sexta-feira, 14 de abril de 2017

A lança era a lei: Vida e morte dos cavaleiros

Natalia Yudenitsch


Para um cavaleiro medieval, perder um cavalo significava desespero. Além do alto custo de adquirir um novo animal de boa linhagem com todos os equipamentos necessários, a cavalaria era, por volta do século 12, intimamente associada à nobreza - ou seja, lutar a pé era uma evidente perda de status.

Por isso, compreende-se o apelo angustiado do rei inglês Ricardo III: “Um cavalo, um cavalo, meu reino por um cavalo!”, ele repetia, ao perder sua montaria durante a Batalha de Bosworth, em 1485 - e a fala está na peça Ricardo III do dramaturgo inglês William Shakespeare. Dá uma boa ideia do que representavam o cavaleiro e a montaria na Idade Média. Eram fundamentais nos combates. Alguns viraram lendas pelas atuações nas batalhas e nos torneios de cavaleiros, outros foram idealizados em contos, livros e peças como a de Shakespeare. "Não é à toa que os cavalos recebiam um tratamento muitas vezes superior ao despendido aos soldados. A perda do cavalo em combate podia custar a vida de seu cavaleiro, já que suas armaduras eram mais leves do que as dos soldados desmontados, resistindo bem menos a flechas e golpes de espada”, diz o professor Wolfgang Henzler, especialista em história e armas medievais da Universidade de Freiburg, na Alemanha.

A formação

A conexão do futuro cavaleiro, sempre de linhagem nobre e muitas vezes com sangue real, com a prática começava cedo. Ao 7 anos, o garoto era iniciado em sua formação como pajem. Aos 12, passava a servir seu senhor feudal, quando recebia instrução militar e subia ao posto de escudeiro. Era com esse status que partia com seu suserano para assistir a suas primeiras batalhas reais e aprendia o manejo da lança e da espada. Se sobrevivesse à experiência, provasse seu valor e tivesse dinheiro suficiente para arcar com os custos, entre os 18 e 20 anos ele era armado cavaleiro num ritual que marcava a passagem da adolescência para a idade adulta.

O ritual de sagração de cavaleiro dava a medida da importância do título. Implicava em mostrar sua virilidade em combates simulados durante uma festa – às vezes até em presença do rei –, na observação do jejum e em uma noite de vigília das armas, seguida da comunhão, que incluía a bênção da espada do aspirante. O rapaz fazia então seu juramento, prometendo seguir os códigos de lealdade e honra. De acordo com Henzler, "ele recebia um tapa no rosto ou um golpe no ombro ou na nuca do seu senhor, que finalmente dizia: `Eu te faço cavaleiro em nome do Padre e do Filho e do Espírito Santo, de São Miguel e de São Jorge. Sê valente, destemido e leal´. E dali saía montado em seu cavalo".

No campo de batalha, as formações da cavalaria começavam com as lanças. Funcionava assim: cada lança trazia uma fileira com o cavaleiro, seu escudeiro, um pajem e dois arqueiros ou besteiros. Cerca de seis lanças se configuravam como uma bandeira, que por sua vez constituíam uma companhia de homens de armas. 

Era uma tática absolutamente brutal: a carga transmitia toda a força do cavalo a um frágil corpo humano, concentrada em uma ponta. Quem era atingido diretamente não tinha nenhuma chance de sobreviver, mas não parava por aí: a isso se seguia o próprio cavalo, treinado para atropelar humanos, em meio a uma formação de infantaria. Diante disso, os inimigos perdiam a formação e, em pânico, tentavam salvar suas vidas. Às vezes, só a visão da cavalaria já os fazia se dispersarem. 

Quanto à lança em si, raramente sobrevivia ao ataque. O cavaleiro então sacava sua espada ou maça e continuava a atacar montado, ou recuava e pegava outra lança para outra carga. 

Fim do domínio

No século 12, na era das cruzadas, a cavalaria ganhou um aspecto mais religioso, especialmente com o surgimento das ordens militares – como as de hospitalários e templários. O cavaleiro passou a ser defensor contra hereges e infiéis. “Durante a Guerra dos Cem Anos, ao mesmo tempo em que chegava ao auge no imaginário popular, ele viu sua importância militar perder força. Primeiro por causa da melhoria das armas, como o arco longo, e depois com a chegada das armas de fogo”, afirma  Jill Diana Harries, professora de história antiga da Universidade de St. Andrews, na Escócia. A infantaria também foi se tornando mais profissional e organizada. Com longas lanças, os piques, uma unidade disciplinada era capaz de evitar uma carga - os cavalos nem tentavam avançar contra uma paliçada de piques. 

Com o tempo, os próprios cavaleiros passaram a desmontar e lutar como infantaria - com suas armaduras, é claro, que os diferenciava de meros plebeus também no solo. O auge da armadura aconteceu nos séculos 15 e 16, quando já havia armas de fogo - e elas eram feitas para resistir a tiros imprecisos, em ângulo ou de longa distância. Quando as armas de fogo se tornaram potentes demais para que uma armadura de corpo inteiro pudesse ser feita com um peso viável, elas finalmente tornaram-se meras couraças, e depois abandonadas completamente, ao longo do século 16.

Nesse processo, o cavaleiro em armadura brilhante era cada dia mais uma realidade reservada aos torneios do que às batalhas reais. Esse eventos, como definiu no século 12 o historiador medieval inglês Roger of Hoveden, eram “um exercício militar sem o espírito de hostilidade”. Muito populares na Europa, tinham regras simples: cada cavaleiro levava três armas – uma espada, uma lança e um rondel (um tipo de adaga medindo entre 30 e 50 cm) – e o vencedor era o que conseguisse derrubar o oponente do cavalo com a lança. Se ambos caíssem, dava empate - resolvido em um duelo no solo, até que sobrasse apenas um homem em pé. Num por prazer, para a diversão da plateia, usavam-se armas com pontas rombudas - não era o plano matar ninguém, mas a violência do impacto era a mesma de um campo de batalha, e acidentes eram frequentes. 

Cavaleiro acabaria por se tornar um mero título honorífico. Com soldados plebeus, a cavalaria seria usada como uma força auxiliar, atacando partes vulneráveis da formação inimiga com sabres, não mais lanças. Isso perduraria até a Primeira Guerra, quando metralhadoras finalmente silenciaram o som das ferraduras contra o solo.

Histórias de cavaleiro

Os romances cavalaria, aventuras que exaltavam a defesa dos fracos e oprimidos e que vinham sempre recheadas de aventuras e histórias de amor, fizeram a fama do cavaleiro medieval que persiste até hoje. Com uma concepção de amor mais realista do que a literatura cortês, os contos de cavalaria foram também usados como um instrumento de doutrina da Igreja, que incentivava a ideia da busca pelo Graal sagrado, cálice que teria contido o sangue de Cristo após a crucificação – como a descrita nas várias narrativas do ciclo arturiano sobre a saga dos Cavaleiros da Távola Redonda. Em seu ápice heroico, estão as visões de cavaleiros baseadas na lenda de Tristão e Isolda, como a do alemão Gottfried von Strassburg, e o romance Lancelot, de Chrétien de Troyes, escrito no século 12. O crepúsculo da cavalaria, porém, não deixou de ser registrado pelas letras. Don Quixote de La Mancha, do espanhol Miguel de Cervantes, retrata com uma pontinha nostálgica o que restara do cavaleiro andante na entrada do século 17: uma figura patética e anacrônica, que perseguia moinhos acreditando serem esses gigantes - ainda que com certa dignidade. 


