The New York Times 14/06/2012
A taxa de suicídio entre agentes militares em serviço ativo disparou este ano, superando o número de soldados que morrem no campo de batalha e determinando um ritmo que pode bater o recorde anual registrado desde o início das guerras no Iraque e no Afeganistão há mais de uma década, informou o Pentágono.
O número de suicídios aumentou mesmo apesar de os militares americanos terem retirado suas tropas do Iraque e intensificado os esforços para fornecer assistência de saúde para problemas psicológicos, que visa limitar o uso de drogas e álcool, além de providenciar aconselhamento financeiro.
Os militares americanos afirmaram na sexta-feira que houve pelo menos 154 suicídios entre soldados na ativa até 7 de junho. O número representa 18% de aumento em relação ao mesmo período em 2011, que registrou 130 suicídios entre militares na ativa. Foram 123 suicídios entre janeiro e junho de 2010 e 133 durante o mesmo período em 2009, informou o Pentágono.
Por outro lado, foram registradas 124 mortes de militares americanos no Afeganistão até o dia 1º de junho deste ano, segundo o Pentágono.
Os índices de suicídio entre militares subiram acentuadamente desde 2005, à medida que as guerras no Iraque e no Afeganistão se intensificaram. Recentemente, o Pentágono criou o Gabinete de Prevenção do Suicídio.
Na sexta-feira, a porta-voz do Departamento de Defesa Cynthia Smith afirmou que o Pentágono tenta lembrar os comandantes que aqueles que procuram aconselhamento não devem ser estigmatizados.
"Esta é uma questão preocupante e estamos empenhados em conseguir a ajuda que nossos membros necessitam", disse ela. "Quero enfatizar que a obtenção de ajuda não é um sinal de fraqueza, é um sinal de força."
Em uma carta a comandantes militares no mês passado, o secretário de Defesa Leon E. Panetta disse que "a prevenção do suicídio é uma responsabilidade da liderança", e acrescentou: "Comandantes e supervisores não podem tolerar qualquer ação que deprecie, humilhe ou ostracize qualquer indivíduo, especialmente aqueles que estão se comportando de maneira responsável ao procurar a ajuda profissional de que necessitam".
Mas grupos de veteranos disseram que o Pentágono não tem feito o suficiente para moderar o imenso stress vivido pelos soldados em combate, incluindo as várias implantações.
"Está claro para os militares que as coisas não estão sendo tratadas de maneira compreensiva", disse Bruce Parry, presidente da Coalizão de Organizações de Veteranos, um grupo com sede em Illinois. "Eles precisam entender de forma mais profunda o trauma que os soldados estão enfrentando."
http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/nyt/2012-06-14/suicidios-de-soldados-americanos-superam-mortes-durante-combate.html
Tópico relacionado:
A Psicologia da Morte na Guerra
http://epaubel.blogspot.com.br/2008/04/psicologia-da-morte-na-guerra.html
quinta-feira, 14 de junho de 2012
quarta-feira, 13 de junho de 2012
[HOL] Perdoando Josef Mengele
Der Spiegel, 12/09/2005
Eva Kor e sua irmã gêmea sobreviveram milagrosamente a Auschwitz e ao infame Doutor Josef mengele da SS. Mas, apesar de quase ser morta, Eva perdoou os nazistas. O documentário de sua vida agora foi mostrado pela primeira vez na Alemanha.
Uma rápida olhada nos relatórios médicos foi o suficiente. "Você tem apenas duas semanas para viver," o médico disse. Foi assim; ele então deixou o ambulatório - sem dar à sua paciente, a menina Eva de dez anos de idade, qualquer medicamento. Por que ele faria isso, já que ele queria que a garota romena morresse. O médico, Josef Mengele, injetou nela uma mistura LETAL de bactérias.
Era primavera de 1944 quando Eva Kor, junto com sua irmã gêmea Miriam e sua mãe chegaram no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Quando a família desceu do trem, um guarda da SS agitado aproximou-se delas gritando "gêmeas! gêmeas!" Uns poucos meses depois, Eva e Miriam foram afastadas de sua mãe. Elas nunca mais a viram.
Após mais de 60 anos, a jovem garota Eva é uma mulher idosa de 71. Ela tem um cabelo branco encrespado e está vestindo, nesta noite de terça-feira, uma roupa desportiva azul com mangas curtas e um xale de seda. Em seu antebraço esquerdo, sua tatuagem de Auschwitz é ainda facilmente visível: A-7063. O fato de Eva ainda estar viva pode ser muito incrível, mas é a sua presença em Hamburgo num convite da Fundação Körber esta semana - e a estréia alemã de um documentário sobre sua vida - que realmente tira o fôlego de qualquer um. O filme - feito pelo cineasta Bob Hercules e o historiador Cheri Pugh, ambos americanos - é chamado "Perdoando o Dr. Mengele." Pois foi exatamente isso o que Eva Mozes Kor fez.
Sua estória, apesar disso, chegou a um fim prematuramente - assim como muitas nos campos de extermínio da Segunda Guerra Mundial. Após ser selecionada entre os novatos, as irmãs foram levadas para o agora infame médico do campo Josef Mengele. mengele tinha uma ordem específica para as gêmeas; ele precisava delas para "experimentos médicos". A maior parte do tempo, ele injetava em uma das irmãs veneno ou uma bactéria ou vírus, e então documentava o desenvolvimento da doença e o início da morte. Tão logo o paciente morria, ele e seus assistentes então imediatamente matavam o irmão gêmeo - geralmente com uma injeção no coração - antes de realizar autópsias simultâneas. Cerca de 1.400 pares de gêmeos morreram vítimas das experiências bárbaras de Mengele.
Perdão e Cura
E foi exatamente isso o que ele pretendia fazer com as gêmeas Kor. "Mas ele tinha outra coisa em mente," diz Eva de forma desafiadora. Graças a uma vontade corajosa - e a um sistema imunológico forte - Eva sobreviveu à doença que Mengele injetou em suas veias. "Eu apenas continuei pensando, 'Se morrer, então Miriam será também morta.'"
Em 27 de janeiro de 1945, o Exército Soviético libertou os sobreviventes de Auschwitz-Birkenau e trouxe o pesadelo deles para um fim. Não muito tempo depois, as gêmeas Kor emigraram para Israel. Eva então se mudou para os EUA, iniciou sua própria família e tornou-se uma corretora de imóveis. Mas o sofrimento permaneceu com ela. Miriam, também, aparentemente havia recebido uma injeção de Mengele, mas ninguém poderia imaginar o que ela estava sofrendo por isso. Seus rins, contudo, estavam falhando. Mais uma vez, Eva fez o que pode para salvar a vida de sua irmã e doou um de seus rins para ela. Mas a doença não pode ser parada e, em 1993, Miriam morreu em Israel.
