sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
[SGM] Uma espiã chamada Coco Chanel
El
País, 06/12/2014
Há gênios que
escondem um lado escuro. Coco Chanel é um deles. A mulher que fundou o império que leva seu nome, que
transformou a maneira de vestir de milhões de mulheres e que comercializou o
perfume mais prestigioso e conhecido (o Nº5), trabalhou clandestinamente para
os serviços secretos alemães durante a ocupação francesa (1940-1944). Um livro
biográfico entre a meia centena que foi publicada sobre o perfil deste emblema
da França transformou em certeza há dois anos o que era uma suspeita até então:
Coco Chanel foi recrutada pela espionagem alemã. Nesta semana, pela primeira
vez, um veículo de comunicação francês –o canal de televisão estatal France 3–
averiguou as profundezas de um aspecto da história que a França prefere com
frequência ignorar: o colaboracionismo de um de seus grandes mitos
contemporâneos.
Quando os
alemães ocuparam Paris, em maio de 1940, Coco Chanel tinha 57 anos. Na época,
já era uma referência mundial no universo da moda e uma empresária de prestígio
com 4.000 empregados em vários ateliês. Ela, como outras celebridades da época,
fugiu, assustada, para o sul do país para retornar a Paris pouco tempo depois.
Os alemães desejavam manter a fama da cidade como capital das artes e do
entretenimento e obtiveram o retorno de Chanel, do ator Jean Gabin e da
bailarina e cantora Joséphine Baker, convertida secretamente também em espiã,
mas neste caso a serviço dos aliados.
Durante duas
horas, o programa mensal da France 3 A sombra de uma dúvida destrinchou na última segunda-feira,
em um capítulo intitulado Os artistas sob a ocupação, o destino de um bom punhado de
celebridades durante a ocupação alemã. O de Chanel resulta especialmente
doloroso. A grande estilista não só voltou para Paris como também retornou à
vida luxuosa no hotel Ritz e se apaixonou por Hans Günther von Dincklage, um
diplomata alemão fluente em francês e que resultou ser um recrutador nazista de
espiões. Por meio dele Chanel obteve a libertação de seu sobrinho Gabriel, que
sempre se suspeitou ser filho da própria estilista.
Os dados e
documentos revelados no programa da emissora France 3 são incontestáveis. No
início da ocupação, aproveitando as novas normas antissemitas, Coco Chanel
tentou arrebatar a seu sócio, o judeu Pierre Wertheimer, a empresa Bourjois,
que comercializava o Chanel Nº 5. Não conseguiu. Wertheimer, sabedor dos
perigos que o espreitavam, tinha colocado previamente suas ações em nome de um
certo Félix Amiot, que as devolveu no fim da guerra. Para apresentar uma
aparência de empresa renovada, Chanel, uma mulher altiva e de escassa empatia, despediu
grande parte de seu pessoal; uma vingança, na verdade, pela greve que os
empregados tinham realizado meses antes.
O estilo de
vida de Chanel durante os anos de ocupação sempre levantou suspeitas na
sociedade francesa. Hal Vaughan, um velho jornalista norte-americano, veterano
da guerra, publicou em 2012 os dados que confirmavam tão incômoda suspeita.
Gabrielle Bonheur Chanel, mais conhecida como Coco Chanel, figurava nos
serviços alemães como a agente F-7124. A France 3 recuperou agora documentos inéditos
do ministério de Defesa francês, da Prefeitura de polícia e do Arquivo Nacional
da França que corroboram essa versão. De fato, a viagem que Coco Chanel
realizou à Espanha em 1943 foi uma tentativa de utilizar suas ligações
indiretas com o então primeiro-ministro britânico Winston Churchill para tentar
que Londres concordasse em assinar a paz unilateralmente com Berlim. Uma missão
fracassada.
O fim da
ocupação de Paris, em agosto de 1944, deu lugar, nos primeiros dias, à cruel
perseguição de todo colaboracionista. Enquanto as turbas castigavam as mulheres
raspando-lhes o cabelo, Coco Chanel foi detida e levada a um comitê de
depuração que a interrogou durante algumas horas antes de liberá-la. Nunca mais
foi incomodada. Ninguém investigou. Nenhum tribunal sequer interrogou a
proprietária de um império da moda, a joalheira e a perfumista que mantinha
esplêndidas relações com a aristocracia e a arte de todo o continente. Apesar
disso, ela optou por um exílio dourado na Suíça que durou dez anos. Lá foi feita
a última foto que se tem dela, datada de 1949, ao lado de seu charmoso amante
alemão.
Coco Chanel
voltou a Paris e retomou as luxuosas estadias no Ritz. Ali morreu a milionária,
em 1971, depois de ficar doente repentinamente, deitada em sua cama, perfeitamente
vestida, penteada e maquiada, aos 88 anos de idade. Depois disso, poucos
quiseram mexer no lado mais tenebroso de sua biografia. “Você viu a repercussão
do programa?”, pergunta retoricamente ao EL PAÍS o produtor executivo da
Martange Production, Frédéric Lusa, responsável pelo programa, para responder:
“Essa história só interessou veículos de comunicação estrangeiros”.
