quinta-feira, 20 de julho de 2017

Reconquista: A queda do Islã na Península Ibérica

Cristiano Dias


O Sol nem havia se levantado e o calor já anunciava outro dia quente. O verão na Andaluzia sempre foi seco e interminável. De seu acampamento, às margens do rio Guadalete, Tariq Ibn Ziyad, um oficial muçulmano a serviço do governador de Tânger, viu surgir no horizonte uma multidão de soldados. Cerca de 40 mil homens do exército cristão visigodo comandado por Rodrigo, duque da Bética e homem-chave do maior reino germânico do Ocidente, se aproximavam. Era 19 de julho de 711 e seus milhares de soldados em breve travariam uma batalha que mudaria para sempre a história da península Ibérica.

A visão de Tariq mostrava-se aterradora. Os visigodos pareciam monstros. Enfiados em gigantescas armaduras e enfileirados disciplinadamente ao longo das colinas, somavam mais de dois cavaleiros para cada guerreiro árabe, que não empunhava nada além da espada e de sua fé no Corão. A seu favor, tinha uma tropa descansada, que entraria em combate contra um inimigo que marchara por dois meses para a batalha. Tariq sabia disso e não permitiu que os cristãos descansassem. Ainda pela manhã, deu a ordem de ataque. O que se viu a seguir foi uma lenta carnificina. Em menos de uma semana, os árabes, mais leves e ágeis, passaram pelo fio da espada a nata do exército visigodo. Ao fim de cada dia, havia tantos corpos pelo campo de batalha que ficava impossível identificar os mortos. O banho de sangue foi interrompido quando as tropas cristãs perceberam que seu líder desaparecera, provavelmente entre os milhares de cadáveres. Sem Rodrigo, a Batalha de Guadalete terminou com suas tropas fugindo apavoradas.

Antes do término do ano, os árabes conquistariam Córdoba e a capital, Toledo, sem encontrar maiores resistências. Em 712, caiu Sevilha. No ano seguinte, foi a vez de Huelva, Faro, Beja e Mérida. Em 714, Burgos, Leão, Viseu, Évora, Santarém, Coimbra e Lisboa. Em 716, Braga, Porto e toda a Catalunha estavam sob o domínio de Alá. Em pouco tempo, os muçulmanos varreram a península Ibérica. Cada vez mais confinados ao norte, os cristãos tentavam sobreviver à onda de ataques. Do outro lado, animados pela facilidade das vitórias, os mouros passaram a lutar além dos Pirineus, em território francês. Finalmente, em 732, foram vencidos em Poitiers pelo franco Carlos Martel. Mas, se a derrota impediu o avanço do islã ao norte da Europa, não significou o fim de sua influência no sul. Até 737 os árabes tomariam Arles, Avignon, Lyon e o vale do Ródano e ficariam na península e parte da Europa por um longo período.

Herdeiros de Maomé

Maomé morreu em 632, depois de unificar os povos da península Arábica. Como foi possível transformar um pais de nômades na maior potência do planeta em pouco mais de 100 anos? Os historiadores concordam que o fator principal para a expansão fulminante foi a decadência dos grandes impérios – bizantino, persa e romano –, já pulverizados em vários reinos germânicos. “Em todos esses lugares, a peste e a fome dizimavam populações inteiras, que recebiam os árabes como salvadores da pátria”, diz Albert Hourani, autor de Uma História dos Povos Árabes.

“Quando chegaram à Espanha, os árabes encontraram o reino visigodo no caos. Entre 707 e 709, houve uma seca sem precedentes, que arrasou as colheitas e espalhou a fome. Além disso, a enorme colônia judaica estava sendo perseguida. Assim, camponeses e judeus receberam os mouros de braços abertos”, afirma o historiador espanhol José Manuel González Vesga, autor de Breve Historia de España (sem tradução).

Depois de serem recebidos como libertadores, era hora de botar ordem na casa, o que demorou outro meio século. De 711 a 756, o poder árabe na península Ibérica foi exercido por dezenas de emires, a maioria escolhida pelos árabes instalados na península. Na prática, isso significava que o poder central, por mais poderoso que fosse, perdia a força com a longa distância.
A falta de unidade racial e religiosa dentro das fronteiras do califado foi a maior responsável por sua ruína. Judeus, cristãos, eslavos, ninguém se adaptou à tradicional organização familiar muçulmana, especialmente à poligamia e ao direito de herança. Além disso, rivalidades internas desataram uma guerra civil dentro da Andaluzia árabe que fragmentou o califado em dezenas de pequenos reinos, conhecidos como taifas.

Não foi à toa que, a partir de 1031, com o desmembramento do califado, os cristãos começaram a ganhar terreno na península Ibérica. Com exceção de Barcelona, retomada em 801, e Porto e Braga, em 868, todas as outras grandes vitórias cristãs ocorreram após a queda do califa de Córdoba. Como Coimbra, recuperada em 1064. Madrid, em 1083. Toledo, em 1085. Zaragoza, em 1118. Sevilha, em 1248.

