sábado, 11 de abril de 2015

A Marcha do General Sherman para o Mar

Matt Carr

History Today, Vol. 64, Nº 11, nov. 2014


Em 15 de novembro de 1864, 60.000 soldados da União sob o comando do general William T. Sherman abandonaram a cidade em chamas de Atlanta e marcharam em direção da Georgia central para iniciar uma das mais celebradas campanhas da Guerra Civil Americana. Somente dois meses atrás ele se tornara o herói do Norte quando seu poderoso exército de 100.000 homens tomou Atlanta após uma campanha de verão sangrenta, efetivamente salvando o incumbente presidente Abraham Lincoln da derrota nas eleições presidenciais do outono. Foi uma ação que surpreendeu seus contemporâneos. Tendo conquistado “A Entrada para o Sul”, a maioria dos observadores presumiu que Sherman equiparia Atlanta com uma guarnição e se dirigiria para o norte em direção de Virginia, onde os exércitos orientais da União, sob o comando de seu grande amigo Ulysses S. Grant, estava preso em um beco sem saída com o Exército da Virgínia do Norte em torno da capital confederada, Richmond.

Ao tomar Atlanta, Sherman atordoou a Confederação ao ordenar a evacuação de toda a população civil da cidade, aparentemente por motivos puramente militares. Ele então procedeu em transformar a cidade num amontoado de ruínas. Desobedecendo a sabedoria convencional que um exército em avanço deve manter contato com suas linhas de comunicação, ele reduziu o tamanho de sua força quase pela metade e ordenou que seus oficiais destruíssem todas as lojas, fábricas e armazéns que pudessem ser utilizados com fins militares, incluindo a Estrada de Ferro Ocidental e Atlântica, que tinha mantido seus homens abastecidos ao longo do verão.

O destino final de Sherman era a cidade de Savannah, 500 km a leste da costa atlântica, onde ele esperava ser reabastecido pela marinha da União, antes de continuar para o norte em direção da Virgínia. Até então, seu exército ficaria largamente dependente para sua sobrevivência do que pudesse tomar da população local. O plano foi parcialmente planejado para ajudar Grant na Virginia cortando o fluxo de suprimentos para os exércitos confederados e interromper sua comunicação, mas ele tinha também um “objetivo psicológico nebuloso”. Após mais de três anos de conflito violento e aparentemente interminável, Sherman decidiu levar o conflito além do campo de batalha e sujeitar a Georgia a um nível de devastação que poderia fazer sua população perceber que “guerra e ruína são sinônimos”. Ao fazer os civis pagarem o preço por apoiar a guerra, Sherman esperava quebrar a força de vontade da Confederação e demonstrar que sua liderança não tinha mais a habilidade para proteger a população do Sul mesmo em suas próprias casas.

Esta estratégia marcou uma guinada dramática na política da União em relação ao Sul. Quando a guerra começou em abril de 1961, o presidente Abraham Lincoln ordenou que os exércitos da União não confiscassem ou destruíssem propriedade sulista na crença de que os sulistas poderiam ainda voltar à União. Na época em que o exército de Sherman marchou para Atlanta, tal restrição já havia sido abandonada há muito tempo. No verão de 1862, incapaz de transformar as vitórias no campo de batalha em resultados estratégicos e abalado pela popularidade da causa separatista, Lincoln autorizou os exércitos da União a adotar medidas gradativamente duras em uma tentativa de abalar a resistência sulista.

Lei marcial, requisições forçadas e expedições de “forrageamento”, que retirou de comunidades inteiras comida, deportações de cidadãos desleais, ataques destrutivos objetivando destruir os recursos de guerra da Confederação, atos de punição coletiva em resposta a ataques de guerrilha e emancipação de escravos – foram todas inovações da política de “guerra brutal” da União. Poucos generais aplicaram-na de forma implacável quanto Sherman. Um ex-gerente de banco, advogado e superintendente escolar, ele já havia mostrado seu desejo de estender a “mão dura da guerra” aos civis sulistas como governador militar de Memphis, Tennessee em junho de 1862; na destruição de Jackson e Meridian durante as operações de Grant no Mississipi no verão de 1863; e nas represálias contra as guerrilhas confederadas durante a invasão do norte da Georgia em maio de 1864. Sua evacuação de Atlanta o transformou numa figura odiada na imprensa sulista.


A reputação de Sherman como o arqui-inimigo do Sul foi confirmada por sua campanha na Georgia , quando seu exército invadiu o “celeiro do Sul”, atacando fazendas, apreendendo produtos, abatendo ou confiscando gado e demolindo e queimando propriedade. Alvejando a ferrovia da Georgia, eles arrancaram e derreteram os trilhos antes de transformá-los em “gravatas de Sherman” e queimar e demolir estações e armazéns, deixando uma trilha de caos com uma extensão de 80 km. “Ninguém, sem estar lá, pode formar uma ideia apropriada da devastação que será encontrada em nosso caminho,” escreveu um capelão da União: “Milhares de famílias terão suas casas transformadas em cinzas e eles próprios serão transformados em mendigos nas ruas. Levamos literalmente fogo e espada para esta outrora terra orgulhosa e desafiadora.”

A velocidade com a qual os soldados de Sherman atravessaram a Georgia foi em parte devido à ausência de qualquer resistência confederada, assim como sua tática hábil. Ao reduzir as provisões do exército a um mínimo e marchando seus soldados em duas “asas” paralelas cerca de 30 km distantes, os defensores confederados esparsos espalhados pelo Estado foram incapazes de prever o destino de seus oponentes e concentrar suas forças contra eles. Ao invés de atacar cidades bem defendidas, Sherman simplesmente contornou-as para manter a velocidade de avanço de seu exército altamente motivado. Apesar de enfrentar provavelmente a melhor força armada do mundo na época, o presidente confederado, Jefferson Davis, clamou à população para copiar a guerra partisan russa contra Napoleão e transformar a campanha da Georgia na “retirada de Moscou” de Sherman. Foi uma aspiração que jamais se tornou realidade.

Em 21 de dezembro, o exército de Sherman capturou Savannah em triunfante conclusão à “Marcha para o Mar”. As notícias foram comemoradas com exultante aclamação no Norte. Em fevereiro seguinte, ele marchou com seus homens em direção do norte rumo às terras baixas pantanosas da Carolina do Sul, onde ele utilizou as mesmas táticas. Aqui, a destruição foi mais extensiva e mais explicitamente punitiva, quando seus soldados queimaram e pilharam tudo em seu caminho através do Estado já que eles tinham essa terra como o lar espiritual da rebelião e o coração da “aristocracia” escravocrata sulista. “Toda casa, celeiro, cerca e campo de algodão recebe o calor de uma tocha,” observou um sargento de Ohio, “este resultado é revoltante, mas a guerra é um jogo militar e não pode ser civilizado.”

Esta era a visão de muitos soldados da União, que apelidaram a campanha de “marcha da fumaça”. Ela atingiu o máximo em 17 de fevereiro de 1865, após a rendição da capital do estado, Columbia. Apesar do fato de que seus defensores tenham abandonado a cidade, muito de Columbia foi reduzida a pó aquela noite por uma horda de bêbados. Apesar de Sherman ter culpado subsequentemente a cavalaria confederada por provocar os incêndios ao queimar pedaços de algodão, numerosas testemunhas viram seus soldados atear deliberadamente fogo nas casas particulares. Há pouca dúvida que muitos soldados da União, influenciados pelo álcool fornecido pela população local numa tentativa errada de aplacá-los, estavam determinados a queimar a cidade. Se Sherman não ordenou a destruição, ele fez pouco para preveni-la, mesmo que ele estivesse perfeitamente ciente do comportamento de seus homens. De qualquer forma, a “queima de Columbia” serviu aos seus objetivos estratégicos e subsequentemente ele deixou claro que não tinha nenhum remorso. Em 7 de março de 1865, o exército de Sherman entrou na Carolina do Norte, o último estado a se separar. Apesar dos exércitos da União continuarem a destruir fábricas, siderúrgicas e redes ferroviárias, o dano foi mais limitado do que na Carolina do Sul, já que tornou-se claro que a guerra estava chegando ao fim.

Pelo fim de março, os exércitos da União estavam rasgando a Confederação de todos os lados e sua posição tornou-se insustentável. Em 3 de abril, Richmond caiu diante das tropas de Grant à medida que o exército da Virgínia do Norte de Lee recuava para o oeste. Seis dias depois, Lee rendeu-se a Grant em Appomattox. No dia 13, as tropas de Sherman entraram na capital do Estado, Raleigh, e no dia seguinte ele emitiu a Ordem Especial de Campo, Nº 55, que exigia que seus soldados interrompessem “destruição adicional de ferrovias, moinhos, produção de algodão” e garantissem que “os habitantes sejam tratados gentilmente, buscando uma nova reconciliação.” Mesmo após o assassinato de Abraham Lincoln em 15 de abril de 1865, estas ordens continuaram a ser obedecidas. Em 16 de abril, Sherman aceitou de seu grande adversário, o general Joseph E. Johnston, a rendição de 90.000 soldados confederados na Fazenda Bennett próximo a Raleigh, assim retirando o último grande exército confederado da Guerra Civil.             


quarta-feira, 8 de abril de 2015

[PGM] Lawrence da Arábia - Princípios da Insurreição

Frederico Aranha

Defesanet, 27 de Março, 2015


Em 1946, o General Raoul Salan encontrou inúmeras vezes Vo Nguyen Giap, o General vietnamita que conduziria as operações militares contra os franceses até o desfecho em Dien Bien Phu. Ambos eram membros da missão internacional reunida para supervisionar a restauração da autoridade francesa na Conchinchina. Salan comandaria de maio de 1951 a maio de 1953 o corpo expedicionário francês enviado à região. Conduziu a última ação militar de sucesso em outubro de 1952: a ofensiva Operação Lorraine II, durante a qual forças francesas e grupos de montanheses irregulares devastaram o vale do Rio Vermelho e regiões florestais do Vietnam do Norte. No ano seguinte ele passaria o comando do corpo expedicionário ao desafortunado General Henri-Eugène Navarre que  presidiu o desastre de Dien Bien Phu.
   
Salan ficou impressionado com a influência de um homem – T.E. Lawrence – no pensamento militar de Giap. Confessou ele a Salan que o livro Seven Pillars of Wisdom (Os sete Pilares da Sabedoria) de Lawrence “é meu evangelho de combate e nunca me separo dele”. A essência da teoria da guerrilha que inspirou Giap pode ser encontrada em duas fontes: a primeira é ao longo do próprio livro, notadamente no capítulo XXXIII; a segunda é um artigo titulado The Evolution of a Revolt publicado em outubro de 1920 no Army Quarterly and Defence Journal. Livro e artigo baseiam-se nas reflexões e avaliações de caráter prático de Lawrence traduzindo as complexas situações enfrentadas com sucesso no comando de forças árabes em operação na região do Hejaz em 1917, no coração do deserto saudita.

Por essa época, Lawrence já vinha assessorando e liderando por mais de um ano levas de beduínos e árabes em combate contra as forças turcas. Com base nessa experiência deduziu dois princípios que constituíram a base teórica e a vertente para todas suas ideias ligadas à condução de uma insurreição. Lawrence convenceu-se de que tropas irregulares são incapazes de defender uma posição no campo contra forças convencionais e ademais de atacar eficazmente uma posição fortemente defendida pelas mesmas forças. Se esses preceitos eram corretos, ponderava Lawrence, qual o valor das forças irregulares para a guerra? Tornou-se a pergunta de partida que teria de responder por primeiro.
               
Reconheceu que, como qualquer outro oficial educado e treinado de acordo com o pensamento e as tradições militares ocidentais, sua atitude face à guerra era dominada pelo dogma do aniquilamento, quer dizer uma obsessão por o princípio da guerra moderna consistente em localizar o exército inimigo, o centro do seu poder e destruí-lo em combate.

 No entanto, Lawrence percebeu que apesar de não haver ocorrido nenhuma batalha de aniquilamento os árabes estavam vencendo o conflito:(...) quanto mais eu pensava a respeito, mais me convencia que havíamos ganhado a guerra do Hejaz. Ocupávamos mais de noventa por cento do território. Os turcos dominavam o restante... Estão confortavelmente instalados (em Medina); se os aprisionarmos, nos custarão suprimentos e tropas para alimentá-los e guardá-los no Egito... Sob qualquer ponto de vista eles estão muito bem onde estão, apreciando Medina e querendo mantê-la. Deixemos que fiquem por lá!
              