Desde então, contudo, a estória de Eva tornou-se uma de perdão e cura pessoal. Ela também tornou-se uma de controvérsia. Depois de tudo, o filme, mostrado na Fundação Körber na terça-feira à noite, não é focado na aniquilação e culpa, como muitos dos filmes sobre o Holocausto fizeram antes dele. Mais do que isso, é sobre uma mulher que fez as pazes com aqueles que exterminaram sua família e tentaram exterminá-la.
O caminho de Kor para a paz começou com uma viagem de seu lar atual em Terre Haute, Indiana, até o país de seus quase-assassinos. Somente umas poucas semanas após a morte de sua irmã, Eva viajou para a Alemanha para se encontrar com um médico alemão. Hans Münch era seu nome, e ele havia trabalhado junto com o Dr. Mengele em Auschwitz. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, o médico da SS enfrentou acusações de crimes de guerra, mas foi considerado inocente. Ao contrário de seus colegas, foi descoberto que Münch não havia realizado experiências em seus pacientes.
Um ex-nazista com um sorriso envergonhado
Ela estava incrivelmente nervosa quando ela finalmente ficou frente a frente com a porta de Münch, disse Kor. Mas então, um idoso educado com cabelo branco, barbeado e com um sorriso envergonhado abriu a porta. Sim, ele admitiu que ele estava lá durante o gaseamento. "E isto é problema meu," ele continuou. Ele ainda sofre de depressão e pesadelos como resultado. Kor foi procurando um monstro, mas encontrou um ser humano ao invés disso. "Eu então decidi que escreveria uma carta a Münch na qual eu o perdoava," disse Kor.
Mas a resoluta sobrevivente foi mais adiante do que aquilo. Quando, em janeiro de 1995, o 50º aniversário da libertação de Auschwitz , foi celebrado, Kor levou Münch junto com ela. No local coberto de neve do antigo campo de extermínio, ela leu uma confissão de culpa de Münch para a imprensa reunida. Ela viu isso como uma declaração importante de uma testemunha que poderia ser usada para contradizer aqueles que negavam o Holocausto. Mas então, ela disse, "Em meu nome, eu perdôo os nazistas."
Os outros antigos prisioneiros do campo de concentração ficaram horrorizados. "Não temos o direito de perdoar os causadores no nome das vítimas," era a idéia geralmente usada. A anistia particular de Kor era chocante, disse uma mulher que também havia sido uma vítima das experiências de Mengele com gêmeos. E desde a clemência pessoal de Kor, um número de sobreviventes de Auschwitz tem feito o possível para evitá-la. A dor e a raiva são muito grandes. Pode alguém realmente perdoar a maldade pura? Ao fazer isso, não exonera os assassinos e torturadores que comandavam os campos?
Hoje, a corretora de imóveis americana, contudo, está certa de que fez a coisa certa. "Eu senti que um incrível peso de angústia havia sido retirado," ela diz. "Eu nunca pensei que pudesse ser tão forte." Ela diz que pelo fato de ser capaz de perdoar seus piores inimigos, ela finalmente foi capaz de se ver livre de sua condição de vítima. Mas, ela rapidamente acrescenta que o perdão não significa esquecimento. "O que as vítimas fazem não muda o que aconteceu," ela diz. Mas toda vítima tem o direito de curar-se assim que puder. "E a melhor coisa sobre o remédio do perdão," ela diz, "é que não há efeitos colaterais. E todo mundo pode proporcionar isso."
http://www.spiegel.de/international/0,1518,389491,00.html
Eva Kor
Eva Kor e sua irmã gêmea sobreviveram milagrosamente a Auschwitz e ao infame Doutor Josef mengele da SS. Mas, apesar de quase ser morta, Eva perdoou os nazistas. O documentário de sua vida agora foi mostrado pela primeira vez na Alemanha.
Uma rápida olhada nos relatórios médicos foi o suficiente. "Você tem apenas duas semanas para viver," o médico disse. Foi assim; ele então deixou o ambulatório - sem dar à sua paciente, a menina Eva de dez anos de idade, qualquer medicamento. Por que ele faria isso, já que ele queria que a garota romena morresse. O médico, Josef Mengele, injetou nela uma mistura LETAL de bactérias.
Era primavera de 1944 quando Eva Kor, junto com sua irmã gêmea Miriam e sua mãe chegaram no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Quando a família desceu do trem, um guarda da SS agitado aproximou-se delas gritando "gêmeas! gêmeas!" Uns poucos meses depois, Eva e Miriam foram afastadas de sua mãe. Elas nunca mais a viram.
Após mais de 60 anos, a jovem garota Eva é uma mulher idosa de 71. Ela tem um cabelo branco encrespado e está vestindo, nesta noite de terça-feira, uma roupa desportiva azul com mangas curtas e um xale de seda. Em seu antebraço esquerdo, sua tatuagem de Auschwitz é ainda facilmente visível: A-7063. O fato de Eva ainda estar viva pode ser muito incrível, mas é a sua presença em Hamburgo num convite da Fundação Körber esta semana - e a estréia alemã de um documentário sobre sua vida - que realmente tira o fôlego de qualquer um. O filme - feito pelo cineasta Bob Hercules e o historiador Cheri Pugh, ambos americanos - é chamado "Perdoando o Dr. Mengele." Pois foi exatamente isso o que Eva Mozes Kor fez.
Sua estória, apesar disso, chegou a um fim prematuramente - assim como muitas nos campos de extermínio da Segunda Guerra Mundial. Após ser selecionada entre os novatos, as irmãs foram levadas para o agora infame médico do campo Josef Mengele. mengele tinha uma ordem específica para as gêmeas; ele precisava delas para "experimentos médicos". A maior parte do tempo, ele injetava em uma das irmãs veneno ou uma bactéria ou vírus, e então documentava o desenvolvimento da doença e o início da morte. Tão logo o paciente morria, ele e seus assistentes então imediatamente matavam o irmão gêmeo - geralmente com uma injeção no coração - antes de realizar autópsias simultâneas. Cerca de 1.400 pares de gêmeos morreram vítimas das experiências bárbaras de Mengele.
Perdão e Cura
E foi exatamente isso o que ele pretendia fazer com as gêmeas Kor. "Mas ele tinha outra coisa em mente," diz Eva de forma desafiadora. Graças a uma vontade corajosa - e a um sistema imunológico forte - Eva sobreviveu à doença que Mengele injetou em suas veias. "Eu apenas continuei pensando, 'Se morrer, então Miriam será também morta.'"
