terça-feira, 22 de julho de 2014

[HOL] Quando Hitler homenageou soldados judeus

Haaretz, 05/07/2014

 
Em 15 de junho de 1935, dois anos após a ascensão dos nazistas ao poder, Hermann Bendheim foi convidado a comparecer no Consulado alemão em Jerusalém. Os representantes do Terceiro Reich na Palestina o condecoraram com uma medalha de honra por seu serviço no exército alemão na Primeira Guerra Mundial.

Dois anos antes, Bendheim havia sido demitido de seu emprego de engenheiro na Alemanha porque ele era judeu. Como resultado da demissão, ele deixou seu país e imigrou para a Palestina, um judeu perseguido.

Nada disso aborreceu os organizadores do evento em Jerusalém. Bendheim foi agraciado com a “Cruz de Honra para Combatentes do Front” em nome do Führer, Adolf Hitler, e do então falecido presidente do Reich, o Marechal Paul Von Hindenburg, “em comemoração à Guerra de 1914-1918”. Mesmo sua profissão registrada – “engenheiro qualificado” – está marcada no certificado. Os nazistas também registraram seu atual local de moradia: “[Kibbutz] Yagur, próximo de Haifa.”

28 de junho de 2014 marcou o centenário do acontecimento que iniciou a Primeira Guerra Mundial: o assassinato do Arquiduque Franz Ferdinando da Áustria em Sarajevo. Cerca de 100.000 judeus lutaram do lado alemão na guerra; 12.000 deles foram mortos em ação. Muitos foram condecorados por seu valor no front. Alguns mesmo receberam a importante Cruz de Honra[1]. A Alemanha nazista começou a distribuir estas medalhas em 1934, para comemorar o vigésimo aniversário da guerra perdida.

Aparentemente, alguns dos filhos e netos destes yekkes (judeus alemães) no Israel atual, muitos dos quais são membros da Associação de Israelitas de Origem Centro-Européia (AICEO), ainda guardam estas relíquias.

“Muitos dos membros da associação são descendentes dos soldados que lutaram heroica e tenazmente no exército alemão da Primeira Guerra Mundial,” disse Devorah Haberfeld, diretor da AICEO. “O fato da Alemanha nazista ter condecorado os combatentes judeus em nome do Führer e do Reich, logo após os judeus terem sido extirpados de seus direitos civis e encarcerados, deportados e finalmente aniquilados, é quase um absurdo incompreensível.”

Hermann Bendheim nasceu em 1899 na cidade de Bensheim no sudoeste da Alemanha. Um adolescente quando estourou a guerra, ele se apresentou como voluntário no exército alemão. Ele serviu como artilheiro na frente francesa e foi condecorado com a Cruz de Ferro enquanto a guerra piorava. Sua mãe, Hänchen Bendheim, uma mulher muito religiosa, serviu na Cruz Vermelha alemã e também foi condecorada por seu esforço de guerra.

Após a guerra, Bendheim estudou engenharia na Universidade de Darmstadt de Tecnologia e trabalhou na indústria alemã. Em 28 de agosto de 1933, ele foi demitido de seu emprego numa fábrica de porcelana como um “judeu indesejável”, apesar de sua carta de demissão mais parecer uma carta de recomendação: suas qualificações sãocitadas, mas a empresa afirma que por causa das “mudanças políticas e política de pessoal resultante delas” – era melhor Bendheim partir. “Lamentamos muito perder sua capacidade laboral,” diz a carta.

No mesmo ano, ele visitou a Palestina com sua noiva, Erna. Os dois então voltaram à Alemanha e se casaram, antes de imigrar em 1934. Seu filho, Dr. Udi Bendheim, um veterinário que se especializou em doenças aviárias, disse ao Haaretz: “Ele juntou suas coisas, inclusive documentos e itens que eram proibidos de serem removidos da Alemanha. Ele embrulhou tudo em uma toalha, na qual colocou sua Cruz de Ferro.” Quando o agente alfandegário abriu sua mala e viu a Cruz de Ferro, ele fez a saudação nazista para Bendheim e o liberou, sem examinar o resto.

O casal se estabeleceu em Nesher, nos arredores de Haifa, onde Bendheim trabalhou como engenheiro em uma fábrica de cimento. Erna e sua irmã gêmea abriram uma pensão em Nahariya, que hoje é um hotel chamado Erna.

Quando Bendheim foi convidado pelo Consulado alemão em Jerusalém para receber a Cruz de Honra, os diplomatas que o receberam não tinham ideia, é claro, que poucos anos depois, durante a Segunda Guerra Mundial, Bendheim se apresentaria como voluntário da Guarda Patriota – uma força paramilitar que foi criada para deter uma possível invasão alemã da Palestina.

Bendheim morreu em 1962. Seu filho único ainda tem as fotografias de seu pain a Grande Guerra. Uma mostra a robusta peça de artilharia da unidade, o megacanhão conhecido como “Grande Bertha”. O trator que carregava o enorme canhão ao seu local é visto em outra foto. Seu pai não lhe contou sobre a condecoração que ele recebeu dos nazistas após ter imigrado para a Palestina.

“Foi somente após sua morte, quando estava vasculhando seus documentos, que a encontrei,” diz agora Udi Bendheim.

Três anos antes, a cidade de Bensheim realizou uma cerimônia na qual a praça adjacente a uma antiga sinagoga – que foi destruída durante a Kristallnacht em 1938 – foi nomeada de Praça Bendheim, em honra da família.