Interrogou-se se não haveria guerras diferentes da guerra de aniquilação que generais franceses como Ferdinand Foch e outros contemporâneos sobre elas escreviam e advogavam com tanto entusiasmo e estavam praticando na Europa, na Frente Ocidental, com resultados desastrosos. Concluiu que o primeiro fator determinante numa guerra era o objetivo pelo qual era deflagrada.

A aniquilação dos turcos não era o objetivo dos árabes, nem tinham eles capacidade para tal. O escopo era de natureza geoestratégica: ocupar o máximo possível de território no Oriente Médio. Portanto, (...) se o alvo estratégico era geográfico ao invés da destruição do exército turco, o papel dos irregulares ganhava novos contornos. Sendo assim, questionou-se, qual missão caberia à insurgência árabe numa guerra de ocupação?
              
Para responder, desenvolveu um simples arcabouço conceitual, um tipo de painel mental abrigando várias teorias e ideias relacionadas entre si com suficiente estrutura ensejando pensá-las em conjunto, como um todo coerente. O painel de Lawrence consistia de três conceitos ou categorias analíticas. Denominou cada um desses três ganchos conceituais de – o algébrico, o biológico e o psicológico.
              
Por algébrico, entendia os fatores espaço-temporais, aqueles sujeitos a cálculo. Definiu qual seria a extensão de território que os árabes necessitariam conquistar – cerca de 320.000 km² e de como os turcos fariam para defendê-lo. Concluiu que exigiria um posto fortificado para 10 km², cada um contando com não menos de 20 soldados perfazendo mais de 600.000 homens para proporcionar uma defesa adequada.

Os turcos não tinham mais de 100.000 soldados concentrados em Medina e arredores; além do mais com sua bagagem mental dominada por ideias de batalhas de aniquilamento, consideravam a erradicação da rebelião desde uma perspectiva de guerra total.  Isso seria um erro fatal, deduziu, por que fazer guerra a uma rebelião era lento e incômodo, como tomar sopa com faca.
              
O biológico era o segundo elemento na cadeia conceitual, expressão que trocou pelo termo “bionômico” por representar melhor a ideia de desgaste e fricção no seio de um sistema militar. Lawrence convenceu-se de que ao invés de tentar destruir o exército turco os árabes deveriam simplesmente debilitá-lo. Esgotamento, não destruição, seria a palavra de ordem. Ataques diretos à infraestrutura e ao equipamento militar do inimigo seria o objetivo: (...) a destruição de uma ponte ou via férrea turca, de uma metralhadora, de um canhão ou de munições e explosivos, será muito mais vantajoso para nós do que a morte de um turco. Dessa forma, a fragilidade do irregular no combate convencional tornar-se-ia irrelevante, pois passariam a atacar somente o material dos turcos ao alcance.

A chave para o sucesso dessa estratégia era o perfeito conhecimento do inimigo, ou seja, a necessidade de um serviço de informações atuante. Lawrence, ele próprio um oficial de inteligência, prescreveu (...) que o conhecimento do inimigo deveria ser completo, perfeito, não deixando qualquer margem ao acaso. Temos de concentrar nossos maiores esforços nesse sentido. Deveremos nos empenhar mais do que um estado-maior comum na obtenção de informações. Qualquer outra missão é de menor importância.
             
O último detalhe da estrutura conceitual era o psicológico. Lawrence entendia que numa insurgência a verdadeira batalha era o ataque às mentes, ao espírito do oponente. Significava também obter sustentação moral no seio na população, dessa forma mobilizando-a para a rebelião.
         
À luz dessa análise desenvolveu um plano básico mantido virtualmente até o fim da guerra. Tratava-se de simplesmente impor aos turcos o fardo de uma defesa demorada e constante que terminaria por esgotá-los. O emprego de pequenas unidades agressivas e altamente móveis constituía o meio para atender esse objetivo.

Lawrence reconheceu que a relação tropa/espaço determinaria o caráter último da guerra: Em termos práticos, significava (por exemplo) que sendo nossa mobilidade cinco vezes maior do que a dos turcos, estaríamos igualados a eles com uma quinta parte do seu contingente. As operações deveriam ser altamente móveis, ubíquas, independentes de bases e de comunicações, alheias à situação do terreno, áreas estratégicas e direções determinadas, como na guerra naval. “Aquele que domina o mar possui uma grande liberdade e pode fazer o que bem quiser numa guerra”. E nós dominávamos o deserto.
             
Considerava o camelo um navio do deserto. Proporcionava à guerrilha uma incrível autonomia e mobilidade operacional. As tropas eram capazes de transportar víveres para seis semanas e, mesmo a temperaturas muito elevadas, os camelos podiam avançar até três dias sem água.

Assinalou que os irregulares árabes dispunham de uma autonomia operativa suficiente para percorrer a incrível velocidade toda a península árabe e além. Lawrence mesmo cobriu 2400 km durante um mês cavalgando sem descanso. O guerrilheiro árabe montado em seu camelo era ele próprio uma força independente. Registrou que (...) o árabe era simples e individualista.  Cada homem serve na linha de frente e é autossuficiente. Não tínhamos linhas de comunicação nem tropas de apoio. A eficiência de cada um residia na sua própria conduta em combate. Pensamos que nas condições em que combatemos a soma da força fornecida pelos combatentes individualmente será ao menos igual ao produto de um sistema.
             
Como resultado de suas observações, Lawrence extraiu seis princípios fundamentais da insurreição que ainda conservam marcante atualidade:

Primeiro, um movimento de guerrilha vitorioso exige uma base inexpugnável – não somente contra ataques físicos, mas igualmente contra outras formas de ataque como ataques psicológicos.

Segundo, a guerrilha precisa enfrentar um inimigo tecnologicamente sofisticado. Tanto mais sofisticado, mais vulneráveis serão as estruturas de comunicação e logística.

Terceiro, o inimigo deve ter um contingente insuficiente, incapaz de ocupar o território em profundidade com um sistema de fortificações interligadas.

Quarto, a insurreição necessita, no mínimo, o apoio passivo da população, senão seu envolvimento total. De acordo com os cálculos de Lawrence, as rebeliões podem ser deflagradas por 2% de ativistas e 98% de simpatizantes passivos.

Quinto, a força irregular precisa ter qualidades fundamentais tais como velocidade, persistência, presença e independência logística.

Sexto, os irregulares devem dispor de armamento suficientemente avançado para explorar as vulnerabilidades do inimigo no campo da logística e das comunicações.
              
Há outro aspecto da guerrilha que merece consideração: a função do líder da insurreição e seu talento para chefiar. Definitivamente, o sucesso de Lawrence no deserto da Arábia repousa nas suas grandes qualidades pessoais e na capacidade de liderar. Breve exame do seu estilo de comandar nos oferece um quadro das qualidades de certo modo raras e únicas necessárias ao chefe de uma insurreição. Lawrence combinava a sagacidade, a integridade, o humanismo, a coragem e a disciplina com a empatia – a aptidão de identificar e estabelecer um liame emocional com os subordinados.

Numa insurreição, a empatia é regra especialmente crucial: ela incorpora o líder no coração e no espírito dos seus homens, tornando-o capaz de estabelecer intuitivamente o limite físico e psicológico da sua tropa; na guerrilha, o insurgente opera no limite da atividade humana – e além dele, amiúde – para manter uma vantagem moral sobre o inimigo convencional mais poderoso.

A mesma empatia funciona em relação ao seu superior. Ademais, chefes insurgentes como Lawrence são vitoriosos por que são instigadores, dão aos seus homens a motivação, o treinamento e a habilidade necessários para cumprir missões que eles mesmos possam desempenhar. Os instigadores agem amplamente como catalisadores de uma reação química, como fator que induz ou precipita uma alteração da ação.
            
Thomas Edward Lawrence morreu em 19 de maio de 1935, vítima de um acidente de motocicleta, próximo ao retiro que se impôs em Dorset, Inglaterra. Tinha somente 46 anos. Malgrado a vida relativamente curta, sua influência foi enorme; seus escritos e suas ligações pessoais ensejaram fortes amizades com as mais influentes personalidades da época como Sir Winston Churchill.

Um dos laços intelectuais mais fortes foi amarrado com B.H Liddell Hart, importante teórico e historiador militar do século XX. Evidencia-se ao longo da importante obra de Liddell Hart – STRATEGY (As Grandes Guerras da História. São Paulo: Ibrasa, 1967):  a longa correspondência entre os dois mostra claramente a contribuição de Lawrence; de sua parte Liddell Hart não hesita em exprimir sua gratidão. Não é por outro motivo que a biografia de T.E. Lawrence escrita por ele é, talvez, no gênero, a melhor das suas destacadas obras (Lawrence Of Arabia. New York: Da Capo, 1989).
            
Por último, há que reconhecer a genialidade de Lawrence e, ainda que tarde, o cumprimento integral da missão de que foi encarregado e dela se imbuiu de corpo e alma, muito além do dever. Constatou que os homens não nascem talentosos mas se tornam tal pelo estudo intensivo e pela aplicação prática.  Lawrence e outros do mesmo calibre lutaram tenazmente contra suas fraquezas e imperfeições pessoais para liberar essa genialidade.

Ele mesmo entendeu isso quando, a propósito da sua biografia em elaboração, escreveu para Liddell Hart: (...) Deve ficar bem claro, pelo menos no meu caso, que o generalato não me veio por instinto, sem sentir, mas pelo entendimento, duro estudo e concentração mental. Se viesse a mim facilmente, não o teria praticado tão bem. Para elaborar minha estratégia (ou insurgência), eu não encontrei professores no teatro de operações: apoiando-me, havia muito tempo de leitura (e escritos) de história militar ... Com dois mil anos de exemplos do passado nas costas, ao iniciar a luta não havia desculpa para não lutar bem.


domingo, 5 de abril de 2015

A Guerra Texana de 1835 – 36

J. Mackay Hitsman

History Today, Vol. 10, Nº 2, fev. 1960.


Os texanos que morreram no Álamo durantes as primeiras horas de 6 de março de 1836, estão ligados aos espartanos que tentaram segurar os persas na Termófilas. Há outras poucas semelhanças, contudo, entre a Guerra Persa de 480 – 479 a.C. e o combate de sete meses que resultou na garantia da independência do Texas do México; a última campanha foi travada de maneira idiota do começo ao fim, com o primeiro lado e, então, o outro lado cometendo erros táticos elementares.

Inevitavelmente, a expansão americana para o sudoeste certamente colidiria com o nacionalismo mexicano, orgulhosos da liberdade que eles haviam conseguido da Espanha somente em 1821. Apesar de o Texas ainda estar desocupado, apesar das missões jesuítas e das pequenas comunidades mercantes que cresceram em torno delas, não havia nenhuma boa razão pela qual o governo mexicano deveria encorajar o assentamento de estrangeiros, muitos dos quais logo olhariam os mexicanos nativos como intrusos.

Quando o governo finalmente tornou-se alarmado em 1830, assentamento americano adicional foi proibido, e pequenas guarnições foram estabelecidas para reforçar o modo de vida mexicano. Mas, na prática, o Estado de Coahuila-Texas continuou o status quo. Somente no final de 1834 o presidente Antonio Lopez de Santa Anna inaugurou uma política dura: um governador militar foi indicado para o Texas, tropas adicionais foram despachadas e o governo de Coahuila-Texas foi suspenso.

O primeiro confronto ocorreu após os habitantes americanos da pequena Gonzales se recusaram a baixar suas armas, que eram necessárias para a defesa contra os índios. Enviando para longe suas mulheres e crianças, eles pediram ajuda a assentamentos próximos. Em 2 de outubro de 1835, cerca de cento e sessenta colonos cercaram uma força policial de oito mexicanos. Seis dias depois, a guarnição mexicana de Goliad foi surpreendida pelos colonos locais e suas munições acrescentadas ao inventário comum.

Um “Exército Ocidental” foi, então, organizado para efetivar a captura de San Antonio de Bexar, um centro comercial de 2.500 habitantes. Seguindo uma escaramuça bem sucedida na próxima Missão Concepcion em 28 de outubro, os texanos resolveram investir em San Antonio, agora comandado pelo cunhado de Santa Anna, general Martin Perfecto de Cos, que havia chegado de Matamoros com um reforço de 500 soldados.

Apesar de a Convenção dos Texanos que se reuniu em 3 de novembro apenas ter estabelecido um governo provisório e concordado que uma reunião mais formal deveria ser realizada durante o março seguinte, ela autorizou a formação de um exército e elegeu Sam Houston como comandante-em-chefe.

