sábado, 10 de novembro de 2012

[SGM] Grã-Bretanha queria execução ao invés de Nuremberg para os líderes nazistas

The Guardian, 26/10/2012

 
O governo britânico se opôs ao estabelecimento dos tribunais de crimes de Guerra de Nuremberg no final da Segunda Guerra Mundial, pois ela queria que os líderes nazistas fossem sumariamente executados e os outros presos sem julgamento, de acordo com um relatório tornado público na sexta-feira.

Winston Churchill fez a proposta na Conferência dos “Três Grandes” em Yalta em fevereiro de 1945, de acordo com o relatório, mas foi derrotado por Franklin D. Roosevelt, que acreditava que o público americano exigiria um julgamento adequado, e Joseph Stalin, que argumentou que os julgamentos públicos têm enorme valor de propaganda.

Os britânicos concordaram com os julgamentos de crimes de guerra apesar da opinião contrária de alguns funcionários importantes do governo, que acreditavam que processar a liderança nazista sobrevivente por conduzir uma guerra de agressão poderia gerar um precedente perigoso. Eles também temiam que os julgamentos estariam no mesmo nível que os julgamentos-espetáculos na Rússia de Stalin.

O pensamento britânico na época que os líderes aliados estavam tentando alcançar um acordo dobre o formato político da Alemanha do pós-guerra está em um diário que Guy Liddell, chefe de contra-espionagem no MI5, manteve durante os anos 1940 e 50. Codificado como Wallflowers e supostamente mantido em segurança no escritório dos diretores-gerais do MI5, os volumes da guerra do diário foram desclassificados, e cópias redigidas dos volumes do pós-guerra estão disponíveis no Arquivo Nacional.

Liddell apoiou um plano esboçado pelo diretor de ações públicas, Sir Theobald Mathew, para a eliminação de nazistas selecionados, ao invés da colocação deles em julgamento, após uma comissão de inquérito “chegar à conclusão” que esta era a opção preferida.

Em 21 de junho de 1945, Liddell ditou uma entrada no diário ao seu secretário sobre uma visita ao seu escritório por um funcionário do Departamento de Crimes de Guerra Britânico, e representantes do MI6 e do Departamento de Operações Especiais, procurando por evidência para apoiar a ação contra crimes de guerra.

“Pessoalmente, acho que o procedimento completo é totalmente terrível. O DPP recomendou que um comitê da verdade deveria chegar à conclusão de que certas pessoas deveriam ser eliminadas e que outras deveriam receber vários termos de prisão, que isto deveria ser colocado no Parlamento e que a autoridade deveria ser dada a qualquer corpo militar para encontrar esses indivíduos em sua área para prisão e infligir-lhes qualquer punição que seja decidida. Esta era uma proposição muito clara e não levaria a lei a ser desacreditada.”

“Winston  colocou isso em Yalta, mas Roosevelt sentiu que os americanos queriam um julgamento. Joe apoiou Roosevelt dizendo francamente que os russos gostavam de julgamentos públicos para objetivos de propaganda. Parece para mim que fomos levados ao nível da paródia legal que aconteceu na URSS nos últimos 20 anos.”

Em julho de 1946, Liddell voou para Nuremberg com o vice-chefe do MI5, Oswald Harker, para assistir ao julgamento de 21 líderes nazistas, incluindo Herrmann Göring (“consideravelmente mais magro”) e Albert Speer (“provavelmente um dos mais hábeis no grupo”).

Lá, ele sentiu que sua apreensão de que os tribunais seriam um pouco melhores do que os julgamentos-espetáculos foi confirmada. “Ninguém pode fugir ao sentimento de que a maioria das coisas que os 21 são acusados de terem feito em um período de 14 anos, os russos as fizeram por 28 anos. Isto aumenta consideravelmente a atmosfera embusteira de todos os procedimentos e leva-me ao ponto que me preocupa muito, qual seja, que a corte é a dos vitoriosos, que estabeleceram suas regras, seus próprios procedimentos e suas próprias regras de evidência no sentido de lidar com os derrotados.”

Enquanto os tribunais de Nuremberg são agora vistos como um momento ímpar na justiça internacional, fornecendo a base na qual criminosos de guerra poderiam ser levados ao julgamento, Liddell pensava que não era inteligente processar os nazistas por terem conduzido uma guerra de agressão. “Ninguém tem idéia... de quão perigoso precedente está sendo criado,” ele disse.    

Os Réus

O tribunal de Nuremberg foi estabelecido em 1945. Dois anos depois, a URSS, a Grã-Bretanha e os EUA publicaram sua Declaração das Atrocidades Alemã na Europa Ocupada, que dizia que, quando os nazistas foram derrotados, os aliados os “perseguiriam até os confins da terra... para que a justiça possa ser feita.”

Vinte e quatro réus foram acusados em quatro acusações: crime contra a paz, planejamento e condução de guerras de agressão, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Eles não incluíam Adolf Hitler, Heinrich Himmler, chefe da SS, e Joseph Goebbels, chefe da propaganda, que suicidaram-se. Martin Bormann, o secretário do partido nazista, foi julgado em ausência – seus restos foram encontrados muitos anos depois em Berlim.

Robert Ley, chefe do movimento “Fortalecimento pela Alegria”, enforcou-se antes do julgamento iniciar. Hermann Göring, o sucessor de Hitler, matou-se com uma pílula de cianeto na noite anterior da execução.

Rudolf Hess, antigo vice de Hitler, que viajou à Inglaterra em 1941 para o que ele chamou um plano de paz, foi condenado à prisão perpétua. Ele suicidou-se na prisão de Spandau, Berlim, em 1987.

Albert Speer, o arquiteto de Hitler que foi responsável pela exploração em massa de trabalhadores estrangeiros, foi aprisionado por 20 anos. O homem que fornecia a mão-de-obra escrava, Fritz Sauckel, foi sentenciado à morte, junto com 12 outros.

O tribunal de Nuremberg deu seu nome à defesa do “estava apenas obedecendo ordens.” Ele também resultou em uma série de convenções internacionais sobre leis de guerra, genocídio, e direitos humanos, e o estabelecimento de uma corte internacional permanente em Haia.

http://www.guardian.co.uk/world/2012/oct/26/britain-execution-nuremberg-nazi-leaders

 
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