Granada, Última fronteira

Apesar das vitórias, os cristãos demoraram mais 200 anos para terminar o serviço. Só conseguiram depois de resolver as divergências internas. Em 1469, Fernando de Aragão se casou com Isabel de Castela, e a coroa espanhola foi unificada. A situação dos árabes estava insustentável. Eles se confinava na cidade de Granada. Era pouco provável que conseguissem suportar a pressão de uma Espanha unida.

Depois de uma longa trégua, a guerra recomeçou em 1482, com as tropas de Fernando conquistando pequenas localidades próximas à última capital árabe da península. Em 1490, o rei armou seu acampamento nos arredores de Granada. Em seguida, ordenou a de-vastação de vários campos cultivados perto de suas muralhas e esperou o inverno chegar. Fernando sabia que seria muito arriscado lançar um ataque contra as 1.030 torres que protegiam Granada. Daí veio a ideia de cortar os suprimentos e fazer com que a fome se incumbisse de derrotar o inimigo.


Percebendo que os espanhóis não atacariam, Abu Boabdil Abdullah, rei dos mouros, ordenou uma série de ataques provocativos para fustigar uma reação dos soldados de Fernando. Mandou que fossem arremessadas lanças no acampamento espanhol com insultos amarrados na ponta. Como nada dava certo, orientou seus homens a desafiar individualmente os cavaleiros de Fernando para duelos. Durante algum tempo, os espanhóis perderam boa parte dos homens nesses combates, até que Fernando proibiu sua tropa de aceitá-los.

Em julho de 1491, um acidente quase matou a família real espanhola. A noite, a rainha Isabel deixou que um lampião caísse e queimasse sua tenda. O vento espalhou o fogo e logo o acampamento inteiro estava em chamas. Os árabes tentaram se aproveitar do caos nas linhas inimigas, atacando com a infantaria. O resultado foi desastroso para o rei mouro, Boabdil. Com boa parte de seu exército fora de combate e apenas 300 cavalos vivos – dos 7 mil iniciais –, ele viu Fernando avançar em direção à muralha.

Os espanhóis cortaram toda a comunicação da cidade e impediam a chegada de reforços. Sem comida, não existia outra saída senão a rendição. Em 25 de novembro, assinaram-se os termos. Os mouros teriam direito a manter sua fé e quem quisesse ganharia uma passagem de volta para a África. Em troca, a cidade deveria ser entregue. Em 2 de janeiro de 1492, Fernando e Isabel marcharam triunfantes pelas ruas do último bastião árabe na Espanha. 

O homem que reconquistou Portugal


Dom Afonso Henriques nasceu em 1109, em terras já chamadas de Condado Portucalense, nome dado à cidade de Portucale (hoje Porto). Depois de ser fustigada pelos árabes, a região passou a ser disputada por outros reinos cristãos mais importantes, como Leão, Galícia e Castela. O pontapé inicial para a autonomia do condado aconteceu no momento em que o infante completou 14 anos. Foi quando Afonso Henrique começou a atazanar a vida de seus vassalos espanhóis. Ao assumir o controle do condado, ele se recusou a prestar vassalagem aos reis vizinhos. Com suas tropas, lutou contra todos eles e ainda teve tempo para guerrear contra os árabes. Em 1139, saiu vitorioso na Batalha de Ouriques, derrotando cinco reis mouros de uma só vez – o que rendeu à bandeira de Portugal o desenho de cinco escudos em forma de cruz. Com o vento soprando a favor, no ano seguinte resolveu se proclamar rei de Portugal, deixando de usar o tratamento de infante. Depois de conquistar Leiria, Santarém, Lisboa e quase todo o Alentejo, em 1179 foi reconhecido pelo papa Alexandre III como rei de Portugal e vassalo apenas da Santa Igreja.

El Cid, cavaleiro lendário


Rodrigo Días nasceu no vilarejo de Vivar, nos arredores de Burgos, em 1043. Desde cedo, frequentou a corte do rei Sancho II de Castela, onde carregava o estandarte real. Logo ganhou fama em duelos, o que lhe valeu o apelido de Campeador. Os inimigos mouros o chamavam de sidi (“senhor”), e foi como El Cid que o primeiro herói espanhol entrou para os livros de história. A boa vida de Cid na corte castelhana acabou com a morte do rei e amigo Sancho. Seu sucessor, Afonso VII, não ia com a cara do Campeador e decidiu desterrá-lo. El Cid perambulou então por vários reinos oferecendo seus serviços. Lutou ao lado de árabes e cristãos, multiplicando sua fama a cada vitória. Um dia, cansado de lutar para os outros, formou uma pequena tropa e conquistou Valencia, que governou em nome dos reis castelhanos. Lá, venceu os árabes seguidas vezes em combates, mantendo a cidade sob a bandeira cristã até a sua morte, em 1099. Sua história inspirou o mais antigo épico espanhol, o Poema de Mío Cid, escrito no século 12. De autoria desconhecida, o texto foi responsável por disseminar a lenda de El Cid por toda a Espanha como um cavaleiro obstinado e invencível.