A
sobrinha-neta de Gabrielle Bonheur Chanel, Gabrielle Palasse, filha de Gabriel
-aquele que foi salvo por Hans Günther von Dincklage-, confessou uma vez
publicamente que nunca se atreveu a perguntar a Coco Chanel se na verdade era
neta dela. Pierre Wertheimer terminou convencendo o gênio da moda para ficar
com a empresa, embora mantivesse a grande Coco como sócia criativa e cobrisse todos
os seus gastos até o fim. Os netos de Pierre, Gerard e Alain Wertheimer, são
hoje os donos do império Chanel, que tem quase 200 lojas em todo o mundo.
Empresa familiar não cotada em bolsa, a Chanel é a responsável pela fortuna dos
Wertheimer, avaliada recentemente pela Bloomberg em 5,6 bilhões de euros (cerca
de 17,8 bilhões de reais).
Em 1983, os
novos gestores contrataram o estilista
Karl Lagerfeld, extravagante e genial personagem. Esta é a opinião dele sobre
Coco Chanel e seu lado escuro: “A verdade não nos diz respeito. Uma lenda é uma
lenda. Prefiro minha fantasia aos detalhes históricos [...]. O que importa não
é a realidade, a não ser a ideia que temos das coisas e das pessoas. Para mim,
Chanel é uma ideia e isso é o que eu desenvolvo”.
Uma Vida de Luxo
Coco Chanel nasceu em 1883, em Saumur
(um vilarejo do centro da França), no seio de uma família humilde.
O grande amor
de sua vida, o aristocrata britânico Boy Capel, emprestou-lhe o dinheiro para
montar seu primeiro ateliê. Alguns anos depois, a estilista tinha criado um
império da moda e explorava, com o sócio Pierre Wertheimer, o Chanel Nª 5, o
perfume criado por ela em 1921.
Viveu quase
toda a vida em grandes hotéis. Duas 'suítes' do Ritz foram sua casa em Paris
até sua morte, em 1971.
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domingo, 7 de dezembro de 2014
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domingo, 30 de novembro de 2014
[SGM] Tudo o que sabemos sobre as intenções de Hitler foi um mito criado por Churchill
Kevin
Myers, 19/06/2012
É
bom que o governo vá perdoar os milhares de desertores do Exército que foram
convocados para as forças britânicas durante a Segunda Guerra Mundial. É claro,
nenhum exército pode permitir a deserção; entretanto, estes homens não foram
levados à corte marcial, mas foram submetidos a uma exclusão do emprego público
que privou-lhes de seu direito constitucional devido ao processo. Além disso, a
vasta maioria deles desertou de junho de 1941 em diante, quando a possibilidade
teórica de uma invasão alemã já havia desvanecido, e após o governo De Valera
ter violado, ao decidir reter os voluntários indefinidamente, os termos originais
do alistamento (entre um e dois anos) pelo qual a maioria havia assinado em
1940.[1] Os homens que desertaram o fizeram depois de perceber que haviam sido
enganados e terem se tornado servos, apenas cortando relva no Pântano de Allen.
Esta
foi a segunda grande mentira de nossas vidas na juventude. A primeira foi que a
Irlanda enfrentou uma ameaça séria de invasão pela Alemanha, que foi a semente
de uma falsidade ainda maior – que em 1940 Hitler queria invadir a
Grã-Bretanha. Mas ele não queria. Ele, de fato, admirava o Império Britânico,
por causa de sua inerente presunção de superioridade racial. Sabemos dos
diários de Lorde Halifax, o ministro do exterior britânico, que Hitler ofereceu
termos que não envolviam o controle alemão da Grã-Bretanha. Churchill recusou
permitir que estes termos fossem lidos ao Gabinete, e eles ainda permanecem
prudentemente escondidos sob o manto do sigilo absoluto.
Ao
invés disso, a determinação de Churchill em manter a Grã-Bretanha em guerra
revelou-se meramente em uma derrota continental de seu exército no mito
duradouro de que em 1940, a Grã-Bretanha enfrentava uma luta pela
sobrevivência.[2]
Mas
o líder naval, Almirante Raeder, repetidamente proibiu que sua equipe
planejasse uma invasão da Grã-Bretanha. E longe de querer continuar a guerra,
em junho de 1940, Hitler ordenou que 20 divisões de seu exército fossem
desmobilizadas no sentido de recuperar a economia alemã. A “frota de invasão”
que os nazistas começaram a montar naquele verão era tão capaz de invadir a
Grã-Bretanha quanto o Havaí. Era uma guerra por ilusão: sua proposta era fazer
com que a Grã-Bretanha se sentasse à mesa de negociação.
Esta
“frota” consistia de 1900 barcaças de canal, somente um terço das quais eram
motorizadas, para serem alinhadas ao longo do canal, em grupos de três, por
cerca de 380 rebocadores. Estas barcaças tinham pequenas quilhas, proas contundentes
e pequenos lemes com apenas dois metros de altura
livre: a distância entre a água e
a parte superior do casco. Elas teriam
sido mesmo afundadas durante uma travessia direta do Canal da Mancha, um
trajeto violento e raso ligando o violento Mar do Norte ao Atlântico. Mas uma
invasão não teria sido direta. As barcaças, com suas tripulações mal treinadas,
teriam sido capazes somente de fazer três nós, a partir dos três “centros” de
invasão: Rotterdam, Le Havre e Boulogne. Estes portos estão, respectivamente, de
quaisquer praias de desembarque, na melhor das hipóteses, 320 km e 60 horas, 160
km e 30 horas e 80 km e 15 horas, com soldados enjoados empilhados em barcaças
apertadas sem banheiro ou água. Qual exército estaria preparado para lutar após
uma viagem como esta? E, além disso, havia os 55.000 cavalos que a Wehrmacht
precisaria, já que seu transporte ainda não era mecanizado.
