quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

[SGM] Morte Branca: O maior sniper de todos os tempos


Paula Lepinski


Há 78 anos, cerca de 1,5 milhão de soldados soviéticos iniciaram um ataque às fronteiras da Finlândia. Era o início da Guerra Russo-Finlandesa, também conhecida como Guerra de Inverno (1939-1940). O conflito aconteceu no início da Segunda Guerra, logo após a assinatura do Pacto de Não-Agressão entre Alemanha e URSS e a invasão, conquista e repartição da Polônia por ambos os Estados.

Desconfiando das intenções da Alemanha - uma desconfiança que se mostraria justificável em 1941 -, o Kremlin tentou garantir que as tropas de Hitler fossem incapazes de tomar Leningrado (São Petersburgo). Buscou um acordo com o governo finlandês para anexar tanto as regiões fronteiriças quanto as ilhas do golfo da Finlândia, além de um contrato de 30 anos para instalar uma base naval soviética na Península de Hanko.

A recusa da Finlândia foi o casus belli para o ataque do Exército Vermelho em 30 de novembro de 1939. Em meio a esse confronto, surgiria um herói nacional. Um horripilante herói nacional.

Morte Branca

505 mortos. Esse é o total de baixas registradas e creditadas a Simo Hayha durante os três meses de conflito entre finlandeses e soviéticos, tornando-o o mais letal franco-atirador (ou sniper) de toda a História. Segundo documentos oficiais, foram 259 mortes por fuzil e 246 por armas automáticas.

Antes da guerra, Simo era fazendeiro e caçador. Em 1925, aos 20 anos, juntou-se à Guarda Branca, uma milícia paramilitar, e foi convocado para atuar como franco-atirador do Exército da Finlândia assim que os soviéticos iniciaram o ataque.

Enfrentando temperaturas entre −40 °C −20 °C e vestindo trajes brancos para se camuflar na neve, Simo usava um fuzil M/28-30 e uma metralhadora Suomi KP/-31 para abater soldados do Exército Vermelho. Preferia usar miras de ferro, que eram meras marcas no cano da arma, ao invés das mais modernas miras telescópicas, que podiam denunciar a sua posição ao refletir a luz do sol e obrigá-lo a se expor mais para acertar o alvo.

O grande matador

Outra tática sua era formar montes de neve à sua frente para ter maior camuflagem. Para evitar que a sua respiração quente contra o ar frio fosse vista pelos soviéticos, ele achou uma solução heterodoxa: metia um punhado de neve na boca antes de atirar.

Não demorou para que ficasse conhecido por Morte Branca. Tornou-se manchete dos jornais finlandeses como um mito heroico do país e quase uma assombração para os soviéticos - ainda que, obviamente, isso não tenha sido noticiado na Moscou de Stalin.

No dia 21 de dezembro de 1939, Simo matou 25 soldados russos, o que foi divulgado pelos veículos como “O presente de Natal de Simo Hayha para a Finlândia”.

Eventos tornaram a morte de Simo uma prioridade absoluta do Exército Vermelho. Em 6 de março de 1940, uma semana antes do fim da guerra, Simo foi atingido no rosto por uma tiro de munição explosiva.

Por sorte, sobreviveu. Mas metade da sua mandíbula foi comprometida.

Uma semana depois do ocorrido, o governo finlandês jogou a toalha. Não era possível um pequeno país como a Finlândia resistir ao peso da máquina soviética. A Finlândia assinou Tratado de Moscou no dia 12 de março de 1940, concedendo o território da Carélia Ocidental à URSS, e permitiu a construção da base naval soviética na Península de Hanko.

Relações perigosas

A União Soviética ganhou, mas pagou em sangue: para as 70 mil baixas finlandesas, entre as quais estavam 26 mil mortos, foram 363 mil soviéticas, com 128 mil mortos. Isso não fez bem à reputação do Exército Vermelho, e pesou na decisão de Hitler na hora de rasgar o acordo de paz e invadir a União Soviética em 1941.

Também influenciou a decisão alemã de se aproximar da Finlândia. Na guerra seguinte contra os soviéticos, os finlandeses contaram com o apoio dos nazistas. E perderam.

Porém, a reputação do herói nacional Simo Hayha foi poupada da aliança com o nazismo, cortesia do ferimento dado pelos soviéticos. Sem condições de lutar, o maior sniper de todos os tempos tornou-se caçador de alces e criador de cães.

Em 1998, ao ser perguntado sobre como ele se tornou o melhor atirador de elite que o mundo já tinha visto e se tinha arrependimentos, ele apenas respondeu: “Foi prática. Eu apenas cumpri o meu dever e o que me foi dito para fazer o melhor que eu pude”.

Delenda est Carthago

Patrícia Pereira


De um lado, Cartago, com sua poderosa frota de navios. De outro, Roma, com o mais forte exército de infantaria da época. Na disputa pelo domínio das rotas marítimas do Mediterrâneo, as duas potências enfrentaram-se ao longo de cem anos nas Guerras Púnicas (o nome vem de punici, ou “fenícios”, como os romanos se referiam aos cartagineses). Foram três guerras, todas vencidas por Roma. Mas, por ironia, Cartago conquistou importantes vitórias em terra, enquanto Roma se destacou em vários embates no mar.

Fundada por colonizadores fenícios no norte da África, na atual Tunísia, Cartago controlava o comércio no mar Tirreno, a parte norte do Mediterrâneo. Tudo corria bem até Roma começar a estender seus domínios por toda a Península Itálica. Cedo ou tarde, era inevitável um choque entre as duas potências. E isso aconteceu numa disputa pelo controle da Sicília, dando início à Primeira Guerra Púnica.

O conflito arrastou-se entre 264 e 241 a.C., em combates quase ininterruptos. As primeiras lutas foram em terra, com a vitória de Roma. Os romanos passaram a dominar quase toda a Sicília, mas Cartago ainda controlava o mar. Vieram então as batalhas marítimas, vencidas novamente pelos romanos, graças a uma tática inovadora. Roma não tinha frota nem muita experiência no mar, mas contava com um exército poderoso.


Então, na esquadra construída às pressas para as batalhas, equipou os navios com um dispositivo na proa que permitia que uma ponte fosse levantada e abaixada. Ela se enganchava ao navio inimigo e abria caminho para os legionários invadirem a embarcação rival. “Roma transformou um combate naval em luta de infantaria”, diz Norberto Luiz Guarinello, professor de História Antiga da Universidade de São Paulo (USP).

Encorajada por seus êxitos e disposta a pôr fim à guerra em um só golpe, Roma enviou um forte exército para a África, em 256 a.C. O plano era atacar de surpresa e tomar Cartago. Quase deu certo. Os 15 mil homens, comandados por Régulo, destruíram parte do território adversário e foram em direção à cidade. Mas Cartago, com o auxílio de um general espartano, Xantipo, e um corpo de mercenários, derrotou as tropas de Régulo.

Em 247 a.C., Amílcar Barca assumiu o comando das forças de Cartago e atacou cidades ao sul da Península Itálica. Roma teve de reconstruir sua frota, destruída numa tempestade, mas surpreendeu os cartagineses ao se recompor com 200 navios. Foi o suficiente para recuperar quase todas as posições na Sicília e assumir a supremacia do Mediterrâneo. A Cartago restou apenas assinar um tratado de paz.