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terça-feira, 18 de julho de 2017

Guerra Civil Espanhola: Esquerda vs direita

Reinaldo José Lopes


É cômodo dizer que uma guerra era inevitável, depois de ter ocorrido. No entanto, o caso do conflito que dividiu a Espanha, a partir de julho de 1936, foi um desastre há muito anunciado. Por várias décadas, não existiu entendimento na política espanhola, e o quadro só piorou no início de 1930. O grande problema era a polarização: o país tinha se dividido no campo ideológico. Direita e esquerda viam-se em posições irreconciliáveis. Cada lado se considerava o verdadeiro representante do que a Espanha deveria ser, situação que levou vários historiadores a usar a expressão “duas Espanhas”. Aliás, “duas” é pouco. É mais correto falar em inúmeras “Espanhas”, porque diversos grupos disputavam o poder. Havia, por exemplo, dois movimentos monarquistas; organizações totalitaristas como a Falange, inspiradas no fascismo e no nazismo; vários partidos socialistas e comunistas; e – fenômeno típico do país – muitos anarquistas, que desprezavam a ordem política tradicional.

Mais soldados em ação

A divisão, porém, era mais profunda: estendia-se pelas regiões industrializadas, como o norte e a Catalunha (onde a maioria do povo era favorável à República e pendia para a esquerda), e áreas rurais e tradicionalistas, como a Andaluzia e a Galícia, com grande massa de camponeses explorados pelos senhores de terras e da Igreja.

Some-se a isso um panorama internacional também polarizado, no qual os países democráticos (como a própria Espanha, a França e o Reino Unido) estavam se tornando minoria diante de ditaduras de direita ou de esquerda (Alemanha, Itália e União Soviética). O desastre começou quando o primeiro governo republicano foi formado, após a abdicação do rei Afonso XIII, em outubro de 1931. Dominado por socialistas e liberais esquerdistas, suas primeiras medidas foram expulsar os jesuítas do país e tirar das mãos da Igreja o sistema educacional, o que enfureceu os conservadores. Além disso, o governo priorizou a regularização das condições de trabalho no campo e a reforma agrária – um golpe doloroso para os latifundiários. 

As medidas de orientação esquerdista não duraram muito. No fim de 1933, novas eleições levaram ao poder uma coalizão de centro-direita, que desfez ou minimizou boa parte das últimas reformas. No ano seguinte, rebeldes anarquistas e operários levantaram-se contra o governo nas Astúrias e na Catalunha. As rebeliões foram reprimidas pelo exército, mas outros levantes, incluindo ataques ao clero católico, continuaram durante os meses seguintes, até que as urnas recolocaram no poder as forças liberais e de esquerda, com a Frente Popular, em fevereiro de 1936.

Uma série de assassinatos políticos de ambos os lados manteve as tensões. Muitos dos principais militares espanhóis, que não simpatizavam com o novo rumo que a República havia tomado, foram mandados para comandos distantes – como aconteceu com o próprio Francisco Franco, enviado para as ilhas Canárias. Ao lado de outros generais poderosos e da direita, Franco planejou um golpe militar contra a República, incitando rebeliões em quartéis de todo o país. O plano entrou em ação em 18 de julho de 1936, mas falhou em boa parte da Espanha. O que deveria ter sido um pronunciamento (nome dado pelos espanhóis a um golpe militar) começou a se transformar em uma guerra civil.


O caminho da guerra

 14 de abril de 1931: Depois da vitória de líderes republicanos em uma eleição geral, o rei Afonso XIII abdica do trono.
 9 de dezembro de 1931: Niceto Alcalá-Zamora é eleito presidente e Manuel Azaña torna-se primeiro-ministro.
 23 de janeiro de 1932: Alcalá-Zamora assina um decreto, acabando com a ordem dos jesuítas na Espanha.
 Outubro de 1934: Mineiros das Astúrias revoltam-se e são reprimidos pelo general Francisco Franco.
 16 de fevereiro de 1936: Alcalá-Zamora convoca novas eleições, vencidas pela Frente Popular (de esquerda).
 7 de abril de 1936: O Congresso destitui Alcalá-Zamora do cargo. Manuel Azaña assume a presidência.
 Maio - julho de 1936: Assassinatos com motivação política e greves tomam conta do país.