Em 27 de janeiro de 1945, o Exército Soviético libertou os sobreviventes de Auschwitz-Birkenau e trouxe o pesadelo deles para um fim. Não muito tempo depois, as gêmeas Kor emigraram para Israel. Eva então se mudou para os EUA, iniciou sua própria família e tornou-se uma corretora de imóveis. Mas o sofrimento permaneceu com ela. Miriam, também, aparentemente havia recebido uma injeção de Mengele, mas ninguém poderia imaginar o que ela estava sofrendo por isso. Seus rins, contudo, estavam falhando. Mais uma vez, Eva fez o que pode para salvar a vida de sua irmã e doou um de seus rins para ela. Mas a doença não pode ser parada e, em 1993, Miriam morreu em Israel.
Desde então, contudo, a estória de Eva tornou-se uma de perdão e cura pessoal. Ela também tornou-se uma de controvérsia. Depois de tudo, o filme, mostrado na Fundação Körber na terça-feira à noite, não é focado na aniquilação e culpa, como muitos dos filmes sobre o Holocausto fizeram antes dele. Mais do que isso, é sobre uma mulher que fez as pazes com aqueles que exterminaram sua família e tentaram exterminá-la.
O caminho de Kor para a paz começou com uma viagem de seu lar atual em Terre Haute, Indiana, até o país de seus quase-assassinos. Somente umas poucas semanas após a morte de sua irmã, Eva viajou para a Alemanha para se encontrar com um médico alemão. Hans Münch era seu nome, e ele havia trabalhado junto com o Dr. Mengele em Auschwitz. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, o médico da SS enfrentou acusações de crimes de guerra, mas foi considerado inocente. Ao contrário de seus colegas, foi descoberto que Münch não havia realizado experiências em seus pacientes.
Um ex-nazista com um sorriso envergonhado
Ela estava incrivelmente nervosa quando ela finalmente ficou frente a frente com a porta de Münch, disse Kor. Mas então, um idoso educado com cabelo branco, barbeado e com um sorriso envergonhado abriu a porta. Sim, ele admitiu que ele estava lá durante o gaseamento. "E isto é problema meu," ele continuou. Ele ainda sofre de depressão e pesadelos como resultado. Kor foi procurando um monstro, mas encontrou um ser humano ao invés disso. "Eu então decidi que escreveria uma carta a Münch na qual eu o perdoava," disse Kor.
Mas a resoluta sobrevivente foi mais adiante do que aquilo. Quando, em janeiro de 1995, o 50º aniversário da libertação de Auschwitz , foi celebrado, Kor levou Münch junto com ela. No local coberto de neve do antigo campo de extermínio, ela leu uma confissão de culpa de Münch para a imprensa reunida. Ela viu isso como uma declaração importante de uma testemunha que poderia ser usada para contradizer aqueles que negavam o Holocausto. Mas então, ela disse, "Em meu nome, eu perdôo os nazistas."
Os outros antigos prisioneiros do campo de concentração ficaram horrorizados. "Não temos o direito de perdoar os causadores no nome das vítimas," era a idéia geralmente usada. A anistia particular de Kor era chocante, disse uma mulher que também havia sido uma vítima das experiências de Mengele com gêmeos. E desde a clemência pessoal de Kor, um número de sobreviventes de Auschwitz tem feito o possível para evitá-la. A dor e a raiva são muito grandes. Pode alguém realmente perdoar a maldade pura? Ao fazer isso, não exonera os assassinos e torturadores que comandavam os campos?
Hoje, a corretora de imóveis americana, contudo, está certa de que fez a coisa certa. "Eu senti que um incrível peso de angústia havia sido retirado," ela diz. "Eu nunca pensei que pudesse ser tão forte." Ela diz que pelo fato de ser capaz de perdoar seus piores inimigos, ela finalmente foi capaz de se ver livre de sua condição de vítima. Mas, ela rapidamente acrescenta que o perdão não significa esquecimento. "O que as vítimas fazem não muda o que aconteceu," ela diz. Mas toda vítima tem o direito de curar-se assim que puder. "E a melhor coisa sobre o remédio do perdão," ela diz, "é que não há efeitos colaterais. E todo mundo pode proporcionar isso."
http://www.spiegel.de/international/0,1518,389491,00.html
terça-feira, 12 de junho de 2012
Lincoln recomendou aos negros emancipados que fossem embora
CBS News, 4/03/2011
O Discurso de Gettysburg de Abraham Lincoln inspirou os americanos por gerações, mas considere suas afirmações chocantes em 1862 para uma platéia de negros emancipados na Casa Branca, recomendando-lhes que deixassem os Estados Unidos e se estabelecessem na América Central.
"Para o bem da sua raça, vocês deveriam sacrificar algo de seu conforto atual no sentido de ser tão grandes neste respeito como as pessoas brancas," disse Lincoln, promovendo sua idéia de colonização: reassentar os negros em países estrangeiros na crença de que brancos e negros não poderiam coexistir na mesma nação.
Lincoln continuou dizendo que os negros emancipados que desejavam uma vida permanente nos Estados Unidos eram "egoístas" e ele promoveu a América Central como um local ideal "especialmente por causa da semelhança de clima com a sua terra natal - assim sendo adaptada à sua condição física."
No momento em que a nação celebra o 150º aniversário do primeiro discurso de Lincoln na sexta-feira, um novo livro por um pesquisador da Universidade George Mason em Fairfax mostra que Lincoln estava muito mais comprometido com os negros colonizadores que previamente se sabia. O livro Colonização após Emancipação, é baseado em parte em novos documentos tornados públicos que os autores Philip Magness e Sebastian Page encontraram nos Arquivos Nacionais Britânicos em Londres e nos Arquivos Nacionais dos EUA.
O Discurso de Gettysburg de Abraham Lincoln inspirou os americanos por gerações, mas considere suas afirmações chocantes em 1862 para uma platéia de negros emancipados na Casa Branca, recomendando-lhes que deixassem os Estados Unidos e se estabelecessem na América Central.
"Para o bem da sua raça, vocês deveriam sacrificar algo de seu conforto atual no sentido de ser tão grandes neste respeito como as pessoas brancas," disse Lincoln, promovendo sua idéia de colonização: reassentar os negros em países estrangeiros na crença de que brancos e negros não poderiam coexistir na mesma nação.
Lincoln continuou dizendo que os negros emancipados que desejavam uma vida permanente nos Estados Unidos eram "egoístas" e ele promoveu a América Central como um local ideal "especialmente por causa da semelhança de clima com a sua terra natal - assim sendo adaptada à sua condição física."