Se tudo corresse
bem, e este é um termo relativo, a primeira “onda” consumiria 10 dias para
desembarcar, com as que operam para e destes três portos distantes, exigindo marés que teriam de obedecer
às exigências do Fuehrer, ao
invés dos velhos lobos do mar, em
comboio, muitas vezes, à noite, e sempre sem luzes de navegação.
Por que sem
luzes? Ah, a Marinha
Real. É aqui que o assunto torna-se
totalmente fantasmagórico. Em agosto de 1940, a Frota doméstica britânica
SOZINHA consistia de 140 destróieres, 40 cruzadores e fragatas, cinco
encouraçados e dois porta-aviões.
A marinha alemã total, a
Kriegsmarine, consistia de apenas 7 destróieres, um cruzador com motores não
confiáveis, dois cruzadores em operação, sem porta-aviões, encouraçados ou
cruzadores de batalha: o Bismarck e o Tirpitz ainda estavam em construção e o
Gneisenau e o Scharnhorst foram danificados e estavam fora de ação até o
próximo inverno.
E
a Luftwaffe? Bem, ela não tinha nenhuma aeronave transportadora de
torpedos, enquanto que a Grã-Bretanha tinha dois (o Beaufort e o Swordfish,
ambos mais tarde mostrando seu poderio ao desabilitar importantes navios
alemães), e bombardeio aéreo em mar aberto de navios armados é incrivelmente
difícil, mesmo para bombardeios de mergulho: as miras do Stuka eram calibradas
para alvos estacionários. Tudo bem, mas a costa britânica não estava indefesa
em 1940? Não – além de um grande exército britânico intocado, duas novas
divisões canadenses bem equipadas chegaram naquele verão, assim como 200.000
fuzis importados dos EUA.
Isto não diminui o valor da causa
aliada, ou a decisão posterior de aproximadamente 7.000 desertores do Exército
em pegar novamente em armas contra um dos regimes mais tirânicos da história.
Contudo, quase tudo o que as pessoas
acreditaram sobre as intenções de Hitler em relação à Grã-Bretanha em 1940 – e ainda
continuam acreditando – foi um mito criado por Churchill, que provavelmente ele
próprio acreditava. Considere todos os fatos acima, e então considere como o
mito tem perdurado, apesar deles. Faz você pensar, não?
Notas
[1] Éamon de Valera (1882 – 1975) foi
uma das figuras políticas dominantes na Irlanda no século XX. Ele foi um dos
líderes da Guerra de Independência da Irlanda contra a Grã-Bretanha e era um
político conservador que acreditava que a Igreja Católica e a família eram os
elementos centrais da identidade irlandesa. De Valera era a favor da
neutralidade em relação à guerra na Europa, mas pressão popular obrigou o
governo irlandês a ceder tropas para a Grã-Bretanha.
[2] Churchill estava tão obstinado em
destruir Hitler que mandou seu serviço secreto forjar um suposto mapa do
continente americano sob o controle alemão no sentido de puxar os EUA para a
guerra. Ver tópico “O Mapa Secreto de Hitler que colocou
os EUA na guerra”.
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Os
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sábado, 29 de novembro de 2014
Waterloo: a última batalha de Napoleão
Fabiano Onça
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Os últimos dias de março de 1815 foram azedos para
os diplomatas reunidos em Viena. Ali, representantes de Rússia, Prússia,
Áustria, Suécia, Inglaterra e várias nações e reinos menores tentavam, havia
meses, redesenhar o mapa político da Europa, reinstaurando as monarquias e os
territórios que existiam antes do furacão napoleônico. Porém a ilusão de que o
general corso estava liquidado acabou quando souberam que ele não só havia
retornado do exílio em Elba (uma ilhota no Mediterrâneo), como no dia 20 de março
fora recebido em glória em Paris. Os aliados mal puderam acreditar. Napoleão,
dez meses antes, em 11 de abril de 1814, fora derrotado por uma coalizão de
mais de 500 mil soldados de várias nações européias, que se sublevaram contra o
domínio francês após a desastrosa campanha napoleônica na Rússia, em 1812.
Vitoriosos, os aliados colocaram Luís XVIII no trono da França e enviaram
Bonaparte ao exílio. Agora, quando estavam prestes a dividir o bolo, teriam de
brigar novamente com seu pior pesadelo. E em etapas longas, até a definição, na
batalha conhecida como Waterloo.
A escalada de Napoleão começou rápida. Em 15 de
julho, com 124 mil homens, invadiu a Bélgica. "Seu único trunfo era bater
separadamente os exércitos inimigos antes que se reunissem", diz o professor
Alexander Mikaberidze, especialista em história napoleônica da Universidade de
Mississipi, nos EUA. "As tropas que estavam na área eram formadas por
prussianos e outras compostas por ingleses, belgas, holandeses e alemães,
instalados na Bélgica. Napoleão tentaria batê-los para forçar algum armistício
com as outras nações, que estavam com seus exércitos mais distantes da
França." O desafio não era fácil. O exército anglo-batavo-alemão contava
com 93 mil homens, liderados pelo duque de Wellington. O prussiano tinha 117
mil homens, comandados por uma velha raposa, o general Blücher. Mesmo em
inferioridade numérica, Napoleão teria de atacar. Dentro de um mês, um exército
austríaco de 210 mil homens, outro russo, de 150 mil, e um terceiro grupo
austro-italiano, de 75 mil, invadiriam a França pelo norte e pelo sul.
