver então, na Marinha americana, couraçados equivalentes em poderio aos brasileiros Riachuelo e Aquidaban, nem ao cruzador chileno Esmeralda, todos fabricados no Reino Unido.

O USS Olympia foi autorizado em 1888, lançado ao mar em 1892 e entrou em operação em 1895. Era, portanto, um navio novo e moderno em 1898. Apesar de ser a maior embarcação presente na batalha, o USS Olympia hoje impressiona por ser um navio pequeno. Com pouco mais de cem metros de comprimento, ele é mais curto que uma fragata de hoje. Apesar disso, tinha quatro canhões poderosos para um cruzador da época, de calibre 8 polegadas, em duas torres avante e a ré.

Estopim do conflito

O estopim para a guerra foi justamente o afundamento em Havana de um dos navios dessa nova Marinha, o pequeno couraçado USS Maine, em 15 de fevereiro de 1898. Tudo indica que a explosão foi acidental, seja nos depósitos de carvão, seja nos paióis de munição. Mas não poderia haver momento ou lugar pior para o acidente.

Os EUA pressionavam a Espanha para ceder a independência da ilha aos rebeldes cubanos, que a opinião pública americana defendia como “combatentes da liberdade”. Muitos se convenceram de que o Maine fora afundado por uma mina espanhola, como o então influente secretário-assistente da Marinha, Theodore Roosevelt Junior (1858-1919), amigo pessoal e fã das teses do capitão Mahan – e futuro presidente americano.

A imprensa popular americana, especialmente os jornais das cadeias de William Hearst (1863-1951) e Joseph Pulitzer (1847-1911), comprou a tese e iniciou forte campanha pela declaração de guerra. Hearst foi o principal modelo de Cidadão Kane, clássico filme de Orson Welles.

Roosevelt acreditava na iminente declaração de guerra e começou os preparativos assim que soube do afundamento do USS Maine. Ainda em fevereiro ele telegrafou ao então comodoro George Dewey para reunir em Hong Kong os navios do esquadrão asiático americano e preparar-se para eventualmente atacar as Filipinas. Roosevelt também despachou outro cruzador, o USS Baltimore, para reforçar a frota e completar seu suprimento de munição.

Um relatório apressado da Marinha americana afirmou no mês seguinte que o Maine tinha sido afundado por mina, mesmo sem provas. A pressão pela guerra passou a ser irresistível. O presidente William McKinley Junior (1843-1901) foi autorizado pelo Congresso em 19 de abril a usar força armada para retirar Cuba da autoridade espanhola. Em 25 de abril, o Congresso declarou guerra.

Dewey comprou dois mercantes, o Nanshan e o Zafiro, para transportar carvão extra, e partiu rapidamente de Hong Kong rumo às Filipinas com quatro cruzadores, duas canhoneiras e um navio auxiliar. Já em 30 de abril, a frota avista a ilha filipina de Luzón. Os americanos descobrem que a frota espanhola do contra-almirante Patricio Montojo y Pasarón (1839-1917) deixara a Baía de Subic e se concentrara em Manila. O esquadrão espanhol ancora perto da fortaleza de Cavite. Com navios menos poderosos, o almirante espanhol queria aproveitar a defesa adicional dos canhões dos fortes que protegem a capital da colônia.

A frota americana aproxima-se durante a noite e troca tiros com os fortes na entrada da baía. Mas o comandante americano prefere atacar de dia, na manhã de 1º de maio. A batalha começa às 5h10. O USS Olympia está em primeiro na fila de navios; em seguida vêm os USS Baltimore, Raleigh, Petrel, Concord e Boston. O auxiliar McCulloch e os carvoeiros mantêm-se a distância. Dewey espera chegar mais perto dos navios espanhóis ancorados antes de começar a atirar. Só às 5h40 que ele dá a famosa ordem ao capitão do Olympia, Charles Vernon Gridley (1844-1898): “Pode disparar quando estiver pronto, Gridley”. As duas frotas estavam então a meros 4,5 quilômetros de distância uma da outra.

Tiro ao alvo

A batalha foi um exercício de tiro ao alvo – e mal realizado. A pontaria americana é péssima, mas a espanhola é infinitamente pior. Análises depois da batalha nos navios espanhóis destruídos indicaram, por exemplo, que dos 635 disparos dos canhões de calibre 6 polegadas, apenas sete (1%) atingiram o alvo (veja quadro na página anterior).

A munição começa a faltar e Dewey faz uma original pausa no combate para o café-da-manhã da tripulação. Depois de três horas fora da baía, a frota americana retorna ao combate. Apenas um navio espanhol, a pequena canhoneira Don Antonio de Ulloa, sai ao encontro do inimigo e termina afundada com a perda de toda a tripulação. Por volta das 12h30, os espanhóis rendem-se, depois de perderem 381 homens mortos e todos os principais navios. Apenas nove tiros atingiram os navios americanos, provocando danos leves e ferindo sete marinheiros, mas sem matar nenhum. “O estarrecedor índice de acertos, particularmente contra alvos estacionários em Manila, e quando o fogo de resposta era desprezível, foi a lição mais conspícua”, segundo o historiador e engenheiro naval britânico David K. Brown.

A principal razão das perdas espanholas foi o fogo. Ainda havia muita madeira a bordo dos navios espanhóis, e nos trópicos ela tende a ficar bem seca e vulnerável a incêndios. A frota espanhola era “uma coleção de navios antigos, obsoletos e com ruim manutenção, de escasso ou nulo potencial de combate”, afirmou o historiador espanhol Antonio Carrasco Garcia, justificando a derrota.

A Espanha coleciona depois outras derrotas no mar e em terra, e a guerra termina em agosto, com um tratado de paz assinado no final do ano.

Os EUA saem do conflito como uma verdadeira potência colonial, de posse das Filipinas, Guam e Porto Rico e um quase-protetorado na independente Cuba.

O Futuro da Guerra Aérea

Vianney Riller

Defesanet, 17 de Julho, 2013

 
USS CVN77 George H.W. Bush, na costa da Virgínia - Ao se fazer um breve exercício de futurologia no campo do Poder Aéreo, poderíamos tomar dentre tantos, dois pontos de partida aparentemente óbvios. Primeiro: o que de mais avançado se desenvolve na aviação de combate, sofre maior ou menor influência do modelo operacional da Força Aeronaval Americana. Segundo: um porta-aviões é uma “base aérea” de dimensões definiUdas e limitadas. E em que esses dois pontos podem parametrizar uma linha de raciocínio sobre o futuro da guerra no ar, ao avaliarmos a velocidade e ao sucesso com que os testes com o X-47B têm acontecido?