No momento em que a nação celebra o 150º aniversário do primeiro discurso de Lincoln na sexta-feira, um novo livro por um pesquisador da Universidade George Mason em Fairfax mostra que Lincoln estava muito mais comprometido com os negros colonizadores que previamente se sabia. O livro Colonização após Emancipação, é baseado em parte em novos documentos tornados públicos que os autores Philip Magness e Sebastian Page encontraram nos Arquivos Nacionais Britânicos em Londres e nos Arquivos Nacionais dos EUA.
Abraham Lincoln
Em uma entrevista, Magness diz que pensa que os documentos descobertos por ele revelam a complexidade de Lincoln.
"Eles tornam sua vida mais interessante, seu legado racial mais controverso," disse Magness, que é também professor adjunto na Universidade Americana.
As visões de Lincoln sobre a colonização são bem conhecidas entre os historiadores, mesmo se eles não colocam isso nos livros escolares. Lincoln mesmo se referiu à colonização na Proclamação da Emancipação preliminar, sua advertência de setembro de 1862 ao Sul (Estados Confederados) que ele libertaria todos os escravos no território sulista se a rebelião continuasse. Diferentemente de outros, Lincoln sempre promoveu uma colonização voluntária, ao invés de forçar os negros a irem embora.
Mas os historiadores discordam se Lincoln se afastou da colonização após ele declarar a Proclamação da Emancipação em 1º de janeiro de 1863, ou se ele continuou a apoiá-la.
O livro de Magness e Page oferece evidência de que Lincoln continuou a apoiar a colonização, se envolvendo em diplomacia secreta com a Inglaterra para estabelecer uma colônia nas Honduras Britânicas, hoje Belize.
Entre os registros encontrados nos arquivos britânicos está uma ordem de 1863 de Lincoln permitindo a um agente britânico permissão para recrutar voluntários para uma colônia em Belize.
"Ele não deixaria a colonização morrer. Ele tornou-se muito ativo na promoção na esfera privada, através de canais diplomáticos," disse Magness. Ele acredita que Lincoln se cansou da controvérsia que cercava os esforços de colonização, que se envolveram em um escândalo e foram criticados por muitos abolicionistas.
Tão tarde quanto 1864, Magness encontrou uma anotação em que Lincoln pediu ao advogado-geral da União se ele poderia continuar a receber conselhos de James Mitchell, seu comissário de colonização, mesmo após o Congresso ter eliminado os fundos para o departamento de Mitchell.
O historiador do Estado de Illinois, Tom Schwartz, que é também um diretor de pesquisa na Biblioteca Presidencial Abraham Lincoln em Springfield, disse que enquanto os historiadores discordam, existe ampla evidência de que as visões de Lincoln se distanciaram da colonização nos dois últimos anos da Guerra Civil.
Lincoln fez inúmeros discursos se referindo aos direitos que os negros conseguiram ao se alistar no Exército da União, por exemplo. E o secretário presidencial John Hay escreveu em 1864 que Lincoln havia "descartado" a colonização.
"A maior parte da evidência sugere a idéia de que Lincoln estava olhando para outros caminhos" para resolver a transição da escravidão através da colonização ao final de sua presidência, disse Schwartz.
Lincoln não é o único presidente cujas visões sobre relações raciais e escravidão eram mais complexas e menos idealistas que os livros escolares das crianças sugerem. George Washington e Thomas Jefferson eram ambos donos de escravos apesar dos mal entendidos. Washington libertou seus escravos quando morreu.
"Washington, porque ele queria manter a união, sabia que tinha que ignorar o problema da escravidão porque teria dilacerado o país," disse James Rees, diretor do Espólio Mount Vernon de Washington.
"É tentador desejar que ele tenha tentado. A nação tinha mais chance de lidar com a escravidão com Washington do que com qualquer outro," disse Rees, notando a estima com a qual Washington era tido tanto no Sul como no Norte.
Magness disse que as visões sobre Lincoln podem ser mantidas e ser frequentemente conflitantes. Ele notou que pessoas têm utilizado o legado de Lincoln para apoiar todas as agendas políticas desde o dia em que foi assassinado. E ninguém pode afirmar que possui conhecimento definitivo sobre as opiniões pessoais de Lincoln, especialmente em um tópico tão complexo quanto as relações raciais.
"Ele jamais teve a oportunidade de completar seus objetivos. As visões raciais de Lincoln evoluíram desde a época de sua morte," disse Magness.
As decisões erradas do ditador Solano López
Fabio Marton, 23/05/2012
Em 13 de dezembro de 1864, o Paraguai declarou guerra ao Brasil, iniciando o que seria o conflito mais sangrento da América Latina, em que mais de 300 mil vidas se perderiam dos dois lados, entre batalhas, fome e doenças. O Paraguai seria aniquilado na guerra: perdeu 75% de sua população adulta e reduziu seu papel geopolítico a pouco mais que um estado-tampão entre Argentina e Brasil, oscilando entre ser dominado politicamente por um ou outro.
Em 13 de dezembro de 1864, o Paraguai declarou guerra ao Brasil, iniciando o que seria o conflito mais sangrento da América Latina, em que mais de 300 mil vidas se perderiam dos dois lados, entre batalhas, fome e doenças. O Paraguai seria aniquilado na guerra: perdeu 75% de sua população adulta e reduziu seu papel geopolítico a pouco mais que um estado-tampão entre Argentina e Brasil, oscilando entre ser dominado politicamente por um ou outro.
Batalha do Riachuelo
O ditador do Paraguai, Francisco Solano López, entrou na guerra conhecendo alguns fatos. A população do Brasil era dez vezes maior que a do Paraguai, cerca de 8 milhões de habitantes, contra 800 mil. A Argentina, forte aliada do Brasil, tinha cerca de 2,5 milhões. Ambos os países tinham acesso desimpedido ao oceano Atlântico para comprar armas, navios e o que mais precisassem da Europa e dos Estados Unidos, enquanto o único acesso ao mar do Paraguai era por meio dos rios Paraná e Prata, cruzando o território argentino.
À primeira vista, e sabendo como a guerra terminou, López parece ter sido um louco suicida. Ele era impulsivo e autoritário. Mas suicida ele não era. E tinha um plano - ou pelo menos uma aposta. E, no seu jogo, conquistar acesso ao mar era fundamental.