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O Moderno e o Medieval


http://epaubel.blogspot.com.br/2015/08/o-moderno-e-o-medieval.html

[SGM] A bomba atômica de Hitler

Eduardo Sklarz



Junho de 1942. Os alemães tinham acabado de atacar várias cidades inglesas, e a Segunda Guerra Mundial estava pegando fogo. A situação não podia ficar pior. Mas ficou, quando o primeiro-ministro britânico Winston Churchill recebeu um relatório aterrador. A Alemanha, que vinha desenvolvendo armas de altíssima tecnologia, estava muito perto de concluir a maior de todas: a bomba atômica. Os Aliados também corriam para produzir a bomba (no chamado Projeto Manhattan, liderado pelos EUA), mas os cientistas nazistas estavam na frente. Churchill gelou. Em dois anos, talvez menos, Hitler teria a arma mais poderosa já criada pelo homem. Era preciso detê-lo.

A bomba atômica de Hitler começou a sair do papel nos anos 1930. O alerta amarelo soou em 1938, quando o físico alemão Otto Hahn bombardeou átomos de urânio com nêutrons e produziu partículas de bário, liberando energia. Ou seja: Hahn descobriu a fissão nuclear do urânio. Se essa fissão fosse atingida em larga escala, liberaria uma energia descomunal – suficiente para uma arma atômica. Em 1939 veio o alerta laranja: a Alemanha tirou do mercado internacional o urânio da Tchecoslováquia (então ocupada pelos nazistas), e ficou com todo o minério para si. Sinal de que estava desenvolvendo uma bomba. Em 1942, ela estava quase pronta, e os Aliados decidiram agir.

Planejaram uma missão para sabotar o coração do projeto nuclear alemão: a usina de Vemork, na Noruega ocupada. Era a única usina do mundo capaz de produzir grande quantidade de água pesada (D2O, um tipo de água que tem deutério, ou “hidrogênio pesado”, no lugar do hidrogênio comum). Como os átomos de deutério possuem um próton e um nêutron, ele é um excelente moderador, ou seja, desacelera as colisões de nêutrons produzidos pela fissão do urânio, permitindo controlar a reação em cadeia. Traduzindo: para operar um reator nuclear, e desenvolver uma bomba atômica, você precisa de água pesada. O problema é que, na natureza, ela é muito rara (menos de 1 molécula para cada 5 mil de água comum), e era extremamente difícil extraí-la. Os nazistas descobriram como fazer isso. Em 1942, a usina já produzia 12 toneladas de água pesada por ano.

Churchill se reuniu com o presidente americano, Franklin D. Roosevelt, para combinar o plano, cuja execução ficaria a cargo dos ingleses. Havia um problema: a usina ficava na beira de um penhasco, no topo de uma queda-d’água, cercada por minas e vigiada por soldados alemães. Um alvo quase impossível para um ataque terrestre. E bombardeá-la provocaria vítimas civis na cidade vizinha de Rjukan. O único caminho era tentar uma missão secreta. Em 19 de novembro, 34 soldados foram enviados para sabotar e explodir o local. Viajaram a bordo de dois planadores, rebocados por bombardeiros Halifax. O objetivo era pousar na costa do lago Mosvatn, que alimentava as turbinas da usina. Cada time, de 17 soldados, levava armas, explosivos e bicicletas desmontáveis.

O primeiro grupo deveria esperar meia hora pelo segundo. Se ele não aparecesse, deveria executar sozinho a missão: descer a montanha de bicicleta até uma ponte suspensa que atravessa o desfiladeiro, matar silenciosamente os guardas da ponte, entrar na usina, destruir as máquinas e esvaziar os estoques de água pesada. Depois, os soldados deveriam se dividir em grupos pequenos, de três pessoas cada, e fugir para a Suécia. Quem se ferisse receberia uma injeção de morfina e seria deixado para trás, para morrer em território nazista.

Os dois bombardeiros cruzaram o Mar do Norte, puxando os planadores, e começaram a sobrevoar a Noruega. Fazia muito frio, e o gelo que se acumulava sobre os aviões e os cabos de reboque causou uma tragédia. Logo após ser solto pelo avião que o puxava, o primeiro planador espatifou-se numa montanha, a nordeste do povoado de Helleland. Soldados alemães chegaram à região ao amanhecer e encontraram 14 sobreviventes – seis gravemente feridos. Todos foram fuzilados. O outro planador cruzou o Mar do Norte e penetrou na Noruega. Mas, ao atravessar uma nuvem carregada, o cabo de reboque se rompeu – e o planador caiu. Dos 17 homens a bordo, oito morreram e quatro tiveram ferimentos graves. Oficiais da Gestapo (a polícia secreta do Reich) chegaram pouco depois, prenderam e interrogaram os sobreviventes. Com eles, encontraram um mapa com um círculo azul sobre a usina de Vemork. A missão havia fracassado. E agora?

A Operação Gunnerside

Os Aliados se viram numa encruzilhada: bombardear a usina, e matar milhares de civis na cidade vizinha, ou tentar outra sabotagem? Ganhou a segunda opção. A Inglaterra selecionou seis voluntários do Exército da Noruega, especialmente treinados em sabotagem. Tinha início a Operação Gunnerside. O chefe era o tenente norueguês Joachim Rönneberg, de 23 anos. Os demais também tinham 20 e poucos: tenente Knut Haukelid, sargento Fredrik Kayser, sargento Hans Storhaug, tenente Kasper Idland e sargento Birger Strömsheim.

O maior desafio era entrar na usina sem chamar a atenção. As portas de aço estariam trancadas, e explodir uma delas causaria muito barulho. Além disso, Rönneberg não queria trocar tiros com os guardas, para não provocar vítimas desnecessárias nem alertar os cerca de 300 soldados alemães estacionados em Rjukan e Vemork. O gerente da usina, Jomar Brun, era informante dos Aliados. E conhecia uma brecha. “Existe um duto que liga a parte de fora da usina até o porão do edifício, onde estão as máquinas que vocês têm de destruir. Tem espaço para uma pessoa entrar rastejando.”

Na madrugada de 17 de fevereiro de 1943, Rönneberg e seu grupo saltaram de paraquedas sobre Hardanger, a 29 km do alvo. Pousaram em plena tempestade de neve, a 20 graus negativos. Andaram por horas até achar uma cabana, onde se protegeram das tormentas por cinco dias antes de prosseguir. Os alemães haviam espalhado minas ao redor das comportas e metralhadoras ao longo das trilhas que conduziam a Vemork pelo lado sul do vale. Os sabotadores só podiam ingressar pelo norte, e para isso deveriam atravessar um desfiladeiro. Esse setor não era minado, pois os alemães confiaram na proteção natural. Só um doido escalaria aquela encosta. Na noite de 27 de fevereiro de 1943, Rönneberg anunciou: “Vamos, pessoal!” Às 22h, eles desceram o desfiladeiro até o rio congelado ao pé do vale. Esconderam os esquis, cruzaram o rio e iniciaram a escalada. Chegaram do outro lado às 23h45, encharcados de suor.