A Nova Unidade Aérea

O mais claro e dedutível efeito, tendo por base um CVBG - Carrier Battle Group, grupo de combate de porta-aviões (que pelas suas características de mobilidade na projeção de poder aéreo, influencia por consequência as forças continentais), é que para cada comissionamento de uma aeronave-de-combate-não-tripulada (cujas dimensões são aproximadas a de um F/A-18 Super Hornet) haverá o “desembarque” de um caça tripulado, em razões óbvias das próprias limitações físicas. Se avançarmos na análise das doutrinas de emprego, em particular dos drones da Marinha Americana, que diferentemente daqueles utilizados pela Força Aérea dos Estados Unidos (que se valem de pilotagem humana), são operados exclusivamente por pré-programação e elementos de inteligência artificial, deduzimos que a estrutura de unidade aérea embarcada será drasticamente remodelada. Uma aeronave tripulada deverá liderar de dois a quatro UCAVs - Unmanned Combat Air Vehicle, em um primeiro modelo de esquadrilha, uma formação que visa manter o poder de decisão a nível do homem ao mesmo tempo que reduz sua exposição às defesas inimigas.

Invisibilidade, Ataque à Distância, Precisão... e Robotização!

O emprego da arma aérea tem avançado, por intermédio das novas tecnologias, em busca de novos trunfos. A invisibilidade permite uma penetração mais profunda no ambiente hostil sob um risco menor de detecção e interceptação. O emprego de armamento guiado (Laser, TV, IR, GPS/INS), permite ataques Standoff - a uma distância segura do inimigo. A precisão, por conseguinte, tem sido aumentada pela “inteligência” das armas em conjunção com a melhoria de radares e sensores, o que reduz os nocivos efeitos colaterais, muitas vezes determinantes no resultado da missão.

O X-47B, apelidado “Robot” pelos militares da US Navy, é o UCAV de geometria stealth (furtiva), demonstrador de tecnologia da Northrop Grumman, que objetiva reunir todas estas características em uma aeronave-não-tripulada baseada em porta-aviões. Ele se notabiliza pela automação do voo. “O modelo da US Navy é diferente do da US Air Force”, nas palavras do próprio Comandante da Força Aeronaval do Atlântico, Rear Admiral Ted Branch. “Nós não temos alguém ativamente voando a máquina com o manche na mão. Nós a voamos com um mouse e um teclado”. Na nomenclatura militar americana, a Força Aérea tem drone pilots, a Marinha, drone operators.




Um Novo Perfil para (poucos) Pilotos

O ano é 2035. Declarado com capacidade operacional em 2019, após um custo de desenvolvimento acima dos US$ 1,4 trilhões, o JSF F-35 se tornará em breve um dos poucos caças tripulados da Força Aeronaval Americana. Os novos pilotos designados para estas aeronaves são selecionados por critérios diferentes dos adotados há vinte e dois anos antes. A agressividade tão requisitada, e ilustrada no clássico “No Guts, No Glory!” do Maj Gen Frederick Blesse, cede espaço à habilidade de gerenciamento de dados em rede. Devido a cortes orçamentários, exercícios com foco na perícia do piloto, como Red Flag, tem sua frequência e importância reduzidas, perdendo campo ao novo Linked Flag, e outros mais, com foco no processamento de informações e gestão de armamentos remotos em ambientes integrados. Full-LinkedWar é o fundamento a ser aperfeiçoado.

Afinal, os novos pilotos provavelmente nunca verão um caça inimigo durante um combate, a não ser pela tela multifuncional que exibe via link, imagens repassadas pelo sistema IR/eletro-óptico dos UCAVs avançados. Tampouco enfrentariam um cenário onde tivessem necessidade de se expor à kill zone das armas de seus opositores. O Piloto de Caça como o conhecemos, é mais do que nunca uma espécie em grave mutação.


Redesenhando Missões

De volta ao presente, o Robot é um UCLASS - Unmanned Carrier Launched Airborne Surveillance and Strike System, cujas demonstrações bem sucedidas revelam a velocidade com que se avança no desenvolvimento deste tipo de arma aérea. Sua data prevista de entrada em serviço - inicialmente 2019 - pode ser antecipada (sem falar no cronograma mais imediato dos ultrassecretos programas black ops). Pelas capacidades projetadas para cumprir missões de vigilância e ataque, o provável padrão operacional será de CAPs - Combat Air Patrol, realizadas inteiramente por drones, em zonas de menor complexidade e níveis de alerta mais baixos. Elevando-se o nível de ameaça ou em ações específicas de ataque, um caça tripulado assumiria o comando destas missões, nas proporções de 1 para 2, 1 para 3, ou 1 para 4, dependendo das doutrinas produzidas durante o atual período de desenvolvimento e aprendizado; e obviamente, do tipo de missão.

O caça tripulado como nós conhecemos hoje, cada vez mais exigirá um perfil de piloto apto a desempenhar as funções de FAC - Forward Air Controller. Com a progressiva introdução dos drones, sua principal missão será a de designar objetivos e movimentações táticas aos UCAVs sob seu comando. A fusão de dados de radares e sensores, e o compartilhamento de informações de consciência situacional de um por todos - via link entre drones, caças e mesmo armas (mísseis e bombas inteligentes), terá a capacidade de estender os olhos e garras do piloto à distâncias consideráveis. O engajamento entre o piloto do futuro e seu alvo seria cada vez mais “remoto”.

Modelando o Emprego da Arma Aérea no Mundo

Uma vez que, pela mobilidade de cada um dos seus atuais dez porta-aviões, a Força Aeronaval Americana pode projetar seu poder sobre todos os continentes, é razoável assumir que seu modelo operacional e tipo de aeronaves influenciará de uma forma ou de outra, a estrutura das forças aéreas nacionais em todo o globo. Neste caso em específico, a composição caça tripulado e UCAVs pode ser adotada por outros países. Em uma cooperação europeia, SAAB AB da Suécia, EAB da Grécia, RUAG Aerospace da Suíça, EADS CASA da Espanha e Alenia da Itália, lideradas pela Dassault da França, obtiveram sucesso com os testes de seu nEUROn, o demonstrador de tecnologia para uma aeronave de combate stealth autônoma (não-tripulada), prevista para 2020.

O Reino Unido, por meio da BAE Systems desenvolve o seu Taranis (cujo primeiro voo está programado para ainda este ano, na Austrália). Dentre as potências emergentes é forte a aposta nos UCAVs. Na Rússia o protótipo do Mig Skat servirá de base para o recém assinado contrato de pesquisa e desenvolvimento celebrado entre a empresa e o Ministério da Indústria e Comércio. Na Índia o DRDO AURA deve voar pela primeira vez em 2015. Mesmo a hermética China, com seu Shenyang/Hongdu Lijian (espada afiada) está próxima dos primeiros ensaios em voo, segundo fontes daquele país.

Os modelos de interação dos drones com as aeronaves tripuladas (especialmente no que se refere aos diferentes níveis de automação do voo) estão sendo estudados e levam em conta diversas questões, como por exemplo, o emprego conjunto com caças mono ou biplaces. Se por um lado a França emprega seu Dassault Rafale biposto exatamente em missões de maior complexidade em cenários de alta oposição e hostilidade, a Suécia e Suíça parecem avançar resolutas na adoção apenas do SAAB Gripen E - monoplace. A Espanha, Itália e Reino Unido com seu Eurofighter Typhoon, e Rússia e Índia desenvolvendo o Sukhoi/HAL T-50, devem optar por apenas um tripulante.