Tríplice Aliança ao contrário
A primeira coisa sobre o plano de López é que ele não esperava ter de enfrentar Brasil, Uruguai e Argentina, situação que se consolidou com a criação da Tríplice Aliança, em 1º de maio de 1865. Ao contrário, esperava ter Uruguai e Argentina a seu lado e quem sabe unificar os 3 países ao fim da guerra e criar uma grande nação nas fronteiras do antigo vice-reino do Rio da Prata, do Peru à Patagônia. "López imaginava uma Tríplice Aliança ao contrário", diz Francisco Doratioto, professor da Universidade de Brasília e autor de Maldita Guerra e Osório.
Os uruguaios eram aliados de López, e a guerra só começou, tecnicamente, porque o Brasil invadiu o Uruguai, em guerra civil desde 19 de março de 1863, em apoio ao ex-presidente Venancio Flores e 1,5 mil voluntários do Partido Colorado, que desafiou o governo de Montevidéu, controlado pelo Partido Nacional (ou Blanco). Os brasileiros, que formavam um terço da população do Uruguai, apoiavam Flores e passaram a sofrer ataques dos partidários blancos. Em 30 de agosto de 1864, o Paraguai havia mandado um ultimato ao Brasil: invadir o Uruguai seria um ato de guerra.
O Brasil ignorou o ultimato e declarou guerra ao governo blanco em 10 de novembro de 1864, com o apoio tácito da Argentina. "Nem Argentina nem Brasil acreditavam que o Paraguai reagiria a um ataque ao Uruguai", diz o jornalista Moacir Assunção, autor de Nem Heróis, Nem Vilões: Curepas, Caboclos, Cambás, Macaquitos e Outras Revelações da Sangrenta Guerra do Paraguai, que chega este mês às livrarias. Mas López cumpriu a ameaça e atacou o Brasil. Não na fronteira com o Uruguai, mas em Mato Grosso, em dezembro de 1864.
López não contava só com o apoio dos blancos. Havia recebido promessas de Justo José Urquiza. Governador da província de Entre Rios, Urquiza era o maior proprietário rural da Argentina, presidente entre 1854 e 1860, e inimigo do presidente argentino, Bartolomé Mitre. O plano de López era invadir o país ao norte, juntar-se às forças de Urquiza ao sul e seguir para Buenos Aires. Se tudo funcionasse, os 3 aliados - Paraguai, Uruguai e Argentina - atacariam o Brasil.
Blitzkrieg paraguaia
A aposta paraguaia não era apenas diplomática. O Exército paraguaio era muito maior que o brasileiro no começo da guerra. Os paraguaios tinham uma força de 64 mil homens, e os preparativos para a guerra começaram meses antes da declaração, enquanto as tensões entre Brasil e Uruguai se acumulavam. O Exército brasileiro tinha 18 mil efetivos, mal-armados e malvestidos, informações que os blancos uruguaios fizeram questão de levar ao ditador paraguaio. Segundo Doratioto, López queria fazer uma blitzkrieg do século 19. "Ele tinha um plano inteligente e bem estruturado. Era um ataque-relâmpago, uma coisa à frente do seu tempo."
A blitzkrieg paraguaia também contava com outra manobra inteligente: fazer os brasileiros acreditarem que os paraguaios atacariam por outra região, causando um imenso problema logístico. A ofensiva em Mato Grosso envolveu duas colunas e 9 mil homens, que conquistaram cidades como Albuquerque, Coxim e Corumbá até abril de 1865. Os brasileiros esperavam um ataque à capital da província, Cuiabá, que nunca aconteceu. Sem estradas que chegassem à região, a contraofensiva brasileira levou de abril a dezembro de 1865 para se mover de Minas Gerais ao Mato Grosso. Quando finalmente alcançaram a província, os paraguaios simplesmente se retiraram - exceto de Corumbá, onde resistiram até junho de 1867.
Enquanto os brasileiros se perdiam no próprio Brasil, López preparava seu verdadeiro ataque. O Paraguai declarou guerra à Argentina em 18 de março de 1865. Em 13 de abril, um contingente enorme de tropas paraguaias - 37 mil homens - invadiu a província de Corrientes pelo rio Paraná. Com Corrientes capturada quase sem resistência, em maio, as tropas se dividiram. Cerca de 12 mil ficaram na cidade e 25 mil rumaram para o Rio Grande do Sul, onde tomaram São Borja, em 12 de junho, e Uruguaiana, em 5 de agosto. Era o plano de López em ação.
Traição na Argentina
A primeira má notícia para López aconteceu no início da invasão à Argentina. Comandando as tropas para a retomada de Corrientes, apareceu ninguém menos que Justo José Urquiza. O caudilho havia feito promessas a López, mas havia recebido outra visita. O general e senador brasileiro Manuel Luís Osório, com quem teve uma conversa estratégica. "Os brasileiros compraram Urquiza", diz Assunção. Ele foi convencido por Osório de que lucraria muito mais apoiando Brasil e o governo argentino. Para a surpresa de López, o ex-presidente argentino conduziu suas tropas com rara ferocidade. A decisão de Urquiza também surpreendeu muitos argentinos, e vários desertaram a favor do Paraguai nos primeiros meses da campanha. De forma que, em 25 de maio de 1865, quando uma tropa argentina conseguiu reconquistar a cidade de Corrientes, a glória durou menos de 24 horas: os argentinos recuaram, deixando a cidade pronta para ser reconquistada pelos paraguaios. Ainda assim, López destituiu do comando o general Resquín, líder da invasão, que seria executado em janeiro de 1866.
Baixas de uma ditadura
O plano de López começou a naufragar, literalmente, no arroio Riachuelo, em 11 de junho de 1865. A ideia era tomar a esquadra brasileira, de 9 vapores, atacando-os por meio de abordagem - os soldados saltam para dentro do navio inimigo de forma a capturá-lo intacto. A chave do ataque era o fato de os navios brasileiros serem a vapor. À noite, apagavam-se as caldeiras, acesas novamente de manhã. Levava uns 20 minutos até a água ferver e o navio estar em condições de se mover. Assim, os navios paraguaios - também a vapor, e em mesmo número que os brasileiros - poderiam se aproximar da frota nacional.
Uma avaria, no entanto, atrasou o ataque. E aqui o autoritarismo político do Paraguai se mostrou uma desvantagem. "Ninguém ousava contrariar López, que havia ordenado um ataque para aquele dia", diz Doratioto. Com medo do ditador, os paraguaios atacaram com dois navios a menos e só às 9h30, quando os barcos brasileiros estavam totalmente operantes. As abordagens foram repelidas a canhonaços. Ao fim do dia, a esquadra paraguaia jazia no fundo do rio Paraná. A Batalha de Riachuelo foi um desastre que isolou o país do resto do mundo.