VITÓRIA APERTADA
Quando invadiu a Bélgica, as tropas
anglo-batavo-alemãs ainda não haviam se juntado ao exército prussiano. Napoleão
decidiu bater primeiramente os prussianos, que estavam a sua direita, em Ligny.
E mandou o marechal Ney, com 24 mil homens, para Quatre-Bras a fim de barrar
qualquer tentativa de os ingleses ajudarem os aliados. No dia 16 de junho de
1815, Bonaparte encarou o velho Blücher. Sabendo que eram os franceses que
tinham de correr atrás do osso, o prussiano entrincheirou seus homens em
fazendas próximas a Ligny e esperou. A batalha durou todo o dia. No fim da
tarde, a Guarda Imperial francesa arrebentou o centro prussiano, decidindo a
batalha. Blücher evitou uma desgraça maior, liderando o contra-ataque com a
cavalaria. Os prussianos puderam recuar em ordem, na escuridão.
Ao término do embate, os prussianos amargavam 22
mil baixas, contra 11 mil dos franceses. "Blücher evitou a derrota.
Napoleão, porém, conseguiu o que queria: afastar os prussianos para bater os
ingleses em seguida", afirma o professor Mikaberidze. Para não deixar que
os prussianos pudessem se juntar aos ingleses na batalha seguinte, Napoleão
destacou uma tropa de 30 mil homens, entregou-a ao general Grouchy e ordenou
que perseguisse os prussianos.
No dia seguinte, 17 de junho, Wellington se
aproveitou da chuva forte que caiu sobre a região para levar o exército a uma
posição mais segura, o monte Saint Jean. Os franceses chegaram lá ao fim do
dia. O temporal continuava. Mas Napoleão não dispunha de tempo. Mesmo sob
tempestade, ele foi pessoalmente verificar as condições do campo durante a
noite. "Naquele momento, Bonaparte tinha a chance com que tanto sonhara.
Os prussianos estavam em retirada, sendo acossados por Grouchy. A ele só
restava ter um bom desempenho contra os ingleses no dia seguinte e demonstrar à
Europa que a França ainda estava viva", comenta o professor Wayne Hanley,
especialista em história moderna da Universidade de West Chester, na Pensilvânia,
EUA.
Pela manhã, o tempo melhorara. Wellington contava
com 23 mil ingleses e 44 mil soldados aliados, vindos da Bélgica, da Holanda e
de pequenos estados alemães, num total de 67 mil homens, apoiados por 160
canhões. Os franceses contavam com 74 mil homens e 250 canhões. Wellington
posicionou suas tropas ao longo da elevação de Saint Jean. Sua ala direita se
concentrava em torno da fazenda de Hougomount. No centro, logo abaixo da
colina, outra fazenda, La Haye Sainte, estava ocupada por unidades do exército
dos Países Baixos. À esquerda, tropas aliadas se posicionavam em torno de uma
terceira fazenda, a Papelotte. "Wellington assumiu uma postura
extremamente defensiva. Em parte porque seu exército não era dos melhores e
porque, para ele, quanto mais tempo demorasse a batalha, maiores eram as
chances de o reforço prussiano chegar", relata Hanley.
CANHÕES NA FAZENDA
Napoleão queria começar o ataque cedo. Mas a chuva
do dia anterior havia transformado o campo de batalha num lamaçal. Ele teve de
esperar até as 11 horas da manhã, quando o solo ficou mais seco, para iniciar o
ataque contra Wellington. A idéia era chamar a atenção para esse setor e fazer
o inglês desperdiçar tropas ali e então atacar no centro. O ataque a
Hougomount, com fogo de canhões, durou meia hora. O lugar era protegido por
duas companhias inglesas, que não somavam mais de 3,5 mil homens. Elas
receberam o peso de mais de 10 mil franceses, mas não cederam. Aos poucos, o
que era para ser um blefe tragou durante todo o dia preciosos recursos franceses.
Pior, Wellington não caíra na armadilha e mantinha as melhores tropas no
centro, perto de La Haye Sainte. Napoleão então decidiu que era a hora de
atacar o centro da linha inglesa. Por volta de 12h30, o marechal Ney, seu
braço-direito, posicionou 74 canhões contra a estratégica fazenda de La Haye
Sante. "Napoleão era militar da artilharia, e essa experiência ganhou uma
grande importância no exército. Virou a arma mais temível", explica o
professor Mikaberidze.
Napoleão agora faria o que sempre comandava com
eficiência: explodir o centro adversário. Pressentindo o perigo, Wellington
ordenou às as tropas posicionadas no alto do monte Saint Jean que se jogassem
ao chão para diminuir os danos, mas nem todos tiveram a chance. As tropas
belgo-holandesas do general Bilandt, que permaneceram na encosta desprotegida
do monte, foram simplesmente massacradas. Mal os canhões se calaram, foi a vez
de os tambores da infantaria francesa iniciarem seu rufar. Às 13 horas,
marchando em colunas, os 17 mil homens do corpo comandado pelo general D·Erlon
atacaram. O objetivo: conquistar a fazenda de La Haye Sainte, o ponto vital do
centro inglês. Ao mesmo tempo, outro contingente se aproximava, pressionando a
ala esquerda dos britânicos. Napoleão agora declarava as suas verdadeiras
intenções e partia para o ataque frontal. Acossadas pela infantaria francesa,
as tropas inglesas perderam Papellote e deixaram vulnerável a ala esquerda. Ao
mesmo tempo, as tropas alemãs da Legião do Rei, as responsáveis pela guarda de
La Haye Sainte, no centro, ameaçavam sucumbir.