Ilana Brosh e sua irmã Irit Danziger também possuem a medalha concedida pelos nazistas ao seu avô. O Dr. Adolf Samuel nasceu em Frankfurt em 1893 em uma família judia assimilada. Durante a guerra, ele foi um oficial de cavalaria na frente oriental. De acordo com suas netas, ele foi um “bom patriota alemão”, juntando-se ao exército “entusiasticamente” e era orgulhoso de sua folha de serviços.

Após a guerra ele tornou-se dentista. Após a ascensão dos nazistas ao poder, ele também acabou sendo condecorado por eles, “em nome do Führer e do Chanceler do Reich.” A cerimônia de entrega aconteceu em Frankfurt em 1935. Uma suástica é visível no documento que Samuel recebeu dos nazistas com a citação, recebida do chefe de polícia de Frankfurt.

“Ele acreditava que, por causa de sua lealdade à pátria, nada poderia acontecer-lhe – acima de tudo, ele recebera a Cruz de Honra,” dizem as netas. Mas em março de 1938, percebendo que estava errado, ele imigrou para a Inglaterra, estabelecendo uma clínica em Londres. Ele morreu em 1978.

“Febre Patriótica”

“Os judeus viam a guerra como uma chance de provar a si próprios, para aqueles que os cercavam e para o imperador sua total lealdade: ‘mais alemão que os alemães’”, nota Reuven Merhav, um antigo diretor dos serviços secretos do Shin Bet e Mossad, que descende de uma família yekke. “Os líderes mais proeminentes da comunidade publicaram artigos repletos de fervor patriótico. Milhares de judeus que estavam na adolescência fizeram todos os esforços possíveis para serem convocados. Sermões motivacionais patriotas eram dados nas sinagogas.”

O pai de Merhav, Dr. Walter Markowicz, era um daqueles soldados. Nascido na Alemanha em 1897, ele se apresentou como voluntário no exército aos 17 anos e foi enviado à frente oriental, próximo de Minsk, servindo no corpo de sinais. Após a guerra, ele se uniu ao movimento sionista, tornou-se médico e se estabeleceu em uma pequena cidade próxima a Colônia.

No último momento, ele e sua namorada foram capazes de conseguir certificados permitindo-lhes imigrar para a Palestina.

“O último documento que ele recebeu, antes de deixar a Alemanha no final de 1935, foi a confirmação do Führer, Hitler, que a Cruz de Honra seria concedida a veteranos da guerra. Ele também recebeu uma carta de referência do chefe de polícia, quepermitiu-lhe ir embora,” relata Merhav, acrescentando que seu pai praticou a medicina em Israel até sua morte em 1960, em Haifa.

A medalha que Markowicz recebeu não ajudou seu próprio pai, Julius, que em 1942 foi enviado a Theresienstadt e assassinado lá.

“Meu pai jamais perdoou-se por não tê-lo salvo,” explica Merhav. “Qualquer coisa que ele falasse sobre seu pai a tristeza lhe aparecia no rosto.”

Uma exposição no Museu para judeus alemães em Tefen, na Galiléia, inclui um certificado que acompanhava a Cruz de Honra dos combatentes, que foi concedida a Otto Meyer em 4 de janeiro de 1935, na pequena cidade alemã de Rheda. Dois anos depois, Meyer e sua família imigraram para a Palestina e se estabeleceram em Nahariya, como muitos outros yekkes.

Meyer nasceu em 1886 em Berlim. Ele estudou advocacia e era proprietário de uma empresa. Em 1915 ele deixou sua esposa e filhos e partiu para o front. Ele lutou contra os franceses e chegou ao posto de oficial. Como muitos outros, ele também foi condecorado com a Cruz de Ferro durante a guerra. Ele enviou SUS fotografias de família que ele guardou enquanto lutava, junto com desenhos e cartas.

Meyer chegou à palestina com a idade de 51 anos. O advogado e antigo segundo-tenente da infantaria alemã começou sua nova vida como trabalhdor em um aviário. Em seu tempo de folga, ele contribuiu com o desenvolvimento de Nahariya e sua vida cultural. Ele morreu em 1954. Seu filho, Andreas Meyer, 95 anos, um morador de Kfar Vradim – um local que foi criado pelo industrial yekke Stef Wertheimer – continua a guardar as medalhas de seu pai e outros certificados de honra até hoje.

A premiação de várias distinções dos nazistas a soldados judeus que serviram pela Alemanha era um exemplo das muitas contradições internas do regime. Outros descendentes de yekkes vivendo em Israel hoje têm em sua posse diplomas universitários que foram enviados da Alemanha a seus novos endereços na Palestina, guardados em envelopes com a suástica estampada neles. Isto pode ser visto como um exemplo da burocracia cega alemã, ou um absurdo inexplicável.

No estágio inicial da ascensão dos nazistas ao poder, havia alguns judeus que mantiveramsuas esperanças em tais atitudes. Em 19 de julho de 1934, a revista semanal judia C.V. Zeitung publicou um artigo chamado “Cruz de Honra”, no qual ele falava das condecorações que os nazistas deram aos judeus que lutaram na Primeira Guerra Mundial. “Os judeus alemães... carregarão e manterão viva a memória dos grandes dias da história comum judaico-alemã,” dizia o artigo.    

