sexta-feira, 20 de setembro de 2013

[SGM] O Fardo da Eterna Culpa Alemã

Paul Gottfried, 11/01/2012



O politicamente correto tem permeado a atividade do historiador de tal forma que historiadores honestos devem reinventar a roda. Ele tem infectado a história alemã em particular. A doutrina da “culpa coletiva” alemã é frequentemente mantida como uma precondição para o bom comportamento alemão. Historiadores profissionais nos EUA, Inglaterra e especificamente na Alemanha devem assumir a maldade generalizada de seu objeto de estudo desde pelo menos a unificação de 1871. O principal teórico social da República alemã, Jürgen Habermas, argumentou repetidamente que ver os alemães menos do que responsáveis por todas as principais catástrofes europeias é “pedagogicamente perigoso”.

Habermas parece ignorante do que o pai da moderna história técnica, Leopold Von Ranke, estabeleceu como a real função do historiador: descrever o passado como “ele de fato ocorreu.” Ele se sente totalmente feliz que os alemães aprendam meias-verdades e mesmo invenções descaradas, desde que estas signifiquem culpabilidade e, portanto, um anseio pela reconciliação. Tal autoaversão também tornará os alemães ansiosos em desistir de sua identidade nacional pecaminosa e tornarem-se membros da comunidade internacional (mesmo que ela realmente não exista). Certas inverdades têm um caráter aparentemente salutar e todos os principais partidos políticos alemães agora aceitam a responsabilidade única da Alemanha pelas duas guerras mundiais e o papel positivo dos exércitos de Stalin em “libertar” seu país do “fascismo”.

Essencial a esta autoflagelação é ter o servo Auschwitz, nas palavras de um antigo ministro do exterior alemão, como “o mito fundador da República Federal Alemã.” Uma pessoa deve acreditar que o Terceiro Reich não somente matou milhões de judeus, mas que os alemães de todas as classes e religiões cooperaram alegremente. A forma mais extrema desta acusação é encontrada no livro Os Carrascos Voluntários de Hitler, de Daniel J. Goldhagen (1996), lançado na Alemanha como Hitlers Willige Vollstrecker. O livro tornou-se um sucesso alemão apesar de sua evidência não provada ou inventada, uma fraude metodicamente dissecada por críticos judeus como Norman Filkenstein e Ruth Bettina Birn em Uma Nação sob Julgamento: A Tese de Goldhagen e a Verdade Histórica (1998). Mesmo assim, Goldhagen conduziu viagens literárias entre os descendentes daqueles que ele indiscriminadamente esculacha, trazendo exposições em massa de alemães pecadores arrependidos.

Nem todos os livros sobre o que os alemães supostamente sabiam sobre o Holocausto e o que eles fizeram para torná-lo possível são tão relaxados quanto o trabalho de Goldhagen. A formulação mais respeitável de sua tese é mais ou menos essa: o extermínio nazista dos judeus era um “segredo aberto”. Nenhum administrador alemão ou oficial alemão deveria saber “segredos de Estado” a menos que eles pertencessem à sua função específica. Enquanto qualquer violação desta restrição seria punida com rigor, o segredo não era tão bem guardado quanto seus conquistadores acreditavam. Os judeus não podiam ser removidos, somos informados, sem que seus vizinhos não-judeus não soubessem que eles sofreriam um destino terrível onde quer que fossem levados.

A visão atual diz que havia antissemitismo na Alemanha há séculos. Ela explica que no período entre guerras, os partidos nacionalistas que exigiam a exclusão dos cidadãos judeus receberam muitos votos. Há algo mais que os historiadores germanófobos agora enfatizam, mas que eles podem exagerar: a divisão ocasional da distinção entre os membros da Waffen SS Einsatzgruppen – que cercavam e assassinavam judeus, poloneses e russos – e os soldados da Wehrmacht que simplesmente estavam combatendo.

Agora, todo historiador anglófilo escrevendo sobre o Terceiro Reich está argumentando que o Holocausto foi em sua maior parte o trabalho de soldados alemães regulares. A afirmação de “minimizadores do Holocausto” – de que o número de prisioneiros mortos nos campos de extermínio foram inflacionados – agora parece aceitável. Mas historiadores como Tim Snyder e Richard J. Evans contra-argumentaram que não era necessário transportador os judeus para os campos de extermínio porque muitos soldados estavam executando o serviço sujo. Eles descrevem o Holocausto como um projeto de execução pública, alimentado pela simpatia pela “Solução Final” de Hitler.

Esta visão tornou-se tão comum entre os antifascistas alemães (não há outro tipo agora permitido) que em demonstrações públicas e exibições excessivas, o soldado médio da Wehrmacht foi transformado em um executor principal dos assassinos nazistas. Nestas ocasiões, jovens nos abordam para nos dizer que seus avós ou bisavós eram certamente assassinos em massa. Estes descendentes penitentes parecem desejar que sua nação ancestral logo despareça.