Tanto embora a US Navy seja a mais experimentada na configuração de aeronaves de combate com duplas de tripulantes, a introdução do F-35 e as capacidades de voo autônomo projetadas para seus UCAVs, devem permitir que apenas um piloto opere tanto os sistemas de seu próprio caça, como também lidere um grupo de drones sob seu comando.

Realidade e Futuro

A importância dos drones já é hoje amplamente reconhecida, principalmente no que diz respeito à missões que exijam muitas horas dentro do teatro de operações, em que a fadiga humana possa representar um fator limitante do desempenho. Neste quesito também pesam fatores como a exposição à certos níveis de radiação e frequências de onda, que fatais ao ser humano e danosas aos sistemas de um caça, não comprometeriam a missão de um UCAV.

O temor de que pilotos sejam substituídos por robôs é compartilhado tanto por aspirantes à aviação de combate, como também, pelos atuais aviadores com menos tempo de serviço, que pelo tempo necessário à implantação destas novas armas, deverão ser os mais afetados pelos cortes de posições ofertadas à tripulantes. Curiosamente, um dos principais argumentos quando da idealização dos UCAVS pode torna-se a principal ameaça ao programa: o custo. O que inicialmente se justificava por, além de diminuir a exposição do piloto ao risco, reduzir os altos valores envolvidos na produção e operação de um caça tripulado de última tecnologia, tem se revelado tão ou mais caro quanto o que se gasta nos aviões em uso na atualidade.

O ápice das incertezas (quanto a prazos, quantidades e formas de atuação dos UCAVs) sustenta ainda a delicada balança das questões éticas. A possibilidade de robotização do combate pode conduzir à falsa impressão de um distanciamento da guerra. Uma virtualização das consequências mortais das batalhas. E isso, desperta respeitáveis reflexões em tempos de conflitos frequentemente assimétricos. Neste particular, um preocupante efeito colateral do uso dos drones é a possibilidade de aumento das ações terroristas em retaliação à operação dos “robores aéreos”. Em razão da não exposição direta de seus operadores ao risco de ferimento ou morte, aflora o pensamento de uma ética de guerra onde “aquele que reclama o direito de matar, tem que sangrar primeiro”.
Em previsões cada vez mais sujeitas a reviravoltas, especialmente pelo feroz incremento das incertezas econômicas mundiais, tentar vislumbrar o futuro pode facilmente ir de um acerto iluminado a um ridículo retumbante. Assim sendo, o Flight Deck - convoo, dos porta-aviões da US Navy, permanece como uma das melhores “bolas de cristal” ao se tentar ver o que vem pela frente.

Nota DefesaNet

Atualizando à data de hoje:

O X-47B apresentou problemas técnicos no dia 15 de julho, durante voo onde executaria a quarta missão de pouso completo no porta-aviões americano USS George H.W Bush (CVN-77). Os oficiais envolvidos no programa de testes decidiram abortar o pouso antes da aeronave aproximar-se do navio.

No dia 10 de julho o X-47B executou dois pousos e decolagens no mesmo CVN-77 navegando a 70km da costa de Virgínia Beach. O evento foi considerado um anúncio do futuro da aviação naval. Um terceiro pouso previsto para aquele dia, também foi abortado devido a uma falha em um dos três computadores de navegação do drone.

Opinião DefesaNet

Na contramão do mundo o Brasil não tem visão aeronáutica alinhada com o futuro, ao mesmo tempo que o F-X2 vai para o "Comando do Nada" deixando o país desguarnecido de uma defesa de sua soberania do espaço aéreo.

A realidade de não-tripulados (algo muito inferior aos drones) brasileiros se resume a 6 equipamentos (4 FAB e 2 PF) designados para desempenho da função primária de uma aeronave desta natureza, a vigilância, para um território de 8.515.767,049 km² e 15.179 km de fronteiras.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

[ARM] Governo anuncia compra de 36 caças suecos Gripen por US$ 4,5 bilhões

G1, 18/12/2013

Depois de 15 anos de negociações, o governo brasileiro anunciou nesta quarta-feira (18) a compra de 36 caças supersônicos do modelo sueco Gripen, que farão parte da frota da Força Aérea Brasileira (FAB). De acordo com a Aeronáutica, o preço total da aquisição será de US$ 4,5 bilhões, a serem pagos até 2023.

Segundo o ministro da Defesa, Celso Amorim, que fez o anúncio, a decisão "foi objeto de estudos e ponderações muito cuidadosas". Outras duas empresas – a norte-americana Boeing e a francesa Dassault – disputavam com a Saab, fabricante do Gripen, o fornecimento dos caças ao Brasil.

"A escolha, que todos sabem, foi objeto de estudos e ponderação muito cuidadosa, levou em conta performance, transferência efetiva de tecnologia e custo, não só de aquisição, mas de manutenção. A escolha se baseou no melhor equilíbrio desses três fatores", afirmou o ministro da Defesa, Celso Amorim.

Segundo o ministro, a aquisição dos caças não terá "nenhuma implicação" no orçamento da União de 2013 nem no de 2014. Segundo ele, a etapa de discussão do contrato pode demorar entre 10 e 12 meses, e a transferência dos recursos para a empresa sueca só será feita após essa etapa. "[A negociação do contrato] é algo demorado. Implica garantias contratuais de que aquilo que foi ofertado efetivamente ocorrerá", justificou Amorim. Segundo a assessoria de imprensa da Aeronáutica, ainda será negociado no contrato quando será feito o primeiro pagamento.


O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, informou que os primeiros aviões chegarão 48 meses depois da assinatura do contrato, prevista para o final de 2014. Assim, o Brasil deverá começará a receber as aeronaves a partir de 2018. Segundo Saito, serão entregues 12 aviões por ano.

Saito disse que a transferência de tecnologia será completa e feita diretamente à Embraer, que participará da montagem das aeronaves. "Quando terminar o desenvolvimento, nós teremos propriedade intelectual desse avião, isto é, acesso a tudo", disse Saito. Segundo ele, a brasileira Embraer e a Saab vão atuar em conjunto na transferência de tecnologia e na produção do caça. Segundo ele, outras empresas poderão, posteriormente, participar do projeto.

'Vamos pechinchar'


O comandante da Aeronáutica informou que 80% da estrutura do avião será construída no Brasil. As asas, por exemplo, já estão sendo produzida por uma empresa de São José dos Campos e, segundo o comandante, já com padrão supersônico. Segundo ele, serão mais de 15 empresas envolvidas.

Saito esclareceu também que os US$ 4,5 bilhões equivalem a proposta feita pela empresa sueca, mas que, durante a negociação do contrato, o valor pode ser revisto. "Nós vamos pechinchar ao máximo".

Ele contou que a presidente Dilma Rousseff o informou da escolha somente na terça-feira (17). "Presidenta, muito obrigado. Eu acho que a Força Aérea e o Brasil ganharam muito com isso", ele relatou ter dito à Dilma quando recebeu a notícia. Ele contou que participa do processo de escolha dos caças desde 1995. "Estou muito feliz de ter perseguido esse objetivo", disse. Segundo ele, todas as empresas foram avisadas ao mesmo tempo da escolha.