Nota:

[1]  
 
 
http://www.haaretz.com/jewish-world/jewish-world-features/.premium-1.602868#

 
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http://epaubel.blogspot.com.br/2013/01/pol-questao-judaica-na-visao-dos.html

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domingo, 13 de julho de 2014

O legado de Carlos Magno, 1.200 anos após sua morte

Birgit Görtz / Roselaine Wandscheer

DW, 29.01.2014




Antes de Carlos Magno, a Europa Ocidental era uma região desolada, um ponto em branco no mapa, atrasada tanto nos aspectos civilizatório quanto cultural, em relação ao que havia sido alcançado pelos povos na Antiguidade. E justamente por isso o legado de Carlos Magno, que morreu em 28 de janeiro de 814, portanto há 1200 anos, é tão impressionante.

Ao morrer em seu castelo favorito, o palácio imperial de Aachen, ele havia conseguido formar um império unindo povos antes em guerra, impulsionado a economia, montado uma administração eficaz e lançado uma ofensiva pela educação. Em 814, Carlos Magno reinava sobre um território que se estendia do Mar do Norte à região dos Abruzos (Itália), do Rio Elba até o Ebro, do Lago Balaton (Hungria) até a Bretanha. Tão importante quanto a unidade territorial lhe era a união política interna.

Mais perguntas do que respostas

Quem era esse homem que conseguiu o aparentemente impossível? Pouco se sabe sobre sua vida pessoal. A data da morte é conhecida, mas não quando ele nasceu. Em sua aclamada biografia sobre Carlos Magno, o pesquisador alemão Johannes Fried aponta como data "muito provável" o dia 2 de abril de 748. Onde, não se sabe.

Outro escritor alemão, Stefan Weinfurter, que escreveu um livro por ocasião dos 1.200 anos da morte do rei dos francos, lembra que muitos locais se vangloriam terem sido o berço do grande governante.

É possível que ele tenha nascido na abadia beneditina de Prüm, na região alemã de Eifel; ou em Düren, perto de Aachen; ou ainda em Quierzy, no norte da França. O que se sabe ao certo é que seus pais eram Berta de Laon e Pepino, o Breve, este nascido em Saint-Denis, perto de Paris, e desde 751 rei dos francos.

Mas quem eram os francos? Alemães, franceses? Nem um nem outro, ou ambos ao mesmo tempo. A área de domínio carolíngio (a dinastia de Carlos Magno) ficava entre as cidades de Aachen, na hoje Alemanha, e Metz, hoje território francês. O avô de Carlos Magno havia conseguido congregar as duas principais partes do Reino Franco: a Nêustria, no oeste, que se estendia de Paris a Soissons, de Tours a Nantes; e a Austrásia, no leste, em forma de quadrilátero, ligando Tournai, Colônia, Metz e Fulda.

O reino era uma colorida mistura multiétnica, com tradições e normas próprias: "Havia os romanos, os visigodos, os alamanos, os bávaros, e assim por diante, conta Weinfurter.

Em busca de um elo unificador

Carlos Magno assumiu o trono aos 20 anos de idade. Sua missão foi formar um império a partir de uma colcha de retalhos. "Não foi fácil para ele impor fundamentos que fossem obrigatórios para todos. Essa base foram leis que forneceram normas e valores para garantir a ordem na sociedade", explica Weinfurter. Segundo o historiador, o êxito de Carlos Magno se deve ao conceito de supremacia da unificação.

O objetivo era introduzir padrões vinculativos e normas legais em todo o reino franco. "Essa unificação introduziu medidas padrão e a uniformização da moeda, gerando de certa forma uma área de moeda única." O denário de prata criado por Carlos Magno é, portanto, uma espécie de precursor do euro.

"Para melhorar o sistema de comunicação, ele desenvolveu uma rede de mensageiros. Em poucos dias, um mensageiro podia superar longas distâncias", acrescenta Weinfurter.

Teocracia

Carlos Magno organizou a Igreja e o império, criou um exército eficiente e impulsionou uma campanha de educação em massa. Seu sonho era a educação obrigatória para todos, incluindo meninas. "A ligação entre política, ciência e educação era tão forte na época que cientistas hoje acham que nunca mais houve na Europa uma ofensiva como aquela".

Ele não conseguiu implementar todas as suas ideias, mas ao menos concretizou seu sonho pouco a pouco. "Ele ambicionava uma espécie de reino de Deus na Terra. As pessoas no seu reino eram "o povo de Deus" e somente sua ordem conduzia à 'salvação das almas'".

Isso se baseava em De Civitate Dei (A Cidade de Deus), a obra preferida de Carlos Magno, escrita no século 5º. Nela, Santo Agostinho descreve o mundo, dividido entre o dos homens (o mundo terreno) e o dos céus (o mundo espiritual). "Este livro pode ser considerado um guia da política de Carlos Magno", diz Weinfurter.

Luzes e sombras

"Carlos Magno era uma pessoa de grande estatura, mais alto que seus contemporâneos", escreve o historiador John Fried. E ele não era condescendente com seus adversários. Em apenas dois de seus 46 anos de governo não promoveu uma guerra. Muitas vezes elas até mesmo aconteciam em várias frentes. A guerra contra os saxões é considerada a mais sangrenta de sua vida. Motivada por disputas de fronteiras, começou em 772 e durou 33 anos. Humilhados, os saxões foram convertidos à força ao cristianismo.