O risco era enorme, e cada soldado recebeu uma cápsula de veneno. (Se fosse capturado, bastaria mordê-la para morrer em poucos segundos.) Mas um estranho senso de tranquilidade os acompanhava quando avistaram os oito andares da usina erguendo-se feito um mamute sobre o penhasco. Rönneberg repassou o plano: ao entrar na sala de alta concentração, onde ficavam os tanques de água pesada, tudo teria de ser feito em menos de 7 minutos.

Os homens entraram na usina à 0h30, e chegaram à sala de alta concentração alguns minutos depois. No meio dela, um cientista norueguês fazia anotações num caderno.

“Mãos ao alto!”, gritaram Kayser e Rönneberg. “Nada lhe acontecerá se fizer o que mandarmos.” O cientista, Gustav Johansen, entregou a chave de uma porta de aço pela qual era possível fugir da usina. Ficou quieto enquanto Rönneberg colava os explosivos de nitrocelulose, em formato de salsicha, nos 18 tanques de água pesada.

Os detonadores tinham 120 centímetros, e queimavam ao ritmo de 1 cm por segundo. Ou seja: explodiriam em 2 minutos. Na verdade, bem menos do que isso. Rönneberg casou os detonadores dois a dois, para só ter de acender nove deles, e cortou o último pavio, para que durasse apenas 30 segundos. Esse último pavio, mais curto, detonaria todos os 18 explosivos (os outros detonadores, de 2 minutos, eram apenas um backup, caso o principal falhasse). Em suma: depois de acender o pavio, eles teriam apenas 30 segundos para sair correndo de lá. Kayser abriu a porta de aço. Tudo pronto. Rönneberg riscou o fósforo.

“Esperem!”, suplicou o físico. “Meus óculos estão na mesa. Preciso deles!” Rönneberg sabia que os nazistas haviam confiscado todos os instrumentos ópticos da Noruega, e era muito difícil conseguir outro par de lentes. Apagou o fósforo, pegou a caixa dos óculos e entregou ao cientista. Riscou outro fósforo, mas ouviu Johansen de novo. “Por favor, espere! Os óculos não estão na caixa!” Aí já era demais. Incrivelmente, Rönneberg apagou o fósforo, correu para a mesa e achou os óculos. Entregou-os para Johansen – mas aí outro norueguês apareceu na sala. Era o supervisor noturno Gunnar Engebretsen, que ficou petrificado ao ver o que estava acontecendo. “Leve os dois para as escadas”, disse Rönneberg. “Depois que eu acender os pavios, diga a eles para subir o mais rápido que puderem. Devem chegar ao segundo andar antes da explosão.”

Rönneberg acendeu os pavios e gritou: “Agora!” Saíram, fecharam a porta e correram. Estavam a 20 metros dela quando sentiram um ventinho entre as pernas. Era a explosão.

Para quem estava fora do edifício, ela foi um ruído seco, contido. Um baque abafado pelas grossas paredes de concreto da usina. Tão abafado que nem chamou a atenção dos soldados. Vemork era cheia de barulhos estranhos, e aquele parecia outro estampido inócuo. Longos segundos se passaram até que um único soldado, desarmado, foi dar uma olhada. Foi até a porta de aço, viu que estava trancada como sempre e retornou.

Quando os alemães descobriram a sabotagem, Rönneberg e seus homens já estavam fora do desfiladeiro, de volta às montanhas. A operação foi um sucesso: embora não tenha liquidado Vemork, provocou um atraso de meses na produção de água pesada. Foi um atraso decisivo, que impediu Hitler de construir a bomba a tempo de usá-la na 2a Guerra Mundial. Não que ele não tenha tentado. A usina foi reconstruída e, em meados de 1943, os alemães retomaram a produção de água pesada. Não dava mais para tentar uma ação de sabotagem, pois a segurança do local tinha sido fortemente ampliada. Aí, os Aliados decidiram bombardear o lugar.

Em 16 de novembro, aviões B-24 americanos lançaram mais de 700 bombas sobre Vemork. Atacaram ao meio-dia para tentar minimizar vítimas, já que a maioria dos funcionários estaria fora para o almoço. Mas as nuvens espessas, e geradores de fumaça instalados pelos nazistas, atrapalharam a visão dos pilotos. Alguns deles confundiram o alvo e atacaram uma usina de nitrato a 5 km de lá. Choveu bomba em todo canto, e 22 pessoas morreram. Apenas quatro bombas atingiram Vemork, e não exatamente sobre os tanques de água pesada.

Em 9 de fevereiro de 1944, espiões britânicos descobriram que os nazistas iriam levar toda a água pesada, em barris, até a Alemanha. Iriam transportá-la a bordo de um ferry boat pelo lago Tinn. Hitler queria guardar e usar a água numa usina mais segura. Foi quando Haukelid, um dos sabotadores, voltou à ação: colocou explosivos no ferry, que afundou no meio do lago em 20 de fevereiro de 1944. E os planos de um Terceiro Reich atômico, literalmente, foram por água abaixo.

O reator nazista na Argentina

Hitler não conseguiu a bomba atômica, mas seu programa nuclear continuou vivo. Em 1949, o presidente argentino Juan Perón contratou o físico austríaco Ronald Richter, que iniciou a construção de um reator de fusão nuclear na ilha Huemul, a 7 km de Bariloche. Richter foi indicado pelo engenheiro alemão Kurt Tank, que havia servido ao Terceiro Reich e estava desenvolvendo caças para o regime peronista. A fusão nuclear é uma fonte abundante de energia (é o que acontece dentro do Sol), mas cheia de desafios técnicos – até hoje a ciência não conseguiu produzir um reator de fusão comercialmente viável. Richter achou que tinha conseguido, e anunciou isso em 1951. A notícia gerou incerteza no Brasil e no mundo. Será que a Argentina abrigaria o Quarto Reich? Estariam nossos hermanos, na verdade, desenvolvendo uma bomba atômica? Que nada. Em 1952, cientistas argentinos inspecionaram a ilha e descobriram que tudo não passava de uma farsa: o reator não funcionava. Richter ficou cinco dias preso. Devolveu as condecorações que havia recebido de Perón, foi solto e morou na Argentina até morrer, em 1991.

[ARM] Como funciona a MOAB – a mãe de todas as bombas

Bruno Vaiano

Se você pudesse passar hoje pelos depósitos da Força Aérea dos Estados Unidos, ia ser fácil descobrir quem manda. Não é uma pessoa, mas tem nome curto e grosso: MOAB. É, na verdade, uma sigla que, em inglês, tem dois significados possíveis. Um, o sério e oficial, é Massive Ordnance Air Blast – que, em português, é algo como “explosão aérea de imenso poder de fogo”. O outro, engraçadinho, é Mother of all Bombs: a mãe de todas as bombas. Com dez toneladas de peso e quase dez metros de comprimento (só um pouco menor e mais leve que um ônibus urbano), ela é o mais poderoso artefato explosivo não-nuclear do mundo – capaz de devastar uma área de algumas centenas de metros em torno do local do impacto.