Enquanto jovem, Houston serviu sob Andrew Jackson durante a guerra de 1812 e depois foi um general de divisão de milícia e governador do Tennessee antes de se mudar para o Oeste. Ele havia liderado um pequeno contingente do Texas Oriental para Santo Antonio, mas, considerando que o sucesso contra uma cidade bem guarnecida era improvável, aconselhou uma retirada para além do rio Guadalupe antes que um exército de alívio chegasse ao México.

Não havia nenhuma condição regular de alistamento e nenhuma disciplina na força sitiando San Antonio; voluntários iam e vinham sem nenhum controle, e em 1º de dezembro atingiram somente 800. Ao saber que a guarnição estava em sérias dificuldades, um certo coronel Milam obteve permissão para convocar voluntários.  Permanecendo em frente à tenda do comandante, ele conclamou aqueles dentro do raio de ação de sua voz e gritou: “Quem irá com o velho Ben Milam para San Antonio?”

Pouco antes do amanhecer do dia 5 de dezembro, cerca de trezentos voluntários, divididos e, dois batalhões, tentaram uma invasão. Mas levou cinco dias de combate nas ruas e casa-a-casa antes que San Antonio fosse tomada. Um dos participantes mais tarde escreveu:

“Entramos nas velhas casas de ladrilhos e piquetes dos mexicanos usando aríetes feitos de tronco de madeira com dez ou doze metros de comprimento. Os homens robustos pegavam os troncos e os balançavam por um instante e os lançavam longitudinalmente, abrindo buracos nas paredes através dos quais passávamos. Como as mulheres e as crianças gritavam quando abríamos os buracos e entrávamos!”

O general Cos então retirou-se através do pequeno rio San Antonio em direção do Álamo, uma antiga missão que estava abandonada. Mesmo sem o estorvo adicional imposto pelas mulheres e crianças que o acompanhavam, era uma posição ruim para a defesa. Ele se rendeu, portanto, em 9 de dezembro e foi autorizado recuar para o México.

Os texanos tinham tido somente duas baixas e vinte e seis feridos. Um estoque considerável de armas de pequeno porte e munição e 21 canhões foram capturados. Mas o grande número de voluntários logo retornou para seus lares, deixando somente uma pequena força para proteger San Antonio.

Ao invés de adotar um caminho positivo, o governo provisório texano agora caiu em forte dissensão. Enquanto uns defendiam a independência, outros ainda argumentavam por uma guerra puramente defensiva, na crença errada de que havia uma facção liberal forte no México que poderia derrubar o ditatorial presidente Santa Anna.

Apesar de Sam Houston pressionar com urgência para a criação de um exército de 5.000 voluntários, capaz de expulsar a invasão que ele acreditava Santa Anna estar preparado para lançar, o governo provisório concordou na dissolução das tropas remanescentes e relegou seu comandante-em-chefe a uma posição burocrática.

Dois aventureiros, Dr. James Grant e o coronel Frank W. Johnson, foram autorizados a arregimentar entre trezentos e quatrocentos homens em uma expedição para pilhar Matamoros. O governo provisório então autorizou sua própria expedição contra Matamoros, e deu o comando ao coronel James W. Fannin.

Grant e Johnson logo ficaram atolados em San Patricio, temerosos de continuar para Matamoros, a qual tinha sido reforçada, enquanto Fannin permaneceu em Goliad com quase quinhentos voluntários, a maior parte dos Estados Unidos.

Enquanto isso, o presidente Santa Anna estava se movendo para o norte ao lado de 6.000 a 7.000 soldados. Ele fez sua reputação militar repelindo a tentativa espanhola de reconquistar o México em 1829; e subsequentes empreendimentos tiveram tanto sucesso que ele foi apelidado de “Napoleão do Ocidente”.

Santa Anna era vingativo e cruel, contudo, mesmo para os padrões bárbaros então existentes no México, e jamais poupou um inimigo derrotado. Apesar de o presidente possuir alguma habilidade militar, ele sofria de ataques de raiva e era incapaz de se autodisciplinar. Além disso, se o Exército mexicano parecia na aparência com os exércitos europeus do período, os peões alistados e ex-presos possuíam pouca “fibra moral” e, para qualquer padrão, eram porcamente treinados.

Chuva e nevasca, carregadas por ventos cortantes do norte, dificultaram o avanço mexicano pelas planícies áridas e aumentaram as dificuldades normais de uma força retardada por uma artilharia transportada por bois, uma imensa quantidade de bagagem e um grande número de esposas e andarilhos. Uma parada foi feita em Rio Grande, para descansar o exército e fornecer uma oportunidade para pilhar as terras próximas.

Quando a guarda avançada continuou sua marcha em 16 de fevereiro, seu comandante recebeu ordens sinistras de Santa Anna:

“Os estrangeiros que estão fazendo guerra dentro da nação mexicana em violação a toda regra de lei não estão sujeitos a nenhuma consideração e, portanto, nenhuma misericórdia deve ser dada a eles.”

A guarnição de San Antonio foi tomada completamente de surpresa quando a guarda avançada mexicana apareceu em 22 de fevereiro de 1836. A maioria dos homens havia participado de uma festa na noite anterior e ainda estavam cansados e sonolentos. Nenhuma equipe de batedores foi enviada; e, à primeira vista, os relatórios dos sentinelas na torre da igreja de San Fernando não foram levados em consideração.

Somente no último momento a pequena guarnição de 145 homens retirou-se apressadamente através do rio para o Álamo, que ainda não havia sido preparado para defesa, carregando trinta ou quarenta cabeças de gado com eles. O tenente Dickenson parou na cidade somente o suficiente para colocar sua esposa e seu bebê de quinze meses no seu cavalo. Um texano ferido que ainda podia cavalgar foi enviado para Gonzales em busca de reforços e suprimentos adicionais.

Os prédios desta antiga missão consistiam de uma igreja de pedra na forma de uma cruz, mas agora sem teto, um convento e um hospital de tijolos de argila; construções menores e habitações foram construídas sobre as paredes que envolviam a praça central.

Terraplanagens eram agora escavadas; uma paliçada foi erguida onde havia buracos na parede; e dezoito pequenos canhões foram montados. Havia uma fonte adequada de água e dezoito ou dezenove alqueires de milho forma mais tarde descobertos em uma das construções. Mas a munição estava longe de ser suficiente e a guarnição totalmente inadequada para qualquer soldado se defender apropriadamente.

A guarnição não tinha nenhum treinamento, exceto no uso de seus longos mosquetes – uma necessidade na fronteira – e não possuíam nenhuma organização militar. O comando era exercido pelo Tenente-Coronel William Barrett Travis, um advogado de 28 anos de idade da Carolina do Norte.

Os principais voluntários eram o coronel James Bowie, um caçador notório de índios e inventor da adaga Bowie que logo adoeceu por pneumonia, o mais conhecido David Crockett, que tinha chegado há pouco tempo junto com alguns amigos do Tennessee, e o coronel James B. Bonham da Carolina do Sul. Em 24 de fevereiro, Travis discursou um apelo emocionado por ajuda “ao povo do Texas e a todos os americanos do mundo”, enfatizando que a guarnição jamais se renderia.

Mesmo quando o coronel Travis se recusou a se render sob termos, e os mexicanos hastearam uma bandeira vermelha significando “sem misericórdia” na torre da igreja de San Fernando, a situação estava longe de ser desesperadora. Por muitos dias, a investida não foi completa; e os texanos poderiam ter partido à noite, movendo-se em pequenos grupos, tão facilmente quanto os 32 reforços de Gonzales foram capazes de entrar no Álamo na noite de 1º de março.

Apesar do canhão leve com o qual a guarda avançada mexicana foi capaz de causar pequeno dano às defesas, a pequena guarnição logo ficou desgastada com a vigilância constante e alarmes frequentes. Então, em 3 de março, o coronel Bonham, que havia sido enviado a Goliad para buscar ajuda, atravessou a cavalo as linhas mexicanas com notícias desencorajadoras de que não haveria nenhuma.

O coronel Fannin havia conseguido trezentos homens, mas logo retornou. Em seguida, Travis enviou um último apelo por meio de um oficial que caminhou pela escuridão da noite.

A última das tropas mexicanas chegaram em San Antonio em 2 de março e ganharam três dias de descanso. Então, em um conselho de guerra no sábado, 5 de março, Santa Anna anunciou que eles atacariam sem esperar pela chegada do trem do cerco.

Às quatro horas da manhã seguinte, 2.500 homens entraram em formação em quatro colunas de assalto, equipadas com escadas, pés de cabra e aríetes. A área foi cercada para prevenir qualquer fuga; e as bandas tocavam a música espanhola Deguelo, ou garganta cortada, à medida que as colunas marchavam adiante sob os raios da Lua minguante.

A princípio, os ataques foram debelados, mas finalmente, após os remanescentes de outras colunas serem acrescentados ao lado norte, uma entrada foi aberta no jardim do convento. Os defensores foram forçados a recuar para o hospital, contra as fracas paredes que os mexicanos apontavam agora um canhão capturado. Os texanos lutaram aposento a aposento, finalmente com rifles com coronha e adagas Bowie. Travis e Bonham morreram aqui.

No lado sul, uma coluna finalmente derrubou a paliçada e avançou sobre o prédio da igreja. David Crockett morreu antes da entrada. No interior, pistolas à mão, o agora criticamente doente Bowie foi morto em sua cama. Não houve homens sobreviventes. A Sra. Dickenson recebeu um cavalo e enviada para o leste para espalhar a notícia – e involuntariamente espalhar o terror. As baixas mexicanas foram aproximadamente trezentos mortos e quatrocentos feridos.

Enquanto isso, a Convenção, que havia se reunido na pequena enlameada vila de Washington-on-the-Brazos, emitiu uma declaração de independência. Após receber o pedido de Travis por ajuda, Sam Houston foi reeleito por unanimidade comandante-em-chefe e partiu para o alívio do Álamo.

Quando Houston chegou em Gonzales em 9 de março, ele encontrou cerca de 375 homens reunidos lá, mas a confusão reinava; as notícias do massacre no Álamo acabaram de chegar. No dia seguinte, mas notícias más foram recebidas: as pequenas forças de Grant e Johnson foram varridas em San Patricio e próximo a Agua Dulce.

A única saída foi atear fogo em Gonzales e recuar. A zona rural estava em burburinho com boatos; e toda população acompanhou a coluna em marcha de Houston. Mulheres e crianças não podiam ser deixadas para trás à mercê tanto dos mexicanos quanto dos índios hostis; mas eles atrasaram o recuo quase a passos lentos.

Ordens foram enviadas para o Coronel Fannin para abandonar Goliad e voltar para Victoria no Gaudalupe. Mas ele demorou muito; e, quando seu comando finalmente se moveu, ele foi atrasado por uma carroça e nove canhões, todos puxados por bois.

Uma coluna mexicana comandado pelo general Urrea logo o alcançou; e, após um dia de luta na pradaria, Fannin se rendeu com pouca munição. Após marchar de volta a Goliad, os prisioneiros foram fuzilados sob ordens diretas de Santa Anna.

O presidente mexicano agora cometeu o que deveria ser a primeira de várias asneiras. Acreditando que a insurreição havia sido destruída, ele não perseguiu a pequena força de Houston, mas contentou-se apenas em enviar três colunas para manter a ordem.

Como resultado de protestos de seus subordinados, ele desistiu da ideia de retornar à cidade do México, mas permaneceu em San Antonio até 31 de março, antes de se preparar para se reunir à coluna do general Sesma. Mesmo este movimento de Santa Anna foi vagaroso; e sua atenção foi desviada por uma bela jovem e pela desligada pilhagem de casas abandonadas no trajeto.

Houston tinha pouca experiência no comando; mas ele era sábio o bastante para continuar seu recuo, por toda a rede de pequenos córregos no leste do Texas, apesar das reclamações de cabeças quentes que queriam ficar e lutar. Chuva continua e tempestades pesadas tornaram a viagem difícil. Pequenos riachos ficaram inchados, e a pradaria um pântano no qual as rodas das carroças afundavam até os seus eixos.

Em 28 de março, o rio Brazos foi finalmente alcançado.  Ignorando uma nova exigência de que ele ficasse e lutasse, Houston seguiu caminho pelos riachos tão longe quanto Groce´s Ferry. Duas semanas foram gastas lá, descansando os quinhentos homens que fizeram a retirada e treinaram os voluntários que foram agregados ao longo do caminho. Dois canhões de seis libras, doados por cidadãos de Cincinnati, Ohio, também chegaram.

Em 5 de abril, Santa Anna se reuniu finalmente à coluna de Sesma no Rio Colorado. Ignorando a existência contínua da pequena força de Houston, o presidente mexicano parece agora ter acreditado que ele podia ter terminado tudo simplesmente avançando em direção de Harrisburg e capturando os membros do governo provisório que fugiram para lá.