Um rei cruel, mas ao mesmo tempo religioso. O Natal do ano 800 ele passou em Roma, com o papa Leão 3º. Existem várias versões sobre o que aconteceu realmente naquele 25 de dezembro, em que o Papa acabou coroando o rei franco como imperador do Sacro Império Romano, investindo-o da suprema autoridade temporal sobre os povos cristãos do Ocidente.

A realidade é que "ele já era tratado como um imperador pelos que lhe estavam próximos", explica Stefan Weinfurter.

Também os conflitos que se sucederam com o imperador bizantino, que se via como o único sucessor legítimo do Império Romano, foram solucionados através de meios diplomáticos e militares por Carlos Magno.

Carlos Magno foi um governante "bom" ou "ruim"? Qual o saldo de seu governo? "Em cada época esta questão tem uma resposta diferente", diz Weinfurter. Logo depois de sua morte, ele foi um imperador altamente reverenciado por alguns. "Para outros, ele era um vilão com escapadas sexuais que o levaram ao limbo do inferno."

Também Napoleão e o regime nazista usaram seu nome. Mas de formas distintas: "Como um pai de uma Europa germânica e, por outro lado, como o assassino dos saxões. São essas as imagens – boa e má – que acompanham Carlos Magno, diz o historiador.


 

[ARM] H-36 - O Novo Guerreiro da Selva

Defesanet, 12 de Junho, 2014




O H-36, designação da FAB para o modelo EC725 da empresa Eurocopter[1], foi concebido para desempenhar múltiplas missões, tais como transporte tático de longa distância, evacuação aeromédica, apoio logístico, busca e salvamento (SAR - do inglês Search And Rescue), busca e salvamento em ambiente hostil (C-SAR, de Combat-SAR), dentre outras. Já desenhado para atuar em missões de resgate, o helicóptero possui dois faróis de busca, dispostos um em cada lado da fuselagem; um guincho elétrico e hidráulico, com capacidade para erguer 272 kg, e um gancho de “barriga” apto a transportar 3,8 toneladas de carga externa.

Além do guincho, o operador de equipamentos da aeronave, que senta em uma posição lateral, também tem à sua disposição um joystick destinado a posicionar o helicóptero quando em voo pairado. Olhando diretamente para o local do resgate, o operador faz pequenos ajustes para posicionar o H-36 de forma ideal. “Este é um recurso muito interessante uma vez que o piloto, geralmente, fica numa posição ‘às cegas’, sendo literalmente guiado através do interfone pelo tripulante.

Com joystick, o operador pode rapidamente posicionar o helicóptero sobre a área de resgate, especialmente se este for sobre a água e à noite”, explica o Capitão Fábio Luis Ridão Valentim.

O helicóptero é equipado com duas turbinas Turbomeca Makila 2A1, capazes de produzir 2.145 shp de potência cada uma. Só para se ter uma ideia da força desses motores, em caso de pane, com apenas um deles a aeronave é capaz de sair do chão.

Com força total, até 3,5 toneladas de carga externa podem ser penduradas no guincho. Dentro da cabine é possível levar 29 passageiros ou instalar até 11 macas e assentos para uma equipe médica de quatro pessoas. O peso máximo de decolagem é de 11,2 toneladas. A cabine também tem as luzes de sinalização para o lançamento de paraquedistas.

Todos os H-36 da FAB já têm a iluminação da cabine compatível com o uso de NVG (Night Vision Goggles – óculos de visão noturna).

O piso é blindado e pode resistir a disparos de armas de calibre até 7,62mm. Por outro lado, o helicóptero pode levar metralhadoras calibre 7,62mm nas suas janelas dianteiras, em ambos os lados, cada uma capaz de disparar mil tiros em um minuto. Mas além dessa versão básica, dos 16 H-36 da FAB, oito serão da chamada versão “operacional”, com modificações que vão tornar o helicóptero uma plataforma ainda mais preparada para as missões em ambientes hostis.

Para sua auto-proteção, os H-36 operacionais terão sistemas como o RWR (alerta de emissões de radares), MWS (alerta contra mísseis), supressor de emissões em infra-vermelho, MAGE (Medidas de Apoio a Guerra Eletrônica) e os dispensadores de chaff e flare. Estes últimos são iscas utilizadas para despistar mísseis lançados contra às aeronaves, sejam eles guiados por calor ou por radar

Fabricação no Brasil e transferência de tecnologia

Além de 50 helicópteros, sendo 16 para cada uma das três Forças Armadas e duas para uso da Presidência da República, o contrato para a aquisição dos helicópteros EC725 tem como foco a transferência de tecnologia e a produção no Brasil das aeronaves pela empresa brasileira HELIBRAS, localizada em Itajubá (MG).

A expectativa é de que todos os 50 helicópteros sejam entregues até 2017.

Além da produção dos helicópteros nacionalmente, o Brasil também passou a ter acesso a tecnologias nas áreas de produção de estruturas aeronáuticas em materiais compostos, usinagem de ligas de alumínio de alto desempenho, engenharia de aeronaves de asas rotativas (helicóptero), projeto, certificação, integração, desenvolvimento de software para sistemas de missão, sensores e integração de mísseis.