Aviões 'à altura'


O ministro Celso Amorim disse que, com a decisão do governo, "em breve, teremos aviões à altura da necessidade de defesa do país". O ministro ressaltou – dentro do acordo de transferência de tecnologia – a abertura do código-fonte de armas, que, segundo ele, permitirá adicionar ao avião armamentos brasileiros.

De acordo com o brigadeiro Marcelo Damasceno, chefe da comunicação social da Aeronáutica, os caças Gripen “vão atender às necessidades operacionais da FAB pelos próximos 30 anos”.

Segundo ele, as aeronaves ajudarão na defesa aérea do Brasil e serão capazes de promover ataques no solo e no mar. “Ele [o Gripen] permitirá à FAB enfrentar ameaças em qualquer ponto do território nacional com carga plena de armas. O conjunto de conhecimentos e capacitação tecnológicos contribuirá para que a indústria nacional se capacite para a produção de caças de última geração em médio e longo prazo”, disse Damasceno.

Em entrevista ao Jornal da Globo, em 2009, o presidente-executivo da Saab, Äke Svensson, explicou porque, para ele, o Gripen é o melhor caça para o Brasil. "Na comparação com os concorrentes, é o mais barato, tem o armamento mais completo, os sistema de controle, detecção e combate mais avançados e – o que só ele faz – pousa até num pedaço de estrada qualquer, de 500 metros, se for preciso", disse.


 
Estados Unidos

Celso Amorim afirmou que o governo brasileiro tentará, na negociação do contrato final, obter da Suécia o máximo de transferência de conhecimento tecnológico. “Há uma disposição efetiva de transferir essa tecnologia”, afirmou.

Amorim foi questionado sobre o fato de a turbina do avião Gripen ser produzida nos Estados Unidos. Como o contrato é feito com a Suécia, essa parte da tecnologia de produção do avião não passaria ao Brasil. O ministro destacou que a turbina é “importante”, mas não é o “coração” da aeronave.

“Sabemos que a turbina é norte-americana, mas não é tão sensível em matéria de conhecimento como outras partes do avião. [...] Embora seja uma parte importante, não é do ponto de vista tecnológico o coração do avião”, afirmou.

De acordo com o ministro, o fato de o Brasil ter optado por um contrato com a Suécia não prejudica as relações comerciais com os Estados Unidos. “Temos uma boa relação com os Estados Unidos. Diariamente compramos partes para outros aviões. Não há nenhum temor.”

A disputa

A notícia de que a compra seria anunciada na tarde desta quarta (18), foi dada pela presidente Dilma Rousseff em discurso durante almoço com oficiais das Forças Armadas no Clube Naval da Marinha, em Brasília.

Três países disputavam a venda das aeronaves ao Brasil – Estados Unidos, com caças de modelo F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing; Suécia, com o Gripen, da empresa Saab; e França, com os jatos Rafale, da companhia Dassault.

Na semana passada, o presidente da França, François Hollande, chegou a conversar com a presidente Dilma Rousseff sobre o andamento das negociações, em visita de Estado que fez ao Brasil.

O presidente da empresa francesa Dassault compôs a comitiva de Hollande. No entanto, segundo fontes do governo, o preço das aeronaves francesas foi considerado elevado.

Já as negociações com os Estados Unidos ficaram estremecidas após as notícias de que o governo norte-americano teria espionado comunicações da presidente Dilma Rousseff, ministros e assessores. Dilma chegou a cancelar uma visita de Estado que faria a Washington, em setembro deste ano, após as denúncias.

A notícia dos atos de espionagem foi divulgada pelo jornalista Glenn Greenwald com base em documentos vazados por Edward Snowden, ex-agente da NSA, agência norte-americana de inteligência.

O programa

Iniciado em 1998 no governo Fernando Henrique Cardoso, o projeto FX previa a compra de 12 supersônicos com a transferência de tecnologia do fabricante para a Força Aérea Brasileira (FAB), que culminaria em um total de 120 unidades fabricadas no Brasil.

Devia ser assinado até 2004, quando terminava a validade das propostas. Mas a decisão foi adiada para o governo Luiz Inácio Lula da Silva, que, no lugar do FX, lançou o programa FX-2.

O projeto de compra e transferência de tecnologia chamado FX-2 foi lançado em 2008. O custo estimado no mercado é de até US$ 6,5 bilhões. Os novos aviões substituirão os Mirage, cuja aposentadoria está prevista para o próximo dia 31.

Em 2009, Brasil e França chegaram a anunciar a compra dos caças Rafale, da francesa Dassault. Depois, o governo brasileiro voltou atrás.

O programa FX-2 prevê a compra de 36 aeronaves de combate, domínio do sistema de armas, parcerias com empresas brasileiras, acordos de cooperação técnico-operacional e a transferência de tecnologia para que o Brasil ganhe condições de produzir pelo menos parte do avião no país.
http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/12/governo-anuncia-compra-de-36-cacas-suecos-do-modelo-gripen.html


Força Aérea Brasileira completa modernização de caças F-5

Exame, 08/03/2013

A Força Aérea Brasileira (FAB) informou nesta sexta-feira que recebeu o último dos 46 caças F-5 que enviou para modernização há uma década e que foram equipados com novos sistemas eletrônicos, radares mais potentes e armas mais modernas.

O último dos F-5 modernizados, agora chamados F-5EM, chegou na quarta-feira na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, segundo um comunicado divulgado hoje pela FAB.

A modernização, contratada no ano 2000 a um custo de US$ 285 milhões, foi realizada pela Embraer em associação com a companhia israelense Elbit.

A Força Aérea Brasileira já assinou um novo contrato com a Embraer, no valor de US$ 276 milhões, para modernizar um segundo lote de aviões F-5 composto por 11 unidades e que começarão a ser recebidos neste ano.

Os F-5, de fabricação americana, fazem parte da frota dos Esquadrões de Caça da FAB que têm suas bases nas cidades do Rio de Janeiro, Manaus e Canoas (Rio Grande do Sul).

O Brasil adquiriu as primeiras unidades deste avião militar em 1975, mas a modernização elevou em 15 anos a vida útil das aeronaves, segundo cálculos da Embraer.

O contrato permitiu que o sistema eletrônico dos 46 aviões fosse totalmente renovado, incluindo radar e painel de controle. Segundo a Embraer, os caças foram equipados com sistemas de guerra eletrônica de última geração, novas ferramentas, sistemas de reabastecimento em voo e maior capacidade operacional.

A modernização permite à força Aérea Brasileira manter sua capacidade operacional enquanto espera o governo concluir a licitação que lançou para adquirir 36 modernos aviões de combate.

Este contrato é disputado por modelos da americana Boeing, da francesa Dassault e da sueca Saab. O processo, no entanto, foi paralisado pelo governo para dar prioridade a outras áreas do orçamento.
 



http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/forca-aerea-brasileira-completa-modernizacao-de-cacas-f-5


Conheça o novo caça do Brasil, que será produzido com a Suécia

G1, 18/12/2013

O governo federal anunciou nesta quarta-feira (18) que o Gripen NG, oferecido pela empresa sueca Saab como "a aeronave de combate mais avançada do mundo", será o novo caça do Brasil.