Travessia dos Alpes

Com os recursos esgotados e sem o controle das rotas no Mediterrâneo, Cartago mudou de estratégia: voltou-se para a conquista da Península Ibérica, rica em minerais e com boa terra para a agricultura. Mas, por trás do desejo de reerguer sua economia, havia um plano: explorar os minerais que os ibéricos usavam para fabricar armas e, assim, turbinar seu arsenal.

A missão na Espanha foi confiada a Amílcar e, mais tarde, transferida a seu filho, Aníbal Barca. Ao assumir, em 221 a.C., ele começou de imediato a preparar uma nova guerra contra Roma. E para penetrar na Itália, o novo líder cartaginês utilizou uma inesperada rota de ataque. Em vez de seguir pelo mar, marchou pelos Pireneus com seus elefantes e 20 mil homens, entre mercenários e cavaleiros númidas. Atravessou os Alpes, combateu tribos que dominavam a cordilheira e chegou ao Vale do Pó com severas perdas. Mas chegou. “Roma piscou e as tropas de Cartago já estavam na Península Itálica”, diz Guarinello.

Uma após outra, as unidades romanas foram sendo derrotadas. Na batalha do lago Trasimeno, Aníbal criou uma armadilha espetacular: escondeu sua tropa em depressões cobertas pela névoa e atacou o exército romano de surpresa. As tropas inimigas, mais uma vez, foram destruídas.

Ao perder território e aliados, os romanos refugiaram-se nas montanhas, de onde passaram a fazer uma guerra de desgaste, com ataques a batalhões isolados e a divisões responsáveis pelo suprimento de armas e alimento. Os cartagineses dominavam a região, mas decidiram não avançar até Roma. Alguns historiadores, inclusive, apontam que o grande erro de Aníbal foi hesitar em atacar a capital, num momento em que os romanos estavam vulneráveis.

Depois de algum tempo de interrupção nos combates, Roma decidiu enfrentar Cartago e colocou em campo o maior exército de que dispusera até então. Foi na batalha de Canas, na Apúlia, em 216 a.C. Aníbal dispôs suas tropas de forma que o sol nascesse atrás de seus homens e ofuscasse os romanos. Além disso, agrupou a infantaria mais fraca no meio. A poderosa cavalaria númida ficou nos flancos da formação. Ao atacar, os romanos pareciam varrer o exército cartaginês. Mas caíram na armadilha de Aníbal: o centro cartaginês recuou, enquanto a cavalaria atacava a retaguarda romana. Prensados uns contra os outros, os romanos mal conseguiam sacar as espadas. Foi um massacre.

Depois da derrota, os romanos retomaram a tática de vencer pela exaustão. E conseguiram. Com muita tenacidade, venceram na Sicília e na Península Itálica. E deram o golpe final num contra-ataque: uma expedição liderada pelo general Cipião foi mandada à África para atacar Cartago. Aníbal teve de deixar a Itália com seu exército para defender a terra natal. Esse lance final da guerra começou em 204 a.C. e terminou dois anos depois, com a batalha de Zama, a primeira derrota de Aníbal. Ao selar a paz, Cartago pagou caro. Teve de destruir todos os seus navios de guerra.

Cartago destruída

Mesmo tendo perdido sua frota e suas feitorias comerciais no Mediterrâneo, a economia de Cartago dava sinais de recuperação. Do outro lado do mar, Roma temia a prosperidade da cidade rival. No Senado, Catão começava todos os seus discursos com a célebre frase: Delenda est Carthago (Cartago precisa ser destruída). Assim, sem pretexto algum, Roma desafiou novamente seus adversários para a guerra, em 149 a.C.

Os cartagineses haviam aceitado uma série de exigências para impedir o conflito, entre elas, a entrega de todas as armas e barcos. Só optaram pela guerra quando Roma exigiu que destruíssem a própria cidade, pedra por pedra, e se mudassem para uma região 15 quilômetros distante do mar. Aí não teve jeito. A Terceira Guerra Púnica tornou-se inevitável.

Cartago fechou suas muralhas, construiu armas às pressas e resistiu heroicamente durante quatro anos. Depois de lutar casa a casa, sua população percebeu que seria vencida e decidiu atear fogo à cidade. Os romanos tomaram a fortaleza e jogaram sal no solo, para que nada mais fosse cultivado. Os sobreviventes foram vendidos como escravos, e Cartago foi reduzida a província.


Há 33 anos, Roma e Cartago encerravam oficialmente as Guerras Púnicas

Paula Lepinski


As Guerras Púnicas (264 a.C. - 146 a.C.) foram um dos mais brutais confrontos da Antiguidade. Fundada pelos fenícios, Cartago, cidade-estado situada na atual Tunísia, por muito pouco não deu fim a Roma na segunda dessas guerras.

O terceiro e último confronto viria com o grito de guerra Delenda est Cartago ("Cartago deve ser destruída") e terminou com a aniquilação completa da civilização cartaginense. Eles foram apagados da história: a cidade foi queimada, o solo foi salgado e os romanos não deixaram sequer um livro em sua língua. Como não restou ninguém para assinar a rendição, ela não foi assinada. Ou não então: em 1985, 2131 anos depois do fim da guerra, a paz foi finalmente selada entre Roma e Cartago.

Não entre fenícios e romanos há muito relegados às páginas da História, claro.

Em 5 de fevereiro de 1985, um tratado de paz e um pacto de amizade e cooperação foram assinados por Ugo Vertere, então prefeito da Roma e Chedli Klibi, prefeito de Cartago, Tunísia. Essa é descendente da cidade feita pelos romanos sobre as ruínas da primeira Cartago, e depois conquistada por islâmicos, no século 7.


"O Mediterrâneo deve permanecer um porto seguro de paz e bem-estar", afirmou o então presidente da Tunísia, Habib Bourguiba.

(Que já era presidente há 28 anos e, dois depois, seria apeado do poder por ser considerado insano. Provavelmente sem relação nenhuma.)

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

El Cid: A alma do cavaleiro

Carla Aranha


A vista era de tirar o fôlego. De um lado, o mar Mediterrâneo. De outro, o grande lago Albufera. No meio, os pomares e campos de arroz, os vinhedos e as oliveiras. O palácio real, com suas fontes e jardins, completava a paisagem. Do ponto mais alto da construção em estilo mouro, era possível abarcar todo o incrível cenário que fazia a fama da cidade de Valência. El Cid e sua esposa, Jimena, ficaram embasbacados quando chegaram lá, em 1094, para finalmente viver juntos em paz.

El Cid morreu cinco anos depois, com cerca de 50 anos – não exatamente velho, mas um feito para uma época em que as pestes e as guerras corriam soltas. Com o fim do homem, nasceria um dos maiores mitos da Idade Média: o do herói ibérico que venceu os muçulmanos em nome do cristianismo, com dedicação canina aos reis espanhóis. Essa versão se tornou extremamente popular – dando origem, por exemplo, a obras como o clássico filme El Cid, de 1961, com Charlton Heston e Sophia Loren.