Ele marchou para lá, portanto, com somente 750 homens. Mas, ao encontrar Harrisburg em chamas e sem nenhum traço do governo provisório, ele continuou em direção do leste para a aldeia de Nova Washington em Galveston Bay.   

Em 13 de abril, a força de Houston foi rebocada pelo Brazos e novamente pegou a estrada. O ânimo estava alto após uma noite de descanso e treinamento; mas os homens ainda não tinham ideia do que seu líder tinha em mente. Ele faria a retirada para a fronteira dos Estados Unidos na esperança de que tropas americanas interviessem na luta?

Na verdade, Sam Houston já havia decidido pela luta. Quando soube por meio de seus batedores que Santa Anna havia seguido para Harrisburg, ele virou nordeste e, então, sudeste fazendo um arco gigante. Em 18 de abril, ele alcançou Buffalo Bayou, oposto Harrisburg, somente para descobrir que Santa Anna tinha partido para Nova Washington.


Houston estava agora atrás do confiante presidente mexicano e o tinha colocado numa armadilha, formada por Buffalo Bayou ao norte, o rio San Jacinto ao leste e Galveston Bay ao sul. A partir de informações capturadas de um mensageiro mexicano no dia seguinte, Houston soube que Santa Anna estava planejando voltar a Lynch Ferry, na junção de Buffalo Bayou e o rio San Jacinto. Em seguida, ele enviou a seguinte mensagem:

“Esta manhã (dia 19), estamos em preparação para encontrar Santa Anna. É a única chance de salvar o Texas. De tempos em tempos, tenho procurado por reforços, em vão. A interrupção da  Convenção em Harrisburg levou pânico ao longo do país. O Texas poderia ter conseguido pelo menos 4.000 homens; temos somente 700 para marchar, além da guarda de campo. Vamos para conquistar. É sabedoria crescente por necessidade encontrar e lutar contra o inimigo agora. Toda consideração reforça este quadro. Nenhuma ocasião anterior justificaria isto. As tropas estão com ânimo redobrado, e agora é a época para ação.”

Transferindo suas tropas para o banco sul de Buffalo Bayou, Houston se moveu para dentro de Lynch Ferry 800 km antes de acampar em um carvalhal. Na frente, a pradaria se esticava por quase 3,5 km e, então, se fundia com os pântanos do rio San Jacinto.

Na manhã seguinte (20 de abril), informações chegaram a Santa Anna dizendo que Houston estava atrás dele. O ódio tomou conta do presidente; mas sua explosão e retórica simplesmente jogavam seus subordinados em confusão. Ele logo se acalmava, entretanto, e era capaz de colocá-los novamente em marcha.

Fazendo contato com os texanos aproximadamente às duas horas da tarde, ele tentou um ataque, mas retirou-se quando seus combatentes foram dominados, e acampou cerca de um quilômetro distante, com os pântanos profundos do San Jacinto atrás dele. Exceto por uma escaramuça de cavalaria, o restante do dia passou sem nenhum evento digno de nota.

Na manhã seguinte, Santa Anna ordenou que uma trincheira de selas danificadas, bagagem e sacos com pão velho fosse feita, com uma abertura no meio para seu único canhão. Às nove, o general Cos chegou com um reforço de cerca de 400 soldados; mas eles estavam extremamente cansados após uma marcha forçada, de modo que o presidente decidiu deixar sua força total passar o dia descansando.
  
O conselho de guerra texano estava dividido sobre a questão de atacar os mexicanos, com uma força duas vezes maior, ou esperar em suas próprias linhas de defesa mais fortes. Houston não expressou nenhuma opinião antes de dispensar o conselho. Mas ele enviou um famoso batedor da fronteira, “Surdo” Smith, com uma companhia para demolir a frágil ponte Vince, o único meio de entrada e saída para ambos os exércitos de modo a tornar o campo de batalha praticamente uma ilha.

Às 3h30min da tarde Houston ordenou repentinamente ao seu exército de 783 homens para organizar uma formação sob a proteção de carvalhos: a infantaria constituía a esquerda e o centro, enquanto os dois canhões de Cincinnati e 60 membros da cavalaria sob o comando do coronel Mirabeau Napoleon Lamar – um voluntário que recebeu o comando pela valentia mostrada na escaramuça do dia anterior – estavam à direita.

Às quatro horas aproximadamente, os texanos avançaram contra um sol forte da tarde. O avanço rapidamente se transformou numa corrida à medida que as tropas se aproximavam do campo mexicano, com Houston atrás de seus homens e ordenando que segurassem os tiros.

De acordo com seu próprio plano pré-arranjado, “Surdo” Smith agora galopava pela frente de batalha gritando: “Destruí a Ponte Vince, agora lutem por suas vidas e lembrem-se do Álamo!” Os dois canhões foram disparados quase simultaneamente, abrindo buracos na barricada mexicana.

O inimigo foi pego de surpresa. Santa Anna, que ainda subestimava seus adversários, estava fazendo uma siesta em sua tenda. Muitos de seus oficiais e soldados estavam também dormindo: outros estavam cozinhando, exercitando seus cavalos ou cortando madeira nas florestas adjacentes para proteção. Muitos não tiveram tempo de carregar seus mosquetes antes que os texanos estivessem sobre eles com coronhas de rifles e adagas Bowie -  eles não tinham baionetas.

Em questão de minutos, o exército mexicano estava em combate total; mas, com a Ponte Vince destruída, somente quarenta escaparam. Os remanescentes foram executados enquanto lutavam no pântano próximo, mortos por espadas pelos poucos texanos a cavalo enquanto atravessavam as pradarias ou foram sortudos o suficiente para serem feitos prisioneiros. As baixas texanas foram somente seis mortos e 25 feridos.

No dia seguinte, Santa Anna foi preso, disfarçado de soldado comum, e levado diante de Houston, que havia sido severamente ferido no pé. Após um armistício ter sido acordado, o temporariamente desacreditado presidente foi liberado para voltar ao México. Um tratado de paz logo foi realizado, reconhecendo a independência do Texas.

Nove dias depois, a república foi aceita na União como o vigésimo oitavo estado. Hoje, o campo de batalha de San Jacinto permanece bem dentro da ainda crescente cidade de Houston, enquanto o Álamo é um santuário e museu na cidade de San Antonio, mantido pela organização Filhas da República do Texas. Ruas, hotéis e centrais telefônicas carregam o nome daqueles que lutaram pela independência.    

domingo, 29 de março de 2015

[POL] O Pensamento de Adolf Hitler... por ele mesmo

Emerson Paubel



Para se entender uma doutrina política ou religiosa, por mais repulsiva que possa parecer aos olhos de alguns, é preciso conhecer a fonte primária. Assim, é impossível ter uma noção do Comunismo sem ler Marx, assim como é impossível entender o Islamismo sem ler o Alcorão e o Nazismo sem ler o Mein Kampf. Proibir obras que pregam ódio a uma classe ou raça não ajuda a combater preconceitos, pelo contrário, aumenta a curiosidade das pessoas sobre elas.

O objetivo deste artigo é entender o pensamento político e econômico de Adolf Hitler usando, ao invés das análises de historiadores, suas próprias palavras. A reprodução do texto completo – além de ser proibida – não resolveria a situação porque ele é terrivelmente longo, cansativo e repetitivo, além de apresentar alguns erros do ponto de vista histórico, em relação a descobertas feitas nas últimas décadas.

A leitura do Mein Kampf explicita, de modo contundente, as políticas que foram mais tarde postas em prática no breve governo da Alemanha Nazista, como o Lebensraum, o trabalho escravo de prisioneiros de guerra e o Holocausto.

O texto abaixo não segue a ordem natural do livro. As ideias foram agrupadas no sentido de dar consistência lógica às opiniões.   

INFÂNCIA E JUVENTUDE NA ÁUSTRIA

Considero hoje como uma feliz determinação da sorte que Braunau no Inn tenha sido destinada para lugar do meu nascimento. Essa cidadezinha está situada nos limites de dois países alemães cuja volta à unidade antiga é vista, pelo menos por nós jovens, como uma questão de vida ou morte.

Nessa cidade do Inn... moravam meus pais no fim do ano 80 do século passado, meu pai como funcionário público, fiel cumpridor de seus deveres, minha mãe absorvida nos afazeres domésticos e, sobretudo, sempre dedicada aos cuidados da família.[1]

Enquanto a resolução do meu pai de fazer-me funcionário público encontrou em mim apenas uma oposição de princípios, o conflito foi facilmente suportável... A situação agravou-se quando ao plano de meu pai eu opus o meu. Esse fato aconteceu já aos treze anos. Como isso se deu, não sei bem hoje, mas um dia pareceu-me claro que eu deveria ser artista, pintor.

Era para mim abominável o pensamento de, como um escravo, um dia sentar-me em um escritório, de não ser o senhor do meu tempo mas, ao contrário, limitar-me a ter como finalidade na vida preencher formulários!

Nesses tempos, meus certificados de estudos apresentavam sempre notas extremas, de acordo com as matérias e o apreço que eu tinha por elas. Digno de louvor e ótimo de um lado; sofrível ou péssimo do outro. Incomparavelmente melhores eram meus trabalhos em geografia e, sobretudo, em história. Eram essas as duas matérias favoritas, nas quais fazia progressos na classe.

Quando minha mãe morreu, meu destino, sob certo aspecto, já se tinha decidido... Armado de um grosso volume de desenhos, dirigi-me à capital austríaca convencido de poder facilmente ser aprovado no exame de admissão à Academia. Estava tão convencido do êxito do meu exame que a reprovação que me anunciaram feriu-me como um raio que caísse de um céu sereno... Quando me apresentei ao diretor para pedir-lhe os motivos de minha não aceitação, assegurou-me ele que minha vocação era visivelmente para a arquitetura.

Viena, a cidade que para muitos é reputada como um complexo de inocentes prazeres, vale para mim, infelizmente, como uma viva lembrança dos mais tristes tempos de minha vida... Já no fim do século passado, Viena pertencia ao número das cidades em que era visível o desequilíbrio social. Brilhante riqueza e degradante pobreza revezavam-se em contraste violento. No centro da cidade, nas suas adjacências, sentia-se o pulsar do império de52 milhões. A Corte no seu deslumbrante esplendor, agia como um imã sobre a riqueza e a inteligência do resto do estado... Diante dos palácios da Ringstrasse perambulavam milhares de sem-trabalho e, por baixo dessa via triunfal da Velha Áustria, amontoavam-se os sem-teto, no lusco-fusco e na imundice dos canais.

Assim estava eu também decidido a lançar-me de corpo e alma no mundo... Cedo me convenci de que trabalho há sempre, mas perdemo-lo com a mesma facilidade com que o ganhamos. A incerteza do ganho do pão cotidiano, dentro de pouco tempo, pareceu-me ser o aspecto mais sombrio da nova vida. No ano de 1909 para 1910, minha própria situação modificou-se um pouco porque não precisava mais ganhar o pão de cada dia como ajudante de operário. Já trabalhava por minha própria conta como desenhista e aquarelista. Continuava a ganhar muito pouco – o essencial para viver – mas, em compensação, tinha oportunidades para aperfeiçoar-me na profissão que havia escolhido... Eu pintava para ganhar o pão e estudava por prazer. 

Viena era e permaneceu para mim a mais rude, embora mais completa, escola da minha vida. Eu pisara essa cidade ainda meio criança e a abandonei já homem feito. Nela recebi os fundamentos de uma concepção política em pequena escala, que mais tarde ainda tive de completar em detalhes, porém que nunca mais me abandonara.

Na primavera de 1912 fui definitivamente para Munique... Uma cidade alemã! Que diferença de Viena! Sentia-me mal em pensar naquela Babel de raças.

GUERRA MUNDIAL

Revolvendo a biblioteca paterna deparei com diversos livros sobre assuntos militares... Não tardou muito para que a grande luta de heróis se transformasse em mim em um acontecimento da mais alta significação. Daí em diante, eu me entusiasmava cada vez mais por tudo que, de qualquer modo, se relacionasse com guerra ou com a vida militar... Ah! Se me tivesse sido possível nascer cem anos antes! Mais ou menos no tempo das guerras de independência, quando o homem, mesmo sem negócios, ainda valia alguma coisa!


Durante trezentos anos a história do nosso continente caracterizou-se pela tentativa da Inglaterra de cercar-se da necessária garantia contra coalizões de potências que pudessem perturbar os seus planos de política mundial. A tendência tradicional da diplomacia britânica... era... impedir, por todos os meios, que qualquer uma das grandes potências europeias se elevasse de maneira a tornar-se predominante.

