terça-feira, 8 de julho de 2014

[SGM] O Mapa Secreto de Hitler que colocou os EUA na guerra

William Boyd

Daily Mail, 28/06/2014

 
“Tenho em minha posse um mapa secreto, feito na Alemanha pelo governo de Hitler – pelos planejadores da Nova Ordem Mundial. Este mapa deixa claro o projeto nazista, não somente contra a América do Sul, mas também contra os Estados Unidos.”

Era 27 de outubro de 1941. O orador era Franklin D. Roosevelt, o 39º. Presidente dos Estados Unidos, um país que ainda iria se envolver na guerra e cujos cidadãos, para o desespero da Grã-Bretanha e seus aliados e amigos, não mostravam nenhum sinal de querer lutar contra os alemães.

Muitos dos cidadãos mais ricos e influentes da América eram ativamente pró-nazistas.

O mapa era um atlas hipotético da América do Sul dividida em quatro estados enormes – ou “Gaus” – a serem administrados pela Alemanha: Brasilien, Argentinien, Neuspanien e Chile.

As margens continham notas manuscritas em alemão fazendo perguntas sobre suprimentos de combustível para rotas aéreas da Lufthansa entre a África e a América do Sul e, mais importante, conexões aéreas que se estendiam para o norte, em direção do Panamá e México – direto na porta de entrada dos Estados Unidos.

 
Para Roosevelt, determinado a por fim ao isolamento dos EUA, isto era mais do que um golpe. Era uma evidência incalculável da agressão nazista cruzando o Atlântico, envolvendo seus vizinhos mais próximos.

Com as ambições imperiais da Alemanha expostas, a maré de opinião começou a mudar significativamente em favor da Grã-Bretanha, facilitando o caminho que provaria ser a intervenção decisiva da América.

Mesmo assim, as origens do incrível documento de Roosevelt permanecem totalmente misteriosas – tão obscuras quanto corajosas, mas principalmente a equipe esquecida de agentes britânicos que de alguma forma o obtiveram.

Os homens e mulheres da Coordenação de Segurança Britânica (BSC) foram enviados do outro lado do Atlântico pelo próprio Winston Churchill, determinados a não parar por nada em seus esforços para desacreditar a causa nazista.

Falsificação era sua especialidade.

Quando precisamos escrever um romance policial, algumas vezes a “sorte” é tão valiosa quanto a inspiração. Em 2005, estava decidido a escrever um romance de espionagem na Segunda Guerra Mundial, mas queria criar algo diferente e pouco familiar – nada de paraquedistas caindo sobre a França ocupada, nenhuma quebra de código em Bentchley Park.

Na época, estava intrigado pela relação entre Churchill e Roosevelt e tinha a impressão de que não era tão amigável como geralmente é mostrada e entendida pelo público. Então, enquanto lia sobre o assunto, tive um lance de sorte. Me deparei com uma observação descartável sobre “os truques sujos de Churchill nos EUA.”

Era tudo sobre isso, pensei? Logo percebi que obtive uma estória de ouro – pelo menos em relação ao meu romance. O que eu havia me deparado era um livro com o singelo título de Coordenação de Segurança Britânico.

Era uma reimpressão de um documento anônimo detalhando as atividades do tal grupo de 1940 a 1945, com cerca de 500 páginas, repleto de detalhes precisos. O BSC foi criado por Churchill em 1940, logo após ele tornar-se Primeiro Ministro. Era uma organização de coordenação que utilizava os conhecimentos do MI5, MI6[1] e a Secretaria de Operações Especiais[2] e estava encarregado especificamente de fazer qualquer coisa  seu alcance para mudar a opinião pública americana de seu isolacionismo extraordinário, seu desejo de não-intervenção e, de algum modo, trazer os EUA para a guerra na Europa.

Ao assumir o governo, Churchill declarou que este era seu objetivo principal – sem os EUA ao nosso lado, a guerra contra Hitler não poderia ser vencida.

Esquecemos hoje em dia – nesta era da assim chamada “relação especial” – como era anglofóbica a população americana em 1940. Grupos poderosos violentamente se opunham a qualquer participação na guerra na Europa. Imigrantes alemães e italianos e facções de republicanos irlandeses, todos tinham seus motivos para não querer os EUA como aliado da Grã-Bretanha.

O virulento movimento isolacionista América Primeiro, liderado pelo celebrado aviador Charles Lindberg, tinha perto de um milhão de membros e centenas de “seções” através do país. Pesquisas indicavam que cerca de 80% da população americana era contra o país ir à guerra na Europa. Neste clima ruim de opinião negativa, o desafio do BSC era enorme. A arma-chave empregada foi o que era chamado de guerra política – a difusão de propaganda negativa contra a ameaça dos países do Eixo e a promoção urgente do intervencionismo, caso britânico.

O BSC era controlado e supervisionado por um milionário canadense chamado William Stephenson. Ele realocou seus escritórios para o Rockfeller Center em Manhattan onde, no auge de seu poder e influência, o BSC ocupava três andares. Ele usava o disfarce do Departamento de Controle de Passaportes (uma seção da Embaixada britânica), mas de fato logo tornou-se o núcleo de um esforço maciço de manipulação da mídia e operações de cobertura que iam do Chile às Bermudas e até Vancouver.

O BSC operava secretamente sua própria estação de rádio poderosa, o WRUL. Parecia uma estação comum americana, mas ela difundia uma torrente constante de propaganda pró-britânica e anti-isolacionista. Uma agência de notícias foi criada, a Agência de Notícias Ultramarina (ONA), que fornecia notícias aos jornais americanos.

Os “intermediários”[3], como os simpatizantes americanos e subagentes eram conhecidos, eram usados para esconder as fontes desta informação. Ninguém jamais soube o número de pessoas trabalhando para o BSC durante a guerra, mas pode ter atingido as centenas, senão milhares.

Todo tipo de intriga era criado pelo BSC para alimentar o sentimento antinazista. Walter Winchell, cuja coluna era lida por 25 milhões de americanos, recebeu uma carta forjada, com evidência documental – supostamente informada por um navegador americano – sobre os esforços de propaganda nos EUA. Ela realmente foi publicada em sua coluna.

Um astrólogo húngaro falso, Louis de Wohl, foi enviado da Grã-Bretanha para os EUA em uma viagem de palestras, dizendo às plateias que as estrelas prediziam que Hitler estava para morrer. Ele afirmava que o horóscopo de Hitler mostrava que Netuno estava na casa da morte e que naquele verão de 1941, Urano e Netuno coincidiriam para trazer sua partida.

O BSC também teve uma afirmação semelhante no Egito por outro astrólogo, Sheikh Youssef Afiti, que independentemente corroborou as previsões de de Wohl, dizendo que “um planeta vermelho surgirá no horizonte oriental e indicará que o maligno perigoso, que conduziu o mundo ao sangue, morrerá.”