Ao contrário dos outros concorrentes, o Rafale, da francesa Dassault, e o F-18, da norte-americana Boeing, o Gripen NG ainda não voa. Ele começou a sair do papel em julho, quando a Saab iniciou a produção em sua fábrica em Linköping.

A proposta da Saab era considerada mais barata que a dos concorrentes (US$ 4,5 bilhões), além do custo de hora de voo, que é inferior ao dos concorrentes (cerca de US$ 4 mil).

A negociação prevê que o Brasil participe do processo de produção com ampla transferência de tecnologia, o que foi considerado, pelos militares, um dos fatores que interferiu na decisão. A estimativa é que 40% do modelo e 80% da estrutura sejam de fabricação nacional.

A negociação inclui ainda aviões com duas posições (para treinamento), sensores, peças e o treinamento de pilotos e mecânicos, além de acordos com empresas brasileiras.

"Os outros dois caças estão prontos. O que virá conosco será a capacidade de desenvolvimento conjunto, um aprendizado na tecnologia aeroespacial. Não se pensa em margem de lucro", disse, em entrevista ao G1 em julho, o presidente da empresa no Brasil, Bengt Janer.

Ataque além do alcance


O Gripen pode abater outros aviões no ar ou enviar mísseis para o solo, além de realizar ataques contra alvos fora do alcance de visão. Era o “preferido” pela Força Aérea Brasileira em um relatório concluído em 2010, por prever que técnicos brasileiros acompanhassem o processo de criação do modelo, uma versão aperfeiçoada do Gripen E/F, que já está em operação na Suécia, Reino Unido, Índia e Suíça.

Com alcance superior ao do F-18 e do Rafale (até 4 mil quilômetros, devido ao maior tanque de combustível), o Gripen também permitirá desenvoltura diante das dimensões continentais do país para a proteção da Amazônia e do pré-sal, afirma o brigadeiro da reserva Teomar Quírico, piloto de caça com mais de 2 mil horas de voo que já comandou esquadrões de caça da FAB.

"Esta é a melhor opção para o nosso país e para a FAB. Por estar em desenvolvimento, o Brasil tem mais independência ao operar esta aeronave", aponta o oficial.

Outro ponto positivo avaliado pelos militares é a capacidade de integrar sensores e novos armamentos, já que o desenvolvimento será em conjunto e as peças poderão ser produzidas no país. Além disso, é possível usar armas de outros fabricantes. Assim, o Brasil não dependerá, em caso de guerra, da compra de mísseis dos Estados Unidos, o que ocorreria se fosse adquirido o F-18, ou da França, no caso do Rafale.

Processo em andamento

O início da construção do Gripen NG na Suécia, porém, não impede o Brasil de participar do desenvolvimento, já que os governos da Suíça e Suécia decidiram que o Gripen será o caça usado pelos países nos próximos 30 anos.

Além da Aeronáutica brasileira, que receberá 36 aviões, outros 88 já foram encomendados, sendo 60 para a Suécia - que serão entregues entre 2013 e 2026.

"A Suíça fechou um pedido em dezembro de 2012 de uma aeronave que passará por uma reformulação. Ainda há tempo para o Brasil participar do programa desde o início, se a decisão pelo caça ocorrer em breve”, disse Janer na ocasião.

No dia 31 de dezembro, a Aeronáutica aposenta os Mirage-2000, que foram comprados já usados da França, em 2005, em uma estratégia tampão. Os aviões estão sucateados e sem armamento, segundo anunciou o brigadeiro Juniti Saito, comandante da FAB, em agosto.

Enquanto as aeronaves novas não chegam, a Aeronáutica colocará em Anápolis, onde ficam os Mirage atualmente, 5 caças F-5, que são de menor alcance e não voam a até duas vezes a velocidade do som - capacidade que os Mirage possuem e que o novo caça terá.





http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/12/conheca-o-novo-caca-do-brasil-que-sera-produzido-com-suecia.html?fb_action_ids=537138996382486&fb_action_types=og.recommends&fb_source=other_multiline&action_object_map=%5B587367654650165%5D&action_type_map=%5B%22og.recommends%22%5D&action_ref_map=%5B%5D


Os caças e suas gerações

1ª geração 

Incluem aqueles empregados na Guerra da Coréia, até o meio dos anos 1950. A maioria dos aviões não tinha radar, eram subsônicos, usavam bombas de queda livre e metralhadoras e canhões com mira ótica. Exemplos: MiG-15, 17, Gloster Meteor e F-86.


F-86 Sabre (esquerda) e Mig-15 

 
2ª geração 

Estes são os caças desenvolvidos entre 1955-1960, cujas principais características eram o voo supersônico em grandes altitutes, para interceptação. Começaram a ser equipados com radar próprio e os primeiros mísseis guiados. Exemplos: F-104, F-105, F-106, MiG-19, Mirage III, MiG-21, English Electric Lightning.
 
Mig-21F
 

3ª geração

Aviões de combate que entraram em serviço ou voaram pela primeira vez na década de 1960, introduzindo mais avanços em aerodinâmica e eletrônica: F-4 Phantom, F-5, MiG-23, MiG-25, Mirage F1, Saab Viggen.


F-4 Phantom
 

4ª geração

Resultado da introdução da microeletrônica na década de 1970/80, os aviões de 4a geração foram dotados de aviônica mais sofisticada, controles fly-by-wire e cockpit HOTAS: F-14, F-15, F-16, F-18, MiG-29, MiG-31, Su-27 , Mirage 2000, Tornado, Saab Gripen.
F-14
 
4ª geração plus ou 4.5

Versões melhoradas de aeronaves de 4a geração ou introduzidas entre o final da década de 1990 e início dos anos 2000, como o F/A-18E Super Hornet, Sukhoi Su-30/35, Eurofighter Typhoon, dotados de novos radares phased array e aviônica.

 
Su-35
 
5ª Geração

Caças que empregam formas e tecnologias que desviam e absorvem as ondas eletromagnéticas, tornando-os difíceis de serem detectados por radares. Os armamentos são levados internamente. Nessa classe, o F-22 Raptor, o F-35 e o futuro PAK-FA russo.
 
F-35

http://www.aereo.jor.br/destaques/os-cacas-e-suas-geracoes/

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

[SGM] Rascunho de discurso mostra que Grã-Bretanha já estava preparada para a Guerra

Daily Mail, 24/11/2013

 
Uma versão antiga do “Discurso do Rei” revela que a Grã-Bretanha estava se preparando para declarar guerra à Alemanha antes de Hitler invadir a Polônia.

O discurso de George VI à nação, descrito no filme de 2010 estrelando Colin Firth como o monarca gago, foi escrito pelo menos nove dias antes.

O documento de três páginas que foi revelado é intitulado “Rascunho do Discurso do Rei” e é datado de 25 de agosto de 1939.