A GBU-43 – designação técnica da bomba – foi projetada e produzida a toque de caixa durante a invasão norte-americana no Iraque em 2003. Na época, foram efetuados dois testes, mas ela não chegou a ser usada em uma operação militar real. Bem, isso até 12 de abril de 2017. O noticiário internacional foi pego de surpresa quando uma Moab foi lançada às 19h32 no horário local (2h32 desta quinta, no horário de Brasília) sobre uma rede de túneis da “sucursal” afegã do Estado Islâmico (ISIS), no distrito de Achin, província de Nangarhar.


Ainda não foram divulgadas informações sobre a eficiência do ataque e o número total de mortos e feridos, e o secretário de imprensa de Donald Trump, Sean Spicer, não revelou se o presidente ordenou o ataque pessoalmente ou se foi o Pentágono o responsável pela escolha da arma. Em uma coletiva de imprensa, o topete mais polêmico do mundo se limitou a enfatizar a autonomia das forças armadas. “Todo mundo sabe exatamente o que aconteceu (…) Nós temos as maiores forças armadas do mundo e eles fizeram seu trabalho como costumam fazer.  Eu dei autonomia total a eles, e é isso que eles vem fazendo. E, francamente, é por isso que eles andam tendo tanto sucesso ultimamente.”, cravou o presidente americano.

Uma coisa é certa: essa imensa bomba não é eficiente só pelo dano físico, mas também pelo terror psicológico – e seu impacto midiático é adequado a retórica adotada por Trump desde o início de sua campanha. “A coisa mais incrível na Moab não é que ela é a bomba mais poderosa do mundo. Mas que ela faz seu trabalho – deter o inimigo – simplesmente porque ele sabe da existência dela”, afirmou em 2008 Robert Hammack, um dos responsáveis pelo projeto.

Essa mãe de pavio curto não quer saber de ir pendurada debaixo da asa de um avião – afinal, isso é lugar de filhote. Ela é montada sobre trilhos no porão adaptado de um avião de carga C-130, o famoso Hércules. Quando a aeronave está sobre o alvo, sua porta traseira se abre em pleno voo, e a Moab é lançada. Para a garantir a precisão – afinal, você não tem duas chances – ela é guiada por GPS durante a queda, e é auxiliada por um paraquedas no início do processo. No vídeo abaixo, de 2003, é possível acompanhar o passo a passo do lançamento e a explosão subsequente. Também dá para ter uma noção prática do tamanho do artefato: basta ter em mente que o avião tem 30 metros de comprimento.

De suas mais de 10 toneladas, 8,4 são recheio. No caso, o explosivo H6, uma mistura de TNT, alumínio e RDX (conhecido na química como ciclotrimetilenotrinitramina). Algumas bombas são feitas para causar dano físico direto a seus alvos – espalhando fragmentos de metal em alta velocidade. Já a Moab explode uma fração de segundo antes de atingir o chão, a 1,8 m de distância do solo. A ideia é arrasar uma área de cerca de um quilômetro em torno do epicentro da explosão com fortíssimas ondas de choque – uma técnica ideal para, à exemplo do que foi feito no Afeganistão, demolir complexos subterrâneos.

A bomba é só mais uma na árvore genealógica da destruição. A Moab é mãe, mas já existiu uma avó. Antes dela, foi usada na Guerra do Vietnã a “Daisy Cutter” (BLU-82), uma gigante de 6,8 toneladas famosa por transformar qualquer trecho de floresta em um área de pouso segura para um helicóptero. Instantaneamente, é claro.



domingo, 2 de abril de 2017

1982: Início da Guerra das Malvinas


Um dos últimos resquícios dos tempos imperiais britânicos são as Ilhas Malvinas (Falkland), Geórgia e Sandwich do Sul, um arquipélago perdido no Atlântico Sul, com algumas centenas de criadores de ovelhas, a cerca de 13 mil quilômetros de distância de Londres.

Havia indícios de existência de petróleo nas Malvinas – as ilhas serviam de base para a exploração de recursos marinhos e de porto intermediário para navegações que seguiam para a Antártida.

A guerra começou em 2 de abril de 1982 após a Argentina invadir o arquipélago que considera sua extensão territorial histórica. O país entende que, ao se tornar independente em 1822, passou também a controlar as ilhas, que pertenciam aos espanhóis. Já os britânicos afirmam que dominam a região desde 1833, quando ocuparam e colonizaram o arquipélago.


Para os historiadores, o início da guerra foi a arma do ditador argentino, general Leopoldo Galtiere, para dar fôlego ao governo militar, já agonizante no país. A então primeira-ministra britânica Margareth Thatcher, que enfrentava uma crise de popularidade, reagiu com força.

No final de abril, 28 mil soldados em 100 navios chegaram ao arquipélago para defender seus 1.800 habitantes, considerados por Thatcher parte da “tradição e reserva britânica”. A Argentina contava com uma tropa com 12 mil soldados nas ilhas e cerca de 40 navios.

No dia 2 de maio, os britânicos afundaram o navio argentino General Belgrano, matando todos os 326 tripulantes. Dois dias depois, a embarcação britânica HMS Sheffield foi atingida por um míssil Exocet e afundou deixando 20 mortos.

A guerra, que durou 75 dias, só acabou em 14 de junho, com a rendição dos argentinos. Ao todo, 258 britânicos e 649 argentinos morreram no conflito.

Argentina subestimou a determinação de Thatcher

Em Londres, governava Margaret Thatcher, mais tarde conhecida como "dama de ferro" do Partido Conservador. Um dia após a invasão da Argentina, ela não deixou dúvidas na Câmara Baixa do Parlamento britânico de que estava disposta a reconquistar as ilhas. A Argentina subestimou a determinação de Thatcher, que contava com amplo apoio da população e até dos partidos da oposição.

O então líder do Partido Trabalhista inglês, Michael Foot – tradicionalmente um pacifista –, defendeu a intervenção armada para retomar o arquipélago com o seguinte argumento: "As garantias dadas pelo exército invasor valem tanto quanto as garantias oferecidas pela mesma Junta Militar aos seus próprios concidadãos. Não se deve esquecer que milhares de argentinos que lutaram por seus direitos políticos foram presos e torturados".

Raramente o Reino Unido foi tão unido como naqueles dias de abril de 1982. As ações militares britânicas começaram em clima de festa, três dias após a invasão, com a mobilização da Marinha e da Aviação. A superioridade militar inglesa foi imbatível em todos os terrenos da guerra naval, aérea e terrestre.

Os generais argentinos também se enganaram quanto às reações internacionais. Por exemplo, a neutralidade passiva de vizinhos latino-americanos, como o Chile e o Brasil. O golpe mais duro para o governo em Buenos Aires foi, porém, o apoio diplomático e militar dos Estados Unidos ao Reino Unido. O serviço de inteligência militar norte-americano manteve as tropas britânicas informadas das ações militares argentinas.