Simultaneamente, correspondentes na Nigéria relatavam que um sacerdote conhecido, chamado Ulokoigbe, teve uma visão na qual a figura de Hitler – o “Cabelo Longo” – “escorregava de uma montanha e caía gritando feito um louco.”

Estas estórias foram totalmente publicadas pela imprensa americana, fazendo a profecia de de Wohl parecer estranha. O grande objetivo do BSC era que esse tipo de informação chegasse aos ouvidos de Hitler, que era conhecido por ser um simpatizante da astrologia.

O BSC desenvolveu um jogo travesso chamado “Vik” – um “passatempo novo fascinante para os amantes da democracia.” Equipes de jogadores do Vik nos EUA somavam pontos dependendo do nível de embaraço e irritação que eles causassem aos simpatizantes nazistas. Os jogadores eram conclamados a provocar uma série de perseguições – chamadas telefônicas noturnas erradas; ratos mortos jogados nas caixas d´agua residenciais; entrega de encomendas pesadas com cobrança na entrega; esvaziamento de pneus de carros; contratação de músicos de rua para tocar “Deus salve o Rei” na porta das casas dos simpatizantes nazistas, e assim por diante.

Um departamento especial foi criado como “fábrica de boatos”. Por exemplo, um boato foi divulgado que os britânicos haviam desenvolvido uma carga de profundidade devastadora com um explosivo novo e incrível. Isto deveria desmoralizar as tripulações dos submarinos alemães. O ONA colocou a estória com um cabeçalho de Ankara, Turquia, que foi transmitida para o correspondente em Washington da Tass, da União Soviética. Isto foi transmitido de Moscou – em 1940 a Rússia ainda não estava em guerra contra a Alemanha – citando uma fonte neutra.

Esta notícia foi comprada pela imprensa americana, onde reapareceu como uma estória autêntica nos jornais – de modo que interesse relativo à guerra, fabricado no Rockfeller Center, atravessava o mundo para reemergir na mídia americana como notícia autêntica.

Entretanto, quando era para minar o América Primeiro – que era altamente suspeito de encobrir atividades alemãs – o BSC tinha que ser mais astuto.

Nas reuniões do América Primeiro, o nome de Churchill seria saudado com vaias enquanto que o de Hitler receberia um silêncio respeitoso. Em uma reunião no Madison Square Garden, em Nova York, o BSC forjou milhares de bilhetes de entrada, provocando grande confusão quando as pessoas encontravam seus lugares já ocupados.

Em outra reunião, em Milwaukee, um congressista violentamente antibritânico, Hamilton Fish, recebeu um bilhete no qual estava escrito em letras garrafais, “O Fuhrer agradece sua lealdade.” Ele foi colocado por um fotógrafo infiltrado e teve excelente repercussão. Pelo menos algo estava sendo feito para divulgar a causa britânica junto ao público americano e os esforços do BSC eram impressionantes – mas eles seriam capazes de mudar a percepção do público americano em relação à guerra?

O BSC precisava de uma ameaça mais tangível e uma de suas mais elaboradas operações foi colocada em ação no final de 1941, originária na neutra, porém significativamente pró-Eixo, Buenos Aires, Argentina.

Em outubro de 1941, um mensageiro alemão da embaixada se envolveu em um acidente de trânsito em Buenos Aires. Ele era seguido por agentes da BSC e na confusão, sua pasta foi roubada e saqueada.

Dentro dela, supostamente, havia um mapa alemão dividindo a América do Sul em feudos alemães. Isto foi enviado a Nova York e encaminhado ao FBI e, em seguida, ao próprio Roosevelt – com resultados positivos. Foi o grande golpe do BSC? Possivelmente, mas haviam alegadamente somente duas cópias deste mapa – um mantido por Hitler e outro pelo embaixador alemão na Argentina.

Uma vez feito o discurso de Roosevelt, os alemães investigados e foi descoberto que ambos os mapas ainda estavam com seus donos – de modo que o terceiro mapa, aquele que Roosevelt citou, deveria ser uma cópia.

Mas quem o copiou e por que um documento secreto e extraordinário estava sendo carregado em uma pasta comum por um mero mensageiro da embaixada? O mapa da América do Sul era, estou convencido, uma farsa elaborada, realizada pelo departamento especialista em falsificações do BSC (conhecido como Estação M e localizado no Canadá). Ele fisgou o chefe da FBI J. Edgard Hoover e Roosevelt e, tendo visto uma reprodução dele, posso dizer de sua autenticidade – as margens rabiscadas por algum funcionário alemão anônimo, perguntando questões pertinentes sobre suprimentos de combustível e participação mexicana, sendo o golpe de mestre.

Nos registros das operações secretas esta foi talvez a mais significativa e bem sucedida. O sucesso notável do BSC não tem um lugar em nossa história de espionagem comparado com, por exemplo, Bentchley Park e as decodificações do Enigma.

Pode ter sido o mapa sul americano o catalisador para os EUA finalmente abandonarem seu isolacionismo? Jamais saberemos porque em 7 de dezembro de 1941, apenas 41 dias após a denúncia de Roosevelt contra as ambições nazistas regionais, a frota americana em Pearl Harbor, Havaí, foi atacada pelos japoneses. Os EUA imediatamente declararam guerra ao Japão e um dia depois, Itália e Alemanha, os aliados do Japão, declararam guerra à América. O principal objetivo do BSC, a ordem crucial de Churchill, foi eficazmente alcançada – graças aos japoneses.

O BSC permaneceu nas Américas até 1945, quando então foi dissovido e sua história foi escrita, sendo um dos seus três autores Ronald Dahl, que foi diretor do BSC em 1942.

E então todo mundo “esqueceu” dele. Os detalhes das operações secretas britânicas de guerra nos EUA foram varridas para debaixo do tapete tanto quanto foi possível – não é de surpreender, quando consideramos a maciça extensão da penetração do BSC na mídia americana e sua manipulação brilhante da imprensa do país.

Um comentarista americano que lei a história do BSC lembrou: “Como muitas operações de inteligência, esta envolveu ambiguidade moral requintada. Os britânicos usaram métodos implacáveis para atingir seus objetivos; para nossos padrões atuais, algumas de suas atividades podem parecer ultrajantes.”

No auge de seu poder, o BSC foi capaz de plantar propaganda pró-britânica e propaganda negativa antinazista em todos os setores da mídia americana, dos jornais de maior circulação até os colunistas e radialistas mais influentes. Ele foi mesmo capaz de alcançar a mesa do próprio presidente.

Qualquer que seja a explicação do mapa, a história secreta do BSC e do feito extraordinário de suas operações secretas nos Estados Unidos provaram ser – 60 anos depois – munição vital e oportuna para meu objetivo literário. Um escritor britânico é extremamente agradecido.                       

Notas:

[1] O MI5, oficialmente designado Security Service (Serviço de Segurança), é o serviço britânico de informações (ou inteligência) de segurança interna e contra-espionagem. MI5 é a abreviatura de Military Intelligence, section 5, que é a designação tradicional, ainda vulgarmente usada, do Serviço de Segurança.