É certo que Rodrigo Díaz de Vivar, o El Cid, foi um militar brilhante, que dificilmente perdia uma batalha. Antes de morrer, já havia se tornado famoso em toda a península Ibérica. Mas a lenda a respeito de Rodrigo esconde um traço fundamental de sua vida: por muito tempo, ele foi um mercenário, que lutou tanto ao lado dos cristãos como dos muçulmanos. “Hoje, a partir do estudo isento de documentos históricos, temos acesso a um El Cid bem diferente daquele da lenda”, diz o historiador espanhol Francisco Javier Villalba, da Universidade de Madri.

Terras divididas

Na Europa do século 11, o conceito de Estado nacional não existia. As terras do continente eram divididas em reinos que guerreavam constantemente entre si. No norte do que hoje são Espanha e Portugal, havia os territórios cristãos de Leão, Navarra, Castela, Aragão e Galícia. Já o sul, chamado de Andaluzia, era controlado por muçulmanos, que haviam chegado à península Ibérica numa maciça invasão árabe no século 8. Nessa terra dividida, conflitos armados eram o estado natural das coisas.

Os principados da Andaluzia eram chamados de taifas. Seus habitantes, os mouros, eram hábeis agricultores e artesãos. A região prosperava e seus líderes tinham dinheiro para pagar por proteção. O esquema funcionava assim: cada reino cristão coletava impostos anuais de algumas taifas, sob a condição de enviar exércitos para protegê-las quando necessário. O inverso também era verdadeiro. Se os cristãos precisavam, os aliados muçulmanos vinham em seu socorro.

Esse clima de guerra constante era bem conhecido na família de Rodrigo Díaz. De origem nobre, ele nasceu em Vivar, um povoado no reino de Castela, por volta de 1043. O pai, o soldado Diego Laínez, ajudara a conquistar terras da região vizinha de Navarra. As boas relações familiares permitiram que o jovem Rodrigo fosse educado na casa onde morava Sancho, filho de Fernando I, rei de Castela, Leão e Galícia. É provável que, depois disso, Rodrigo tenha estudado em uma escola próxima à cidade de Burgos, onde aprendeu noções de direito e latim.

O treinamento militar era fundamental na educação dos nobres – a classe social de onde saíam os cavaleiros medievais. Ainda jovem, Rodrigo aprendeu a cavalgar e a manejar com maestria o escudo, a lança, a espada e o arco e flecha. E as armas da cavalaria ibérica: a lança e o dardo.

A lança e a lei

Com cerca de 20 anos, Rodrigo entrou para valer na violenta política ibérica. Ele ainda era um aprendiz de cavaleiro quando rumou com seu parceiro Sancho e as forças de Castela para Graus, nas montanhas dos Pirineus. A cidade era controlada por um aliado dos castelhanos, o mouro al-Muqtadir, governante de Zaragoza. Ao mesmo tempo, era cobiçada pelo reino de Aragão.

Quando os aragoneses atacaram Graus, em 1063, o exército de Castela impediu que ela fosse tomada. Os detalhes da sangrenta batalha se perderam no tempo, mas sabe-se que Rodrigo lutou sozinho contra guerreiros bem mais experientes. Jimeno Garcés, famoso mercenário de Navarra, foi morto pelas mãos do aprendiz.

Dois anos após a vitória em Graus, o rei Fernando I morreu. Suas posses foram divididas entre os três filhos. O caçula García passou a governar a Galícia, enquanto Afonso ficou com o reino de Leão. Sancho, o mais velho, herdou Castela. Seu leal amigo Rodrigo, que a essa altura já havia sido ordenado cavaleiro, foi promovido a comandante de toda a milícia castelhana. Não tinha mais que 23 anos.

Os herdeiros de Fernando I não demoraram a entrar em conflito. Em 1068, eclodiu uma guerra entre Castela e Leão. Liderados por Rodrigo, os castelhanos saíram vitoriosos. Quatro anos depois, a briga se repetiria, com nova vitória de Castela. Sancho passou a reinar também sobre Leão, enquanto o derrotado Afonso partiu para o exílio.

Mas o reinado duplo de Sancho durou poucos meses. Em 7 de outubro de 1072, ele foi assassinado. “É provável que ele tenha sido vítima de um complô armado pelos reinos rivais”, diz o historiador espanhol Manuel García Fernández, da Universidade de Sevilha.

Com a morte de Sancho, seu irmão retornou e foi coroado rei de Castela e Leão, ostentando o nome Afonso VI. Mas o que fazer com Rodrigo, homem de confiança do monarca morto? Ele foi destituído do comando do Exército, mas Afonso VI decidiu mantê-lo na corte. Em vez da lança e do escudo, o guerreiro passou a usar seus conhecimentos jurídicos.

Como emissário real, ele viajava para julgar casos de conflito agrário ou disputas por monastérios. Não se sabe se Rodrigo preferia a burocracia à tensão da guerra, mas ele se saía muito bem como juiz. Em gratidão, o rei lhe arranjou um bom casamento. Por volta de 1076, Rodrigo desposou Jimena, filha do conde Diego de Oviedo. Mas as intrigas ibéricas logo trariam Rodrigo de volta ao campo de batalha.

O mercenário

Por volta de 1079, o juiz Rodrigo e sua comitiva foram mandados por Afonso VI à taifa de Sevilha, aliada de Castela e Leão, para coletar o imposto anual de proteção. Com o mesmo objetivo, o rei havia enviado outra missão para a taifa de Granada. Apesar de serem aliadas do mesmo monarca cristão, as duas cidades muçulmanas tinham uma rixa entre si. Abd Allah, governante de Granada, aproveitou o momento para atacar Sevilha.

Para honrar o acordo de proteção, os emissários castelhanos que estavam em Granada tiveram que participar do ataque. Quando Sevilha se viu ameaçada, exigiu a ajuda de Rodrigo e seus homens. Por mais incrível que possa parecer, as duas comitivas do mesmo rei cristão tiveram que lutar em lados diferentes de uma batalha entre muçulmanos. “Nesse tipo de situação, não havia muito a fazer”, diz a historiadora Maria Ruiz, da Universidade de Sevilha. “Era preciso seguir as regras do jogo e obedecer a vontade da taifa protegida” complementa.

A habilidade de Rodrigo fez a diferença para os sevilhanos. As forças de Granada foram facilmente derrotadas e o cavaleiro fez diversos prisioneiros. Entre os cristãos detidos estavam alguns ilustres homens de Castela, que não receberam tratamento privilegiado. Eles foram soltos logo depois, mas se tornaram ferrenhos opositores de Rodrigo. Apesar de ser leal ao rei, ele não se preocupava em adular a nobreza. “Ao contrário do que reza a lenda, ele era voluntarioso e fez inimizades sérias”, afirma Manuel Fernández.

Dois anos depois da vitória em Sevilha, Rodrigo pagaria caro por sua impulsividade. Um grupo de bandidos vindo de Toledo saqueou o palácio de Gomaz, em Castela. Enfurecido, o cavaleiro decidiu partir para a vingança – é possível que ele tivesse terras na região atacada. A essa altura, Rodrigo já tinha um pequeno exército particular, que incluía militares castelhanos e mercenários. À frente dele, invadiu e arrasou Toledo.