Quando os paraguaios invadiram o Rio Grande do Sul, já era tarde para os blancos uruguaios. Em 20 de fevereiro de 1865, brasileiros e colorados haviam conquistado Montevidéu e Venancio Flores assumiu um governo pró-Brasil. Em 18 de agosto, duas semanas após tomar a cidade, os paraguaios se renderam em Uruguaiana, diante de dom Pedro 2º, Bartolomeu Mitre e Venancio Flores. Foi o fim da ofensiva do sul. Em 31 de outubro, as tropas paraguaias em Corrientes se retiraram. A partir daí, a guerra seria uma longa e agonizante defensiva para Solano López, culminando com a captura de Assunção, em 1º de janeiro de 1869. A fuga do ditador pelo interior do país acabou em 1º de março de 1870. Numa emboscada à última tropa paraguaia em Cerro Corá, o cabo brasileiro Chico Diabo atingiu o ditador com uma lança. Sem se render, López foi morto a balas ali mesmo.
O americano no Paraguai
Além de Urquiza e dos blancos uruguaios, havia outro personagem soprando confiança nos ouvidos de López. Ninguém menos que os Estados Unidos da América. Segundo o livro de Moacir Assunção, "no Paraguai, o cônsul americano Charles Ames Washburn ofereceu apoio ao país contra o Brasil ainda antes da guerra e chegou a instigá-lo a iniciar o conflito".
Washburn era cônsul desde 1861, ainda no governo do pai de Solano, Carlos Lopes. E o que ele prometia não era completamente infundado: Brasil e EUA andavam às turras desde o início da Guerra de Secessão (1861-1865). Os americanos unionistas, do Norte, viam os brasileiros como uma monarquia europeia implantada na América e um país profundamente escravocrata, ambas verdades que os brasileiros não gostavam de ouvir. Artigos na imprensa durante a guerra eram principalmente antibrasileiros, quando não idealizando López como um libertador republicano contra uma monarquia de escravos.
Já os brasileiros não ocultavam suas simpatias pelos confederados do Sul, escravocratas, agrários e aristocráticos como eles. Isso levou a alguns incidentes, em que brasileiros recebiam calorosamente os navios confederados, que atacavam navios unionistas na costa brasileira impunemente, enquanto os navios unionistas eram quase proibidos de frequentar portos do Brasil. Em 1864, o ataque de um navio unionista a um confederado em águas brasileiras quase comprometeu as relações diplomáticas.
Em duas ocasiões, Washburn quase fez com que sua promessa a López fosse cumprida. Quando a guerra começou, o diplomata estava em férias no seu país. Em 1866, o navio americano Shamokin tentou furar o bloqueio da Marinha brasileira e levá-lo a Assunção. O comandante prometeu que só seria interrompido "por força maior", o que fez os brasileiros cogitarem abrir fogo. Washburn caíria em desgraça e seria torturado pelas forças de López, que havia ficado paranoico com a possibilidade de conspiração. Em 1868, outro navio foi enviado para retirá-lo - e, desta vez, falaram abertamente em guerra com os brasileiros. Em ambas as situações, os brasileiros engoliram seu orgulho, evitando o pior.
Saiba mais
LIVRO
Nem Heróis, Nem Vilões: Curepas, Caboclos, Cambás, Macaquitos e Outras Revelações da Sangrenta Guerra do Paraguai, Moacir Assunção, Record, 2012
segunda-feira, 11 de junho de 2012
[POL] Hitler foi o "chefe perfeito", diz ex-criada
Daily Mail, 4/12/2008
A História o condenou como o megalomaníaco que levou a morte e miséria para milhões.
Mas para uma mulher, o nome Adolf Hitler evoca um sorriso, não um arrepio.
Ela é Rosa Mitterer, que trabalhou como criada para o Führer no seu retiro na montanha na Bavária nos anos 1930.
Rosa tem 91 anos e até agora manteve uma promessa de silêncio sobre suas experiências. Ela decidiu quebrá-la após perceber que é a última sobrevivente do círculo que serviu o tirano nos anos antes de ele começar a Segunda Guerra Mundial.
E seu veredito sobre seu antigo mestre: "Ele era um homem encantador, alguém que era sempre agradável comigo, um grande patrão para trabalhar. Você pode dizer o que desejar, mas ele era um homem bom para nós."
As lembranças de Rosa da vida na corte do tirano é uma leitura emocionante. Ela viu líderes nazistas chegarem e ir embora. Himmler, o secretário malvado do partido; Bormann, que ela descreveu como "porco imundo"; e o festeiro e sexualmente obscecado ministro da propaganda Goebbels.
Rosa chegou ao serviço de Hitler com 15 anos em 1932, quando ela era Rosa Krautenbacher. Sua irmã Anni tinha trabalhado como cozinheira no retiro de Hitler em Berchtesgaden desde o final dos anos 1920.
"Ela disse que ele precisava de uma criada e que eu preenchia os requisitos," lembra Rosa. "Me lembro tão claramente do primeiro dia que conversei com ele na cozinha. Eu disse que era a irmã de Anni e aquilo o fez sorrir, porque Anni era sua favorita. Somente conheci Hitler como um homem gentil que era bom para mim."
Sua antiga governanta era Geli Raubal, com quem supostamente teve um caso amoroso. "Ela se matou em setembro de 1931 e foi-me dito tão logo iniciei meu trabalho que ele não deveria ser abordado no aniversário daquela data," disse Rosa.
"Minha irmã e eu compartilhávamos um quarto que era diretamente acima do de Hitler. Podíamos ouví-lo chorar."
Por um longo tempo ela e Anni eram as únicas criadas na casa, conhecida como Berghof.
Relembrando sua primeira ordem feita pelo mestre, ela disse que estava secando uns copos de porcelana quando ele desceu as escadas. "Olá," ele disse cordialmente. "Desculpe te incomodar, mas poderia fazer um pouco de café e trazer uns biscoitos para o meu estúdio?"
Estando tão próxima de Hitler fê-la sentir-se tímida, ela disse, mas ela logo acostumou-se à vida em Berghof.
"Eu acordava às seis da manhã todos os dias e colocava um vestido vemelho-verde com um avental branco. Minha primeira tarefa era alimentar seus cães - ele tinha três pastores alemães no começo chamados Wolf, Muck e Blondi.
"Naqueles dias, Hitler dormia em seu estúdio. Nele havia uma cama de ferro, um guarda-roupa, uma mesa, duas cadeiras e uma caixa de sapatos. Era um local muito modesto. Ao lado da cabeceira da cama havia uma foto de sua mãe."