Os outros três serviços de informações (ou inteligência) britânicos são o MI6 (espionagem), o GCHQ - Government Communications Headquarters (com funções de interceptação de sinais de telecomunicações e de garantia da segurança da informação) e o DIS - Defence Intelligence Staff (informações de defesa), actuando os quatro sob a coordenação do JIC - Joint Intelligence Committee.

[2] Serviço secreto militar britânico durante a Segunda Guerra Mundial, criado em 1940 para conduzir operações e coordenar os movimentos de resistência na Europa e mais tarde o Extremo Oriente.

[3] No original em inglês, “cut-out”.


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quinta-feira, 3 de julho de 2014

Indiana Jones e suas histórias não resolvidas

José Francisco Botelho

Ele derrotou soviéticos e nazistas, explorou lugares incríveis e achou tesouros desconcertantes. Mas, ao fazer tudo isso, mais confundiu do que explicou: como misturam pitadas de realidade com muita ficção, as aventuras do arqueólogo mais famoso do cinema não solucionam os mistérios que levantam. Saiba o que a ciência tem a dizer e desvende conosco os 7 maiores enigmas da série.
 


01. ONDE ESTÁ A ARCA PERDIDA?

Símbolo do pacto entre Deus e a humanidade, ela contém as tábuas de pedra onde estão escritos os 10 mandamentos. Mas pode estar em jerusalém ou na áfrica – se é que existe.

Se a arca existir, provavelmente está enterrada em Jerusalém ou na Etiópia. Como ela foi parar lá é uma história que começa há 2 300 anos, num deserto do Oriente Médio, quando Deus faz uma aliança com a humanidade (ou pelo menos parte dela). Foi selado um pacto entre o deus Javé e o povo hebreu, com os 10 Mandamentos: duas tábuas de pedra contendo o código de conduta para as futuras gerações de fiéis. Essas tábuas teriam sido guardadas pelo profeta Moisés numa arca de ouro e madeira, que é considerada uma das maiores relíquias da religião judaica – e, por tabela, do cristianismo. Enigmático e poderoso, o baú ganhou o nome de Arca da Aliança.

De acordo com o Talmude, livro sagrado do judaísmo, a arca teria sido guardada, por volta de 1000 a.C., num grandioso templo construído pelo rei Salomão em Jerusalém – cidade que os hebreus tinham acabado de tomar dos cananeus. A arca teria ficado lá até o ano 586 a.C., quando Jerusalém foi invadida pelos exércitos de Nabucodonosor, rei da Babilônia. O Templo de Salomão foi destruído. Em seu lugar, foi erguido o Segundo Templo. Que também acabou destruído, no ano 71 d.C., pelos romanos, que expulsaram a maior parte dos judeus de lá.

Mesmo com todas essas peripécias, ninguém encontrou a arca, o que leva alguns pesquisadores a acreditar que ela possa estar enterrada. O antigo local do templo fica hoje na metade árabe de Jerusalém. O grande problema é que, para escavar o local, seria necessário danificar o Domo da Rocha – que é um dos santuários muçulmanos mais importantes do mundo. Coisa que, tirando alguns grupos evangélicos extremistas dos EUA, ninguém pensa em fazer. Em suma: mesmo se a arca estiver enterrada nesse lugar, ela dificilmente será recuperada.

A Bíblia conta uma história diferente. Prevendo a invasão dos babilônios, o profeta Jeremias teria escondido a arca num certo monte Nebo, que fica na atual Jordânia. Acontece que, entre os antigos hebreus, “ir para o monte Nebo” era uma expressão proverbial que correspondia a ir para o beleléu. Ou seja: é possível que a arca não exista mais. “O mais provável é que a arca tenha sido derretida pelos babilônios”, escreve o historiador Eric Cline no livro From Eden to Exile, de 2007 (“Do Éden ao Exílio”, por enquanto sem tradução em português).

Isso, é claro, se é que ela algum dia existiu – coisa que está longe de ser um consenso entre os especialistas. “É importante lembrar que o texto bíblico não é factual”, diz o teólogo Rafael Rodrigues da Silva, da PUC-SP, especialista no Velho Testamento. “A arqueologia não deve levar ao pé da letra um texto que não relata os fatos exatamente como aconteceram.”

Seja como for, as buscas continuam. E os caçadores mais modernos preferem olhar para o leste da África. Segundo tradições locais, a arca estaria escondida num recinto secreto da Igreja de Santa Maria de Sião, no vilarejo de Axum, na Etiópia. A caixa de Javé teria sido levada à África em 950 a.C. por Menelik, filho do rei Salomão e da rainha de Sabá – um antigo Estado que realmente existiu naquela região. Em 2008, arqueólogos alemães desenterraram em Axum um suntuoso palácio construído no século 10 a.C., suposta morada de Menelik e seus descendentes. Mas não encontraram a arca.

Arma de guerra

Os 10 Mandamentos teriam sido entregues a Moisés quando os hebreus fugiam do antigo Egito, onde foram escravos, rumo a Canaã – terra descrita como presente divino aos judeus e que hoje corresponde a Israel, Palestina e partes do Líbano. Isso teria ocorrido por volta de 1300 a.C. Quando os hebreus chegaram à Terra Prometida, entraram em guerra com os habitantes da região . E a arca era levada para as batalhas, pois acreditava-se que sua simples presença seria capaz de garantir a vitória dos judeus.

A Bíblia descreve em detalhes as instruções dadas por Deus para a construção da arca. “Assim falou Javé a Moisés: ‘Farás uma arca com madeira de acácia: seu comprimento será de 2 côvados e meio; sua largura, de 1 côvado e meio; sua altura, também de 1 côvado e meio. Tu a revestirás com ouro puro por dentro e por fora’.” Em medidas modernas, isso dá 1,1 metro de comprimento por 66 centímetros de altura e largura. Ainda segundo a Bíblia, dois querubins de ouro foram esculpidos na tampa da arca, com os rostos inclinados e as asas esticadas para a frente. Ela era guardada num altar portátil, do qual apenas um grupo de sacerdotes (conhecidos como levitas) era autorizado a se aproximar. Se um pecador ousasse tocar o recipiente, a ira do Senhor o fulminaria no ato.

A arca foi capturada por um povo inimigo, os filisteus, por volta de 1200 a.C. Mas, logo após o roubo, o talismã divino teria mostrado seu poder: ídolos pagãos amanheciam com as cabeças cortadas, ratos invadiam as casas e os azarados filisteus eram assolados por temíveis hemorróidas. Maldições lançadas pelo poder mágico da arca.

O QUE DIZ INDIANA

• Em Caçadores da Arca Perdida, que é o primeiro filme da série, Indiana precisa impedir que a Arca da Aliança caia nas mãos de Hitler – que pretende usá-la para conquistar o mundo.