Fim da guerra iniciou desmantelamento do regime militar

Diplomaticamente isolada e militarmente em desvantagem, a Argentina capitulou, depois de dois meses e meio de conflito, no dia 14 de junho de 1982. O fim da guerra representou não só uma derrota nos campos de batalha como também o início do desmantelamento do regime militar argentino. Margaret Thatcher, que antes da guerra era uma das mais rejeitadas líderes de governo da história britânica, foi festejada como heroína.

Na Argentina, o general Leopoldo Galtieri renunciou, em julho, sob uma onda de manifestações populares contra a ditadura. Seu sucessor, o general Reynaldo Bignone, iniciou as negociações para devolver o poder aos civis. O candidato da União Cívica Radical (UCR), Raul Alfonsín, venceu as eleições presidenciais de dezembro de 1983.

Três anos depois, os chefes militares das Malvinas foram condenados a penas de 8 a 12 anos.

As relações diplomáticas entre o Reino Unido e a Argentina só foram retomadas em 1990, mas ainda há rusgas. Desde então, o governo argentino mantém uma reivindicação pacífica das ilhas, mas o Reino Unido diz que a soberania do território não está em negociação.

Cerca de mil soldados britânicos patrulham as Malvinas e estão envolvidos em ações como construção de estradas e monitoramento de campos minados.


Exceto pela defesa, os cerca de 2,9 mil moradores da ilha atualmente são autossustentáveis. A venda de licenças para pescar garante boa parte da arrecadação, mas a agricultura também é importante. O Reino Unido explora a área ainda em busca de petróleo.

O turismo também vem crescendo ao longo dos anos no arquipélago, que recebe cerca de 5 mil cruzeiros por ano de turistas interessados na rica diversidade marinha e nas colônias de pinguins.


http://www.dw.com/pt-br/1982-in%C3%ADcio-da-guerra-das-malvinas/a-488473

quarta-feira, 29 de março de 2017

[ARM] Aviões-Bomba do Eixo

Thiago Vinholes

O desespero em reverter o quadro da Segunda Guerra Mundial levou o Japão a táticas radicais e suicidas. A primeira demonstração dessas ações foi a “Carga Banzai”, que consistia em um ataque frontal massivo de tropas em direção ao inimigo, gerando um violento e sangrento confronto, causando imensas baixas aos japoneses devido a configuração da ofensiva.

Nas poucas vezes em que deu certo, a ofensiva Banzai conquistou pouco terreno. Mas seu efeito psicológico sobre o inimigo foi devastador, pois os soldados japoneses avançavam de forma destemida durante a ação, levando o inimigo muitas vezes a bater em retirada.

A partir da segunda de 1944, ficou claro para os Aliados que o Japão não teria mais como continuar progredindo nos combates. As perdas humanas e de equipamentos eram enormes e o país não tinha mais suprimentos para alimentar sua indústria. Além disso, territórios conquistados na Ásia e Oceania foram retomados e os japoneses tiveram de se concentrar na defesa de seu espaço original. E para isso recorreram novamente a táticas suicidas: os pilotos kamikazes (que em japonês significa “vento divino”).

No dia 25 de outubro de 1944, os marinheiros a bordo do porta-aviões USS St. Lo, navegando a cerca de 400 km da costa do Japão, visualizaram aviões japoneses se aproximando. Sem tempo para lançar os caças embarcados, a artilharia anti-aérea foi preparada. Mas algo inusitado aconteceu: os bombardeiros japoneses não lançavam suas bombas, mas sim voavam em direção ao navio no intuito de atingi-lo em cheio.

Após quatro tentativas frustadas, um caça Mitsubishi A6M2 “Zero” acertou o convés de voo do porta-aviões e uma de suas bombas penetrou na estrutura e explodiu no hangar onde ficavam as aeronaves e os reservatórios de combustível, gerando uma enorme explosão. Horas depois o navio afundou, matando mais de 140 tripulantes. Esse foi o primeiro de mais de três mil missões kamikazes que seriam realizadas mais adiante até a rendição do Japão.

Baka


Com a intensificação dos ataques kamikazes e com a analises dos resultados, os militares japoneses perceberam que esse tipo de estratégia demandava um meio com maiores performances, uma vez que os aviões usados eram lentos e carregavam poucas bombas, exigindo uma série de ataques para obter um resultado significativo.

A resposta para esse problema veio com o desenvolvimento de outra arma suicida: o avião-bomba Yokosuka MXY-7 “Ohka” (“Flor de Cerejeira”). O novo instrumento de guerra do Japão era uma bomba de 1.200 kg com asas de madeira, foguetes para propulsão e uma rudimentar cabine de pilotagem, que continha apenas o essencial para o piloto realizar seu voo mortal.

Os aviões-bomba eram transportados até próximo aos alvos pendurados em bombardeiros Mitsubishi G4M2 “Betty” e depois liberados para voar de forma independente. Depois de lançado, o piloto ativava os turbojatos e acelerava em direção ao objetivo.

O primeiro ataque do Ohka aconteceu em janeiro de 1945 e a missão contra uma esquadra da Marinha dos EUA foi um completo fracasso. Os 18 artefatos pilotados caíram no mar, matando todos os pilotos, e em seguida caças americanos ainda conseguiram alcançar e derrubar os bombardeiros G4M2 que voltavam para o Japão. Após essa ofensiva frustrada, os americanos apelidaram a nova arma japonesa de “Baka” (“Idiota”, em japonês).

Apesar do retumbante fracasso, o Japão não desistiu de sua bomba voadora e continuou fabricando mais exemplares. O aparelho, segundo relatos da época, podia voar por até 40 km após ser lançado e passava dos 1.000 km/h durante seu mergulho suicida.

Para habilitar os pilotos a guiar a bomba voadora, foi criada até uma versão de instrução com dois assentos e trem de pouso em formato de esqui – como a versão monoplace não retornava a base, não havia a necessidade de equipá-la com trem de pouso.

Apesar do imenso potencial explosivo e a altíssima velocidade que podia alcançar, o Ohka era difícil de pilotar. Não só isso, os últimos pilotos japoneses, todos muitos jovens, recebiam pouca instrução e eram enviados aos combates com pouca preparação. Por isso, a nova arma não alcançou a expectativa que seus idealizadores planejaram: apenas sete embarcações foram atingidas pela arma japonesa e somente uma foi a pique.

Apesar de nunca ter conseguido um resultado expressivo, o Japão construiu mais 800 bombas voadoras Ohka até abril de 1945 e também trabalhava no desenvolvimento de versões que poderiam ser lançadas a partir de submarinos ou até de cavernas localizadas na costa. Com a rendição, os projetos foram abandonados e diversas unidades da Baka foram capturadas pelos países Aliados. Hoje, esses modelos estão expostos em diversos museus de aviação pelo mundo.

Foram realizados mais de três mil ataques kamikazes, mas somente 11% das aeronaves acertaram os alvos e outras 27% retornaram as bases. Segundo registros dos EUA, os pilotos suicidas conseguiram afundar 47 navios e deixaram outros 368 avariados. Cerca de 4.900 soldados aliados morreram com essas ofensivas, contra 2.525 kamikazes.

Reichenberg: Kamikaze nazista


O desespero em reverter o curso da Segunda Guerra Mundial também levou a Alemanha a tomar medidas “kamikazes”. A primeira ação desse tipo foi lançada em abril de 1944 com o lançamento do esquadrão suicida “Sonderkommando ELBE”. Essa divisão foi treinada para acertar bombardeiros com o próprio avião.