A Guerra Civil Espanhola (1936-1939)


Em 1936, a Espanha estava politicamente dividida em dois campos: A Frente Nacionalista e a Frente Republicana. A Frente Nacionalista era um partido conservador, com ideias nacionalistas e fascistas, ao passo que a Frente Popular pertencia ao partido Republicano, com ideais socialistas, comunistas e anarquistas. Devido à oposição entre os dois lados, o monumental conflito deixou um rastro de sangue da matança entre espanhóis e tornou-se a precursora da Segunda Guerra Mundial.

O conflito começou em 1936 com a vitória da Frente Popular nas eleições. A Frente Nacionalista acreditava que a Frente Popular estava tentando iniciar uma revolução comunista. A Frente Popular temia um golpe de estado da Frente Nacionalista. Os temores da Frente Nacionalista foram redobrados em virtude da participação de anarquistas da Frente Popular. Em geral eles eram mais contidos, mas dessa vez resolveram apoiar a Frente Popular porque o partido havia prometido libertar todos os seus presos políticos.

A Frente Popular tomou o controle do novo governo, mas suas ações eram duvidosas. Devido à dissensão reinante entre a maioria – que incluía diferentes ideologias: republicanos, socialistas, comunistas e anarquistas – as reformas prometidas demoravam a ser implementadas. De repente, o povo resolveu começar a implementar as reformas por suas próprias mãos: a coletivização das terras e fábricas, às vezes por meio de violência. Os líderes comunitários e os industriais, que não tinham nenhuma confiança na determinação da Frente Popular para manter a ordem, estavam amedrontados. Milícias trabalhistas e nacionalistas competiam. O caos se instalava no país.

O assassinato do deputado e líder da direita monarquista, José Calvo Sotelo, por milícias republicanas, provocou o início da guerra civil, em 13 de julho de 1936. O golpe de estado aconteceu em 17 de julho de 1936, quando Franco, general do exército, tomou o controle do exército espanhol em Marrocos. O governo tentou uma reconciliação e propôs um acordo, mas não foi bem sucedido porque nem o lado republicano nem o nacionalista queriam ceder.
Algumas regiões rapidamente caíram em mãos nacionalistas comandadas por Franco: Navarra, Castilha, Galícia, partes da Andalucía e Aragon. Madri, Valencia e Barcelona permaneceram em mãos republicanas. Após uma semana, a Espanha estava dividida em duas áreas iguais: uma em mãos nacionalistas, a outra sob controle republicano. Os Republicanos mantiveram controle das regiões mais ricas e industrializadas.

A guerra civil tornou-se um dos primeiros frutos do que seria a Segunda Guerra Mundial: o exército nacionalista era apoiado por dois países poderosos, a Alemanha e a Itália; eles forneciam armas aos Nacionalistas. Já os Republicanos receberam o apoio da União Soviética. A ajuda da Alemanha e da Itália permitiu que as tropas de Franco passassem o Estreito de Gibraltar em 5 de agosto para se juntar ao resto do exército. Eles avançaram para o norte. Os Republicanos contra-atacaram formando colunas que avançavam em territórios nacionalistas: a mais famosa delas foi a “Coluna Durruti”, composta por soldados e anarquistas liderados pelo General Durruti.

Franco chegou aos portões de Madri, mas preferiu desviar suas tropas para o sul para ajudar insurgentes em Alcazar. Quando ele retornou aos portões de Madri em novembro de 1936, os Republicanos tiveram tempo de organizar suas defesas. A luta foi acirrada, mas a cidade estava bem protegida e em março de 1937, Franco teve que admitir que havia falhado.

Ele não sabia lidar com o fracasso, então decidiu derrubar a resistência republicana no País Basco e nas Astúrias. A luta prosseguiu para a região de Santander, que caiu em 26 de agosto. As Astúrias capitularam em 17 de outubro, tornando as forças nacionalistas as líderes de toda a costa Atlântica. 


Dentre as contra-ofensivas das tropas republicanas, duas foram memoráveis. A primeira foi na cidade de Teruel, que foi responsável por uma das mais acirradas lutas de toda a Guerra Civil. Nela, os republicanos tomaram a cidade das mãos dos nacionalistas nos primeiros dias de 1937, mas perderam o controle em menos de um mês. A outra foi a batalha de Ebro, que começou em 25 de julho de 1938, mas que também foi uma campanha fracassada.

Por isso, a Catalunha foi facilmente conquistada pelos Nacionalistas em fevereiro de 1939. Pouco tempo depois, Madri também foi conquistada pelos Nacionalistas. Em 1º de abril de 1939, Franco declara o fim da guerra.


Franquismo

Cláudio Fernandes


O franquismo, assim como o salazarismo em Portugal, foi uma modalidade de fascismo praticada na Espanha que faz referência à figura do general Francisco Franco (1892-1975), que esteve no poder desse país de 1939 a 1975, quando morreu. O franquismo é um termo usado para definir tanto o modo de se fazer política de Francisco Franco quanto o culto à sua personalidade.