• A arca está num local chamado Poço dos Espíritos. Para encontrá-lo, Indy usa o Cetro de Rá (que, quando posicionado diante de uma miniatura da cidade de Tânis, revela a localização do poço).

• A arca é capturada pelos nazistas. Eles resolvem abri-la, mas só encontram pó. Essa ousadia desencadeia a ira divina, que envia uma fumaça mortal e elimina de uma só vez todos os vilões do filme.

• Após recuperar a arca, Indiana quer levá-la para um museu. Mas, no fim das contas, a relíquia superpoderosa vai parar nos depósitos do Exército americano, onde é tratada como segredo de Estado.

02. O SANTO GRAAL EXISTE?

Chave para a vida eterna, ou mera obra de ficção: qual é a verdade sobre o cálice usado por jesus na última ceia?

É provável que Jesus Cristo tenha, em algum momento de sua vida, utilizado um cálice para beber. Mas o Graal como o conhecemos, que teria sido usado na Última Ceia e tem poderes mágicos, é uma obra de ficção. Isso não impediu que pesquisadores buscassem o objeto. Um deles foi o medievalista alemão Otto Rahn, que era membro do Partido Nazista. Ele jamais encontrou nada que se parecesse com qualquer descrição do Graal, mas suas andanças deram origem à lenda de que Hitler tentou um dia se apoderar do cálice de Cristo – idéia na qual se baseia, justamente, o enredo do filme Indiana Jones e a Última Cruzada.

A primeira aparição do Graal ocorreu por volta de 1190, nas páginas do livro Le Conte du Graal, do francês Chrétien de Troyes. A obra conta a história de Percival, um dos cavaleiros da Távola Redonda. Ele tenta encontrar um recipiente misterioso, cravejado de jóias. O livro não explica a origem nem o significado do estranho objeto – que é descrito no livro como um graal, antiga palavra francesa que indica uma travessa usada em refeições aristocráticas. O mistério caiu no gosto do leitor medieval, e o Graal começou a aparecer em vários outros livros. Embora a maioria dos escritores o descrevesse como um cálice, outros imaginaram o Graal como um prato, uma tigela ou uma jóia. Mas a versão mais célebre está nas páginas do Roman de l’Histoire du Graal, escrito por Robert de Boron entre 1200 e 1210.

Nessa obra, pela primeira vez o Graal foi descrito como o cálice utilizado por Jesus para beber vinho na Última Ceia. O livro também dizia que a taça teria poderes divinos, como exorcizar demônios, fazer a terra florescer, revelar segredos apocalípticos e curar feridas.

No século 19, quando a arqueologia fez suas primeiras grandes descobertas, houve uma explosão de interesse pelo Graal. A partir daí novas versões, das plausíveis às mais alucinadas, começaram a surgir. Em 1818 o erudito austríaco Joseph von Hammer-Purgstall afirmou que o Graal, na verdade, era um símbolo demoníaco adorado pelos templários, a ordem de monges guerreiros perseguida pela Igreja no século 14. Mais tarde, em 1898, um arqueólogo amador encontrou um vaso medieval dentro de um poço na cidade inglesa de Glastonbury – lugar onde, segundo lendas medievais, teria sido enterrado um dos portadores do Graal.

Na década de 1930, escavações arqueológicas na Palestina desenterraram uma magnífica taça de vidro e prata, aparentemente da mesma época em que Jesus viveu. O artefato está exposto no Metropolitan Museum de Nova York. Mas, apesar do entusiasmo que esse e outros achados despertaram, não há evidências garantindo que algum deles realmente tenha passado pelas mãos de Jesus Cristo (muito menos que tenha poderes mágicos).

O QUE DIZ INDIANA

• Em Indiana Jones e a Ultima Cruzada, o Graal está escondido no Cânion da Lua Crescente, que fica na cidade de Iskenderun (território que, hoje em dia, pertence à Turquia).

• O Graal é descoberto por 3 cavaleiros ingleses. Dois voltam para a Europa. O terceiro bebe do cálice, ganha vida eterna e fica guardando a relíquia – até que Indiana vem bater à sua porta.

• O Graal não é de ouro. É bem simples, feito de madeira (enfatizando a humildade de Cristo). Ele tem poder de cura – isso permite a Indiana salvar a vida do pai, que havia levado um tiro dos nazistas.

• Indiana também bebe do Graal e ganha vida eterna. Mas a imortalidade só vale no Cânion da Lua Crescente. Indy prefere ir embora – e volta a ser um reles mortal.

03. O QUE SÃO AS LINHAS DE NAZCA?

Desenhos enigmáticos, que só são visíveis de avião e cobrem um deserto do Peru. Homenagem aos deuses? Ou aeroporto de ETs?

No desértico vale de Nazca, no sul do Peru, está um dos maiores enigmas da arqueologia moderna. São cerca de 800 linhas, com centenas de quilômetros de extensão, que formam desenhos geométricos como trapézios e espirais e também representam animais gigantescos: há pássaros, répteis, um macaco, uma assustadora aranha de 2 quilômetros de comprimento e até uma figura humana acenando com a mão erguida. Quem fez essas marcas no solo, e o que elas significam?

A resposta exata desapareceu junto com a civilização Nazca, que floresceu no sul do Peru entre os anos 200 a.C. e 600 d.C. – e, assolada por desastres naturais, foi varrida da história no início do século 7. Mas falta de chuvas, o clima seco e a escassez de habitantes na região ajudaram a conservar as linhas (chamadas de “geóglifos” pelos cientistas). Elas foram descobertas pelo mundo moderno na década de 1920, quando vôos comerciais começaram a sobrevoar o vale de Nazca. E, a milhares de quilômetros de altura, os passageiros se depararam com um cenário impressionante: visto de cima, o deserto parecia uma gigantesca tela. O grande mistério está no tamanho dessas gravuras – elas são tão grandes, mas tão grandes, que só de um avião ou helicóptero poderiam ser vistas com clareza. Mas, se os nazcas não tinham aeronaves, como faziam para desenhar as gravuras com tanta precisão? De lá para cá, surgiram várias hipóteses. No livro Carruagens dos Deuses, de 1968, o ufólogo suíço Erich von Daniken afirmou que os geóglifos de Nazca foram desenhados com a ajuda de alienígenas e serviriam como pistas de pouso para os ETs (embora seja bem difícil imaginar uma nave pousando em uma pista em forma de macaco). Outra teoria diz que não houve participação de aliens, e as linhas realmente foram desenhadas pelo povo de Nazca – que supostamente tinha balões primitivos e, portanto, era capaz de sobrevoar o próprio território. Também houve quem dissesse que as linhas são mapas astronômicos, representando a posição das estrelas.