Sem consentimento

Mas Rodrigo fez tudo isso sem pedir o consentimento de Afonso VI. Como se não bastasse, Toledo era uma taifa sob a proteção de Castela. Os inimigos de Rodrigo nem precisaram se esforçar para fazer com que ele fosse banido do reino. Desempregado e sem pátria, o cavaleiro deixou seus familiares em Castela e partiu para a segunda e menos famosa fase de sua vida: a de mercenário. O primeiro nobre a quem Rodrigo ofereceu seus préstimos foi o conde de Barcelona, Berenguer Ramón II. Nada feito.

O cavaleiro partiu então para negociar com os muçulmanos. Al-Muqtadir, governante de Zaragoza, recebeu Rodrigo de braços abertos. “Era comum mudar de lado naquela época. O que não faltava na Europa eram soldados mercenários que lutavam por quem pagasse mais”, diz Maria Ruiz.

Em 1084, o monarca al-Fagit, senhor das taifas de Lérida, Tortosa e Denia, se aliou a Aragão e a Barcelona e partiu para conquistar Zaragoza. Mesmo com forças muito inferiores, Rodrigo salvou a cidade e prendeu o conde Berenguer – aquele mesmo que lhe tinha recusado emprego – e todo seu séquito de cavaleiros. Para libertá-los, entrou em cena uma prática comum na Europa medieval: o pagamento de resgate. A vitória encheu os cofres de Zaragoza e os bolsos de Rodrigo.

Após a vitória, o cavaleiro cristão ganhou de seus amigos muçulmanos o apelido pelo qual seria eternizado. Agora ele era El Cid – a expressão veio de al-sid (“senhor”, em árabe). Assim como sua fama, sua riqueza também cresceu – o que lhe permitiu incrementar sua milícia pessoal, que agora tinha pelo menos 200 homens. Em 1086, veio a reconciliação com Afonso VI. Acredita-se que El Cid tenha ganhado ao menos dois palácios e alguns territórios para voltar a sua Castela natal.

Cansado de guerra

Para manter sua tropa de mercenários, El Cid precisava de dinheiro. A maneira mais óbvia de consegui-lo era sair pela península conquistando territórios e saqueando o tesouro de cidades. Em 1090, o cavaleiro atacou taifas protegidas por Barcelona. Primeiro foi Denia, depois veio Valência. Furioso, o conde Berenguer montou uma emboscada para El Cid.

As forças do mercenário foram surpreendidas quando estavam acampadas na acidentada região de Tévar. Mesmo cercado, El Cid venceu. E, de novo, o conde Berenguer e seus nobres caíram prisioneiros. O resgate cobrado para libertá-los foi milionário.

Dois anos depois dos combates em Tévar, Afonso VI precisou defender suas terras contra uma invasão muçulmana e convocou El Cid. O cavaleiro, que estava vivendo perto de Valência, não apareceu (acredita-se tenha sido só um problema de comunicação). Mais uma vez, El Cid foi desterrado. Seus bens em Castela acabaram confiscados e sua família foi presa.

Sem dinheiro nem posses, o cavaleiro reuniu sua milícia e partiu para conquistar Valência novamente. E não parou por aí. Em cerca de dois anos, ele se tornou senhor de grande parte do leste da atual Espanha. El Cid se tornou mais rico e poderoso que muitos reis.

Resgate

Mas nada era mais importante que resgatar sua família e recuperar suas terras em Castela. A estratégia foi sitiar a cidade de La Rioja, que era controlada por Afonso VI, e forçar o soberano a entrar em um acordo. Funcionou. Mais uma vez, o rei e seu antigo vassalo se reconciliaram.

Com suas filhas, Cristina e Maria, casadas com príncipes de Navarra e Aragão, respectivamente, El Cid garantiu que sua família teria um lugar seguro entre a nobreza ibérica. Em 1094 ele pôde, finalmente, aposentar suas armas e descansar em Valência. Nas refeições, tomava o vinho feito com as uvas plantadas tempos atrás pelos mouros, de quem ele próprio havia tomado a cidade.

A mesquita local, em que o cavaleiro costumava rezar, foi transformada em igreja – mesmo tendo servido os muçulmanos com lealdade, ele nunca deixara de ser cristão. Em 1101, dois anos após sua morte, o corpo de El Cid foi levado para Castela. Lá, foi sepultado no monastério de Cardeña, a 13 quilômetros da cidade de Burgos.

Entre os relatos que eternizaram o herói, um deles impressiona. Foi escrito por Ibn Bassan, cronista mouro do século 12. Mesmo após as últimas conquistas de El Cid, que infligiram derrotas pesadas aos muçulmanos, Bassan superou o ódio de seus antepassados e sentenciou: “Esse homem, o flagelo de seu tempo, por seu apetite pela glória e por sua bravura heroica, foi um dos milagres de Deus”.


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terça-feira, 7 de novembro de 2017

[POL] 17 crimes contra a humanidade cometidos pela União Soviética

Maurício Brum


Em 7 de novembro de 1917, a previsão de Karl Marx se concretizou em um país impensado: não na industrializada Inglaterra, mas em uma Rússia recém-saída de um feudalismo tardio, o espectro do comunismo que rondava a Europa aniquilou a tricentenária Dinastia Romanov, seu Império, e iniciou uma nova era para o mundo. A Revolução de Outubro (que ocorreu em novembro, no calendário gregoriano) triunfava e, cinco anos mais tarde, tendo incentivado movimentos similares no Leste Europeu, daria origem à União Soviética. 

Assim como, 128 anos antes, a Revolução Francesa havia se valido da violência extrema para acabar com os antigos donos do poder e modificar as estruturas da sociedade, aqueles liderados por Lenin também perseguiram, exilaram e mataram quem pudesse ser identificado como inimigo dos ideais da Revolução – desde os czaristas até os “burgueses”. Em julho de 1918, a própria família Romanov seria executada, oito meses depois da vitória do Exército Vermelho. 

A manutenção do novo regime do poder exigiu um sistema totalitário e repressivo desde o princípio: o primeiro gulag surgiria em 1919 e as táticas para desqualificar a oposição chegariam até mesmo à deturpação da psiquiatria para enquadrar adversários políticos como “esquizofrênicos”. As atrocidades iniciais da rebelião bolchevique, que na época foram justificadas como consequências da Guerra Civil, tornaram-se sistemáticas após Josef Stalin assumir o poder em 1922. 

“Para pesquisadores da história soviética, nenhum problema é maior do que o stalinismo. Como era possível que a Revolução de Outubro de 1917, que parecia prometer a liberdade e igualdade humanas, resultou não em uma utopia comunista mas em uma ditadura stalinista? Por que essa tentativa de criar uma sociedade perfeita levou aos gulags, expurgos sangrentos e níveis de repressão estatal sem precedentes?”, questiona o historiador David Hoffmann, da Ohio State University, na introdução da coletânea “Stalinism: the Essential Readings” (Stalinismo: Leituras Essenciais, sem tradução no Brasil). 

A maior parte das atrocidades cometidas no período soviético, inclusive os crimes de guerra durante o confronto com os nazistas, ocorreram sob o olhar do ditador mais sangrento de sua história. Mas, embora em menor intensidade, a União Soviética continuaria a reprimir opositores muito tempo depois da morte de Stalin – até às vésperas de seu colapso final. 