Depois que a Europa e os Países Baixos deixaram de ser grandes potências marítimas, as forças do Estado inglês concentraram-se contra a elevação da França à posição de grande potência até que, finalmente, com a queda de Napoleão Bonaparte a hegemonia desse poder militar, o mais perigoso para a Inglaterra, parecia para sempre destruída.

A mudança de orientação da diplomacia inglesa a respeito da Alemanha, em consequência de sua falta de unidade, não oferecia nenhum perigo... Já em 1870/71, a Inglaterra tinha adotado uma nova atitude... via na Alemanha uma potência cuja importância econômica e, portanto, política, em consequência de sua enorme industrialização, aumentava em proporções ameaçadoras... Para isso, a Inglaterra recorreu a alianças com todos os países militarmente fortes, o que estava de acordo com sua proverbial precaução na avaliação das forças do inimigo e com o conhecimento de sua própria fraqueza militar no momento.

Graças a Deus, a luta do ano de 1914 não foi, na realidade, imposta e sim desejada pelo povo inteiro... Em geral, ninguém podia, naquela época, ter a menor ideia da duração da luta que, então, se iniciara. Sonhava-se poder estar de volta à casa no próximo inverno a fim de retornar o trabalho pacífico.

Minha atitude em face do conflito era bem clara e definida... A 3 de agosto apresentei um requerimento à Sua Majestade, o rei Luis III, no qual solicitava a permissão para assentar praça num regimento bávaro... poucos dias depois, envergava a farda, que quase seis anos mais tarde deveria despir.

No verão de 1915 caíram em nossas mãos os primeiros boletins inimigos.... Todos afirmavam que a miséria na Alemanha aumentaria cada vez mais; que a duração da guerra seria infinita; que as probabilidades de vitória seriam cada vez menores; que só o militarismo e o Kaiser queriam a continuação da guerra.... que as nações liberais e democráticas, uma vez encerrada a guerra, aceitariam a Alemanha na liga eterna da paz mundial.

A 7 de outubro de 1916 fui ferido. Consegui ser levado para a retaguarda e devia voltar para a Alemanha em um trem de ambulância... Logo que pude andar de novo, consegui licença para ir a Berlim... A miséria áspera, mais negra, era visível por toda a parte. A cidade de milhões estava faminta. O descontentamento era grande... Descontentamento, desânimo, imprecações por toda a parte... No mundo dos negócios pior ainda era o estado das coisas... Assim é que, na realidade, já no ano de 1916 para 1917 quase toda a produção se achava sob o controle dos financistas judeus.

Lá pelos fins do ano de 1917... após o colapso russo... a tropa começava cada vez mais a se convencer de que a luta havia de acabar com a vitória da Alemanha... Justamente enquanto a frente fazia os últimos preparativos para o término final da luta.... arrebentou na Alemanha a maior patifaria de toda a guerra... Organizou-se a greve das munições.

A primeira impressão do mundo foi de estupefação. Em seguida, porém, a propaganda inimiga, tomada de novo alento, atirou-se a essa tábua de salvação da décima segunda hora... Foi esse o resultado da greve das munições. Ela reavivou entre os povos inimigos a fé na vitória e pôs termo à paralisante depressão no front aliado. Em consequência disso, milhares de soldados alemães tiveram que pagar com seu sangue esse desatino.

Agora, no outono de 1918, estávamos, pela terceira vez, no terreno da ofensiva de 1914... Na noite de 13 a 14 de outubro começou o bombardeio a gás na frente sul de Ypres... Estávamos ainda numa colina ao sul de Werwick na noite de 13 de outubro quando caímos sobre um fogo de granadas que já durava horas e se prolongou pela noite adentro... Já algumas horas mais tarde, os olhos tinham se transformado em carvão incandescente. Em torno de mim tudo estava escuro. Foi assim que eu vim para o hospital de Pasenwalk na Pomerânia e ali tive de assistir à Revolução!

A 10 de dezembro, o velho pastor veio ao hospital para a uma pequena prédica... O velho e digno senhor parecia tremer ao nos comunicar que a Casa dos Hohenzollern não mais poderia usar a coroa imperial e que a Pátria se tinha transformado em uma República.

Foi para isso que o soldado alemão tinha persistido ao sol e à neve, sofrendo fome, sede, frio e cansaço das noites sem dormir e das marchas sem fim?... Quanto mais eu procurava esclarecer as ideias, nessa hora, tanto mais eu corava de raiva e vergonha... nessas noites cresceu em mim o ódio contra os responsáveis por esses acontecimentos. Nos dias que se seguiram tive a consciência do meu destino.

INÍCIO DO MOVIMENTO NAZISTA

Um dia, recebi ordem da autoridade superior para ir verificar o que se passava num grêmio aparentemente político, cujo nome era “Partido dos Trabalhadores Alemães”[2]... A impressão que tive não foi má; um grêmio recém-fundado como muitos outros. Estávamos justamente em uma época em que todo mundo se julgava habilitado a fundar um novo partido, isso porque a ninguém agradava o rumo que as coisas tomavam e os partidos existentes não mereciam nenhuma confiança.

Quanto mais eu refletia sobre o assunto, mais crescia em mim a convicção de que justamente de um tal movimento pequeno é que algum dia poderia ser preparado o reerguimento da nação, e nunca dos partidos políticos parlamentares, presos a velhos preconceitos ou mesmo dependentes das benesses do novo regime.

Aceitei a minha inclusão como sócio do DAP e recebi um cartão provisório de sócio, com o número sete.

Quando, no outono de 1919, entrei para o Partido, então composto de seis membros, este não tinha nem um escritório nem um empregado; nem mesmo formulários, carimbos, impressos existiam. O local para as reuniões do comitê era, a princípio, um restaurante na Herrengasse e mais tarde um café em Casteig. Isso era uma situação intolerável. Pouco tempo depois pus-me a visitar um grande número de cervejarias e restaurantes de Munique, com a intenção de poder alugar um quarto separado ou qualquer outro local para o partido. No antigo Sterneckerbräu encontrei um pequeno lugar, um sótão que antigamente serviu aos conselheiros do Estado da Baviera como uma espécie de taberna... Pouco a pouco fomos melhorando a instalação. Primeiro instalamos luz elétrica, depois um telefone; levamos para dentro uma mesa com algumas cadeiras emprestadas, finalmente uma prateleira, um pouco mais tarde um armário; dois balcões pertencentes ao dono da casa deviam servir para guardar folhetos, cartazes, etc.

Pobres diabos, coletávamos pequenas quantias de dinheiro entre nossos conhecidos com o que conseguimos anunciar uma reunião no jornal München Beobachter... O sucesso dessa vez foi espantoso... Às sete horas, com a presença de cento e onze pessoas, começou a sessão... Falei trinta minutos e... a plateia estava eletrizada e o entusiasmo foi tal que meu apelo a uma contribuição dos presentes rendeu trezentos marcos... A situação financeira era precária já que não tínhamos recursos para mandar imprimir as linhas gerais do programa ou mesmo boletins informativos.

Mais ou menos em 1919, realizou-se... a segunda grande reunião... Eu falei quase uma hora e o êxito foi maior do que o do primeiro encontro.  O número tinha subido a mais de cento e trinta... Quatorze dias depois realizou-se uma reunião maior, no mesmo local. O número de ouvintes tinha ultrapassado cento e setenta – uma casa cheia.

Em 1920, era impossível, em muitas regiões da Alemanha, aventurar-se alguém a dirigir um apelo às massas populares para uma assembleia nacionalista e convidá-las publicamente. Os que participavam dessas reuniões acabavam tendo suas cabeças partidas em pancadaria. Os chamados grandes comícios coletivos burgueses eram debandados por uma dúzia de comunistas, como aconteceria com lebres fugindo de cães.

No começo do ano de 1920 eu insisti pelo primeiro grande comício. A imprensa vermelha começava a se ocupar de nós... Para irritá-los, adotamos de início a denominação de Partido para o nosso movimento, que tomou o nome de Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães.[3]

Em dezembro de 1920, foi comprado o Völkische Beobachter. Este jornal diário que defendia, como já indicava o seu nome, interesses populares em geral, devia agora ser transformado em órgão do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. No princípio, era publicado duas vezes por semana, no começo de 1923 diariamente, e, em fins de agosto daquele ano, foi publicado no formato que conservou até hoje.


Já no ano de 1922, existiam certas diretrizes para guiar o movimento, tanto no sentido econômico quanto no organizacional. Já existia um arquivo central completo, que abrangia todos os membros do movimento. Despesas normais deviam ser cobertas por entradas normais, entradas extraordinárias eram empregadas para satisfazer as despesas extraordinárias... Trabalhava-se como em uma empresa privada: o pessoal devia distinguir-se pela sua competência e de nenhum modo pelo critério da célebre “convicção” partidária... Um movimento que luta de forma tão dura contra a corrupção partidária do nosso sistema administrativo deve conservar sua própria organização limpa de semelhantes vícios.

A cor vermelha de nossos cartazes fazia com que eles afluíssem às nossas salas de reunião. A burguesia mostrava-se horrorizada por nós termos também recorrido à cor vermelha dos bolchevistas, suspeitando, atrás disso, alguma atitude ambígua. Os espíritos nacionalistas da Alemanha cochichavam uns aos outros a mesma suspeita, de que, no fundo, não éramos senão uma espécie de marxistas... A diferença entre marxismo e socialismo até hoje ainda não entrou nessas cabeças... A cor vermelha de nossos cartazes foi por nós escolhida, após reflexão exata e profunda, com o fito de excitar a esquerda, de revoltá-la e induzi-la a frequentar nossas assembleias... Como nacionais-socialistas, costumamos ver na nossa bandeira o nosso programa. No vermelho, vemos a ideia socialista do movimento, no branco a ideia nacional, na cruz suástica a missão da luta pela vitória do homem ariano, com a vitória da nossa missão renovadora que foi e será sempre antissemita.

PARLAMENTO E ESTADO

Estou convencido de que, a menos que se trate de indivíduos dotados de dons excepcionais, o homem, em geral, não deve se ocupar publicamente da política antes dos trinta anos de idade. Não o deve porque só então se realiza, o mais das vezes, a formação de uma base de ideias... A não ser assim, corre ele o perigo de um dia mudar de atitude sobre questões essenciais ou, contra as suas ideias e sentimentos, permanecer fiel a uma maneira de ver desde muito tempo repelida pela sua razão, pelas suas convicções... Se, por infelicidade dos homens decentes, um sujeito desses chega ao Parlamento... para ele a essência da política consiste apenas numa luta heroica pela posse de uma “mamadeira” para si e para a sua família.

Um chefe político que se ver na contingência de abandonar as suas ideias, reconhecendo-as como falsas, só procederá com decência se, ao reconhecer a falsidade das mesmas... renunciar ao exercício público de uma futura atividade política... De modo algum, pode mais pretender ou exigir a confiança de seus concidadãos.

Sempre odiei o Parlamento, mas não a instituição em si. Ao contrário, como homem de sentimentos liberais, eu não podia imaginar outra possibilidade de governo, pois a ideia de qualquer ditadura, dada a minha atitude em relação à Casa dos Habsburgos, seria considerada um crime contra a liberdade e contra a razão.

O que mais... me fazia refletir no exame do parlamentarismo era a falta evidente de qualquer responsabilidade individual dos seus membros. O Parlamento toma qualquer decisão – mesmo as de consequências mais funestas – e ninguém é por ela responsável, nem é chamado a prestar contas... Que pode fazer o estadista que só consegue pela lisonja conquistar o favor desse aglomerado para os seus planos?... E eis aí uma das principais razões porque essa espécie de atividade política é desprezível e odiosa a todo homem de sentimentos decentes. Na realidade, esse chamado governo não pode dar um passo sem que antes lhe seja outorgado o assentimento geral da assembleia... Ele só existe para executar a vontade da maioria parlamentar em todos os casos.

A composição íntima dos quinhentos representantes do povo, eleitos, segundo a profissão ou mesmo segundo a capacidade de cada um, resulta em um quadro tão disparatado quanto lastimável... Quinhentos homens, porém, decidem sobre os negócios mais importantes da nação... A decisão final será dada sempre por uma maioria de ignorantes e incompetentes... Assim é que o representante ainda sincero é jogado forçosamente no caminho da mentira e da falsidade.

Não é característica de nossa atual democracia formar uma assembleia de sábios, mas, ao contrário, reunir uma multidão de nulidades subservientes... Só assim pode ser feito o jogo da política partidária, no mau sentido que hoje tem.

Em contraposição ao que precede está a verdadeira democracia germânica, que escolhe livremente o seu líder, sobre quem recai a inteira responsabilidade de todos os atos que pratique ou deixe de praticar.