A Alemanha estava sendo destruída por aviões americanos e ingleses, que voavam em enormes formações praticamente impossíveis de deter, fosse por artilharia em solo ou por caças atacando em grandes altitudes. Com essa nova estratégia, que mostrava um lado totalmente destemido dos pilotos, os alemães pensavam que os bombardeiros cessariam. Mas isso não aconteceu.

A única missão efetuada pela Sonderkommando Elbe, em 7 de Abril de 1945, com uma sortida de 120 Messerschmitt Bf-109, foi um enorme fracasso. Segundo relatórios norte-americanos, dos 1.260 bombardeiros aliados que voavam sobre a Alemanha neste dia, apenas 15 foram abatidos, sendo oito destruídos pela colisão suicida dos pilotos alemães.

No abate mais conhecido desse dia, um caça alemão colidiu de frente com o cockpit do bombardeiro B-24 Liberator “Palace Dallas”, dos EUA.

Os alemães também tentaram criar um avião-bomba semelhante ao japonês Ohka. Era o Fi 103R “Reichenberg”, uma versão tripulada da famosa bomba voadora V-1. A principio, foi estudada formas de utilizá-la de modo que o piloto pudesse se salvar antes de direcionar a arma para o alvo. No entanto, foi descoberto que era praticamente impossível abrir o cockpit com o objeto voando e, pior, o para-quedas do piloto (ou mesmo o piloto) podia entrar no bocal do motor a jato, que ficava bem acima da cabine. Decidiu-se então pelo ataque suicida.



A ideia, entretanto, gerou muita resistência e o projeto acabou cancelado. Na época, a ação foi considerada inadequada de acordo com as tradições alemãs. Com a desistência de construir a bomba voadora tripulada, a Alemanha investiu no projeto Mistel, que foi outra arma desesperada pouco efetiva.

http://airway.uol.com.br/baka-o-aviao-bomba-kamikaze/

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[SGM] Kamikazes: como eles pensavam

Fábio Marton      


Após quase quatro horas no ar, a pequena esquadrilha de cinco Mitsubishi A6M Zero avistou navios norte-americanos próximos à Ilha de Samar, nas Filipinas. Pelo rádio, o tenente Yukio Seki anunciou aos oficiais em terra: "Melhor morrer que viver como um covarde". Os aviões se dividiram em direção aos navios, descendo a até poucos metros acima do mar para evitar o fogo antiaéreo. Seki e outro piloto tentaram um ataque ao porta-aviões USS White Plains. Atingidos, o parceiro caiu no mar e o líder saiu soltando fumaça, desviando rumo ao USS St. Lo, outro porta-aviões. Eram 10h47 de 25 de outubro de 1944 quando o avião de Seki se desintegrou no convés do St. Lo. O caos tomou conta: uma série de explosões estremeceu o navio de 156 m. Os feridos foram primeiro baixados com cordas ao mar, depois simplesmente atirados do convés. Em 30 minutos, o incêndio atingiu o paiol principal e o porta-aviões sofreu uma explosão catastrófica, indo a pique. Ao preço de um piloto japonês, morreram 140 americanos.

Nem pelo Japão, nem pelo Imperador

Nove dias antes, o vice-almirante Takijiro Onishi, velho aviador naval que havia se oposto ao ataque a Pearl Harbor, convocou uma reunião de oficiais. Como comandante da Primeira Frota Aérea da Marinha Imperial Japonesa, anunciou seus planos de defesa: "Só existe uma forma como nossa força minúscula será eficiente num grau máximo. É organizar unidades de ataque suicida compostas de caças A6M Zero armados com bombas de 250 kg, com cada avião devendo colidir num mergulho contra um porta-aviões inimigo... O que vocês acham?"

Os militares conheciam bem a gravidade da situação. Na Batalha do Mar das Filipinas pela posse das Ilhas Marianas, em apenas dois dias, 19 e 20 de junho de 1944, os japoneses perderam cerca de 600 aviões, num episódio que ficou conhecido entre os pilotos americanos pelo sarcástico título de Great Marianas Turkey Shoot, a "Grande Caçada ao Peru das Marianas". Quando os japoneses começaram a guerra em Pearl Harbor, em dezembro de 1941, os Mitsubishi AM6 Zero eram um grande desafio aos norte-americanos, por serem mais ágeis e manobráveis. A introdução do F6F Hellcat, em 1943, muito superior ao Zero ou qualquer outro avião japonês, além do uso de radar, novidades táticas e simples vantagem numérica, fruto de uma indústria intacta, destruíram qualquer chance de os japoneses disputarem o domínio aéreo dos EUA. Na Batalha de Formosa, entre 10 e 20 de outubro de 1944, os japoneses perderam mais 500 aviões. "Quando Onishi chegou às Filipinas, descobriu que tinha menos de 100 aviões operacionais", afirma David Sears em At War with the Wind (sem tradução). Sears descreveu o que se passou a seguir na reunião: "Ali estava a oportunidade de apagar a vergonha. Sacrificar um piloto e um avião pela destruição de um navio com uma equipe de 3 mil homens e mais de 50 aviões. Ainda que o estado de espírito entre a plateia de Onishi provavelmente variasse entre entusiasmo feroz, resignação estoica e puro terror, os que finalmente falaram pediram para organizar as forças eles mesmos". Os oficiais fizeram os preparativos, mas nenhum foi voluntário. Coube ao tenente Seki, um instrutor de voo, liderar o primeiro ataque. Daí a provocação em suas palavras: seus superiores eram os covardes que ficaram vivos.

Não foi a única rebeldia do primeiro kamikaze. O tenente foi entrevistado pelo jornalista Onoda Masahi, em preparação para a avalanche de propaganda oficial que se seguiria. Masahi planejava incluir em seu texto o lado humano dos pilotos, e conseguiu: "Se é uma ordem, eu vou. Mas não irei morrer pelo imperador ou pelo Império Japonês. Vou morrer por minha amada esposa. Se o Japão perder, ela pode acabar estuprada pelos norte-americanos. Estou morrendo por quem mais amo, para protegê-la", afirmou Seki, que foi além. "O futuro do Japão é sombrio quando se é obrigado a matar um de seus melhores pilotos." Obviamente, nada disso foi publicado pela imprensa japonesa. O tenente e o resto de sua esquadrilha ganharam placas comemorativas no santuário de Yasukini, o que os tornava, dentro do xintoísmo oficial do Estado, espíritos guardiães da pátria, semideuses honrados pela visita do imperador duas vezes por ano - assim como todos os outros 3 843 pilotos que se seguiriam a eles. Não há consenso sobre o número exato de pilotos suicidas, estes são de Kyomi Morioka, da Universidade de Tóquio. O santuário lista 5 843.