Nota:

Os EC725 receberam designações diferentes em cada Força:
·         FAB - H-36
·         Marinha do Brasil - UH-15
·         Exército Brasileiro - HM-4

Cartas inéditas de soldado que lutou em 1932 narram rotina de batalhas

Folha, 06/07/2014

 
Amareladas e enlameadas, as cartas enviadas pelo soldado José Fabio da Rocha Frota à mãe, Maria da Glória, descrevem a rotina nos campos do maior conflito armado do Brasil: a Revolução Constitucionalista, iniciada em 9 de julho de 1932. Ele foi um dos 130 mil combatentes que lutaram pelo Estado de São Paulo contra o presidente Getúlio Vargas.

Frota se alistou voluntariamente no 8º Batalhão de Caçadores da Reserva, aos 20 anos, e participou dos 87 dias de peleja, que duraram até 2 de outubro.

"Ele foi a pé de São Paulo a Santos", conta Antonio Augusto da Rocha Frota, 57, filho do soldado. Foi Antonio quem abriu o baú de fotos e cartas à sãopaulo. O material estava guardado há mais de 80 anos.

O primeiro destino do praça foi Santos. De prontidão, Frota e os outros soldados achavam que a marinha de Getúlio estava chegando durante a madrugada, mas era só o brilho da estrela Dalva refletido no oceano. O alarme falso foi um presságio. Na sequência, forças federais impuseram um bloqueio ao porto de Santos, ação que asfixiou São Paulo economicamente e impediu o abastecimento de novas armas para os rebeldes constitucionalistas.

ESTADO ADENTRO

Ao longo dos três meses que serviu ao Estado, o soldado ziguezagueou por nove cidades no litoral e no interior. Na correria, nem sempre conseguia contar as novas à mãe, para quem escreveu cerca de 50 cartas: "Estou bem", resumia a mais lacônica delas.

Em outras, reclamava do frio do inverno daquele ano, que foi ultrarrigoroso, e da garoa paulista ao cair da noite. Também não lhe agradavam as viagens no "trem da morte" em direção às fronteiras de São Paulo.

Uma das correspondências conta que ele foi atingido por estilhaços de um morteiro. Nada grave. Acabou sendo derrubado mesmo por uma gripe. Do hospital onde se internou para tratar da virulência, escreveu: "Vou pedir ao médico dispensa de três dias para ir à missa. A saúde de todos é o meu desejo". Ao final das cartas, pedia a bênção da mãe, como era de praxe.

O que mais o motivava era o reencontro com ela, que ficou esperando pelo filho no sobrado da rua José Maria Lisboa, nos Jardins, cuidando dos 11 irmãos do aspirante.

Nos textos para a mãe, o praça nunca mencionou quantos soldados abateu. Aos filhos, disse que viu colegas tombarem em Queluz, cidade da região de Guaratinguetá, quando as tropas já não tinham mais munição.

Frota não escreveu cartas longas porque os militares não permitiam tais liberalidades.
"Elas já chegavam com o carimbo da censura, eram abertas pelo movimento MMDC pois não podiam revelar a posição exata dele", conta o filho Antonio. Mas havia também o ritmo das trincheiras, que não lhe dava o tempo hábil.

Ao voltar, Frota foi trabalhar no Banespa por influência de seu padrinho, Altino Arantes —então presidente do Estado de São Paulo. Casou-se com Alice e teve dois filhos, Antonio e Maria de Fátima. Morreu em 1971, ao 59 anos, de leucemia.

A DATA

O conflito começou em 9 de julho de 1932, data que marca o início da Revolução Constitucionalista. São Paulo, sem aliados, entrou em guerra contra o resto do país. O objetivo da insurgência era derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas e promulgar uma nova Constituição.

O número de mortos durante os três meses de levante é controverso. Segundo o livro "1932: Imagens de uma Revolução" (ed. Imprensa Oficial), de Marco Antônio Villa, houve 634 baixas do lado paulista e 1.050 do federal.


Revolução Constitucionalista de 1932

A Revolução Constitucionalista de 1932 aconteceu em São Paulo e foi uma insurreição contrária ao novo quadro político que se instaurou no país após a Revolução de 1930.

As elites paulistas, as classes mais favorecidas pelo sistema que vigorou na Primeira República, almejavam, com essa agitação, reaver o domínio político que haviam perdido com a Revolução de 1930. Além deste fato, a demora do governo provisório de Getúlio Vargas em convocar a Assembleia Constituinte suscitava muita insatisfação, especialmente no Estado de São Paulo. No começo do ano de 1932, o Partido Republicano Paulista (PRP) e o Partido Democrático (PD) lançam uma campanha a favor da Carta Constitucional do país e do término da interferência federal nos estados.

A repercussão popular é grande, o sentimento de patriotismo brota nos corações paulistas, tornando mais forte o ideal de liberdade e a disposição de se lutar por ele. No dia 23 de maio de 1932, durante a realização de um ato político no centro da cidade de São Paulo, a polícia coíbe os manifestantes, ocasionando a morte de quatro estudantes. Em homenagem a esses quatro jovens, o movimento passa a chamar-se MMDC – iniciais de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, os mortos – e amplia a base de apoio entre a classe média. Em 9 de julho começa a rebelião armada, está deflagrada a Revolução Constitucionalista. Um grande número de civis ingressa espontaneamente no corpo de infantaria e é transferido para as três grandes frentes de batalha, no limite entre Minas Gerais, Paraná e Vale do Paraíba.
 


 
O Estado se mobiliza, milhares de pessoas de todas as classes sociais doam pratarias, jóias e alianças para ajudar financeiramente a revolução e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp – incumbiu as empresas brasileiras de fabricar armamento militar.
Organizações civis forneciam fardas, auxílio, alimento e ajudavam na inscrição de voluntários. Todo o Estado, unido, trabalhava com garra para a vitória da causa paulista.
 