Ela acrescentou: "Não tive que ser um membro do partido nazista ou qualquer outra coisa. Após um tempo eu relaxei um pouco. Aparentemente, foi ordem de Hitler que eu e Anni fossemos levadas à igreja todo domingo porque ele achava que seria 'bom para nós'. Uma outra vez, ele entrou na cozinha, me viu e disse, "Ah, vejo que nossa pequenina está um pouco mais gorda!"
Parte de suas obrigações envolviam selecionar cartas de fãs e presentes que eram entregues aos milhares em sua casa.
"Havia cigarros, potes de geléia, flores, fotografias," ela lembrou. "Dávamos a maioria deles para famílias de camponeses pobres sob as ordens de Hitler."
Seu tempo em serviço também permitiu-lhe ver de perto a mulher que Hitler manteve segredo de seus conhecidos durante seu governo - Eva Braun. "Ela não era tão bonita de perto," relembrou Rosa.
"Himmler estava sempre lá também, mais magro do que ele parecia nas fotos, e Goebbels."
"E Bormann, eu não gostava dele de jeito nenhum. Ele era um porco imundo." pelo final de 1934, a casa foi cercada por campos minados e pontos de guarda da SS. Rosa disse. "Eu me sentia como uma prisioneira ao invés de uma empregada."
Em 1935, ela se apaixonou por um comerciante local, Josef Amorts e entregou seu aviso prévio. Ela foi informada que poderia ir embora imediatamente.
"Eu encontrei Hitler somente uma vez mais, em 10 de dezembro de 1936, quando Anni se casou com Herbert Doehring, gerente de Berghof. Ele veio ao casamento e foi educado comigo, dizendo que sentia minha falta."
A História o condenou como o megalomaníaco que levou a morte e miséria para milhões.
Mas para uma mulher, o nome Adolf Hitler evoca um sorriso, não um arrepio.
Ela é Rosa Mitterer, que trabalhou como criada para o Führer no seu retiro na montanha na Bavária nos anos 1930.
Rosa tem 91 anos e até agora manteve uma promessa de silêncio sobre suas experiências. Ela decidiu quebrá-la após perceber que é a última sobrevivente do círculo que serviu o tirano nos anos antes de ele começar a Segunda Guerra Mundial.
E seu veredito sobre seu antigo mestre: "Ele era um homem encantador, alguém que era sempre agradável comigo, um grande patrão para trabalhar. Você pode dizer o que desejar, mas ele era um homem bom para nós."
As lembranças de Rosa da vida na corte do tirano é uma leitura emocionante. Ela viu líderes nazistas chegarem e ir embora. Himmler, o secretário malvado do partido; Bormann, que ela descreveu como "porco imundo"; e o festeiro e sexualmente obscecado ministro da propaganda Goebbels.
Rosa chegou ao serviço de Hitler com 15 anos em 1932, quando ela era Rosa Krautenbacher. Sua irmã Anni tinha trabalhado como cozinheira no retiro de Hitler em Berchtesgaden desde o final dos anos 1920.
"Ela disse que ele precisava de uma criada e que eu preenchia os requisitos," lembra Rosa. "Me lembro tão claramente do primeiro dia que conversei com ele na cozinha. Eu disse que era a irmã de Anni e aquilo o fez sorrir, porque Anni era sua favorita. Somente conheci Hitler como um homem gentil que era bom para mim."
Rosa Mitterer
Sua antiga governanta era Geli Raubal, com quem supostamente teve um caso amoroso. "Ela se matou em setembro de 1931 e foi-me dito tão logo iniciei meu trabalho que ele não deveria ser abordado no aniversário daquela data," disse Rosa.
"Minha irmã e eu compartilhávamos um quarto que era diretamente acima do de Hitler. Podíamos ouví-lo chorar."
Por um longo tempo ela e Anni eram as únicas criadas na casa, conhecida como Berghof.
Relembrando sua primeira ordem feita pelo mestre, ela disse que estava secando uns copos de porcelana quando ele desceu as escadas. "Olá," ele disse cordialmente. "Desculpe te incomodar, mas poderia fazer um pouco de café e trazer uns biscoitos para o meu estúdio?"
Estando tão próxima de Hitler fê-la sentir-se tímida, ela disse, mas ela logo acostumou-se à vida em Berghof.
"Eu acordava às seis da manhã todos os dias e colocava um vestido vemelho-verde com um avental branco. Minha primeira tarefa era alimentar seus cães - ele tinha três pastores alemães no começo chamados Wolf, Muck e Blondi.
"Naqueles dias, Hitler dormia em seu estúdio. Nele havia uma cama de ferro, um guarda-roupa, uma mesa, duas cadeiras e uma caixa de sapatos. Era um local muito modesto. Ao lado da cabeceira da cama havia uma foto de sua mãe."
Ela acrescentou: "Não tive que ser um membro do partido nazista ou qualquer outra coisa. Após um tempo eu relaxei um pouco. Aparentemente, foi ordem de Hitler que eu e Anni fossemos levadas à igreja todo domingo porque ele achava que seria 'bom para nós'. Uma outra vez, ele entrou na cozinha, me viu e disse, "Ah, vejo que nossa pequenina está um pouco mais gorda!"
Parte de suas obrigações envolviam selecionar cartas de fãs e presentes que eram entregues aos milhares em sua casa.
"Havia cigarros, potes de geléia, flores, fotografias," ela lembrou. "Dávamos a maioria deles para famílias de camponeses pobres sob as ordens de Hitler."
Seu tempo em serviço também permitiu-lhe ver de perto a mulher que Hitler manteve segredo de seus conhecidos durante seu governo - Eva Braun. "Ela não era tão bonita de perto," relembrou Rosa.
"Himmler estava sempre lá também, mais magro do que ele parecia nas fotos, e Goebbels."
"E Bormann, eu não gostava dele de jeito nenhum. Ele era um porco imundo." pelo final de 1934, a casa foi cercada por campos minados e pontos de guarda da SS. Rosa disse. "Eu me sentia como uma prisioneira ao invés de uma empregada."
Em 1935, ela se apaixonou por um comerciante local, Josef Amorts e entregou seu aviso prévio. Ela foi informada que poderia ir embora imediatamente.
"Eu encontrei Hitler somente uma vez mais, em 10 de dezembro de 1936, quando Anni se casou com Herbert Doehring, gerente de Berghof. Ele veio ao casamento e foi educado comigo, dizendo que sentia minha falta."
Rosa Mitterer no casamento de sua irmã, com a presença de Hitler (centro)
Rosa casou em 1939 e teve três filhas. Ela mais tarde se casou novamente. Uma bisavó, ela agora vive em Munique. Após a guerra ela teve que confrontar a realidade do homem por quem ela trabalhou com tanta dedicação. E em particular a realidade do Holocausto.