Foi só às vésperas do século 21 que o enigma começou a se resolver. Em 1997 uma equipe internacional de arqueólogos, engenheiros e técnicos de computação gráfica desembarcou no vale de Nazca com equipamentos de última geração. Eles tiraram fotos aéreas do local e usaram as imagens para montar um mapa tridimensional, que permitiu explorar os geóglifos a partir de vários ângulos. Ao que tudo indica, as linhas realmente foram desenhadas pelos nazcas, que levaram séculos para completar os desenhos utilizando um método relativamente simples. O solo da região é formado por rochas vulcânicas, que são escuras e ficam espalhadas sobre uma base de areia. Os nazcas só precisaram movimentar as rochas e ordená-las de acordo com o desenho que queriam fazer – cada rocha forma um pontinho da imagem.

E, ao contrário do que se acreditava, as linhas de Nazca podem ser vistas com clareza ao nível do solo, dispensando o uso de aviões, balões ou naves espaciais. Os nazcas ficavam em pé em cima das linhas, e pronto: os desenhos ganhavam vida e se tornavam visíveis a partir de elevações do terreno. Hoje, a maioria dos especialistas acredita que o vale de Nazca servia como palco para gigantescas cerimônias religiosas. Os geóglifos marcariam o trajeto de enormes procissões destinadas a atrair a atenção dos deuses. E o que os antigos peruanos pediam aos céus com tanta gana? Provavelmente, eles queriam água – dádiva realmente divina numa região muito seca, em que o índice de chuvas não passa de meio milímetro por ano.

O QUE DIZ INDIANA

• Indy encontra uma mensagem, escrita por um arqueólogo envolvido na busca das caveiras, que menciona as linhas de Nazca.

• O bilhete, que traz desenhos e está escrito numa língua extinta, diz: “Siga as linhas que só os deuses podem ler”.

• As linhas de Nazca funcionam como uma espécie de mapa, que orienta a expedicão em busca das caveiras de cristal.

04. ELDORADO ERA MESMO FEITO DE OURO?

Na região da floresta amazônica, teria existido um reino secreto e riquíssimo, com templos e montanhas de ouro maciço. O metal era tão farto, mas tão farto, que o chefe do lugar chegava a se cobrir com ouro em pó. Será?

Muitos especialistas acreditam que a civilização de Eldorado, na região da floresta Amazônica, realmente possa ter existido. Mas nada indica que fosse uma cidade totalmente construída de ouro, como sugere o filme de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. As lendas a respeito surgiram no século 16, pois as riquezas encontradas nos templos e palácios incas despertaram a esperança de que civilizações ainda mais ricas, e tesouros ainda mais incríveis, se escondessem nas selvas e montanhas das Américas. As histórias da época contam que em Eldorado o ouro realmente era farto e usado em rituais religiosos.

O líder dessa civilização era o príncipe Dourado (ou “El Dorado”), termo que viria a designar a cidade em si. “Dizem que esse príncipe anda sempre coberto de pó de ouro, fino como sal, grudado em seu corpo por óleos e bálsamos, dos pés à cabeça. Sua aparência é resplandecente, como um objeto de ourivesaria trabalhado por um grande artista”, escreveu o historiador espanhol Gonzáles Fernandes de Oviedo em História Geral das Índias, de 1535.

As histórias sobre o príncipe Dourado se inspiravam na civilização chibcha, que existiu na Colômbia antes da invasão européia. Adoradores do Sol, os chibchas consideravam o ouro uma encarnação terrena da sua divindade favorita, o Deus-Sol. Uma vez por ano, o cacique chibcha se cobria de pó de ouro, pegava uma jangada até o centro da lagoa de Guatavita, que ficava próxima à atual cidade de Bogotá, e ali fazia uma oferenda com objetos de ouro.

Esse ritual, praticado por centenas de anos, já havia desaparecido quando os espanhóis invadiram a América do Sul. Mas a imaginação dos europeus se misturou a relatos dos índios, e a história foi ficando cada vez mais impressionante. A capital de Eldorado seria uma cidade chamada Omágua ou Manoa, cheia de templos e palácios reluzentes e atravessada por cordilheiras de ouro maciço. O país seria habitado por estranhas criaturas chamadas ewaipamonas – uma raça de homens sem pescoço, cujo rosto ficava na altura do peito. E as fronteiras de Eldorado seriam defendidas por mulheres guerreiras, que foram batizadas de “amazonas” – nome que foi inspirado por uma nação de mulheres-soldados da mitologia grega.

As expedições

A principal busca começou em 1542, quando, acompanhado por apenas 60 aventureiros, o espanhol Francisco de Orellana se embrenhou na selva amazônica para procurar Eldorado. Ele começou sua busca na parte equatoriana da floresta. Foi uma expedição dura. Quando a comida acabou, os exploradores começaram a comer o couro de suas botas e roupas. Os que não morreram de fome tiveram de sobreviver a ataques de índios da região. Mesmo assim, a expedição conseguiu avançar mais de 4 mil quilômetros até a foz do rio Amazonas, no oceano Atlântico. Orellana viveu para contar a história, e ganhou fama como o primeiro europeu a navegar o rio mais extenso do mundo. Que ele batizou de um jeito curioso. Quando Orellana foi atacado por índios de cabelos compridos, durante sua expedição, pensou que fossem mulheres guerreiras. Por isso, em homenagem a elas, batizou de Amazonas o grande rio recém-descoberto.

Mas Orellana não encontrou o que procurava – e, durante, os 3 séculos seguintes, Eldorado continuou sendo o alvo de buscas vertiginosas na América do Sul. Além de Orellana, dezenas de outros aventureiros percorreram Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana e Brasil em busca da cidade de ouro. Antes de Orellana, em 1536, Jimenez de Quesada vasculhara os planaltos da Colômbia – numa expedição que resultou na fundação da cidade de Bogotá. Mas não encontrou Eldorado. Gonzalo Pizarro (irmão de Francisco Pizarro, que havia encontrado os tesouros do Império Inca) também tentou. Ele partiu de Quito com 350 espanhóis e 4 mil índios. O grupo escalou os Andes e atravessou florestas em condições terríveis. 70% dos exploradores morreram, e os que sobreviveram voltaram de mãos vazias. Em 1540, foi a vez de a coroa inglesa cair na chamada “síndrome de Eldorado”, como a busca foi apelidada por historiadores. Enviado às Américas pela rainha Elizabeth, o aventureiro Walter Raleigh vasculhou durante anos o interior da Guiana e do Suriname – mas só encontrou tribos esparsas e algumas pepitas de ouro.

Após séculos e séculos de frustração, pesquisadores conseguiram localizar supostos vestígios da civilização do ouro.

Em 1856 o geólogo alemão Alexander von Humboldt achou, nas proximidades de Bogotá, uma estatueta de ouro maciço representando um cacique dourado, de pé no centro de uma jangada suntuosa, que poderia ter sido o príncipe Dourado. Outro artefato idêntico foi descoberto por agricultores colombianos na mesma região, em 1969. No início do século 20 uma firma inglesa tentou drenar as águas da lagoa de Guatavita – local onde os chibchas faziam seus rituais religiosos. Mas um deslizamento de terra impediu que essa moderna busca de Eldorado fosse concluída. Para muita gente, o tesouro que arrastou tantos aventureiros à morte continua lá no fundo, escondido pelas águas da lagoa sagrada.