O general Franco passou a destacar-se como figura pública na Espanha a partir do momento em que a República Espanhola, que havia sido instituída logo no início da década de 1930, passou a ser contestada por setores conservadores e por militares ligados a esses setores. A contestação dava-se pelo fato principal de ser a república eminentemente de esquerda, controlada pela Frente Popular.
https://t.dynad.net/pc/?dc=5550003218;ord=1500389766725
Em julho de 1936, Franco e outros membros do exército que eram simpatizantes do fascismo, desenvolvido na Itália, e do nazismo, desenvolvido na Alemanha, como Gonzalo Queipo de Llano, Emilio Mola e José Sanjturjo, articularam um golpe contra o governo de esquerda. Como esse governo era apoiado pela URSS, de Stálin, e Franco e os demais fascistas eram apoiados por Hitler, Mussoloni e Oliveira Salazar, de Portugal, logo se instalou uma guerra civil na Espanha que duraria até o ano de 1939.

Em meio a essa guerra, no ano de 1937, os nazistas que apoiavam Franco bombardearam a cidade de Guernica com o objetivo de testar seu maquinário militar que seria utilizado na Segunda Guerra Mundial. A vitória das forças fascistas espanholas lideradas pelo general Franco consolidou-se em 1939, ano em que se iniciou o segundo conflito mundial. Com o fim da Segunda Guerra em 1945, o fascismo tornou-se um modelo político desprestigiado, entretanto, Franco e outros líderes, como Salazar, continuaram a ostentar o seu poder autoritário. Da década de 1940 à década de 1970, o governo de Franco procurou engendrar, tal como tipicamente se fazia nos regimes fascistas, uma máquina de propaganda para enaltecer a figura do ditador. Associada a essa máquina de propaganda, uma manipulação da memória histórica da nação espanhola também foi gestada. A pesquisadora Janete Abraão, em seu ensaio “O dois de maio, a 'Guerra de Independência e a Memória manipulada durante a Guerra Civil e o Franquismo'”, acentuou bem a forma como o franquismo usou a memória da luta da Espanha contra o imperialismo napoleônico do início do século XIX a seu favor:

Cabe afirmar que o mito da 'Espanha indomável' de 1808, que se opõe à dominação estrangeira, teve enorme repercussão durante o regime franquista (1939-1975). Mas há que se levar em consideração o fato de que, o franquismo, não fez senão capitalizar, em seu interesse, o discurso romântico nacionalista, tradicionalista e católico de fins do século XIX, com toda a sua carga emocional. Foi nesse sentido que o franquismo relacionou o Dois de Maio de 1808 ao Dezoito de Julho de 1936. Dessa forma, a historiografia de cunho franquista não duvidou em afirmar que os acontecimentos históricos de maior transcendência para a 'pátria espanhola' eram a 'Guerra de Independência' (1808-1814) e a “Guerra de Libertação” (1936-1939).”[1]

Dessa forma, o franquismo procurou instituir uma imagem particular da história espanhola ajustada ao seu interesse. Essa perspectiva só foi revista e discutida após a morte de Franco e o processo de redemocratização da Espanha, que só se deu a partir de 1978.

Nota:

[1] Abrão, Janete. “O dois de maio, a 'Guerra de Independência e a Memória manipulada durante a Guerra Civil e o Franquismo'”. In: Abrão, Janete (org.) Espanha: política e cultura. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2010. p. 25


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segunda-feira, 10 de julho de 2017

[SGM] Céu em chamas: A Batalha da Grã-Bretanha

Tiago Cordeiro




Em junho de 1940, a Inglaterra estava sozinha contra Hitler. Com a Europa Ocidental nas mãos do Führer, os Estados Unidos ainda fora do conflito e a União Soviética comprometida com um acordo de não-agressão assinado em agosto de 1939, não havia ninguém capaz de apoiar os britânicos. A Alemanha tinha a maior Força Aérea do mundo e estava estimulada pela vitória acachapante na França. Por outro lado, os britânicos tinham aviões mais bem armados e uma tradição de impedir o acesso de todo e qualquer invasor desde 1066 – naquele ano, o duque da Normandia, Guilherme I, venceu a Batalha de Hastings e, por alguns meses apenas, tirou a Inglaterra dos ingleses pela última vez.

Em 1940, na batalha aérea entre alemães e britânicos, centros ingleses importantes foram fortemente bombardeados, e o país chegou perto da derrota. Mas, lentamente, a Inglaterra retomou seu espaço graças ao estoicismo de seu povo e também ao domínio de uma invenção recente: a tecnologia do radar. Iniciado em 10 de julho de 1940, o ataque germânico perdeu força em 31 de outubro de 1940, e foi definitivamente encerrado em maio de 1941. Ao fim de 11 meses de suplício, a Inglaterra estava arrasada, mas de pé.