1. O Terror Vermelho 

A primeira violência veio acompanhada da Guerra Civil que marcou os anos iniciais da Revolução. Oficialmente, o “Terror Vermelho” foi o período de perseguições deliberadas por parte dos bolcheviques contra seus adversários políticos, entre setembro e outubro de 1918 – cerca de 10 mil pessoas pereceram nos assassinatos massivos do período. Mas muitos historiadores vão além e argumentam que o Terror deveria compreender todo o período de conflitos, desde o início da Revolução, em 1917, até o triunfo definitivo dos comunistas em 1922. 

Estima-se que, durante a totalidade da Guerra Civil, além daqueles mortos nas batalhas, pelo menos 100 mil pessoas tenham sido executadas por motivação política, acusadas de colaborar com o czarismo e conspirar contra a Revolução. A repressão foi marcada por torturas com requintes de crueldade. O historiador britânico Orlando Figes, autor do livro “A tragédia de um povo: A Revolução Russa, 1891-1924”, diz que as técnicas lembravam aquelas da Inquisição Espanhola – em algumas cidades, houve registros de escalpelamentos, empalamentos e fogueiras humanas. 

2. Perseguição aos kulaks e aos cossacos 

Os kulaks compunham uma classe de proprietários rurais relativamente ricos para os padrões do país, contando com mais terras e a capacidade de contratar agricultores assalariados. Camponeses que haviam enriquecido após as reformas sociais ocorridas no Império Russo em 1906, os kulaks estiveram entre os primeiros grupos a serem tachados de “inimigos do povo” e serem perseguidos, expropriados e deportados após a Revolução, considerados um dos símbolos do capitalismo no campo. 

Nos primeiros anos do novo regime, a definição de kulak foi ampliada e, em muitos casos, passou a abranger qualquer camponês que se negasse a ceder suas colheitas às tropas soviéticas – e, mais tarde, até mesmo para camponeses que, sem ser exatamente ricos, possuíam mais recursos do que a média. O processo de “deskulakização” se tornou ainda mais violento após a ordem emitida por Stalin no final de 1929, ordenando que os kulaks fossem “liquidados” enquanto classe. Estima-se que até 5 milhões de pessoas tenham perdido a vida entre a Revolução e 1933, data que os historiadores costumam apontar como o fim do processo. 

Os cossacos, por sua vez, eram comunidades historicamente formadas por camponeses que haviam fugido da servidão em locais como Polônia, Lituânia, Rússia e Ucrânia. Com um forte viés militar, os cossacos passaram longo tempo oferecendo seus serviços ao Império Russo em troca da manutenção da sua autonomia. Tendo defendido majoritariamente as forças mencheviques e o Exército Branco em 1917, foram reprimidos e perderam sua autonomia após a vitória dos revolucionários: estimativas conservadoras indicam que pelo menos 10% da população de 3 milhões foi deportada ou morta nos anos seguintes à Revolução. 

3. A fome no Tartaristão (1921-22) 

Ocorrida entre 1921 e 1922, a primeira grande fome russa após a queda dos Romanov é considerada uma soma de fatores que vão além dos erros das políticas comunistas: se é verdade que Lenin vinha confiscando alimentos em nome da Revolução, pesquisadores argumentam que a principal causa da fome foram as dificuldades de distribuição que vinham desde a Primeira Guerra Mundial e as grandes secas ocorridas em 1921. Foi um dos períodos mais sombrios na Rússia pós-revolucionária, com registros de atos de canibalismo em algumas das áreas afetadas. 

Na época, a comunidade internacional considerou a fome uma tragédia humanitária sem grande influência da nova ditadura, e ofereceu enorme apoio, enviando toneladas de alimentos. Mesmo assim, documentos do período indicam que, em algumas regiões, os esforços para debelar a fome foram deliberadamente mais lentos, em um ato de limpeza étnica: no final dos anos 80, em meio à abertura dos arquivos soviéticos, o historiador ucraniano radicado no Canadá Roman Serbyn apontou que a fome havia sido causada e intensificada por ações humanas propositais. 

Esse seria o caso, sobretudo, do Tartaristão, região às margens do rio Volga habitada pelo povo tártaro. Com um nacionalismo perigoso aos interesses revolucionários, motivo que tornava sua eliminação “necessária”, os tártaros sofreram perdas proporcionalmente muito maiores que o restante da Rússia – representariam até 2 milhões dos 5 milhões de vidas que, se acredita, foram perdidas no período. Ao final da grande fome, cerca de um quarto dos habitantes do Tartaristão havia perecido ou emigrado. 

4. O Holodomor (1932-1933) 

Se as secas ainda são debatidas como a principal causa da fome na década de 20, o Holodomor (ucraniano para “matar pela fome”) é muito menos dúbio: tendo sua existência negada oficialmente pelo governo soviético até a abertura provocada pela Glasnost na década de 80, a grande fome ucraniana hoje é formalmente reconhecida como um ato de genocídio por países como Austrália, Canadá, México e Portugal. A Rússia, embora admita atualmente que o Holodomor ocorreu, continua negando que tenha sido uma política deliberada de extermínio da população ucraniana. 

Stalin temia o nacionalismo ucraniano como um movimento capaz de fragmentar a jovem União Soviética e, no longo prazo, colocar em risco a própria sobrevivência do comunismo. A retirada gradual de alimentos da região – uma área produtora de cereais e grãos – e a lenta resposta à fome, quando ela se tornou endêmica, teriam como objetivo enfraquecer decisivamente qualquer resistência aos desígnios de Moscou. 

O total de mortos no Holodomor varia de acordo com as estimativas – chegando até a 12 milhões em alguns cálculos. Em 2010, o Tribunal de Recursos de Kiev concluiu uma investigação afirmando que a perda demográfica da Ucrânia no período ultrapassou 10 milhões de pessoas – quase 4 milhões vitimados diretamente pela fome, e o restante causado por nascimentos que deixaram de ocorrer em função da desnutrição. 

5. Gulag 

Gulag era, originalmente, uma sigla. Vinha de Glavnoye Upravleniye Lagerej, nome resumido, em russo, para a Administração Central dos Campos de Trabalho Corretivo e das Colônias de Trabalho. Era o local onde acabavam criminosos comuns e também os políticos – que poderiam ser desde opositores reais até pessoas inocentes acusadas de conspirar contra a Revolução. 

Com o tempo, gulag tornou-se uma palavra destinada a descrever os próprios campos, popularizada pelo escritor (e dissidente) soviético Aleksandr Solzhenitsyn, ganhador do Nobel de Literatura de 1970 e autor do clássico “O Arquipélago Gulag” (1973), livro em que denuncia as condições subumanas dos campos de trabalho forçados. Solzhenitsyn, que permaneceu oito anos preso em um gulag, foi expulso da URSS em 1974, após a publicação de seu livro sobre as colônias penais, que descrevia como lugares onde se trabalhava até morrer de exaustão. 