O Estado não é uma assembleia de negociantes que, durante uma geração, se reúna dentro de limites definidos para executar projetos econômicos, mas a organização de uma comunidade homogênea por natureza e sentimento, unida para a promoção e conservação de sua raça e para a realização do destino que lhe traçou a Providência... O instinto de conservação de espécie é sempre a causa da formação das sociedades humanas. Por isso, o Estado é um organismo racial e não uma organização econômica.

De um modo geral, não se deve esquecer nunca que a conservação de um Estado ou de um governo não é o mais elevado fim da existência humana, mas o de conservar o seu caráter racial... Os direitos humanos estão acima dos direitos do Estado, porém, na luta pelos direitos humanos, uma raça é subjugada, significando isso que... quem não é capaz de lutar pela vida tem o seu fim decretado pela Providência.

Nenhum sistema de governo pode manter-se por muito tempo somente baseado na força, mas sim pela confiança pública na excelência do mesmo e pela probidade dos representantes e dos interesses coletivos.

O PAPEL DO LÍDER POLÍTICO

A missão de um doutrinador não é a de estabelecer vários graus de exequibilidade de uma determinada causa e sim a de esclarecer o fato em si. Isso quer dizer que o mesmo deve se preocupar menos com o caminho a seguir do que com o fim a atingir... O doutrinador de um movimento deve estabelecer a finalidade do mesmo; o político deve procurar realizá-lo... Quanto mais abstratamente certa e, portanto, mais formidável for uma ideia, tanto mais impossível se torna a sua realização, uma vez que ela depende de criaturas humanas. É por isso que não se deve medir a importância das doutrinas pela realização de seus fins, e sim pela verdade dos mesmos e pela influência que eles tiveram no desenvolvimento da humanidade. Se assim não fosse, os fundadores das religiões não poderiam ser considerados entre os maiores homens desse mundo, porquanto a realização de suas intenções nunca será aproximadamente integral.

Um grande teórico é raramente um grande organizador, pois o valor do teórico consiste, em primeiro lugar, na noção de definição de leis abstratamente exatas, enquanto o organizador deve ser, em primeiro lugar, um conhecedor da psicologia popular. Deve ver os homens como eles são na realidade. Não lhes deve dar demasiada importância nem depreciá-los no meio da massa. Ao contrário, deve ter em conta a sua fraqueza como o seu aspecto instintivo para, tomando em consideração todos os fatores, organizar uma força capaz de sustentar uma ideia e de garantir o sucesso!

Um grande teórico raramente será um líder. A um agitador é mais fácil possuir essas qualidades, apesar da oposição dos teóricos puros. Isso é perfeitamente compreensível. Um agitador capaz de comunicar uma ideia à grande massa precisa conhecer a psicologia do povo, mesmo que ele não seja senão um demagogo. Mesmo nessa hipótese, ele será um líder mais apto do que o teórico desconhecedor da psicologia humana. Para ser chefe é preciso ter a capacidade para movimentar as massas. A capacidade intelectual nada tem a ver com capacidade de comando... A existência, no mesmo indivíduo, do teórico, do organizador e do líder é o mais raro fenômeno deste mundo. Quando isso se dá trata-se de um gênio. 

Já naquele tempo exigi que, como na vida privada, também a respeito do movimento, se deveria buscar dentro dos diferentes setores o empregado, administrador ou gerente evidentemente capaz e honesto. Depois disso, dever-se-ia conferir-lhe a autoridade e a liberdade de ação incondicionais a respeito dos seus subordinados e, ao mesmo tempo, exigir deles responsabilidade ilimitada para com seus superiores. Ninguém pode ter autoridade sobre subordinados sem pessoalmente conhecer o trabalho em questão.

OBJETIVOS DO MOVIMENTO NAZISTA

A finalidade e a razão de ser das revoluções não consistem em demolir o edifício inteiro, mas afastar as causas de sua ruína, reconstruindo a parte ameaçada de demolição.

Que milhões de homens desejam de coração uma mudança fundamental na situação de hoje, prova-o o descontentamento profundo que eles experimentam... E é a esses, em primeiro lugar, que se deveria dirigir o novo movimento.

Um movimento de grandes objetivos deve, pois, diligenciar para não perder o contato com a massa do povo... A arte de todos os grandes condutores de povos, em todas as épocas, consiste, em primeira linha, em não dispensar a atenção de um povo, e sim em concentrá-la contra um único adversário. Quanto mais concentrada for a vontade combativa de um povo, tanto maior será a atração magnética de um movimento e mais formidável o ímpeto do golpe.

Quem quiser conquistar as massas deve conhecer a chave que abre as portas do seu coração. Essa chave não se chama objetividade ou debilidade, mas sim vontade e força.

O novo movimento é, na sua essência e na sua organização, antiparlamentarista, isto é, rejeita, em princípio, toda teoria baseada na maioria dos votos, que impliquem na ideia de que o líder do movimento degrada-se à posição de cumprir as ordens dos outros.

Tanto nas pequenas questões como nas grandes, o movimento baseia-se no princípio da indiscutível autoridade do chefe, combinada a uma responsabilidade integral... Os adeptos do movimento têm sempre, porém, a liberdade de chamá-lo à responsabilidade e, por uma nova escolha, destituí-lo do cargo, desde que ele tenha abandonado os princípios fundamentais da causa ou tenha servido mal aos seus interesses. Uma das principais tarefas do movimento é tornar esse princípio decisivo, não só dentro das próprias fileiras do partido como na organização do Estado.

Por isso, o movimento é antiparlamentarista. A sua participação em uma tal instituição só pode ter como objetivo de destruir o Parlamento.

A missão do movimento não é a de uma reforma religiosa, mas a da reorganização política de nosso povo. Vê em ambas as religiões[4] um valioso esteio para a existência da nação e, por isso, combate os partidos que pretendem transformar essa base moral e espiritual do povo em instrumento dos seus interesses.

Finalmente... sua missão não consiste em fundar uma Monarquia ou estabelecer uma República, mas criar um Estado germânico.


Quando um movimento tem como finalidade demolir uma situação existente para reconstruir, em seu lugar, um mundo novo, é preciso que os seus líderes estejam todos em comum acordo sobre os seguintes princípios fundamentais: cada movimento deve dividir o estoque humano conquistado para a causa em dois grandes grupos: adesistas e combatentes.

Adesista de um movimento é aquele que aceita sua finalidade, combatente aquele que luta pela mesma. O adesista é alistado para um movimento por meio da propaganda. O combatente é levado pela organização a cooperar pessoal e ativamente para o alistamento de novos adesistas, dos quais então se pode recrutar novos combatentes.

Como a qualidade de adesista exige somente o reconhecimento passivo de uma ideia, e a qualidade de combatente a representação ativa e a sua defesa, entre dez adesistas encontrar-se-ão no máximo um a dois combatentes.

A qualidade do adesista baseia-se na compreensão da doutrina, a de combatente na coragem de defender e divulgar as noções adquiridas.

O futuro do movimento depende do fanatismo, mesmo da intolerância, com a qual seus adeptos o defenderão como a única causa justa e de quaisquer outros esquemas de caráter semelhante... A grandeza do Cristianismo não está em qualquer tentativa de reconciliação com opiniões similares da filosofia pagã, mas na inexorável e fanática proclamação das suas próprias doutrinas.

O objetivo de nossa luta deve ser a garantia da existência e da multiplicação de nossa raça e de nosso povo, da subsistência de seus filhos e da pureza do sangue, da liberdade e independência da Pátria, a fim de que o povo germânico possa amadurecer para realizar a missão que o Criador do Universo a ele os destinou.

PROPAGANDA E IMPRENSA

O fracasso militar foi, não há dúvida, a consequência de uma série de manifestações doentias de uma parte da nação. Essas manifestações já vinham infeccionando o país antes da guerra. A derrota foi o primeiro resultado catastrófico visível, por parte do povo, de um envenenamento que consistia no enfraquecimento do instinto de conservação, resultante da propaganda de doutrinas que, há muito, vinham minando os fundamentos da nação e do Império.

A propaganda durante a guerra era um meio para um determinado fim, e esse fim era a luta pela existência do povo alemão. Portanto, a propaganda só poderia ser encarada sob o ponto de vista de princípios conducentes àquele objetivo.


Depois da minha entrada no NSDAP, tomei imediatamente conta da direção da propaganda. Eu tinha este setor, naquele momento, como o mais importante de todos. Tratava-se menos de assuntos de organização do que de propagar a ideia ao maior número possível. A propaganda devia preceder à organização, conquistando o material humano necessário a esta. 

O fim da propaganda não é a educação científica de cada um, e sim chamar a atenção da massa sobre determinados fatos, necessidades, etc., cuja importância só assim cai no círculo visual da massa.


O primeiro dever da propaganda consiste em conquistar adeptos para a futura organização; o primeiro dever da organização consiste em conquistar adeptos para a continuação da propaganda. O segundo dever da propaganda é a destruição do atual estado de coisas e a disseminação da nova doutrina, enquanto que o segundo dever da organização deve ser a luta pelo poder para conseguir, por esse meio, o sucesso definitivo da doutrina.

A propaganda trata de impor uma doutrina a todo povo; a organização aceita no seu quadro unicamente aqueles que não ameaçam se transformar em obstáculo a uma maior divulgação da ideia. A propaganda estimula a coletividade no sentido de uma ideia, preparando-a para a vitória da mesma; a organização tem de ganhar a vitória mediante concentração dos adeptos corajosos, capazes de combater pelo triunfo comum.

Assim sendo, a constante preocupação da propaganda deve ser no sentido de conquistar adeptos, ao passo que a organização deve cuidar escrupulosamente de selecionar, entre os adesistas, os lutadores mais eficientes. A propaganda, portanto, não necessita examinar o valor de cada um dos por ela convertidos quanto à eficiência, capacidade, inteligência ou caráter, enquanto que a organização deve escolher cautelosamente, da massa destes elementos, os que efetivamente têm capacidade para levar o movimento à vitória.

Propaganda e organização estão em função uma da outra. Quanto melhor tiver agido a propaganda tanto menor poderá ser a organização; quanto maior for o número de adesistas, tanto mais modesto pode ser o número dos combatentes e, vice-versa; quanto pior for a propaganda, tanto maior deve ser a organização e quanto mais diminuto o número de adesistas de um movimento tanto mais numeroso deve ser o número dos seus organizadores, se se quiser contar com sucesso... O maior perigo que pode ameaçar um movimento é um número exagerado de adeptos adquiridos em consequência do êxito fácil. Todos os covardes e egoístas fogem de um movimento, enquanto este tem de enfrentar lutas ásperas, ao passo que ao mesmo acorrem quando o êxito é fácil de prever ou já se realizou... Este é o motivo pelo qual muitos movimentos fracassam antes de atingir a sua finalidade, suspendem a luta e finalmente desaparecem. 

Toda propaganda deve ser popular e estabelecer seu nível espiritual de acordo com a compreensão do mais ignorante dentre aqueles a quem ela pretende se dirigir.

A capacidade de compreensão do povo é muito limitada, mas em compensação a capacidade de esquecer é grande. Assim sendo, a propaganda deve se restringir a poucos pontos.


O discurso de um estadista, falando ao seu povo, não deve ser avaliado pela impressão que o mesmo provoca no espírito de um professor universitário, mas no efeito que produz sobre as massas.

Os comícios populares são necessários, justamente porque neles o indivíduo que se sente inclinado a tomar parte em um movimento, mas receia ficar isolado, recebe pela primeira vez a impressão de uma coletividade maior, o que provoca, na maior parte dos espíritos, um estímulo e um encorajamento.

Resulta da própria natureza das coisas que no volume da mentira está uma razão para ela ser mais facilmente acreditada, pois a massa popular, nos seus mais profundos sentimentos, não sendo má, consciente e deliberadamente, é menos corrompida e, devido à simplicidade de seu caráter, é mais frequentemente vítima de grandes mentiras do que de pequenas.

Em conjunto, podem ser divididos os leitores de jornais em três grandes grupos:

1º) Os que acreditam em tudo que leem;

2º) Os que já não acreditam em nada;

3º) Os que submetem tudo à crítica para chegarem a um julgamento seguro.

O primeiro grupo é muito mais numeroso que os outros. Compõe-se da grande massa do povo e, por isso mesmo, da parte mais intelectualmente fraca da nação... Assim, a maneira de encarar os problemas do dia é quase sempre resultado da influência das ideias que lhe vem de fora.