"Que ele ordenou tais coisas terríveis, eu não consigo acreditar," ela disse. "Mesmo agora, eu prefiro me lembrar das facetas encantadoras de sua personalidade."
[ARM] Armas de Infantaria: Baioneta
Presa a um fuzil, uma baioneta permite a este ser usado como uma pequena lança para impulso. O termo “bayonette” data do final do século XVI, entretanto não está claro se a arma nesta época era a mesma como é conhecida atualmente, ou simplesmente um tipo de faca. As primeiras baionetas foram to tipo “plugue”. A baioneta tinha um cabo arredondado que deslizava diretamente no cano do mosquete. Isto naturalmente prevenia a arma de ser disparada. As baionetas forneciam um complemento útil aos sistemas de armas quando um inimigo, atacando no sentido de se aproximar do soldado, poderia cruzar o “terreno de matança” do mosquete (um alcance de aproximadamente 100 metros na melhor das hipóteses) às expensas de talvez uma ou duas salvas do soldado defensor. Uma baioneta de um pé de extensão (30,48 cm), estendendo-se a uma regulagem de 43 cm durante a Era Napoleônica, sobre um mosquete de 1,5 metro de comprimento alcançava um alcance similar à lança de infantaria dos tempos antigos. A combinação baioneta/mosquete era, contudo, consideravelmente mais pesada que uma lança de mesmo comprimento.
O advento da guerra moderna no século XIX diminuiu a utilidade da baioneta e, já na Guerra Civil Americana, a baioneta foi responsável por menos de 1% das baixas no campo de batalha. A guerra contemporânea ainda vê uso da baioneta em luta corpo-a-corpo. As forças britânicas, por exemplo, realizaram cargas de baionetas na Guerra das Malvinas (março a junho de 1982) e na Segunda Guerra do Golfo, ou Guerra do Iraque (2003). Durante a Guerra da Coréia, o comandante Lewis L. Millet (n. 1920) liderou os soldados do 27o. Regimento de Infantaria dos EUA contra uma posição chinesa de metralhadora armado de baionetas; por esta ação, Millet foi condecorado com a Medalha de Honra.
As baionetas modernas possuem geralmente o formato de faca, tendo um cabo e um soquete e permanentemente presa a um fuzil. A maioria dessas baionetas tem uma mosca, que é uma depressão côncava na lâmina projetada para reduzir o peso, sem perder sua firmeza. Alguns especulam que este design torna a baioneta fácil de retrair-se após uma punhalada, permitindo o ar entrar no ferimento que produz, ou fazer com que o sangue seja drenado dele, mas, de fato, as moscas não têm mostrado esse efeito experimentalmente. A figura 1 mostra um fuzil Sig 550 do exército suíço com uma baioneta.
O advento da guerra moderna no século XIX diminuiu a utilidade da baioneta e, já na Guerra Civil Americana, a baioneta foi responsável por menos de 1% das baixas no campo de batalha. A guerra contemporânea ainda vê uso da baioneta em luta corpo-a-corpo. As forças britânicas, por exemplo, realizaram cargas de baionetas na Guerra das Malvinas (março a junho de 1982) e na Segunda Guerra do Golfo, ou Guerra do Iraque (2003). Durante a Guerra da Coréia, o comandante Lewis L. Millet (n. 1920) liderou os soldados do 27o. Regimento de Infantaria dos EUA contra uma posição chinesa de metralhadora armado de baionetas; por esta ação, Millet foi condecorado com a Medalha de Honra.
As baionetas modernas possuem geralmente o formato de faca, tendo um cabo e um soquete e permanentemente presa a um fuzil. A maioria dessas baionetas tem uma mosca, que é uma depressão côncava na lâmina projetada para reduzir o peso, sem perder sua firmeza. Alguns especulam que este design torna a baioneta fácil de retrair-se após uma punhalada, permitindo o ar entrar no ferimento que produz, ou fazer com que o sangue seja drenado dele, mas, de fato, as moscas não têm mostrado esse efeito experimentalmente. A figura 1 mostra um fuzil Sig 550 do exército suíço com uma baioneta.
Figura 1
[ARM] Armas de Infantaria: Faca
Usada em ações secretas, pelo fato de serem facilmente encobertas e ter inúmeros usos, ou como último recurso em combate. A faca deve perfurar ou retalhar o oponente em combates corporais e defesa pessoal.
Facas possuem hoje muitos usos para incontáveis trabalhos. Os militares ainda usam facas nas linhas de frente se a arma primária estiver indisponível, ou presa à extremidade de uma arma como uma baioneta. Uma boa faca militar é freqüentemente usada para abrir crateras, romper fios e cercas, cortar corda tipo 550 (corda utilizada em pára-quedas desde a Segunda Guerra e que possui muitos usos), abrir MREs (pacotes de ração alimentar) e outros usos. A figura 1 mostra uma faca típica e suas partes principais.
Facas possuem hoje muitos usos para incontáveis trabalhos. Os militares ainda usam facas nas linhas de frente se a arma primária estiver indisponível, ou presa à extremidade de uma arma como uma baioneta. Uma boa faca militar é freqüentemente usada para abrir crateras, romper fios e cercas, cortar corda tipo 550 (corda utilizada em pára-quedas desde a Segunda Guerra e que possui muitos usos), abrir MREs (pacotes de ração alimentar) e outros usos. A figura 1 mostra uma faca típica e suas partes principais.
Figura 1
Na figura, vemos a lâmina (1) e o cabo ou empunhadeira (2). O gume da lâmina pode ser liso ou serrilhado, ou uma combinação de ambos. O cabo, usado para segurar e manipular a lâmina de modo seguro, pode incluir a espiga, uma porção da lâmina que se estende dentro do cabo. A lâmina consiste da ponta (3), a extremidade da faca usada para perfurar, o fio ou gume (4), a superfície cortante da faca se estendendo da ponta até o calcanhar, o afiador (5), o formato da seção reta da lâmina, o dorso ou contra-fio (6), o topo, a porção mais grossa da lâmina, a mosca (7), o entalhe adicionado para reduzir o peso e tensionar a lâmina, e o ricasso (8), a porção grossa da lâmina juntando a lâmina com o cabo. A guarda (9) é a barreira entre a lâmina e o cabo que protege a mão do empunhador do oponente, ou a lâmina da própria faca. A extremidade do cabo, ou pomo (10), pode permitir um cordão (11), usado para segurar a faca no pulso, ou uma porção da espiga para se ressaltar como uma superfície de ataque para encurralar ou refletir.
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