 


 
 
Os comandantes militares, Isidoro Dias Lopes, Bertoldo Klinger e Euclydes Figueiredo, no entanto, sabiam que as forças federais eram superiores. Eles contam com a união e a ajuda garantida por outros estados, como Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Mas o apoio não chega, e São Paulo é cercado pelas tropas legalistas. Após ajustes, envolvendo indulto aos rebeldes e facilidades para o exílio dos líderes civis e militares do movimento, os paulistas anunciam sua rendição em 3 de outubro de 1932.

Para os paulistas, a Revolução de 1932 transformou-se em símbolo máximo do estado, a exemplo da Guerra dos Farrapos para os gaúchos. Lembrada por feriado no dia 9 de julho (desde 1997), a revolução é mais fortemente comemorada na cidade de São Paulo do que no interior do estado, onde a destruição e as mortes provocadas pela rebelião são ainda recordadas. A revolução de 1932 é também muito relembrada nas regiões de divisa, onde se travaram os combates, especialmente no Vale do Paraíba paulista.

No restante do país, o movimento, assim como a já citada Guerra dos Farrapos, é mais lembrado pela versão dos vitoriosos, a de uma rebelião conservadora, visando a reconduzir as oligarquias paulistas ao poder, colocando esta tentativa de volta ao poder como algo inaceitável, e de uma rebelião de velado caráter separatista, que são as versões predominante nos livros didáticos de história do Brasil.


terça-feira, 8 de julho de 2014

[SGM] O Mapa Secreto de Hitler que colocou os EUA na guerra

William Boyd

Daily Mail, 28/06/2014

 
“Tenho em minha posse um mapa secreto, feito na Alemanha pelo governo de Hitler – pelos planejadores da Nova Ordem Mundial. Este mapa deixa claro o projeto nazista, não somente contra a América do Sul, mas também contra os Estados Unidos.”

Era 27 de outubro de 1941. O orador era Franklin D. Roosevelt, o 39º. Presidente dos Estados Unidos, um país que ainda iria se envolver na guerra e cujos cidadãos, para o desespero da Grã-Bretanha e seus aliados e amigos, não mostravam nenhum sinal de querer lutar contra os alemães.

Muitos dos cidadãos mais ricos e influentes da América eram ativamente pró-nazistas.

O mapa era um atlas hipotético da América do Sul dividida em quatro estados enormes – ou “Gaus” – a serem administrados pela Alemanha: Brasilien, Argentinien, Neuspanien e Chile.

As margens continham notas manuscritas em alemão fazendo perguntas sobre suprimentos de combustível para rotas aéreas da Lufthansa entre a África e a América do Sul e, mais importante, conexões aéreas que se estendiam para o norte, em direção do Panamá e México – direto na porta de entrada dos Estados Unidos.

 
Para Roosevelt, determinado a por fim ao isolamento dos EUA, isto era mais do que um golpe. Era uma evidência incalculável da agressão nazista cruzando o Atlântico, envolvendo seus vizinhos mais próximos.

Com as ambições imperiais da Alemanha expostas, a maré de opinião começou a mudar significativamente em favor da Grã-Bretanha, facilitando o caminho que provaria ser a intervenção decisiva da América.

Mesmo assim, as origens do incrível documento de Roosevelt permanecem totalmente misteriosas – tão obscuras quanto corajosas, mas principalmente a equipe esquecida de agentes britânicos que de alguma forma o obtiveram.

Os homens e mulheres da Coordenação de Segurança Britânica (BSC) foram enviados do outro lado do Atlântico pelo próprio Winston Churchill, determinados a não parar por nada em seus esforços para desacreditar a causa nazista.

Falsificação era sua especialidade.

Quando precisamos escrever um romance policial, algumas vezes a “sorte” é tão valiosa quanto a inspiração. Em 2005, estava decidido a escrever um romance de espionagem na Segunda Guerra Mundial, mas queria criar algo diferente e pouco familiar – nada de paraquedistas caindo sobre a França ocupada, nenhuma quebra de código em Bentchley Park.

Na época, estava intrigado pela relação entre Churchill e Roosevelt e tinha a impressão de que não era tão amigável como geralmente é mostrada e entendida pelo público. Então, enquanto lia sobre o assunto, tive um lance de sorte. Me deparei com uma observação descartável sobre “os truques sujos de Churchill nos EUA.”

Era tudo sobre isso, pensei? Logo percebi que obtive uma estória de ouro – pelo menos em relação ao meu romance. O que eu havia me deparado era um livro com o singelo título de Coordenação de Segurança Britânico.

Era uma reimpressão de um documento anônimo detalhando as atividades do tal grupo de 1940 a 1945, com cerca de 500 páginas, repleto de detalhes precisos. O BSC foi criado por Churchill em 1940, logo após ele tornar-se Primeiro Ministro. Era uma organização de coordenação que utilizava os conhecimentos do MI5, MI6[1] e a Secretaria de Operações Especiais[2] e estava encarregado especificamente de fazer qualquer coisa  seu alcance para mudar a opinião pública americana de seu isolacionismo extraordinário, seu desejo de não-intervenção e, de algum modo, trazer os EUA para a guerra na Europa.