Foi o momento de Wellington pensar rápido. Na ala
esquerda, o comandante inglês ordenou que o príncipe alemão Bernhardt de
Saxe-Weimar retomasse Papelotte, o que foi feito com sucesso. Para conter o
ataque da infantaria napoleônica no centro, ele acionou a 5ª Brigada, veterana
da guerra na Espanha. Fuziladas a curta distância, as tropas de Napoleão
retrocederam, não sem antes deixar morto no campo, com uma bala na cabeça, o
chefe da brigada inimiga, o general Picton. Ao ver os franceses recuando,
Wellington viu a chance de liquidar a batalha. Acionou sua cavalaria para um
contra-ataque no centro. As brigadas Household, Union e Vivian provocaram
desordem entre os franceses. Mas por pouco tempo. Perto da linha de canhões inimiga,
a cavalaria inglesa foi surpreendida por um contragolpe mortal. A cavalaria
pesada francesa, com seus Courassiers (couraceiros), apoiados pelos Lanciers
(cavalaria leve), atacou os ingleses. O general Ponsonby, chefe da brigada
Union, morreu junto com sua unidade, aniquilada. Napoleão dava o troco e
continha os ingleses.
Eram 15 horas e a batalha permanecia num impasse.
Na ala direita de Wellington, a luta prosseguia sem um resultado decisivo em
Hougomount. No centro e na esquerda, os ingleses e os aliados batavos e alemães
haviam a muito custo mantido La Haye Sainte e Papilotte. Foi nessa hora,
entretanto, que Bonaparte recebeu uma notícia que o alarmou. Cerca de 40 mil
homens se aproximavam do lado direito do exército francês, nas imediações de
Papilotte. De início, chegou a pensar que fosse o general Grouchy - que havia
sido encarregado de afastar os prussianos - chegando. Logo suas esperanças se
desfizeram. Grouchy falhara. Aquele corpo de exército era simplesmente a
vanguarda do exército prussiano, que chegava para socorrer o aliado inglês.
Napoleão teve que improvisar. Sua ala direita, comandada pelo general Lobau, se
realinhou de modo defensivo para segurar a chegada dos prussianos e dar ao
imperador algumas horas para agir.
FIM TRÁGICO
Enquanto isso, ele ordenou ao marechal Ney que, de
uma vez por todas, tomas-se La Haye Sainte e rompesse o centro inglês,
assegurando a vitória. Ney, com dois batalhões de infantaria, atacou a fazenda.
Nesse momento, cometeu um erro fatal de julgamento. "Em meio à fumaça dos
canhões e à loucura da batalha, Ney supôs que o exército inglês estava
recuando. Ele então ordenou que sua cavalaria partisse para cima do inimigo.
Napoleão achou o movimento precipitado, mas, uma vez que Ney era quem estava
encabeçando o ataque, enviou mais cavaleiros para sustentar a carga",
comenta o professor Hanley.
A tremenda carga dos Courassiers terminou de forma
trágica. A infantaria inglesa não estava recuando, como Ney imaginava. Eles se
agruparam em quadrados e passaram a fuzilar os cavaleiros franceses, que não
conseguiam romper as formações defensivas. Nas duas horas seguintes, Ney
lideraria ao menos 12 cargas de cavalaria contra o centro inglês, com mais de 5
mil cavaleiros. Às 17 horas, La Haye Sainte finalmente caiu em mãos francesas,
mas os ingleses ainda mantinham seu centro coeso no alto do monte Saint Jean.
Às 17h30, a cavalaria francesa lançou o assalto final e foi novamente batida.
Os ingleses não estavam em melhor estado e suas linhas estavam a ponto de
romper. Ney, dessa vez corretamente, identificou a oportunidade de vencer e
implorou a Napoleão por mais tropas. "De onde você espera que eu tire mais
tropas? Quer que eu invente algumas agora?", respondeu Napoleão, irritado.
"Nesse momento, Bonaparte viu a vitória
escapar. Mais um esforço e Wellington teria sido derrotado. A essa altura, os
prussianos estavam esmigalhando a direita de seu exército e ele teve que
priorizar esse setor para ganhar mais fôlego. Na verdade, talvez ele esperasse
ver surgir, a qualquer momento, as tropas de Grouchy. Com 30 mil homens a mais,
ele poderia ter vencido a batalha", pondera o professor Mikaberidze. A
luta com os prussianos ia de mal a pior. Dez batalhões da Jovem Guarda, após um
combate feroz contra o dobro de inimigos, haviam perdido 80% de seus homens e
começavam a recuar.
Napoleão decidiu então utilizar sua última e
preciosa reserva: a Velha Guarda, a elite de seus veteranos. Ele enviou dois
batalhões contra os prussianos - e mais uma vez eles fizeram valer sua fama.