O documento, que foi escrito em 25 de agosto de 1939 – sete dias antes da invasão da Polônia pela Alemanha – apareceu após 74 anos.

O documento datilografado, o segundo rascunho do discurso, era mantido pelo funcionário público Harold Vale Rhodes, que havia escrito outro previamente como uma primeira tentativa.

Em uma nota escrita à caneta na margem esquerda, o Sr. Rhodes critica o tamanho de algumas sentenças no segundo rascunho e sugere o que deve ser usado.

Parece que sua sugestão foi seguida – o discurso final lido à nação e à Comunidade Britânica pelo Rei em 3 de setembro continha sentenças menores, mais concisas.

Apesar de o tom permanecer o mesmo, parte do conteúdo foi alterado significativamente. Por exemplo, ele não menciona a Alemanha ou Hitler pelo nome, mas apenas como “nossos inimigos”.

O rascunho original acusava a Alemanha de ser um país provocador que queria dominar o mundo através da força e afirmava que “estamos lutando pelos princípios da liberdade e justiça.”

No filme vencedor do Oscar, o personagem real de Colin Firth teve pouco  tempo para se preparar para o discurso, mas na verdade parece que o discurso estava sendo preparado para ele com mais de uma semana de antecedência.

O rascunho rejeitado foi adquirido por um proprietário em um lote de trabalhos da fundação do Sr. Rhodes após sua morte em 1970.

Agora, ele foi colocado à venda em um leilão com o valor estimado de £ 4.000.

O Dr. Gabriel Heaton, da Sotheby, que está vendendo o discurso, disse: “Este é um documento fascinante por uma série de motivos.”

“Ele revela não apenas o discurso, mas um momento crucial na história britânica. Ele foi escrito antes da Polônia ser invadida, mas em uma época quando estava claro que estávamos nos movendo em direção da guerra contra a Alemanha. Ele mostra que algo estava sendo preparado com dias de antecedência em relação à declaração de guerra, de modo que o monarca já tinha um discurso pronto no sentido de falar à nação e à Comunidade Britânica.”

Ele acrescentou: “Você sente um tipo de preparação para o discurso e a luta para encontrar as palavras certas para preparar a não para a terrível luta que estava para vir. Havia um grupo de pessoas escrevendo este discurso e Rhodes era uma delas. Ele forneceu um primeiro rascunho e recebeu esta versão revisada. Sua nota na margem está dizendo que seu original é melhor do que este último e que as sentenças deveriam ser mais curtas. A versão final foi bem mais clara. As sentenças eram menores e a estrutura mais simples e é isso o que você precisa no discurso público, especialmente quando o orador tem um impedimento à fala.”

Nigel Steel, um historiador no Museu de Guerra Imperial, disse: “Quando aconteceu, a guerra não era novidade. Houve uma série de crises políticas envolvendo a Alemanha acontecendo desde o ano anterior. A ideia de que este discurso tenha sido preparado antes da guerra não é uma surpresa, especialmente tendo o Rei dificuldades em pronunciar discursos.”

O leilão acontece na Sotheby em Londres em 10 de dezembro.


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

[SGM] Historiador francês afirma que Adolf Hitler não queria a guerra

Da Livraria da Folha




O historiador francês Philippe Masson (1928 – 2005) afirmou que “em 3 de setembro [1943], Hitler mal dissimula seu desencanto. ‘Eu não quis essa guerra’.”

Masson analisou as diversas mudanças geopolíticas ocorridas após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), assim como suas causas e desdobramentos durante o conflito, derrubando a visão maniqueísta sobre a primeira guerra que verdadeiramente mereceu o título de mundial.

O livro A Segunda Guerra Mundial: História e Estratégias (Editora Contexto, 2010), além de uma completa cronologia das batalhas e acordos deste episódio, apresenta uma análise com destaques para as suas características estratégicas, logísticas, econômicas e humanas.

Como as operações aconteceram em diversos lugares do globo, exigiram novos sistemas de armas, modificando as táticas e os conceitos estratégicos.

Leia um trecho da obra, que favorece inúmeras leituras sobre o maior confronto de nações da história.

O problema-chave da Segunda Guerra Mundial em seu início é, de fato, o conflito ocidental, essa guerra não desejada pelo Reich. Por duas vezes, Hitler vai tentar livrar-se dela segundo as melhores tradições da realpolitik. São duas as propostas de paz. A primeira, em 6 de outubro de 1939, após aniquilar e partilhar a Polônia. Nem Londres nem Paris reagem oficialmente a uma proposta de paz sem vencedores.

O efeito não deixa de ser intenso na França, pelo menos, onde se vivencia um mal-estar político advindo de uma guerra mal planejada, difícil de conduzir. Embora exista um partido da paz, representado pelos comunistas e vários parlamentares, com homens como Déat, Laval ou Flandin, ninguém ousa assumir a responsabilidade de uma “nova Munique”.

A segunda tentativa acontece em junho de 1940, por ocasião do grande triunfo da Wehrmacht. Hitler joga então com dois registros. Procura, inicialmente, oferecer à França condições moderadas de armistício. Rejeita, assim, as propostas redigidas pelo okh, o “Oberkommando des Heeres”, e pela Wilhelmstrasse, inspiradas na ideia de revanche do Diktat de 1919. Tais propostas preveem, com efeito, a ocupação completa do território francês, a instalação, pela Wehrmacht, de bases nas colônias, o desarmamento integral do exército francês e a entrega da frota.

É o Führer que dita, então, as condições consideradas “aceitáveis”. A França conservará uma zona livre, a soberania sobre seu império. Conservará, igualmente, um exército de 100 mil homens e os domínios territoriais. Fato capital, finalmente, a Alemanha se compromete a não exigir a entrega da frota, nem mesmo no momento da assinatura da paz. Em 18 de junho, durante uma entrevista em Munique, o Führer consegue aliar Mussolini à ideia de um armistício moderado. O cálculo revela-se preciso. O governo do marechal Pétain resigna-se a assinar, em 22 de junho, em Rethondes, uma suspensão de armas, cujas cláusulas lhe parecem honrosas. Apenas algumas vozes isoladas, como a do general De Gaulle, condenam esse armistício considerado uma capitulação.

Por outro lado, Hitler é menos feliz ao apostar no segundo registro. Apesar da defecção da França e da adesão da Itália à guerra, a Grã-Bretanha, sob o comando de Churchill, decide prosseguir na luta. Na realidade, a iniciativa do Führer é muito tardia. Ela chega com um mês de atraso. A vacilação britânica aconteceu em maio, após a ruptura do Meuse e a incapacidade do comando francês em restabelecer a situação.

É com um misto de espanto e cólera que os ingleses assistem à derrota do exército francês, que acarreta o desmoronamento de toda a sua estratégia. Pela iniciativa de lorde Halifax, apoiado por Chamberlain, o gabinete estuda então, seriamente, uma mediação de Mussolini, no que concerne ao restabelecimento da paz na Europa Ocidental. Um mês depois, Londres muda de ideia. A proposta de Halifax foi definitivamente descartada por Churchill, com o apoio dos trabalhistas, Attlee e Greenwood. O gabinete de guerra decide continuar a luta e rejeita as ofertas de negociação alemãs transmitidas por intermédio de Estocolmo e do Vaticano.