A cultura da morte e seus descontentes

O bushidô, o caminho do samurai, sempre foi um componente importante da cultura japonesa, codificado em clássicos do Período Tokugawa (1603-1867) como Hagakure, de Yamamoto Tsunemono e O Livro dos Cinco Anéis, de Miyamoto Musashi. Mas seus ensinamentos se destinavam, um tanto obviamente, aos samurais - categoria que foi extinta no início da Era Meiji (1868-1912). Em 1899, o economista, diplomata e escritor Inazo Nitobe lançou, em inglês, Bushido: The Soul of Japan (sem tradução no Brasil). Destinado a apresentar o Japão ao mundo, quando traduzido para o japonês tornou-se a maior expressão do novo regime. Nitobe, cristão que havia estudado nos EUA, transformou o que eram ideais de uma classe guerreira na ideologia de um Estado militarista, que assumiria feições claramente fascistas nos anos 20.

É de imaginar que Seki não gostaria de saber que sua imagem destemida, reproduzida em inúmeros artigos de jornal e peças de propaganda, serviria para promover tal ideologia, a senha para o suicídio de milhares de compatriotas. Muitos kamikazes eram adeptos convictos do culto à morte promovido pelo Estado. Mas a relutância irreverente de Seki estava longe de ser raridade. Em entrevista a AVENTURAS NA HISTÓRIA, em 2008, o sobrevivente Tokio Mao mostrou suas próprias razões: "Não, nada de glória ao imperador. Era acabar com a guerra. E ter uma morte com honra!" Os diários desses pilotos, mais vítimas que algozes do Império, revela personalidades muito mais complexas, perturbadas pela ideia de morte. Alguns eram inimigos declarados do sistema político do Japão.

A imagem dos kamikazes no Ocidente, um bando de fanáticos se matando pelo seu deus-imperador, que frequentemente é comparada aos homens-bomba islâmicos contemporâneos, é fruto de uma "parceria" entre a propaganda japonesa e a imprensa ocidental. Os japoneses da época recebiam apenas as partes "construtivas" dos relatos kamikazes, geralmente seus testamentos, escritos para serem lidos por autoridades após a morte - que contêm loas ao imperador, ao yamato damashii (o espírito japonês), e poesias de morte mencionando a sakura, a flor de cerejeira, o símbolo nacional cujas pétalas, que caem em poucos dias, significavam a fragilidade da vida do soldado - um sentido em grande parte construído pelo Estado, segundo a antropóloga Emiko Ohnuki-Tierney, da Universidade de Wisconsin-Madison (EUA), autora de livros sobre os kamikazes. Ela rejeita a comparação com os homens-bomba islâmicos. "Os kamikazes eram soldados de uma nação em guerra, não indivíduos. Eram recrutados, não voluntários, que recebiam ordens para morrer. E nunca foram usados contra alvos civis."

Do outro lado do Pacífico, a imprensa dos EUA trouxe os primeiros relatos dos kamikazes em abril de 1945, após meses de censura pelos militares. Os jornalistas não só inflaram a imagem de fanatismo como, de certa forma, criaram a expressão. O nome das unidades era tokubetsu kõgekitai (unidade de ataque especial), geralmente abreviado para tokkõtai. As unidades da marinha ganhavam o nome de shinpu tokubetsu kõgekitai. Shinpu quer dizer "vento divino", as tempestades que salvaram os japoneses da invasão mongol duas vezes, em 1274 e 1281 - a Marinha japonesa acreditava que os pilotos suicidas salvariam o país dos novos mongóis, os norte-americanos, bárbaros sem cultura que acabariam com o país, tornando o sacrifício uma questão mais de morrer antes, de forma gloriosa, que depois, acuado dentro das próprias fronteiras. "Kamikaze" é a leitura em japonês popular dos mesmos ideogramas, que não era usada pelos japoneses, mas pelos militares americanos. A imprensa ocidental tornou o termo tão popular que hoje ele é usado no Japão.

Um passo adiante

A imensa maioria dos kamikazes era formada por estudantes, recrutados de universidades antes do início da ação, principalmente a partir de dezembro de 1943, quando 6 mil foram removidos das salas de aula em apenas três dias. Antes ou depois do início do programa, ninguém era convocado para se suicidar. A posição oficial do governo japonês era que todos os kamikazes eram voluntários. "A operação tokkõtai era uma garantia de morte e o alto oficialato japonês, hipocritamente, decidiu não torná-la um programa oficial da Marinha ou Exército, onde ordens eram dadas em nome do imperador", escreveu Emiko em Kamikaze, Cherry Blossoms and Nationalism. Mesmo para quem se voluntariava, a decisão estava longe de ser uma alternativa totalmente livre.

O treinamento era brutal. A tropa apanhava por qualquer motivo. Para "formar o caráter" ou simplesmente por causa da inveja dos sargentos, que consideravam os soldados universitários filhinhos de papai. Entre as razões para apanhar estava não saber recitar o Decreto Imperial ao Soldado, que terminava com palavras sombrias: "Entendam que a obrigação é mais pesada que as montanhas, mas a morte é mais leve que uma pluma". Segundo o relato do historiador e sobrevivente Irokawa Daikichi, no Ano-Novo de 1945, ele não conseguiu sentir o gosto do zoni, a sopa de bolinhos de arroz com que os japoneses costumam comemorar a passagem - porque só percebia o gosto de sangue na própria boca. "Batiam em meu rosto tão forte e frequentemente que meu rosto não era mais reconhecível."

Finalmente, com o espírito quebrado, chegava o dia de se "voluntariar". Os soldados eram chamados a uma sala onde ouviam um discurso patriótico sobre o valor de se sacrifícar pelo imperador. Então eram postos de pé e pedia-se aos voluntários para darem um passo a frente. Raramente alguém desafiava as pressões da autoridade, da ideologia martelada em suas mentes desde a infância e a culpa de continuarem vivos enquanto seus companheiros iam para a morte. O estudante Kenjiro Kuroda se recusou, apenas para ver seu nome publicado na lista de voluntários no dia seguinte, enquanto seu oficial se gabava que todos em sua companhia haviam se candidatado. O cristão Ryu Yamada relatou que foi simplesmente forçado, o que ele considerou um assassinato. E isso não era incomum. "Muitos pilotos kamikazes, tanto no Exército quanto na Marinha, eram apontados como membros de esquadrões suicidas sem sequer ter a chance de se tornarem voluntários. Desses jovens, se esperava que seguissem tais ordens como qualquer outra", afirma o historiador William Gordon, da Universidade Wesleyan (EUA).

A vida dos mortos

Quando o piloto era designado para um grupo tokkõtai, recebia um breve treinamento específico. Ele devia saber quais partes dos navios atingir, principalmente os porta-aviões, os alvos prioritários. A instrução mais importante era para não fechar os olhos na hora de mergulhar - muitos kamikazes atingiam a água ao ceder ao instinto. Depois disso, eram meses de espera até que chegasse o momento do voo fatal.

Ainda que a propaganda japonesa mostrasse os pilotos sempre serenos e sorridentes em seus momentos finais, a verdade tinha uma face bem mais humana (veja os depoimentos ao longo desta reportagem). Os pilotos frequentemente caíam em depressão e lutavam internamente para racionalizar suas decisões.