"Quando a Velha Guarda entrava em campo, os inimigos tremiam. Até então,
ela nunca havia sido derrotada em batalha", relembra o professor Hanley.
"Os dois batalhões varreram, sozinhos, 14 batalhões prussianos,
estabilizaram a ala direita e deram ao imperador a chance de lutar novamente
contra Wellington no centro", comenta. Napoleão então jogou a última
cartada. Às 19 horas, enviou contra o centro inglês os últimos quatro batalhões
da Velha Guarda. "Wellington, nesse meio tempo, embora quase tenha dado o
toque de retirada, foi beneficiado pela intensa pressão dos prussianos, que
diminuíram seu front e lhes livraram algumas unidades", aponta Hanley. Em
desespero, o general inglês reuniu tudo o que tinha e esperou o ataque final
entrincheirado no alto do Saint Jean. Enquanto subia o monte, a Velha Guarda
foi assaltada pelas unidades inglesas, alemãs e holandesas. Uma a uma, foram
repelidas, enquanto os veteranos de Napoleão continuavam seu avanço.
"A 5ª Brigada inglesa, do general Hallket,
tentou pará-los, mas logo seus homens fugiram assustados diante do avanço
francês. Apesar de sofrer baixas horríveis e lutar na proporção de 1 para 3,
simplesmente ninguém conseguia parar a Velha Guarda", afirma Hanley.
Wellington, por ironia, foi salvo não por suas próprias tropas, mas por um
general belga que durante anos lutou ao lado de Napoleão - quando a Bélgica era
um domínio francês. O general Chassé, à testa de seis batalhões holandeses e
belgas, se lançou numa carga feroz de baioneta contra os franceses. O ataque
foi demais, até mesmo para a Velha Guarda. Sem apoio e em menor número, pela
primeira vez os veteranos de Napoleão recuaram.
Logo, os gritos de "la Garde recule!" (a
Guarda recua) ecoaram pelo campo. O centro inglês havia resistido a despeito de
todos os esforços. Pelo lado direito, os 40 mil prussianos finalmente esmagavam
os 20 mil franceses que lhes haviam obstruído durante horas. Em um último ato
de coragem, três batalhões da Velha Guarda permaneceram lutando para dar ao
imperador a chance de fugir. Lutariam até o fim. Cercados por prussianos,
receberam ordem de rendição. O general Cambonne, o líder, teria então afirmado:
"A Guarda morre, mas não se rende". Em outro ponto, o marechal Ney,
apelidado por Napoleão como "o bravo dos bravos", ao ver tudo
perdido, reuniu um grupo de soldados fiéis e liderou uma última carga de
cavalaria, gritando: "Assim morre um marechal da França!" Capturado,
foi fuzilado depois pelo governo monarquista francês por alta traição.
Napoleão, agarrado por auxiliares, foi retirado à
força do campo de batalha. Seria posteriormente posto sob custódia inglesa e
enviado à distante ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, onde morreria em
1821. A batalha custara a ingleses, belgas, holandeses e alemães 15 mil baixas.
Os prussianos deixaram no campo 7 mil homens. Os franceses amargaram 25 mil
mortos e feridos, além de 8 mil prisioneiros.
Foi só às 21 horas que Wellington finalmente se
encontrou com Blücher para o aperto de mãos. A ameaça napoleônica fora vencida
de vez. Blücher queria chamar a batalha de Belle Aliance - nome da fazenda que
fora o quartel - general de Napoleão durante a batalha. Wellington, porém, teve
outra idéia. É que ele tinha suas manias. Uma delas era batizar combates com o
nome do lugar onde ele dormira na noite anterior. Uma vila a alguns quilômetros
dali, conhecida por Waterloo, deu então o nome à histórica batalha.
Grouchy, o
traidor de Napoleão?
Quase dois séculos depois, ainda permanece a
dúvida sobre o marechal Grouchy Ter ou não passado Napoleão para trás.
"Grouchy é visto como o culpado pela derrota de Bonaparte por não ter
evitado que os prussianos se unissem aos ingleses e por não ter acorrido à
Waterloo, com seus 30 mil homens, quando ouviu a canhonaria da batalha",
aponta o professor William Flayhart, professor de história moderna da Delaware
State University, nos EUA. "Os bonapartistas mais exaltados viram aí sinal
de traição. Na época, especulava-se que Grouchy fora subornado. Ele virou bode
expiatório." Emmanuel Grouchy passaria o resto da vida tentando provar a
inocência. Seu passado ao lado da causa napoleônica era o maior argumento. Ele
se juntara ao exército em 1781. As habilidades como comandante foram notadas
nas batalhas de Eylau (1807), Friedland (1807) e Borondino, contra os russos -
uma atuação muito elogiada. "Talvez tenha faltado a Grouchy presença de
espírito. Mesmo quando seu subordinado, o general Gerárd, lhe implorou para que
dirigisse as tropas a Waterloo, Grouchy preferiu seguir as ordens à risca, ou
seja, dar caça aos prussianos", completa o professor Flayhart. Grouchy
combateu os prussianos em Wavre, em 18 de junho, dia em que Napoleão foi
derrotado em Waterloo. Blücher deixara sua retaguarda como isca - e o marechal
francês interpretou que esse fosse o grosso do exército inimigo. Grouchy venceu
o embate para no dia seguinte receber a notícia da chegada de mais soldados
inimigos. Ele ainda recuou para Paris com seus homens. Escorraçado por seus
pares e pela opinião pública, só foi reaver seu bastão de marechal em 1830.