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Hitler queria a Guerra?

[POL] A Carta de Gandhi a Hitler

Júlia Matravolgyi, 28 de junho de 2013

 
Ela nunca chegou a seu destino final – e seria arriscado dizer que, se tivesse chegado, teria alguma possibilidade de mudar o curso da história (terrível) que estaria por vir. Mas não podemos dizer que ele não tentou: Mahatma Gandhi, o líder pacifista que comandou o processo de independência da Índia, mostrou que era capaz de sonhar mais alto do que qualquer música de John Lennon e enviou uma carta para Adolf Hitler, pedindo que este evitasse a guerra. A correspondência foi escrita em 23 de julho de 1939, quando a Alemanha do Führer estava prestes a invadir a Polônia e dar início à Segunda Guerra Mundial.

A carta, que nunca chegou ao seu destino, pois foi interceptada pelo governo britânico, diz o seguinte:

Índia, 23 de julho de 1939

Querido amigo,

Amigos têm insistido que eu lhe escreva para o bem da humanidade. Mas eu tenho resistido ao pedido deles, pois sinto que qualquer carta escrita por mim seria uma impertinência. Algo me diz que eu não devo hesitar e devo fazer meu apelo, pois talvez ele tenha alguma utilidade.

Está claro que hoje você hoje é a única pessoa no mundo que pode evitar uma guerra capaz de reduzir a humanidade a seu estado mais selvagem.

Devemos pagar esse preço por algo, por mais valioso que lhe pareça? Você vai ouvir o apelo de alguém que deliberadamente deixou de lado métodos de guerra e obteve considerável sucesso? De qualquer forma, peço desculpas antecipadamente, caso tenha errado em escrever para você.

Permaneço seu amigo,

M. K. Gandhi

 
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Churchill queria Hitler na Cadeira Elétrica e Gandhi morrer de fome
 


domingo, 1 de dezembro de 2013

As Quinze Batalhas Navais decisivas da História - Parte I

Batalha de Salamina

Antonio Gasparetto Junior

A Batalha de Salamina foi o combate entre a frota persa e a grega no ano 480 a.C.

No século V a.C., gregos e persas se envolveram em uma séria de conflitos que, em grande parte, foram causados pela tentativa de cada lado de conquistar a região da Jônia, na Ásia Menor. Mileto, que era uma colônia grega na Jônia, tentou se livrar do domínio persa e forneceu o estopim para o início dos conflitos. Esses embates ficaram conhecidos como Guerras Médicas e ocorreram em dois momentos. Tanto a Primeira Guerra Médica como a Segunda Guerra Médica repercutiram na história da humanidade.

Alguns anos depois da Primeira Guerra Médica, os persas, comandados pelo rei Xerxes, entraram em Atenas e destruíram importantes monumentos da Acrópole. Era o início da Segunda Guerra Médica. O sucesso das investidas dos persas deixou toda a Grécia central aos pés de Xerxes. A frota grega foi forçada a abandonar Atenas e buscar refúgio em Salamina, local onde Temístocles, general ateniense, organizou seu exército e o preparou para um intenso combate contra os persas.

De acordo com o planejado por Temístocles, os gregos atraíram os persas para um combate naval no estreito que separa Salamina da Ática em setembro de 480 a.C.. O rei Xerxes estava muito confiante em seu exército, especialmente após a devastação que havia promovido em Atenas. No entanto, Temístocles concentrou sua frota com 200 embarcações na baía de Salamina para enfrentar os persas em uma localidade onde não conheciam muito bem. Sem ter como se defender, os persas foram derrotados na Batalha de Salamina, que provavelmente ocorreu no dia 29 de setembro de 480 a.C.

A Batalha de Salamina mudou o rumo da Segunda Guerra Médica, forçando os persas a recuar após importantes conquistas. O próprio rei Xerxes, que participava da campanha, viu-se obrigado a regressar à Ásia, deixando o comando da frota restante para Mardónio. Os embates ainda virariam o ano, mas, em 479 a.C., os persas seriam completamente vencidos nas costas da Ásia Menor. A vitória mudaria o contexto da região, pois Atenas lideraria a Confederação de Delos, uma aliança entre as cidades-estados gregas, na organização de suas defesas e aparatos militares.

 
http://www.infoescola.com/historia/batalha-de-salamina/

 
Batalha de Lepanto

A batalha de Lepanto, entre reinos cristãos e os turcos foi a maior batalha naval no Mediterrâneo depois da batalha de Actium em 31 Antes de Cristo.

A batalha teve como objectivo impedir a progressão dos Turcos Otomanos, depois que estes tomaram possessões da República de Veneza no Mediterrâneo oriental.

Veneza recorreu ao Papa, para que tentasse organizar uma aliança com os países do Mediterrâneo Ocidental, tradicionais rivais de Veneza, com o objectivo de impedir a progressão de um poder otomano que acabaria por ser negativo para todos os países.

O Papa iniciou então uma série de contactos com os países cristãos do ocidente. A França não participou em qualquer iniciativa, aliás até porque tinha praticamente sido expulsa do mediterrâneo pelos países pertencentes ao Sacro Império de Carlos V, que posteriormente passou para Filipe II.

A monarquia dos Habsburgos tinha interesses importantes no Mediterrâneo, porque alguns dos seus reinos mais importantes, dependiam do comércio nesse mar para sobreviver e manter as suas economias baseadas no comércio. A Coroa de Aragão e os seus reinos de Valência e Nápoles, bem como os seus aliados de Génova estavam a favor de uma intervenção do monarca.

Evidentemente que para criar uma força capaz de enfrentar os turcos, seriam necessários navios e homens, e é baseado nesse binómio que se vai criar a Santa Liga.


A República de Veneza, que era quem se sentia directamente mais ameaçada, construiria uma frota de mais de 100 navios de guerra. A essa frota juntam-se cerca de 40 navios do Papa, de Génova e de outros pequenos estados e mais 36 navios dos reinos espanhóis de Filipe II, juntamente com 11 galeras de Génova, mas subsidiadas pelos cofres do Reino de Castela.

Embora com uma participação relativamente reduzida em termos de navios os Habsburgos participariam com a maior parte da gente de guerra, ou seja os soldados que deveriam combater quando os navios das duas esquadras entrassem em contacto.
Dos cerca de 30.000 homens de armas que deveriam embarcar, dois terços eram pagos pela coroa dos Habsburgos e os restantes por venezianos, genoveses, estados do Papa e cavaleiros da Ordem de Malta.

Depois de várias movimentações e após a esquadra se ter reunido em Messina, no estreito que separa a península itálica da Sicília, a frota dirige-se para oriente para enfrentar os turcos, que julgava serem em menor numero.

As duas frotas enfrentam-se na manhã do dia 7 de Outubro e cada uma delas divide-se em três grupos.

O principal combate ocorre no grupo central, quando as forças turcas sob o comando de Ali Pashá atacam directamente a engalanada Galera Real onde seguia Juan de Áustria.