O QUE DIZ INDIANA

• O reino é totalmente feito de ouro, e foi erguido cerca de 7 mil anos atrás. Tem conexão com as caveiras de cristal.

• A cidade dourada recebe o nome fictício de Akator. Ela é guardada por índios de aspecto físico normal.

• O explorador Francisco de Orellana (leia mais na página ao lado) é citado como o primeiro a tentar desbravar Eldorado.

• O filme diz que Orellana morreu durante a exploração. Na vida real, isso não ocorreu (Orellana sobreviveu).

05. EXISTEM ALIENS NA ÁREA 51?

Do tamanho da cidade de São Paulo, essa base militar está cheia de segredos e tecnologias que parecem de outro mundo.

Com 1 500 km2 de tamanho, o equivalente à cidade de São Paulo, a base militar Área 51, que fica no estado de Nevada, é uma espécie de continuação do mistério de Roswell – pois é nela que estaria guardada a nave espacial encontrada pelo Exército dos EUA. Em 1989, um homem chamado Bob Lazar deu uma entrevista na TV dizendo que tinha trabalhado na base, como físico e engenheiro. Sério, com jeitão de nerd e nenhuma pinta de louco, Bob Lazar parecia ser uma testemunha confiável. Segundo ele, os EUA estavam trabalhando secretamente em uma nave alienígena. Lazar disse ter passado 4 meses tentando copiar a tecnologia extraterrestre.

Desconfiados da história, alguns pesquisadores foram atrás de provas, mas não conseguiram encontrar registros da passagem de Lazar pela Aeronáutica dos EUA. O Instituto de Tecnologia de Massachusetts, onde Lazar disse ter estudado, também nunca tinha ouvido falar dele. Lazar explicava essas incongruências dizendo que, para desacreditá-lo, o governo apagara os registros dele por todas as instituições em que tinha passado.

Mesmo sem convencer, a história de Bob Lazar atiçou o interesse sobre a Área 51. Em 1996, um engenheiro mecânico veio a público dizer que tinha trabalhado lá, durante os anos 50, em um simulador de disco voador construído para treinar pilotos americanos. Ele também alegava ter convivido com um extraterrestre chamado J-Rod, descrito como tradutor telepático. Outro homem, chamado Dan Burisch, disse ter trabalhado na clonagem de vírus alienígenas, também com o alien J-Rod. Houve até quem mostrasse vídeos do suposto interrogatório de um alien. Coisa que, para a ciência, jamais ocorreu. “A comunidade científica não aceita a idéia de que o planeta já tenha sido visitado por extraterrestres”, diz Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, um dos principais astrônomos brasileiros e autor de Quem É Vivo Sempre Aparece – Pequeno Ensaio sobre a Procura dos ETs (DPA Editora). Se os aliens nunca estiveram aqui, não podem ter ido parar na Área 51.

Mas existe uma explicação para as lendas relacionadas à Área 51. Lá foram desenvolvidos e testados os aviões mais secretos da Guerra Fria. Aeronaves como o mítico U-2, que tinha por missão espionar a URSS, o avançadíssimo SR-71 Blackbird, capaz de voar 3 vezes mais rápido do que o som, e o F-117 Nighthawk, uma das máquinas mais estranhas que já voou sobre a Terra (ele tem um formato triangular, nada parecido com qualquer coisa vista antes). Como esses aviões eram muito esquisitos, voavam muito mais rápido do que se acreditava ser possível e não eram detectados pelos radares, podem ter sido confundidos com naves espaciais. Daí a conexão entre a Área 51 e as supostas aparições de ETs.

O QUE DIZ INDIANA

• Como na vida real, é uma base secreta do Exército americano e está localizada no estado de Nevada. Mas, no filme, o local foi batizado com um nome ligeiramente diferente: Hangar 51.

• Os EUA utilizam a base para desenvolver tecnologia aeroespacial, como os motores usados em foguetes da Guerra Fria, e também para fazer testes com bombas nucleares.

• Aparece um carro com a inscrição “1B7731”, o que supostamente é uma mensagem secreta para os fãs da série. Já existem teorias a respeito na internet, mas até agora nenhuma convincente.

• Dentro da base militar, está guardada a Arca da Aliança. Mas é uma menção rápida: o objeto fica menos de 3 segundos na tela.

06. O QUE ACONTECEU EM ROSWELL?

Um disco voador realmente caiu lá? Como uma tentativa de enganar a URSS trouxe ao mundo os ETs mais famosos da história.

Em julho de 1947, o fazendeiro William Brazel estava passeando por seu rancho, na cidadezinha americana de Roswell, e encontrou uma coisa estranha: uma maçaroca de tiras de borracha, papel-alumínio e algumas varas. O fazendeiro chamou o xerife, que chamou os militares – e, daí, surgiria um dos maiores mistérios do século 20. Tudo porque, para explicar o que havia ocorrido, a Aeronáutica dos EUA divulgou um comunicado dizendo que aqueles destroços, na realidade, eram pedaços de um disco voador.

Ao que tudo indica, os destroços não tinham nada de alienígenas. Eram pedaços de um balão ultra-secreto, que os americanos estavam desenvolvendo para espionar a URSS. A tese dos destroços extraterrestres teria sido inventada por militares dos EUA, que queriam evitar um acirramento das tensões com os soviéticos. “Essa mitologia em torno de Roswell jamais teria se desenvolvido se o aparato [o balão] não fosse parte de um programa governamental destinado a monitorar os testes nucleares soviéticos”, diz o ufólogo americano Gary Posner.

No dia seguinte, os militares mudaram sua versão, negando que os destroços fossem alienígenas – segundo a Aeronáutica, eram restos de um balão meteorológico.Mas o estrago já estava feito: a história sobre aliens estourou nos jornais americanos, e a lenda de Roswell estava formada. Em 1978, o caso ganharia ainda mais força. O major Jesse Marcel, que recolhera os destroços em Roswell 30 anos antes, disse que eram, sim, pedaços de uma nave espacial. Isso detonou uma onda de conspiracionismo e gerou livros como The Roswell Incident, de 1980, que acusa o governo dos EUA de esconder a verdade sobre os aliens.

Foram aparecendo novas testemunhas, que confundiam cada vez mais a história. Os filhos do fazendeiro Brazel deram mais detalhes sobre os destroços: eles eram feitos de um material desconhecido e inquebrável. Outra testemunha célebre foi Glenn Dennis, que trabalhava na funerária de Roswell na época do incidente. Segundo ele, a Força Aérea foi à funerária querendo comprar caixões pequenos, como os usados no sepultamento de crianças. E com um detalhe ainda mais estranho: os caixões tinham de ser hermeticamente selados.