Não pode ser designado por classes, mas pelo grau de inteligência. A esse grupo pertencem aqueles que não nasceram para ter pensamento inteligente, ou que não foram educados para pensar... e os preguiçosos que por indolência aceitam tudo o que os outros pensam.

O segundo grupo é... composto de elementos que... depois de amargas decepções... não acreditam em mais nada que lhes seja apresentado... É difícil manobrar com esses homens... e não se pode contar com eles para qualquer agitação eficiente.

O terceiro grupo compõe-se dos espíritos de elite que... aprenderam a pensar com inteligência... e que submetem todas as suas cuidadosas leituras ao crivo da razão para daí tirar consequências... Infelizmente, o valor desses tipos brilhantes jaz apenas na sua inteligência e não no número.

EDUCAÇÃO E CULTURA

A arte de pensar pela história, que tinha sido ensinada na escola, nunca mais me abandonou. A história tornou-se para mim, cada vez mais, uma fonte inesgotável de conhecimentos para agir no presente, isto é, para a política. Eu não quero aprender a história por si, mas, ao contrário, quero que ela me sirva de ensinamento para a vida.

O ensino da História Universal nas chamadas escolas médias ainda hoje deixa muito a desejar. Poucos professores compreendem que a finalidade do ensino de história não deve consistir em aprender de cor datas e fatos ou obrigar o aluno a saber quando esta ou aquela batalha se realizou... Não, graças a Deus, não é isso que se deve tratar.

Sob o nome de leitura, concebo coisas muito diferentes do que pensa a grande maioria dos chamados intelectuais... A leitura não deve ser vista como uma finalidade, mas sim como um meio para alcançar uma finalidade. Em primeiro lugar, a leitura deve auxiliar a formação do espírito, a despertar as disposições intelectuais e inclinações de cada um... Em segundo lugar, deve proporcionar uma ideia do conjunto do mundo.

Quem possui, porém, a arte da boa leitura, ao ler qualquer livro, revista ou brochura, dirigirá sua atenção para tudo o que no seu modo de ver mereça ser conservado durante muito tempo, quer porque seja útil, quer porque seja de valor para a cultura geral... Só assim a leitura tem sentido e finalidade.

Uma das piores provas da decadência da Alemanha, já antes da guerra, era a quase indiferença geral que se notava a respeito de tudo... O sistema educacional contribuía para agravar essa situação... Havia muitos pontos fracos na educação dos alemães, antes da guerra. Eram inspiradas em um sistema unilateral, visando principalmente a instrução pura, sem se preocupar em fornecer ao povo a capacidade prática. Menos ainda se pensava na formação do caráter, muito pouco se cogitava encorajar o senso de responsabilidade e nada absolutamente sobre o cultivo da força de vontade e de decisão. A consequência disso é que não se faziam homens fortes, mas maleáveis sabichões.

Antes de tudo, é preciso por no mesmo plano a educação intelectual propriamente dita e a educação física!... Com os nossos processos educacionais, tem-se a impressão de que todos se esqueceram de que um espírito sadio só pode existir em um corpo são... Na fraqueza física está a razão principal da covardia dos indivíduos... O valor excessivo dado à cultura intelectual pura e a negligência em relação à formação física dão origem, antes do tempo, às solicitações sexuais. O jovem que se fortalece nos desportos e nos exercícios de ginástica está menos propenso a capitular ante seus instintos do que aquele que vive na sala de estudo.

É um interesse essencial do Estado e da Nação evitar que o povo caia nas mãos de maus educadores, ignorantes e mal intencionados... fiscalizando a atuação da imprensa em particular... O Estado deve controlar esse instrumento de educação popular com vontade firme e pô-lo a serviço do governo e da nação.

O casamento não deve ser uma finalidade em si, mas ao contrário, servir à multiplicação e conservação da espécie e da raça. Esse é o seu significado, essa é sua finalidade.

Quem quiser combater a prostituição deve, em primeiro lugar, auxiliar a combater as razões espirituais em que ela se funda... Se não livrarmos a mocidade do charco que atualmente a ameaça, ela nele afundará... O teatro, a arte, a literatura, o cinema, a imprensa, devem ser empregados para limpar a nação da podridão existente... o objetivo único deve ser a conservação da saúde do povo, tanto do ponto de vista físico como do intelectual. A liberdade individual deve ceder lugar a conservação da raça.

O mundo pertence aos fortes, aos decididos, e não aos tímidos.

SINDICALISMO

Nos meus anos de aprendizado em Viena fui forçado, quer quisesse ou não, a tomar posição no problema dos sindicatos... Ali tudo se negava: a nação era uma invenção das classes capitalistas; a Pátria era um instrumento da burguesia para exploração das massas trabalhadoras; a autoridade da lei era simplesmente um meio de opressão do proletariado; a escola era um instituto de material escravo e mantenedor da escravidão; a religião era vista como um meio de aterrorizar o povo para melhor exploração do mesmo; a moral não passava de uma prova da estúpida paciência de carneiro do povo. Não havia nada, por mais puro, que não fosse arrastado da lama mais asquerosa.

Já no começo desse século, o movimento sindical, de há muito, havia deixado de servir ao seu objetivo de outrora... De ano a ano, ele cada vez mais caía nas mãos de políticos da social-democracia para, por fim, ser utilizado apenas como pára-choque na luta de classes... Os “sindicatos independentes”, como uma nuvem tempestuosa, obscureciam o horizonte político, ameaçando também a existência dos indivíduos... O terror nos lugares de trabalho, nas fábricas, nos locais de reunião e por ocasião das demonstrações coletivas era sempre coroada de êxito, enquanto um terror ainda maior não se lhe opunha... Em poucas décadas, nas mãos espertas da social-democracia, o movimento sindical, de instrumento de defesa dos direitos sociais, passou a ser instrumento da destruição da economia nacional.

Na dura luta pela existência, que o operário tem que enfrentar devido à ganância e à miopia de muitos patrões, o sindicato lhe propõe ajuda e proteção e a possibilidade de... uma melhora nas suas condições de vida... Sob esse disfarce de ideias puramente sociais escondem-se intenções francamente diabólicas... pois não se trata, na realidade, de combater com boa intenção as chagas sociais, mas somente de selecionar uma tropa de combate nos meios proletários que lhe seja cegamente devotada na campanha de destruição da independência econômica.


O operário que exercia a sua atividade em uma fábrica não podia, segundo a convicção geral, de modo nenhum existir se não se tornasse membro de um sindicato. Não era apenas a sua importância profissional que parecia protegida por esse meio; também a estabilidade de sua posição na fábrica só era concebível sendo ele filiado a um sindicato... Com o tipo normal de empresário burguês era muito difícil poder falar-se desse problema. Eles não tinham a compreensão (ou não queriam tê-la) do lado material da questão e nem tampouco do lado moral.... Portanto, nesse caso... tratava-se de responder às seguintes perguntas:

1) Os sindicatos são necessários?

2) Deve o NSDAP exercer uma atividade sindical ou conduzir seus membros a exercerem essa atividade?

3) De que espécie deve ser o sindicato nacional-socialista? Quais são as nossas tarefas e os seus objetivos?

4) Como chegaremos a tais sindicatos?

(Em relação à primeira pergunta) de acordo com minha maneira de pensar, os sindicatos não podem ser dispensados. Pelo contrário, pertencem eles ao número de instituições mais importantes da vida econômica da nação. Mas a sua importância não repousa apenas na esfera político-social, e sim, em maior grau, em um setor político-nacional geral.

A segunda pergunta já não é tão fácil de ser respondida. Se o movimento sindical é importante, então é claro que o nacional socialismo deve tomar a sua posição não apenas teoricamente, mas também no ativismo. O movimento, que tem em mira o Estado nacional socialista racial, não deve alimentar a menor dúvida de que todas as instituições futuras desse Estado deverão surgir dentro do próprio movimento... Já desse ponto de vista máximo, o movimento nacional-socialista deve reconhecer a necessidade de uma atividade sindical própria.

A resposta à terceira pergunta resulta (que)... o sindicato nacional-socialista não é órgão de luta de classes, mas um órgão de representação profissional. O Estado nacional-socialista não conhece “classes”, mas, sob o aspecto político, apenas cidadãos com direitos absolutamente iguais e, por conseguinte, deveres gerais também iguais e, ao lado disso, membros do Estado que, do ponto de vista político, são absolutamente sem direitos.

O empregado nacional-socialista deve saber que o florescimento da economia nacional importa na sua própria felicidade material. O empregador nacional-socialista deve saber que a felicidade e o contentamento dos seus empregados é a pressuposição necessária para a existência da sua própria grandeza econômica.


Para o sindicato nacional-socialista, portanto, a greve é um meio que só pode ser empregado – e, na verdade, só o deve ser – enquanto não existir o Estado Nacional Socialista... No futuro, nas Câmaras de Classes e no parlamento econômico central, deverá encontrar sua solução... A missão do sindicato nacional-socialista é a educação e a preparação para esse objetivo que, então, se define: trabalho em comum de todos para a manutenção e segurança do nosso povo e do nosso Estado, de acordo com as aptidões e forças inatas do indivíduo e as que ele vier a adquirir por educação através da comunidade nacional.

A quarta pergunta: Como chegaremos a esses sindicatos? Um sindicato nacional-socialista, lado a lado de outros sindicatos é coisa inadmissível... Há apenas dois caminhos para se atingir essa evolução:

1. Poder-se-ia fundar um sindicato próprio e, depois, paulatinamente empreender a luta contra os sindicatos marxistas, ou

2. Penetrar nos sindicatos marxistas e tratar, então, de imbuí-los com o novo espírito e transformá-los.

De uma maneira geral eu recomendei esse último recurso.

POVO E RAÇA

Todo cruzamento entre dois seres de situação um pouco desigual na escala biológica dá, como produto, um intermediário entre os dois pontos ocupados pelos pais... Inúmeras provas disso nos fornece a experiência histórica... Em toda mistura de sangue entre o ariano e os povos inferiores o resultado foi sempre a extinção do elemento civilizador[5]. A América do Norte, cuja população na sua maior parte se compõe de elementos germânicos, que só muito pouco se misturaram com povos inferiores e de cor, apresenta outra humanidade e cultura do  que a América Central e do Sul, onde os imigrantes, quase todos latinos, se fundiram com os habitantes indígenas... Em poucas palavras, o resultado do cruzamento de raças sugere, portanto, o seguinte:

A) Rebaixamento do nível da raça mais forte; e

B) Regressão física e intelectual e, com isso, o começo de uma enfermidade, que progride devagar, mas seguramente.

Tudo que hoje admiramos nesta terra – ciência e arte, técnicas e invenções – é o produto de poucos povos e talvez, na sua origem, de uma única raça. Deles também depende a estabilidade de toda esta cultura. Com a destruição destes povos baixará igualmente ao túmulo toda a beleza desta terra... A razão pela qual todas as grandes culturas do passado pereceram foi a extinção por envenenamento do sangue da primitiva raça criadora.

Se a humanidade se pudesse dividir em três categorias: fundadores, depositários e destruidores da Cultura, só o ariano deveria ser visto como representante da primeira classe... É ele quem fornece o formidável material de construção e os projetos para todo progresso humano.

Está provado que quando a cultura de um povo, na sua essência, foi recebida, absorvida e assimilada de raças estrangeiras, uma vez retirada a influência exterior, ela cai de novo no mesmo torpor... Pode-se denominar tal raça depositária, nunca, porém, criadora de cultura... Se, a partir de hoje, cessasse toda a influência ariana sobre o Japão... dentro de poucos anos... a cultura atual morreria.

Eis como a existência de povos inferiores tornou-se condição primordial na formação das civilizações superiores, nas quais só estes seres poderiam suprir a falta de recursos técnicos, sem os quais nem se pode imaginar um progresso mais elevado. A cultura básica da humanidade se apoiou menos no animal domesticado do que na utilização de indivíduos inferiores.

Por si mesmo, o ariano não se caracteriza por ser um homem mais bem dotado intelectualmente, mas sim pela sua disposição em colocar todas as suas faculdades ao serviço da comunidade... Só depois de trabalhar pelos outros, recebe ele novamente a parte que toca... Em caso contrário, quando as ações humanas só atendem ao instinto de conservação, sem levar em conta o bem do resto do mundo, o ariano as chama: furto, usura, etc.

A disposição fundamental de que emana um tal modo de proceder é chamada por nós de Idealismo, em oposição ao Egoísmo. Entendemos por essa palavra a faculdade de sacrifício do indivíduo pelo conjunto de seus semelhantes... Sem as tendências do idealismo, mesmo as faculdades mais brilhantes não passariam de uma abstração, pura aparência exterior, seu valor intrínseco nunca podendo resultar em força criadora.