O primeiro gulag, o de Solovski, foi criado em 1919 e apenas um ano depois já havia 100 mil pessoas presas em campos similares espalhados pela Rússia – a maioria deles localizados nas regiões mais inóspitas da Sibéria. Pelo menos 476 campos existiram em algum momento na URSS, a maioria deles durante o período stalinista. Os gulag não funcionavam apenas como depósito de criminosos e opositores políticos: segundo a historiadora Galina Ivanova, também tinham uma importância gigantesca na economia soviética. Pouco antes do início da Segunda Guerra, 76% do estanho e 60% do ouro extraídos na União Soviética vinham dos campos de trabalhos forçados. 

Acredita-se que, até o final da vida de Stalin, mais de 14 milhões de pessoas tenham passado pelos campos. Alguns eram mais inóspitos do que outros: os campos às margens do rio Indigirka, por exemplo, chegavam a registrar temperaturas na casa dos 70 graus negativos durante o inverno e eram tido como os piores de todos. Após a morte de Stalin, os campos foram sendo gradativamente fechados e os prisioneiros receberam anistias. A instituição burocrática conhecida pela sigla Gulag foi formalmente fechada em 1960, mas colônias de trabalhos forçados continuaram a existir até o final da década de 80. 

O último campo, conhecido como Perm-36, operou até dezembro de 1987 – e permanece como o único antigo gulag ainda existente, após a destruição dos demais pelos governos soviéticos. Próximo aos montes Urais, o Perm-36 foi convertido em um museu e ainda está aberto para visitação, mas cortes no orçamento do governo russo vêm ameaçando seu funcionamento nos últimos anos. 

6. Yezhovshchina: os Grandes Expurgos 

Grande parte dos crimes atribuídos a Josef Stalin parece marcada por uma paranoia permanente: o medo de ser traído e derrubado do poder, por inimigos estrangeiros ou internos – frequentemente, dentro do próprio Partido Comunista. O assassinato de Trotsky, em 1940, perseguido até o México, é um dos episódios mais famosos da caça interminável de Stalin a aqueles que considerava inimigos políticos, mas a busca havia começado muito antes. 

Um dos períodos de maior perseguição interna começou após o 17º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em 1934, que mais tarde ficaria conhecido como o “Congresso dos Condenados”. Na ocasião, a reeleição de Stalin como secretário-geral era mera formalidade, mas a contrariedade em relação às suas políticas ficou clara quando se apuraram os votos para o Comitê Central: acredita-se que mais de cem delegados do PCUS tenham dado votos negativos ao nome de Stalin (o número exato foi apagado dos registros por ordem do ditador), enquanto somente três votaram contra Sergei Kirov, líder do Partido em Leningrado (atual São Petersburgo) e um dos favoritos para “renovar” o comunismo. 

Poucos meses depois, Kirov apareceu assassinado em circunstâncias misteriosas. Stalin, possivelmente o mandante do crime, usou a morte como pretexto para anunciar que havia traidores dentro do PCUS e “expurgos” eram necessários. Nos anos seguintes, mais de 600 mil membros do Partido e do Exército Vermelho seriam presos ou mortos. Dos 139 membros do Comitê Central eleitos no 17º Congresso, 98 foram executados sumariamente. Os Grandes Expurgos também ficaram conhecidos como Yezhovshchina (literalmente, “fenômeno Yezhov”), por conta de Nikolai Yezhov, chefe da NKVD, a polícia secreta soviética que coordenava a perseguição. Mas, no fim das contas, nem Yezhov escapou da ira de Stalin: após desagradar o ditador, o próprio inquisidor soviético perdeu seu cargo, acabou preso e foi executado em 1940. 

7. Intervenção na Mongólia (1937) 

O controle da União Soviética sobre países-satélite começou desde muito cedo. A Mongólia havia se tornado uma nação independente em 1911, após escapar ao domínio da Dinastia Qing (a última casa imperial chinesa que, em declínio, veria a China se tornar uma república no ano seguinte), e em 1924 se tornou um país socialista. 

Desde o início, os mongóis estiveram sob o domínio do Kremlin. Quando Stalin iniciou os seus expurgos, o ditador Khorloogiin Choibalsan pediu apoio à NKVD para fazer o mesmo em seu país. 

Em solo mongol, os “inimigos da revolução” eram principalmente os budistas: entre 20 mil e 35 mil pessoas foram mortas, incluindo lamas, e mais de 700 mosteiros foram destruídos. Mas até ex-líderes socialistas foram vítimas da perseguição indiscriminada: os ex-primeiro-ministros Peljidiin Genden e Anandyn Amar também foram executados. Choibalsan, a exemplo de Stalin, continuaria no poder até sua morte, em 1952. 

8. Invasão à Polônia (1939) 

Assinado secretamente por nazistas e soviéticos em 23 de agosto de 1939, o Pacto Molotov-Ribbentrop seria depois justificado por Stalin como uma ação necessária para proteger o seu país. Mas o tratado era mais do que um acordo de não-agressão entre alemães e comunistas: também garantia a partilha da Polônia entre os dois lados. Hitler invadiu pelo lado ocidental no início de setembro, no episódio que marcou o começo formal da Segunda Guerra Mundial na Europa. Stalin deu início à sua invasão, desde o oriente, dezesseis dias mais tarde. 

Já combalida pela resistência aos nazistas, a Polônia caiu rapidamente sob o jugo de Moscou. O território foi anexado pela URSS e, de imediato, mais de 300 mil pessoas foram deportadas à Sibéria. Calcula-se em torno de 150 mil as vítimas fatais desse período inicial. A Polônia só teria sua soberania formal devolvida ao final da Segunda Guerra, e mesmo assim como uma fachada: seria um dos mais importantes estados-satélite da União Soviética até a ascensão do movimento Solidariedade e a eventual queda da Cortina de Ferro.

Ainda na Segunda Guerra, a parceria inicial entre Hitler e Stalin logo seria deixada de lado, também por causa da Polônia: em 1941, os alemães invadiram o lado soviético do país, iniciando sua investida na direção da Rússia. O fim do pacto de não-agressão entre nazistas e comunistas levou a algumas das mais sangrentas batalhas do período – e, dos dois lados, a alguns dos piores crimes de guerra já registrados. 

9. Massacre de Katyn (1940) 

Logo após a invasão à Polônia, Stalin decidiu cortar qualquer resistência pela raiz, executando sumariamente os principais líderes políticos e militares do país. A URSS passaria meio século negando seu envolvimento no crime de guerra, afirmando que o massacre havia sido obra dos nazistas, mas reconheceu sua responsabilidade em 1990 – já no fim do comunismo.

Em 2010, o governo russo aprovou uma declaração culpando Stalin e outros altos oficiais soviéticos por ter dado a ordem do massacre. Mais de 20 mil pessoas foram mortas em diferentes lugares da União Soviética, mas o episódio passou a ser conhecido pelo nome em que a primeira vala comum foi encontrada, a floresta de Katyn, na fronteira entre a Rússia e a Bielorrússia. 

10. Massacre de Teodósia (1942) 

Localizada na Crimeia, região foco de disputas territoriais até hoje (pertencendo oficialmente à Ucrânia, mas ocupada pela Rússia desde 2014), a cidade de Teodósia já esteve sob o domínio de gregos, mongóis, tártaros, genoveses, otomanos e russos. Também uma zona disputada na Segunda Guerra, esteve sob ocupação alemã até o final de 1941, quando foi recuperada pelo Exército Vermelho. 