Dennis disse ter conversado com uma amiga enfermeira, que teria ajudado os militares a fazer uma autópsia de 3 ETs – eles seriam negros, com cerca de 1,20 metro de altura. Chegou a aparecer, até, um vídeo da tal autópsia. Era uma fraude. Logo após o caso, a tal enfermeira viajou para a Europa e desapareceu para sempre (Dennis tentou se corresponder com ela, mas todas as cartas voltaram com o carimbo “destinatário falecido”).

Tentando acabar com todos os mitos, a Força Aérea dos EUA acabou fazendo, na década de 1990, uma investigação. Dela saíram dois relatórios, que negam qualquer contato com discos voadores ou tecnologia alienígena – e afirmam que os destroços faziam parte do Projeto Mogul, um balão que estava sendo desenvolvido para espionar a URSS. Os relatórios desmontavam os relatos das pessoas que diziam ter havido ETs em Roswell. Alguns dos fatos relatados pelo coveiro Dennis eram verdadeiros. Mas ele foi acusado de descontextualizar, e juntar numa história só, coisas que tinham acontecido ao longo de vários anos. Os militares compraram caixões na funerária de Dennis, mas isso aconteceu nos anos 50 – não em 1947. A tal enfermeira, que parecia invenção, realmente existiu. Mas só começou a trabalhar em Roswell um mês depois do suposto incidente com aliens.

O QUE DIZ INDIANA

• O Exército dos EUA possui caixas com a inscrição “Roswell, Novo México, 1947” e a observação “top secret” (confidencial).

• Indy afirma que esteve em Roswell, aonde teria sido chamado para examinar os destroços de um objeto voador.

• Os destroços do óvni são feitos de um material fortemente magnetizado – sugerindo uma relação com a Caveira de Cristal.

07. O QUE É A CAVEIRA DE CRISTAL?

Um objeto sobrenatural, feito por civilizações antigas? Um gerador de energia criado por aliens? Ou um golpe para enganar colecionadores?

No novo filme de Indiana Jones, aparecem várias caveiras de cristal – que, se unidas, viram uma imbatível arma de guerra. E na vida real, fora do cinema, os mitos não deixam por menos. Há quem diga que as caveiras são geradores de energia ou computadores fabricados por civilizações alienígenas. Uma das caveiras, que teria sido esculpida pelos maias 3 600 anos atrás, promete poderes ainda mais bizarros. Bastaria tocá-la para se curar de qualquer doença (ou encomendar a morte de alguém). Existe até uma seita, no México, para a qual as caveiras precisam ser reunidas até dezembro de 2012 – do contrário, a Terra sairá de órbita, com conseqüências catastróficas para a humanidade. Nada disso tem fundamento científico. Mas, na vida real, as caveiras de cristal realmente existem.

Há pelo menos 12 delas, supostamente de origem pré-colombiana, em museus e acervos particulares. A mais famosa teria sido descoberta por Frederick Mitchell-Hedges, em 1924, no Belize (América Central). É um crânio esculpido em quartzo, com 13 centímetros de altura e 5 quilos. Em 1970, o pesquisador Frank Dorland analisou o objeto, o que teria revelado dois detalhes intrigantes. A caveira realmente foi esculpida a partir de um bloco de quartzo, mas no sentido errado – o que, em tese, deveria ter quebrado o cristal. E a superfície do objeto era absolutamente uniforme, sem arranhões, sugerindo o uso de uma tecnologia que os maias certamente não tinham. Para os mais crédulos, isso serviu como prova de que as caveiras seriam obra de alienígenas. Dorland propôs uma tese um pouco menos mirabolante, mas que também não é fácil de engolir. Para ele, o objeto teria sido esculpido à mão pelos maias, com areia e água, num processo extremamente lento – que poderia ter levado de 150 a 300 anos. Será possível? O arqueólogo Paulo Zanettini, da Universidade de Campinas (Unicamp), que viu uma das caveiras no Museu Antropológico da Cidade do México, acredita que os povos da América Central eram capazes de fazer esse tipo de polimento. “A sofisticação deles era inimaginável.”

Mas, provavelmente, a solução do mistério é bem mais simples. Estudos recentes comprovaram que duas das caveiras de cristal, a do British Museum e a do Museu Quai Branly, na França, são fraudes. Os objetos contêm traços de polimento e perfurações características de instrumentos modernos, como os utilizados por joalheiros europeus a partir do século 19 – mais precisamente os do sul da Alemanha, onde as duas caveiras teriam sido fabricadas.

O QUE DIZ INDIANA

• Existem várias caveiras de cristal, mas apenas uma já foi descoberta. Acredita-se que as caveiras tenham poderes paranormais.

• Mesmo sendo feita de cristal, material que não é magnético, a caveira atrai objetos metálicos – o que supostamente é um indício do seu poder.

• A principal caveira de cristal do filme é a de Mitchell-Hedges, que realmente existe na vida real (veja mais no texto da página ao lado).

• As caveiras são motivo de disputa entre Indiana e os vilões do filme, os soviéticos, que querem transformá-las em arma de guerra.

sábado, 28 de junho de 2014

As 10 principais razões para não considerar a Idade das Trevas tão sombria

Jamie Frater

 


Acredito que possamos seguramente dizer que o período da história humana de 476 a 1.000 d.C. é o mais maligno de todos. Este período, conhecido dos historiadores como Idade Média, é ainda conhecido pela maioria dos leigos como Idade das Trevas. De fato, o termo “idade das trevas” é quase tão velho quanto o próprio período – ele foi cunhado em 1330 por Petrarca, o erudito italiano, para se referir ao declínio da literatura latina. Mais tarde, ele foi usado pelos reformistas protestantes (século XVI) e então pelos membros do Iluminismo (século XVIII) como um termo depreciativo com implicações muito maiores, pois eles viam seu próprio “iluminismo” como ausente do período anterior. Dificilmente um julgamento justo do passado. Felizmente, para os modernos estudantes de história, o termo é agora oficialmente conhecido como Alta Idade Média – um nome que não tem nenhuma conotação. Assim, tendo dado a vocês um histórico dos termos empregados, aqui estão dez razões porque a idade das trevas foi, de fato, um período de grande progresso e conhecimento.

10 – As Universidades foram criadas

A Educação Clássica (ainda hoje utilizada em algumas escolas) foi o sistema usado pelas Universidades que foram criadas na Alta Idade Média (as primeiras na história). As universidades ensinavam artes, direito, medicina e teologia (o estudo da religião). A Universidade de Bolonha (fundada em 1088) foi a primeira a conceder títulos. Além da estrutura clássica (baseada na educação grega clássica), estas universidades medievais foram fortemente influenciadas pela educação islâmica que era próspera na época. Enquanto as mulheres não eram admitidas nas universidades no início, a educação feminina existia. Os conventos da época educavam as garotas que frequentemente entravam na escola com pouca idade. Uma delas, chamada Hildegard Von Bingen, é uma das mulheres mais celebradas da era medieval e que teve grande influência no poder.