O judeu é que apresenta o maior contraste com o ariano. Nenhum outro povo do mundo possui um instinto de conservação mais poderoso do que o chamado “Povo Eleito”... Que povo, enfim, sofreu maiores transtornos do que este saindo, porém, sempre o mesmo no meio das mais violentas catástrofes da humanidade?... Mesmo que o instinto de conservação do povo judeu não fosse mais fraco do que o de outros povos, quando mesmo sua capacidade intelectual pudesse dar a impressão de poder ele concorrer sua desigualdade com as demais raças faltar-lhe-ia, no entanto, a condição “sine qua non” para um povo expoente de cultura – a mentalidade idealista.

No povo judeu, a vontade de sacrificar-se não vai além do puro instinto de conservação do indivíduo... O judeu só conhece a união quando ameaçado por um perigo geral... É, e sempre será, o parasita típico, um bicho que, tal qual um micróbio nocivo, se propaga cada vez mais assim que se encontra em condições propícias.

POLÍTICA EXTERNA E ESPAÇO VITAL

O princípio essencial... é que a política externa é apenas um meio para se chegar a uma finalidade, e que o objetivo final é exclusivamente o progresso de nossa própria nacionalidade.

A possibilidade de recuperar a independência de um povo não depende absolutamente dos limites territoriais, mas sim da existência de uma base, por menor que seja, desse povo e desse Estado, capaz de dispor da necessária liberdade, de ser a personificação não somente da comunidade intelectual da nação inteira, mas também o preparador para o combate militar a favor da independência.

Além disso, não devemos esquecer que o problema da recuperação das partes perdidas do território de uma nação consiste, em primeiro lugar, na reconquista do poder político e da independência da Pátria... Portanto, a condição essencial para a recuperação dos territórios perdidos é o fortalecimento do território que se conservou livre e a resolução inabalável de pôr, no momento oportuno, a nova força adquirida a serviço da libertação e união de toda a nacionalidade... Devemos nos convencer de que não conseguiremos a recuperação desses territórios por meio de invocações solenes ao bom Deus ou por esperanças vãs em uma Liga das Nações, mas unicamente pelo poder das armas.

A falta de senso do nosso povo em assuntos de política externa é demonstrada claramente nas notícias diárias da imprensa a respeito da maior ou menor "simpatia pela Alemanha" manifestada por esse ou aquele diplomata estrangeiro, na qual se vê a garantia de uma política de colaboração conosco. Isso é um absurdo incrível, uma exploração da ingenuidade sem par do tipo normal do político alemão... A condição essencial para a aliança de povos não está nunca em uma estima recíproca, mas na previsão de uma conveniência das partes contratantes. Isso significa que um diplomata inglês sempre fará política pró Inglaterra e nunca pró Alemanha. Pode acontecer, porém, que os objetivos da política inglesa e da alemã sejam idênticos, embora por motivos diferentes. Essa harmonia que se verifica em determinado momento pode desaparecer no futuro.

A Inglaterra não deseja que a Alemanha se transforme em potência mundial; a França não nos quer como potência de espécie alguma... Na Europa, só dois aliados são possíveis à Alemanha: Inglaterra e Itália. Quero aqui, em poucas palavras, referir-me à importância militar de uma tal aliança... O mais importante é o fato que uma aproximação com a Inglaterra e a Itália de maneira alguma provocaria o risco de guerra... O mais importante em tal aliança está justamente no fato de que a Alemanha, nesse caso, não será repentinamente sujeita a uma invasão inimiga... e, com isso, a França, o inimigo mortal de nosso povo, cairá no isolamento. Uma aliança, cujo objetivo não compreenda a hipótese de uma guerra, não tem sentido nem valor. Alianças só se fazem para luta.


A Alemanha tem um acréscimo de população de aproximadamente 900 mil almas por ano. A dificuldade de alimentação desse exército de novos cidadãos tente a aumentar de ano para ano e acabar finalmente numa catástrofe... Havia quatro caminhos para evitar esse tremendo desenlace.

1º) A própria natureza costuma agir no sentido de limitar o aumento da população de determinadas terras ou raças... O que ela deixa sobreviver às intempéries está milhares de vezes experimentado e capaz de continuar a produzir de modo que a seleção possa recomeçar... A diminuição, por esse processo, redunda em última análise em um revigoramento da espécie.

2º) Outro caminho seria... a colonização interna. Sem dúvida, a capacidade produtiva de um terreno pode ser elevado até determinado limite. Mas só até esse limite determinado e não infinitamente mais... A fome aparecerá de tempos em tempos quando houver má colheita. Quando um povo se limita à colonização interna, enquanto outras raças se agarram a cada vez maiores extensões territoriais, ele será forçado a restringir suas necessidades, em uma época em que os outros povos ainda se acham em constante multiplicação.

3º) Podiam-se adquirir novos territórios a fim de, anualmente, derivar os milhões excedentes, conservando dessa maneira, a nação em condições de poder alimentar a si mesma... Quanto maior for o espaço de que um povo disponha, tanto maior é a sua proteção natural. Na vastidão territorial, em si mesma, já existe uma base para a fácil conservação da liberdade e independência de um povo.

4º) Produzir, por meio da indústria e do comércio, para o consumo estrangeiro a fim de, por esse modo, garantir a vida de um povo.

Por isso, a única esperança de realizar a Alemanha uma política territorial sadia está na aquisição de novas terras na própria Europa... Quando hoje em dia falamos, na Europa, de nosso solo pensamos, em primeira linha, somente na Rússia e Estados adjacentes, a ela subordinados. O próprio destino parece querer indicar a posição. O destino, ao abandonar a Rússia ao bolchevismo, roubou ao povo russo a classe educada que criara e garantira sua existência como Estado... O imenso império do oriente está prestes a ruir. O fim do domínio judaico na Rússia será também o fim da Rússia como Estado.

O fato de um povo ter conseguido adquirir uma extensão formidável de solo não significa uma obrigação superior de reconhecer-se eternamente essa aquisição. Os limites entre os países são criados e modificados pelos homens.

Admito francamente que, durante a guerra, teria sido melhor para a Alemanha que ela tivesse renunciado à sua louca política colonial e à sua política naval, que se tivesse unido à Inglaterra em uma aliança de defesa contra uma invasão da Rússia e que tivesse abandonado a sua fraca aspiração de envolver todo mundo em uma determinada política de aquisição territorial no continente europeu.


As fronteiras de 1914 nada significam quanto ao futuro da Alemanha. Elas não constituíam uma proteção no passado nem significarão força no futuro... A distância que nos separa da Inglaterra não diminuiria, não seria possível atingir a grandeza dos Estados Unidos, nem mesmo a França sofreria sensível diminuição na sua importância como potência... Em contraposição, nós nacionais-socialistas devemos nos manter firmes em nossos propósitos quanto à política externa, isto é, os de assegurar ao povo alemão o solo que lhe compete neste mundo... Não é a orientação para o Ocidente e Oriente que deve ser o futuro objetivo de nossa política externa e sim a política de Oriente necessária ao nosso povo.  
     
ANTISSEMITISMO

Embora Viena, já naquele tempo, possuísse duzentos mil judeus em uma população de dois milhões, não me apercebi do fato... Eu só via no judeu o lado religioso. Por isso, por uma questão de tolerância, considerava injusta a sua condenação por motivos religiosos... O judaísmo provocou em mim forte repulsa quando consegui conhecer suas atividades na imprensa, na arte, na literatura e no teatro... Uma coisa tornou-se clara para mim. Os líderes do partido social-democrata... eram quase todos pertencentes a uma raça estrangeira, pois para minha satisfação íntima, convenci-me de que o judeu não era alemão. Só então compreendi quais eram os corruptores do povo... Lutando contra o judaísmo estou realizando a obra de Deus.

Os maiores conhecedores das possibilidades do emprego da mentira e da calúnia foram, em todos os tempos, os judeus. Começa, entre eles, a mentira por tentarem provar ao mundo que a questão judaica é uma questão religiosa, quando na realidade trata-se apenas de um problema de raça, e que raça!

O judaísmo nunca foi uma religião, e sim sempre um povo com características raciais bem definidas[6]... A doutrina judaica é, em primeiro lugar, um guia para aconselhar a conservação da pureza do sangue, assim como o regulamento das relações dos judeus entre si e com os não-judeus, isto é, com o resto do mundo.

O produto desta educação religiosa... só se limita a esta terra e o seu espírito conservou-se tão estranho ao Cristianismo... que Cristo não ocultava seus sentimentos relativos ao povo judeu... Por isso mesmo, aliás, é que Cristo foi crucificado.

Para que se seja odiado pelo judeu não é preciso combatê-lo. Basta a suspeita de que seu adversário possa apenas nutrir a ideia de perseguição ou ser um promotor da força e grandeza de algum povo hostil à sua raça.

Para bem conhecer o judeu, o melhor meio é estudar o caminho seguido por ele no seio dos outros povos e no decorrer dos séculos... Os primeiros judeus vieram para a Germânia no curso da marcha invasora dos romanos, como sempre negociando... Com a instalação das primeiras colônias fixas, surge repentinamente o judeu. Ele chega como negociante e, a princípio, não se preocupa em disfarçar sua nacionalidade... Aos poucos, começa ele a trabalhar no terreno econômico, não como produtor, mas como intermediário... O judeu estabeleceu-se completamente... As finanças e o comércio tornam-se decididamente monopólio seu... Sua insaciável tirania torna-se tão grande que desperta reações violentas.

Ainda mais: o judeu torna-se de repente liberal, começando a sonhar com a necessidade do progresso humano. Pouco a pouco, transforma-se no arauto de uma nova época. Na verdade... vai penetrando nos círculos de produção nacional... Torna-se proprietário ou controlador das forças de trabalho do país.

Como segunda arma ao serviço do judaísmo existe, além da Maçonaria, a imprensa... Os círculos governamentais assim como as camadas superiores da burguesia política e econômica, caem em suas armadilhas, guiados por fios maçônicos, mal se apercebendo disso... O fim a atingir nessa luta é, porém, a vitória da democracia... porque, nesse regime, institui-se a preponderância da burrice, da incapacidade e, por último, da covardia!

De acordo com as finalidades da luta judaica, que não consistem unicamente na conquista econômica do mundo, mas também na dominação política, o judeu divide a organização do combate marxista em duas partes, que parecem separadas mas, na verdade, constituem um bloco único: o movimento dos políticos e dos sindicatos.

O combate que está realizando a Itália fascista contra as três armas principais do judaísmo, inconscientemente talvez, (do que eu pessoalmente duvido) é o melhor sinal de que, indiretamente, estão sendo extraídos os dentes venenosos daquela potência internacional. A interdição das lojas maçônicas secretas, a perseguição da imprensa internacionalista, assim como o constante combate ao marxismo internacional, por outro lado a constante consolidação da doutrina fascista, habilitarão no curso de anos o governo italiano a, cada vez mais, poder servir aos interesses de seu povo sem o receio da hidra judaica.

A chefia dos judeus na questão social se manterá até o dia em que uma campanha enorme em prol do esclarecimento das massas populares se exerça... ou até que o Estado aniquile tanto o judeu como sua obra.


O nacional-socialista deve abrir os olhos do povo a respeito das nações estrangeiras e deve continuar sempre a apontar ao mundo de hoje o seu verdadeiro inimigo. Em lugar do ódio contra as raças arianas, das quais podemos estar separados por muitos motivos, mas com os quais estamos unidos pelo sangue comum e pela homogeneidade cultural, deve pregar a cólera comum contra o perverso inimigo da humanidade, o verdadeiro autor de todos os males atuais.

Notas:

[1] Mais informações sobre a infância e juventude de Hitler ver o tópico: “O judeu favorito de Hitler”


[2] Sigla em alemão: DAP (Deutsche Arbeiter Partei)

[3] Mais informações sobre a origem do partido nazista ver o tópico: “As origens do NSDAP e o golpe no Salão da Cervejaria”:


[4] Catolicismo e Protestantismo

[5] Um estudo polêmico foi feito pelo cientista político Charles Murray. Ver:


[6] Ver tópico: “Judeus são uma raça”


Fonte:

Hitler, A. Minha Luta. Editora centauro, 5ª. Ed., 2005.

Tópicos Relacionados:

Hitler, um perfil do poder


A Estrutura do Estado Nacional Socialista



Nazismo é de direita ou de esquerda?



Raízes Místicas do Nazismo



A Política Econômica Nazista 1933 – 1939



Eugenia e os Nazistas – A Conexão Californiana



O Cristianismo no Terceiro Reich: A Busca pelo Jesus Ariano



"Mein Kampf é o explosivo, estamos retirando o pavio."