Ao mobilizar a Força Aérea alemã, a Luftwaffe, apenas um mês depois da derrota da França, Hitler queria aproveitar o caos aliado para destruir as defesas aéreas britânicas e, assim, facilitar uma invasão por terra – ou, quem sabe, forçar os britânicos a pedir trégua. A partir do litoral noroeste francês, da Holanda e da Noruega, 4 mil homens partiram em 2,8 mil aeronaves rumo à Inglaterra. Na linha de frente iam dois grupos aéreos, a Luftflotte 2 e a Luftflotte 3, que tinham sido decisivos na condução das blitzkrieg em solo continental. Mas agora a luta seria diferente. Pela primeira vez desde o começo da guerra, as aeronaves alemãs não iriam apenas apoiar as forças em terra. A batalha inteira estava nas mãos delas e de seu comandante Hermann Göring.

A Real Força Aérea (RAF) britânica tinha perdido mais de mil aviões na França e na Noruega. Isso representava dois terços de todas as novas aeronaves construídas desde o começo da guerra, em 1939. O grande trunfo aliado era o sistema de radares mais desenvolvido do mundo, coordenado pelo marechal-chefe-do-ar Hugh Dowding, o chefe do Comando de Caça da RAF. Com os radares, não era mais necessário fazer longos vôos de reconhecimento. Bastava aguardar o momento certo e agir diretamente contra o inimigo, no local em que ele estivesse. Os alemães, por sua vez, estavam muito mal municiados pelo serviço de informações. Eles subestimaram o poder real de fogo dos ingleses, e durante o conflito chegaram a atacar vários aeroportos que sequer eram usados para o esforço de guerra. Quando o confronto aberto começou, a gigante Luftwaffe estava míope – e não sabia disso.

Primeiros ataques

A Batalha da Grã-Bretanha teve cinco fases bem distintas. Na primeira, que durou de 10 de julho a 8 de agosto, forças alemãs fizeram incursões sobre a costa sul inglesa. Bombardeiros de mergulho agiram contra navios mercantes do Canal da Mancha e atacaram algumas cidades costeiras na faixa de Dover a Plymouth. Foi um mau começo para os ingleses. Os caças alemães atuavam em formações de quatro aeronaves, com duas à frente e outras na retaguarda, enquanto os ingleses mantinham uma estrutura de batalha mais antiquada e contraproducente, em que dois aviões faziam a defesa de apenas um. Mas, depois de duas semanas de sucesso alemão, o mau tempo provocou uma trégua de cinco dias. Foi o suficiente para a RAF se reorganizar. Em agosto, os alemães haviam perdido 217 aviões, contra apenas 96 dos inimigos. A Luftwaffe começava a perceber que alguns de seus artefatos, como o caça Messerschmitt Bf110 e o bombardeiro de mergulho Junker 87, eram lentos demais para batalhas aéreas. Os ingleses, por sua vez, corriam para alterar suas formações de guerra.

No segundo momento da batalha, os alemães tentaram reduzir a frota inimiga com combates no ar, caça contra caça. As perdas britânicas foram consideráveis: 286 aviões, contra 208 da rival. Mas, pela segunda vez, o tempo fechado forçou uma pausa de uma semana. Ao final dessa fase, os ingleses marcaram pontos na guerra psicológica. Depois de um bombardeio acidental no subúrbio de Londres, os britânicos reagiram com um ataque rápido a Berlim na noite de 25 de agosto. Os alemães, que consideravam sua capital inacessível ao inimigo, assustaram-se. No mesmo dia, iniciaram uma terceira onda de ataques. Dessa vez, os alvos eram generalizados: caças no ar, mas também bases em terra, civis e militares. Foi aí que as falhas na inteligência alemã provocaram um erro comprometedor: o sistema de radares ingleses estava por um fio, mas os germânicos não perceberam. Impressionados com a perda de 378 aviões, mudaram mais uma vez a estratégia, para alívio de seus adversários.

Alvos civis

Mais uma vez, a iniciativa de alterar os rumos do conflito partiu dos alemães. A partir de 7 de setembro, começou a blitz contra as cidades. Os céus de Londres ficaram inundados por 300 bombardeiros germânicos, escoltados por 600 caças. Apesar da demora em reagir, a RAF conseguiu conter esse primeiro movimento, a um custo de 28 caças abatidos. Os alemães, por sua vez, perderam 41 aviões. E a capital acabou o dia com 450 mortos e 1,3 mil feridos. Novos ataques ocorreram nos dias seguintes, até que, a 15 de setembro, uma grande vitória britânica fez com que os alemães percebessem, pela primeira vez, que a Inglaterra não se renderia. Os pilotos germânicos, que desde julho ouviam de seus comandantes que a RAF estava por um fio, estavam exaustos.