"As cargas desordenadas de Ney e o medíocre dispositivo de batalha de
Napoleão pesaram muito mais na derrota do que a ausência de Grouchy, que ficou
com a maior culpa", diz Alfred Fierro, ex-diretor da Biblioteca Histórica
de Paris.
Os maiores
erros
IMPRUDÊNCIA
"Napoleão deveria ter preservado seu
exército, como escreveu seu general Kellerman: ·Não poderíamos vencer os
britânicos naquele dia. Com calma, evitaríamos o pior·." Steven Englund,
historiador americano.
ATAQUE INFRUTÍFERO A HOUGOMOUNT
"Napoleão foi pretensioso em seu ataque
à ala direita de Wellington. Só desperdiçou recursos que seriam vitais em
outras áreas. No fim, Bonaparte provou que seus homens estavam fatigados. As
manobras foram inócuas diante de inimigos." Wayne Hanley, da Universidade
de West Chester, nos EUA.
AUXILIARES FRACOS
"Seu melhor general, Davout, estava em
Paris, para a segurança da capital. Outra opção infeliz foi Soult, inadequado
para a função logística. Pior foi ter dado ao inexperiente Grouchy o comando da
ala esquerda, o que se provou fatal." Alexander Mikaberidze, da
Universidade de Mississipi (EUA).
ATAQUES DESESPERADOS
"Ney era provavelmente o mais corajoso e
leal de todos os oficiais a serviço de Bonaparte. Foi o último francês a sair
da Rússia, em 1812, e Napoleão o chamava de ·o bravo dos bravos·. Mas seu
ataque em Waterloo, com a cavalaria, foi puro desespero, um verdadeiro
suicídio. Napoleão deveria ter abortado essa ação impensada de seu
general." Alfred Fierro, ex-diretor da Biblioteca Histórica de Paris.
A morte de
Napoleão
Depois de dois meses de viagem, em 17 de
outubro de 1815, o ex-imperador da França chegou à longínqua ilha de Santa
Helena, uma possessão inglesa encravada no Atlântico Sul, distante 1,9 mil km
da África e 2,9 mil km do Brasil. A seu lado, apenas alguns poucos servos e
amigos. Mas o pior ainda estava por vir. Em 14 de abril de 1816, chegou o novo
governador da ilha, sir Hudson Lowe. Esse não tinha nenhuma qualidade
excepcional, exceto seu fanático amor ao dever. Durante os anos de seu mandato,
ele submeteu Bonaparte a toda sorte de mesquinharias. Em 1819, Napoleão caiu
doente, mas ainda escreveria, em 1820: "Eu ainda estou suficientemente
forte. O desejo de viver me sufoca". Na prática, porém, não foi bem assim.
Ele morreria às 17h51, em 5 de maio de 1821, depois de sofrer fortes dores no
estômago por meses. Ironicamente, mesmo após sua morte ele ainda levantaria
controvérsias. Para muitos, o ex-imperador dos franceses fora lentamente
envenenado com arsênico pelos ingleses. Pesquisas recentes descartam a
hipótese, conforme registra Steven Englund em seu livro Napoleão - Uma
Biografia Política. Porém a última glória os ingleses não puderam lhe roubar.
Em 1840, seu corpo foi retirado da ilha e levado de volta à França. Durante dias,
Paris parou para saudar a volta de seu imperador, em um desfile fúnebre
grandioso.
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O Império de Napoleão
A campanha frustrada de Napoleão em
direção à Rússia
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
As tropas de elite das Forças Armadas do Brasil
As Forças Armadas do Brasil contam com tropas de
elite para missões especiais, de alto risco e grau de dificuldade. A seguir, a
Marinha, o Exército e a Força Aérea Brasileira elencam algumas de suas
principais forças de proteção ao País.
Força Aérea
Dedicada a resgates e operações especiais há 50 anos, a unidade de elite da Força Aérea Brasileira (FAB) atua em ambientes de acidentes, calamidades, locais inóspitos e de difícil acesso. Eles são o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (EAS), também conhecido como PARA-SAR, união de PARA, de paraquedismo, e SAR, da sigla em inglês para busca e resgate (Search And Rescue).
Dedicada a resgates e operações especiais há 50 anos, a unidade de elite da Força Aérea Brasileira (FAB) atua em ambientes de acidentes, calamidades, locais inóspitos e de difícil acesso. Eles são o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (EAS), também conhecido como PARA-SAR, união de PARA, de paraquedismo, e SAR, da sigla em inglês para busca e resgate (Search And Rescue).
Entre as muitas histórias de salvamento dos
integrantes do EAS, destacam-se as missões de busca após o acidente com as
aeronaves da Gol, em 2006, e da Air France, em 2009. Outras missões recentes
foram as de socorro às vítimas dos deslizamentos na região serrana do Rio de
Janeiro, em 2011, e das enchentes de Santa Catarina em 2008.
O PARA-SAR faz parte de um contexto de busca e
salvamento, e é uma tropa especializada em operações especiais que participou
de eventos como a Copa das Confederações 2013, Rio+20, Copa do Mundo 2014, além
de estar presente nos Jogos Olímpicos 2016.
Para atuar em situações limite, os militares
recebem treinamento especializado, com técnicas de aperfeiçoamento avançadas.