Quando chegava o dia do voo para a morte, os pilotos ganhavam um brinde de saquê, amarravam a hachimaki (faixa) na cabeça, e talvez também o senninbari, um cinto costurado por mil mulheres, cada uma dando um ponto - espécie de amuleto de "corpo fechado" do soldado japonês. Levavam ainda a bandeira japonesa, uma espada e uma pistola - para o caso de falharem e terem de evitar a captura com o suicídio. Se estivesse na época da florada, carregavam ramos de cerejeira. E escreviam poesias, seguindo o exemplo dos samurais condenados a cometer seppuku, o suicídio honroso.

E então decolavam. A maioria pilotava seu próprio Zero, carregado com uma única bomba de 250 kg. Mas foram usados outros modelos de aviões, inclusive bombardeiros com a tripulação completa, além de torpedos tripulados, os kaiten. Nunca era uma viagem tranquila e sem escalas direto para a morte. Assim que detectavam os japoneses no radar, caças norte-americanos partiam dos porta-aviões, mais rápidos, bem armados e em maior número. Os kamikazes até podiam tentar lutar e às vezes contavam com a escolta de caças regulares. Mas, em geral, o melhor que podiam esperar é que o avião resistisse o suficiente para explodir no convés do navio inimigo.

Os japoneses tinham outras cartas. Em 12 de abril de 1945, o destróier Mannert L. Abele estava acompanhado por dois navios de transporte a 130 km a noroeste de Okinawa. Sua função era patrulhar o oceano por radar, justamente para impedir ataques de pilotos kamikazes. No começo da tarde, acabou cercado por aviões japoneses e destruiu quatro que tentaram investir contra ele. Às 14h40, enquanto as baterias estavam distraídas com a última investida kamikaze, um estranho objeto apareceu no céu e mergulhou contra o Mannert, acelerando de forma inimaginável.

Vítimas do sucesso

As baterias antiaéreas simplesmente não conseguiram acompanhar o movimento do bólido, que penetrou na câmara do motor e explodiu, matando a equipe e fazendo o destróier perder o controle de todos os seus sistemas, inclusive o dos armamentos. Um minuto depois, outro objeto idêntico atingiu o navio no casco lateral, partindo-o o em dois e levando ao fundo do oceano a maior parte de sua tripulação.

O Mannert L. Abele foi a primeira vítima do Yokosuka MXY7 Ohka, a tecnologia mais avançada das forças kamikazes. Era uma bomba voadora pilotada, movida a foguete, lançada de bombardeiros Mitsubishi G4M. Podia chegar a 1 040 km/h, levando uma carga explosiva de 1,2 mil kg, quase cinco vezes mais que um kamikaze convencional. O Ohka era impossível de ser interceptado, mas estava longe de ser uma arma milagrosa. A pesada e frágil "nave-mãe" tinha que chegar perto do alvo, já que o Ohka só tinha autonomia para 36 km de voo. Um piloto tinha mais chances de morrer ainda preso nas asas do bombardeiro ou, pior, ser lançado longe demais do alvo, para um voo curto e inútil rumo à morte solitária no oceano. Assim, apenas três outros navios partilhariam o destino do Mannert L. Abele.

Não que os pilotos de aviões convencionais tivessem uma chance muito melhor. As ações nas Filipinas, quando os Estados Unidos ainda não estavam preparados para os ataques, teve apenas 20,8% de acertos - 41% dos aviões suicidas deram meia-volta por falta de combustível, tempo ruim ou simplesmente por não encontrar o inimigo. Em toda a guerra, 11,6% dos 3,3 mil aviões kamikazes acertaram seus alvos, contra 27,5% que voltaram à base. Os kamikazes que retornavam sofriam humilhação dos oficiais, com a habitual violência física, até voar para a morte novamente um outro dia - o fato explica o "mistério" por que usavam capacete e por que é absurda a lenda que afirma que eram fechados com solda na cabine do avião.

Durante toda a guerra, 47 navios norte-americanos foram afundados, pela estimativa do historiador William Gordon. Apenas três deles eram porta-aviões, todos de escolta, relativamente pequenos, desprotegidos e desimportantes. Segundo dados da Força Aérea dos Estados Unidos, 4,9 mil marinheiros foram mortos pelos kamikazes e outros 4,8 mil, feridos.

Os efeitos da campanha são bastante discutíveis. "Acredito que os ataques kamikazes fizeram a maioria dos norte-americanos mais determinada a derrotar o Japão. Especialmente durante a Batalha de Okinawa, alguns poucos marinheiros sofreram mentalmente pelos contínuos ataques suicidas contra navios dos EUA, dia após dia, mas quase todo o pessoal da Marinha tinha moral alta para continuar a derrubar aviões japoneses não importasse quantos fossem enviados", diz Gordon.

A partir de julho de 1945, a intensidade das ações kamikazes diminuiu. Os japoneses começaram a se preparar para a invasão americana, e sua principal arma seriam contra-ataques suicidas. Eles esperavam afundar 400 navios em caso de aproximação - algo não totalmente infundado, já que partiriam de uma distância muito mais próxima, e os últimos modelos do Ohka, movidos a jato em vez de foguete, podiam decolar de terra e tinham maior autonomia.

Mas a invasão nunca ocorreu. Em 26 de julho, os Estados Unidos, Grã-Bretanha e China lançaram a Declaração de Potsdam, ameaçando o Japão de "completa e total destruição" caso não se rendesse. E mostraram o que queriam dizer em 6 de agosto, quando três bombardeiros B-29 cruzaram céus desimpedidos, já que quase todos os aviões japoneses estavam reservados para a ação kamikaze. E assim Hiroshima viveu a maior ação de terror já vista na história. Três dias depois, o mesmo ocorreu em Nagasaki.

A campanha kamikaze tornou o Japão a "vítima ideal" para a bomba atômica. "Os americanos não podiam acreditar que os pilotos japoneses se matavam para destruí-los. Isso deu a eles a crença que os inescrutáveis japoneses não se renderiam até o último cair morto, dando a `desculpa¿ para as bombas atômicas, o que é bem documentado", afirma Emiko Ohnuki-Tierney. "A decisão do presidente Harry Truman de lançar as bombas atômicas me parece adequada por causa das perdas que os japoneses, especialmente por aviões kamikazes e outras armas suicidas, infligiriam aos aliados se tentassem invadir o Japão", diz Bill Gordon.

Em 15 de agosto, o imperador Hirohito anunciou a rendição. Ao ouvir a notícia, o almirante Matome Ugaki vestiu um uniforme sem insígnias e decolou num Yokosuka D4Y. Pelo rádio, transmitiu seu último recado. "Farei um ataque em Okinawa, onde meus homens caíram como flores de cerejeira. Lá irei colidir meu avião e destruir o inimigo arrogante, no verdadeiro espírito do bushido, com firme convicção e fé na eternidade do Japão Imperial. Confio que os membros de todas as unidades sob meu comando irão superar todas as dificuldades do futuro e prosperar na reconstrução de nossa grande pátria, que ela viva para sempre. Longa vida ao imperador!" Ugaki foi encontrado no dia seguinte, nos destroços de seu avião numa praia. É provável que o último kamikaze tenha sido abatido sem atingir seu alvo. No dia seguinte, o inventor da operação kamikaze, Takijiro Onishi, cometeu seppuku. Em sua carta de suicídio, pediu desculpas a todos os quase 4 mil japoneses que se mataram em vão.



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