Ao tomar Teodósia, os militares soviéticos encontraram um hospital repleto de soldados nazistas convalescendo, e os assassinaram massivamente. O crime de guerra foi descoberto após as tropas alemãs reconquistarem a cidade, cerca de três semanas mais tarde, e encontrarem em torno de 150 soldados da Wehrmacht mortos, alguns ainda nos leitos do hospital, outros atirados pelas janelas e empilhados na praia próxima.

11. Massacre de Grischino (1943) 

Os soviéticos capturados pelos nazistas acabavam se tornando vítimas de alguns dos piores crimes da Segunda Guerra Mundial – e o Exército Vermelho acabava respondendo da mesma forma. 

O massacre de Grischino ocorreu na Ucrânia, no início de 1943, quando 508 prisioneiros de guerra e 88 civis foram assassinados brutalmente pelas tropas soviéticas. 

Os corpos foram encontrados depois com mutilações terríveis: segundo testemunhas, vários soldados tiveram suas genitais arrancadas e colocadas em suas bocas; enfermeiras alemãs também foram encontradas com os seios cortados e com sinais de estupro. 

12. O “estupro de Berlim” 

Durante a conquista da Alemanha no final da Segunda Guerra, soldados enfurecidos do Exército Vermelho queriam vingança das atrocidades cometidas pelos nazistas durante a campanha no front oriental. 

Entre as memórias que traziam da invasão alemã à União Soviética estavam os estupros massivos das mulheres locais. Um dos crimes mais vis da guerra, a violência sexual ocorreu tanto por parte de tropas aliadas quanto do Eixo – em anos recentes, nova documentação revelando atrocidades cometidas por americanos, britânicos e franceses, além dos soviéticos, ajudou a jogar luz sobre atrocidades que na época não foram reportadas por muitas das mulheres, envergonhadas e amedrontadas. 

A memória alemã, porém, guarda os soldados soviéticos como os mais violentos desse período, e atribui a isso o sentimento de vingança em relação ao que havia acontecido em suas cidades. O Memorial Soviético de Guerra, em Berlim, é conhecido informalmente por muitos germânicos como a “Tumba do Estuprador Desconhecido”. O número de mulheres estupradas na Alemanha ou de crianças nascidas dessas violações permanece desconhecido, mas alguns historiadores estimam o número em 100 mil, apenas em Berlim. 

A violência foi tamanha que mesmo Stalin achou necessário colocar limites em suas tropas: segundo Oleg Rzheshevsky, um dos diretores da Associação Russa de Historiadores da Segunda Guerra, mais de 4 mil oficiais do Exército Vermelho foram condenados à morte pelos crimes contra civis alemães nos primeiros meses de 1945. 

Em seu poema épico “Noites prussianas”, Aleksandr Solzhenitsyn escreveu sobre os estupros que testemunhou enquanto lutou pelo lado soviético na Segunda Guerra, e o sentimento de vingança que pairava em relação às atrocidades cometidas pelos nazistas durante a invasão à Rússia: 

“A pequena filha está no colchão,/ Morta. Quantos a possuíram/ Um pelotão, talvez uma companhia?/ Uma menina tornou-se uma mulher,? Uma mulher transformou-se num cadáver./ Tudo se resume a simples frases:/ Não se esqueçam! Não perdoem!/ Sangue por sangue! Dente por dente!” 

13. A “esquizofrenia progressiva” 

Opor-se ao governo não era apenas ilegal: em muitos casos, era visto como uma doença. O uso político da psiquiatria pelo governo soviético intensificou-se nos anos 50, por influência de Andrei Snezhnevsky. Por pressão do governo e do próprio Snezhnevsky, psiquiatras ligados à Academia Soviética de Ciências Médicas passaram a rejeitar as descobertas científicas que vinham sendo feitas no país e no exterior e se filiar ao conceito de “esquizofrenia progressiva” – um instrumento vastamente utilizado para desqualificar opositores publicamente. 

A “esquizofrenia progressiva” trazia sintomas que, convenientemente, se assemelhavam ao comportamento de um típico opositor do regime: demonstrar pessimismo, não conseguir se conformar à ordem social existente e tentar questionar as autoridades seriam sintomas claros de que um paciente estaria desenvolvendo a fictícia desordem psiquiátrica. 

Foi também uma forma de fazer a repressão chamar menos atenção da comunidade internacional: os diagnósticos, crescentes após o fim do stalinismo, permitiam enviar os dissidentes a hospitais psiquiátricos em vez dos velhos gulags, que vinham sendo fechados progressivamente – e davam a possibilidade de confinar indivíduos indesejáveis por períodos indeterminados, muito além das penas comuns. 

Os dados foram ocultados pela ditadura e só nos anos 90 comissões investigadoras começaram a mensurar a dimensão da repressão por vias psiquiátricas. Os números de afetados variam enormemente: alguns pesquisadores dizem que não teriam sido mais que 200 pessoas, outros acreditam que o número poderia passar de 20 mil internados em hospitais psiquiátricos por demonstrar um comportamento contrário ao governo. 

A corrupção da psiquiatria não caiu por terra totalmente com o fim do regime comunista, e ainda hoje opositores de Vladimir Putin se deparam com a velha realidade. Em 2012, as integrantes da banda punk feminista Pussy Riot, conhecida por suas críticas ao governo, passaram por avaliação psiquiátrica a pedido da procuradoria, que usou o controverso diagnóstico de “transtorno de personalidade” para pedir seu isolamento da sociedade. 

14. Deportações internas 

Entre as políticas para facilitar a conquista de novas Repúblicas Soviéticas para compor a URSS, estava a deportação massiva e forçada de pessoas identificadas de alguma forma como inimigas da Revolução – geralmente, setores “burgueses” e membros da intelligentsia local. Os lugares em que os deslocamentos obrigatórios foram impostos de maneira mais sistemática foram os países do Báltico (Estônia, Letônia e Lituânia). 

Ocupados durante a Segunda Guerra, eles se tornaram os membros da União Soviética menos afeitos a fazer parte do país – enquanto a maioria das outras repúblicas havia tido uma revolução interna antes, a anexação do Báltico foi forçada desde o início. 

As deportações, geralmente para a Sibéria, ocorreram ao longo de vários anos, mas tiveram algumas ondas principais: a Deportação de Junho, em 1941; a Operação Priboi, em 1949 e a Operação Osen, em 1951, são algumas das mais famosas. 

Vendidas como uma nova campanha de deskulakização, elas deslocaram em torno de 150 mil pessoas e dizimaram a resistência aos comunistas, especialmente o grupo guerrilheiro “Irmãos da Floresta”. Após a morte de Stalin, muitos habitantes foram autorizados a voltar, mas estima-se que cerca de 60% dos deportados já tinham morrido – e muitos outros acabaram fundando vilarejos na Sibéria, onde permanecem até hoje. 