Ocorre que a disposição da frota cristã, incluía um tipo de navio construído nos arsenais de Veneza, o qual tinha sido mantido secreto.
Em frente da primeira linha central das forças de galeras cristãs, foram colocadas duas grandes Galeaças venezianas. Estes navios, tinham uma mobilidade reduzida, mas ao contrário das galeras, tinham um castelo de proa redondo equipado com nove canhões e ao mesmo tempo dispunham de seis canhões que permitiam disparar bordadas contra as galeras turcas.

Quando a frota turca, segue a grande galera de Ali Pashá, que se atira contra o navio de Juan de Áustria, sofre um intenso ataque de artilharia das enormes galeaças venezianas. Quando os navios turcos e cristãos se engancham, vários ocorrem para ajudar no combate, tendo lugar praticamente um combate terrestre a bordo de vários navios encostados uns aos outros numa enorme confusão de fumo, sangue e pólvora.

Porém, os navios turcos que vão em socorro da galera de Ali Pashá, não conseguem chegar sem antes serem fortemente bombardeados pelos lentas e desajeitadas galeaças de Veneza, que embora desajeitadas contam com 40 canhões de vário tipos.

Nestas condições as forças cristãs conseguem vantagem táctica, porque conseguem fazer chegar navios frescos à refrega, enquanto que os turcos não o conseguem fazer. É assim afundado o navio de Ali Pashá e o destino da batalha começa a tornar-se óbvio.

Entretanto, as galeaças que tinham sido deixadas para trás, voltam lentamente para a refrega, utilizando o poder dos seus 40 canhões, para destruir ou danificar muitos dos navios turcos que entretanto se tinham desviado para norte.

As outras duas batalhas que ocorreram com as restantes divisões, também acabaram por ser favoráveis aos cristãos, mercê da superioridade da artilharia dos navios venezianos e da intervenção de uma pequena esquadra de reserva de cerca de 30 galeras comandadas por Álvaro de Bazan.

A Batalha de Lepanto, foi a mais memorável vitória militar de Veneza, e o dia passou a ser feriado nacional. Ela marcou que também no Mediterrâneo, era o poder dos canhões de navios pesados que decidia o destino dos conflitos.

Para a coroa dos Habsburgos, a batalha também foi um sucesso, mas os comandantes Hispânicos não conseguiram retirar nenhum tipo de lição da batalha, e concluíram que a batalha se ganhou por causa da capacidade dos seus navios transportarem homens em quantidade para vencer a refrega no mar, com infantaria e não por causa da artilharia.

Esse tremendo erro de análise, viria a assombrar o império dos Áustrias, e acabaria por influenciar o resultado da batalha que haveria de ocorrer 17 anos depois, com aquela que ficou conhecida pelos britânicos como Armada Invencível.

Ao ter tirado conclusões erradas, os comandantes militares hispânicos não entenderam que a realidade da guerra naval tinha efectivamente mudado. Essa falha e o erro nas conclusões tiradas permitem afirmar que embora com uma vitória, é em Lepanto, que começa o longo declínio naval do império dos Habsburgos espanhóis.


 
http://www.areamilitar.net/HISTbcr.aspx?N=78

"Invencível Armada" espanhola é arrasada pelos ingleses

Em 8 de agosto de 1588, diante do porto de Gravelines (norte da França, no Canal da Mancha), o fogo e os canhões dispersam a frota espanhola que se destinava a conquistar a Inglaterra. Seria mais tarde chamada, com um travo de ironia, a "A invencível Armada".

Elizabeth I, filha de Ana Bolena e fruto do segundo casamento de Henrique VIII, tinha sucedido em 1558 a sua meia-irmã Mary Tudor, nascida do primeiro casamento de Henrique VIII com Catarina de Aragão e casada por procuração com o rei da Espanha, o muito católico Felipe II.

Elizabeth era protestante. Os católicos ingleses e aqueles do continente a consideravam bastarda e herética. Para eles, a herdeira legitima do trono deveria ser Maria Stuart, a mal-afortunada e abatida rainha da Escócia, prisioneira de Elizabeth.

Muitas conspirações visando derrocar Elizabeth para substituí-la por Maria foram trazidas à luz pela polícia secreta de Sir Francis Walsingham, comprometendo, sem margem de dúvida, a rainha da Escócia. Sua execução em 1587 levou o rei espanhol Felipe II a pôr em marcha o que ele chamou de "Operação Inglaterra".

À querela religiosa se somou a rivalidade entre a Espanha, potência já em decadência, e a Inglaterra, potência em ascensão.

Com o correr dos anos, o desenvolvimento do poderio naval inglês bateu de frente com os interesses espanhois. Em Flandres, onde Felipe II tentava reprimir violentamente as incessantes revoltas dos holandeses, Elizabeth apoiava os insurgentes.

A Armada espanhola era um formidável conjunto de navios. No total, 130 barcos a compunham. Transportava cerca de 30 mil homens dos quais 19 mil soldados mais 300 cavalos e mulas, o equipamento necessário para sitiar cidades, um hospital de campanha, etc. Seu objetivo era de operar um desembarque na Inglaterra e marchar sobre Londres.

Esta força, sob o comando do duque de Médina Sidonia, deveria se juntar àquela do duque de Parma, localizada em Flandres e composta por cerca de 18 mil homens aguerridos. Uma vez concluída a junção, a Armada deveria escoltar as chatas de Parma para a travessia do Canal da Mancha.

Para fazer face à ameaça, a Inglaterra dispunha de uma frota composta de navios da rainha e de navios mercantes fornecidos pelos oficiais da marinha real, pela cidade de Londres ou por simples voluntários, perfazendo um total de 197 navios e 15.835 homens.

Ao longo da noite de 7 para 8 de agosto de 1588, enquanto a Armada ancorava seus navios no Canal da Mancha, os ingleses a atacam com barcos carregados de explosivos e de materiais incendiários infiltrados entre as naves inimigas.

Esta manobra inesperada semeia o terror e um indescritível caos. A fim de escapar às chamas, os capitães ordenam cortar as amarras atando-as às âncoras. A frota espanhola se dispersa em meio à escuridão. Ao alvorecer, o duque de Medina Sidonia se empenha em reagrupar seus navios.

É então que tem início, ao largo de Gravelines, o confronto final com os ingleses. Durante horas, a canhonada ribomba. Os espanhois recebem o fogo do inimigo sem poder responder eficazmente. E para cúmulo da desventura, um forte vento sul empurra os navios em dispersão na direção norte.

Na impossibilidade de reagrupar os 112 navios que lhe restava, sem notícia dos eventuais preparativos da parte do duque de Parma e de suas chatas de desembarque, Médina Sidonia se resigna a retornar à Espanha pela única rota possível em vista das circunstâncias e os ventos: contornar a Escócia e a Irlanda e fazer velas em direção à Espanha.

Desafortunadamente, o mar não foi nem um pouco clemente e muitos navios desapareceram na costa da Irlanda. Tripulantes sobreviventes foram massacrados pelos insulares. Apenas um punhado deles chegaram a rever a terra espanhola.