Ao assumir o governo, Churchill declarou que este era seu objetivo principal – sem os EUA ao nosso lado, a guerra contra Hitler não poderia ser vencida.

Esquecemos hoje em dia – nesta era da assim chamada “relação especial” – como era anglofóbica a população americana em 1940. Grupos poderosos violentamente se opunham a qualquer participação na guerra na Europa. Imigrantes alemães e italianos e facções de republicanos irlandeses, todos tinham seus motivos para não querer os EUA como aliado da Grã-Bretanha.

O virulento movimento isolacionista América Primeiro, liderado pelo celebrado aviador Charles Lindberg, tinha perto de um milhão de membros e centenas de “seções” através do país. Pesquisas indicavam que cerca de 80% da população americana era contra o país ir à guerra na Europa. Neste clima ruim de opinião negativa, o desafio do BSC era enorme. A arma-chave empregada foi o que era chamado de guerra política – a difusão de propaganda negativa contra a ameaça dos países do Eixo e a promoção urgente do intervencionismo, caso britânico.

O BSC era controlado e supervisionado por um milionário canadense chamado William Stephenson. Ele realocou seus escritórios para o Rockfeller Center em Manhattan onde, no auge de seu poder e influência, o BSC ocupava três andares. Ele usava o disfarce do Departamento de Controle de Passaportes (uma seção da Embaixada britânica), mas de fato logo tornou-se o núcleo de um esforço maciço de manipulação da mídia e operações de cobertura que iam do Chile às Bermudas e até Vancouver.

O BSC operava secretamente sua própria estação de rádio poderosa, o WRUL. Parecia uma estação comum americana, mas ela difundia uma torrente constante de propaganda pró-britânica e anti-isolacionista. Uma agência de notícias foi criada, a Agência de Notícias Ultramarina (ONA), que fornecia notícias aos jornais americanos.

Os “intermediários”[3], como os simpatizantes americanos e subagentes eram conhecidos, eram usados para esconder as fontes desta informação. Ninguém jamais soube o número de pessoas trabalhando para o BSC durante a guerra, mas pode ter atingido as centenas, senão milhares.

Todo tipo de intriga era criado pelo BSC para alimentar o sentimento antinazista. Walter Winchell, cuja coluna era lida por 25 milhões de americanos, recebeu uma carta forjada, com evidência documental – supostamente informada por um navegador americano – sobre os esforços de propaganda nos EUA. Ela realmente foi publicada em sua coluna.

Um astrólogo húngaro falso, Louis de Wohl, foi enviado da Grã-Bretanha para os EUA em uma viagem de palestras, dizendo às plateias que as estrelas prediziam que Hitler estava para morrer. Ele afirmava que o horóscopo de Hitler mostrava que Netuno estava na casa da morte e que naquele verão de 1941, Urano e Netuno coincidiriam para trazer sua partida.

O BSC também teve uma afirmação semelhante no Egito por outro astrólogo, Sheikh Youssef Afiti, que independentemente corroborou as previsões de de Wohl, dizendo que “um planeta vermelho surgirá no horizonte oriental e indicará que o maligno perigoso, que conduziu o mundo ao sangue, morrerá.”

Simultaneamente, correspondentes na Nigéria relatavam que um sacerdote conhecido, chamado Ulokoigbe, teve uma visão na qual a figura de Hitler – o “Cabelo Longo” – “escorregava de uma montanha e caía gritando feito um louco.”

Estas estórias foram totalmente publicadas pela imprensa americana, fazendo a profecia de de Wohl parecer estranha. O grande objetivo do BSC era que esse tipo de informação chegasse aos ouvidos de Hitler, que era conhecido por ser um simpatizante da astrologia.

O BSC desenvolveu um jogo travesso chamado “Vik” – um “passatempo novo fascinante para os amantes da democracia.” Equipes de jogadores do Vik nos EUA somavam pontos dependendo do nível de embaraço e irritação que eles causassem aos simpatizantes nazistas. Os jogadores eram conclamados a provocar uma série de perseguições – chamadas telefônicas noturnas erradas; ratos mortos jogados nas caixas d´agua residenciais; entrega de encomendas pesadas com cobrança na entrega; esvaziamento de pneus de carros; contratação de músicos de rua para tocar “Deus salve o Rei” na porta das casas dos simpatizantes nazistas, e assim por diante.

Um departamento especial foi criado como “fábrica de boatos”. Por exemplo, um boato foi divulgado que os britânicos haviam desenvolvido uma carga de profundidade devastadora com um explosivo novo e incrível. Isto deveria desmoralizar as tripulações dos submarinos alemães. O ONA colocou a estória com um cabeçalho de Ankara, Turquia, que foi transmitida para o correspondente em Washington da Tass, da União Soviética. Isto foi transmitido de Moscou – em 1940 a Rússia ainda não estava em guerra contra a Alemanha – citando uma fonte neutra.

Esta notícia foi comprada pela imprensa americana, onde reapareceu como uma estória autêntica nos jornais – de modo que interesse relativo à guerra, fabricado no Rockfeller Center, atravessava o mundo para reemergir na mídia americana como notícia autêntica.

Entretanto, quando era para minar o América Primeiro – que era altamente suspeito de encobrir atividades alemãs – o BSC tinha que ser mais astuto.

Nas reuniões do América Primeiro, o nome de Churchill seria saudado com vaias enquanto que o de Hitler receberia um silêncio respeitoso. Em uma reunião no Madison Square Garden, em Nova York, o BSC forjou milhares de bilhetes de entrada, provocando grande confusão quando as pessoas encontravam seus lugares já ocupados.