Eles passam por cursos de paraquedismo, saltos, busca e resgate, treinamentos
em ambientes de água, montanha e selva aprendendo técnicas de socorro pré-hospitalar,
além de busca subaquática, salvamento e orientação noturna no mar.
A formação para o resgate termina com o aprendizado
das técnicas de C-SAR, ou Combat-SAR. Além das dificuldades normais de um
resgate, o cenário neste caso é de conflito, quando por exemplo um piloto
abatido precisa ser resgatado antes de ser encontrado pelo inimigo. É quando o
PARA-SAR deixa de ser somente uma unidade de salvamento para se tornar um grupo
de operações especiais. Além de exigir resistência física e psicológica, o
curso inclui situações táticas avançadas, como a infiltração em território
hostil.
O treinamento só acaba depois da conclusão dos sete
cursos obrigatórios. O militar que atinge o grau máximo na progressão
operacional do Esquadrão recebe o título de “Pastor”. Em 50 anos, apenas 183
homens completaram este ciclo de treinamento e conquistaram o título, uma
referência ao cão de caça da raça pastor alemão. De acordo com a tradição,
espera-se que o detentor deste nome seja amigo, leal, vigilante e, se
necessário, agressivo.
Exército
Criada em 2002, a Brigada de Operações
Especiais (Bda Op Esp) é o escalão responsável pela coordenação e
controle das operações especiais na Força Terrestre do Exército Brasileiro. A
Bda Op Esp conduz o planejamento, o preparo e o emprego de suas organizações
militares (OM) subordinadas, podendo, em algumas ocasiões, integrar tropas de
outras Forças Armadas.
A Brigada
de Operações Especiais compõe a Força
de Ação Rápida do Exército Brasileiro. Isso significa que seus soldados
estão em permanente estado de alerta, prontos para responder de imediato sempre
que o País necessitar.
Os militares desta brigada têm uma capacitação
técnico-profissional diferenciada, o que amplia significativamente suas
possibilidades de emprego. Desta forma, a brigada pode atuar de forma isolada
ou em conjunto com as demais Forças Armadas ou policiais, funcionando como um
importante instrumento de coordenação das operações especiais no Brasil.
No mês de abril deste ano, o Comando de Operações Especiais do Exército
Brasileiro reuniu mais de 250 agentes de forças de operações especiais,
militares e policiais em um Exercício Conjunto Interagências no Comando de
Operações Especiais - Goiânia (GO).
O objetivo deste encontro foi promover a integração
das instituições que atuaram na prevenção e combate ao terrorismo durante a
Copa 2014. Nos cinco dias de exercícios, entre 31 de março e 4 de abril,
integrantes das Forças Armadas, da Polícia federal e de policiais civis e
militares de 15 estados brasileiros realizaram atividades práticas explorando
técnicas, táticas e procedimentos.
O Exército Brasileiro conta também com a Brigada de
Infantaria Paraquedista, que fica no Rio de Janeiro (RJ). Seu objetivo é enviar
forças-tarefa no prazo máximo de 24 horas após o seu acionamento, para qualquer
parte do território nacional ou em outras regiões de interesse estratégico no
exterior, para:
·
Executar operações de combate para destruir e
vencer forças inimigas, podendo empregar o lançamento aeroterrestre e/ou o
aerotransporte;
·
Participar de operações de ampla magnitude
integrando forças multinacionais; e
·
Conduzir operações de garantia da lei e da ordem.
Marinha
Desde 1983, o Grupo de Mergulhadores de Combate da Marinha do Brasil (GRUMEC)
integra o Comando da Força de Submarinos, participando a partir de então de
todas as operações de lançamentos de torpedos e mísseis, exercícios de ataque a
navios, operações ribeirinhas na Amazônia e no Pantanal, além de exercícios de
retomada de navios, plataformas de petróleo e resgate de reféns.
Este profissionais são formados pelo Curso de
Mergulhador de Combate, que tem o objetivo de habilitá-los para operar
equipamentos de mergulho, armamentos, explosivos, utilizar técnicas e táticas
para guerra não convencional e conflitos.
Durante o treinamento, são criadas situações
específicas para preparar e testar a habilidade dos alunos em suportar
situações operacionais de extremo desconforto, em condições psicológicas
adversas, avaliando-os com a exposição ao frio, sono escasso, cansaço e ao racionamento
de comida e água.
A atividade de mergulho de combate exige do militar
uma formação continuada, aprimoramento profissional através de cursos
complementares e realização de missões e adestramentos para ganho de
experiência e maturidade.
Em 2013, o GRUMEC participou de treinamento para
atuação na Copa das Confederações. A tarefa era tomar o comando de um navio,
suspeito de transportar materiais ilícitos. Capuzes, armamentos, voos rasantes,
acompanhados de agilidade e efeito surpresa, compuseram o cenário criado pela
equipe no dia 23 de maio, na Baía de Guanabara (RJ).
De acordo com a Marinha, o GRUMEC pode ser
empregado em atividades de retomada e resgate com foco em ações
contra-terroristas, de desativação de artefatos explosivos e em operações de
interdição marítima. Na Copa das Confederações, eles atuaram no Rio de Janeiro
e em Salvador (BA). Cada equipe contou com especialistas nas áreas de mergulho,
operações aéreas, comunicações, inteligência, armamento, embarcações e motores
e primeiros socorros em combate.
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