9 – Estabelecimento das Fundações da Ciência

Enquanto o progresso da ciência era lento durante este período no Ocidente, o progresso era uniforme e de alta qualidade. A fundação foi estabelecida aqui para o maravilhoso florescimento da ciência que ocorreria na Baixa Idade Média. Pode ser dito seguramente que, sem o estudo de ciência da Alta Idade Média, estaríamos consideravelmente atrasados em nosso conhecimento científico hoje.  O professor Ronald Numbers, da Universidade de Cambridge, diz:  “Noções como ‘o surgimento do Cristianismo matou a ciência’, ‘a Igreja Católica medieval criou obstáculos para o crescimento das ciências naturais’, ‘os cristãos medievais achavam que o mundo era plano’ e que ‘a Igreja proibiu autópsias e dissecações durante a Idade Média’ são exemplos de mitos populares ainda vendidos como verdade histórica, mesmo que eles não sejam apoiados por pesquisa histórica.”

8 – Renascimento Carolíngio

O renascimento carolíngio foi o período de avanços na literatura, escrita, artes, arquitetura, jurisprudência, estudos litúrgicos e das Escrituras que ocorreram no final dos séculos oitavo e nono. Os carolíngios eram francos[1] e o mais conhecido deles foi Carlos Magno. O império carolíngio foi considerado um renascimento da cultura do Império Romano. Na época, o latim vulgar estava começando a ser substituído pelos vários dialetos como línguas faladas principais na Europa, de modo que a criação de escolas foi vital para espalhar conhecimento adiante entre o povo. Foi também o período que nos deu a fundação da Música Clássica Ocidental.

7 – Era de Ouro Bizântina

Sob Justiniano, este período nos deu o Corpo de Lei Civil (Corpus Juris Civilis) – um enorme compêndio de Lei Romana.  A alfabetização era alta, a educação elementar era comum (mesmo no interior do país), o ensino básico estava disponível a muitas pessoas e a educação superior (como discutida acima) era também ltamente acessível. No império bizantino durante este período assistimos a uma maciça efusão de livros – enciclopédias, dicionários e antologias. Apesar de não terem criado uma grande nova quantidade de informações, eles solidificaram e protegeram para o futuro muito do que já era conhecido.

6 – Unidade Religiosa

Este é um assunto  controverso, mas o fato é que, durante a Idade Média, a Europa tinha uma única Igreja e concordava com o cânone da Bíblia, e tinha uma tradição filosófica bem desenvolvida. Isto levou (como podemos imaginar) a um grande período de paz dentro das nações ocidentais. Enquanto o Islã não estava de acordo com as doutrinas ocidentais, muito compartilhamento de informações ocorreu e a contribuição islâmica no Ocidente ainda hoje é sentida. Esta união de crenças permitiu um progresso intelectual não visto desde a época do Império Romano em seu auge. De uma certa forma, podemos considerar este período como a calmaria antes da tempestade, já que apenas cem anos depois a Primeira Cruzada haveria de ser convocada para tomar Jerusalém dos mulçumanos – um evento que terminou o compartilhamento de conhecimento entre os dois grupos.

5 – A Chegada da Álgebra

Graças ao aprendizado do povo islâmico no oriente, o mundo recebeu seu primeiro livro de álgebra. O Compêndio sobre Cálculo por Conclusão e Balanceamento foi escrito por Al-Khwarizmi (790-840) e o título árabe do livro nos deu a palavra “álgebra”. Ela vem do nome de Al-Khwarizmi . Este livro nos deu a primeira solução sistemática de equações lineares (de primeiro grau) e quadráticas (de segundo grau). Traduções posteriores de seus livros nos deram o sistema numérico posicional que ainda hoje utilizamos. Al-Khwarizmi, junto com Diofanto de Alexandria, é considerado o Pai da Álgebra.

4 – Arte e Arquitetura

Durante a Alta Idade Média, a arquitetura era eclética e inovadora. Ela introduziu ideia de imagens realistas na arte e preparou o terreno para o período romanesco que viria na Baixa Idade Média. O período também incluiu a introdução e absorção de formas e conceitos clássicos na arquitetura. Pode seguramente ser dito que este período foi o primeiro de alta arte – com estilos prévios (período migratório) sendo muito mais funcional e menos “artístico”. Na Alta Idade Média presenciamos o nascimento de uma incrível e bonita história da arte e engenharia civil.

3 – Clima fantástico

Trivial quanto pareça ser, o clima teve um papel importante nas vidas das pessoas durante a Idade Média e além. Pensamos em “Idade das Trevas” como tempestades de neve, chuvas, trovões e escuridão – tal como vimos em filmes como “O Nome da Rosa”. O fato é que, na Alta Idade Média, a região do Atlântico norte estava aquecendo -  tanto que no início da Baixa Idade Média (1100), a região estava há 100 anos em um evento conhecido como Período de Aquecimento Medieval. Este aquecimento derreteu muito gelo e permitiu aos vikings começar a colonização da Groenlândia e outras nações nórdicas. Ironicamente, da Reforma Protestante (século XVI) até o século XIX, a Europa passou por uma pequena era glacial – o período do Iluminismo era literalmente sombrio e mais frio que a idade das “trevas”. Durante este período, reformas e melhor conhecimento da agricultura forneceram um melhoramento no armazenamento de comida.

2 – A Lei se torna Justa

A Alta Idade Média tinha um sistema complexo de leis que não eram frequentemente relacionadas entre si, mas elas eram eficientes e justas para a maioria. Para os mercadores viajando ao redor do mundo, havia a Lei Mercante (Lex Mercatoria) que evoluiu com o tempo, ao invés de ser criada. Esta lei incluía a arbitragem e promovia as boas práticas entre os negociantes. Simultaneamente, a Lei Anglo-Saxônica foi criada com foco em manter a paz na terra. Enquanto isto eventualmente levou a leis muito duras, viver sob o sistema legal na Alta Idade Média foi provavelmente a melhor época para viver – já que ele era ainda flexível e justo com a maioria. O terceiro sistema legal importante era a Lei Germânica que permitia que cada pessoa fosse julgada pelo seu próprio povo – de modo a não ser uma desvantagem pela ignorância ou diferenças culturais marcantes.

1 – Explosão Agrícola

Se quiséssemos matar um mártir pela fome, a Alta Idade Média não era a época de fazê-lo! Como resultado do clima excelente e grande conhecimento agrícola, o Ocidente estava muito bem na foto. Ferramentas de ferro foram extensamente usadas no império bizantino, o feudalismo em outras partes do mundo introduziu um eficiente gerenciamento da terra e excedentes maciços foram criados de modo que os animais eram alimentados com grãos e não grama. A segurança pública também era garantida sob o sistema feudal e assim a paz e a prosperidade atingiu a maioria das pessoas.  


Nota:

[1] Os francos formavam uma das tribos germânicas que adentraram o espaço do Império Romano a partir da Frísia como federados e estabeleceram um reino duradouro na área que cobre a maior parte da França dos dias de hoje e na região da Francônia na Alemanha, formando a semente histórica de ambos esses países modernos.