Em outra reunião, em Milwaukee, um congressista violentamente antibritânico, Hamilton Fish, recebeu um bilhete no qual estava escrito em letras garrafais, “O Fuhrer agradece sua lealdade.” Ele foi colocado por um fotógrafo infiltrado e teve excelente repercussão. Pelo menos algo estava sendo feito para divulgar a causa britânica junto ao público americano e os esforços do BSC eram impressionantes – mas eles seriam capazes de mudar a percepção do público americano em relação à guerra?

O BSC precisava de uma ameaça mais tangível e uma de suas mais elaboradas operações foi colocada em ação no final de 1941, originária na neutra, porém significativamente pró-Eixo, Buenos Aires, Argentina.

Em outubro de 1941, um mensageiro alemão da embaixada se envolveu em um acidente de trânsito em Buenos Aires. Ele era seguido por agentes da BSC e na confusão, sua pasta foi roubada e saqueada.

Dentro dela, supostamente, havia um mapa alemão dividindo a América do Sul em feudos alemães. Isto foi enviado a Nova York e encaminhado ao FBI e, em seguida, ao próprio Roosevelt – com resultados positivos. Foi o grande golpe do BSC? Possivelmente, mas haviam alegadamente somente duas cópias deste mapa – um mantido por Hitler e outro pelo embaixador alemão na Argentina.

Uma vez feito o discurso de Roosevelt, os alemães investigados e foi descoberto que ambos os mapas ainda estavam com seus donos – de modo que o terceiro mapa, aquele que Roosevelt citou, deveria ser uma cópia.

Mas quem o copiou e por que um documento secreto e extraordinário estava sendo carregado em uma pasta comum por um mero mensageiro da embaixada? O mapa da América do Sul era, estou convencido, uma farsa elaborada, realizada pelo departamento especialista em falsificações do BSC (conhecido como Estação M e localizado no Canadá). Ele fisgou o chefe da FBI J. Edgard Hoover e Roosevelt e, tendo visto uma reprodução dele, posso dizer de sua autenticidade – as margens rabiscadas por algum funcionário alemão anônimo, perguntando questões pertinentes sobre suprimentos de combustível e participação mexicana, sendo o golpe de mestre.

Nos registros das operações secretas esta foi talvez a mais significativa e bem sucedida. O sucesso notável do BSC não tem um lugar em nossa história de espionagem comparado com, por exemplo, Bentchley Park e as decodificações do Enigma.

Pode ter sido o mapa sul americano o catalisador para os EUA finalmente abandonarem seu isolacionismo? Jamais saberemos porque em 7 de dezembro de 1941, apenas 41 dias após a denúncia de Roosevelt contra as ambições nazistas regionais, a frota americana em Pearl Harbor, Havaí, foi atacada pelos japoneses. Os EUA imediatamente declararam guerra ao Japão e um dia depois, Itália e Alemanha, os aliados do Japão, declararam guerra à América. O principal objetivo do BSC, a ordem crucial de Churchill, foi eficazmente alcançada – graças aos japoneses.

O BSC permaneceu nas Américas até 1945, quando então foi dissovido e sua história foi escrita, sendo um dos seus três autores Ronald Dahl, que foi diretor do BSC em 1942.

E então todo mundo “esqueceu” dele. Os detalhes das operações secretas britânicas de guerra nos EUA foram varridas para debaixo do tapete tanto quanto foi possível – não é de surpreender, quando consideramos a maciça extensão da penetração do BSC na mídia americana e sua manipulação brilhante da imprensa do país.

Um comentarista americano que lei a história do BSC lembrou: “Como muitas operações de inteligência, esta envolveu ambiguidade moral requintada. Os britânicos usaram métodos implacáveis para atingir seus objetivos; para nossos padrões atuais, algumas de suas atividades podem parecer ultrajantes.”

No auge de seu poder, o BSC foi capaz de plantar propaganda pró-britânica e propaganda negativa antinazista em todos os setores da mídia americana, dos jornais de maior circulação até os colunistas e radialistas mais influentes. Ele foi mesmo capaz de alcançar a mesa do próprio presidente.

Qualquer que seja a explicação do mapa, a história secreta do BSC e do feito extraordinário de suas operações secretas nos Estados Unidos provaram ser – 60 anos depois – munição vital e oportuna para meu objetivo literário. Um escritor britânico é extremamente agradecido.                       

Notas:

[1] O MI5, oficialmente designado Security Service (Serviço de Segurança), é o serviço britânico de informações (ou inteligência) de segurança interna e contra-espionagem. MI5 é a abreviatura de Military Intelligence, section 5, que é a designação tradicional, ainda vulgarmente usada, do Serviço de Segurança.

Os outros três serviços de informações (ou inteligência) britânicos são o MI6 (espionagem), o GCHQ - Government Communications Headquarters (com funções de interceptação de sinais de telecomunicações e de garantia da segurança da informação) e o DIS - Defence Intelligence Staff (informações de defesa), actuando os quatro sob a coordenação do JIC - Joint Intelligence Committee.

[2] Serviço secreto militar britânico durante a Segunda Guerra Mundial, criado em 1940 para conduzir operações e coordenar os movimentos de resistência na Europa e mais tarde o Extremo Oriente.

[3] No original em inglês, “cut-out”.


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