É contra este cenário de loucura que Alfred de Zayas, um alto funcionário aposentado da Comissão das Nações Unidas para Direitos Humanos, publicou o livro Genocídio como um Estado Secreto (Völkermord als Staatsgeheimnis, 2011). Zayas escreveu outros trabalhos controvertidos que vão contra o discurso padrão esquerdista. Entre seus primeiros estudos estão as análises extensamente documentadas dos assassinatos organizados dos europeus orientais contra os alemães étnicos depois da Segunda Guerra Mundial, assim como os acordos do pós-guerra que permitiram estes crimes. Os trabalhos de Zaya são dolorosamente documentados, e seu último estudo é baseado em trinta e cinco anos de entrevistas e uma rigorosa seleção de fontes. O autor reuniu os registros e testemunhos dos Julgamentos de Nuremberg em 1946-47 e entrevistou “criminosos de guerra” sobreviventes, incluindo Albert Speer e o almirante Karl Dönitz, os promotores de Nuremberg e antigos prisioneiros de guerra dos nazistas.

Registros do Departamento da Wehrmacht para Investigação de Violações da Lei Internacional indicam um desejo oficial de investigar crimes relatados contra civis. Não há nada que sugira que estes investigadores soubessem algo sobre a Solução Final de Hitler. Quando eles recebiam relatórios sobre fuzilamentos “injustificados” de civis em áreas ocupadas, eles processavam os acusados. Mesmo os juízes designados para a Waffen SS estavam no escuro em relação à missão dos Eisatzgruppen, e algumas vezes eles investigavam relatórios sobre assassinatos em massa acontecendo no leste. Mesmo os inimigos do regime – indo desde aristocratas antinazistas associados com a Resistência até os perseguidos social-democratas (tais como a parcialmente família judia do ex-Chanceler Helmut Schmidt), e mesmo antigos internos dos campos de concentração – não tinham nenhuma ideias da Solução Final. De acordo com a estória oficial, os judeus estavam sendo realocados e seriam empregados em divisões de trabalho fora da Alemanha. Apesar desta evacuação forçada ter causado alguma preocupação entre amigos e vizinhos, o que estava acontecendo não parecia como o início de um genocídio.

A razão mais óbvia para isto é que o segredo era estritamente obedecido. O Holocausto foi planejado por um pequeno círculo que se encontrou no subúrbio de Berlim em janeiro de 1942. Ao se dirigir a seus subordinados da SS em Posen em 1943, Himmler anunciou como seu segredo estava sendo mantido. Outros fatores trabalharam para manter o segredo sem vazamentos: os campos de extermínio, opostamente aos campos de concentração gerais, foram construídos no leste, não na Alemanha. Então, de 1943 em diante, os civis alemães foram submetidos ao bombardeio aliado e tinham que se proteger enquanto as forças inimigas caíam sobre eles. Nesta situação, era improvável que o cidadão alemão se preocuparia a respeito do vizinho judeu “realocado”.

Mesmo as fontes estrangeiras, que eram amplamente disponíveis nas transmissões de rádio, tinham pouco a dizer sobre os judeus mortos e ser pego usando estas fontes poderia significar ao acusado prisão em um campo de concentração. Os alemães que tivessem por acaso descoberto estes crimes não teriam condições de interrompê-los já que divulgar o segredo para um funcionário do governo poderia ser fatal.

Ironicamente, Zayas confirma as evidências sobre o Holocausto que vieram dos Julgamentos de Nuremberg. Apesar desses julgamentos terem sido planejados para tornar os alemães envergonhados de seu país, os juízes não consideraram todos os alemães cúmplices no Holocausto. Foi considerado que o extermínio em massa dos judeus foi um segredo cuidadosamente guardado. Muitos poucos daqueles que foram julgados foram sentenciados à morte ou prisão perpétua por planejarem a morte dos judeus. Mesmo os  promotores acreditavam no que Zaya nos diz em relação ao conhecimento da Solução Final. De fato, houve casos isolados de unidades da Wehrmacht participando no fuzilamento de judeus e outros civis, particularmente em Kharkov e outros lugares na Ucrânia. Mas estes foram tratados como casos especiais e não vistos como comportamento típico da Wehrmacht.

Fica claro que Zayas – que repete a visão do pós –guerra, do Julgamento de Nuremberg, de quem sabia o quê sobre o Holocausto – é agora lembrado em alguns círculos como um apologista alemão. Da perspectiva distorcida atual da intelectualidade alemã, a humilhação do país no pós-guerra nunca vai longe o suficiente.

Paul Edward Gottfried (1941) é um filósofo político conservador, colunista e ex-professor de Humanidades na Faculdade Elizabethtown na Pensilvânia. Atualmente, ele trabalha para o Instituto Ludwig Von Mises.

Um comentário:

Unknown disse...

Muito bom cara!
Nunca tinha lido nada parecido.

Sdds.