No dia 18, os britânicos tomaram a iniciativa pela primeira vez e afastaram os inimigos das proximidades da capital. Começava então a quinta e última fase da batalha, marcada pelo domínio inglês e pelo recuo das forças de Göring. Até 31 de outubro, cada avião germânico que se atreveu a sobrevoar o território britânico foi perseguido. Apesar de incursões eventuais estenderem-se até maio, Hitler já havia desistido da Inglaterra. Quando agia, dava preferência a alvos civis – em 29 de dezembro, por exemplo, 3 mil pessoas foram mortas em Londres. Até o fim da Segunda Guerra, a Luftwaffe jamais seria a mesma. Enquanto o Führer começava a se voltar para o Leste Europeu, Winston Churchill utilizava-se da vitória para conseguir que os Estados Unidos se envolvessem mais no conflito.

A batalha da Grã-Bretanha

Quem: Alemanha x Inglaterra
Quando: 10 de julho a 31 de outubro de 1940
Onde: Inglaterra
Forças: Inglaterra: 1,8 mil aeronaves e 3 mil pilotos / Alemanha: 2,8 mil aeronaves e 4 mil pilotos
Baixas: 1,7 mil aviões e 3 mil pilotos alemães. Do lado inglês, caíram 1,5 mil aviões e 2 mil tripulantes. Entre os civis, 27,5 mil britânicos morreram e 32 mil ficaram feridos.
Resultado: Vitória da Inglaterra


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quarta-feira, 5 de julho de 2017

[SGM] Kursk: A aurora das máquinas

Mauro Tracco


O general e estrategista prussiano Carl von Clausewitz, autor de Da Guerra, escreveu: "A forma defensiva de guerrear é intrinsecamente mais forte que a ofensiva. Deve ser usada somente quando compelida pela fraqueza e abandonada assim que nos tornarmos fortes o suficiente para perseguir um objetivo definido. Quando alguém usa as medidas defensivas de forma competente, uma balança favorável de força costuma ser criada. Por isso o curso natural em uma guerra é começar na defesa e terminar no ataque". 

Em julho de 1943, no episódio conhecido como Batalha de Kursk, o Exército Vermelho mostrou a força de sua defesa e o poder de seu contra-ataque. Pela primeira vez, não só uma blitzkrieg foi detida em seus estágios iniciais como os soviéticos se mostraram capazes de triunfar sobre os alemães no verão. Depois da virada de mesa em Kursk, a iniciativa na frente oriental mudou de lado.

Na linha de frente nazista, entre as posições avançadas de Orel e Kharkov, ficava o saliente de Kursk, sob domínio do Exército de Stalin. Os dois lados sabiam que aquela "protuberância vermelha", localizada no sul da União Soviética, era o ponto de ataque mais óbvio dos alemães. A Alemanha enxergava o saliente como o alvo perfeito para repetir os sucessos dos anos anteriores, cercando e destruindo vastos exércitos soviéticos. Para os soviéticos, era a chance de provar que a vitória em Stalingrado, no início de 1943, não havia sido apenas um golpe de sorte.

Àquela altura da guerra, diante do crescente poderio militar da União Soviética, os nazistas já não tinham a ilusão de esmagar o inimigo, mas se viram obrigados a tomar uma atitude para impedir sua iniciativa na frente oriental. Se o objetivo fosse alcançado, Hitler acreditava que eliminaria a possibilidade de uma ofensiva do Exército Vermelho em 1943 e, dessa forma, ficaria livre para transferir algumas de suas tropas para combater a inevitável invasão aliada no oeste.

Operação cidadela

A última grande ofensiva nazista recebeu o nome de Operação Cidadela. Deveria ser a quinta demonstração de força da blitzkrieg. Uma demonstração que, desde setembro de 1939, ocorria anualmente nos finais de primavera ou no verão. Toda operação anterior de tamanha escala estratégica obteve vitórias fulminantes em seus estágios iniciais e intermediários, apesar de, em 1941, não terem conquistado o objetivo final, Moscou, e de em 1942 as operações terem se esticado até o desastroso desfecho de Stalingrado.


Os comandantes insistiram que a ofensiva deveria ser lançada o quanto antes, para que o inimigo não tivesse tempo de fortalecer suas linhas de defesa, mas Hitler adiou o ataque para esperar a chegada dos novos tanques Panzer V (Pantera), VI (Tigre) e a instalação de blindagem extra nos Panzers III e IV.

Os soviéticos estavam cientes dos planos nazistas graças aos relatórios enviados por espiões. Esse fato, somado aos três meses de espera pelos super tanques de Hitler, deram aos comunistas tempo de sobra para preparar suas posições e trincheiras antitanque, instalar 400 mil minas, aumentar o número de canhões autopropulsados e trazer tanques modelos T-34 e o novíssimo KV-85. Os comunistas estavam bem preparados também na retaguarda, onde um novo front foi montado, a 100 quilômetros de distância. Todas as suas unidades contavam com capacidade de força total.

A Operação Cidadela consistia em ataques simultâneos em dois flancos, um ao norte e outro ao sul do saliente. Os alemães estavam em menor número, mas confiavam em suas táticas de blitzkrieg e em seu equipamento tecnologicamente mais avançado para garantir a vitória, tal qual havia ocorrido em operações anteriores.