Outros deslocamentos forçados tiveram um forte componente racista: buscando a “russificação” de territórios, a ditadura stalinista promoveu a limpeza étnica de grupos regionais, substituindo-os por aqueles que considerava menos resistentes à sua política. Quase 100 mil membros do povo kalmyk, originário do sudoeste da Rússia, foram deportados na Operação Ulussy de 1943, e metade deles morreu na Sibéria antes de um decreto autorizá-los a voltar para casa, treze anos depois. 

A violência das deportações foi tamanha que a própria URSS, já próxima do fim, acabaria reconhecendo como um crime contra a humanidade – identificando-as como uma “ação bárbara do regime de Stalin”. Em novembro de 1989, o Soviete Supremo condenou as deportações como algo que “contradiz as fundações da lei internacional e a natureza humanista do sistema socialista”. 

15. Repressão à Revolução Húngara (1956) 

Com o final da Segunda Guerra, a Europa passou a conviver com a ideia da Cortina de Ferro. “De Stettin, no Báltico, a Triste, no Adriático, uma ‘Cortina de Ferro’ desceu sobre o continente. Atrás daquela linha estão todas as capitais dos antigos estados da Europa Central e Oriental. Varsóvia, Berlim, Praga, Viena, Budapeste, Belgrado, Bucareste e Sofia; todas essas cidades famosas e as populações ao redor delas estão agora naquilo que eu chamo de esfera soviética, e todas estão sujeitas, de uma forma ou de outra, não apenas à influência soviética, mas a um controle muito alto e em alguns casos crescente desde Moscou”, disse o premiê britânico Winston Churchill, nos estertores da Guerra Mundial. 

A Revolução Húngara de 1956 seria o primeiro grande questionamento ao domínio soviético vindo de trás da Cortina de Ferro – a tentativa inicial de um estado-satélite de Moscou tentar recuperar a sua soberania e autodeterminação. 

Foi, também, um teste de fogo para detectar qual seria a nova postura do Partido Comunista após a morte de Stalin, que naquele ano havia sido denunciado pelo seu sucessor, Nikita Khrushchev. 

O que começou como uma revolta estudantil tomou proporções nacionais após um manifestante ser morto pela polícia estatal húngara, a ÁVH. Nos dias seguintes, milícias armadas anti-soviéticas começaram a bater de frente dom as tropas locais e com os soldados do Exército Vermelho presentes no país.  

Embora o governo húngaro inicialmente tenha anunciado o interesse em negociar uma saída dos soldados soviéticos, logo a revolta passou a ser reprimida com violência, acabando em 10 de novembro de 1956, apenas dezoito dias após o seu início. 

Ao todo, cerca de 3 mil húngaros foram mortos nos conflitos, e outros 200 mil se exilaram. O número de asilados políticos incluía até mesmo os craques da Seleção Húngara, vice-campeã mundial dois anos antes. Boa parte do time defendia o Honvéd de Budapeste e estava na Espanha para uma partida quando a revolta estourou, decidindo jamais voltar. Ferenc Puskás, maior jogador húngaro da história, acabaria assinando contrato com o Real Madrid e chegaria a defender a Seleção Espanhola. 

Dois anos após o levante, aqueles que Moscou consideravam os principais líderes foram gradativamente executados, entre eles Pál Maléter, o líder militar dos revolucionários, e Imre Nagy, o primeiro-ministro húngaro no momento em que a revolução estourou, considerado um “traidor”. 

A violenta repressão, somada à denúncia do stalinismo ocorrida mais cedo naquele ano, abalou muitos membros do Partido Comunista ao redor do mundo, que nos anos seguintes passariam a questionar os rumos dados pela URSS à Revolução. 

16. Intervenção na Primavera de Praga 1968 

Um novo questionamento ao domínio soviético sobre o Leste Europeu ocorreu na Tchecoslováquia entre janeiro e agosto de 1968. 

Alexander Dubcek havia sido eleito Primeiro Secretário do Partido Comunista do país e passou a implementar uma série de reformas que reduziam a centralização do poder e da economia, ensaiando uma abertura em relação ao Ocidente. 

Moscou buscou negociar a interrupção das reformas nos bastidores e, diante da recusa do governo de Praga em ceder sua autonomia, mais de meio milhão de soldados das nações ligadas ao Pacto de Varsóvia invadiram a Tchecoslováquia na madrugada de 21 de agosto.  

A intervenção militar foi uma demonstração de força e um alerta a outros países. Marcava o início do que ficaria conhecido como a Doutrina Brezhnev (Leonid Brezhnev havia derrubado Khrushchev e passado a comandar a URSS em 1964): segundo ela, a autodeterminação dos povos e a soberania das nações podiam ficar de lado se o socialismo estivesse ameaçado – neste caso, a ameaça não era apenas ao país em que as reformas ocorriam, mas a todas as nações sob a esfera soviética. 

Relativamente, a invasão soviética de 1968 não teve um derramamento de sangue tão grande quanto outros episódios dessa lista: foram registradas 137 mortes de civis. Alexander Dubcek também não foi removido imediatamente de seu posto – isso só ocorreria em abril de 1969, após a Tchecoslováquia vencer a URSS na final do Campeonato Mundial de Hóquei e a multidão usar a celebração do título como pretexto para tomar as ruas em protesto contra a ocupação do Exército Vermelho. Mas o encerramento forçado da Primavera de Praga indicava que tempos duros voltariam à vida cotidiana: quase 300 mil tchecoslovacos fugiriam do país nos anos seguintes. 

Como havia ocorrido em 1956, a ocupação de 1968 também foi um momento de ruptura para comunistas e socialistas ao redor do mundo, que passaram a criticar cada vez mais abertamente as políticas de Moscou. 

17. Janeiro Negro (1990) 

Depois de tentativas frustradas nas décadas anteriores, a Cortina de Ferro acabaria sendo derrubada rapidamente no final dos anos 80. A partir de 1989, regimes comunistas do Leste Europeu foram se esfacelando um a um, e a onda de mudanças chegou também à União Soviética, onde a Perestroika e a Glasnost de Mikhail Gorbachev haviam aumentado a liberdade de questionar o governo e reduzido os níveis de repressão que costumavam sufocar os movimentos opositores. 

Quando ficou claro que a situação estava saindo de controle, o governo soviético chegou a reviver a mão pesada de outros tempos, matando centenas de manifestantes em episódios como os protestos de Jeltoqsan, no Cazaquistão (1986), e a chamada Tragédia de 9 de Abril, na Geórgia (1989). Um dos episódios mais conhecidos da queda da URSS foi o chamado Janeiro Negro, quando pelo menos 90 pessoas foram mortas durante a repressão aos protestos que pediam a independência da então República Socialista Soviética do Azerbaijão, em janeiro de 1990. 

A repressão no Azerbaijão foi duramente censurada por oficiais do Kremlin, que proibiram a circulação da mídia impressa e destruíram o fornecimento de energia à TV e rádio estatais na capital, Baku. 

Mesmo assim, a Rádio Free Europe, mantida com financiamento norte-americano, conseguiu emitir as notícias para o restante do mundo, gerando protestos em escala global. O Azerbaijão decretaria sua independência formal em outubro de 1991. A União Soviética implodiria definitivamente dois meses mais tarde, quando a bandeira vermelha foi baixada em Moscou pela última vez, em 26 de dezembro de 1991.


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