As forças alemãs deveriam avançar uma em direção a outra até se encontrar e assim atacar juntas os soviéticos ilhados. Pelo norte, o 9º Exército e seus batalhões de tanques Tigres e canhões autopropulsados Ferdinand deveriam corroer as defesas inimigas e abrir espaço para as divisões armadas. Os destacamentos de blindados pesados precederiam o avanço de tanques médios e leves e da infantaria motorizada que ajudaria a destruir as defesas soviéticas. No total, cerca de 1,2 mil tanques e canhões autopropulsados seriam utilizados no flanco setentrional.

Pelo sul, o 4º Exército Panzer e o destacamento militar Kempf, posicionados nas cercanias de Belgorod, atacariam as defesas da região meridional do cinturão e marchariam rumo ao norte até se encontrarem com o 9º Exército, perto de Kursk; 1,5 mil tanques e canhões autopropulsados seriam usados.

Para receber o ataque nazista, as divisões que defendiam a saliência contavam com 3,3 mil tanques e armas motorizadas. Afastados do front, mais 1,6 mil tanques integravam uma gigantesca força militar reserva, que estava lá para providenciar o poder bélico para um contra-ataque.



Banho de sangue

O que se viu na Batalha de Kursk foi um banho de sangue. Soldados veteranos afirmaram que esse foi o mais brutal engajamento de toda a guerra. A ofensiva foi lançada na madrugada do dia 5 de julho. A retaliação foi imediata, com bombardeios em todos os locais de concentração alemã encontrados. A Luftwaffe tentou aniquilar a Força Aérea soviética ainda no chão, mas falhou.

No norte, os combates davam-se tanque contra tanque, canhão contra canhão e, principalmente, soldado contra soldado. O 9º Exército empregava mais homens e máquinas a cada batalha e acabou esgotando seu poder ofensivo sem conseguir avanços significativos. Não apenas os soviéticos conseguiram segurar as linhas como tomaram a ofensiva no dia 12 contra a saliência de Orel, que estava nas mãos dos nazistas desde o outono de 1941.

No sul, a coisa foi mais encarniçada. Os comunistas encaravam o que restava do melhor da tecnologia militar alemã. A Wehrmacht avançava um pouco a cada dia, porém, os tão aguardados Panzers não paravam de quebrar, atolar nos lamaçais e sucumbir às minas plantadas pelo inimigo. Foi no dia 12, em Prokhorova, que aconteceu o maior embate de tanques de toda a Batalha de Kursk. O resultado do confronto pulverizou as chances de uma vitória nazista. No dia 13, Hitler abortou a Operação Cidadela e o exército do Reich recuou para novas posições de defesa, localizadas próximas ao ponto de partida da ofensiva.

Os alemães haviam desfalcado seu poder de ataque e exaurido suas reservas táticas. Apesar de terem sofrido baixas severas, os soviéticos eram superiores em número e podiam lançar tropas frescas para sua contra-ofensiva sobre um inimigo enfraquecido. No dia 5 de agosto, Orel e Belgorod voltaram às mãos soviéticas e, no dia 23, a recaptura de Khar- kov marcou o fim da batalha. O cerco nazista que colocara Kursk em posição perigosa fora eliminado. Dali em diante, uma maré vermelha se alastraria pela Europa oriental até chegar a Berlim.

Em Kursk, forças blindadas foram integradas às táticas defensivas em um grau nunca antes visto, aumentando o risco à infantaria inimiga. A maioria dos soldados soviéticos contava com o apoio de tanques e artilharia autopropulsada, mas esse não era seu único trunfo. Relatos alemães destacam a tenacidade dos defensores e o alto preço pago pelas unidades nazistas que tentaram superá-los. Um veterano alemão disse que soldados desacompanhados continuavam a lutar mesmo quando suas linhas haviam sido penetradas. O esforço combinado desses homens, somado aos batalhões blindados, desgastaram o moral e a capacidade de combate do inimigo. O colapso da até então inabalável blitzkrieg em Kursk anunciou ao mundo que, para cada teoria ofensiva, existe uma defensiva à altura, disponível àqueles que se propõem a devotar o planejamento necessário para desenvolvê-la.

A Batalha de Kursk
Quem: URSS X Alemanha
Quando: 5 de julho a 23 de agosto de 1943
Onde: Redondezas de Kursk, na URSS
Forças: Alemanha: 900 mil homens, 2,7 mil tanques e canhões autopropulsados e 1,8 mil aviões / URSS: 1,3 milhão de homens, 4,9 mil tanques e canhões autopropulsados e 2,4 mil aviões
Baixas: Alemanha: 500 mil mortos e feridos / URSS: 800 mil mortos e feridos durante os combates
Resultado: Vitória da URSS


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